{"id":84267,"date":"2024-10-09T01:03:19","date_gmt":"2024-10-09T04:03:19","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=84267"},"modified":"2024-10-25T01:21:25","modified_gmt":"2024-10-25T04:21:25","slug":"26o-festival-do-rio-avenida-beira-mar-investiga-sentimentos-profundos-que-ganham-o-mundo-por-meio-de-tres-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/09\/26o-festival-do-rio-avenida-beira-mar-investiga-sentimentos-profundos-que-ganham-o-mundo-por-meio-de-tres-mulheres\/","title":{"rendered":"26\u00ba Festival do Rio:\u00a0&#8220;Avenida Beira-Mar&#8221; investiga sentimentos profundos que ganham o mundo por meio de tr\u00eas mulheres"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-84274 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/av4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1061\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/av4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/av4-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dupla Maju de Paiva e Bernardo Florim escreve e dirige com muita seguran\u00e7a o seu primeiro longa-metragem, &#8220;Avenida Beira-Mar&#8221;, premiado como melhor dire\u00e7\u00e3o no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara e que agora estreia em terras cariocas na mostra &#8220;Premi\u00e8re Brasil: Competi\u00e7\u00e3o Novos Rumos&#8221; do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/festival-do-rio\/\">Festival do Rio<\/a>. Recusando o \u00f3bvio e abra\u00e7ando a simplicidade, o filme investiga sentimentos muito profundos que ganham o mundo por meio de tr\u00eas mulheres, Rebeca, Mika e Marta, interpretadas, respectivamente, pelas jovens Milena Pinheiro e Milena Gerassi e pela veterana Andr\u00e9a Beltr\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rebeca \u00e9 filha de Marta e ambas se mudam para uma antiga casa da fam\u00edlia em Piratininga, bairro de classe m\u00e9dia de Niter\u00f3i, no Rio de Janeiro. As duas s\u00e3o muito unidas, mas a pr\u00e9-adolesc\u00eancia estremece todo e qualquer relacionamento maternal. Soma-se a isso o fato de Marta criar Rebeca sozinha e ter que lidar com uma doen\u00e7a que parece a deixar ainda mais cansada, como se n\u00e3o bastasse a batalha de todos os dias de labuta. Em um di\u00e1logo entre Rebeca e a vizinha enxerida da frente, a menina afirma com raiva que o seu pai morreu, e atesta: \u201cn\u00e3o tem homem aqui em casa, n\u00e3o\u201d. Mais tarde, no entanto, entendemos que esse pai est\u00e1 vivo, por\u00e9m a sua aus\u00eancia n\u00e3o importa quase nada para a trama para al\u00e9m do peso dram\u00e1tico do abandono, uma escolha que faz bem ao filme e evita caminhos ligeiros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-84272 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/av2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/av2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/av2-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Avenida Beira-Mar&#8221; \u00e9 um filme que se importa com os detalhes. Planos, gestos, olhares, acontecimentos, tudo existe com a devida dose de sutileza e exposi\u00e7\u00e3o. Quando precisa sinalizar que um canivete ser\u00e1 importante para a hist\u00f3ria, est\u00e1 l\u00e1 o plano detalhe no objeto. Quando quer que o p\u00fablico sinta a complexidade da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filha, est\u00e3o l\u00e1 os olhares e o peso do corpo e da respira\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9a Beltr\u00e3o. A interpreta\u00e7\u00e3o de Beltr\u00e3o, ali\u00e1s, funciona como uma \u00e2ncora para o filme e nos intriga ao representar Marta como uma m\u00e3e comum dos anos 1990, ao mesmo tempo sens\u00edvel e preocupada, solit\u00e1ria e gentil. Presen\u00e7a fundamental para um filme que depende muito da qu\u00edmica entre duas jovens atrizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Milena Pinheiro \u00e9 muito inteligente ao representar a sua Rebeca, \u00e0s vezes marcando, em fun\u00e7\u00e3o da sua configura\u00e7\u00e3o familiar, o qu\u00e3o adulta ela \u00e9 para a sua idade, \u00e0s vezes deixando transparecer uma fragilidade bonita e infantil de quem ainda tem o mundo inteiro por desbravar. Rebeca percebe muito cedo na vida que n\u00e3o s\u00e3o apenas os pais que cuidam de seus filhos, ela tamb\u00e9m entende o quanto \u00e9 importante para a m\u00e3e. N\u00e3o