{"id":84907,"date":"2024-11-01T00:35:08","date_gmt":"2024-11-01T03:35:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=84907"},"modified":"2024-12-09T23:10:29","modified_gmt":"2024-12-10T02:10:29","slug":"entrevista-exene-cervenka-fala-sobre-o-ultimo-disco-da-carreira-do-x-smoke-fiction-e-como-o-the-doors-mudou-sua-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/01\/entrevista-exene-cervenka-fala-sobre-o-ultimo-disco-da-carreira-do-x-smoke-fiction-e-como-o-the-doors-mudou-sua-vida\/","title":{"rendered":"Entrevista: Exene Cervenka fala sobre o \u00faltimo disco da carreira do X, \u201cSmoke &#038; Fiction\u201d, e como o Doors mudou sua vida"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de quatro anos depois <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/14\/entrevista-john-doe-e-o-novo-disco-do-x\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de pegar muita gente de surpresa com \u201cAlphabetland\u201d<\/a> (2020), que trazia a forma\u00e7\u00e3o original da banda em um disco pela primeira vez em mais de 30 anos, o X surpreendeu de novo ao anunciar recentemente o lan\u00e7amento de \u00faltimo \u00e1lbum de est\u00fadio, \u201c<a href=\"https:\/\/x.ffm.to\/bigblackx.OPR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Smoke &amp; Fiction<\/a>\u201d (2024), que chegou oficialmente ao mundo no in\u00edcio de agosto, novamente pelo selo Fat Possum, para colocar um ponto final na discografia da lend\u00e1ria banda punk de Los Angeles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como seu antecessor, o novo e derradeiro trabalho traz o quarteto formado por <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/05\/30\/entrevista-john-doe-x-fala-sobre-novo-disco-solo-musica-folk-covers-e-futebol\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">John Doe<\/a> (baixo\/voz), Exene Cervenka (voz), Billy Zoom (guitarra) e DJ Bonebrake (bateria) em alt\u00edssimo n\u00edvel e voltagem. Com 10 m\u00fasicas e uma dura\u00e7\u00e3o abaixo de 30 minutos, o disco mant\u00e9m a intensidade do in\u00edcio ao fim, com destaque para faixas como \u201cSweet Til the Bitter End\u201d e \u201cThe Way It Is\u201d, favoritas da casa, al\u00e9m dos singles \u201cRuby Church\u201d e \u201cBig Black X\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita no fim de agosto por telefone, a vocalista Exene explica a raz\u00e3o para a banda voltar a gravar um disco depois de \u201cAlphabetland\u201d, que chegou no meio da pandemia e n\u00e3o contou com uma turn\u00ea de divulga\u00e7\u00e3o, fala sobre as expectativas para a turn\u00ea de despedida The End Is Near, relembra os shows que fizeram no Brasil e na Am\u00e9rica do Sul com o Pearl Jam em 2011, fala sobre as diferen\u00e7as entre as cenas punk de Los Angeles e Nova York, comenta sobre a import\u00e2ncia do The Doors para a sua vida e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Smoke &amp; Fiction\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nkJnTHJ1tYZMzWVoTacHp-ob-qOdGyyfg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em primeiro lugar, obrigado pelo seu tempo e parab\u00e9ns pelo disco novo (e final) da banda. Gostaria de saber se voc\u00eas j\u00e1 sabiam desde o come\u00e7o do processo de produ\u00e7\u00e3o, quando estavam come\u00e7ando a escrever as m\u00fasicas, que esse seria o \u00faltimo \u00e1lbum da banda ou se foi algo em que pensaram durante o processo criativo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o muito quando est\u00e1vamos escrevendo as m\u00fasicas, n\u00e3o. Mas, no est\u00fadio, levou muito tempo para todas as m\u00fasicas serem escritas, ensaiadas, tocadas ao vivo e, em seguida, ensaiadas novamente e gravadas. E ficou meio \u00f3bvio que, se f\u00f4ssemos fazer isso novamente, levaria mais dois anos, sabe? Ent\u00e3o, eu n\u00e3o acho que ter\u00edamos essa disposi\u00e7\u00e3o para fazer tudo de novo. Mas eu n\u00e3o diria que, talvez, n\u00e3o possamos vir a gravar uma m\u00fasica por um motivo especial, sabe, como para um disco beneficente, a trilha-sonora de um filme ou algo assim \u2013 n\u00f3s provavelmente far\u00edamos isso. Mas n\u00e3o acho que a gente tenha interesse em fazer todo o processo de grava\u00e7\u00e3o (de um disco completo) no est\u00fadio novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E saber que esse seria o seu \u00faltimo disco como uma banda fez com que voc\u00eas talvez vissem as coisas de uma maneira diferente, desfrutassem mais, focassem mais, se divertissem mais? Ou seja, mudou algo, por exemplo?