{"id":83764,"date":"2024-09-20T00:01:00","date_gmt":"2024-09-20T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=83764"},"modified":"2024-10-14T03:12:45","modified_gmt":"2024-10-14T06:12:45","slug":"entrevista-de-belem-ana-clara-fala-sobre-seu-novo-ep-cancoes-de-flutuacao-e-seu-pop-indie-de-guitarras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/20\/entrevista-de-belem-ana-clara-fala-sobre-seu-novo-ep-cancoes-de-flutuacao-e-seu-pop-indie-de-guitarras\/","title":{"rendered":"Entrevista: De Bel\u00e9m, Ana Clara fala sobre seu novo EP, \u201cCan\u00e7\u00f5es de Flutua\u00e7\u00e3o\u201d, e seu pop indie de guitarras"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana Clara cavou um espa\u00e7o pequeno, mas precioso, no cen\u00e1rio cultural do Par\u00e1. Seu pop de inspira\u00e7\u00e3o indie \u00e9 eminentemente guitarreiro, e se sustenta a partir de contrastes sonoros e l\u00edricos \u2013 tais como peso\/leveza ou introspec\u00e7\u00e3o\/confiss\u00e3o \u2013 e de melodias bem desenhadas, refor\u00e7adas pela for\u00e7a peculiar de sua voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/cancoesdeflutuacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Can\u00e7\u00f5es de Flutua\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d (2024), EP lan\u00e7ado em agosto, mant\u00e9m essas caracter\u00edsticas, que j\u00e1 vinham presentes desde seu \u00e1lbum de estreia, lan\u00e7ado em 2015. S\u00e3o cinco can\u00e7\u00f5es igualmente divididas entre arranjos solares e sombrios, que conversam entre si apesar de suas diferen\u00e7as. Assim, o dream pop \u201cLunar\u201d e a combina\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o e nostalgia de \u201cDias Aqu\u00e1ticos\u201d convivem muito bem com a brisa litor\u00e2nea com ecos de 10,000 Maniacs de \u201cVento Lento\u201d e com a feliz releitura da preciosa \u201cCanoinha Bailarina\u201d. Ao fim, \u201cPlano de V\u00f4o\u201d consegue unir esses dois lados em igual medida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todas as faixas, ar e \u00e1gua se fazem presentes, sejam de forma expl\u00edcita, nas letras, ou refletidos nas formas musicais escolhidas para cada can\u00e7\u00e3o. A paleta de cores da arte do disco e das fotos de divulga\u00e7\u00e3o, com tons de azul e violeta, tamb\u00e9m se traduz em can\u00e7\u00f5es. T\u00e3o bem sucedida \u00e9 Ana Clara nessa tradu\u00e7\u00e3o de elementos visuais em m\u00fasica que fica dif\u00edcil ao ouvinte n\u00e3o se imaginar em um fim de tarde diante de algum ponto na Ba\u00eda do Guajar\u00e1, mesmo que ele nunca tenha estado em Bel\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa a seguir, realizada por videoconfer\u00eancia no in\u00edcio de setembro, Ana Clara fala sobre como se d\u00e1 esse processo sinest\u00e9sico de unir cores, sentimentos e acordes de forma intencional, e aproveita para falar sobre como e por qu\u00ea seguir adiante em uma carreira que sabidamente navega \u00e0s margens do mercado e de modismos, mesmo sendo pop em ess\u00eancia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Clara - Vento lento (Can\u00e7\u00f5es de Flutua\u00e7\u00e3o, 2024)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/79KvILKGTNk?list=PLESGTSRF9ilZ0cUfWu0pK1nxvU7D2xmDO\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A linguagem que voc\u00ea usa no seu trabalho \u2013 esse pop de guitarras, de matriz indie \u2013 h\u00e1 muito n\u00e3o \u00e9 uma linguagem valorizada no cen\u00e1rio brasileiro, nem mesmo no independente. O pr\u00f3prio termo \u201cindie\u201d j\u00e1 n\u00e3o