{"id":83427,"date":"2024-09-10T12:46:06","date_gmt":"2024-09-10T15:46:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=83427"},"modified":"2024-10-20T00:07:39","modified_gmt":"2024-10-20T03:07:39","slug":"coala-festival-2024-10-shows-marcantes-no-10o-ano-do-festival","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/10\/coala-festival-2024-10-shows-marcantes-no-10o-ano-do-festival\/","title":{"rendered":"Coala Festival 2024: 10 shows marcantes no 10\u00ba ano do festival"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto e v\u00eddeos de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><br \/>\nfotos <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coalafestival\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coala Festival<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanta m\u00fasica cabe em dez anos? E o quanto um evento pode mudar <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=coala+festival\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ao longo de uma d\u00e9cada<\/a>? Refletir sobre a edi\u00e7\u00e3o do Coala Festival em 2024, com o evento comemorando seu 10\u00ba anivers\u00e1rio, pode ser uma boa resposta. De iniciativa ousada de uns moleques de S\u00e3o Paulo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/14\/entrevista-de-garcom-a-jornalista-chegando-a-produtor-marcus-preto-revisita-sua-trajetoria-entre-coala-festival-gal-erasmo-tom-ze-e-muito-mais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como explicou o \u201cent\u00e3o-n\u00e3o-curador\u201d Marcus Preto<\/a>, o festival se tornou padr\u00e3o-ouro e modelo a ser seguido por eventos que quisessem louvar a m\u00fasica brasileira. Mais do que isso, o Coala se tornou respons\u00e1vel pelos primeiros shows nesse modelo de festival p\u00f3s anos 2000 de artistas como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/19\/coala-festival-2022-dia-3-maria-bethania-faz-o-show-mais-celebrado-o-mais-lotado-e-o-mais-chorado-em-dia-que-ainda-teve-black-alien-e-marina-sena\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maria Beth\u00e2nia<\/a> ou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/17\/coala-festival-2022-dia-1-kl-jay-brilha-em-dia-feliz-com-shows-de-djavan-gil-mayra-andrade-liniker-e-tasha-tracie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Djavan<\/a>, aproximando-os de um p\u00fablico sedento pela m\u00fasica brasileira, mas cujo bolso nem sempre toparia encarar a sisudez de um teatro ou casa de shows com whisky servido na mesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de dez anos, o Coala tamb\u00e9m saiu de um para tr\u00eas dias de dura\u00e7\u00e3o, sempre ocupando o espa\u00e7o do Memorial da Am\u00e9rica Latina na capital paulista. N\u00e3o foi s\u00f3: de pequena empreitada, <a href=\"https:\/\/coalafestival.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o Coala virou uma corpora\u00e7\u00e3o<\/a>, incluindo consultoria, gravadora e produtora de shows \u2013 exemplo mais recente \u00e9 o de Liniker, que j\u00e1 esgotou ingressos para as primeiras datas da turn\u00ea \u201cCaju\u201d no \u201cimenso\u201d (para padr\u00f5es indies) Espa\u00e7o Unimed. Em 2024, o festival tamb\u00e9m ganhou sua primeira edi\u00e7\u00e3o internacional, chegando at\u00e9 Cascais, em Portugal.