{"id":85009,"date":"2024-11-05T00:16:07","date_gmt":"2024-11-05T03:16:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=85009"},"modified":"2024-11-30T00:17:59","modified_gmt":"2024-11-30T03:17:59","slug":"entrevista-nao-se-assustem-com-o-nosso-portugues-pedem-os-lisboetas-da-banda-ganso-que-esta-com-disco-novo-e-quer-vir-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/05\/entrevista-nao-se-assustem-com-o-nosso-portugues-pedem-os-lisboetas-da-banda-ganso-que-esta-com-disco-novo-e-quer-vir-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;N\u00e3o se assustem com o nosso portugu\u00eas&#8221;, pedem os lisboetas da Ganso, que est\u00e1 com disco novo e quer vir ao Brasil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA nossa m\u00fasica \u00e9 \u2018spooky\u2019, porque gostamos de sonoridades misteriosas, liricamente ricas e sem amarras\u201d, diz-me o baixista Gon\u00e7alo Bicudo, acompanhado pelo guitarrista Miguel Barreira e pelo baterista Diogo \u2018Horse\u2019 Rodrigues, quando solicito uma apresenta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do som dos <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ganso.mp3\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ganso<\/a>, durante uma animada conversa numa esplanada de um restaurante japon\u00eas perto da Esta\u00e7\u00e3o de Santa Apol\u00f3nia, em Lisboa. Do grupo fazem igualmente parte Jo\u00e3o Sala (vocalista, letrista e tecladista) e Lu\u00eds Ricciardi (tecladista) que n\u00e3o puderam estar presentes na entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Ganso formaram-se em 2015 com base na amizade que mantiveram na inf\u00e2ncia. A maioria dos seus integrantes frequentou o Liceu Franc\u00eas de Lisboa e convivia em locais como o Bairro Alto, onde trocavam impress\u00f5es sobre a m\u00fasica que pretendiam fazer e os instrumentos que tocavam. Foi uma forma\u00e7\u00e3o em evolu\u00e7\u00e3o e o nome da banda surgiu de uma forma aleat\u00f3ria. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhuma liga\u00e7\u00e3o espiritual com o animal em si, apenas gostamos da sonoridade da palavra\u201d, explica Miguel Barreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estreia do quinteto lisboeta veio com o EP \u201cCostela Ofendida\u201d (2015) e dois anos depois lan\u00e7aram o \u00e1lbum \u201cP\u00e1 P\u00e1 P\u00e1\u201d, um trabalho relativamente solto que abriu caminho para \u201cN\u00e3o Tarda\u201d (2019), um disco mais maduro e compassado com um feeling de banda em plena carbura\u00e7\u00e3o em est\u00fadio, a que se seguiram os singles \u201cGino (O Menino Bolha)\u201d e \u201cSorte a Minha\u201d, de 2022, que marcaram o regresso do grupo \u00e0 atividade depois do per\u00edodo da pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a edi\u00e7\u00e3o do terceiro \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/ganso.mp3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vice Versa<\/a>\u201d (2024), gravado em Paris no passado m\u00eas de junho, nos est\u00fadios La Frette, com a produ\u00e7\u00e3o de Domingos Coimbra (Capit\u00e3o Fausto) e do engenheiro de som Anthony Cazade (Arctic Monkeys e Nick Cave), os Ganso criaram um conjunto de can\u00e7\u00f5es din\u00e2micas e encorpadas, dando um sentido mais amplo ao seu indie rock, \u00e0 l\u00edrica e aos jogos de palavras incisivos do vocalista Jo\u00e3o Sala. H\u00e1 uma evidente marca do pop dos anos 80, arranjos prog-rock, e uma converg\u00eancia de sintetizadores anal\u00f3gicos e guitarras distorcidas no trabalho que lhe d\u00e3o um especial encanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa adi\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhada por um novo pico de matura\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre a atualidade, sem perder de vista aspetos como a frui\u00e7\u00e3o, o romantismo ou o afeto. Para al\u00e9m dos singles de avan\u00e7o \u201cPapel de Jornal\u201d e \u201cFetiche Fon\u00e9tico\u201d, que resultaram em clipes, destacam-se ainda a