{"id":83968,"date":"2024-09-26T01:04:01","date_gmt":"2024-09-26T04:04:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=83968"},"modified":"2024-10-18T00:20:27","modified_gmt":"2024-10-18T03:20:27","slug":"entrevista-homenageada-na-cinebh-2024-anna-muylaert-diz-que-tem-a-sensacao-de-dever-cumprido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/26\/entrevista-homenageada-na-cinebh-2024-anna-muylaert-diz-que-tem-a-sensacao-de-dever-cumprido\/","title":{"rendered":"Entrevista: Homenageada na CineBH 2024, Anna Muylaert diz que tem a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na edi\u00e7\u00e3o 2024 da <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/26\/entrevista-a-mostra-cine-bh-nasceu-em-2007-para-ser-o-evento-internacional-de-cinema-da-capital-mineira-diz-raquel-hallak\/\">Mostra Cine BH<\/a>, a cineasta Anna Muylaert \u00e9 a homenageada, e contar\u00e1 com uma retrospectiva de sua carreira. No rastro das comemora\u00e7\u00f5es dos vinte anos do j\u00e1 cl\u00e1ssico \u201cDurval Discos\u201d (2002), seu primeiro longa, a diretora conversou com o Scream &amp; Yell sobre a sensa\u00e7\u00e3o de chegar aos sessenta anos de idade e, com uma filmografia que inclui trabalhos como \u201c\u00c9 Proibido Fumar\u201d (2009); \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/01\/22\/anos-10-os-melhores-filmes-da-decada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Que Horas Ela Volta<\/a>?\u201d (2015); \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/08\/tres-filmes-esperando-acordada-cafe-society-mae-so-ha-uma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M\u00e3e S\u00f3 H\u00e1 Uma<\/a>\u201d (2016); \u201cAlvorada\u201d (2021) e o lan\u00e7amento \u201cO Clube das Mulheres de Neg\u00f3cios\u201d (2024), receber uma homenagem por sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo iniciado sua carreira tanto na dire\u00e7\u00e3o de curtas-metragens quanto na escrita de textos cr\u00edticos de cinema na d\u00e9cada de 1980, al\u00e9m de roteirizar programas infantis, Muylaert ajudou a moldar atra\u00e7\u00f5es de TV que serviram de porta de entrada para muitas crian\u00e7as e pr\u00e9-adolescentes em uma identifica\u00e7\u00e3o plena com os personagens naquele distante per\u00edodo antes dos smartphones dominar a aten\u00e7\u00e3o dos jovens. \u201cO Mundo da Lua\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/02\/03\/entrevista-bruno-capelas-fala-sobre-o-castelo-ra-tim-bum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/a>\u201d, da TV Cultura, trazem a marca da cineasta e tiveram presen\u00e7a marcante na vida de muito quarent\u00e3o hoje em dia. Este escriba \u00e9 um deles, inclusive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua filmografia traz obras que refletem o tempo pol\u00edtico que vivemos, como, por exemplo, \u201cQue Horas Elas Volta?\u201d, filme que se debru\u00e7a sobre as mudan\u00e7as sociais e educacionais que o pa\u00eds teve durante os governos entre 2003 e 2016. Ap\u00f3s este, a diretora codirigiu \u201cAlvorada\u201d, filme que apresenta uma an\u00e1lise dos \u00faltimos dias desse mesmo governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2024, ela lan\u00e7a \u201cO Clube das Mulheres de Neg\u00f3cios\u201d, e conversou com o Scream &amp; Yell sobre o filme e sobre essa trajet\u00f3ria. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O CLUBE DAS MULHERES DE NEG\u00d3CIOS | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v_KqkgfniKc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que a ideia de receber uma homenagem pela carreira dentro do cinema cause um sentimento de rememorar esfor\u00e7os, uma trajet\u00f3ria. Qual foi o sentimento que chegou a voc\u00ea ao saber que seria homenageada pelo CineBH neste ano?<\/strong><br \/>\nPara ser sincera, eu fiquei mais introspectiva. Porque voc\u00ea vai fazendo as coisas e dificilmente voc\u00ea olha para o todo. Voc\u00ea simplesmente vai indo. E eu n\u00e3o sei se \u00e9 porque eu sou mulher, mas voc\u00ea n\u00e3o acha que merece homenagem. Mas ent\u00e3o algu\u00e9m vem e te fala: &#8220;Sim, queremos te homenagear.&#8221; Voc\u00ea aceita, mas tem uma mod\u00e9stia, uma falsa mod\u00e9stia, que voc\u00ea fica levemente assustada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao pensar na retrospectiva de seus filmes que o festival vai trazer, a sensa\u00e7\u00e3o de um dever cumprido bate, tamb\u00e9m, claro.<\/strong><br \/>\nSim, sem d\u00favida. Eu fiz 60 anos esse ano. Sessenta anos \u00e9 um marco parecido com 18. Voc\u00ea muda um pouco de status perante voc\u00ea mesma. E, sem d\u00favida, eu acho que participei de muitos momentos importantes e positivos ao longo desses quarenta anos de carreira. E, sim, tenho a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea ilustra muito bem em sua filmografia esses momentos. Lembro-me da sensa\u00e7\u00e3o em 2015 \u00e0 \u00e9poca do lan\u00e7amento de \u201cQue Horas Ela Volta?\u201d e toda a reflex\u00e3o do filme ao registrar aquele per\u00edodo pol\u00edtico do Brasil.<\/strong><br \/>\nAh, sem d\u00favida. Inclusive porque foi um momento de alegria. De regozijo. De uma melhora no quesito social, em uma abertura. E o meu filme seguinte \u00e9 o \u201cAlvorada\u201d, que \u00e9 um corte. Ent\u00e3o, 2015 ainda foi um momento pr\u00e9-golpe. Ainda havia uma comemora\u00e7\u00e3o institucional. E eu acho que o filme teve uma import\u00e2ncia muito grande de historiografia daquele momento atrav\u00e9s daquela gera\u00e7\u00e3o dos jovens que estavam indo para a universidade pela primeira vez na fam\u00edlia. Ent\u00e3o, 2015 foi ainda um ano de comemora\u00e7\u00e3o. A partir de 2016, for\u00e7as contr\u00e1rias entraram em a\u00e7\u00e3o e come\u00e7ou um novo per\u00edodo bastante conturbado. E que hoje, esses inc\u00eandios, meu Deus. Estou bastante perturbada com isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Que Horas Ela Volta? \u2013 Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rHNARG8Mmhw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. E \u201cO Clube das Mulheres de Neg\u00f3cios\u201d cria uma an\u00e1lise bem pertinente desse per\u00edodo.<\/strong><br \/>\nO filme come\u00e7ou a ser pensado em 2015, mas ele tomou a forma que tem a partir da pandemia, durante aquele governo que n\u00e3o era nada sutil. Quando a gente assistia a cenas que me deixavam bem perplexa. Eu acho que esse filme usa a mesma linguagem do tempo deles. Ele \u00e9 um filme que joga a torta na cara. S\u00f3 que eu acho que, na realidade, foram esses anos que trouxeram essa reflex\u00e3o. Existem cenas que, para mim, s\u00e3o muito impressionantes, como a de um presidente subir no palco e cantar uma m\u00fasica na qual ele fala que \u00e9 imbroch\u00e1vel, referindo-se ao seu \u00f3rg\u00e3o sexual. S\u00e3o coisas que s\u00e3o muito chocantes, mas que, talvez, a gente n\u00e3o tenha se apercebido tanto desse desenho todo. Eu acho que o filme fala um pouco dessa loucura que vivemos. Mas que \u00e9 uma loucura que vem vindo, n\u00e9? Desde o Machado de Assis que temos esses personagens. O Brasil tem essas for\u00e7as. \u00c0s vezes tem uma na frente, como na \u00e9poca do \u2018Que Horas Ela Volta?