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83467\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/coala3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"886\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/coala3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/coala3-254x300.jpg 254w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio a tantos m\u00e9ritos, por\u00e9m, o festival de 2024 foi uma experi\u00eancia d\u00fabia. De um lado, h\u00e1 uma por\u00e7\u00e3o de boas ideias e conquistas: o evento segue sendo confort\u00e1vel e tendo um tamanho razo\u00e1vel, embora as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a nuvem de fuma\u00e7a que abatem S\u00e3o Paulo sejam cada vez mais um ponto de interroga\u00e7\u00e3o para um festival realizado num parque de cimento durante o dia \u2013 no domingo, no p\u00f4r-do-sol, o cen\u00e1rio parecia digno de filmes como \u201cAkira\u201d e \u201cBlade Runner\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tamb\u00e9m a boa novidade do uso do Audit\u00f3rio Sim\u00f3n Bol\u00edvar para shows, mas a ideia foi subaproveitada \u2013 no primeiro dia, pela desorganiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o que fez muita gente perder tempo em fila; no segundo, pelo fator imponder\u00e1vel que fez o maestro Arthur Verocai cair nos preparativos do show e cancelar a apresenta\u00e7\u00e3o. E segue elogi\u00e1vel o bom uso de um espa\u00e7o urbano que tem f\u00e1cil acesso via transporte p\u00fablico, com a divis\u00e3o entre pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o de um lado e palco com bares do outro, embora a passarela entre os dois lados seja um caminho por vezes temer\u00e1rio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83468\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/coala4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"659\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/coala4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/coala4-300x264.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do outro lado, por\u00e9m, o Coala parece perdido: pela primeira vez, o festival teve tr\u00eas headliners inequivocamente ligados ao rock, o que lhe fez parecer mais com um evento <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/11\/ao-vivo-pequeno-para-70-mil-pessoas-festival-joao-rock-celebra-grandes-shows-de-emicida-baianasystem-e-black-pantera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como o Jo\u00e3o Rock<\/a> ou com reuni\u00f5es nost\u00e1lgicas t\u00e3o comuns no ritmo. Poucos dos artistas tamb\u00e9m chegaram ao evento com novidades debaixo do bra\u00e7o, o que era algo marcante nas edi\u00e7\u00f5es recentes do Coala, sabendo mesclar bem medalh\u00f5es com indica\u00e7\u00f5es espertas ao p\u00fablico. Mais: entre os que tinham novidades, a maioria deles tocou cedo, quando a maior parte do p\u00fablico ainda est\u00e1 em casa preparando looks e maquiagens para arrasar no evento (e no Instagram, claro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve ainda um menor n\u00famero de cantoras e menor ecleticidade de g\u00eaneros \u2013 o rap, que ocupou posi\u00e7\u00f5es de destaque em edi\u00e7\u00f5es recentes, ficou levemente de escanteio nessa edi\u00e7\u00e3o. A sensa\u00e7\u00e3o que fica \u00e9 que, ao completar uma d\u00e9cada de hist\u00f3ria, o evento n\u00e3o sabe bem que rumo tomar sem precisar se repetir. E, ao enveredar pela sequ\u00eancia da hist\u00f3ria da MPB, acaba desembocando no rock mais cl\u00e1ssico e virando justamente aquilo que n\u00e3o queria ser. Al\u00e9m disso, a curadoria tamb\u00e9m pecou num ponto importante: enquanto muitos headliners em anos anteriores pareciam \u201cin\u00e9ditos\u201d ao p\u00fablico, em 2024 n\u00e3o foram poucos os nomes que se apresentaram recentemente na cidade a pre\u00e7os entre o acess\u00edvel e o pag\u00e1vel \u2013 incluindo Lulu, Paralamas, O Terno, Planet Hemp, Xande de Pilares e Boca Livre. \u00c9 algo que fez o bambu do Coala perder o frescor de outrora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83469\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/coala2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/coala2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/coala2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto negativo que merece ser mencionado envolve limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas: se por um lado a ideia de usar DJs e artistas com equipamento \u201cm\u00ednimo\u201d (caso de dad\u00e1 Jo\u00e3ozinho e Yago Oproprio) para os intervalos de ajustes entre shows \u00e9 bacana, por outro por vezes a iniciativa faz o festival perder seu fluxo \u2013 e o caso mais evidente talvez seja a contraposi\u00e7\u00e3o entre o pancad\u00e3o do Deekapz antes das can\u00e7\u00f5es amorosas de Lulu Santos. Em outros momentos, h\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 paz para os ouvidos no festival, sendo o sil\u00eancio por vezes o melhor ru\u00eddo antes de um show esperado. Pensar num formato com dois palcos em shows alternados ou, ent\u00e3o, num ritmo que deixe o festival com menos cara de balada ao ar livre pode ser uma boa ideia para os pr\u00f3ximos anos \u2013 embora esse ar de festa talvez seja justamente o que o p\u00fablico queira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tudo isso s\u00e3o conjecturas maiores e teorias de mesa de bar sobre um evento que, ano ap\u00f3s ano, segue atraindo um p\u00fablico fiel e shows muito interessantes, trazendo um bom pulso da m\u00fasica brasileira nos dias de hoje. Para destacar esses 10 anos, a reportagem do Scream &amp; Yell prop\u00f4s uma cobertura levemente diferente: o que se ler\u00e1 a seguir s\u00e3o 10 polaroides de shows marcantes do Coala 2024, pelo bem ou pelo mal. N\u00e3o s\u00e3o necessariamente os melhores ou os mais divertidos, mas aqueles que, de alguma forma, refletem um bocado como \u00e9 a experi\u00eancia de estar por tr\u00eas dias na Barra Funda, bebendo Lagunitas (enquanto ela estava dispon\u00edvel) e encarando um solz\u00e3o que Niemeyer nenhum imaginou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83459\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/LIV_3005-2-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"621\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/LIV_3005-2-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/LIV_3005-2-copiar-300x248.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Machete &#8211; sexta-feira, 14h30<\/strong><br \/>\nDona de um dos discos mais charmosos de 2024 (\u201cInvisible Woman\u201d), a carioqu\u00edssima Silvia Machete teve a tarefa de abrir a comemora\u00e7\u00e3o dos 10 anos de Coala na sexta-feira \u2013 e o fez com um show glamuroso e classudo, encarnando a j\u00e1 cl\u00e1ssica personagem da professora de ingl\u00eas Rhonda. Entre li\u00e7\u00f5es safadas do idioma anglo-sax\u00f4nico (\u201crepita comigo: \u2018one tit\u2019\u201d, disse Silvia) e um modelito esvoa\u00e7ante, Silvia fez uma apresenta\u00e7\u00e3o muito interessante, calcada no repert\u00f3rio do trabalho novo e tamb\u00e9m de \u201cRhonda\u201d, \u00e1lbum de 2020. Entre os destaques, \u00e9 preciso sempre notar a aproxima\u00e7\u00e3o entre os lados B de Tim Maia (na balada\u00e7a \u201cWith No One Else Around\u201d) e Tom Jobim (\u201cTwo Kites\u201d), ambas amparadas por uma caprichosa banda que continha o tecladista Chic\u00e3o (Quartab\u00ea), o baixista Eduardo Lima e o guitarrista Jo\u00e3o Oliveira. O trio, ao lado do baterista Vitor Cabral, fez ainda a cama para um momento j\u00e1 cl\u00e1ssico das apresenta\u00e7\u00f5es de Silvia: a hora em que a cantora lan\u00e7a m\u00e3o de um bambol\u00ea e, sem perder o rebolado, bola um cigarro e solta bolhinhas de sab\u00e3o para a plateia. Dif\u00edcil o festival come\u00e7ar de um jeito mais divertido.