vigorosa faixa-t\u00edtulo (segundo Diogo, \u201c\u00e9 a m\u00fasica mais completa porque, tanto fala do conceito unificador do \u00e1lbum desenvolvido pelo Jo\u00e3o Sala, que assenta nas parecen\u00e7as que afastam as pessoas e nas diferen\u00e7as que as aproximam, como do amor\u201d), a ir\u00f4nica \u201cSinais a Mais\u201d e a arrojada \u201cNos Anos 20\u201d que exprime a ambiguidade entre o presente e o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, os Ganso est\u00e3o em pleno processo de apresenta\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/ganso.mp3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vice Versa<\/a>\u201d, num tour de v\u00e1rias cidades portuguesas que culminar\u00e1 com um show no B. Leza (Lisboa) a 19 de Dezembro. A \u00eanfase nas novas can\u00e7\u00f5es e o fato de sentirem que se est\u00e3o a aprimorar, \u00e0 medida que a turn\u00ea avan\u00e7a, dominam o pensamento do grupo, mas existem outros objetivos que a banda pretende alcan\u00e7ar. \u201cEstamos a tentar traduzir da melhor forma a complexidade dos arranjos e a ambi\u00e7\u00e3o que tivemos em acrescentar mais camadas no disco e procurar que isso esteja presente no espet\u00e1culo e as pessoas possam sentir essas coisas\u201d, conclui Miguel Barreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Lisboa para o Brasil, os Ganso conversaram com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"GANSO - Papel de Jornal\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bLR8tPDsrmM?list=OLAK5uy_lpIa-SkvuzK1q8clgM6VLiSqn4nt6hPYY\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo \u00e1lbum, \u201cVice Versa\u201d (2024) foi gravado durante o ver\u00e3o, em Paris, nos est\u00fadios La Frette, e contou com a produ\u00e7\u00e3o de Domingos Coimbra (Capit\u00e3o Fausto) e do engenheiro de som Anthony Cazade (Arctic Monkeys e Nick Cave). Como correu o processo e em que medida trabalhar com o Domingos e o Anthony enriqueceu o vosso trabalho?<\/strong><br \/>\nA experi\u00eancia em Paris foi fant\u00e1stica. Tratou-se de uma semana m\u00e1gica nas nossas vidas. Para j\u00e1, fomos muito bem preparados porque sab\u00edamos que t\u00ednhamos poucos dias, at\u00e9 porque o or\u00e7amento n\u00e3o dava para tudo. O objetivo era ter as m\u00fasicas quase prontas e ir l\u00e1 grav\u00e1-las. No processo de produ\u00e7\u00e3o o Domingos Coimbra foi fundamental porque \u00e9 sempre importante ter algu\u00e9m, que n\u00e3o tu pr\u00f3prio, a dizer-te: \u201cVamos tentar fazer isto de uma forma diferente\u201d. Ele agitou um pouco determinadas coisas que ach\u00e1vamos que estavam boas e, de fato, alguns aspectos que experimentamos ficaram melhores. O Anthony Cazade teve um papel mais de consultor s\u00f4nico, de certa forma. N\u00f3s mostramos ao Anthony o disco todo, antes de o come\u00e7armos a tocar, e ele ficou logo com uma ideia de como nos queria gravar. Foi discutida a forma como queriamos o som da bateria numa m\u00fasica, pedimos-lhe para fazer e ele dava ideias tamb\u00e9m. Sentimos que foi a\u00ed que tudo se tornou mais especial. Quando est\u00e1vamos a gravar a can\u00e7\u00e3o \u201cCurioso e Aborrecido\u201d, que foi intencionalmente composta para ter um beat de drum machine, e tendo em conta as limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, o Anthony sugeriu fazermos isso a tocar ao mesmo tempo. Ele fez-nos olhar para a m\u00fasica de outra maneira e contribuiu para o processo tal como o Domingos. Na realidade, n\u00e3o pod\u00edamos deix\u00e1-lo de fora. O Anthony deu mais ideias do que n\u00f3s imagin\u00e1vamos. N\u00f3s estamos em todas as fases do processo e \u00e9 sempre desafiante estar a olhar do exterior e o Domingos estava automaticamente fora ajudando-nos em grande parte dos arranjos. Foi a primeira vez que gravamos um \u00e1lbum sem ser com o nosso material ou de amigos. Como nos encontravamos numa situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era familiar tivemos de abrir os bra\u00e7os para outras pessoas e