{"id":83853,"date":"2024-09-23T02:20:57","date_gmt":"2024-09-23T05:20:57","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=83853"},"modified":"2024-11-18T01:14:39","modified_gmt":"2024-11-18T04:14:39","slug":"entrevista-com-novo-album-click-clack-forgotten-boys-herda-e-redefine-a-tradicao-do-rock-alternativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/23\/entrevista-com-novo-album-click-clack-forgotten-boys-herda-e-redefine-a-tradicao-do-rock-alternativo\/","title":{"rendered":"Entrevista: com novo \u00e1lbum, &#8220;Click Clack&#8221;, Forgotten Boys mant\u00e9m ess\u00eancia enquanto redefine a tradi\u00e7\u00e3o do rock alternativo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/street-singer.tumblr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduardo Ribeiro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/forgottenboys\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Forgotten Boys<\/a>, banda paulistana surgida no final dos anos 1990, escapa de qualquer frieza em suas obras, alimentando uma visceralidade que atravessa, imune, d\u00e9cadas de tend\u00eancias e modismos. Fundada por Gustavo Riviera (guitarra, voz) e Arthur Franquini (bateria), se destacou rapidamente na cena underground da cidade, com uma sonoridade cheia de puls\u00f5es do punk e do rock alternativo. Uma adora\u00e7\u00e3o por estruturas simples e expressivas se repete com autenticidade nas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Herdeiro tanto da f\u00faria crua do Ramones quanto da sujeira sonora do Sonic Youth, o Forgotten Boys construiu ao longo dos anos uma intrincada densidade em suas composi\u00e7\u00f5es. A morte tr\u00e1gica de Arthur em 2005 marcou profundamente a trajet\u00f3ria do conjunto, que continuou sua jornada. Passaram por mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o, mas adquiriram uma simbiose definitiva com o fundador Gustavo Riviera mais Z\u00e9 Mazzei (que assumiu o baixo em 2004), Dionisio Dazul (guitarra desde 2010) e Chuck Hipolitho (que come\u00e7ou tocando baixo em 1999, depois foi pra guitarra e deixou a banda em 2009 para voltar em 2016 na bateria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos trabalhos mais recentes, os m\u00fasicos exploram texturas que flertam com diferentes g\u00eaneros, mantendo sempre o rock, em sua concep\u00e7\u00e3o infante, como \u00e2ncora principal. O novo \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/forgottenboys\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Clack<\/a>\u201d (2024), evidencia essa maturidade art\u00edstica. Gravado com todos os membros juntos em est\u00fadio, o disco reflete um processo colaborativo que refor\u00e7a a identidade pr\u00f3pria e a energia coletiva da banda. No fim, o Forgotten Boys continua a se reinventar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco chega ap\u00f3s um hiato de mais de uma d\u00e9cada sem lan\u00e7ar material autoral (o \u00faltimo disco com material pr\u00f3prio, \u201cTaste It\u201d, \u00e9 de 2011), com 10 faixas in\u00e9ditas e pouco mais de meia hora de dura\u00e7\u00e3o. O repert\u00f3rio \u00e9 um marco importante na trajet\u00f3ria do Forgotten. Gravado no est\u00fadio Artsy Club, em S\u00e3o Paulo, e masterizado por Carl Saff em Chicago, \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/forgottenboys\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Click Clack<\/a>\u201d ressalta a crueza caracter\u00edstica do grupo com uma abordagem consciente e refinada, produto da forma\u00e7\u00e3o estabilizada e da intensa colabora\u00e7\u00e3o entre seus integrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o lance mais evidente aqui: o processo criativo coletivo e a coisa de gravar ao vivo trouxeram uma vibra\u00e7\u00e3o bem org\u00e2nica e coesa. Na conversa, Gustavo n\u00e3o esconde sua alegria com todo o cuidado empreendido na grava\u00e7\u00e3o, que envolveu ajustes minuciosos de microfona\u00e7\u00e3o e mixagem e que foi essencial para preservar a din\u00e2mica das performances. J\u00e1 Chuck destaca que a experi\u00eancia de ouvir o \u00e1lbum no vinil pela primeira vez foi marcante, uma vez que, segundo ele, o som capturado foi projetado para brilhar em qualquer reprodutor. Leia o bate papo na integra abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Forgotten Boys - The Watcher\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AT6tJHq7vHw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a\u00ed, manos. Eu estou j\u00e1 faz semanas escutando direto <a href=\"https:\/\/linktr.ee\/forgottenboys\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os sons novos<\/a> de voc\u00eas.<\/strong><br \/>\nGustavo Riviera: O que achou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Achei que umas s\u00e3o mais Rolling Stones, outras s\u00e3o mais Guns N\u2019 Roses [risos]&#8230; Mas, falando s\u00e9rio, tem de tudo ali. Para os meus ouvidos, resson\u00e2ncias de Dead Boys, The Saints, at\u00e9 T.Rex ou Pixies, se bobear\u2026 O lance \u00e9 que voc\u00eas t\u00eam uma sonoridade pr\u00f3pria, na real, por isso fica dif\u00edcil trazer uma defini\u00e7\u00e3o, mas nota-se um afastamento gigante daquela pegada de depress\u00e3o adolescente do come\u00e7o\u2026<\/strong><br \/>\nGustavo: Est\u00e1vamos at\u00e9 conversando sobre isso, o Chuck e eu. As primeiras letras eram bem adolescentes mesmo, falando de mulheres que n\u00e3o correspondiam o nosso amor, drogas, se matar\u2026 Esses eram os temas a respeito dos quais costum\u00e1vamos escrever. Principalmente o Arthur [Franquini, primeiro baterista] trazia essa coisa do amor e do bubblegum, dava uma mistura entre o punk, o rock mais tradicional e o power pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chuck, voc\u00ea se lembra de quando ouviu o Forgotten pela primeira vez?