{"id":84927,"date":"2024-11-02T15:05:19","date_gmt":"2024-11-02T18:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=84927"},"modified":"2025-01-28T01:56:28","modified_gmt":"2025-01-28T04:56:28","slug":"tres-filmes-da-48a-mostra-sp-a-cozinha-mambembe-dahomey","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/02\/tres-filmes-da-48a-mostra-sp-a-cozinha-mambembe-dahomey\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes da 48\u00aa Mostra SP: &#8220;A Cozinha&#8221;, &#8220;Mambembe&#8221;, &#8220;Dahomey&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>textos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84930\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/lacocina.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/lacocina.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/lacocina-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;A Cozinha \/ La Cocina&#8221;, de Alonso Ruizpalacios (2024)<\/strong><br \/>\nO diretor mexicano Alonso Ruizpalacios alterna entre o drama social e o humor absurdo para conceber o seu quarto longa-metragem. Situado no decorrer de um \u00fanico dia, ambientado em um restaurante no cora\u00e7\u00e3o de Manhattan, em Nova York, \u201cA Cozinha\u201d acompanha a rotina dos cozinheiros, das atendentes e dos demais funcion\u00e1rios ap\u00f3s a not\u00edcia de que uma boa quantia sumiu do caixa do dia anterior. O resultado \u00e9 um clima de tens\u00e3o e uma dura investiga\u00e7\u00e3o que rola solta durante os longos 139 minutos do filme. Fora isso, outras tr\u00eas subtramas ajudam a intensificar o calor do caldeir\u00e3o: enquanto as pessoas de origem latina se tornam o alvo preferencial do gerente e do dono do estabelecimento, um homem precisa lidar com um desafeto e duas mulheres lutam para superar obst\u00e1culos espec\u00edficos; a primeira tenta passar com louvor pelo teste do primeiro dia como cozinheira, a segunda precisa realizar um aborto, \u00e0 contragosto do parceiro. Na tentativa de retratar a luta de classes e os pequenos poderes em seu microcosmo, Ruizpalacios escolhe fotografar em preto e branco, adotando uma tonalidade e uma textura que denunciam a influ\u00eancia de &#8220;Roma&#8221; (2018), de seu conterr\u00e2neo Alfonso Cuar\u00f3n, e \u00e0s vezes parece mimetizar a s\u00e9rie &#8220;The Bear&#8221; (2022-) sem a mesma habilidade de Christopher Storer e cia. Arrogante, bagun\u00e7ado e histri\u00f4nico, o filme incomoda ainda mais por apontar, em seu in\u00edcio, para uma riqueza dram\u00e1tica que posteriormente s\u00f3 se esvazia, dando lugar \u00e0 perfumaria barata, com uma decupagem pseudo elaborada, recheada de longos planos com movimentos de execu\u00e7\u00e3o complexa, e mon\u00f3logos intermin\u00e1veis de um dos protagonistas mais chatos dos \u00faltimos tempos &#8211; n\u00e3o por culpa de Ra\u00fal Briones Carmona, que faz o poss\u00edvel para combater a caricatura de seu personagem. Se nos primeiros 10 ou 15 minutos de filme t\u00ednhamos uma boa protagonista em potencial &#8211; Estela, interpretada com sutileza e sagacidade por Anna Diaz -, que nos conduz por esse breve momento, muito rapidamente ela \u00e9 escanteada pelo personagem de Carmona, que na dobradinha com a gar\u00e7onete vivida por Rooney Mara (inexplic\u00e1vel esse casting, por melhor atriz que ela seja) toma o filme para si at\u00e9 culminar na \u00f3bvia e rid\u00edcula sequ\u00eancia explosiva do terceiro ato, com direito \u00e0 cozinha inundada, chef esperneando com a bunda de fora e comidas sendo arremessadas a torto e a direito. A conclus\u00e3o chega com li\u00e7\u00f5es de moral apontadas para o capitalista, mas \u00e9 o trabalhador que sofre as consequ\u00eancias de todo jeito &#8211; a vida do restaurante, no final das contas, segue firme e forte, e a m\u00e1quina de moer gente continua a todo vapor. \u00c9 triste constatar, mas quanto mais o tempo passa, mais pretensioso e irritante \u201cA Cozinha\u201d se cristaliza na mem\u00f3ria.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84931\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mambembe.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mambembe.