{"id":84111,"date":"2024-10-02T00:02:00","date_gmt":"2024-10-02T03:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=84111"},"modified":"2024-11-05T00:18:43","modified_gmt":"2024-11-05T03:18:43","slug":"discografia-comentada-husker-du","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/02\/discografia-comentada-husker-du\/","title":{"rendered":"Discografia Comentada: H\u00fcsker D\u00fc"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84114\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/huskerdu2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/huskerdu2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/huskerdu2-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa do rock alternativo p\u00f3s-1991 diz que o lan\u00e7amento de \u201cNevermind\u201d, do Nirvana, sepultou o ent\u00e3o j\u00e1 esgotado reinado do hair metal que havia dominado as paradas e a MTV no fim dos anos 1980 (ainda que bandas como o Guns N&#8217; Roses mantivessem altos n\u00edveis de sucesso e reconhecimento). No entanto, numa esp\u00e9cie de efeito adverso, a ascens\u00e3o das bandas de Seattle e similares acabou por relegar ao quase esquecimento um sem-n\u00famero de bandas alternativas que vieram antes. Quase todas as pessoas atentas ao desenvolvimento do g\u00eanero ao longo das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas conhecem de cor a letra de \u201cJeremy\u201d, ainda que poucos se lembrem de grupos como Hoodoo Gurus. E por mais que algumas destas mesmas forma\u00e7\u00f5es tenham triunfado, como o R.E.M. ou o Sonic Youth (que sa\u00edram da independ\u00eancia e assinaram com grandes gravadoras, a primeira em 1987, a segunda em 1990), \u00e9 fato que muitos dos seus contempor\u00e2neos acabaram ofuscados na tomada de poder do grunge e da dita Alternative Nation, mesmo tendo tido trajet\u00f3rias muito parecidas. Como \u00e9 o caso do H\u00fcsker D\u00fc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado em 1979 na cidade de St. Paul, Minessota, o H\u00fcsker D\u00fc (com os tremas) se firmou como um dos principais nomes de sua gera\u00e7\u00e3o, desde suas origens no hardcore punk de contempor\u00e2neos como Black Flag, Minutemen e Circle Jerks, at\u00e9 uma matura\u00e7\u00e3o sonora que os levou a flertar com a psicodelia sessentista e melodias a-l\u00e1-Beatles, que os converteram em uma banda de grande influ\u00eancia nos anos seguintes. Formado por Bob Mould (vocais e guitarra), Greg Norton (baixo) e Grant Hart (bateria e vocais), o grupo expandiu suas fronteiras tocando e viajando exaustivamente, com prodigiosas rotinas de \u00e1lbum-turn\u00ea, e cometendo a ousadia m\u00e1xima de deixar uma gravadora independente e migrar para uma major quando isto ainda era tido como um sacril\u00e9gio. Ao longo deste processo, constru\u00edram, at\u00e9 seu fim em 1987, um conjunto de obras que compreende sete \u00e1lbuns de est\u00fadio e alguns extras (como eps e \u00e1lbuns ao vivo) que funcionam como um documento hist\u00f3rico das transforma\u00e7\u00f5es pelas quais o pr\u00f3prio conceito de rock alternativo passaria, de suas origens adjacentes ao movimento punk, at\u00e9 as aspira\u00e7\u00f5es mais elaboradas que impulsionariam toda uma nova leva de bandas ao estrelato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia do H\u00fcsker D\u00fc j\u00e1 foi reconhecida em v\u00e1rias inst\u00e2ncias: grupos como o Green Day j\u00e1 atribu\u00edram ao trio o t\u00edtulo de pioneiros, e Bob Mould inclusive j\u00e1 colaborou com outros m\u00fasicos abertamente influenciados por sua antiga banda, como No Age e Foo Fighters \u2013 vale citar, inclusive, que o guitarrista foi um dos v\u00e1rios considerados para a posi\u00e7\u00e3o de produtor em \u201cNevermind\u201d (1991). Ap\u00f3s o fim do grupo, os tr\u00eas seguiram jornadas muito diferentes, como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/24\/entrevista-bob-mould\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o pr\u00f3prio Bob Mould contou ao Scream &amp; Yell<\/a>: &#8220;Acho que a mitologia sobre essa banda \u00e9 bem maior do que a realidade (risos). Somos apenas pessoas que cresceram juntas, que tiveram uma banda por oito anos, e que no \u00faltimo ano e meio estavam indo em dire\u00e7\u00f5es diferentes&#8221;: dessa forma, Grant Hart montou e desmontou a banda Nova Mob, com quem gravou alguns discos, e fez mais alguns trabalhos sozinho antes de falecer em 2016; Norton atuou como chef, e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/08\/entrevista-greg-norton-fala-sobre-o-novo-disco-do-ultrabomb-o-legado-do-husker-du-e-os-40-anos-de-zen-arcade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">atualmente se apresenta