<\/strong><br \/>\nChuck: Eu me lembro de ter percebido isso mesmo. Acho que \u00e9 uma das coisas que a banda tem como uma caracter\u00edstica desde o come\u00e7o, da \u00e9poca em que eu nem tocava com eles ainda. O Forgotten Boys \u00e9 uma banda na qual eu entrei bem no comecinho, fiz parte da fase em que ela estava ficando conhecida, mas n\u00e3o sou da primeira forma\u00e7\u00e3o. Mas uma coisa que notei \u00e9, exato, voc\u00ea pega, assim, as refer\u00eancias do punk rock, do proto punk, s\u00f3 que a banda, mesmo nessa fase, j\u00e1 tinha uma voz pr\u00f3pria. Um jeito pr\u00f3prio. Claro que, no in\u00edcio, essa coisa das letras, do jeito como toca, e, depois, quando eu j\u00e1 estava fazendo parte, n\u00f3s n\u00e3o consegu\u00edamos evitar de deixar que essas influ\u00eancias aparecessem. A gente, muitas vezes, come\u00e7a imitando, mas, mesmo assim, cara, eu acho que era not\u00e1vel que, apesar de remeter a essas vertentes, j\u00e1 tinha um neg\u00f3cio ali que voc\u00ea escutava uma ess\u00eancia, uma voz pr\u00f3pria. Acho que existe uma diferen\u00e7a quando voc\u00ea usa algo como refer\u00eancia para criar \u2013 isso \u00e9 uma coisa \u2013 e quando voc\u00ea se inspira em algo para fazer o seu pr\u00f3prio som. Acho que o Forgotten \u00e9 uma banda que se inspirava em algo para fazer o que fazia. E carregamos esse jeito de fazer at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com o tempo, voc\u00eas foram amadurecendo e aprendendo a fazer de maneiras diferentes?<\/strong><br \/>\nChuck: Eu diria que, em vez de se inspirar, talvez, num som, a gente come\u00e7ou a se inspirar em muitas outras coisas: um livro, um filme. Mesmo assim, at\u00e9 hoje, carregando uma voz pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: Acho que tem muito disso. O tipo de energia que queremos lan\u00e7ar, saca? Como a gente quer atingir as pessoas, o que estamos querendo produzir: um bagulho que incomoda? R\u00e1pido? Meio agressivo, meio \u201cfoda-se\u201d? Ou, meio niilista? E a\u00ed come\u00e7a a mudar, cada hora estamos falando de uma coisa, mas acho que sempre teve essa quest\u00e3o principal de trazer um clima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma parada que sempre achei peculiar \u00e9 que, em um rol\u00ea underground delimitado por \u201ctribos\u201d, tipo straight edges, mel\u00f3dicos, punks, emos, indie-guitars, mods, glams, metaleiros, etc., voc\u00eas nunca foram pertencentes a nenhuma cena. Em um sentido, assim, de que nunca houve um punhado de bandas \u00e0s quais o Forgotten pudesse ser associado. Voc\u00eas nunca fizeram parte de uma \u201cgangue\u201d.<\/strong><br \/>\nChuck: N\u00f3s somos de uma gera\u00e7\u00e3o em que apareceu muita banda seguindo modelos prontos, parece, sabe? E acho que isso, sem fazer julgamento moral, at\u00e9 porque acredito que seguir esses padr\u00f5es acaba criando atalhos para \u00eaxitos, mas penso que, diferente de bandas que faziam parte da mesma gera\u00e7\u00e3o, o Forgotten se destacava. N\u00e3o como o melhor ou pior, mas era um outsider do shoegaze, das guitar bands, do \u201cproto-emo\u201d, que j\u00e1 rolava na \u00e9poca. J\u00e1 era uma banda meio estranha a isso. \u00c9 que era uma banda que n\u00e3o compunha, n\u00e3o produzia pensando em como as pessoas receberiam aquilo. Ela pensava em como queria ser recebida, e n\u00e3o em atender a um p\u00fablico formado. Isso fez diferen\u00e7a, e \u00e9 algo que fazemos at\u00e9 hoje. Mesmo no per\u00edodo em que estive fora do grupo, eles continuaram fazendo isso. \u00c9 uma banda mais preocupada com o impacto que quer causar do que seguir uma linha. Mas isso era algo bem diferente para n\u00f3s, e que tamb\u00e9m nos deixava rodeados de coisas legais. N\u00f3s n\u00e3o and\u00e1vamos com pessoas que tinham bandas e curtiam som no mesmo estilo do nosso. T\u00ednhamos ao nosso redor o Againe, o Hurtmold. Foi muito importante ensaiar e gravar no El Rocha, (que) era um est\u00fadio que tinha todo tipo de gente circulando. Enquanto o [Daniel] Ganjaman estava nos produzindo, ele estava fazendo os Racionais ao mesmo tempo. Isso nos ajudava a ser quem \u00e9ramos, e tir\u00e1vamos inspira\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, de todas essas pessoas ao nosso redor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: Mas foi bem isso que nos deixou de fora, tamb\u00e9m, de algumas cenas. Nunca tivemos uma \u201ccena\u201d. De qual cena fizemos parte? N\u00e3o \u00e9ramos nem do hard rock, nem da m\u00fasica instrumental, experimental, do emo, do indie\u2026 Sempre fomos uma banda que n\u00e3o se encaixava em nenhum dos grupos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra coisa \u00e9 que, mesmo pegando as refer\u00eancias do punk rock cl\u00e1ssico, que foi por onde voc\u00eas come\u00e7aram, desde o in\u00edcio a gente j\u00e1 percebia, nas demos at\u00e9, que os caras que estavam tocando ali sabiam algo da hist\u00f3ria do punk, do garage rock, do proto-punk, que vai al\u00e9m de Ramones, Sex Pistols e The Clash. J\u00e1 est\u00e3o impressas nas primeiras m\u00fasicas as sonoridades \u201clado B\u201d de todo esse universo, um lance de pesquisador musical mesmo\u2026 Tipo, voc\u00eas j\u00e1 pareciam sacar de Buzzcocks, Eddie Cochran, outras paradas, sei l\u00e1\u2026<\/strong><br \/>\nGustavo: \u00c9, acho que fizemos mesmo esse caminho, de buscar as refer\u00eancias dessas bandas, tipo Ramones, Sex Pistols, e tudo mais. Tipo, \u201cde onde que veio isso? Como os caras criaram isso?\u201d. E a\u00ed fomos, realmente, para o proto-punk, at\u00e9 mesmo para o glam, as bandas que os Ramones diziam que escutavam, The Stooges, n\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: \u00c9 que a gente sempre gostou muito de m\u00fasica, no sentido de ter um interesse de saber de onde v\u00eam as coisas. Esse \u00e9 um caminho que alguns artistas fazem, e n\u00f3s fizemos desde o come\u00e7o. O pr\u00f3prio Ramones nos ajudava a fazer isso porque eles lan\u00e7aram um disco de covers [\u201cAcid Eaters\u201d, 1993], e \u00e9 muito louco, porque fui conhecer The Who por causa deles, naquela \u00e9poca! Ent\u00e3o, penso que, antes de tudo, essas influ\u00eancias foram uma \u201cnerdice\u201d, de amar m\u00fasica e ser pesquisador mesmo. De n\u00e3o ficar s\u00f3 na superf\u00edcie. \u00c9 um lance de compreender, de querer mais, saber de onde vem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Forgotten Boys - Absurd Butterfly\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/y6RcERzZs70?