{"id":84595,"date":"2024-10-20T00:02:00","date_gmt":"2024-10-20T03:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=84595"},"modified":"2024-11-08T00:51:45","modified_gmt":"2024-11-08T03:51:45","slug":"entrevista-o-cinema-e-algo-poderoso-diz-renata-de-almeida-diretora-geral-da-mostra-sp-que-chega-a-sua-48a-edicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/20\/entrevista-o-cinema-e-algo-poderoso-diz-renata-de-almeida-diretora-geral-da-mostra-sp-que-chega-a-sua-48a-edicao\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;O cinema \u00e9 algo poderoso&#8221;, diz Renata de Almeida, diretora-geral da Mostra SP, que chega \u00e0 sua 48\u00aa edi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 48\u00aa edi\u00e7\u00e3o, a <a href=\"https:\/\/48.mostra.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo<\/a> traz uma sele\u00e7\u00e3o que ultrapassa as mais de 400 obras oriundas de diversas partes do mundo. Trata de um evento t\u00e3o familiar e \u00edntimo ao p\u00fablico cin\u00e9filo (que a chama carinhosamente de Mostra SP ou apenas Mostra) que sua identifica\u00e7\u00e3o de lugar e completude se d\u00e1 com apenas uma palavra. Chegando a quase meio s\u00e9culo de exist\u00eancia, \u00e9 com ansiedade tamanha que esse mesmo p\u00fablico espera pela divulga\u00e7\u00e3o do cat\u00e1logo de filmes e atividades que ser\u00e3o exibidas durante as quase duas semanas que duram o festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na homenagem desse ano, o cineasta indiano Satyajit Ray ter\u00e1 apresentada uma retrospectiva de sua filmografia com sete longas dirigidos entre 1955 e 1966. E acompanhando os filmes do diretor, a Mostra trar\u00e1 uma leva de produ\u00e7\u00f5es oriundas da \u00cdndia, com mais de 30 filmes. &#8220;Quando trazemos um foco especial, fazemos um panorama contempor\u00e2neo do pa\u00eds. E esse ano, al\u00e9m de uma retrospectiva do Satyajit Ray, vamos fazer um panorama do cinema contempor\u00e2neo da \u00cdndia&#8221;, explica, em entrevista ao Scream &amp; Yell, a diretora-geral da Mostra, Renata de Almeida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os pontos que Renata de Almeida valoriza neste ano, ela destaca bastante a <a href=\"https:\/\/48.mostra.org\/jornal-da-mostra\/1a-mostrinha-48a-mostra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1\u00aa Mostrinha<\/a>, com uma sele\u00e7\u00e3o de filmes infantis: \u201cTemos 22 t\u00edtulos (na Mostrinha). \u00c9 algo que resolvemos arriscar por acreditarmos que temos que trabalhar com a forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico. Eu acho que n\u00e3o d\u00e1 para esperar que crian\u00e7as cres\u00e7am s\u00f3 assistindo a filmes americanos de super-her\u00f3is e que cheguem na adolesc\u00eancia, na idade adulta, e assistam a filmes mais diversos, at\u00e9 mesmo a filmes do cinema brasileiro\u201d, pontua a diretora-geral. Leia a conversa abaixo!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=84556\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>48\u00aa Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo: 21 recomenda\u00e7\u00f5es e apostas, de Leandro Luz<\/em><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vinheta da 48\u00aa Mostra\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HxTrrytBmZs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais de 400 filmes ser\u00e3o exibidos na Mostra 2024. N\u00e3o posso iniciar essa entrevista com outra pergunta que n\u00e3o seja uma que aborde esse n\u00famero e todo o esfor\u00e7o de organizar um evento desse tamanho.