para esse espa\u00e7o que n\u00e3o conhec\u00edamos t\u00e3o bem. Isso tornou a experi\u00eancia do disco completamente diferente e enriquecedora. S\u00f3 de termos sa\u00eddo de l\u00e1 j\u00e1 estamos com imensas ideias de como queremos fazer o pr\u00f3ximo disco. Mesmo que sejamos n\u00f3s a grav\u00e1-lo ou com outra pessoa noutro local. O trabalho foi gravado em junho de 2024, lan\u00e7amos uma m\u00fasica dois meses depois e o disco em outubro. Nunca t\u00ednhamos registrado e acabado um \u00e1lbum em tr\u00eas meses. Foi quase como se tiv\u00e9ssemos recebido uma inje\u00e7\u00e3o de dopamina durante a noite e o dia (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Musicalmente, o disco tem um andamento mais \u2018upbeat\u2019 e juntam-se \u00e0 vossa sonoridade indie rock o pop dos anos 80, arranjos prog-rock e uma din\u00e2mica superior no contexto do vosso trabalho. Esta orienta\u00e7\u00e3o sonora foi uma forma de se afastarem do ritmo mais lento do \u00e1lbum \u201cN\u00e3o Tarda\u201d (2019) ou uma s\u00famula das vossas prefer\u00eancias atuais?<\/strong><br \/>\nAchamos que foi uma s\u00famula das nossas prefer\u00eancias atuais. Na \u00e9poca do disco \u201cN\u00e3o Tarda\u201d andavamos a escutar coisas mais calmas. Estavamos um pouco viciados no city pop japon\u00eas e nos sons atmosf\u00e9ricos e agora as nossas influ\u00eancias coletivas convergiram para timbres ritmados. Falamos de uma onda roqueira e 80\u2019s ou o que seja e acabou por surgir uma am\u00e1lgama dessas refer\u00eancias todas. Para este \u00e1lbum houve muitas influ\u00eancias que n\u00f3s fomos buscar, sejam os Talking Heads ou procurar um determinado som de bateria. Tamb\u00e9m referenciamos bandas de eletropop franc\u00eas como Justice ou Yellow Magic Orchestra (uma esp\u00e9cie de Kraftwerk do Jap\u00e3o). Eles usam imensos sintetizadores, que sempre adoramos. N\u00f3s escutamos esses m\u00fasicos, tentamos replic\u00e1-los, interpret\u00e1-los \u00e0 nossa maneira e trouxemos isso para o contexto das can\u00e7\u00f5es que escrevemos. Acabou por ficar uma coisa diferente dentro do nosso estilo. No entanto, concordamos consigo, porque tentamos fazer algo distinto do disco \u201cN\u00e3o Tarda\u201d. Esse trabalho era t\u00e3o calmo e os singles que lan\u00e7amos depois, \u201cGino (O Menino Bolha)\u201d e \u201cSorte a Minha\u201d, ambos em 2022, foram m\u00fasicas que compusemos nos retiros em que criamos estas. Depois da pandemia, estivemos muito tempo sem editar nada e quisemos dar uma inje\u00e7\u00e3o para poder fazer concertos e voltar \u00e0 vida ativa e pegamos nas melhores can\u00e7\u00f5es que escrevemos nos retiros e lan\u00e7amos esses dois singles e tentamos fazer uma digress\u00e3o, que correu muito bem para n\u00f3s. Depois, juntamos as restantes m\u00fasicas que t\u00ednhamos e acabamos por escrever mais tr\u00eas ou quatro e fizemos este disco. O nosso \u00faltimo lan\u00e7amento j\u00e1 vinha um pouco na onda de querermos partir do \u201cN\u00e3o Tarda\u201d para uma sonoridade mais \u2018upbeat\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro single, \u201cPapel de Jornal\u201d, tem uma toada acelerada e, liricamente, segundo as vossas palavras, \u201c\u00e9 um ego trip \u00e0 moda do hip hop\u201d. Gostaria de saber o que inspirou esta letra t\u00e3o afirmativa e agreste ao mesmo tempo?<\/strong><br \/>\nO Jo\u00e3o Sala (vocalista, letrista e tecladista da banda) na adolesc\u00eancia dele e mesmo hoje em dia sempre foi muito influenciado pelo rap e pelo hip-hop, sobretudo portugu\u00eas. Por isso, ele tem imensa vontade de introduzir esse tipo de maneirismos e linguagem no indie rock. \u00c9 uma forma que n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3pria ao nosso g\u00eanero musical, mas que d\u00e1 um certo frescor ao nosso estilo de can\u00e7\u00f5es. Quando vimos essa letra pensamos: \u201cLindo!