<\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o. Penso que quando voc\u00ea est\u00e1 no est\u00fadio, voc\u00ea est\u00e1 apenas pensando em como fazer um bom disco. E isso d\u00e1 muito trabalho. N\u00e3o vivemos na mesma cidade. O John mora no Texas (em Austin), ent\u00e3o ele vinha para c\u00e1 (Los Angeles), a gente ensaiava por uns quatro ou cinco dias e depois ele voltava. Ent\u00e3o faz\u00edamos um show e toc\u00e1vamos m\u00fasicas novas ao vivo, tinha coisas que a gente esquecia, ent\u00e3o fic\u00e1vamos pensando \u201cComo \u00e9 que era mesmo?\u201d. Meio que constantemente reaprendendo e tocando de novo. Foi trabalhoso. Mas acho que \u00e0s vezes as coisas ficam meio \u00f3bvias quando elas ficam um pouco mais dif\u00edceis de fazer. Por exemplo, sair em turn\u00ea \u00e9 dif\u00edcil. Ent\u00e3o isso \u00e9 uma coisa em que todos podem concordar, do tipo \u201cbom, n\u00e3o vamos fazer 100 shows viajando em uma van, ficando em hot\u00e9is. Vamos fazer festivais e tentar tornar as coisas mais f\u00e1ceis e divertidas\u201d. E ent\u00e3o todo mundo fica doente, eu sempre fico com um resfriado horr\u00edvel e \u00e9 realmente muito dif\u00edcil. Mas ainda amamos fazer isso. Talvez se a gente tivesse um \u00f4nibus de turn\u00ea ou algo assim, as coisas seriam diferentes. Mas n\u00e3o temos, ent\u00e3o fica dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com exce\u00e7\u00e3o de algumas m\u00fasicas, como \u201cThe Way It Is\u201d, o disco \u00e9 bastante cru e urgente no geral \u2013 e muito curto tamb\u00e9m. Houve algo espec\u00edfico que te inspirou a escrever essas m\u00fasicas e letras nos \u00faltimos quatro anos, desde o lan\u00e7amento do \u201cAlphabetland\u201d? Porque, obviamente, muita coisa aconteceu no mundo nesse per\u00edodo, com a pandemia e tudo mais. Ou voc\u00eas focaram mais na banda em si e nos quase 50 anos de hist\u00f3ria do X?<\/strong><br \/>\nBem, acho que quando fizemos &#8220;Alphabetland&#8221; (2020), est\u00e1vamos trabalhando nele e eu sabia que a Covid estava chegando. Muitas pessoas disseram: &#8220;Ah, n\u00e3o vai ser t\u00e3o ruim&#8221;. E eu pensava: &#8220;Vai ser realmente ruim, vai ser muito ruim&#8221;. E eu estava completamente apavorada, pensando: &#8220;Oh, Deus, isso pode ser o fim de tudo, n\u00e3o sabemos&#8221;. Ent\u00e3o, n\u00e3o tivemos a chance de fazer uma turn\u00ea ou realmente fazer algo com aquele \u00e1lbum. Ele simplesmente saiu e foi isso. E, por isso, uma das raz\u00f5es para fazermos outro disco foi: &#8220;Ok, temos que fazer isso de novo agora&#8221;. Porque aquilo n\u00e3o foi justo, ent\u00e3o resolvemos fazer tudo de novo, gravar outro \u00e1lbum porque, desta vez, queremos sair, tocar ao vivo e que as pessoas ou\u00e7am e que isso seja importante para elas. Essa foi a raz\u00e3o. Se &#8220;Alphabetland&#8221; tivesse sa\u00eddo e tiv\u00e9ssemos conseguido fazer uma turn\u00ea e tudo estivesse normal, talvez n\u00e3o tiv\u00e9ssemos feito \u201cSmoke &amp; Fiction\u201d. Talvez ter\u00edamos dito: &#8220;Ok, fizemos um bom trabalho, estamos prontos (para parar)&#8221;. Mas, por causa disso, acho que decidimos seguir um pouco mais para fazer tudo certo. Eu n\u00e3o queria fazer um \u00e1lbum e depois dizer: &#8220;Ok, fizemos esse \u00e1lbum e ent\u00e3o aconteceu isso. Ok, acho que a banda acabou\u201d. Isso n\u00e3o \u00e9 algo bom. Ent\u00e3o, acho que transformamos essa situa\u00e7\u00e3o e dissemos: &#8220;Bem, vamos fazer algo diferente, vamos continuar&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - Big Black X (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mKIl7EonN-k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas pensaram talvez de forma consciente sobre as diferentes fases da banda? Porque parece que o disco realmente captura a ess\u00eancia da banda em suas diferentes vers\u00f5es. Isso foi algo em que voc\u00eas pensaram enquanto estavam compondo ou apenas aconteceu naturalmente?