<\/strong><br \/>\nSim (risos), a Mostra est\u00e1 grande. Esse n\u00famero de 400 filmes supera o do ano passado, quando tivemos 360 obras exibidas. Tivemos um acr\u00e9scimo. Mas isso, tamb\u00e9m, foi por causa da Mostrinha, que resolvemos come\u00e7ar esse ano. No primeiro ano, quando come\u00e7amos, a ideia era ver se ia dar certo. E foi algo que fizemos no risco. Achamos que ia ter um apoio especial para a Mostrinha, mas n\u00e3o conseguimos. Mas, mesmo assim, temos 22 t\u00edtulos. \u00c9 algo que resolvemos arriscar por acreditarmos que temos que trabalhar com a forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico. Eu acho que n\u00e3o d\u00e1 para esperar que crian\u00e7as cres\u00e7am s\u00f3 assistindo a filmes americanos de super-her\u00f3is e que cheguem na adolesc\u00eancia, na idade adulta, e assistam a filmes mais diversos, at\u00e9 mesmo a filmes do cinema brasileiro. E isso da Mostrinha, a gente conversa tamb\u00e9m com um foco que estamos fazendo no Foro da Mostra, que \u00e9 sobre forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico e sobre o papel do audiovisual na educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m. Esse foi um desafio desse ano. Come\u00e7ar algo novo, no risco, mas porque \u00e9 como a Mostra come\u00e7ou, tamb\u00e9m. Porque acreditamos que a Mostrinha seja uma coisa importante. Estamos investindo para que ela cres\u00e7a. Vamos ver se d\u00e1 certo, se continua no ano que vem. Esperamos que sim, tanto que fizemos essa primeira Mostrinha j\u00e1 seguindo os preceitos da Mostra, que s\u00e3o filmes de diversos lugares, mas com uma presen\u00e7a forte do cinema brasileiro, tamb\u00e9m. E isso justifica um pouco esse n\u00famero de 400, que eu tamb\u00e9m fiquei tentando entender e me culpando porque eu achava que o or\u00e7amento ia estourar. Porque 400 filmes \u00e9 muita coisa. Voc\u00ea, como cin\u00e9filo, sabe. A gente est\u00e1 ali num certo momento, com a programa\u00e7\u00e3o j\u00e1 suficiente, n\u00fameros fechados, mas a\u00ed chega um filme que a gente adora, como \u00e9 que voc\u00ea vai falar que n\u00e3o tem mais lugar? A gente arruma mais uma sala. Acho que a gente tem que ser mais racional para manter o mesmo n\u00famero de filmes, mas tem um lado nosso cin\u00e9filo que fala mais alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E dentre os destaques, voc\u00ea poderia falar um pouco da sele\u00e7\u00e3o e das homenagens?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o duas homenagens. A primeira \u00e9 ao anivers\u00e1rio da s\u00e9rie <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/02\/03\/entrevista-bruno-capelas-fala-sobre-o-castelo-ra-tim-bum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Castelo Ra-Tim-Bum<\/a>. E a outra \u00e9 uma homenagem ao Ziraldo, com a exibi\u00e7\u00e3o dos dois filmes baseados no Menino Maluquinho. Al\u00e9m disso, tem muitos filmes que foram exibidos no Festival de Veneza. Tem \u201cO Brutalista\u201d, que ganhou o pr\u00eamio de Melhor Diretor (Brady Corbet). Tem, tamb\u00e9m, o \u201cHappy Holidays\u201d, filme do diretor palestino Scandar Copti, que ganhou pr\u00eamio na mostra paralela. Tem o \u201cVermiglio\u201d, filme que foi o vencedor do Grande Pr\u00eamio do J\u00fari em Veneza, e tem, tamb\u00e9m, o \u201cApril\u201d, que recebeu o Pr\u00eamio Especial do J\u00fari. Tem tamb\u00e9m o foco do cinema da \u00cdndia este ano. Quando trazemos um foco especial, fazemos um panorama contempor\u00e2neo do pa\u00eds. E esse ano tem, tamb\u00e9m, uma retrospectiva dos filmes do Satyajit Ray. Ent\u00e3o, procuramos fazer um panorama do cinema contempor\u00e2neo no pa\u00eds. Trouxemos 30 filmes de l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos principais destaques \u00e9 o filme \u201cO Auto de Vit\u00f3ria\u201d (1966), dirigido por <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=sarno\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Geraldo Sarno<\/a> e que era considerado perdido, at\u00e9 que foi localizado a partir de uma busca do jornalista Piero Sbragia. Sendo baiano, fico orgulhoso de ver um realizador t\u00e3o importante presente na Mostra.