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83460\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/LIV_3286-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/LIV_3286-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/LIV_3286-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Boca Livre &#8211; sexta-feira, 15h50<\/strong><br \/>\nSe h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o no Coala, esta \u00e9 a de propor resgates para grandes artistas do passado. Na escala\u00e7\u00e3o de 2024, esse espa\u00e7o foi ocupado pelo quarteto Boca Livre, que voltou aos palcos no come\u00e7o do ano ap\u00f3s uma separa\u00e7\u00e3o causada por desaven\u00e7as pol\u00edticas. Com o recente trabalho \u201cRasgamundo\u201d na mala, produzido pelo curador do festival Marcus Preto, o grupo fez uma apresenta\u00e7\u00e3o de recep\u00e7\u00e3o mista. Se por um lado os arranjos vocais e o apuro instrumental chamaram a aten\u00e7\u00e3o na hora de executar os cl\u00e1ssicos, por outro as tentativas de moderniza\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio foram controversas \u2013 \u201cMesmo Se Voc\u00ea N\u00e3o V\u00ea\u201d, de Tim Bernardes, fica alguns degraus dos standards do grupo, enquanto a vers\u00e3o meio reggae meio coral de \u201cO Vento\u201d, dos Los Hermanos, fez muita gente sorrir amarelo. O show ainda foi afetado pelo fato de que o trabalho do Boca Livre \u00e9 cheio de detalhes e sil\u00eancios, dif\u00edceis de serem bem percebidos num palco t\u00e3o grande e ao ar livre. O pr\u00f3prio grupo pareceu perdido em alguns momentos, chamando o p\u00fablico para cantar sem ouvir resposta. Mas \u00e9 preciso fazer justi\u00e7a: o final do show, com \u201cPonta de Areia\u201d em vers\u00e3o a capella, talvez tenha sido um dos momentos mais bonitos do fim de semana.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83458\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Lenine-4-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Lenine-4-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Lenine-4-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lenine e Marcos Suzano &#8211; sexta-feira, 17h25<\/strong><br \/>\nH\u00e1 pouco mais de 30 anos, um disco que at\u00e9 hoje permanece como pequeno segredo da m\u00fasica brasileira lan\u00e7ava para o mundo a carreira do cantor e compositor pernambucano Lenine. Feito ao lado do percussionista Marcos Suzano, \u201cOlho de Peixe\u201d (1993) foi o motivo da apresenta\u00e7\u00e3o dos dois no palco do Coala. Quem ouvisse o disco e suas delicadas composi\u00e7\u00f5es talvez temesse que o repert\u00f3rio sofreria do mesmo problema que acometeu o Boca Livre, mas n\u00e3o: acompanhados de outros quatro percussionistas, Lenine e Suzano fizeram um show em que peso e beleza estiveram lado a lado, encantando um p\u00fablico que j\u00e1 come\u00e7ava a preencher (n\u00e3o lotar, fique claro) o Memorial da Am\u00e9rica Latina. Seja em balan\u00e7os como \u201cAcredite ou N\u00e3o\u201d, \u201cEscr\u00fapulo\u201d e \u201cCaribenha Na\u00e7\u00e3o\u201d ou em momentos mais delicados como \u201cO Que \u00e9 Bonito\u201d, os dois compuseram um dos melhores shows n\u00e3o s\u00f3 do festival, mas talvez da pr\u00f3pria hist\u00f3ria de 10 anos de Coala. E quando o repert\u00f3rio do disco acabou, a dupla ainda alinhou la\u00e7os bem bonitos com outros pontos de seu repert\u00f3rio \u2013 \u201cO Dia Em Que Faremos Contato\u201d e \u201cHoje Eu Quero Sair S\u00f3\u201d, do pr\u00f3prio Lenine \u2013 e de Pernambuco para o mundo, relembrando Ant\u00f3nio N\u00f3brega e o mestre Chico Science.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83464\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Lenine-13-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Lenine-13-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Lenine-13-copiar-300x209.