{"id":8399,"date":"2011-04-27T22:49:30","date_gmt":"2011-04-28T01:49:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8399"},"modified":"2013-10-25T21:10:36","modified_gmt":"2013-10-26T00:10:36","slug":"arcade-fire-ao-vivo-em-chicago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/27\/arcade-fire-ao-vivo-em-chicago\/","title":{"rendered":"Arcade Fire ao vivo em Chicago"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5645498440\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8403 aligncenter\" title=\"arcade1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade1-300x172.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Texto e fotos por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seis dias ap\u00f3s uma apresenta\u00e7\u00e3o consagradora no segundo dia do Festival Coachella 2011, o Arcade Fire desembarcava em Illinois para uma s\u00e9rie de tr\u00eas shows <em>sold out <\/em>no pavilh\u00e3o da Universidade de Chicago, que lembra mais uma quadra de basquete de col\u00e9gio do que um local de shows (mas com estrutura para receber at\u00e9 10 mil pessoas). Os ingressos evaporaram meses antes como \u00e1gua no deserto, mas ainda na porta, no dia do primeiro show, era poss\u00edvel comprar uma arquibancada por 51 d\u00f3lares nas bilheterias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizado numa esquina da rua Racine (se voc\u00ea assistiu ao filme \u201cOs Intoc\u00e1veis\u201d ir\u00e1 se lembrar dela), a frente do UIC Pavilion n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o movimentada perto das 19h30, hor\u00e1rio em que o National est\u00e1 escalado para abrir os trabalhos (na sa\u00edda ser\u00e1 diferente, com uma fila enorme tomando o viaduto que leva at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4). E o grupo de Matt Berninger trope\u00e7a nas baladas e faz muita gente sentir saudade dos shows absurdos de dois ou tr\u00eas anos atr\u00e1s. Nem \u201cMr. November\u201d consegue ajeitar as coisas. Pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5645499114\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8406\" title=\"arcade3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade3.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouca gente arreda os p\u00e9s da pista no intervalo para arruma\u00e7\u00e3o do palco e, alguns copos de cerveja depois, um filmezinho dark anuncia que o show do Arcade Fire ir\u00e1 come\u00e7ar. A banda entra no palco ao som de \u201cThe Lusty Month Of May\u201d, em cena do filme \u201cCamelot\u201d, de 1967, e o barulho dos instrumentos causa uma desordem que encobre a voz suave da atriz Vanessa Redgrave no tel\u00e3o e transforma-se em \u201cMonth of May\u201d, a can\u00e7\u00e3o mais barulhenta do despojado terceiro \u00e1lbum do grupo, \u201cThe Suburbs\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrir o show com a sua can\u00e7\u00e3o menos polida soa uma carta de inten\u00e7\u00f5es: \u201cSe voc\u00ea acha que vamos mudar apenas porque ganhamos um Grammy, aqui est\u00e1 a prova de que somos os mesmos\u201d. A guitarra de Win Butler apita loucamente, R\u00e9gine castiga os pratos de uma bateria menor ao lado do set do baterista Jeremy Gara enquanto o multi instrumentista Richard Parry, de posse de um megafone e de outra guitarra, grita coisas desconexas. Ainda h\u00e1 teclado (tocado pelo irm\u00e3o de Win, William) e violino no arranjo. O caos no palco \u00e9 contagiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5644934785\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8408 aligncenter\" title=\"arcade5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade5.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o barulho de microfonia da can\u00e7\u00e3o anterior surge \u201cRebellion (Lies)\u201d, o primeiro dos hinos do \u00e1lbum \u201cFuneral\u201d, de 2004 (ao todo, seis can\u00e7\u00f5es do disco v\u00e3o entrar no set list desta primeira noite), e uma rotina que se seguir\u00e1 durante toda a noite \u00e9 imposta: a mudan\u00e7a dos m\u00fasicos nos instrumentos \u00e9 constante e em nenhuma m\u00fasica o arranjo segue a ordem da can\u00e7\u00e3o anterior. William, ensandecido, toca um tambor. R\u00e9gine vai para os teclados. A m\u00fasica surge forte e poderosa e todos no UIC a cantam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O som que sai das caixas \u00e9 clar\u00edssimo, cristalino como \u00e1gua de montanha. Tanto que, apesar do som sujo das guitarras e do impacto das porradas nas duas baterias, \u00e9 poss\u00edvel ouvir perfeitamente o som delicado do xilofone que pontua o arranjo de &#8220;Neighborhood #2 (Laika)&#8221;, outra que faz o gin\u00e1sio todo cantar. E os canadenses n\u00e3o diminuem o ritmo: \u201cNo Cars Go\u201d (com todos no palco cantando, exce\u00e7\u00e3o de Jeremy, mas incluindo as duas violinistas) e \u201cHaiti\u201d mostram uma banda impec\u00e1vel sobre o palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5645498734\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8407 aligncenter\" title=\"arcade4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade4-300x190.