faz refer\u00eancia a esse tipo de som aqui no Brasil. E voc\u00ea vem mostrando essa escolha consistente de sustentar essa sonoridade em um cen\u00e1rio que \u00e9 pouco perme\u00e1vel a esse caminho. De onde vem essa resolu\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nObrigada pela observa\u00e7\u00e3o, porque isso \u00e9 um elogio para mim (risos). \u00c9 o lance de manter uma consist\u00eancia mesmo, ter um direcionamento de trabalho. N\u00e3o vejo nada de errado com outras formas musicais, \u00e9 s\u00f3 uma escolha pessoal de como eu me relaciono [com a m\u00fasica]. Produzir tem uma coisa muito idealista para mim, \u00e9 mais do que uma escolha calculada. \u00c9 uma forma de express\u00e3o, e as m\u00fasicas v\u00e3o ganhando forma dentro desse direcionamento. N\u00e3o \u00e9 algo que eu consiga ter um m\u00e9todo de calcular como vai soar. E n\u00e3o que eu veja algo de errado em um direcionamento conceitual, \u201cah, vou fazer um disco nessa sonoridade x\u201d, s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 a minha forma de trabalhar. Fui desenvolvendo esse trabalho com banda e ele tem uma personalidade que se mant\u00e9m na forma como as m\u00fasicas s\u00e3o lidas. Cada escolha de repert\u00f3rio \u00e9 meio o que eu quero dizer e como. Sei que \u00e9 dif\u00edcil que isso se encaixe no \u201cmercado\u201d, mas para mim isso n\u00e3o \u00e9 o principal. Se eu agisse diferente, n\u00e3o estaria sendo fiel ao meu desejo em produzir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou sobre desenvolver o seu trabalho com banda: o seu trabalho \u00e9 assinado com seu nome, mas voc\u00ea sempre destaca a participa\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos, E em todos os seus discos h\u00e1 um som de banda muito marcante, mesmo n\u00e3o sendo a mesma banda. Como se d\u00e1 essa coletividade em meio a um trabalho assumidamente solo?<\/strong><br \/>\nA forma\u00e7\u00e3o desse disco est\u00e1 comigo desde 2019, e o primeiro registro dela foi justamente a vers\u00e3o de \u201cQuest\u00e3o de Tempo\u201d para o tributo \u00e0 Tom Bloch. A \u00fanica pessoa que est\u00e1 comigo desde o in\u00edcio [da carreira solo] \u00e9 o baixista, Manuel Malvar. O resto da galera foi mudando ao longo do tempo. Mas encaro, sim, como um processo coletivo no sentido da musicalidade. N\u00e3o sou multi-instrumentista. Desenvolvo [as can\u00e7\u00f5es] junto com as pessoas que est\u00e3o comigo, ent\u00e3o existe a leitura coletiva desse repert\u00f3rio. Quando montei a banda pela primeira vez, l\u00e1 por 2012, eu convidei pessoas que, no meu entendimento, criavam a atmosfera que eu imaginava para o meu trabalho. Na primeira forma\u00e7\u00e3o, tinha uma guitarra mais pesada, mais suja, e uma outra mais pop e limpa, que criava essa misturinha (ri). Tem um baixista que \u00e9 oriundo do punk, os dois bateristas com quem toquei v\u00eam de bandas de rock tamb\u00e9m, e o primeiro era o Ulisses Moreira, que \u00e9 tamb\u00e9m produtor e t\u00e9cnico de \u00e1udio. Agora tem a Deni Melo, que tamb\u00e9m vem do cen\u00e1rio de rock. As coisas se complementam. E eu convido essas pessoas a contribu\u00edrem com a sua leitura, com a sua personalidade art\u00edstica, mas tem o meu direcionamento na composi\u00e7\u00e3o desse grupo, na escolha do repert\u00f3rio&#8230; Por exemplo, nesse repert\u00f3rio do EP, tem duas m\u00fasicas que a gente come\u00e7ou a ensaiar antes da pandemia, e que ficaram guardadas para o momento que desse para retom\u00e1-las. Outras vieram no caminho, e cada uma eu iniciei de uma