raro o filme dedica um bom tempo de tela para mostrar a\u00e7\u00f5es compartilhadas pelas duas, desde os afazeres dom\u00e9sticos at\u00e9 o descanso merecido na varanda. Apesar das responsabilidades, Rebeca ainda est\u00e1 entrando na adolesc\u00eancia, e \u00e9 no contato com Mika, interpretada com uma seguran\u00e7a surpreendente por Milena Gerassi, que ela ir\u00e1 descobrir um pouco mais de si mesma e se conectar com os pr\u00f3prios desejos e sonhos que lhe foram involuntariamente negados at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mika \u00e9 uma menina trans recha\u00e7ada por sua comunidade e incompreendida por sua fam\u00edlia. Nem por isso o filme retrata apenas a parte violenta de sua vida, ainda que dedique tr\u00eas ou quatro cenas fortes para escancarar essa intoler\u00e2ncia &#8211; algumas delas funcionam bem, como na vez em que conhecemos os pais de Mika \u00e0 mesa do jantar, outras demonstram maior fragilidade de encena\u00e7\u00e3o, como quando a garota performa uma can\u00e7\u00e3o da Gal e \u00e9 agredida em seguida. O mais interessante, no entanto, \u00e9 que somos apresentados \u00e0 Mika n\u00e3o por meio de suas dores, e sim pelo seu hobby favorito: andar de patins pelas ruas do bairro e entrar na casa dos moradores para bisbilhotar os seus pertences. \u00c9 desse jeito que Rebeca a conhece, mexendo nas roupas \u00edntimas do seu arm\u00e1rio, e a relaciona com o barulho dos patins que ouviu na noite anterior. O que se segue \u00e9 uma sequ\u00eancia de encontros que servir\u00e3o para germinar uma amizade sincera, representada com toda a calma e cuidado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-84273 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/av3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/av3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/av3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomando pelo trabalho pr\u00e9vio em curta-metragem de Maju, que j\u00e1 tinha dirigido &#8220;Pequenos Animais Sem Dono&#8221; (2016) e &#8220;Cravo, L\u00edrio e Rosa&#8221; (2018), d\u00e1 para perceber uma marca autoral na aproxima\u00e7\u00e3o com hist\u00f3rias de forma\u00e7\u00e3o e com a juventude. Assim como as personagens principais dos curtas, em &#8220;Avenida Beira-Mar&#8221; acompanhamos ao mesmo tempo uma esp\u00e9cie de amadurecimento das protagonistas e, mais importante ainda, testemunhamos ambas vivendo plenamente. \u00c9 um trabalho que se dedica \u00e0 vida tanto quanto a refletir sobre ela, um filme que se importa em fazer a brisa do mar bater em nossos rostos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra n\u00e3o se exime de falar sobre classe (eu era uma daquelas &#8220;pessoas de Maric\u00e1 e de Alc\u00e2ntara&#8221; que iam curtir uma praia em Piratininga nos anos 1990, como vocifera com desd\u00e9m uma personagem coadjuvante), e nem se recusa a investigar quest\u00f5es como a transfobia e o abandono, mas se concentra mesmo nesses la\u00e7os e gestos fraternos que d\u00e3o sentido \u00e0 vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/festival-do-rio\/\"><em>Leia mais sobre o Festival do Rio<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trailer Avenida Beira-Mar\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/e5a4jz1NG-A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leandro_luz<\/a>) escreve e pesquisa sobre cinema desde 2010. Coordena os projetos de audiovisual do Sesc RJ desde 2019 e exerce atividades de cr\u00edtica nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1 disco, 1 filme.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A obra n\u00e3o se exime de falar sobre classe e nem se recusa a investigar quest\u00f5es como a transfobia e o abandono, mas se concentra mesmo nesses la\u00e7os e gestos fraternos que d\u00e3o sentido \u00e0 vida.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/09\/26o-festival-do-rio-avenida-beira-mar-investiga-sentimentos-profundos-que-ganham-o-mundo-por-meio-de-tres-mulheres\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":137,"featured_media":84271,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[7384,7377,7383],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84267"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84275,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84267\/revisions\/84275"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}