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas chegaram a estudar m\u00fasica, fazer aula, essas coisas, antes ou mesmo depois da forma\u00e7\u00e3o da banda?<\/strong><br \/>\nGustavo: Cheguei a ter dois professores de guitarra, mas entre os 14, 15 anos, e depois n\u00e3o fiz mais aulas. E a\u00ed, tamb\u00e9m, depois que comecei a ter banda, fui me interessar por estudo de m\u00fasica mesmo s\u00f3 agora [risos]. Mas tem a ver com como voc\u00ea quer apresentar a coisa. Ent\u00e3o eu sempre busquei aprender as solu\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para aquilo que eu queria fazer, sempre fui muito focado nisso, tipo: \u201cPreciso chegar nessa sonoridade\u201d. A\u00ed eu ia estudar para desenvolver aquilo. Nunca foi para ampliar a minha musicalidade t\u00e9cnica. Foi esse o meu caminho natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Sou parecido com o Gustavo nisso, comecei tocando bateria, quando adolescente, depois fui migrando para outros instrumentos, at\u00e9 que entrei no Forgotten e, quando vi, estava compondo, cantando, mas tudo isso sem nenhum estudo. 99% foi de uma forma muito autodidata. Tive professores, pessoas que me ensinaram coisas ao longo do caminho, mas \u00e9 como o Gustavo falou, somente hoje \u00e9 que estou me interessando, de fato, mais pela matriz da coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: O meu foco sempre foi o de compor para a banda. E n\u00e3o tocar coisas de outras bandas. Fiquei meio limitado nisso, talvez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Eu aprendi a tocar guitarra tocando com o Forgotten [risos]. E isso tamb\u00e9m contribuiu para que tiv\u00e9ssemos a nossa pr\u00f3pria voz. \u00c9 muito doido, cara, porque o Gustavo e eu, n\u00f3s temos bastante essa veia de aprender de uma forma punk mesmo, mas hoje em dia tem o Z\u00e9 e o Dazul na forma\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o m\u00fasicos que conhecem as t\u00e9cnicas, e que sabem tocar de um jeito que n\u00f3s n\u00e3o sabemos. Eles conversam, \u00e0s vezes, em uma l\u00edngua que n\u00f3s s\u00f3 observamos [risos]. Mas \u00e9 muito comum a gente ver pessoas que sabem tocar muito bem, dominar o instrumento de uma forma muito cabulosa, s\u00f3 que encontram problemas em como se expressar, ou, em como fazer isso colaborativamente, com outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: A sorte \u00e9 que sempre tive m\u00fasicos muito bons pr\u00f3ximos, que me ensinaram muito, nas bandas em que toquei. \u00c0s vezes fico meio com o p\u00e9 atr\u00e1s, assim, de achar que n\u00e3o estou no n\u00edvel dos caras, que v\u00e3o me mandar embora, sei l\u00e1 [risos].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente tem mania de dizer que a banda voltou, mas nunca ficou exatamente parada, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nGustavo: Teve momentos mais e menos intensos. Teve uma \u00e9poca em que ficamos, talvez, um ano sem tocar, sei l\u00e1, n\u00e3o sei porqu\u00ea\u2026 Mas a banda nunca foi declarada como se tivesse acabado, ela sempre teve l\u00e1 a sua forma\u00e7\u00e3o, meio morta, meio viva, em alguns momentos, s\u00f3 que nunca, de fato, parou de existir. Rolaram situa\u00e7\u00f5es naturais de sentir necessidade de diminuir o ritmo um pouco, falta de vontade de compor, outras prioridades que vieram na frente\u2026 O \u00faltimo disco de composi\u00e7\u00f5es originais foi de 2011, e, nesse meio per\u00edodos, fizemos muitos shows e um disco de covers (\u201cOutside Of Society\u201d, 2014), por exemplo, que saiu s\u00f3 na Argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P\u00f4, mano, esse disco de covers ficou muito bom. Precisava lan\u00e7ar essa fita nos streamings.<\/strong><br \/>\nGustavo: \u00c9 que a gente n\u00e3o pode colocar, n\u00e3o temos os direitos\u2026 Mas a banda ficou cozinhando muito tempo esse disco, procurando maneiras de fazer, a\u00ed n\u00e3o chegou\u2026 Ensaiamos ideias para esse disco durante todo esse tempo. N\u00f3s sempre pensamos, \u201cvamos fazer o disco novo agora\u201d, s\u00f3 que a\u00ed come\u00e7ava a desenvolver e parava. Fizemos isso um ano e meio atr\u00e1s, por exemplo, e n\u00e3o foi tamb\u00e9m, de novo. E a\u00ed, dessa vez, acho que, principalmente, pelo incentivo do Chuck, de chegar um pouco mais pr\u00e1tico na coisa e falar, \u201cMeu, vamos organizar.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Forgotten Boys - Rock&#039;N&#039;Roll Nigger (Patti Smith and Lenny Kaye)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/blALOMV67lw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00eas chegaram a tentar fazer virar a ideia de registrar umas coisas ao vivo, umas m\u00fasicas que queriam regravar, uma esp\u00e9cie de \u201cGreatest Hits\u201d, certo?<\/strong><br \/>\nGustavo: Sim. Da\u00ed que nesse processo foram surgindo outras novas, e mais algumas, e, quando vimos, j\u00e1 est\u00e1vamos com mais da metade de um disco de in\u00e9ditas. Ent\u00e3o veio a ideia de fazer um \u00e1lbum novo, com o Chuck se propondo a produzir, mixar, assumir essa parte de modo geral, e empurrou todo mundo para fazer rolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No come\u00e7o da banda, voc\u00eas lan\u00e7avam tipo um disco por ano, praticamente; tinha esse pensamento de \u201cTemos que fazer mais um \u00e1lbum para marcar presen\u00e7a\u201d?<\/strong><br \/>\nChuck: Tinha. Mas, com o tempo, as coisas foram acontecendo e, hoje, n\u00e3o precisamos fazer um disco, a n\u00e3o ser que a gente queira, que todo mundo esteja nessa vibra\u00e7\u00e3o. Todo mundo sempre quis gravar coisas novas, mas acho que quando comecei a botar pilha, foi o momento de alinhar tudo e fazer rolar. Existia essa ideia que o Gustavo comentou de regravar umas m\u00fasicas, mas o principal \u00e9 que eu queria aproveitar a qu\u00edmica que a banda conquistou, a qu\u00edmica pr\u00f3pria dessa forma\u00e7\u00e3o. A vontade era de levar isso para o est\u00fadio. E a\u00ed, cara, o jeito de come\u00e7ar era uma ideia\u2026 Quando entramos no est\u00fadio e come\u00e7amos a compartilhar as ideias, fomos vendo que tinha coisa legal para lan\u00e7ar um disco novo. Teve um fomento ali, mas foi algo que aconteceu, tamb\u00e9m, de forma espont\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em termos de maturidade art\u00edstica, colaborativa, voc\u00eas t\u00eam a cabe\u00e7a mais \u201cno lugar\u201d hoje em dia?