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Win assume o viol\u00e3o para entoar \u201cRococo\u201d, que come\u00e7a calminha (com o baixista Tim Kingsbury no chocalho e R\u00e8gine, Richard e William nos teclados), mas cede ao caos na segunda parte. Uma nota repetida anuncia \u201cWe Use To Wait\u201d, uma das can\u00e7\u00f5es do disco novo mais festejadas na noite, e ent\u00e3o a banda decide presentear o p\u00fablico de Chicago tocando pela primeira vez ao vivo na turn\u00ea a p\u00e1lida \u201cSprawl I (Flatland)\u201d no lugar da excelente \u201cCity With no Children\u201d. Conhece o ditado \u201cpresente de grego\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra baixa no repert\u00f3rio do show: a balada dilacerante \u201cCrown of Love\u201d n\u00e3o aparece, o que serve para contrariar todos aqueles que achavam que o show da banda no Coachella fosse apenas um tira gosto de um show normal. N\u00e3o foi. A banda tocou mais tempo no deserto do que na primeira noite sold out de Chicago (nos dois dias posteriores, al\u00e9m de \u201cSprawl I (Flatland)\u201d n\u00e3o voltar ao set list \u2013 felizardos, a banda tocou o mesmo n\u00famero de can\u00e7\u00f5es do festival, 18 contra 17 da primeira noite).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5645499774\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8409 aligncenter\" title=\"arcade6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade6.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade6.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade6-300x212.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tel\u00e3o, o videoclipe de \u201cThe Suburbs\u201d antecipa a faixa t\u00edtulo do premiado terceiro disco dos canadenses, que surge numa vers\u00e3o bonita seguida de uma coda encantadora. O p\u00fablico vai ao del\u00edrio, e parece pronto para o trecho final do show: \u201cIntervention\u201d, \u201cKeep the Car Running\u201d e \u201cNeighborhood #1 (Tunnels)\u201d (com R\u00e9gine na bateria e o baterista Jeremy em uma das guitarras) soam eternas, perfeitas, definitivas, reflexo de uma banda inspirada que vive o melhor momento de sua carreira &#8211; e parece estar consciente disto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o Win, depois de contar que todas as camisetas vendidas (tanto do Arcade Fire quanto do The National) na banquinha de merchandising ter\u00e3o parte do valor revertido para o projeto do grupo no Haiti, anuncia a \u00faltima m\u00fasica do show, e \u201cWake Up\u201d soa o perfeito resumo da rela\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com o Arcade Fire: o coro \u00e9 cantado com todos com as m\u00e3os estendidas, como se estivessem em uma missa. \u00c9 o momento mais claro na noite de que o Arcade Fire est\u00e1 virando religi\u00e3o. Se isso \u00e9 bom ou mal, s\u00f3 o futuro dir\u00e1, mas n\u00e3o tem como: o momento arrepia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5644933781\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8411 aligncenter\" title=\"arcade7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/arcade7.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda faz uma apresenta\u00e7\u00e3o irrepreens\u00edvel (deslize de \u201cSprawl I (Flatland)\u201d \u00e0 parte) e deixa o palco ovacionada pela audi\u00eancia \u2013 mesmo sem os bal\u00f5es coloridos que encantaram \/ impressionaram o Coachella seis dias antes. Alguns minutos depois, retornam para o bis com mais tr\u00eas n\u00fameros \u2013 \u201cReady to Start\u201d, \u201cNeighborhood #3 (Power Out)\u201d e \u201cSprawl II (Mountains Beyond Mountains)\u201d \u2013 encerrando em alto n\u00edvel uma noite em que o caos e o melodia passearam de m\u00e3os dadas por cen\u00e1rios de sub\u00farbio recheados de funerais e b\u00edblias negras \u2013 uma paisagem suspeita que abriga um dos melhores shows de rock da atualidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20980\" title=\"arcadefire1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/arcadefire1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Di\u00e1rio Estados Unidos 2011: shows, cervejas, viagens por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/eua-2011\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Melhores de 2010 Scream &amp; Yell: &#8220;The Suburbs&#8221;, Arcade Fire, Melhor Disco (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/25\/melhores-discos-internacionais-2010\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;The Suburbs&#8221;, a guerra suburbona de Win Butler em Houston, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/25\/musica-the-suburbs-arcade-fire\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cNeon Bible\u201d, o fim do mundo como n\u00f3s o conhecemos, por Marcelo Costa (<a href=\"..\/2007\/03\/08\/e-o-fim-do-mundo-como-nos-o-conhecemos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cFuneral\u201d fala sobre a vida de todos n\u00f3s, todos n\u00f3s, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/arcadefire.htm\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nNa primeira das tr\u00eas noites sold out dos canadenses no UIC Pavillion, uma amostra de um dos melhores shows da atualidade\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/27\/arcade-fire-ao-vivo-em-chicago\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8399"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8399"}],"version-history":[{"count":27,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8399\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8413,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8399\/revisions\/8413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}