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Lenine-13-copiar-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>14 Bis convida Beto Guedes e Fl\u00e1vio Venturini &#8211; sexta-feira, 18h30<\/strong><br \/>\nUma das grandes novidades do Coala em 2024 (e h\u00e1 muito tempo pedida) era aproveitar o espa\u00e7o do bel\u00edssimo Audit\u00f3rio Sim\u00f3n Bol\u00edvar, parte do complexo do Memorial, para apresenta\u00e7\u00f5es mais intimistas (e na sombra). No primeiro dia, por\u00e9m, o sistema foi confuso: era necess\u00e1rio chegar cedo, pegar uma senha, e s\u00f3 na hora do show pegar outra fila para trocar a senha por pulseira \u2013 o que fez muita gente perder a parte final do show de Lenine. L\u00e1 dentro do teatro, o preenchimento dos lugares demorou e gerou um leve atraso na apresenta\u00e7\u00e3o, mas digno de nota em um festival t\u00e3o cronometrado. Quando o som come\u00e7ou a rolar, o 14 Bis fez uma apresenta\u00e7\u00e3o honesta, em que a voz de Cl\u00e1udio Venturini sobressaiu de maneira positiva, superando os timbres um pouco datados de guitarra e de teclado escolhidos para o show. Foi bacana rever hits do proto-power-pop-mineiro, como \u201cMesmo de Brincadeira\u201d, \u201cCan\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica\u201d ou \u201cNatural\u201d, esta cantada junto do fundador da banda, Fl\u00e1vio Venturini. J\u00e1 o outro convidado da noite desapontou: Beto Guedes por vezes desafinou e errou a letra de tr\u00eas de suas composi\u00e7\u00f5es lembradas pela banda \u2013 as baladas \u201cSol de Primavera\u201d e \u201cAmor de \u00cdndio\u201d e o cl\u00e1ssico seminal \u201cFeira Moderna\u201d. \u00d3 telefonista, a palavra j\u00e1 morreu. (E vale o adendo: depois do fim do 14-Bis, Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes fizeram uma am\u00e1lgama bacana entre seus repert\u00f3rios, mas infelizmente n\u00e3o se pode estar em dois espa\u00e7os ao mesmo tempo para conferir tudo. O finalzinho, por\u00e9m, foi bonito demais, com direito at\u00e9 aos trabalhadores dos bares cantando hits de novela como \u201cDevolva-me\u201d e \u201cVelha Inf\u00e2ncia\u201d).<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83461\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/O-TERNO-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/O-TERNO-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/O-TERNO-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Terno &#8211; sexta-feira, 20h40<\/strong><br \/>\nEm uma edi\u00e7\u00e3o cuja curadoria trouxe poucas novidades e discos de destaque do ano \u2013 ainda mais na compara\u00e7\u00e3o com itera\u00e7\u00f5es passadas \u2013, o Coala teve como headliner de sua primeira noite um dos artistas mais \u201cjovens\u201d de sua hist\u00f3ria: O Terno. Capitaneado pelo contratado da Coala Records Tim Bernardes, o trio paulistano \u00e9 um exemplo de artista que \u201ccresceu\u201d ao lado do festival, tamb\u00e9m explorando passado\/futuro da m\u00fasica brasileira. Em 2024, eles surgiram na escala\u00e7\u00e3o em meio a uma como\u00e7\u00e3o: seria no Memorial da Am\u00e9rica Latina o \u00faltimo show da banda em terras brasileiras, antes de submergir em uma famosa e precipitada \u201cpausa por tempo indeterminado\u201d. Ao longo de 80 minutos, o grupo fez o que pode para disfar\u00e7ar a despedida, mas a emo\u00e7\u00e3o fez o espet\u00e1culo ser <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/23\/ao-vivo-entre-a-falta-e-a-abundancia-o-terno-se-reencontra-apos-cinco-anos-longe-dos-palcos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alguns furos abaixo do que o apresentado no Espa\u00e7o Unimed<\/a> em mar\u00e7o deste ano. E houve at\u00e9 um momento infeliz: no meio de \u201cAi Ai, Como Eu Me Iludo\u201d, Tim tentou fazer uma piada dizendo que a banda n\u00e3o ia acabar, s\u00f3 