com o grupo UltraBomb<\/a>; e Mould se lan\u00e7ou primeiro como artista solo (numa carreira bem sucedida que j\u00e1 acumula cerca de 15 \u00e1lbuns) e, al\u00e9m disso, ainda lan\u00e7ou dois discos \u00e0 frente da tamb\u00e9m incr\u00edvel banda Sugar, no in\u00edcio dos 1990. Hoje, mais de 40 anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do primeiro disco do grupo, o dom da perspectiva torna f\u00e1cil enxergar o qu\u00e3o fundamental a exist\u00eancia do H\u00fcsker D\u00fc foi para os caminhos trilhados pelo rock ao longo dos \u00faltimos 30 anos. A fim de comemorar as quatro d\u00e9cadas de seu disco mais cultuado e importante, o que se segue \u00e9 uma tentativa de elucidar a brilh\u00e2ncia de uma das mais singulares trajet\u00f3rias da hist\u00f3ria da chamada \u201cm\u00fasica alternativa\u201d (ou \u201cboa m\u00fasica\u201d, se preferir).<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"H\u00fcsker D\u00fc - Land Speed Record (Full Album)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g3MehtgiKnY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"From the Gut\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M60Q80MAGeQ?list=OLAK5uy_ldGluZGYKWZqIrD9ayeYKN1YLem92JZxE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLand Speed Record\u201d\/\u201cEverything Falls Apart\u201d (1983)<\/strong><br \/>\n\u201cSe os Ramones eram r\u00e1pidos, e os Buzzcocks eram mais r\u00e1pidos, e os Dickies eram ainda mais r\u00e1pidos, isso significava que o H\u00fcsker D\u00fc tinha que ser a banda mais r\u00e1pida do mundo\u201d. S\u00e3o palavras de Bob Mould, em sua biografia \u201cSee a Little Light: A Memoir\u201d, publicada em 2011. E os membros do H\u00fcsker D\u00fc n\u00e3o se afastariam tanto desta proposta ao longo de sua carreira \u2013 em nenhum outro momento, por\u00e9m, esse ideal se faz t\u00e3o presente quanto nos primeiros dois registros da banda em LP. Lan\u00e7ados pela gravadora SST (de propriedade de Greg Ginn, do Black Flag) em 1982 e 1983, respectivamente, \u201cLand Speed Record\u201d e \u201cEverything Falls Apart\u201d s\u00e3o os registros que melhor captam o som feito pelos tr\u00eas em seus anos iniciais. O primeiro foi gravado ao vivo em Minneapolis no ano de 1981, antecedendo qualquer grava\u00e7\u00e3o de est\u00fadio. Com impressionantes 17 faixas e dura\u00e7\u00e3o de menos de 27 minutos (!), \u201cLand Speed Record\u201d traz a crueza do hardcore intepretada por uma banda que em breve seria capaz de muito mais. As limita\u00e7\u00f5es de ter sido gravado em um dispositivo de 4 canais se faz presente ao longo da grava\u00e7\u00e3o inteira, o que faz do disco pouco recomend\u00e1vel para ouvidos menos acostumados (destaque para \u201cGuns at My School\u201d e \u201cBricklayer\u201d, de Mould, e \u201cPush the Button\u201d de Hart). J\u00e1 o segundo \u00e9 uma transposi\u00e7\u00e3o igualmente crua, por\u00e9m preciosa da mesma \u00e9tica musical dos tr\u00eas membros em est\u00fadio. Produzido pelos m\u00fasicos em parceria com o t\u00e9cnico residente Spot (recentemente falecido e homenageado por Mould), \u201cEverything Falls Apart\u201d \u00e9 caos controlado, como uma bomba que pode explodir a qualquer momento, sem aviso. A abertura com \u201cFrom the Gut\u201d, com baterias marciais, riffs pesad\u00edssimos e vocais berrados de Mould, e \u201cWheels\u201d, furiosamente cantada por Grant Hart, s\u00e3o indicativos do per\u00edodo inicial da banda, energizada pelo consumo de anfetaminas. Outros destaques s\u00e3o a cover de \u201cSunshine Superman\u201d (originalmente interpretada pelo cantor escoc\u00eas Donovan) e a faixa-t\u00edtulo \u2013 vale mencionar que o disco foi expandido quando de seu lan\u00e7amento em CD, e reeditado como \u201cEverything Falls Apart and More\u201d, incluindo os dois primeiros singles (\u201cStatues\u201d e \u201dIn a Free Land\u201d) e uma grava\u00e7\u00e3o tosca de \u201cDo You Remember?\u201d (tradu\u00e7\u00e3o do dinamarqu\u00eas \u201cHusker Du?