<\/strong><br \/>\nAcho que muitas pessoas apontaram algumas coisas que eu conversei com jornalistas e que acho que s\u00e3o verdadeiras, mas que n\u00e3o est\u00e1vamos pensando na hora. Mas, quando voc\u00ea olha para tr\u00e1s, voc\u00ea diz: &#8220;Sim, entendo por que voc\u00ea diria isso. Definitivamente tem esse aspecto. Sim, \u00e9 uma reflex\u00e3o de certa forma\u201d. Eu acho que a melhor forma de escrever m\u00fasicas \u00e9 se divertir e aproveitar o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo. A maneira como eu escrevo m\u00fasicas \u00e9 que gosto de brincar com as palavras e de criar can\u00e7\u00f5es que sejam mentalmente estimulantes e interessantes, que fa\u00e7am as pessoas pensarem. Isso \u00e9 tudo o que eu considero ao escrever uma m\u00fasica, n\u00e3o penso muito em como elas se encaixam ou no que elas s\u00e3o. A m\u00fasica &#8220;Big Black X&#8221; foi apenas algo em que estava trabalhando enquanto grav\u00e1vamos. Depois de gravarmos as tracks b\u00e1sicas e voltarmos ao est\u00fadio do Rob Schnapf, que tamb\u00e9m produziu o \u00e1lbum anterior, eu estava apenas escrevendo. O John estava cantando e olhou o que eu estava fazendo e disse: &#8220;Oh, sabe de uma coisa? Vamos fazer isso como uma m\u00fasica&#8221;. Ent\u00e3o gravamos as tracks b\u00e1sicas, mas nos preocupamos em como tudo iria se encaixar muito depois. Sab\u00edamos que \u00edamos tentar, ent\u00e3o foi: &#8220;Vamos fazer isso e talvez entre no \u00e1lbum, talvez n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teve uma outra m\u00fasica em que trabalhamos, mas acabou n\u00e3o entrando no \u00e1lbum. Era uma can\u00e7\u00e3o instrumental que eu queria fazer com saxofones, guitarras e vibrafones, algo assim. Mas n\u00e3o se encaixou no \u00e1lbum e n\u00e3o saiu t\u00e3o boa quanto esper\u00e1vamos, porque isso acontece \u00e0s vezes. N\u00e3o temos muito dinheiro extra para ficar testando ideias, tipo: &#8220;Vamos tentar isso. N\u00e3o funcionou? Bem, vamos voltar na pr\u00f3xima semana e tentar outra coisa&#8221;. \u00c9 mais como: &#8220;Voc\u00ea teve sua chance, n\u00e3o funcionou. Vamos para a pr\u00f3xima m\u00fasica&#8221;. \u00c9 assim que trabalhamos, porque simplesmente n\u00e3o temos tempo ou dinheiro para fazer de outra forma. Est\u00fadio \u00e9 caro. Ent\u00e3o, o que acabou no \u00e1lbum foi o que saiu melhor, e trabalhamos muito, muito duro nisso. N\u00e3o foi f\u00e1cil, mas foi prazeroso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84913\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/X-Press-Photo-Horizontal-23.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/X-Press-Photo-Horizontal-23.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/X-Press-Photo-Horizontal-23-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/X-Press-Photo-Horizontal-23-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso \u00e9 legal de saber. Porque \u00e9 um disco muito prazeroso de ouvir, ali\u00e1s. Voc\u00ea tem alguma m\u00fasica favorita que est\u00e1 mais animada para tocar na turn\u00ea?<\/strong><br \/>\nAs m\u00fasicas que eu mais gosto e que sa\u00edram melhor para mim no est\u00fadio como vocalista foram &#8220;The Way It Is&#8221; e &#8220;Ruby Church&#8221;, porque realmente gostei das partes que criei para essas faixas. Acho que elas s\u00e3o bem diferentes de tudo que fiz antes e estou meio orgulhosa delas nesse sentido, porque fiz coisas diferentes. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais amo essas m\u00fasicas. Mas realmente gosto de tocar &#8220;Smoke &amp; Fiction&#8221; ao vivo. N\u00e3o vamos conseguir tocar todas ao vivo, algumas n\u00e3o se encaixam t\u00e3o bem. Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma m\u00fasica que eu n\u00e3o goste. Porque \u00e0s vezes voc\u00ea pensa: \u201c\u00c9, era uma ideia at\u00e9 que legal, mas acabou n\u00e3o funcionando t\u00e3o bem\u201d. Mas eu acho que todas essas m\u00fasicas ficaram \u00f3timas, estou realmente feliz com todas elas. E muito contente com a resposta que estamos recebendo dos nossos f\u00e3s. O feedback tem sido \u00f3timo, e isso tudo realmente nos deixa felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E, j\u00e1 que ser\u00e1 a \u00faltima grande turn\u00ea, voc\u00eas est\u00e3o planejando um setlist especial cobrindo todos os discos? Como est\u00e3o trabalhando isso, est\u00e3o pensando em mudar o dia um pouco a cada show?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o (estamos planejando nada), tocar ao vivo \u00e9 diferente de tudo o mais. Ser\u00e3o apenas as m\u00fasicas que gostamos de tocar ao vivo. Ent\u00e3o, o set incluir\u00e1 algumas m\u00fasicas antigas, porque temos que tocar determinadas m\u00fasicas, realmente precisamos. Mas n\u00f3s tocamos as m\u00fasicas que funcionam melhor ao vivo, e algumas m\u00fasicas simplesmente funcionam melhor que outras. Elas s\u00e3o mais divertidas de tocar ao vivo e \u00e9 o que as pessoas querem ouvir. Temos sorte porque a gente n\u00e3o precisa tocar nada que a gente n\u00e3o queira. N\u00e3o \u00e9 como: &#8220;Ah, temos que tocar essa m\u00fasica, eu odeio essa m\u00fasica&#8221;. Podemos tocar as m\u00fasicas que realmente queremos. Temos muitas m\u00fasicas, ent\u00e3o os shows s\u00e3o \u00f3timos. N\u00e3o temos nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X Band e Eddie Vedder em Curitiba 09 Nov 2011\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6jZrwfeKn30?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acredita que tem alguma chance de voc\u00eas fazerem shows fora dos EUA nessa \u00faltima tour, talvez voltar para a Am\u00e9rica do Sul?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s fomos muito sortudos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/15\/pearl-jam-brasil-tour-2011\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de o Pearl Jam ter levado a gente para tocar com eles na Am\u00e9rica do Sul<\/a>, Am\u00e9rica Central e M\u00e9xico porque n\u00e3o conseguir\u00edamos ter ido de outra maneira. E eles n\u00e3o precisavam levar a gente. O Pearl Jam n\u00e3o precisa ter ningu\u00e9m abrindo para eles, nunca, e isso foi apenas algo que eles fizeram por respeito e pela bondade no cora\u00e7\u00e3o deles. E amo o fato de eles terem feito isso por n\u00f3s porque foi uma das melhores experi\u00eancias da minha vida. Ainda mantenho contato com algumas pessoas que conheci nessa turn\u00ea, no Chile. O p\u00fablico era apenas&#8230; foi um milagre, sabe? Foi incr\u00edvel. Nunca tivemos nada parecido acontecendo conosco antes. Algumas pessoas disseram \u201cAh, voc\u00eas deveriam voltar\u201d, mas \u00e9 meio caro para n\u00f3s fazermos isso. E realmente n\u00e3o temos o dinheiro, n\u00e3o conseguimos arcar com isso. N\u00e3o ganhar\u00edamos dinheiro suficiente. E, de novo, \u00e9 aquela coisa de ser mais velho, sabe? N\u00e3o podemos simplesmente entrar na van e fazer uma turn\u00ea pelo pa\u00eds assim. \u00c9 muito dif\u00edcil. \u00c9 como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos s\u00f3 que conseguir levar o equipamento, foi o Pearl Jam que tornou isso poss\u00edvel. Seria muito dif\u00edcil de outra forma. Mas eu ainda tenho esperan\u00e7a. Espero que haja um festival ou algo que possa nos trazer de volta. Eu adoraria isso. Acho que seria maravilhoso, porque todos n\u00f3s realmente tivemos uma \u00f3tima experi\u00eancia, sabe? E se pud\u00e9ssemos fazer isso de novo, far\u00edamos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X Band - World&#039;s a Mess, It&#039;s In My Kiss [03.11.2011 - Morumbi - S\u00e3o Paulo, Brasil]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D9PXuuoQozY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea v\u00ea o legado da banda, agora que est\u00e3o meio que fechando o livro quase 50 anos depois que come\u00e7aram a tocar juntos?