<\/strong><br \/>\nGustavo: Acho que sim, cara. Acho que, pela maturidade individual tamb\u00e9m. Estamos mais conscientes do que estamos fazendo, isso conta. \u00c9 uma banda que consegue conversar, sei l\u00e1 porqu\u00ea, mas a gente consegue se entender melhor do que nunca, talvez. Isso facilita muito para compor, trabalhar as m\u00fasicas, montar um show, decidir coisas e tal. Isso incentiva muito, \u00e9 o lance de estar fazendo uma coisa enquanto se diverte, sabe? Isso tem sido um ponto forte para essa forma\u00e7\u00e3o, que encontrou, depois de tantos momentos de experimenta\u00e7\u00f5es, v\u00e1rios tipos de shows, jeitos de tocar guitarra mesmo, e essa intimidade nos levou a esse momento, desse disco, que \u00e9 o resultado desses anos de conviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Houve um tempo em que as rela\u00e7\u00f5es entre os integrantes da banda pareciam ser meio conflituosas. Estou viajando?<\/strong><br \/>\nChuck: A gente teve bastante conflitos. Hoje, n\u00e3o mais. Mas o Forgotten sempre foi, principalmente ali, naquela \u00e9poca que tinha o Fralda [baixista], o Fl\u00e1vio [Cavichioli, baterista], tinha uma energia ca\u00f3tica na banda, uma tens\u00e3o\u2026 N\u00e3o era uma tens\u00e3o entre n\u00f3s, de inimizade, era s\u00f3 muitas energias, e energias que se conflitavam, e, \u00e0s vezes, se materializam na forma de um som foda para caralho! Mas era uma coisa de muita energia, e, \u00e0s vezes, cansativo e desgastante. Atualmente, \u00e9 uma coisa mais tranquila, cara, mas estamos fazendo tudo por uma verdadeira vontade, e isso \u00e9 algo muito nobre, no sentido de ter uma banda, de estar junto com os caras que voc\u00ea se d\u00e1 bem, e todo mundo curtindo fazer um som, trocar um com o outro, se empolgar com as ideias um do outro. E ningu\u00e9m precisa ficar discutindo para decidir nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sente que est\u00e1 menos centralizador hoje do que anos atr\u00e1s?<\/strong><br \/>\nGustavo: Tem essa maturidade de todos. O pr\u00f3prio jeito de compor e gravar, de tocar, principalmente\u2026 de eu querer chegar e querer de tal jeito a coisa, porque era como eu imaginava como sendo o mais legal\u2026 e indicar isso de maneira um pouco \u201cfor\u00e7ada\u201d. Isso n\u00e3o \u00e9 mais assim. N\u00f3s conseguimos dividir ideias e todo mundo se escutar\u2026 Quer dizer, eu acho [risos].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: [risos] Eu concordo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Forgotten Boys - Sway\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KvcPmtdlIKA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitas bandas surgiram surfando na onda do \u201crevival\u201d do rock raiz, na virada do s\u00e9culo, mas poucas permaneceram com uma produ\u00e7\u00e3o perene e coerente. Hoje, olhando em retrospecto, \u00e9 inevit\u00e1vel perceber que o Forgotten possui um legado. Como voc\u00eas interpretam isso?<\/strong><br \/>\nChuck: Hoje eu percebo isso com mais clareza, pelo modo como as pessoas falam a respeito. \u00c9 que quando voc\u00ea est\u00e1 ali, na atividade, fazendo, primeiro, que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 muito pensando nisso; segundo, que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 muito fazendo por isso. Claro que todo mundo quer deixar um legado, uma marca, mas n\u00e3o \u00e9 isso que inspira. Mas, hoje, percebemos que, sim, a banda tem um lugar na hist\u00f3ria, e um lugar importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 interessante que, quando a onda veio e rolou at\u00e9 uma certa modinha do hard rock, voc\u00eas j\u00e1 estavam l\u00e1 de milianos.<\/strong><br \/>\nChuck: Esse zeitgeist\u2026 tipo, o brasileiro, roqueiro \u201calternativo\u201d, para n\u00e3o falar \u201cindie\u201d, n\u00e3o precisava pagar pau para o Hellacopters, tinha o Forgotten Boys para pagar pau aqui, se ele gostasse desse som. N\u00f3s sent\u00edamos que o Hellacopters, ou o Backyard Babies, e outras bandas contempor\u00e2neas, ali, tamb\u00e9m estavam sendo contempladas por esse zeitgeist. Mas o Brasil tinha um representante \u00e0 altura, eu acho, que se beneficiou sem inten\u00e7\u00e3o de querer fazer parte disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: \u00c9\u2026 n\u00f3s conseguimos experimentar algumas coisas desse tipo de sensa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na Argentina, no Uruguai, no Chile, que foi uma recep\u00e7\u00e3o de muito respeito. Isso era percebido quando sa\u00edamos do palco, quando conhec\u00edamos a galera que achava que est\u00e1vamos fazendo um lance legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o lance que \u00e9 questionado desde o come\u00e7o da banda, de cantar em ingl\u00eas e tal?<\/strong><br \/>\nGustavo: Isso tamb\u00e9m \u00e9 uma raz\u00e3o de estarmos postos de lado de qualquer cena. N\u00e3o conseguem encaixar a gente em um perfil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Isso \u00e9 bom, eu acho. Quando te colocam numa \u201ccaixa\u201d, facilita algumas coisas, mas \u00e9 bom, tamb\u00e9m, n\u00e3o estar dentro dessas caixas. Acho que estamos nesse lugar at\u00e9 hoje. E nesse caminho a banda experimentou. Experimentamos at\u00e9 mesmo composi\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas. Se aparecer alguma ideia em portugu\u00eas e a gente sentir que \u00e9 legal, a gente vai fazer de novo. Talvez, em uma \u00e9poca, porque as pessoas estimulavam demais ou esperavam isso de n\u00f3s, apostamos, experimentamos, at\u00e9 porque n\u00f3s nos confund\u00edamos tamb\u00e9m. Mas s\u00f3 pudemos experimentar e continuar no mesmo lugar por causa dessa autenticidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cantar em portugu\u00eas \u00e9 p\u00e1gina virada?