<\/strong><br \/>\nGeraldo Sarno tem que ser mais valorizado. Ele merece que o Brasil o valorize mais, que ele seja mais conhecido. O Piero est\u00e1 escrevendo a biografia dele e me falou sobre o curta \u201cO Auto de Vit\u00f3ria\u201d. Pensamos em fazer algo at\u00e9 maior, com a s\u00e9rie \u201cSert\u00e3o de Dentro\u201d, dirigida pelo Geraldo Sarno, e que ainda est\u00e1 in\u00e9dita. Mas decidimos fazer, primeiro, a exibi\u00e7\u00e3o com o curta que estava desaparecido. \u00c9 um filme muito importante que queremos trazer \u00e0 discuss\u00e3o. Voc\u00ea v\u00ea ali a religi\u00e3o junto com os militares, que levam o f\u00eamur do Anchieta. Tem toda essa carga religiosa. Uma prociss\u00e3o atr\u00e1s e os militares. \u00c9 algo que a gente ainda vive muito forte no Brasil. Tanto a presen\u00e7a religiosa cada vez mais misturada com a pol\u00edtica, at\u00e9 determinando a pol\u00edtica e as decis\u00f5es do pa\u00eds. E os militares, tamb\u00e9m. Como essa presen\u00e7a carregada ali. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/20\/entrevista-piero-sbragia-biografo-de-geraldo-sarno-fala-sobre-auto-de-vitoria-filme-perdido-do-diretor-exibido-na-mostra-sp\/\">\u00c9 uma discuss\u00e3o muito importante que o filme traz<\/a> e que, depois, o Geraldo Sarno reflete em sua obra, no seu cinema. No ano que vem, com a biografia do diretor j\u00e1 lan\u00e7ada pelo Piero, queremos fazer uma homenagem bem maior. Isso \u00e9 algo que ningu\u00e9m sabe e estou te contando por voc\u00ea ser tamb\u00e9m baiano e admirador do Geraldo Sarno (risos). Acho que voc\u00ea merece saber que \u00e9 um projeto em duas partes. Ent\u00e3o, na conversa com o Piero, decidimos fazer a sess\u00e3o de \u201cO Auto de Vit\u00f3ria\u201d na Cinemateca Brasileira porque a obra estava l\u00e1. A mesa do debate da sess\u00e3o na Mostra vai ter a participa\u00e7\u00e3o da filha de Geraldo Sarno, Paula, do cantor Tom Z\u00e9, da diretora Ana Carolina e do diretor da Ancine, Paulo Alcoforado, al\u00e9m do pr\u00f3prio Piero. Vai ser bem importante para o Piero, pois vai ajud\u00e1-lo na escrita do livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro destaque importante da Mostra \u00e9 o filme \u201cAinda Estou Aqui\u201d, adapta\u00e7\u00e3o do livro do Marcelo Rubens Paiva que Walter Salles dirigiu. Tive a oportunidade de assisti-lo em Salvador e queria lhe perguntar sobre a fun\u00e7\u00e3o do festival em destacar a obra em tempos nos quais insanos pedem interven\u00e7\u00e3o militar.<\/strong><br \/>\nO filme \u00e9 lind\u00edssimo e muito maduro. N\u00e3o foi um trabalho f\u00e1cil de fazer. S\u00e3o muitos personagens! Os filmes do Walter, como \u201cCentral do Brasil\u201d (1998) e \u201cDi\u00e1rios de Motocicleta\u201d (2003), s\u00e3o \u00f3timos, mas eles s\u00e3o filmes com menos personagem. \u201cAinda Estou Aqui\u201d \u00e9 um filme muito complexo. Tem a passagem do tempo com muitos personagens que, inclusive, envelhecem. Tem a trama hist\u00f3rica. Aquela situa\u00e7\u00e3o extremamente dram\u00e1tica, sendo que se evita cair no drama durante o filme. \u00c9 um filme importante, tamb\u00e9m. \u00c9 outro filme que fala com a hist\u00f3ria do Brasil, com o governo militar. Inclusive, o Walter come\u00e7ou a fazer antes de Bolsonaro e tudo, e, depois, durante o processo, come\u00e7ava a aparecer gente pedindo interven\u00e7\u00e3o militar e tudo isso. Al\u00e9m de ser um filme \u00f3timo, tem toda essa quest\u00e3o que \u00e9 muito importante. O cinema serve muito pra isso. O cinema \u00e9 para a gente rever a hist\u00f3ria. O cinema tem o tempo da reflex\u00e3o. \u00c9 algo que est\u00e1 faltando muito. O cinema pode ser algo poderoso. \u00c9 muito importante esses filmes que retomam a hist\u00f3ria, retomam temas sobre os quais precisamos ainda conversar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Mostra tamb\u00e9m traz o IV Encontro de Ideias Audiovisuais, com foco em promover a reuni\u00e3o de realizadores e potenciais investidores. O evento foi lapidado ao longo das edi\u00e7\u00f5es anteriores da Mostra. Como chegou ao formato atual?