para mostrar ao p\u00fablico que eles n\u00e3o deveriam se iludir facilmente. Deu errado \u2013 e cortou o clima de muita gente entre os 20 e os 35 que estava ali pra se emocionar. Pior: a piada fez o grupo ter de cortar can\u00e7\u00f5es do repert\u00f3rio, ignorando a excelente \u201c66\u201d no encerramento do show. Foi bonito? At\u00e9 que foi. Mas ao final do espet\u00e1culo, ecoou a pergunta que a pr\u00f3pria banda deixou em \u201cAtr\u00e1s \/ Al\u00e9m\u201d: \u201cno tempo junto ao seu lado, fui feliz \/ quem sabe um dia eu te encontro, por a\u00ed \/ ser\u00e1 que ainda vai lembrar de mim?\u201d.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83463\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Tulipa-e-Criolo-Julio-0028-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Tulipa-e-Criolo-Julio-0028-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Tulipa-e-Criolo-Julio-0028-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tulipa Ruiz convida Criolo &#8211; s\u00e1bado, 14h15<\/strong><br \/>\nAo longo dos \u00faltimos quinze anos, Tulipa Ruiz construiu uma carreira que flerta com diversos pontos da ess\u00eancia musical do Coala: tem rock, tem m\u00fasica brasileira, tem um lado dan\u00e7ante e, como n\u00e3o poderia deixar de ser pelo DNA, um flerte com o experimentalismo. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/28\/tres-shows-juliana-linhares-tulipa-ruiz-gustavo-ruiz-joyce-moreno\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Poucas semanas ap\u00f3s perder o pai<\/a>, o guitarrista Luiz Chagas, a cantora veio ao palco debaixo de sol forte e com um chamativo modelito verde-fluorescente para refor\u00e7ar essa conex\u00e3o com a curadoria e o p\u00fablico t\u00edpico do evento. Foi uma apresenta\u00e7\u00e3o muito bonita, com a cantora sabendo combinar releituras espertas (\u201cHotel das Estrelas\u201d, conhecida na voz de Gal Costa) com seus pr\u00f3prios hits, como \u201cEf\u00eamera\u201d e a bela \u201c\u00c0s Vezes\u201d, composta por Chagas e que recebeu uma leitura emocional e emocionante. Tulipa estava em t\u00e3o alta rota\u00e7\u00e3o que nem mesmo a chegada de Criolo e a execu\u00e7\u00e3o de um clich\u00ea \u2013 \u201cCodinome Beija-Flor\u201d, de Cazuza \u2013 puderam par\u00e1-la. Feliz de quem viu essa octanagem alcan\u00e7ar seu \u00e1pice com a performance de \u201cV\u00edbora\u201d, em que o vestido de Tulipa virou v\u00e9u de muitos metros e invadiu a plateia, como uma noiva dark-carnavalesca. Um show t\u00e3o impactante que o final, com a modesta \u201cSushi\u201d, acabou anticlim\u00e1tico, mas n\u00e3o a ponto de fazer esquecer o que se viu anteriormente. (Na sequ\u00eancia, digno de nota: Jo\u00e3o Bosco fez um espet\u00e1culo instrumentalmente bonito, mas sem muitas concess\u00f5es para um p\u00fablico festeiro debaixo de um sol inclemente, pouco disposto a fritar junto com ele. Uma pena \u2013 ainda mais por ser o tipo de show que se encaixaria t\u00e3o bem no teatro).<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83462\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Tassia-reis-Connvida-9754-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Tassia-reis-Connvida-9754-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Tassia-reis-Connvida-9754-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sandra S\u00e1 convida Hyldon e T\u00e1ssia Reis &#8211; s\u00e1bado, 17h05<\/strong><br \/>\nPela primeira vez em muitos anos, o Coala fez seu p\u00fablico ter que passar por uma t\u00edpica experi\u00eancia de qualquer festival: escolher, tal como Cec\u00edlia Meirelles, \u201cisto ou aquilo\u201d. Nesse roteiro pr\u00e9-imaginado, muita gente inicialmente descartaria ver a reuni\u00e3o black de Sandra S\u00e1, Hyldon e T\u00e1ssia