\u201d para o ingl\u00eas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor(es) faixa(s): \u201cFrom The Gut\u201d, \u201cWheels\u201d<br \/>\nFavorita: \u201cEverything Falls Apart\u201d<br \/>\nNota: 7\/10<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zen Arcade\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mzlf4vXNGcLEeb93rlXuSQQXtV2GqVTiA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cZen Arcade\u201d (1984)<\/strong><br \/>\nUm pequeno passo para o H\u00fcsker D\u00fc, um salto gigante para toda a cena a qual a banda pertencia. A partir de seu segundo disco de est\u00fadio, teria in\u00edcio um processo de amadurecimento sonoro que os elevaria ao status de \u00edcones em meio aos f\u00e3s; uma cis\u00e3o no processo de composi\u00e7\u00e3o que provocaria diverg\u00eancias e conflitos internos, e que os levaria \u00e0 sua separa\u00e7\u00e3o; e um legado que faz frente a praticamente todos seus contempor\u00e2neos. \u201cZen Arcade\u201d irrompeu no cen\u00e1rio constantemente crescente de m\u00fasica alternativa como uma explos\u00e3o: Um disco conceitual, que conta a hist\u00f3ria de um jovem que foge de casa e de uma vida abusiva, e procura ref\u00fagio no ex\u00e9rcito, no amor, nas drogas e na religi\u00e3o, amparado em um repert\u00f3rio que vai de arroubos de energia punk (\u201cSomething I Learned Today\u201d, \u201cI&#8217;ll Never Forget You\u201d, \u201cTurn On the News\u201d) at\u00e9 delicadas j\u00f3ias ac\u00fasticas (\u201cNever Talking To You Again\u201d), cacofonias desorientadoras (\u201cReoccurring Dreams\u201d) e acenos \u00e0 psicodelia (\u201cPink Turns to Blue\u201d). S\u00e3o 23 faixas gravadas em takes \u00fanicos, onde percebe-se a vontade de seguir outros rumos: os berros escolhidos antes por Mould s\u00e3o descartados em favor de vocais menos abrasivos e uma vis\u00e3o mais clara em rela\u00e7\u00e3o aos t\u00f3picos tratados; j\u00e1 Grant Hart (que assina cinco faixas, al\u00e9m de tr\u00eas com o vocalista e outras tr\u00eas escritas em conjunto) tem mais espa\u00e7o para mostrar um lirismo bastante diferente do co-compositor, e brilha com vocais mais mel\u00f3dicos. Falando em melodias, inclusive, \u00e9 importante destacar a presen\u00e7a do piano tocado pelo guitarrista e pelo baterista, respectivamente, em \u201cChartered Trips\u201d e \u201cStanding By The Sea\u201d, em um sinal claro de querer romper com quaisquer amarras trazidas por serem uma banda originalmente punk. E mesmo assim, os bons momentos n\u00e3o se acabam: \u201cWhat&#8217;s Going On\u201d (com participa\u00e7\u00e3o de Dez Cadena, do Black Flag), \u201cBroken Home, Broken Heart\u201d, \u201cThe Biggest Lie\u201d, \u201cPride\u201d&#8230; \u201cZen Arcade\u201d \u00e9 daqueles discos que s\u00e3o e ser\u00e3o discutidos por muitos anos. \u201cN\u00e3o est\u00e1vamos necessariamente pensando algo como \u2018Ah, esse disco vai mudar a m\u00fasica\u2019 ou \u2018Esse \u00e1lbum vai influenciar muita gente no futuro\u2019. Mas o fato de isso ter acontecido \u00e9 incr\u00edvel, um tanto incompreens\u00edvel e algo pelo qual serei eternamente grato\u201d, confidenciou o baixista Greg Norton em entrevista ao Scream &amp; Yell. Mas t\u00e3o importante quanto discutir \u201cZen Arcade\u201d \u00e9 escutar \u201cZen Arcade\u201d, com ouvidos atentos e cora\u00e7\u00e3o aberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor(es) faixa(s): O \u00e1lbum inteiro<br \/>\nFavorita(s): \u201cChartered Trips\u201d, \u201cBroken Home, Broken Heart\u201d, \u201cNever Talking to You Again\u201d<br \/>\nNota: 10\/10<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"New Day Rising\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_m5LIe6kFZEplo7Wl0uEFK-WG82T6OV2bI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNew Day Rising\u201d (1985)<\/strong><br \/>\nN\u00e3o havia mais volta para o H\u00fcsker D\u00fc. A trilha aberta em 1984 semearia influ\u00eancias que floresceriam nas novas composi\u00e7\u00f5es, e a banda, por consequ\u00eancia, se destacaria pela forma como deixariam os limites auto-impostos do ideal punk para tr\u00e1s \u2013 quer dizer, apenas musicalmente: <strong>usando<\/strong> o formato tornado c\u00e9lebre pelo Black Flag, os tr\u00eas membros viajaram sem parar, cruzando os Estados Unidos e experimentando com novas texturas e estruturas musicais nos shows, onde muitas das can\u00e7\u00f5es de seu terceiro disco seriam testadas pela primeira vez. Com um som mais cristalino e um cuidado maior nas grava\u00e7\u00f5es (ainda que relativamente), \u201cNew Day Rising\u201d deu seguimento ao crescimento criativo de Mould e Hart, especificamente, que j\u00e1 desenvolviam seus talentos pr\u00f3prios como compositores, ainda que conseguissem manter um bom n\u00edvel de colabora\u00e7\u00f5es. T\u00e3o produtivos eram os ensaios e apresenta\u00e7\u00f5es que o trabalho no \u00e1lbum come\u00e7ou praticamente assim que \u201cZen Arcade\u201d foi lan\u00e7ado. O n\u00famero de faixas foi ligeiramente reduzido \u2013 15 m\u00fasicas \u2013 e a sonoridade mais trabalhada faz com que mesmo os maiores reflexos do ainda recente passado mais underground do trio fosse exibido no melhor estilo. Basta ouvir os riffs cortantes e ensolarados da cl\u00e1ssica \u201cCelebrated Summer\u201d ou a galopante \u201cI Apologize\u201d para sentir a diferen\u00e7a na qualidade de grava\u00e7\u00e3o, que, embora