<\/strong><br \/>\nT\u00ednhamos antes v\u00e1rias atividades, mas elas eram espor\u00e1dicas e um pouco dispersas durante a programa\u00e7\u00e3o da Mostra. Come\u00e7amos com o f\u00f3rum, que trazia mesas de discuss\u00e3o e aconteciam com as pessoas que fazem a curadoria da pr\u00f3pria mostra. A organiza\u00e7\u00e3o das mesas \u00e9 da (jornalista) Ana Paula Sousa, que \u00e9 uma das pessoas que mais entendem sobre pol\u00edtica de cinema e sobre regula\u00e7\u00e3o. Depois, trouxemos ao f\u00f3rum um foco visando discutir, tamb\u00e9m, o audiovisual no aspecto art\u00edstico, pois sempre tinha uma mesa discutindo essa parte, juntamente \u00e0s mesas voltadas para a pol\u00edtica do audiovisual e para os aspectos mercadol\u00f3gicos. Temos, tamb\u00e9m, o projeto &#8220;Da Palavra \u00e0 Imagem&#8221;, que s\u00e3o mesas sobre a rela\u00e7\u00e3o da literatura com o audiovisual e que traz \u2018pitching\u2019 com editoras que falam sobre seus livros para uma plateia de produtores, diretores, pessoas das plataforma de streaming, por exemplo. L\u00e1, as editoras falam at\u00e9 de livros que ainda n\u00e3o foram lan\u00e7ados. Isso tem crescido. Lembro que houve um ano em que a gente resolveu n\u00e3o usar a Lei Rouanet porque estava muito dif\u00edcil, com umas contrapartidas que eu fiquei com muito medo de n\u00e3o conseguir cumprir. E rolou uma coisa muito bacana que foi o pessoal da ind\u00fastria brasileira, do audiovisual, apoiando a mostra com um grupo de patronos. E a entrada na Mostra da (produtora-executiva) Cris Guzzi, que vem desse hist\u00f3rico de mercado, a colocou apta a cuidar das mesas que abordavam esse setor. Ent\u00e3o, para o F\u00f3rum, a Mostra SP prop\u00f5e as mesas, e para as mesas do Mercado, \u00e9 o pr\u00f3prio mercado que as prop\u00f5e. S\u00e3o mesas que os players (potenciais investidores) acham que precisam ser discutidas. E tem crescido esse encontro de ideias que tem a coordena\u00e7\u00e3o da Cris. Colocamos tudo junto acontecendo na Cinemateca, onde tentamos concentrar as atividades nesses tr\u00eas dias. O Encontro de Ideias tem crescido de uma maneira org\u00e2nica. Acho que a Mostra tem esse DNA internacional. No primeiro ano, vieram os portugueses. Esse ano, vamos trazer uma delega\u00e7\u00e3o muito grande da \u00cdndia e da Col\u00f4mbia, tamb\u00e9m. Representantes do fundo de Luxemburgo, de Roterd\u00e3, do Uruguai, todos v\u00e3o estar presentes. O fundo de Luxemburgo \u00e9 um dos mais ricos da Europa, e n\u00f3s teremos a presen\u00e7a do produtor Meinolf Zurhorst para falar sobre esse fundo. Ent\u00e3o, de uma maneira org\u00e2nica, esse mercado est\u00e1 crescendo. Est\u00e1 levando o Encontro de Ideias para a dire\u00e7\u00e3o do Internacional. E, tamb\u00e9m, para o Brasil. Porque essas pessoas todas estar\u00e3o presentes e querem encontrar os brasileiros. Ent\u00e3o se abre toda uma gama de possibilidades de ter uma coprodu\u00e7\u00e3o com a \u00cdndia, que temos poucas. Com a Col\u00f4mbia, tamb\u00e9m, um pa\u00eds que est\u00e1 super forte no cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>48 anos do evento e a Mostra ter\u00e1 uma s\u00e9rie dirigida pela Marina Person e pelo Gustavo Rosa na qual a trajet\u00f3ria do festival \u00e9 contada. Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre a ideia da s\u00e9rie &#8220;Viva o Cinema! Uma Hist\u00f3ria da Mostra de S\u00e3o Paulo&#8221;?<\/strong><br \/>\nA HBO encomendou essa s\u00e9rie com a Marina e com o Gustavo. Quando a Marina veio conversar comigo e me convidar para participar, eu falei que n\u00e3o queria saber (risos). Lembro que reagi at\u00e9 mal quando ela veio me convidar. Expliquei dizendo que era necess\u00e1rio que a s\u00e9rie tivesse o olhar dela. Se eu participasse de alguma maneira, teria o meu olhar. E a Mostra \u00e9 o que fica para o p\u00fablico. Por isso, tinha que ter o olhar dela. Eu disse que poderia dar depoimento, mas n\u00e3o quis ler o roteiro quando ela me ofereceu. N\u00e3o quis nem assistir quando chegou (risos). Tive que pedir para uma amiga para assistir antes e me falar se estava boa, ou eu n\u00e3o ia assistir. Mas \u00e9 algo bacana, porque a Marina fez sobre a rela\u00e7\u00e3o pessoal dela com a Mostra. Primeiro sobre uma pessoa que ia para a Mostra como espectadora. Depois, como uma pessoa que cobria o evento a trabalho, uma vez que ela fez a cobertura da Mostra pela MTV durante muito tempo. E ela, inclusive, chegou a apresentar a Mostra. Depois, ela veio como cineasta convidada apresentar o seu pr\u00f3prio filme. Isso \u00e9 bonito. \u00c9 um pouco o segredo da Mostra. Fiquei pensando sobre isso. Sobre a cada ano a Mostra mudar a sua cara. A cada ano ter um p\u00f4ster diferente, uma vinheta diferente. As pessoas, mesmo que assistam a apenas um ou dois filmes, quando elas veem a imagem, elas lembram o que aconteceu com elas naquele ano. Elas t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com a mostra que eu acho algo muito bacana. Afetivo, at\u00e9. Tem uma rela\u00e7\u00e3o que passa pelo afeto porque a gente trata a Mostra dessa maneira do afeto tamb\u00e9m. Na ocasi\u00e3o, a HBO foi comprada. E eles pararam v\u00e1rias produ\u00e7\u00f5es. E eu achei que eles iam parar a s\u00e9rie da Mostra. O que seria normal. Pra minha surpresa, eles continuaram. O grupo que comprou continuou com a s\u00e9rie da Mostra, que estava no come\u00e7o do processo. Eu cheguei a dizer a eles que pensava que iriam desistir. Para mim, foi uma surpresa essa continuidade. Achei bonito o resultado porque a Marina faz um paralelo que \u00e9 um pouco o que n\u00f3s, com a Mostra, tentamos fazer. Com o que est\u00e1 acontecendo no Brasil e no mundo tamb\u00e9m. Contextualizar na s\u00e9rie o que estava acontecendo na \u00e9poca no mundo e o que fizemos na Mostra. Traz o come\u00e7o, quando a mostra foi proibida pela censura na tela. \u00c9 um evento que tem 48 anos. Ela seguiu na hist\u00f3ria de muitos momentos do pa\u00eds. Teve uma mat\u00e9ria do Globo, l\u00e1 no come\u00e7o, que falou que a Mostra era o \u00fanico lugar onde se podia votar. Porque a gente sempre deu muita import\u00e2ncia para o voto do p\u00fablico. Tem todas essas coisas hist\u00f3ricas que a Marina e o Gustavo pegaram e que eu achei bonito. A rela\u00e7\u00e3o da Mostra com a hist\u00f3ria do Brasil, e a rela\u00e7\u00e3o pessoal deles dois com a Mostra. Isso resume um pouco o que somos como evento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84598\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/mostra1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1107\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/mostra1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/mostra1-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador. A foto que abre o texto \u00e9 de Leo Lara.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;A Mostra est\u00e1 grande. Esse n\u00famero de 400 filmes supera o do ano passado, quando tivemos 360 obras exibidas. 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