{"id":84468,"date":"2024-10-18T00:15:36","date_gmt":"2024-10-18T03:15:36","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=84468"},"modified":"2025-01-17T12:14:34","modified_gmt":"2025-01-17T15:14:34","slug":"tres-filmes-do-26o-festival-do-rio-malu-apocalipse-nos-tropicos-os-afro-sambas-o-brasil-de-baden-e-vinicius","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/18\/tres-filmes-do-26o-festival-do-rio-malu-apocalipse-nos-tropicos-os-afro-sambas-o-brasil-de-baden-e-vinicius\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes do 26\u00ba Festival do Rio:\u00a0&#8220;Malu&#8221;, &#8220;Os Afro-Sambas, o Brasil de Baden e Vin\u00edcius&#8221;, &#8220;Apocalipse nos Tr\u00f3picos&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>textos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-84472 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/malu1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/malu1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/malu1-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMalu\u201d, de Pedro Freire (2024)<\/strong><br \/>\nMuito tem se falado do elenco de &#8220;Malu&#8221; (2024), que de fato apresenta um trabalho primoroso tendo como epicentro a atriz Yara de Novaes, cuja performance cresce em di\u00e1logo com as presen\u00e7as de Juliana Carneiro da Cunha, Carol Duarte e \u00c1tila Bee. Malu, a protagonista, \u00e9 uma atriz idealista de esp\u00edrito livre, moradora de uma casa situada na regi\u00e3o perif\u00e9rica do Rio de Janeiro na qual sonha transformar em um centro cultural, com direito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um teatro de bolso e de um &#8220;cineminha&#8221; para a molecada. A personagem, inspirada na m\u00e3e do pr\u00f3prio diretor (Malu Rocha), viveu seus dias de gl\u00f3ria durante a ditadura militar, ocasi\u00e3o em que p\u00f4de performar o desbunde caracter\u00edstico de sua gera\u00e7\u00e3o para confrontar a caretice vigente. Conta in\u00fameras vezes, a quem tiver disposi\u00e7\u00e3o para ouvir, os seus planos arquitet\u00f4nicos para a casa e as inveteradas hist\u00f3rias que compartilhou com Pl\u00ednio Marcos e outros dramaturgos importantes da \u00e9poca. O rancor que sobra para o ex-marido \u00e9 constantemente transformado em amor e car\u00eancia no di\u00e1logo com a filha, interpretada por Carol Duarte, que se destaca nas cenas que exigem maior for\u00e7a dram\u00e1tica. A parte mais c\u00f4mica, ainda que em sua dimens\u00e3o tr\u00e1gica, fica por conta de Juliana Carneiro da Cunha que vive Lili, m\u00e3e de Malu, muito religiosa, avessa ao baseado que a filha fuma diariamente e cega diante do seu preconceito para com Tibira, personagem de \u00c1tila Bee, que mora nos fundos da casa. O olhar de Pedro Freire, auxiliado pelo trabalho de fotografia brilhante desempenhado por Mauro Pinheiro Jr. (certamente um dos maiores diretores de fotografia de sua gera\u00e7\u00e3o), conduz a simples trama e as complexas modula\u00e7\u00f5es com um frescor surpreendente. O que o diretor e o fot\u00f3grafo tiram dos poucos ambientes que filmam \u00e9 uma proeza. Atravessamos os anos junto com as personagens, apoiados pela c\u00e2mera vibrante de Mauro e pelo magnetismo de Yara de Novaes. Este \u00e9 o primeiro longa-metragem de Pedro Freire, que sai do Festival do Rio premiado com o Trof\u00e9u Redentor de Melhor Longa-Metragem de Fic\u00e7\u00e3o da Premi\u00e8re Brasil &#8211; pr\u00eamio que o j\u00fari optou por dividir com &#8220;Baby&#8221; (2024), de Marcelo Caetano.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84470\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/adfrosambas.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/adfrosambas.