ainda n\u00e3o se assemelhasse \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o cristalina de grupos mainstream, como Bon Jovi, j\u00e1 representava um salto grande em termos de apelo. A variedade sonora j\u00e1 insinuada antes assume contornos mais distintos aqui, e em nenhuma outra can\u00e7\u00e3o o impulso pela experimenta\u00e7\u00e3o e por novos arranjos fica t\u00e3o claro quanto na indefect\u00edvel \u201cBooks About UFOs\u201d, entoada por Hart e enfeitada com uma bela linha de piano. Ainda que mais familiar, por\u00e9m n\u00e3o menos intrigante, \u201cTerms of Psychic Warfare\u201d se utiliza de ritmos quebrados, quase jazz, naquele que talvez seja o ponto mais destoante do resto do repert\u00f3rio. \u201cFolk Lore\u201d, \u201cPowerline\u201d e o encerramento com \u201cPlans I Make\u201d alternam entre sonoridades mais esperadas pelos j\u00e1 dedicados f\u00e3s da banda e territ\u00f3rios ainda pouco explorados, estabelecendo assim a dualidade tomada para si pelos membros pelo resto de sua discografia. Um \u00e1lbum s\u00f3lido, que pode gerar estranheza \u00e0 primeira audi\u00e7\u00e3o e que s\u00f3 faz crescer no cora\u00e7\u00e3o dos seguidores ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor(es) faixa(s): \u201cBooks About UFOs\u201d, \u201cCelebrated Summer\u201d, \u201cNew Day Rising\u201d<br \/>\nFavorita: \u201cCelebrated Summer\u201d<br \/>\nNota: 9\/10<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Flip Your Wig\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OWq_XWXRdV8?list=OLAK5uy_nDOWftfSQMp184-XD7wnmdJlyqxwnYmRk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFlip Your Wig\u201d (1985)<\/strong><br \/>\nMesmo que se considere o ritmo fren\u00e9tico ao qual os contempor\u00e2neos do H\u00fcsker D\u00fc se dedicavam, ainda assim \u00e9 impressionante observar o qu\u00e3o prol\u00edficos os tr\u00eas conseguiam ser em seus momentos mais inspirados. Apenas nove meses ap\u00f3s o lan\u00e7amento de \u201cNew Day Rising\u201d, j\u00e1 come\u00e7ando a chamar a aten\u00e7\u00e3o de grandes gravadoras e se sobressaindo em meio ao cast da SST, o trio saiu com \u201cFlip Your Wig\u201d em novembro de 1985. Com um repert\u00f3rio um pouco mais equilibrado (Hart e Mould escrevendo metade das can\u00e7\u00f5es cada), o desfile de cl\u00e1ssicos continua: ainda que talvez menos consistente do que seu antecessor, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar que \u201cMakes No Sense At All\u201d (lan\u00e7ada como single, com a cover de \u201cLove Is All Around\u201d no lado B) faz por merecer o status de cl\u00e1ssico indiscut\u00edvel. \u201cPrivate Plane\u201d justifica a entrada de Mould no hall de melhores guitarristas de sua gera\u00e7\u00e3o, escapando de clich\u00eas e juntando sua linguagem punk com arpejos caracter\u00edsticos das bandas brit\u00e2nicas da mesma \u00e9poca; e a sequ\u00eancia Hart-Mould de \u201cGreen Eyes\u201d e \u201cDivide and Conquer\u201d mostra a dupla, ainda que individualmente, em um de seus melhores momentos. Apesar de isso tudo, tamb\u00e9m vale dizer que algumas outras faixas podem soar um pouco mais dispersas: \u201cThe Baby Song\u201d n\u00e3o chega aos p\u00e9s de \u201cFlexible Flyer\u201d, da mesma maneira que a instrumental \u201cThe Wit and the Wisdom\u201d, com suas microfonias e baterias abstratas, pode perder um pouco de for\u00e7a num \u00e1lbum que ainda tem a faixa-t\u00edtulo e a fren\u00e9tica \u201cEvery Everything\u201d como destaques. A produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se diferencia muito do disco anterior \u2013 os mais distra\u00eddos poderiam achar que se trata de repert\u00f3rios registrados nas mesmas sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o (num processo que, pela primeira vez, ficou inteiramente sob controle de Bob e Grant); volumes altos e um pouco abafados podem soar estranhos a ouvidos mais acostumados, e o ataque sonoro perde um pouco com as limita\u00e7\u00f5es, mesmo que n\u00e3o tirem o brilho do disco em seus pontos mais interessantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor(es) faixa(s): \u201cPrivate Plane\u201d, \u201cMakes No Sense At All\u201d, \u201cDivide And Conquer\u201d<br \/>\nFavorita: \u201cMakes No Sense At All\u201d<br \/>\nNota: 8,5\/10<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Crystal\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P0cAWxZzF4E?list=OLAK5uy_mgAZNWea3Df5fXmy_V2Yw-ENmMnyGTTsQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCandy Apple Grey\u201d (1986)<\/strong><br \/>\nNos dias atuais, discuss\u00f5es como assinar contrato com uma grande gravadora podem n\u00e3o ter um quinto do impacto que geravam