\u201d, quando havia uma for\u00e7a progressista que estava na frente. Depois, outra veio. A hist\u00f3ria vai assim. Ent\u00e3o, eu acho que \u201cO Clube das Mulheres de Neg\u00f3cios\u201d \u00e9 muito desse momento alucinado que a gente viveu. Hoje, sim, o Lula voltou a ser o presidente. \u00c9 um momento menos delirante. Mas as consequ\u00eancias est\u00e3o a\u00ed. A nossa sociedade tem esse tecido louco. Esse fogo todo n\u00e3o influenciou \u201cO Clube das Mulheres de Neg\u00f3cios\u201d porque j\u00e1 foi filmado. Aquela imagem da on\u00e7a e do sangue. \u00c9 isso. Eu tenho uma briga aqui. Uma briga cont\u00ednua h\u00e1 500 anos. De variados tamanhos, de variadas manifesta\u00e7\u00f5es, mas o Brasil tem essa guerra, assim, embutida, de um jeito ou de outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando de \u201cO Clube das Mulheres de Neg\u00f3cios\u201d, ao assistir ao filme fiquei pensando sobre a ideia da invers\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es de g\u00eanero que o filme traz, bem como sobre esse s\u00edmbolo dos tempos surreais que vivemos em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimos anos na pol\u00edtica brasileira, os aspectos da sociedade capitalista e em como isso reflete no seu longa na presen\u00e7a metaf\u00f3rica e real daquela on\u00e7a.<\/strong><br \/>\nAcho que tem duas formas de se abordar. A percep\u00e7\u00e3o da invers\u00e3o, e a ideia \u00e9, justamente, muito chocante ver uma mulher nesse lugar. A mulher oprimindo sexualmente e o homem oprimido. Causa mal-estar, causa inc\u00f4modo. E a ideia \u00e9 essa mesmo. Porque n\u00f3s normalizamos muitas coisas que n\u00e3o s\u00e3o normais. S\u00f3 que na sociedade s\u00e3o tidas como normais os corpos invertidos. Ent\u00e3o, acho que se voc\u00ea entende como uma invers\u00e3o, causa um mal-estar, e, talvez, qui\u00e7\u00e1, uma reflex\u00e3o sobre o absurdo da situa\u00e7\u00e3o. E uma outra forma de interpretar \u00e9: &#8220;ah, se as mulheres tomassem o poder, elas fariam a mesma coisa que os homens fazem&#8221;. Acho que s\u00e3o essas duas vias. Mas, para qualquer uma das vias que eu acho que a pessoa pegue, no fim, quem ganha \u00e9 a on\u00e7a. Eu acho que essa \u00e9 a verdadeira discuss\u00e3o do filme. Ser\u00e1 que o filme est\u00e1 tanto com a bola toda assim quanto ele acha? Seja homem, seja mulher, todas as divis\u00f5es que a gente vive? Um lado ganha agora, depois o outro lado ganha uma hora. Mas tem um terceiro lado. A terceira margem do rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sua op\u00e7\u00e3o em escancarar o filme para a com\u00e9dia em alguns momentos, mas, tamb\u00e9m, trazer a quest\u00e3o do abuso.<\/strong><br \/>\nEu acho que \u00e9 um filme que se cont\u00eam no ali no fio da navalha. Por exemplo, a Grace (Gianoukas), que faz a abusadora, ela n\u00e3o est\u00e1 fazendo com\u00e9dia. Apesar de que ela \u00e9 uma comediante. Mas, eu acho que aquela cena em que ela traz o whisky, logo antes de atacar, \u00e9 uma cena muito densa, por exemplo. A Katiuscia (Canoro) n\u00e3o tem jeito. Ela transborda e \u00e9 sempre engra\u00e7ada. Mas, tamb\u00e9m, a personagem dela \u00e9 a mais delirante. Mas eu acho que filme est\u00e1 no fio da navalha. Ele pode ir de um lado para o outro. Eu o acho inc\u00f4modo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DURVAL DISCOS | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Zge7xsW4fFE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na homenagem do CineBH, uma retrospectiva de seus trabalhos ser\u00e1 feita. Voc\u00ea costuma rever seus filmes?