\u201d. Porque \u00e9 uma coisa diferente e dissemos-lhe: \u201cNunca escreveste nada assim\u201d. E o Jo\u00e3o explicou-nos que no hip-hop h\u00e1 imensas letras semelhantes, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 grande hist\u00f3ria e o tema \u00e9: \u201cEu sou o maior e tu \u00e9s uma merda\u201d. A faixa \u201cPapel de Jornal\u201d acaba por seguir essa ideia de ser uma pessoa contra o mundo e em que esse indiv\u00edduo \u201cescreve letras muito bem e as do outro s\u00e3o p\u00e9ssimas\u201d. Ele n\u00e3o est\u00e1 a falar de ningu\u00e9m em particular, mas est\u00e1 a tomar de empr\u00e9stimo essa est\u00e9tica e a escrever por cima de uma malha instrumental que \u00e9 mais krautrock e assim cria-se uma fus\u00e3o interessante.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85011\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ganso2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ganso2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ganso2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em &#8220;Fetiche Fon\u00e9tico&#8221; voc\u00eas assinam a vossa primeira can\u00e7\u00e3o multilingue, numa parceria com o duo italiano Le Feste Antonacci. Como surgiu este encontro e o que pretendiam concretizar com a can\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEssa m\u00fasica surgiu num momento em que o Jo\u00e3o Sala j\u00e1 tinha escrito v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es. Nessa altura, encontramos o que julgavamos ser o fio condutor do disco, ou seja, aquilo que o Jo\u00e3o defende sobre as parecen\u00e7as que nos afastam e as diferen\u00e7as que nos aproximam e, com base nessa ideia que ele desenvolveu, ele falou sobre o sotaque do norte de Portugal. O Jo\u00e3o tem a sensa\u00e7\u00e3o que o nosso sotaque \u00e9 o mais escutado e disseminado, mas ele tem mais interesse noutros, independentemente de serem melhores ou piores. O encontro com os Le Feste Antonacci foi algo que o Diogo \u201cHorse\u201d Rodrigues insistiu, para termos colabora\u00e7\u00f5es no \u00e1lbum. Essa participa\u00e7\u00e3o acabou por acontecer t\u00e3o organicamente e foi a \u00fanica que acabou por fazer sentido. N\u00f3s conhecemos o baixista dos Le Feste Antonacci na Lisa (um bar lisboeta em Santos), porque eles tocaram com um m\u00fasico franc\u00eas (Antonin) nesse espa\u00e7o. O Jo\u00e3o Sala fez dj set, o pessoal estava todo l\u00e1 e conhecemos o Giacomo Lecchi D&#8217;Alessandro e acabou por a\u00ed. Quando esta conversa das participa\u00e7\u00f5es surgiu houve uma insist\u00eancia e pedimos ao Jo\u00e3o para mandar uma mensagem para os Le Feste Antonacci a convid\u00e1-los. N\u00f3s gostamos imenso deles e o grupo \u00e9 incr\u00edvel. Recebemos a resposta com a confirma\u00e7\u00e3o e eles disseram que adoraram a can\u00e7\u00e3o. Aquilo que escutamos no disco \u00e9 exatamente o que eles nos mandaram da primeira vez. Ficou \u00f3timo e acho que todos n\u00f3s queremos ter mais parcerias. Recordamo-nos bem do \u00e1lbum \u201cCuca Vida\u201d (2020), do selo Cuca Monga, onde participamos, que foi muito rico e na base de uns com os outros e todos por um. A m\u00fasica ganhou uma nova vida. Ela estava toda feita quando a mand\u00e1mos para eles, com um segundo verso do Jo\u00e3o Sala, mas foi enriquecedor de uma forma que n\u00e3o conseguir\u00edamos, porque trazer pessoas de fora \u00e9 sempre especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A editora a que est\u00e3o ligados, Cuca Monga, representa um portf\u00f3lio de artistas diversos como os Capit\u00e3o Fausto, Lu\u00eds Severo, Zarco, Jo\u00e3o Cora\u00e7\u00e3o e Salto, entre outros. Como avaliam o trabalho que tem sido desenvolvido desde a funda\u00e7\u00e3o (2014) relativamente aos Ganso e a todos os m\u00fasicos envolvidos?