h\u00e1 pouco mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, mas uma banda independente firmar um pacto com uma major poderia (e normalmente era) tido como alta trai\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio (p\u00f3s-)punk dos anos 1980. E n\u00e3o foi diferente quando o H\u00fcsker D\u00fc resolveu aceitar o convite para integrar o grupo de bandas administrado pelo gigante Warner Music Group. A megacorpora\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha demonstrado interesse em lan\u00e7ar \u201cFlip Your Wig\u201d dentro do contrato, mas os tr\u00eas foram contra e defenderam soltar o \u00e1lbum ainda pela SST como s\u00edmbolo de respeito e gratid\u00e3o. Na esteira de um tr\u00e2mite in\u00e9dito, onde uma banda independente assinava com uma gravadora mainstream retendo 100% do controle criativo, \u201cCandy Apple Grey\u201d chegou \u00e0s m\u00e3os do p\u00fablico no primeiro semestre de 1986, com a dupla de compositores mais uma vez assumindo a produ\u00e7\u00e3o. E a diferen\u00e7a entre o repert\u00f3rio do novo disco era latente: amplificada por uma maior inclus\u00e3o de viol\u00f5es e um rompimento decidido da sonoridade que havia marcado seus trabalhos at\u00e9 ent\u00e3o, a lista de can\u00e7\u00f5es se beneficia de mais clareza no som das baterias (onde se percebe pela primeira vez um singelo, mas carater\u00edstico efeito de reverb) e um trabalho de capta\u00e7\u00e3o de guitarras e baixos que parece vir de uma banda completamente diferente daquela que registrou \u201cEverything Falls Apart\u201d. As m\u00fasicas s\u00e3o menos diretas, mais obl\u00edquas e, muitas vezes, mais delicadas: por tr\u00e1s da parede de acordes de \u201cDon&#8217;t Want to Know If You&#8217;re Lonely\u201d est\u00e3o alguns dos melhores versos j\u00e1 escritos pelo baterista Hart, que brilha tamb\u00e9m em \u201cSorry Somehow\u201d e \u201cDead Set On Destruction\u201d, talvez a que melhor pudesse estar nos discos anteriores do trio. Bob Mould, por sua vez, demonstra maturidade e esmero em medidas iguais, tanto nos gritos da r\u00e1pida abertura \u201cCrystal\u201d quanto na delicadeza de \u201cHardly Getting Over It\u201d e no power pop de \u201cI Don&#8217;t Know For Sure\u201d. A proposta aqui parece claramente a de canalizar as melhores can\u00e7\u00f5es escritas pela dupla, ainda que a participa\u00e7\u00e3o de Norton continue mais marcada do que nos anteriores (as linhas de baixo de \u201cEiffel Tower High\u201d figuram entre as melhores do grupo). O n\u00famero de faixas diminuiu \u2013 10 can\u00e7\u00f5es, contra 14 de \u201cFlip Your Wig\u201d, e uma reveladora, mesmo que sutil, predomin\u00e2ncia de Mould, que assina 6 faixas, contra 4 de Hart. \u00c9 um disco mais coeso, ainda que com uma reputa\u00e7\u00e3o menor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo lan\u00e7ado antes e depois pelos tr\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor(es) faixa(s): \u201cHardly Getting Over It\u201d, \u201cI Don\u2019t Know For Sure\u201d, \u201cDon\u2019t Want To Know If You\u2019re Lonely\u201d<br \/>\nFavorita: \u201cDon\u2019t Want To Know If You\u2019re Lonely\u201d<br \/>\nNota: 7,5\/10<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"These Important Years\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JCgmTLdQoSU?list=OLAK5uy_k1PJt2XdJDokuvlEzq5AmoqPH5ZJyBkeA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cWarehouse: Songs and Stories\u201d (1987)<\/strong><br \/>\nO que j\u00e1 era um per\u00edodo desafiador para o H\u00fcsker D\u00fc se tornou um pesadelo em doses homeop\u00e1ticas: o abismo entre Mould, que lutava para exercer maior controle sobre os rumos do grupo, e Hart, que resistia aos interesses criativos do guitarrista e se afundava cada vez mais na hero\u00edna, finalmente chegou a um ponto irrevers\u00edvel. A luta por dom\u00ednio das decis\u00f5es do grupo e a disc\u00f3rdia produzida pelos embates frequentes \u00e9 refletida de modo reluzente no \u00faltimo disco do grupo. Quase como um primo espiritual de \u201cZen Arcade\u201d, \u201cWarehouse: Songs and Stories\u201d encapsula perfeitamente o n\u00edvel de ambi\u00e7\u00e3o (e rancor) que tomava conta da banda: um \u00e1lbum duplo somando 20 can\u00e7\u00f5es, o derradeiro trabalho do trio \u00e9 repleto de promessas infelizmente nunca cumpridas: ainda que debilitado pelo consumo de drogas, o potencial de Hart como compositor esteve poucas vezes t\u00e3o evidenciado quanto na bela e psicod\u00e9lica \u201cShe Floated Away\u201d &#8211; outros grandes momentos do baterista s\u00e3o a d\u00fabia \u201cShe&#8217;s a Woman (And Now He&#8217;s a Man)\u201d e \u201cBack From Somewhere\u201d. O \u00e1lbum, por\u00e9m, \u00e9 mais marcado pelas contribui\u00e7\u00f5es de Mould: a energ\u00e9tica \u201cThese Important Years\u201d soa como uma reflex\u00e3o a respeito da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria da banda at\u00e9 aquele momento, ao mesmo tempo que \u201cStanding in the Rain\u201d e \u201cIce Cold Ice\u201d s\u00e3o como vis\u00f5es de um futuro no qual o pop punk dominaria \u00e0s ondas de r\u00e1dio e a MTV. O melhor momento do tracklist, por\u00e9m, n\u00e3o poderia ser outro: \u201cCould You Be The One?