<\/strong><br \/>\nSabe, \u00e9 algo em que as outras pessoas pensam mais do que a gente mesmo. Eu penso mais no que vamos fazer na pr\u00f3xima semana. N\u00f3s nunca paramos realmente de tocar, mesmo quando o Billy n\u00e3o estava na banda por um breve per\u00edodo, n\u00f3s continuamos tocando. E n\u00e3o \u00e9 algo como \u201cOh, lembra quando n\u00f3s \u00e9ramos jovens e costum\u00e1vamos fazer isso?\u201d. \u00c9 mais algo como \u201cN\u00f3s ainda estamos fazendo isso\u201d. Ent\u00e3o para n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 muito como uma retrospectiva. Olhando para tr\u00e1s, \u00e9 mais como se pens\u00e1ssemos sobre as coisas engra\u00e7adas que aconteceram ou como \u201cLembra disso ou daquilo?\u201d. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito um lance de nostalgia porque n\u00f3s sempre seguimos em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea lembra da primeira vez que voc\u00ea e o John perceberam que tinham essa harmonia vocal entre os dois que combinava tanto? Tipo, quando foi a primeira vez que voc\u00eas cantaram juntos e perceberam que tinham algo especial?<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea n\u00e3o pensa realmente nisso porque naquela \u00e9poca todo mundo estava apenas fazendo o que tinham vontade de fazer e era apenas algo como \u201cVamos tentar isso\u201d, \u201cAh, ok, acho que soa bem\u201d. E ningu\u00e9m tinha realmente muitas ideias calculadas. Eram apenas pessoas testando coisas e todo mundo podia fazer tudo, todo mundo estava fazendo todo tipo de m\u00fasica. O que era bom \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o precisava ser uma \u00f3tima vocalista. Ajudava poder contar com o John, o Billy e o DJ, que s\u00e3o \u00f3timos m\u00fasicos, isso realmente era algo importante. Mas tamb\u00e9m me fez pensar algo como \u201cUau, por que estou em uma banda com esses caras? Eles s\u00e3o muito melhores do que eu. Eu nem sei o que estou fazendo\u201d. Ent\u00e3o eu apenas corria pelo palco e cantava e fazia qualquer coisa que eu quisesse, apenas sendo muito selvagem. Esse era o meu ponto forte, apenas estar l\u00e1 e realmente me conectar com as pessoas, me divertindo de verdade e levando elas, sendo meio que uma l\u00edder do que n\u00f3s est\u00e1vamos fazendo, para que as pessoas pudessem ter uma experi\u00eancia. Porque o punk era sobre isso, sobre a experi\u00eancia, sobre o momento. E felizmente isso foi antes da Internet, das c\u00e2meras e de tudo mais. Ent\u00e3o tudo era aquele segundo e depois acabava, tinha passado. E voc\u00ea tinha de lembrar o que voc\u00ea tinha visto, voc\u00ea n\u00e3o podia reviver aquilo quando voltava para casa. Voc\u00ea tinha apenas que sair e fazer de novo. E ningu\u00e9m sabia o que cada um faria da pr\u00f3xima vez que te visse. Eu n\u00e3o sabia o que ia fazer, o que ia vestir, como ia me comportar, se ia beber demais ou se ia agir de uma forma ou de outra. Eu n\u00e3o tinha limites e realmente n\u00e3o controlava o que fazia. Eu simplesmente sa\u00eda e fazia o que achava que deveria ser feito no momento, e acho que \u00e9 por isso que era \u00f3timo. A m\u00fasica ao vivo \u00e9 assim, sabe? Ent\u00e3o, foi um tempo realmente maravilhoso e imaginativo, de liberdade para todos. Com o tempo, acho que me tornei uma cantora muito melhor, e agora sou realmente uma boa cantora, o que \u00e9 bom, porque n\u00e3o posso mais ser selvagem e correr em c\u00edrculos como costumava fazer. N\u00e3o consigo mais fazer isso, n\u00e3o tenho mais essa capacidade. E n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. N\u00e3o existiam barreiras entre o p\u00fablico e a banda. Era como uma coisa s\u00f3, eles estavam bem ali na frente, e agora h\u00e1 todas essas barricadas, todo mundo tem essa ideia de que precisamos ter barreiras, ent\u00e3o o p\u00fablico fica a 1,80 m de dist\u00e2ncia por causa da seguran\u00e7a. N\u00e3o podemos deixar as pessoas tocarem na banda. E eu entendo isso, estou bem com isso agora, porque n\u00e3o quero me machucar, porque as coisas podem ficar bastante intensas. Ent\u00e3o \u00e9 diferente, diferentes for\u00e7as em diferentes momentos. Se voc\u00ea viver o suficiente, pode passar por diferentes coisas. E a sua carreira se torna algo diferente, sabe?