{"id":84672,"date":"2024-10-22T00:50:45","date_gmt":"2024-10-22T03:50:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=84672"},"modified":"2024-11-06T01:00:24","modified_gmt":"2024-11-06T04:00:24","slug":"literatura-dentro-do-nosso-silencio-de-karine-asth-narra-as-dificuldades-de-tentar-engravidar-e-nao-conseguir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/22\/literatura-dentro-do-nosso-silencio-de-karine-asth-narra-as-dificuldades-de-tentar-engravidar-e-nao-conseguir\/","title":{"rendered":"Literatura: \u201cDentro do nosso sil\u00eancio\u201d, de Karine Asth, narra as dificuldades de tentar engravidar e n\u00e3o conseguir"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_renanguerra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recife, 2002. Ana e seu marido, um jovem casal com menos de 30 anos, nem pensava em ter um filho naquele momento, por\u00e9m um falso alarme de gravidez aflora esse desejo em ambos. Instigados por essa ideia da maternidade \/ paternidade, ambos entram em uma jornada de tentativas e falhas, de expectativas e frustra\u00e7\u00f5es que ir\u00e3o minar este casamento. 2008. J\u00e1 separados, agora acompanhamos Ana em uma experi\u00eancia dolorosa de quem tenta entender o que fazer de sua vida e como entender seus sonhos e desejos em meio a tantas desilus\u00f5es. S\u00e3o nesses dois tempos que se constr\u00f3i a narrativa de \u201cDentro do nosso sil\u00eancio\u201d (Editora Paralela), livro de estreia de Karine Asth, escritora fluminense radicada h\u00e1 muitos anos em Pernambuco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Premiado com o Jabuti de melhor romance de entretenimento, o livro de Asth \u00e9 bem mais que uma narrativa para entreter ou uma leitura leve para passar o tempo, na verdade \u00e9 um mergulho em uma experi\u00eancia bastante complexa e que se debru\u00e7a por sentimentos que nem sempre gostamos de explorar ou expor, como o ego\u00edsmo, o rancor e a amargura. A escrita de Asth \u00e9 realmente leve e fluida, com linguagem simples, por\u00e9m seu texto nunca \u00e9 fr\u00edvolo. Se o texto nos envolve em uma narrativa direta, por outro caminho ele tamb\u00e9m nos joga em uma constru\u00e7\u00e3o complexa de personagens, que cria uma protagonista cheia de nuances e que nem sempre se torna agrad\u00e1vel. Ana passa por experi\u00eancias dolorosas e em alguns momentos responde com a\u00e7\u00f5es ego\u00edstas e bastante question\u00e1veis, por\u00e9m Asth n\u00e3o a julga, apenas nos apresenta todas essas nuances de forma bastante clara, para que a gente entenda que Ana \u00e9 inegavelmente humana e falha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, \u00e9 muito interessante como a autora consegue navegar muito bem entre os dois tempos da hist\u00f3ria, criando uma narrativa instigante e \u00e1gil. De todo modo, se sua constru\u00e7\u00e3o da protagonista Ana \u00e9 extremamente envolvente, por outro lado a sua constru\u00e7\u00e3o de Samuel, o marido, \u00e9 ponto fr\u00e1gil do livro. Quando acompanhamos a narrativa de Ana, \u00e9 natural que os sentimentos de Samuel fiquem em segundo plano, por\u00e9m Karine Asth decide criar alguns cap\u00edtulos que s\u00e3o narrados pela perspectiva de Samuel \u2013 e falha na tentativa. Primeiro que a autora n\u00e3o aprofunda essa ideia: s\u00e3o poucos cap\u00edtulos que tem essa perspectiva e eles surgem j\u00e1 pela metade do livro, criando uma quebra na narrativa. Segundo que esses cap\u00edtulos soam mais engessados, sem a mesma fluidez. O livro n\u00e3o perderia nada se esses cap\u00edtulos n\u00e3o existissem. Na realidade, o ponto alto da cria\u00e7\u00e3o de Asth s\u00e3o suas personagens femininas: Maria, por exemplo, a irm\u00e3 de Ana, \u00e9 uma personagem extremamente rica e bem constru\u00edda que renderia um livro por si s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pausa: sempre escrevemos no Scream &amp; Yell na primeira pessoa do plural e colocamos aqui uma perspectiva de resenha cr\u00edtica e n\u00e3o com a pessoalidade de uma cr\u00f4nica, por\u00e9m pe\u00e7o licen\u00e7a para usar da primeira pessoa do singular neste par\u00e1grafo e relatar algo mais pessoal. Eu, o autor deste texto, sou um homem gay de 31 anos, a mesma idade de Ana ap\u00f3s sua separa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o tenho o desejo de ser pai, mas mais que isso, para mim \u00e9 uma perspectiva distante a ideia fixa de ter um filho biol\u00f3gico, de construir legado sangu\u00edneo, por isso logo de cara achava que o livro de Karine n\u00e3o me convenceria. Fui tapeado. \u201cDentro do nosso sil\u00eancio\u201d me conquistou e me fez me emocionar e me envolver com personagens completamente distantes de mim em diferentes sentidos \u2013 de experi\u00eancias de classe, de viv\u00eancias emotivas, de perspectivas familiares e afetivas. Karine tem um jeito simples de nos engendrar em sua narrativa e isso me fez de algum modo adentrar o mundo de sua personagem Ana e entender seu desejo e, por consequ\u00eancia, seus erros, seu ego\u00edsmo e suas falhas. Enfim, \u00e9 isso, encerramos aqui o desvio de pronomes, voltamos \u00e0 programa\u00e7\u00e3o normal da nossa terceira pessoa do plural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDentro do nosso sil\u00eancio\u201d possui algumas fragilidades e tens\u00f5es de uma escritora em descoberta de sua pr\u00f3pria voz, mesmo assim \u00e9 uma apresenta\u00e7\u00e3o extremamente interessante da escrita de Karine Asth. Sua escrita nos leva em uma jornada que poderia se tornar piegas e exagerada, mas que acaba sendo rica pela sinceridade de seus personagens, que se mostram de forma compreens\u00edvel, entre acertos e falhas, algo que possibilita ao leitor ir do choro \u00e0 alegria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-84678 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/silencio1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/silencio1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/silencio1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/silencio1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista<\/em>\u00a0e<em>\u00a0escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Faz parte do\u00a0<a href=\"http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNGttyQx5OWOAKRyi7iGq8E4oacvuw\">Podcast Vamos Falar Sobre M\u00fasica<\/a>\u00a0e colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/monkeybuzz.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFjG1FOw9vBGrawiUhocH4mshwTtw\">Monkeybuzz<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistabalaclava.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/revistabalaclava.com\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFqHswo4qEcyg8fw9VPM8IWsRH5oQ\">Revista Balaclava<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Premiado com o Jabuti de melhor romance de entretenimento, o livro de Asth \u00e9 bem mais que uma narrativa para entreter ou uma leitura leve para passar o tempo, na verdade \u00e9 um mergulho em uma experi\u00eancia bastante complexa\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/22\/literatura-dentro-do-nosso-silencio-de-karine-asth-narra-as-dificuldades-de-tentar-engravidar-e-nao-conseguir\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":84674,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[7408,7407],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84672"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84672"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84672\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84679,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84672\/revisions\/84679"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84674"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}