\u201d \u00e9 o som das portas se abrindo para toda uma nova gera\u00e7\u00e3o de bandas, com melodias assobi\u00e1veis, ritmos r\u00e1pidos e ao mesmo tempo instantaneamente cativantes e uma letra que poderia ter sa\u00eddo de um disco do Big Star. Anos de perspectiva podem trazer mais raz\u00e3o \u00e0 ideia de \u201cWarehouse\u201d como o \u00c1lbum Branco do H\u00fcsker D\u00fc. Greg Norton, apesar de creditado, n\u00e3o contribuiu para determinadas faixas do disco, onde suas linhas foram apagadas e regravadas pelo autor (\u201cCharity, Chastity, Prudence and Hope\u201d, de Hart, sendo um destes casos). O baterista, inclusive, foi franco ao classificar o disco, em retrospecto, como bom, mas que poderia ter sido um \u00e1lbum simples e tido mais impacto. Assim como o citado disco dos garotos de Liverpool, \u201cWarehouse: Songs and Stories\u201d pode soar como confuso e longo demais em um primeiro contato, ainda que as m\u00fasicas menos not\u00e1veis n\u00e3o deixem de ser decisivas para a constru\u00e7\u00e3o da obra como um todo. Barulhento, mel\u00f3dico, intrigante e curioso, \u00e9 um \u00e1lbum \u00e0 altura da jornada da banda que o concebeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor(es) faixa(s): \u201cCould You Be The One?\u201d, \u201cShe Floated Away\u201d<br \/>\nFavorita: \u201cStanding in the Rain\u201d<br \/>\nNota: 9\/10<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Metal Circus (EP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_k_tm9ksBp93uX-vnH3pGk9vGcvQ55DKB4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eps, Singles e \u00c1lbuns ao vivo<\/strong><br \/>\nComo se mostra uma tradi\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 bandas punk (particularmente as contempor\u00e2neas ao H\u00fcsker D\u00fc), muitos dos grandes tesouros da discografia do trio est\u00e3o concentrados n\u00e3o em seus discos de est\u00fadio, mas nas obras que formam o universo expandido de sua discografia. O primeiro destes trabalhos paralelos inclusive \u00e9 fundamental para a evolu\u00e7\u00e3o sonora que se tornaria marca registrada da banda: gravado no fim de 1982 e lan\u00e7ado em 1983, o EP \u201cMetal Circus\u201d marca o primeiro passo, ainda que mais reticente, para longe da brutalidade do hardcore de \u201cLand Speed Record\u201d e \u201cEverything Falls Apart\u201d e sinaliza os novos elementos que fariam parte da paleta de sons do grupo a partir de \u201cZen Arcade\u201d (destaques especiais para a m\u00f3rbida \u201cDiane\u201d e a propulsiva \u201cIt&#8217;s Not Funny Anymore\u201d, de Grant, e \u201cDeadly Skies\u201d de Bob). J\u00e1 em mat\u00e9ria de singles, salvo por ocasionais inclus\u00f5es de faixas ao vivo, a maioria sempre prezou por destacar faixas provenientes de \u00e1lbums, com uma not\u00e1vel exce\u00e7\u00e3o: a incr\u00edvel vers\u00e3o feita para a cl\u00e1ssica \u201cEight Miles High\u201d, dos Byrds, e lan\u00e7ada pouco antes de \u201cZen Arcade\u201d &#8211; tal vers\u00e3o foi determinante para que o trio reivindicasse maior reputa\u00e7\u00e3o no Reino Unido, por onde passariam dali em breve.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"New Day Rising (Live)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yV-R7QnFDqI?list=OLAK5uy_nKP--ZHe7ApSiq4J5fI8TTO6lrQJLWyyI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito \u00e0 material ao vivo, existem somente dois \u00e1lbuns oficialmente lan\u00e7ados at\u00e9 o momento: \u201cThe Living End\u201d (1994) captura o H\u00fcsker D\u00fc na turn\u00ea de \u201cWarehouse\u201d, no segundo semestre de 1987, e, com boa capta\u00e7\u00e3o e retratando um dos momentos mais musicalmente ricos da carreira da banda, pode funcionar como uma boa porta de entrada para os menos familiarizados (Mould, por sua vez, j\u00e1 disse nunca ter escutado o disco). Mais recentemente, \u201cTonite Longhorn\u201d (2023) chegou \u00e0s plataformas de streaming, compilando tr\u00eas sets gravados ao vivo entre Julho de 1979 e Setembro de 1980 no clube Jay\u2019s Longhorn de Minneapolis, e que ajuda a tomar perspectiva da evolu\u00e7\u00e3o sonora do trio ao longo de seu bi\u00eanio