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - What&#039;s In My Bag?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YC-d-6v7iCs?start=419&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma entrevista recente, voc\u00ea mencionou a Lucinda Williams como uma das suas cantoras favoritas. Por isso, queria saber se voc\u00ea lembra quais eram as suas cantoras favoritas quando come\u00e7ou a cantar?<\/strong><br \/>\nBem, eu apenas gostava do que estivesse tocando e realmente amo m\u00fasica antiga. N\u00e3o sou muito f\u00e3 das novidades. Sempre me vi como uma pessoa vision\u00e1ria que vive no passado, e \u00e9 exatamente isso que sou. Gosto de coisas antigas, de m\u00fasica antiga, de cultura antiga. Sou muito hist\u00f3rica em rela\u00e7\u00e3o a essas coisas. N\u00f3s \u00edamos ver qualquer um que estivesse tocando, assistimos a todas as grandes bandas. Tivemos sorte por estar vivendo em Los Angeles naquela \u00e9poca. Tivemos a chance de ver Devo, The Damned e todas essas pessoas na primeira vez que elas vieram para LA. Claro, isso foi uma grande influ\u00eancia para todos, poder ver todos aqueles artistas incr\u00edveis. Mas eu nunca quis ser como ningu\u00e9m, eu n\u00e3o tinha a habilidade de imitar ningu\u00e9m. N\u00e3o sou o tipo de cantora que pensa: &#8220;Ah, se eu fizer isso, vou soar como aquela pessoa, vai ser \u00f3timo.&#8221; Eu simplesmente fazia o que fazia porque n\u00e3o conseguia fazer nada diferente. Era tudo que eu tinha. Eu esperava que as pessoas gostassem, mas n\u00e3o sabia se elas realmente iriam gostar. Eu gostava de todas as bandas. Eu realmente amava Blondie, mas nunca quis ser como o Blondie. Nunca foi meu desejo ser como eles. Eu s\u00f3 queria ser eu mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00ea acredita que tornava a cena punk de Los Angeles t\u00e3o especial? Porque quando voc\u00ea compara com outras cenas importantes da \u00e9poca, como Nova York e Reino Unido, a cena de LA sempre pareceu um pouco mais aberta e estranha, no bom sentido, com um pouco mais de liberdade.<\/strong><br \/>\nBem, isso \u00e9 algo que o John fala e que eu aprendi com ele. N\u00f3s t\u00ednhamos carros; em Nova York n\u00e3o. Eles tinham que levar os equipamento no metr\u00f4 para chegar ao show. Era frio, era escuro. N\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos ricos, n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro, mas pod\u00edamos sair no quintal, comer laranjas ao sol e pegar o carro para ir a Hollywood e assistir a um show. Pod\u00edamos enlouquecer e nos divertir muito indo a qualquer lugar que quis\u00e9ssemos. Quando voc\u00ea vive em Hollywood ou em algum lugar assim e pode dirigir at\u00e9 o oceano porque quer, voc\u00ea chega l\u00e1 e \u00e9 algo incr\u00edvel, especialmente se voc\u00ea n\u00e3o teve o oceano onde cresceu. E voc\u00ea v\u00ea isso, ouve \u201cMoonlight Drive\u201d do The Doors e pensa: &#8220;Uau, \u00e9 exatamente como era quando os Doors estavam aqui. Isso \u00e9 incr\u00edvel&#8221;. Havia todos os tipos de pessoas na rua: motociclistas, hippies, pessoas de cabelo comprido Todas essas culturas se misturavam enquanto caminhavam pelas ruas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra coisa especial sobre LA era o nosso senso de humor. N\u00e3o \u00e9ramos sombrios, n\u00e3o t\u00ednhamos aquela vibe pessimista, niilista, do tipo \u201cOhhh\u201d. Quando tocamos em Berlim pela primeira vez, h\u00e1 muito tempo, em nossa primeira turn\u00ea, o clube tinha paredes pretas e era muito escuro. Todo mundo estava fumando e vestindo roupas escuras. Quando subimos ao palco e come\u00e7amos a tocar, algumas pessoas na plateia come\u00e7aram a gritar algo para mim. Eu estava acostumada com isso, mas n\u00e3o conseguia entender o que elas queriam. Ent\u00e3o come\u00e7aram a jogar moedas, tentando acertar a gente. Fiquei pensando: &#8220;O que voc\u00eas acham que \u00e9 isso aqui ?