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mambembe-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Mambembe&#8221;, de Fabio Meira (2024)<\/strong><br \/>\nO novo trabalho de Fabio Meira, diretor de \u201cAs Duas Irenes\u201d (2017) e \u201cTia Virg\u00ednia\u201d (2023), \u00e9 a prova de que o Cinema se constitui tanto dos filmes que foram feitos quanto daqueles que jamais viram a luz do dia, dos projetos bem sucedidos e dos que naufragaram a despeito da vontade de seus realizadores. &#8220;Mambembe&#8221; (2024) \u00e9 um belo document\u00e1rio que mistura o encantamento do circo com a peregrina\u00e7\u00e3o de um jovem autor em busca de seu primeiro filme. Meira, que inicialmente faria desta hist\u00f3ria uma fic\u00e7\u00e3o (o seu primeiro projeto de longa-metragem, engavetado tantas vezes), foi obrigado, por &#8220;n&#8221; circunst\u00e2ncias, sobretudo financeiras, a planejar, replanejar, filmar e refilmar durante anos a fio &#8211; quinze, para ser mais preciso &#8211; este que acabou se tornando, no lugar de uma obra ficcional tradicional, um document\u00e1rio perform\u00e1tico. O que vemos e ouvimos na sala de cinema s\u00e3o as imagens e os sons que come\u00e7aram a ser escritos e capturados em 2009 por um diretor e uma equipe que investigavam a pluralidade dos circos tradicionais do Nordeste e do Norte do Brasil. O m\u00e9todo era viajar estrada afora conhecendo pessoas, entrevistando personagens em potencial e tentando descobrir na arte circense e na vida itinerante dessas fam\u00edlias que tipo de filme poderia nascer. Foi apenas na retomada do projeto que Meira decidiu explorar ao m\u00e1ximo as suas inseguran\u00e7as por meio dos materiais de arquivo que tinha nas m\u00e3os e optou por fabricar uma narra\u00e7\u00e3o, de teor bastante pessoal, para ser o fio condutor de sua narrativa. A narra\u00e7\u00e3o \u00e9 inteligente porque consegue conciliar os fantasmas do passado com as ideias do presente. Quando tenta resgatar a sua caracter\u00edstica ficcional inicial, servindo como uma esp\u00e9cie de auto-homenagem, o filme funciona bem menos do que quando abra\u00e7a a encruzilhada t\u00edpica de document\u00e1rios h\u00edbridos. Na trama original &#8211; de certo modo mantida na vers\u00e3o final do filme, ainda que de maneira fragmentada &#8211; Ruy, interpretado por Murilo Grossi, \u00e9 um top\u00f3grafo que viaja pelo Brasil e que se envolve com tr\u00eas mulheres circenses: \u00cdndia Morena, dona de um circo, artista aguerrida e respeitada pelos seus; Madona, uma dan\u00e7arina trans apaixonada pela efemeridade da estrada; e J\u00e9ssica, uma jovem que, dentre outras fun\u00e7\u00f5es, performa um n\u00famero com bambol\u00eas; das tr\u00eas, apenas J\u00e9ssica ganha uma int\u00e9rprete profissional (Dandara Guerra), as demais s\u00e3o interpretadas por elas mesmas, com toda a fragilidade e toda a beleza que essa escolha traz. No fim das contas, \u201cMambembe\u201d se beneficiou dessa longa e \u00e1rdua trajet\u00f3ria que o fez chegar at\u00e9 aqui no formato apresentado, guardando na sua parte documental os seus maiores e mais emocionantes trunfos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84929\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/dahomey.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/dahomey.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/dahomey-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Dahomey&#8221;, de Mati Diop (2024)<\/strong><br \/>\nMati Diop mais uma vez persegue o milagre para investigar e combater o passado (presente) colonial que circunda todos n\u00f3s. Assim como em seu longa-metragem anterior, \u201cAtlantique\u201d (2019), este novo trabalho se desloca do realismo esperado de um document\u00e1rio tradicional e instaura uma bruma pesada que perpassa toda a curta dura\u00e7\u00e3o de \u201cDahomey\u201d (2024). Surpreende o quanto Diop faz um filme direto, adotando uma estrat\u00e9gia muito bem definida: a sua c\u00e2mera primeiro se concentra nos tesouros que est\u00e3o prestes a deixar Paris e a retornar ao seu territ\u00f3rio de origem, o Reino de Daom\u00e9, hoje a atual Rep\u00fablica do Benim. Os artefatos (esculturas, paineis, objetos, enfim\u2026 obras de arte ligadas a povos antigos que foram saqueados pelos