<\/strong><br \/>\nGustavo: N\u00e3o, mas, sei l\u00e1, foi um experimento. E est\u00e1 a\u00ed, \u00e9 nosso. O ingl\u00eas permanece porque, talvez, seja mais confort\u00e1vel para o nosso estilo de som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: O Gustavo tem o Riviera Gaz, com o Steve Shelley [baterista, Sonic Youth] e o Pauleira [Paulo Kishimoto, tecladista], e cantam em ingl\u00eas com uma voz pr\u00f3pria e um amadurecimento de saber interpretar nessa l\u00edngua. Eu, quando sa\u00ed do Forgotten, queria experimentar mais com o portugu\u00eas, acabei montando uma banda mais pop-rock [Vespas Mandarinas], trabalhei melhor o jeito de compor em portugu\u00eas, e at\u00e9 cheguei a renegar, criticar, bandas e amigos brasileiros compondo em ingl\u00eas, e forcei a barra para que as pessoas come\u00e7assem a compor em portugu\u00eas\u2026 e nunca imaginei que, depois disso, eu fosse voltar a compor em ingl\u00eas. Nem imaginei sequer compor &#8212; letras e m\u00fasicas &#8212; para o disco que acabamos de fazer. Nesse disco, a princ\u00edpio, eu estava querendo s\u00f3 tocar bateria e produzir. Isso s\u00f3 para dizer que n\u00e3o adianta a gente afirmar que alguma coisa ficou no passado, porque nunca se sabe no que vai dar. Podemos at\u00e9 voltar a fazer m\u00fasica em portugu\u00eas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas ainda tocam as m\u00fasicas em portugu\u00eas nos shows?<\/strong><br \/>\nGustavo: Algumas, sim. Nos \u00faltimos shows tocamos uma ou outra, mas nesse disco novo todas s\u00e3o em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83856\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do que falam essas letras novas?<\/strong><br \/>\nGustavo: O disco n\u00e3o tem uma tem\u00e1tica definida, s\u00e3o novelas, contos. Cada m\u00fasica tem a sua hist\u00f3ria, elas n\u00e3o s\u00e3o um filme s\u00f3, mas v\u00e1rios. Das minhas, tem algumas que s\u00e3o realmente uns contos, o Chuck tamb\u00e9m entra numas a\u00ed, mas \u00e9 isso. Acho que, tamb\u00e9m nesse sentido, das letras, \u00e9 o disco mais rico que j\u00e1 fizemos. Ele tem um valor nesse ponto maior do que os outros, principalmente nas letras, porque traz um conte\u00fado que talvez tenha sido mais trabalhado e seja mais criativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Acho que s\u00e3o letras que deixam mais aberto para as pessoas que est\u00e3o escutando procurar interpretar aquilo. E, ao mesmo tempo, as m\u00fasicas s\u00e3o todas muito diferentes umas das outras, isso \u00e9 uma coisa legal tamb\u00e9m. N\u00e3o existe uma tem\u00e1tica, como o Gustavo falou, a gente foi compondo e colecionando as ideias, foi montando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas fazem as letras e as bases separadas e depois v\u00e3o combinando as ideias?<\/strong><br \/>\nGustavo: Geralmente fa\u00e7o as harmonias primeiro, penso na m\u00fasica; tem uns textos que vou escrevendo meio que aleatoriamente, e a\u00ed, de repente, acho um tema ali que pode se encaixar, pensamos em uma melodia. Mas n\u00e3o necessariamente: \u00e0s vezes penso em uma coisa que seja para uma tal letra. A\u00ed a gente v\u00ea como fica nos ensaios, mostra as partes uns para os outros. Como nunca, dessa vez a banda participou muito das composi\u00e7\u00f5es. Digo, os quatro integrantes, mais do que eu chegar l\u00e1 com a coisa pronta. Dessa vez rolou, tipo, \u201ca ideia \u00e9 essa\u201d, e a\u00ed foi mudando, teve muito disso. De chegar de um jeito com a m\u00fasica e ela virar outra, isso aconteceu. Foi super prazeroso, cara, todo o processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: \u00c9 muito foda quando voc\u00ea d\u00e1 abertura para isso. E, \u00f3bvio, somos quatro integrantes de uma banda em que todos s\u00e3o muito talentosos quando est\u00e3o juntos, ent\u00e3o \u00e9 muito foda quando uma coisa vem de outra pessoa, sem ter nada a ver com o que voc\u00ea imaginou, e, se voc\u00ea est\u00e1 aberto para receber aquilo, enriquece muito. Quatro pessoas conseguirem fazer isso com certeza trouxe uma caracter\u00edstica muito foda para as composi\u00e7\u00f5es do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: E isso mantendo a personalidade de cada um ali presente, saca? Tipo, a gente sabe que em cada som tem a marca de algu\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 algo que poderia ser reproduzido por outro m\u00fasico daquela forma. Isso est\u00e1 bem evidente, pelo menos para n\u00f3s, que conhecemos a musicalidade de cada um e entendemos as suas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse disco foi gravado inteiramente com a banda tocando junto no est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nChuck: Foi gravado ao vivo. Os vocais gravamos depois. Algumas m\u00fasicas n\u00e3o tinham nem letra quando o instrumental foi gravado. N\u00f3s estamos redescobrindo essas m\u00fasicas agora para poder fazer os shows. Porque \u00e9 um processo, de voc\u00ea compor no ensaio e ir direto para a sala de grava\u00e7\u00e3o, depois passar por uma p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, da\u00ed voltar para o est\u00fadio para aprender a tocar para o show. Mas o que estamos fazendo agora \u00e9 enriquecer o que j\u00e1 est\u00e1 pronto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: Principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s letras, teve m\u00fasica que gravei cantando qualquer coisa l\u00e1. A melodia de voz, algumas j\u00e1 tinham, outras mudaram\u2026 mas das letras que foram definidas depois, s\u00f3 agora estou pegando melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Est\u00e1vamos na mesma sala, ent\u00e3o se voc\u00ea pegar o canal da guitarra, vai ter som de bateria, tem muito vazamento. Foi uma coisa que sab\u00edamos que iria acontecer e era desejado at\u00e9. Tentamos isolar um pouco, mas, assim, se voc\u00ea pegar o canal da bateria, por exemplo, voc\u00ea ouve a m\u00fasica acontecendo ao redor dela, l\u00e1 no fundo. Tem algumas coisas que gravamos depois, mas muito pouco, mais de 95% do que se ouve ali \u00e9 o que foi ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: Isso \u00e9 um lance que d\u00e1 uma diferen\u00e7a\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: \u2026para o que a gente faz e quer que as pessoas sintam. Principalmente pelo que sentimos enquanto estamos tocando.