<\/strong><br \/>\nA Cuca Monga surgiu num momento chave, a segunda vaga da edi\u00e7\u00e3o independente em Portugal, porque a primeira tinha sido uns anos antes. Ela \u00e9 a editora de tudo aquilo que os Ganso j\u00e1 lan\u00e7aram e queremos que assim continue. Entendemo-nos bem e temos uma maneira parecida de ver a vida e a m\u00fasica. No fundo, a Cuca Monga \u00e9 formada por amigos, colegas nossos e amigos de longa data. S\u00f3 h\u00e1 coisas boas a dizer e destacamos sobretudo estes \u00faltimos anos e, particularmente, a vontade de crescer e representar os artistas de uma forma mais transversal e completa. A Cuca Monga \u00e9 o s\u00edtio onde gostar\u00edamos de estar e encontramo-nos mesmo. Ela tem algo de unificador e federador, porque o que interessa \u00e9 discutirmos ideias sejam elas pol\u00edticas, sociais ou de gargalhada. Estamos todos \u00e0 mesa ou a beber copos e n\u00f3s identificamo-nos com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostariam de deixar uma mensagem aos leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nEsperamos que os leitores do Scream &amp; Yell consigam ver a vida deles atrav\u00e9s dos nossos olhos e das nossas palavras. Nunca vivemos no Brasil mas imaginamos que seja diferente de c\u00e1. Desejamos que consigam encontrar um ponto comum mais do que n\u00f3s consigamos inventar se h\u00e1 ou n\u00e3o. Pedimos tamb\u00e9m que escutem os Ganso de mente aberta. A possibilidade de atuar no Brasil \u00e9 algo que nos agradaria muito. N\u00e3o sabemos qual \u00e9 a nossa audi\u00eancia l\u00e1. Esperemos que exista, porque vemos os coment\u00e1rios dos internautas brasileiros no nosso conte\u00fado. Era \u00f3timo partirmos num avi\u00e3o e tocarmos no outro lado do oceano. Seria uma forma de tentar expandir a mesma bolha, j\u00e1 que partilhamos a mesma l\u00edngua. Gostavamos imenso de tocar no Brasil seja em que cidade for. Por isso, se encontr\u00e1ssemos um circuito novo e mais amplo do que Portugal para fazer shows seria uma d\u00e1diva enorme. N\u00e3o se assustem com o nosso portugu\u00eas e d\u00eaem uma oportunidade \u00e0 m\u00fasica. Se for preciso leiam as letras dos Ganso no \u2018inlay\u2019 do disco. A lista de m\u00fasicos brasileiros que gostamos de ouvir \u00e9 intermin\u00e1vel. N\u00f3s retiramos coisas deles e influenciam-nos imenso, tanto nos arranjos como em melodias ou progress\u00f5es de acordes. Acreditamos que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds mais rico do ponto de vista musical. Da nova vaga brasileira gostamos muito da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, particularmente do \u00e1lbum hom\u00f4nimo de 2021 e do disco \u201cM\u00fasica do Esquecimento\u201d (2023), mas tamb\u00e9m da Ana Frango El\u00e9trico que tem um teor de \u2018groove\u2019 alt\u00edssimo e d\u00e1 mesmo ambi\u00e7\u00e3o de tocar aquele n\u00edvel um dia. Relativamente a coisas mais antigas, que talvez tenham influenciado o nosso novo trabalho, na tem\u00e1tica \u00b4spooky\u00b4, indicamos Os Mutantes. O \u00e1lbum \u201cClube da Esquina\u201d (1972), do Milton Nascimento, tamb\u00e9m nos estimula porque h\u00e1 uma altura da vida em que aquilo volta a ser relevante. N\u00e3o estamos a bajular os nossos potenciais ouvintes brasileiros para poder ir l\u00e1 tocar, porque trata-se de um panorama musical riqu\u00edssimo e que nos fascina.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"GANSO - Sinais a Mais\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oGb5RtPmxoY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em seu novo disco, os Ganso criaram um conjunto de can\u00e7\u00f5es din\u00e2micas e encorpadas, dando um sentido mais amplo ao seu indie rock, \u00e0 l\u00edrica e aos jogos de palavras incisivos&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/05\/entrevista-nao-se-assustem-com-o-nosso-portugues-pedem-os-lisboetas-da-banda-ganso-que-esta-com-disco-novo-e-quer-vir-ao-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":85010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7462,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85009"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85009"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85013,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85009\/revisions\/85013"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}