{"id":84284,"date":"2024-10-10T01:52:05","date_gmt":"2024-10-10T04:52:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=84284"},"modified":"2024-11-14T00:40:37","modified_gmt":"2024-11-14T03:40:37","slug":"tres-filmes-do-26o-festival-do-rio-carta-a-un-viejo-master-greve-loucos-por-cinema-spectateurs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/10\/tres-filmes-do-26o-festival-do-rio-carta-a-un-viejo-master-greve-loucos-por-cinema-spectateurs\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes do 26\u00ba Festival do Rio: &#8220;Carta a un Viejo Master&#8221;, &#8220;Greve!&#8221;, &#8220;Loucos por Cinema! \/ Spectateurs!&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>textos de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84286\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/master1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/master1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/master1-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Carta a un Viejo Master&#8221;, de Paz Encina (2024)<\/strong><br \/>\nA cineasta paraguaia Paz Encina dedica pouco mais de uma hora a Eduardo Coutinho e sua obra-prima, &#8220;Edif\u00edcio Master&#8221; (2002). A narra\u00e7\u00e3o em voz over diante de planos fixos e est\u00e1ticos anuncia as inseguran\u00e7as da artista, que compartilha as suas ang\u00fastias de maneira surpreendente. Apesar de ter Jordana Berg ao seu lado na montagem (colaboradora de longa data de Coutinho), Encina consegue imprimir um olhar pr\u00f3prio, distanciando-se das costumeiras pris\u00f5es e trejeitos de seu master. Os planos que apontam para o mar na sequ\u00eancia final s\u00e3o de uma beleza estonteante e o duplo-fantasma-Coutinho que ela cria \u00e9 de arrepiar. &#8220;Edif\u00edcio Master&#8221; \u00e9 um dos grandes filmes de Coutinho, que se passa inteiramente dentro de um pr\u00e9dio residencial de classe m\u00e9dia a poucos metros da praia de Copacabana. No document\u00e1rio, rodado em uma semana, o diretor conversou com 27 moradores sem um grande tema disparador, apenas interessado em suas hist\u00f3rias de vida e no que tinham desejo de compartilhar. Em 2009, a cineasta Beth Formaggini, que acompanhou as filmagens do Master, lan\u00e7ou um document\u00e1rio em m\u00e9dia-metragem intitulado &#8220;Apartamento 608&#8221;, muito curioso por voltar a c\u00e2mera para Coutinho e sua equipe durante a feitura do filme. Paz Encina parte de uma ideia semelhante de contracampo, mas utiliza as suas pr\u00f3prias ferramentas para fazer de &#8220;Carta a un Viejo Master&#8221; um belo document\u00e1rio que fala por si s\u00f3, para al\u00e9m do interesse inerente pelo passado. Este foi um projeto gestado durante o Lab Cinema Expandido, um projeto de resid\u00eancia art\u00edstica realizado no Rio de Janeiro e coordenado por Marina Meliande e Felipe M. Bragan\u00e7a. Fica evidente, assistindo ao filme de Paz Encina, o quanto ele dialoga com o universo do cinema expandido e do cinema experimental, para usar um termo mais gen\u00e9rico, nos planos fixos e est\u00e1ticos, na escolha por utilizar c\u00f3digos que remetem a trabalhos voltados para galerias e espa\u00e7os alternativos de frui\u00e7\u00e3o. Seja para quem assistiu \u00e0 obra no contexto de videoinstala\u00e7\u00e3o, seja para quem teve a alegria de testemunh\u00e1-la dentro de uma sala escura, o impacto \u00e9 por demais comovente.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84288\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/greve.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/greve.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/greve-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Greve!&#8221;, de Jo\u00e3o Batista de Andrade (1979)<\/strong><br \/>\nFelizmente, assisti a &#8220;Greve!&#8221; bem no dia do primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es municipais. O m\u00e9dia-metragem dirigido por Jo\u00e3o Batista de Andrade se volta para as greves dos metal\u00fargicos do ABC de 1979. D\u00e1 uma excelente sess\u00e3o dupla (ou tripla) com &#8220;Pe\u00f5es&#8221;, dirigido por Eduardo Coutinho em 2004, e &#8220;ABC da Greve&#8221;, rodado por Leon Hirszman em 1979 e finalizado ap\u00f3s a sua morte em 1990, com o acompanhamento do diretor de fotografia do filme, Adrian Cooper. No filme de Jo\u00e3o Batista de Andrade, mais conhecido pelas obras de fic\u00e7\u00e3o que realizou na d\u00e9cada de 1980, &#8220;O Homem Que Virou Suco&#8221; (1980) e &#8220;A Pr\u00f3xima V\u00edtima&#8221; (1983), acompanhamos a greve no calor do momento, bem pr\u00f3ximos dos piquetes e dos protestos dos trabalhadores. Os s\u00edmbolos da ind\u00fastria automotiva s\u00e3o suplantados por faixas e placas que anunciam &#8220;greve at\u00e9 a vit\u00f3ria&#8221;. Lula aparece algumas vezes, mas n\u00e3o ganha protagonismo, diferente do que acontece no filme de Hirszman. Em &#8220;Greve!