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83857\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click3.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click3.jpg 1080w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click3-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00eas consertaram ou incrementaram umas paradas na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o? Tipo, maquiaram umas palhetadas erradas ali?<\/strong><br \/>\nGustavo: Pode ter, cara, na verdade, uma palhetada errada ou algo assim, mas \u00e9 isso, foi a execu\u00e7\u00e3o que tivemos nesse take. Isso talvez at\u00e9 seja um lance que tira a artificialidade da coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Essa coisa de que a banda est\u00e1 junta, ali, acaba sendo percept\u00edvel, a pr\u00f3pria vibra\u00e7\u00e3o \u00e9 sensorial. Mas tem um ponto: o Forgotten funciona muito bem ao vivo, tocamos muito bem juntos. At\u00e9 pensamos em gravar algumas m\u00fasicas com click track [metr\u00f4nomo], algo que nunca hav\u00edamos feito e que eu j\u00e1 estava fazendo muito e tentei trazer, mas n\u00e3o funcionou. N\u00e3o ficou legal dessa vez, pode ser que fique em algum momento. Deixamos isso de lado porque quer\u00edamos potencializar a for\u00e7a. E o Forgotten sempre gravou ao vivo. Est\u00e1vamos at\u00e9 conversando sobre as grava\u00e7\u00f5es das primeiras demos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A primeira demo foi gravada como? Em quatro canais?<\/strong><br \/>\nChuck: Sim, e, para captar os solos de guitarra, precisava ser no mesmo canal da voz, ent\u00e3o tinha um amplificador atr\u00e1s do Gustavo, na geladeira [risos]. Era o jeito de gravar, ao vivo. Os primeiros registros do Forgotten eram em fita, e ali n\u00e3o dava para ficar com muita coisa, est\u00fadio \u00e9 caro e \u00e9 na fita que grava. Tipo assim, n\u00e3o d\u00e1 para ficar enrolando, a banda tem que saber tocar. Ent\u00e3o a gente ensaiava, chegava no est\u00fadio, fazia tr\u00eas takes e \u201cest\u00e1 bom, vamos para a pr\u00f3xima\u201d. Esse disco foi bem assim. Isso ajudou a ser mais barato e a captar a ess\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teve m\u00fasica que foi composta no meio do processo de grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nGustavo: Teve, cara. A gente tinha um dia sobrando, a\u00ed, \u00e0 noite, todo mundo j\u00e1 em casa, decidindo o que ia ser no dia seguinte, se ia refazer algo ou n\u00e3o\u2026 A\u00ed eu falei: \u201cTenho uma m\u00fasica aqui que posso dividir, no celular, com voc\u00eas.\u201d E os caras: \u201cVamos gravar amanh\u00e3.\u201d Ela foi gravada e est\u00e1 no disco, foi meio sem ensaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Gravamos sem saber como iria ficar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: \u00c9 a \u201cLike Never Before\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: A \u00faltima m\u00fasica do disco. Ela foi criada ali, mas, mesmo assim, o instrumental, tirando o baixo, que foi gravado depois, rolou ao vivo. Na verdade n\u00e3o \u00e9 nem um baixo, \u00e9 tipo um piano el\u00e9trico, alguma coisa assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: \u00c9 uma m\u00fasica simples, ela poderia nem ter entrado no disco, mas a gente sentiu que tinha um lance ali, e ela tamb\u00e9m foi gravada de um jeito diferente. Eu gravei com viol\u00e3o e amplificador, ela \u00e9 mais crua, de certo modo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83859\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click4.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click4.jpg 1080w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click4-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chuck, voc\u00ea mixou e produziu esse disco. Al\u00e9m disso, j\u00e1 passou por todas as posi\u00e7\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o, s\u00f3 falta agora fazer a assessoria de imprensa tamb\u00e9m [risos].<\/strong><br \/>\nChuck: Eu entrei na banda porque os caras precisavam de um baixista. E eu queria entrar, ent\u00e3o aprendi a tocar o baixo. E, depois, a gente queria ter mais uma guitarra, a\u00ed fui para a outra guitarra\u2026 Na verdade, fui passar um tempo fora, e, quando voltei, j\u00e1 tinha um baixista no meu lugar [risos]. Para entrar na banda de novo tive que tocar guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: A\u00ed voltou, uns anos atr\u00e1s, para tocar bateria agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muita gente pode n\u00e3o saber, mas a bateria \u00e9 seu primeiro instrumento, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nChuck: \u00c9, ent\u00e3o\u2026 E teve um neg\u00f3cio do Forgotten que gravei a bateria. Quando o Arthur saiu da banda, ela quase acabou. A\u00ed a gente quis pelo menos gravar as m\u00fasicas mais recentes da \u00e9poca e eu fiz a bateria. Deu certo, ficou super legal. \u00c9 o split com o Killerdolls (2001, Spicy Records). Faltando uma semana para a grava\u00e7\u00e3o, o Arthur saiu. Naquela \u00e9poca n\u00e3o est\u00e1vamos indo gravar s\u00f3 mais um neg\u00f3cio, era uma grande coisa. Tanto \u00e9 que as fotos de divulga\u00e7\u00e3o da \u00e9poca s\u00e3o s\u00f3 o Gustavo e eu. Depois disso teve o Fl\u00e1vio, outros bateristas, forma\u00e7\u00f5es diferentes e tal. Cheguei a fazer um show na bateria, de lan\u00e7amento de um disco que o Fl\u00e1vio gravou &#8212; o \u2018Taste It\u201d. Ent\u00e3o eu fiz um show do Forgotten sem ser da banda, por exemplo. Foi um tes\u00e3o fazer, quando entramos no est\u00fadio e come\u00e7amos a tocar, a qu\u00edmica era a mesma. Mas ali, em 2016, eu estava meio frustrad\u00e3o, o Forgotten tamb\u00e9m n\u00e3o estava se encaixando tanto com o batera daquele momento\u2026 e eu falei para fazer um ensaio e experimentar. Da\u00ed voltei mesmo, fiquei na banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conta um pouco dessa coisa de produ\u00e7\u00e3o e mixagem.