\u201d. Finalmente, uma mulher gritou para eu dizer ao Billy Zoom (guitarrista da banda) para ele parar de sorrir \u2013 &#8220;Por que ele est\u00e1 sorrindo? Diga a ele para parar de sorrir!&#8221; E eu fiquei pensando: &#8220;O qu\u00ea????&#8221; Eles queriam que f\u00f4ssemos mais sombrios, de hero\u00edna, com aquele estilo realmente profundo e estranho. Mas n\u00f3s nunca fomos assim. Eles n\u00e3o gostaram de n\u00f3s, e n\u00e3o sei, tocamos l\u00e1 depois, claro, e acho que nos sa\u00edmos melhor, mas nunca foi nossa inten\u00e7\u00e3o ser uma banda sombria. Ent\u00e3o, eles n\u00e3o nos entenderam da primeira vez que fomos l\u00e1. Foi uma experi\u00eancia \u00fanica, era a nossa primeira vez l\u00e1, talvez s\u00f3 tivessem visto bandas desse estilo e n\u00e3o entendiam por que \u00e9ramos considerados uma banda punk. Isso foi interessante e engra\u00e7ado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - Soul Kitchen (Feat. Ray Manzarek)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/i19TYrxTS2A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por favor, me diga tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e porque eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nO primeiro disco que mudou a minha vida, que mudou a minha vida da forma mais importante e para sempre, foi o primeiro disco do The Doors (autointitulado, de 1967). Eu realmente gostava de onde cresci, que era uma \u00e1rea rural, n\u00e3o havia uma cidade de verdade. E eu nunca tinha ido a nenhum show, tinha uns 11 anos. Ent\u00e3o, tudo que t\u00ednhamos era o r\u00e1dio no carro, e n\u00e3o \u00edamos a lugar nenhum apenas porque n\u00e3o era esse tipo de \u00e9poca, era s\u00f3 brincar do lado de fora de casa. Mas os Beatles j\u00e1 tinham aparecido, voc\u00ea podia ver na TV e ouvir no r\u00e1dio. T\u00ednhamos um toca-discos, mas est\u00e1vamos a um milh\u00e3o de quil\u00f4metros da Calif\u00f3rnia, dos Beach Boys e tudo isso. N\u00e3o t\u00ednhamos conex\u00e3o de uma forma realista. Era s\u00f3 m\u00fasica que am\u00e1vamos, e peg\u00e1vamos as revistinhas quando pod\u00edamos. Mas &#8220;Light My Fire&#8221; estava sempre tocando no r\u00e1dio, e era a vers\u00e3o curta da m\u00fasica. Certa vez, est\u00e1vamos no carro com os meus pais, e n\u00e3o era como se tiv\u00e9ssemos muito di\u00e1logo. N\u00e3o havia muita arte, m\u00fasica ou livros em casa, e meus pais n\u00e3o eram muito calorosos, sabe? Ent\u00e3o, eu estava sozinha no banco de tr\u00e1s quando &#8220;Light My Fire&#8221; come\u00e7ou a tocar. Minha m\u00e3e aumentou o volume porque sabia que eu gostava da m\u00fasica, e era a vers\u00e3o longa. Eu provavelmente tinha ouvido a vers\u00e3o curta umas cinco ou seis vezes, e fiquei literalmente maravilhada. Era como se eu estivesse diante das portas da percep\u00e7\u00e3o. O que eles fizeram foi muito mais do que m\u00fasica, e isso me mudou para sempre. Depois, minha m\u00e3e me deu esse disco de presente de Natal. Junto com ele, ela tamb\u00e9m me deu o disco do Glen Campbell e da Bobbie Gentry (cl\u00e1ssico do country, lan\u00e7ado em 1969), que tamb\u00e9m foi outro disco que mudou a minha vida. Ent\u00e3o, naquele ano, tudo mudou para mim com esses dois discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois disso, estou tentando pensar em mais algum, acho que foi quando comecei a sair com o John (Doe). Quando o conheci, ele come\u00e7ou a me mostrar discos de pessoas que eu n\u00e3o conhecia, como o Mose Allison, de que ele gostava. Mas nada se compara a aqueles primeiros dois. No entanto, eu diria que houve uma experi\u00eancia coletiva de aprendizado quando conheci o John, porque ele me apresentou todas aquelas coisas, como Mose Allison, e isso provavelmente mudou minha