formativo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Insects Rule The World (Live, July 6, 1979)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m3EvScFqAJA?list=OLAK5uy_kWZPvoCt74pMEWj2FiQConEf9H6bnosvQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discografia do grupo, seja na fase com a SST ou em seus dias na Warner, nunca foi reeditada apesar da consider\u00e1vel demanda (e olha que o cat\u00e1logo do H\u00fcsker D\u00fc poderia se beneficiar muito de uma remasteriza\u00e7\u00e3o). Por\u00e9m, um lan\u00e7amento recente envolvendo a banda tamb\u00e9m terminou sendo um dos mais interessantes e intrigantes: em 2017, o selo americano The Numero Group (com um longo trabalho de recupera\u00e7\u00e3o e relan\u00e7amento de \u00e1lbuns, alguns nunca lan\u00e7ados, em edi\u00e7\u00f5es caprichad\u00edssimas) soltou a massiva caixa \u201cSavage Young D\u00fc\u201d (abaixo), produto de um verdadeiro processo arqueol\u00f3gico: grava\u00e7\u00f5es de est\u00fadio e ao vivo se misturam a demos numa colet\u00e2nea de 69 can\u00e7\u00f5es, sendo 47 in\u00e9ditas. Al\u00e9m de trazer todas as faixas de \u201cEverything Falls Apart\u201d, a compila\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m traz uma fant\u00e1stica grava\u00e7\u00e3o \u201calternativa\u201d de \u201cLand Speed Record\u201d, com o mesmo repert\u00f3rio, gravado duas semanas ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o que gerou o disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Savage Young D\u00fc\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_m8BlvGzAHEKGvMiX3TUFXnRqq8qzWlBcQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da boa recep\u00e7\u00e3o por parte da cr\u00edtica especializada, \u201cSavage\u201d tamb\u00e9m ocasionou outros dois lan\u00e7amentos \u201cirm\u00e3os\u201d: o vinil de 7 polegadas \u201cExtra Circus\u201d (que traz as faixas que ficaram de fora de \u201cMetal Circus\u201d, registradas na virada de 1982 para 1983) em edi\u00e7\u00e3o limitada, e \u201cDo You Remember?: A Podcast about H\u00fcsker D\u00fc\u201d, que faz uma retrospectiva da carreira da banda em cinco epis\u00f3dios e conta com depoimentos dos tr\u00eas integrantes, mais colegas e colaboradores, no que tamb\u00e9m \u00e9 o \u00faltimo registro de Grant Hart antes de seu falecimento. Dispon\u00edvel apenas na plataforma da Apple, a s\u00e9rie \u00e9 uma audiobiografia onde os pontos de vista muitas vezes discordantes dos tr\u00eas membros s\u00e3o elucidados, e que abre ao ouvinte uma janela para o processos de nascimento, desenvolvimento, amadurecimento e de inevit\u00e1vel finalidade em uma das mais ricas discografias da hist\u00f3ria do rock alternativo \u2013 e de uma de suas bandas mais seminais.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"H\u00fcsker D\u00fc - 1981-09-05 - 7th Street Entry, Minneapolis, MN (Live)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QG_W_Q_qVkY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"H\u00fcsker D\u00fc - 1983-12-16 - Love Hall, Philadelphia, PA (Live)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/19F790x4ZUw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Husker Du - Live Camden Palace 1985\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gsGw8DyWkik?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Husker Du Live in Finlandia 1987\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sga5ZwwnxuE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Husker Du Could You Be The One &amp;  She&#039;s A Woman Joan Rivers Show 27\/04\/87\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N7i_KL-2rEc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Husker Du and The Replacements segment from &quot;The Minneapolis Sound&quot; documentary.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uRIhtn-SWLI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould about the rise and fall of H\u00fcsker D\u00fc\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pFGoNl6zpc8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould - Makes No Sense At All (Sesc Pompeia, 2013)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nygQdFGVBb8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Grant Hart - Don&#039;t Want to Know If You Are Lonely (Galeria Olido, 2013)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qy1qBsFaDbk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Adventureland - H\u00fcsker D\u00fc scene\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BGKRi1mFigA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia outros textos de Davi aqui.