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/adfrosambas-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Os Afro-Sambas, o Brasil de Baden e Vin\u00edcius&#8221;, de Em\u00edlio Domingos (2024)<\/strong><br \/>\nDocument\u00e1rio realizado com muito esmero e boas ideias por Em\u00edlio Domingos, cineasta que est\u00e1 em um namoro bem sucedido com a m\u00fasica brasileira j\u00e1 h\u00e1 um bom tempo &#8211; desde o in\u00edcio de sua carreira, ali\u00e1s, com &#8220;Pretinho Babylon&#8221; e &#8220;L.A.P.A.&#8221;, ambos dirigidos com Cavi Borges em 2007. Em &#8220;Os Afro-Sambas, o Brasil de Baden e Vin\u00edcius&#8221;, o arquivo respira e as m\u00fasicas soam bem demais na sala escura. O diretor, em parceria com seu montador, Diego Quinder\u00e9 de Carvalho, opta por organizar o material em torno das can\u00e7\u00f5es do disco, uma ode \u00e0 m\u00fasica brasileira e ao melhor jeito de escut\u00e1-las: em alto e bom som. \u00c9 \u00f3timo que cada uma das oito faixas do \u00e1lbum tenha o seu momento, funcionando como ponte para elementos que ajudam a contar a hist\u00f3ria das biografias de seus dois criadores e dos artistas, produtores e t\u00e9cnicos que giraram em torno das grava\u00e7\u00f5es. As informa\u00e7\u00f5es acerca da participa\u00e7\u00e3o do Quarteto em Cy e do &#8220;c\u00f4ro desafinado&#8221; s\u00e3o bem valiosas, e as tergiversa\u00e7\u00f5es protagonizadas por Maria Beth\u00e2nia garantem um respiro necess\u00e1rio para que possamos ligeiramente fugir do objeto central de discuss\u00e3o do filme. H\u00e1 uma contextualiza\u00e7\u00e3o bastante objetiva de como a m\u00fasica brasileira era percebida entre 1962 e 1966, per\u00edodo no qual o conceito de &#8220;afro-samba&#8221; foi fabulado por Baden Powell e Vin\u00edcius de Moraes e todas as m\u00fasicas do disco &#8211; e ainda algumas que ficaram de fora &#8211; foram compostas. Na medida em que um projeto como esse consegue se sustentar financeiramente (a Warner \u00e9 coprodutora do filme), h\u00e1 de se compreender as concess\u00f5es, conscientes ou n\u00e3o, que precisaram ser feitas: as entrevistas comportadinhas e a interrup\u00e7\u00e3o um tanto inc\u00f4moda do fluxo de algumas elucubra\u00e7\u00f5es s\u00e3o os exemplos mais gritantes. As presen\u00e7as de medalh\u00f5es como Nelson Motta, Marcos Valle e Roberto Menescal tamb\u00e9m puxam o filme para baixo &#8211; sobretudo por serem figurinhas carimbadas em document\u00e1rios musicais feitos no Brasil -, resguardando o m\u00e1ximo respeito aos tr\u00eas. N\u00e3o obstante, temos Kiko Dinucci e Russo Passapusso (este \u00faltimo, por sinal, aparentando curtir uma excelente &#8220;brisa&#8221;) para sacudir a poeira das velhas hist\u00f3rias e pensar no que pode um disco de 1966 apontar para o futuro.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-84471 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/apocalipse.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/apocalipse.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/apocalipse-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Apocalipse nos Tr\u00f3picos&#8221;, de Petra Costa (2024)<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s ter feito sucesso (na medida em que um document\u00e1rio brasileiro consegue fazer sucesso) com o sens\u00edvel e \u00edntimo &#8220;Elena&#8221; (2012) e ter desenvolvido o seu olhar como cineasta com o pouco visto &#8220;Olmo e a Gaivota&#8221; (2015, codirigido com Lea Glob), Petra Costa se lan\u00e7ou aos grandes temas da pol\u00edtica brasileira. A partir de &#8220;Democracia em Vertigem&#8221; (2019), seu hit cujo selo Netflix ajudou a impulsionar, as caracter\u00edsticas da diretora no trato com a linguagem cinematogr\u00e1fica &#8211; narra\u00e7\u00e3o em voz over bastante