<\/strong><br \/>\nChuck: Durante um tempo, tive um est\u00fadio, acabei gostando de fazer essa coisa de engenharia de som, produ\u00e7\u00e3o, e, com o Forgotten\u2026 Acabou que fiz essa produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o foi exatamente uma produ\u00e7\u00e3o, foi mais ir ajudando a galera a se organizar. Foi mais estar ali conduzindo, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: Como um produtor [risos].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: \u2026 [risos] como um produtor\u2026 E, mixar, n\u00e3o foi sozinho, foi junto com o Dazul, que tamb\u00e9m \u00e9 engenheiro de som e produtor. Ent\u00e3o eu mixava, mas era trocando com ele o tempo todo, para saber se estava bom ou n\u00e3o. Eu assino ali, mas n\u00e3o fiz isso sozinho. Gravamos no Artsy Club, que \u00e9 o est\u00fadio onde eu trabalho, na real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de tanto tempo na ativa, \u00e9 comum voc\u00eas perceberem o p\u00fablico da banda se reciclando nos shows?<\/strong><br \/>\nGustavo: Cara, muda, viu. Percebi isso este ano at\u00e9, quando tocamos no Centro Cultural Cec\u00edlia e no FFFront. E tinha bastante gente que eu nunca tinha visto. Isso foi legal para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Tem uma coisa doida, fizemos um show de 20 anos da banda no Centro Cultural S\u00e3o Paulo, e estava lotado, teve gente que ficou para fora. E me lembro de ver muita gente nova ali, molecada. Vamos ver como ser\u00e1 nesses pr\u00f3ximos shows a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: N\u00f3s temos uma fama de ser um show meio ca\u00f3tico, n\u00e3o o show em si, mas o evento. Tipo, quem foi em um show do Forgotten entre 2001 at\u00e9 2007, sei l\u00e1, n\u00e3o voltava inteiro para casa, sabe? Era um evento que vinha junto com uma maratona. Era voc\u00ea entrar na balada, e a gente meio que incentivava isso. Era tarde da noite, barulhento, voc\u00ea ia beber, usar drogas, talvez, se meter em alguma confus\u00e3o\u2026 Tinha muito disso, e essa turma que tem a nossa idade hoje n\u00e3o vai fazer isso, as pessoas devem ter outras vontades\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Mesmo assim, cara, agora a gente vai sair para a estrada, para tocar, depois de tanto tempo. Vamos divulgar um disco, e n\u00e3o fazemos absolutamente a menor ideia do que vai acontecer, quem s\u00e3o essas pessoas que v\u00e3o l\u00e1 ver o nosso show. \u00c9 diferente do que faz\u00edamos. Essa surpresa vai ser muito legal, estou super empolgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esses dias eu estava sacando no Spotify, e voc\u00eas t\u00eam mais de 3 mil ouvintes mensais por l\u00e1. \u00c9 um n\u00famero significativo para uma banda alternativa nacional.<\/strong><br \/>\nChuck: \u00c9\u2026 o Forgotten marcou a vida de pessoas, isso \u00e9 um \u00eaxito not\u00e1vel, e esperamos que essas pessoas, que tiveram suas vidas marcadas pela banda no passado, sejam novamente tocadas pelo que estamos fazendo ao vivo, n\u00e3o s\u00f3 no streaming. E, ao mesmo tempo, gostar\u00edamos muito de conseguir alcan\u00e7ar novas pessoas. O que realmente me anima, na real, n\u00e3o \u00e9 nem encontrar pessoas das antigas na pista, mas estar no palco fazendo som com os caras, para quem for.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: N\u00f3s estamos muito afim de mostrar as m\u00fasicas desse disco. Elas foram feitas com certo cuidado, \u00e9 uma experi\u00eancia nova mesmo. Estamos bem empolgados com tudo, a pr\u00f3pria grava\u00e7\u00e3o. Fazia muito tempo que n\u00e3o t\u00ednhamos esse momento, de trazer um disco novo com tanta aten\u00e7\u00e3o e conhecimento do que se est\u00e1 produzindo. Ent\u00e3o tem uma expectativa ao mesmo tempo em que estamos bem seguros de mostrar algo novo com essa vontade, esse tes\u00e3o de apresentar um lance foda.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83858\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click2.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click2.jpg 1080w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/click2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cClick Clack\u201d tamb\u00e9m vai sair em vinil, isso \u00e9 uma coisa legal, existir essa demanda\u2026<\/strong><br \/>\nChuck: Naquela \u00e9poca, do come\u00e7o da banda, ter um disco de vinil era uma fantasia. Est\u00e1vamos vivendo ali a aurora da revolu\u00e7\u00e3o do MP3, do compartilhamento\u2026 lan\u00e7ar um vinil j\u00e1 no p\u00f3s-CD era um neg\u00f3cio caro, complicado\u2026 Mas isso foi mudando e, quando vimos, o \u201cStand By The D.A.N.C.E.\u201d (2005) acabou saindo em vinil, o \u201cGimme More\u201d (2002) saiu agora em vinil tamb\u00e9m\u2026 e tem a ideia de relan\u00e7ar o primeiro disco em LP. Nunca imaginei que esse tipo de coisa fosse acontecer. Quando pensamos em gravar um novo \u00e1lbum nem sab\u00edamos como seria lan\u00e7ado, mas o LP pareceu o mais \u00f3bvio a ser feito. Da\u00ed o Mozine, l\u00e1 da L\u00e4j\u00e4 Records, que a gente conhece h\u00e1 muito tempo, fez a proposta. O disco vai sair pela L\u00e4j\u00e4 em LP, em CD pela L\u00e4j\u00e4 e a For Music, e no streaming pela For Music. Quando come\u00e7amos a conversar com a For Music, para poder ver de lan\u00e7ar no digital, eles falaram de fazer em CD tamb\u00e9m. Na hora, pensei, \u201cCD?!\u201d [risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lan\u00e7ar em CD acaba sendo mais arriscado do que o vinil?<\/strong><br \/>\nGustavo: O CD \u00e9 o bagulho mais alternativo, mais underground hoje em dia [risos].