maneira diferente. Em \u201cDias Aqu\u00e1ticos\u201d, por exemplo, eu chamei a baterista para come\u00e7armos juntas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-83769 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Ana-Clara-foto-Tita-Padilha-2024-2-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"562\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Ana-Clara-foto-Tita-Padilha-2024-2-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Ana-Clara-foto-Tita-Padilha-2024-2-copiar-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDias Aqu\u00e1ticos\u201d e \u201cLunar\u201d s\u00e3o m\u00fasicas que t\u00eam uma densidade l\u00edrica e musical que meio que se contrap\u00f5em \u00e0 leveza das outras tr\u00eas. O EP \u00e9 bem arejado, mas tem tamb\u00e9m esses momentos densos, que sempre estiveram presentes em outros momentos do seu trabalho. Mas como tem esse outro lado que est\u00e1 t\u00e3o mais leve agora, eu queria entender como voc\u00ea v\u00ea essas manifesta\u00e7\u00f5es na sua m\u00fasica. \u00c9 absolutamente natural que todos esses lados existam dentro da gente, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o natural que a gente consiga express\u00e1-los e faz\u00ea-los conviver dentro da mesma obra. Como voc\u00ea conseguiu que elas estivessem juntas na mesma obra sem parecer que brigassem entre si? (risos)<\/strong><br \/>\nT\u00e1 l\u00e1 na raiz, n\u00e9? Aquilo que eu comentei contigo sobre quando eu fui montar a primeira forma\u00e7\u00e3o da banda. Ali j\u00e1 de partida tinha essa quest\u00e3o do contraste, e eu percebo muito isso em mim tamb\u00e9m. Sou uma pessoa que \u00e9 externamente solar, talvez at\u00e9 muito (risos). Tem um exerc\u00edcio de delicadeza que me \u00e9 muito natural, mas tem tamb\u00e9m uma densidade que \u00e9 da minha introspec\u00e7\u00e3o, e acho que essa \u00e9 a via pela qual eu mais me expresso. A origem do meu trabalho j\u00e1 trazia esse olhar de trabalhar esse contraste. No \u00e1lbum de 2015, o lado A e o lado B para mim funcionam assim, com um mais solar e o outro mais denso. E falando mais do \u201cCan\u00e7\u00f5es de Flutua\u00e7\u00e3o\u201d, esse EP vem depois de um per\u00edodo de muita densidade, n\u00e3o s\u00f3 para mim, mas para todo mundo: anos de pandemia supercarregados, pesados. O EP fez parte de um processo de um reaprendizado tamb\u00e9m, havia a necessidade desse contraponto, de buscar traduzir essa dualidade de alguma maneira. \u201cVento Lento\u201d e \u201cCanoinha Bailarina\u201d s\u00e3o das m\u00fasicas mais leves, e s\u00e3o escolhas de repert\u00f3rio de outros compositores: \u201cVento Lento\u201d \u00e9 de uma banda cl\u00e1ssica daqui de Bel\u00e9m chamada Solano Star, e eu a cantei numa reuni\u00e3o da banda que rolou uns anos atr\u00e1s, eu a quis regravar e dar outra leitura. \u201cCanoinha Bailarina\u201d \u00e9 de um grande mestre daqui, Ronaldo Silva, que \u00e9 um puta compositor, que vem da m\u00fasica mais tradicional. Ele \u00e9 um dos idealizadores, por exemplo, do Arraial do Pavulagem. \u00c9 um dos maiores compositores da regi\u00e3o, um dos maiores artistas desse estado e que merece reconhecimento nacional. Eu tinha muita vontade de gravar alguma coisa dele, e essa can\u00e7\u00e3o tem justamente essa atmosfera mais leve, que tem esse contato com uma cultura local, uma rela\u00e7\u00e3o com a natureza que \u00e9 muito presente na linguagem dele, era algo nessa linha que eu queria. Essa viagem de canoa \u00e9 uma parceria do Ronaldo com o Allan Carvalho e o Cincinato Junior, e eu fiz uma leitura mais