particular, reflex\u00f5es alongadas acerca de determinados temas, cuidado com o ritmo e a fun\u00e7\u00e3o narrativa da montagem &#8211; passaram a servir ao debate p\u00fablico e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de narrativas que tentam dialogar de maneira aberta com as feridas de um pa\u00eds dividido. A novidade em &#8220;Apocalipse nos Tr\u00f3picos&#8221; (2024), seu mais recente trabalho, \u00e9 observar os fen\u00f4menos pol\u00edticos sob o ponto de vista da influ\u00eancia da religi\u00e3o, sobretudo nos \u00faltimos vinte anos. O filme investiga a atua\u00e7\u00e3o de l\u00edderes religiosos por tr\u00e1s de lideran\u00e7as pol\u00edticas, elegendo como protagonista ningu\u00e9m mais, ningu\u00e9m menos do que Silas Malafaia, o pastor neopentecostal, l\u00edder da Assembleia de Deus Vit\u00f3ria em Cristo, que vem sequestrando as mentes da popula\u00e7\u00e3o desde que &#8220;invadiu&#8221;, h\u00e1 praticamente tr\u00eas d\u00e9cadas, a rede de televis\u00e3o aberta do pa\u00eds. Carism\u00e1tico, posando de bom mo\u00e7o com sua fam\u00edlia de comercial de margarina, Malafaia vomita absurdo atr\u00e1s de absurdo, seja na conversa que estabelece com a equipe do document\u00e1rio, seja nas imagens de arquivo as quais os montadores elegem como relevantes para contextualizar historicamente a situa\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, a montagem, apesar de bem conduzida, \u00e0s vezes cria algumas equival\u00eancias bastante equivocadas, como se tivesse que prestar contas pelo fato de Malafaia ter apoiado Lula em 2002 e 2006. Por mais que eu genuinamente goste da Petra Costa, formalmente o seu trabalho, t\u00e3o institucional, se diverte muito e se revolta pouco com o mundo que observa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/festival-do-rio\/\"><em>Leia mais sobre o Festival do Rio<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Malu by Pedro Freire (2024, Brazil)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-VYvNifdPvk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os Afro-sambas: O Brasil de Baden e Vinicius | Teaser | Max\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-ELs3o54pb0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Apocalipse nos Tr\u00f3picos&quot;, &quot;Manas&quot; e &quot;Minha M\u00e3e \u00c9 Uma Vaca&quot; estreiam no Festival de Veneza 2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aa72OHsLKYQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leandro_luz<\/a>) escreve e pesquisa sobre cinema desde 2010. Coordena os projetos de audiovisual do Sesc RJ desde 2019 e exerce atividades de cr\u00edtica nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1 disco, 1 filme.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cMalu\u201d saiu premiado com o Trof\u00e9u Redentor de Melhor Longa-Metragem de Fic\u00e7\u00e3o da Premi\u00e8re Brasil; O arquivo respira em &#8220;Os Afro-Sambas, o Brasil de Baden e Vin\u00edcius&#8221;; \u201cApocalipse nos Tr\u00f3picos\u201d se diverte muito e se revolta pouco\u2026\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/18\/tres-filmes-do-26o-festival-do-rio-malu-apocalipse-nos-tropicos-os-afro-sambas-o-brasil-de-baden-e-vinicius\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":137,"featured_media":84475,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[7271,7397,7377,7395,7396,7398],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84468"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84468"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84468\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84479,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84468\/revisions\/84479"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}