&#8221;, a sua presen\u00e7a (e sobretudo a sua voz, jovem e firme) se presta a evidenciar a uni\u00e3o dos trabalhadores, e as pessoas que ganham maior destaque no document\u00e1rio s\u00f3 refor\u00e7am essa vis\u00e3o: o depoimento da esposa de um dos grevistas (pungente, de uma eloqu\u00eancia brutal) \u00e9 memor\u00e1vel, assim como o de um trabalhador an\u00f4nimo que insiste em falar (e muito bem) para a c\u00e2mera, que tenta se desvencilhar de sua figura, mas n\u00e3o consegue. Poderia jurar que, pela intensidade dos registros, o filme tinha sido rodado com uma c\u00e2mera de 16mm, mas na consulta que fiz \u00e0 base de dados da Cinemateca Brasileira me surpreendi: as filmagens foram em 35mm mesmo. Ali\u00e1s, o filme foi exibido, na mesma sess\u00e3o (compreendida na mostra Cinemateca \u00e9 Brasileira &#8211; Resist\u00eancias Cinematogr\u00e1ficas), junto do curta-metragem &#8220;Manh\u00e3 Cinzenta&#8221;, uma p\u00e9rola de 1969 dirigida por Olney S\u00e3o Paulo. Ditadura e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Tortura e contracultura. Gosto da liberdade sonora que ele tem, e a fotografia \u00e9 do Jos\u00e9 Carlos Avellar (mais lembrado pela sua atua\u00e7\u00e3o como cr\u00edtico), que faz um trabalho inacredit\u00e1vel. Para finalizar, voltando ao &#8220;Greve!&#8221;, como \u00e9 bom ver o Lula no meio do povo!<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84289\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/specatuers.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/specatuers.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/specatuers-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Loucos por Cinema! \/ Spectateurs!&#8221;, de Arnaud Desplechin (2024)<\/strong><br \/>\nArnaud Desplechin faz um filme t\u00e3o apaixonado quanto antiquado. Parece algo de 30 anos atr\u00e1s, no m\u00ednimo. Tem seus momentos de encena\u00e7\u00e3o autobiogr\u00e1fica, com atores muito bem dirigidos e fotografados, mas a moldura documental \u00e9 fr\u00e1gil e s\u00f3 faz brigar com a fic\u00e7\u00e3o. &#8220;O que significa ir ao cinema?&#8221;, pergunta a sinopse de &#8220;Loucos por Cinema!&#8221;, como se ignorasse o tanto que o h\u00e1bito do espectador mudou nas \u00faltimas d\u00e9cadas. N\u00e3o h\u00e1 nada no filme que se relacione com as ang\u00fastias de um mundo hiper conectado, no qual ningu\u00e9m parece ter mais paci\u00eancia para nada, sem sequer conseguir passar 90 minutos sentada em uma sala escura sem que precise checar as notifica\u00e7\u00f5es no celular. Ao inv\u00e9s de se aproximar do &#8220;espectador contempor\u00e2neo&#8221; (seja l\u00e1 o que isso signifique), o diretor se volta para uma bolha da velha cinefilia, repetindo imagens lindas (por\u00e9m ultra gastas). Lembra &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/24\/cinema-formulaico-e-obvio-os-fabelmans-e-muito-pouco-para-um-realizador-do-nivel-de-steven-spielberg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Fabelmans<\/a>&#8220;, de Spielberg, que fazia um movimento semelhante, por\u00e9m muito mais interessado na fic\u00e7\u00e3o e cuidadoso para n\u00e3o soar t\u00e3o conservador. No filme de Desplechin, seu protagonista\/alter ego se chama Paul D\u00e9dalus (uma refer\u00eancia a Stephen Dedalus, alter ego liter\u00e1rio de James Joyce em &#8220;Retrato do Artista Quando Jovem&#8221;?), e somos conduzidos a espiar as suas aventuras cin\u00e9filas e amorosas como se estiv\u00e9ssemos assistindo a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/26\/filmografia-todo-o-cinema-de-woody-allen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um filme fraco do Woody Alle<\/a>n misturado com um document\u00e1rio protocolar sobre a hist\u00f3ria do cinema. Talvez se ficasse no \u00e2mbito da fic\u00e7\u00e3o o filme funcionasse melhor, mas agenciar elementos pr\u00f3prios do document\u00e1rio sem qualquer pensamento cr\u00edtico a respeito do estado do cinema \u00e9 um baita equ\u00edvoco.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/festival-do-rio\/\"><em>Leia mais sobre o Festival do Rio<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Greve! (Jo\u00e3o Batista de Andrade, 1979)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YynDMipzKP4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"FilmLovers !\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zSg2IldE6Fk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leandro_luz<\/a>) escreve e pesquisa sobre cinema desde 2010. Coordena os projetos de audiovisual do Sesc RJ desde 2019 e exerce atividades de cr\u00edtica nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1 disco, 1 filme.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O impacto de &#8220;Carta a un Viejo Master&#8221; \u00e9 por demais comovente; \u201cGreve!\u201d se volta aos protestos dos trabalhadores em 1979; &#8220;Loucos por Cinema!\u201d \u00e9 um filme t\u00e3o apaixonado quanto antiquado.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/10\/tres-filmes-do-26o-festival-do-rio-carta-a-un-viejo-master-greve-loucos-por-cinema-spectateurs\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":137,"featured_media":84290,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[7387,7377,7386,7385],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84284"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84284"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84284\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84293,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84284\/revisions\/84293"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}