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Cara, tem gente que consome\u2026 eu tenho um filho de 15 anos que gosta de ouvir CD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: E, ao mesmo tempo, o CD \u00e9 o mais hi-fi que tem, porque as plataformas passam por algum tipo de processo de transmiss\u00e3o, o vinil, tem o lado de ser anal\u00f3gico, o charme e o calor e tal\u2026 Mas o CD \u00e9 a fotografia, \u00e9 exatamente o arquivo que nos foi entregue na master.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O vinil \u00e9 foda porque voc\u00ea tem que ter um bom reprodutor. Se colocar para ouvir na vitrolinha Crosley, como fica?<\/strong><br \/>\nChuck: Mas esse vinil a\u00ed vai soar bem em qualquer reprodutor. Porque, em primeiro lugar, acho que as m\u00fasicas s\u00e3o muito legais, e elas soam muito bem sendo tocadas com a pegada com que foram executadas, ent\u00e3o tem uma coisa do som do disco, do timbre, tudo isso, que \u00e9 super importante para n\u00f3s e que tentamos preservar e potencializar o m\u00e1ximo poss\u00edvel no \u00e1udio final. Se voc\u00ea escutar no seu telefone celular, vai achar ele legal, vai passar a mensagem tamb\u00e9m, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas escutaram a grava\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios dispositivos antes de passarem para a frente?<\/strong><br \/>\nChuck: Eu escutei muito o disco at\u00e9 come\u00e7arem a vir as masters, e a\u00ed uma hora parei. Depois chegou o LP, botei para tocar l\u00e1 no est\u00fadio onde eu trabalho, e falei: \u201cT\u00e1 foda!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: Tudo faz a diferen\u00e7a, a execu\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos, a timbragem dos equipamentos, a capta\u00e7\u00e3o dos microfones, a mixagem, a masteriza\u00e7\u00e3o, a grava\u00e7\u00e3o do arquivo no pr\u00f3prio vinil\u2026 s\u00e3o muitas coisas, mas a master \u00e9 uma coisa que pode foder o disco. Ent\u00e3o achamos um cara indicado pelo Steve Shelley, que j\u00e1 trabalhou com ele no Sonic Youth, e ficou \u00f3timo. Teve s\u00f3 um detalhe que pedimos para ele ajeitar, e passou lindo. Mas \u00e9 um cara que tem uma puta experi\u00eancia, rola principalmente isso, ele \u00e9 um baita profissional da master.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: O disco foi pensado de tal modo que a mix j\u00e1 tinha que estar muito boa, fazer jus \u00e0 performance. Ent\u00e3o \u00e9 uma cadeia de coisas que voc\u00ea vai seguindo. O Carl Saff fez a masteriza\u00e7\u00e3o, em Chicago, de um jeito super caprichoso, imprimiu o neg\u00f3cio dele ali\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: \u2026mas sem interfer\u00eancia art\u00edstica, foi mais t\u00e9cnica mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: At\u00e9 demos liberdade de ele manipular, se achasse necess\u00e1rio. Porque ele \u00e9 um cara experiente com rock, alternativo, sujeira, punk\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: O forte nessa grava\u00e7\u00e3o, realmente foi essa coisa de ter sido todo mundo junto, na mesma sala, com as m\u00fasicas resolvidas\u2026 quer dizer, algumas delas n\u00e3o, mas acho que isso deu uma caracter\u00edstica foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Para cada m\u00fasica teve mudan\u00e7a de microfona\u00e7\u00e3o, regulagem de ampli, troca de guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E essa grafia da capa? Ficou bacana, achei.<\/strong><br \/>\nGustavo: Foi o Tomas Spicolli que fez esse escrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aquele mano que era do 7 Magn\u00edficos? Ele que fez aquela estampa do canivete tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nChuck: \u00c9, e ele j\u00e1 tinha feito uma arte para a gente, naquele split com o Killerdolls.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: Ele fez uma releitura agora do desenho do canivete, que tamb\u00e9m faz parte a\u00ed do nome do disco, que tem a ver com esse som, \u201cClick, Clack\u201d, esse barulho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck: Passamos as letras para ele, ent\u00e3o toda a escrita do disco \u00e9 \u00e0 m\u00e3o, praticamente. Ele faz de um jeito supernatural, tanto \u00e9 que esse \u201cClick Clack\u201d, que acabou virando a capa, foi um neg\u00f3cio que ele fez ali quando estava come\u00e7ando a estudar as coisas, e foi bem espont\u00e2neo; mais uma brincadeira, que, em um primeiro momento achamos estranho, at\u00e9 que o Gustavo mostrou uma vers\u00e3o e achamos bem legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Daora. Para encerrar, gostaria de saber se rolou alguma parceria criativa dessa vez.<\/strong><br \/>\nChuck: \u201cVoodoo\u201d, a primeira m\u00fasica, tem o Pauleira, que era nosso tecladista. Uma m\u00fasica que compusemos com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo: Acho que tem duas composi\u00e7\u00f5es, \u201cVoodoo\u201d e \u201cSway\u201d, que o Paulo tem uma colabora\u00e7\u00e3o. Ele ainda estava na banda quando est\u00e1vamos fazendo elas. Mas fora isso n\u00e3o tem nenhum convidado \u201cespecial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Beleza. Bom, valeu, a\u00ed, pelo tempo de voc\u00eas.<\/strong><br \/>\nGustavo: Valeu, espero que a galera curta o disco novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu curti. Mas roqueiro \u00e9 foda, voc\u00eas est\u00e3o ligados, tem uns que gostam s\u00f3 de uma \u201cfase tal\u201d das bandas, e depois n\u00e3o acompanham mais.<\/strong><br \/>\nChuck: Ent\u00e3o, que essa seja a nova \u201cfase tal\u201d [risos].<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Forgotten Boys - Pretty One\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UtQ4aJDdABc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/eduardoribeiro.journoportfolio.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduardo Ribeiro<\/a>&nbsp;\u00e9 editor-assistente na revista\/site Problemas Brasileiros (Ag\u00eancia TUTU) e colabora com ve\u00edculos como El\u00e1stica, Vista, UOL, BBC News, TMDQA!, Media Lab Estad\u00e3o, piau\u00ed e Trip.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Novo disco evidencia a maturidade art\u00edstica do quarteto. 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