franceses) s\u00e3o filmados com obstina\u00e7\u00e3o. A abordagem quer dar conta do qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 este trabalho e, consequentemente, quer garantir que entendamos a sua import\u00e2ncia. Diop opta por descomplicar a a\u00e7\u00e3o e modular os questionamentos &#8211; o filme traz muito mais perguntas do que constata\u00e7\u00f5es a respeito de seu grande tema. O que significa esse gesto franc\u00eas depois de tanto tempo ignorando as viol\u00eancias praticadas? O que significa, para as pessoas que vivem hoje no Benim, receber de volta o seu tesouro roubado? H\u00e1 justi\u00e7a poss\u00edvel diante de uma barb\u00e1rie sistem\u00e1tica? Entre um questionamento e outro, o filme registra com min\u00facia os objetos sendo preparados para o transporte de um pa\u00eds a outro, observa com paci\u00eancia as discuss\u00f5es sobre justi\u00e7a e compensa\u00e7\u00e3o empreendidas por alunos e professores universit\u00e1rios do Benim e &#8211; certamente a abordagem mais chamativa de todas -, constr\u00f3i um discurso por meio de uma atribui\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia a um dos vinte e seis artefatos em quest\u00e3o, que poeticamente fala consigo mesmo e com o espectador, compartilhando as reminisc\u00eancias oriundas de um determinado tempo e lugar. O design de som como um todo \u00e9 bastante elaborado, conciliando o registro direto das a\u00e7\u00f5es &#8211; os sons dos humanos e das ferramentas que preparam as obras para o transporte, o zum-zum-zum do f\u00f3rum que discute a pol\u00edtica adotada por pa\u00edses europeus para remediar a selvageria praticada &#8211; com a guinada para o \u201cfaz-de-conta\u201d &#8211; mais evidentemente representada pela voz grave que serve de ve\u00edculo para os lampejos desse artefato que ganha vida. Diante de todos esses elementos interessantes, a experi\u00eancia com o filme, no entanto, oscila entre a fascina\u00e7\u00e3o e o enfado, pois um dos seus problemas \u00e9 a montagem, que tem dificuldades para amarrar todas essas perspectivas e ideias. Na realidade, talvez o grande problema do filme esteja no fato dele passear com pouca cautela entre os formatos do cinema e da videoinstala\u00e7\u00e3o para exibi\u00e7\u00e3o em galeria, funcionando perfeitamente ora para um, ora para outro, mas nunca para ambos ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><em><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/mostra-de-cinema\/\">Leia mais sobre a Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"La Cocina (2024) - International Trailer - HanWay Films\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-i7xAMBVKJY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teaser Mambembe (Fabio Meira, 2024)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_qjNRDQ7n0E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DAHOMEY | Official Trailer | Coming Soon\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uUi718ZBH0c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leandro_luz<\/a>) escreve e pesquisa sobre cinema desde 2010. Coordena os projetos de audiovisual do Sesc RJ desde 2019 e exerce atividades de cr\u00edtica nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1 disco, 1 filme.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;La Cocina&#8221; \u00e9 arrogante, bagun\u00e7ado e histri\u00f4nico; &#8220;Mambembe&#8221; guarda na sua parte documental os seus mais emocionantes trunfo; &#8220;Dahomey&#8221; passeia com pouca cautela entre os formatos do cinema e da videoinstala\u00e7\u00e3o para galeria.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/02\/tres-filmes-da-48a-mostra-sp-a-cozinha-mambembe-dahomey\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":137,"featured_media":84928,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[7448,7447,7446,226],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84927"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84927"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84927\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84934,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84927\/revisions\/84934"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}