vis\u00e3o sobre quem ele era e quem eu poderia ser e o quanto a m\u00fasica poderia ser ampla, indo al\u00e9m do Chuck Berry, do punk e tudo mais. Para mim, ter o r\u00e1dio do carro nos anos 1960 era insano. Voc\u00ea ouvia uma m\u00fasica do Ray Charles, depois uma do Johnny Cash, uma dos Beatles, e ent\u00e3o uma da Petula Clark, e ainda outras, como a Tammy Wynette. Todas essas coisas incr\u00edveis ficavam misturadas. E a qualidade das composi\u00e7\u00f5es, das performances, dos arranjos e da produ\u00e7\u00e3o era fant\u00e1stica. Estar no carro ouvindo tudo isso foi algo que as pessoas de hoje n\u00e3o sabem como \u00e9. Era tudo muito transformador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem uma carreira e tanto com o X, gravando alguns dos discos mais importantes do punk e da m\u00fasica dos EUA nos \u00faltimos 50 anos, tendo inclusive gravado com o Ray Manzarek, do The Doors. Voc\u00ea tamb\u00e9m lan\u00e7ou discos solo, de spoken word, trabalhou no cinema como atriz, publicou livros solo e tamb\u00e9m com a Lydia Lunch. Por isso, queria saber do que voc\u00ea tem mais orgulho na sua carreira?<\/strong><br \/>\nBem, eu tamb\u00e9m tenho uma carreira de arte muito boa, fazendo colagens, exposi\u00e7\u00f5es e coisas assim. Isso ainda est\u00e1 em andamento. Mas acho que o que realmente importa \u00e9 que eu superei meu medo de cantar em uma banda e continuei fazendo isso, sem me importar com o que as pessoas dissessem ou pensassem que eu deveria ou n\u00e3o deveria ser. Nunca fiz concess\u00f5es. E, por n\u00e3o fazer concess\u00f5es, \u00e0s vezes eu errei e fui imprudente, e n\u00e3o tinha controle sobre o que estava fazendo em alguns momentos. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes eu me metia em problemas, como entrar no carro com as pessoas erradas. Mas eu tinha essa mentalidade destemida, de aventura na vida, sem pensar no amanh\u00e3, e isso acabou me servindo bem. N\u00e3o funciona para todo mundo; muitas pessoas n\u00e3o sobrevivem a isso. Ent\u00e3o, sou grata. N\u00e3o sei se estou orgulhosa, mas sou muito grata por ainda estar viva, por a banda ainda estar tocando, por termos conseguido fazer outro disco e por as pessoas gostarem. E as pessoas se importam, como voc\u00ea. As coisas que voc\u00ea diz s\u00e3o t\u00e3o incrivelmente gentis, e eu acho que \u00e9 verdade, sabe? Mas sim, acho que \u00e9 importante manter a humildade, porque, na verdade, somos apenas uma banda. Apenas uma banda, voc\u00ea sabe o que quero dizer? (risos) Enfim, muito obrigada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - Full performance (Live at Rock the Garden)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_xVDWthRCc8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - Hungry Wolf\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2zLzvtINGRo?list=PLAgk4DVqmrUYyhJUpWjA0Q_omr_H1ozon\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X! Live in Latin America ...... Kickstarter Campaign\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eQqNPcDcjg0?list=PLAgk4DVqmrUbIV9XoAd-wiFmPxLTNbnew\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Vocalista explica o que levou a lend\u00e1ria banda punk de Los Angeles a gravar mais um \u00e1lbum antes de parar oficialmente e relembra a turn\u00ea com o Pearl Jam na Am\u00e9rica do Sul em 2011.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/01\/entrevista-exene-cervenka-fala-sobre-o-ultimo-disco-da-carreira-do-x-smoke-fiction-e-como-o-the-doors-mudou-sua-vida\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":84910,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7445,5014],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84907"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84907"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84907\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84915,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84907\/revisions\/84915"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84910"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}