pop, diferente da vers\u00e3o que o Ronaldo gravou e de outras que foram feitas. S\u00f3 para tentar sintetizar a resposta pra tua pergunta, eu acho que o meu trabalho \u00e9 uma tentativa de comunicar como esses aspectos coexistem em mim, que \u00e9 poss\u00edvel ser leve em uma medida e cantar uma m\u00fasica de amor que tamb\u00e9m seja cortante. Me interessa muito essa ambiguidade das coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O quanto essa dualidade tamb\u00e9m \u00e9 um espelho da cidade onde voc\u00ea vive? Porque eu conheci pouco de Bel\u00e9m, mas ela me pareceu uma cidade muito dualista, em muitos sentidos: tem uma urbanidade agressiva e depauperada, mas ao mesmo tempo uma exuber\u00e2ncia da natureza muito forte, uma arquitetura tradicional antiga muito bonita e uma outra contempor\u00e2nea que n\u00e3o dialoga com essa primeira. Voc\u00ea acha que Bel\u00e9m se filtra um pouco na sua identidade musical, levando isso em considera\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNossa, eu nunca tinha pensado nesses termos! Mas creio que sim, que faz parte dessa densidade a rela\u00e7\u00e3o com o capitalismo no est\u00e1gio em que se encontra e que \u00e9 brutal como se percebe nessa urbanidade (ri). Mas a gente tamb\u00e9m tem respiros aqui. Sejam respiros naturais, como tu mencionaste, seja esse respiro humano, de um lugar onde tem esse calor, essa emotividade. Ent\u00e3o sim, eu acho que [essa dualidade] est\u00e1 na raiz, na personalidade mesmo, antes de ser de trabalho art\u00edstico. A contradi\u00e7\u00e3o habita ali desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O lado int\u00e9rprete est\u00e1 presente na sua carreira desde o in\u00edcio, e eu queria saber se nessa escolha de repert\u00f3rio entra tamb\u00e9m um pouco o seu lado jornalista, o seu lado produtora cultural, que pode te inspirar a trazer uma m\u00fasica menos conhecida ou buscar algo que voc\u00ea acha que merece ser reapresentado para outras pessoas.<\/strong><br \/>\nEssas coisas est\u00e3o entranhadas, mas coexistem. Esse cuidado de ir atr\u00e1s de coisas que eu acho preciosas. Por exemplo, eu n\u00e3o conhecia nenhum registro de \u201cVento Lento\u201d, a Solano Star existiu entre o final dos anos 1980 e in\u00edcio dos 1990, acabou, e muita gente mais jovem talvez n\u00e3o a tenha conhecido. Ent\u00e3o rola isso, mas creio que n\u00e3o \u00e9 uma coisa proposital ou deliberada, \u00e9 algo que coexiste com o interesse art\u00edstico, que faz parte da minha forma\u00e7\u00e3o. Eu gosto desses achados, e tamb\u00e9m acho muito bonito isso da gente conseguir se expressar por algo que outra pessoa escreveu, essa identifica\u00e7\u00e3o por meio de can\u00e7\u00f5es de outros autores. Eu sempre compus, acho que eu at\u00e9 mesmo escrevi antes de cantar, e a\u00ed na \u00e9poca que eu decidi formar a banda e gravar, eu estava numa fase de n\u00e3o compor tanto, ent\u00e3o tamb\u00e9m veio esse trabalho de escolher coisas que eu quero dizer, que me traduzem de uma maneira que eu gostaria de interpretar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-83767 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ana-clara-cancoes-de-flutuacao-capa-alta-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ana-clara-cancoes-de-flutuacao-capa-alta-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ana-clara-cancoes-de-flutuacao-capa-alta-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ana-clara-cancoes-de-flutuacao-capa-alta-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma \u00faltima pergunta sobre o disco \u00e9 sobre o projeto gr\u00e1fico. Para um disco que n\u00e3o tem a pretens\u00e3o imediata de sair em formato f\u00edsico, ele tem uma apresenta\u00e7\u00e3o visual muito cuidadosa \u2013 a qual voc\u00ea sempre teve nos trabalhos que lan\u00e7ou. Claro que isso tem um car\u00e1ter mercadol\u00f3gico que faz parte do universo musical, mas tem tanto cuidado e tantas camadas na identidade visual desse trabalho que eu queria saber se isso n\u00e3o seria uma parte t\u00e3o importante da sua express\u00e3o quanto a decis\u00e3o por um arranjo ou a escolha do produtor.<\/strong><br \/>\n\u00c9 bem isso. Faz parte, eu funciono de um jeito sinest\u00e9sico. Falando desse trabalho em particular: eu estava come\u00e7ando um bordado com essas cores, e pensando ao mesmo tempo no EP, e me dei conta que estava tudo interligado. Bom, esse bordado vai ser a capa, ent\u00e3o. Esse \u00e9 o meu racioc\u00ednio. Teve todo o lance das cores, as fotos, eu escolhi a roupa de acordo com o que eu achava que seria o universo de cores do trabalho\u2026 A gente foi para uma loca\u00e7\u00e3o que era importante para mim, que tamb\u00e9m tinha a ver com o lance da \u00e1gua, que est\u00e1 presente em v\u00e1rias m\u00fasicas \u2013 tem ar e \u00e1gua nas m\u00fasicas, por isso que ele \u00e9 \u201cCan\u00e7\u00f5es de Flutua\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 ent\u00e3o o processo todo me ajuda a entrar na liga, a compor um universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma pergunta que eu gosto de fazer a todo artista que se mant\u00e9m \u00e0 margem de mercados grandes, mas tem uma estrada e um corpo de obra. Voc\u00ea \u00e9 jovem, mas j\u00e1 tem mais de dez anos de carreira, v\u00e1rios registros em disco. A pergunta \u00e9: mesmo diante da falta de retorno financeiro, de espa\u00e7os para tocar, de condi\u00e7\u00f5es para circular, da l\u00f3gica cruel dos algoritmos, voc\u00ea continua. Por que?<\/strong><br \/>\nEu acho que eu n\u00e3o tenho escolha (risos). \u00c9 algo que est\u00e1 al\u00e9m\u2026 \u00c0s vezes, d\u00e1 aquela desanimada, mas quando eu percebo, inconscientemente j\u00e1 estou trabalhando em outra coisa. Eu n\u00e3o sei estar no mundo de outra forma, ent\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel para mim, mesmo com todas as dificuldades. Tenho zero ingenuidade, desde o in\u00edcio tenho pra mim que isso \u00e9 algo que vou fazer porque eu quero fazer, e vou fazer desse jeito porque \u00e9 como eu acredito que eu vou me expressar melhor. E assim eu persisto. \u00c9 \u00f3bvio que \u00e9 uma alegria quando isso vai chegando para mais gente, mas essa restri\u00e7\u00e3o de p\u00fablico tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um motivo para n\u00e3o fazer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Clara e Nat\u00e1lia Matos - Luz de Ver\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nDt6XQk34fo?list=PLESGTSRF9ila7A2oPRH6FETlNJke3_xn5\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Clara + Meio Amargo - Golpe de Sorte\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XPlwjbdtibg?list=PLESGTSRF9ilYtneKVfGPOho61g4QEy8_j\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Clara - Eu mandei meu amor pro espa\u00e7o (Can\u00e7\u00f5es de Depois, 2014)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VO0Q1Ciz9Ao?list=PLESGTSRF9ilYRdHpwuYr60z7fTMQG9FzI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ana Clara cavou um espa\u00e7o pequeno, mas precioso, no cen\u00e1rio cultural do Par\u00e1. 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