<\/a><\/em><\/p>\n<p><strong>Outras discografias comentadas<\/strong><br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Alanis Morissette, por Renata Arruda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/13\/discografia-comentada-alanis-morissette\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Babasonicos, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/13\/discografia-comentada-babasonicos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Bob Dylan, por Gabriel Innocentini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Echo and The Bunnymen, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2009\/06\/11\/discografia-comentada-echo-the-bunnymen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Elvis Costello, por Marco Antonio Bart (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/09\/20\/discografia-comentada-elvis-costello\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Foo Fighters, por Tomaz de Alvarenga (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/discografia-comentada-foo-fighters\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Gal Costa, por Renan Guerra (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/24\/discografia-comentada-gal-costa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Leonard Cohen, por Julio Costello (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Midnight Oil, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/12\/discografia-comentada-midnight-oil\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Mogwai, por Elson Barbosa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/09\/discografia-comentada-mogwai\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Morrissey, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/21\/discografia-comentada-morrissey\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Nick Cave, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/04\/discografia-comentada-nick-cave\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Os Paralamas do Sucesso, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/02\/discografia-comentada-os-paralamas-do-sucesso\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Pato Fu, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/26\/discografia-comentada-pato-fu\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Paul McCartney, por Wilson Farina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2011\/06\/22\/discografia-comentada-paul-mccartney\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Pavement, por Marco Antonio Barbosa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/22\/discografia-comentada-todos-os-discos-do-pavement\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Pin Ups, por Richard Cruz (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/20\/discografia-comentada-pin-ups\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Ramones, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/discografia-comentada-ramones\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Sin\u00e9ad O\u2019Connor, por Renan Guerra (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/08\/discografia-comentada-sinead-oconnor\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Soda Stereo, por Davi Caro (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/01\/discografia-comentada-todos-os-discos-do-soda-stereo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Suede, por Eduardo Palandi (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/15\/discografia-comentada-suede\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: The Clash, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/16\/discografia-comentada-the-clash\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: The Cure, por Miguel F. Luna (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2010\/09\/20\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Wander Wildner, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/06\/discografia-comentada-wander-wildner\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A fim de comemorar as quatro d\u00e9cadas de seu disco mais cultuado e importante, o que se segue \u00e9 uma tentativa de elucidar a brilh\u00e2ncia de uma das mais singulares trajet\u00f3rias da hist\u00f3ria da chamada \u201cm\u00fasica alternativa\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/02\/discografia-comentada-husker-du\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":84112,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[164,162,7313,163],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84111"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84111"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84128,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84111\/revisions\/84128"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}