<\/strong><br \/>\nEm geral, n\u00e3o revejo meus filmes. Porque quando voc\u00ea chega ao final de um filme, voc\u00ea j\u00e1 o assistiu tantas vezes, na montagem, na mixagem, na edi\u00e7\u00e3o de som, na cor. Quando chega ao fim, voc\u00ea j\u00e1 sabe aquilo tudo de cor e h\u00e1 uma satura\u00e7\u00e3o. A\u00ed voc\u00ea ainda vai nas pr\u00e9-estreias, assiste com o p\u00fablico, claro, algumas vezes, os primeiros festivais. A\u00ed, depois, n\u00e3o. J\u00e1 fica saturado. Mas, por exemplo, o \u201cDurval Discos\u201d foi exibido na Mostra de SP h\u00e1 dois anos, no anivers\u00e1rio de 20 anos do filme. E eu revi. Isso ap\u00f3s vinte anos sem ter assistido. Diria que foi a primeira vez que eu assisti ao filme como p\u00fablico. Eu n\u00e3o lembrava mais de tudo. E fiquei muito encantada. Amei o filme. Lembro que pensei: &#8220;Nossa! Que coisa legal!&#8221; Cada cena, coisas que eu n\u00e3o lembrava. Eu fiquei apaixonada. Fiquei muito feliz com o relan\u00e7amento. Mas, por exemplo, \u201cQue Horas Ela Volta?\u201d \u00e9 um filme que toda hora est\u00e1 na televis\u00e3o. Muitas vezes voc\u00ea passa e assiste a uma cena. Mas eu n\u00e3o o assisto inteiro. Eu sei de cor. Tem um rolo de 35mm aqui na minha cabe\u00e7a. Ent\u00e3o, n\u00e3o. Eu n\u00e3o revejo meus filmes, n\u00e3o. \u00c9 aflitivo. Mas depois de vinte anos \u00e9 legal rever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em seu come\u00e7o de carreira, al\u00e9m da experi\u00eancia como diretora de curtas metragens, voc\u00ea tamb\u00e9m atual na an\u00e1lise cr\u00edtica cinematogr\u00e1fica. Tendo migrado para a dire\u00e7\u00e3o, qual a sua opini\u00e3o sobre a fun\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica de cinema?<\/strong><br \/>\nOlha, eu estudei na ECA. A ECA \u00e9 um lugar que valoriza muito a cr\u00edtica. Pelo menos, na minha \u00e9poca. Quando estudei l\u00e1, os professores eram, por exemplo, o Jean-Claude Bernadet, o Ismail Xavier. Havia um centro acad\u00eamico nesse sentido de estudar cr\u00edticos como o Paulo Em\u00edlio Salles Gomes. Valorizo muito o pensamento cr\u00edtico, inclusive para a dire\u00e7\u00e3o de cinema. Porque voc\u00ea \u00e9 o seu primeiro cr\u00edtico. Voc\u00ea tem que ter esse lado da cabe\u00e7a que bota no papel e o lado da cabe\u00e7a que avalia. Ent\u00e3o, sinto que a minha forma\u00e7\u00e3o da USP veio muito em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica de cinema. E eu a acho extremamente importante. Independente do que existe hoje em dia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pulveriza\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica com v\u00eddeos no Instagram, com uma frase no Letterboxd, e at\u00e9 os cr\u00edticos mais tradicionais, mas eu acho que o filme \u00e9 um objeto que gera luz. E existe a outra parte que ouve e que reflete sobre isso. Eu acho que a cr\u00edtica faz parte do filme. Porque, muitas vezes, \u00e9 o cr\u00edtico que vai apontar o que aquele filme \u00e9. Eu, como leitora, por exemplo, gosto de ler algumas pessoas e entender. Porque voc\u00ea acaba meio que sabendo um par\u00e2metro de cada cr\u00edtico. O que ele gosta, o alcance de pensamento dele. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea l\u00ea algumas pessoas, voc\u00ea mais ou menos entende. Mas, independente de quem escreva, mesmo uma frase do Letterboxd, eu acho que o filme se completa na experi\u00eancia de quem o classifica. Acho que tem muitos filmes que v\u00e3o ser melhor absorvidos a partir da cr\u00edtica. E quando eu digo cr\u00edtica, n\u00e3o falo de bom ou ruim, mas, sim, na compreens\u00e3o do que aquele filme \u00e9, no di\u00e1logo que ele tem com o seu tempo, ou na obra daquela pessoa. Eu acho a cr\u00edtica, nas mais diversas formas que existem hoje em dia&#8230; antigamente, se lan\u00e7ava um filme como o \u201cDurval Discos\u201d e eu tinha a cr\u00edtica do Estad\u00e3o, a cr\u00edtica da Folha, a cr\u00edtica do Globo, a cr\u00edtica do Jornal Brasil. Eram poucas cr\u00edticas. J\u00e1 no \u201c\u00c9 Proibido Fumar\u201d, que foi sete anos depois, j\u00e1 tinham umas 35 cr\u00edticas. Chega no \u201cQue Horas Ela Volta?\u201d, tinham mil cr\u00edticas. Ent\u00e3o, de toda forma, eu tenho interesse, seja cinco, ou seja mil cr\u00edticas. Elas me ajudam a ver. E muitas vezes falam coisas que s\u00e3o verdadeiras e que o autor, no caso, eu, n\u00e3o viu. Para mim, o filme se completa. Um filme que n\u00e3o fosse visto, n\u00e3o teria cr\u00edtica. A cr\u00edtica completa o filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro de ler h\u00e1 mais de vinte anos sobre \u201cDurval Discos\u201d e compar\u00e1-lo com \u201cAlta Fidelidade\u201d, do Stephen Freas, e como seu filme trazia essa identidade brasileira. Foi legal ver esse filme naquele momento de retomada dialogando com um aspecto t\u00e3o legal da cultura pop.<\/strong><br \/>\nAcho que o in\u00edcio da retomada foi um per\u00edodo de muita alegria em ver v\u00e1rias identidades aparecendo, de \u201cMadame Sat\u00e3\u201d, de \u201cAmarelo Manga\u201d, com aquele Recife vivo que o Cl\u00e1udio (Assis) traz. \u201cDurval Discos\u201d, de certa forma, com uma S\u00e3o Paulo, ali em Pinheiros. Hoje, n\u00e3o sei, pois j\u00e1 faz vinte anos desse momento. E eu lembro desse momento como muito enriquecedor para mim como p\u00fablico, mesmo. E tamb\u00e9m, claro, como diretora. Eu acho que foi o \u201cDurval\u201d e muitos outros filmes ali trazendo uma nova narrativa para o Brasil. Muito rica. E eu tenho muito orgulho de participar desse momento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Abertura 18\u00aa Mostra CineBH e 15\u00aa Brasil CineMundi\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AFS-xJBD2LU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador. A foto que abre o texto \u00e9 de Leo Lara.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Eu fiz 60 anos esse ano. Sessenta anos \u00e9 um marco parecido com 18. Voc\u00ea muda um pouco de status perante voc\u00ea mesma. E, sim, tenho a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido&#8221;, diz Anna.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/26\/entrevista-homenageada-na-cinebh-2024-anna-muylaert-diz-que-tem-a-sensacao-de-dever-cumprido\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":83970,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[1125,3182],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83968"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83968"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83968\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83972,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83968\/revisions\/83972"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83970"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}