Reis para testemunhar o mestre Arthur Verocai ao lado de orquestra e Mano Brown no Audit\u00f3rio Sim\u00f3n Bol\u00edvar. Mas a\u00ed o imponder\u00e1vel aconteceu: Verocai caiu pouco antes do show, cancelando a apresenta\u00e7\u00e3o. Melhor para o trio soul e para o p\u00fablico, que pode testemunhar uma das apresenta\u00e7\u00f5es mais empolgantes de 2024. O espet\u00e1culo come\u00e7ou morno com T\u00e1ssia aproveitando para anunciar disco novo (\u201cTopo da Minha Cabe\u00e7a\u201d, j\u00e1 dispon\u00edvel nas plataformas), mas depois ganhou muita temperatura quando Hyldon, do alto de seus 73 anos, trouxe ao palco hits inesquec\u00edveis como \u201cAs Dores do Mundo\u201d e \u201cVamos Passear de Bicicleta\u201d. Foi o in\u00edcio de uma chama que se incendiou quando Sandra S\u00e1 subiu ao palco para fazer de tudo, entre rap, discursos e entoar suas can\u00e7\u00f5es. Primeiro, veio \u201cBye Bye Tristeza\u201d, que serviu como aula para quem quer entender a liga\u00e7\u00e3o entre o soul brasileiro e o pagode rom\u00e2ntico; depois, teve ainda muito balan\u00e7o e black power com \u201cSarar\u00e1 Miolo\u201d e \u201cJoga Fora\u201d. Para completar a festa, veio a\u00ed o indefect\u00edvel hit \u201cNa Rua, Na Chuva, Na Fazenda\u201d, colocando quase 10 mil m\u00e3os para o alto em um movimento bonito, bonito demais.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83455\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/AMADOPEACE-9949-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/AMADOPEACE-9949-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/AMADOPEACE-9949-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Paralamas do Sucesso &#8211; s\u00e1bado, 18h40<\/strong><br \/>\nComemorando 40 anos de carreira (efem\u00e9ride que ganhou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/23\/entrevista-joao-barone-fala-sobre-o-livro-1-2-3-4-contando-o-ritmo-com-os-paralamas-do-sucesso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">at\u00e9 livro escrito pelo baterista Jo\u00e3o Barone<\/a>), Os Paralamas do Sucesso fizeram um show altamente previs\u00edvel \u2013 mas nem por isso ruim, muito pelo contr\u00e1rio. Herbert, Bi e Barone trouxeram \u00e0 Barra Funda seu caminh\u00e3o de hits, come\u00e7ando pelos prim\u00f3rdios com \u201cVital e Sua Moto\u201d e \u201cCinema Mudo\u201d e alcan\u00e7ando no m\u00e1ximo at\u00e9 o repert\u00f3rio de \u201cUm Longo Caminho\u201d, com a balada\u00e7a \u201cCuide Bem do Seu Amor\u201d. Quem queria pular, pulou; quem queria dan\u00e7ar, dan\u00e7ou \u2013 e quem queria chorar tamb\u00e9m, especialmente com os bonitos solos de sax e guitarra em \u201cLanterna dos Afogados\u201d. Em pouco mais de uma hora, o grupo mostrou n\u00e3o s\u00f3 sua versatilidade, mas tamb\u00e9m toda a sua relev\u00e2ncia e gentileza \u2013 e n\u00e3o faltaram as esperadas cita\u00e7\u00f5es a Gilberto Gil, Tim Maia, Tit\u00e3s, ao lado de uma mais nova a Raul Seixas, com \u201cSociedade Alternativa\u201d aparecendo em meio a \u201cAlagados\u201d. \u00c9 claro que em pleno 2024, assistir aos Paralamas sempre envolve um cl\u00e1ssico \u201ce se\u2026\u201d, mas tais conjecturas n\u00e3o precisam ser necessariamente feitas quando se pode curtir o show e, mais do que isso, ver a melhor cozinha do Brasil em plena atividade. \u00c9 como diria o ditado: I know, It\u2019s only Paralamas, but I like it, yes I do.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83457\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Deekapz-9100-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Deekapz-9100-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Deekapz-9100-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lulu Santos &#8211; s\u00e1bado, 20h35<\/strong><br \/>\nNem sempre ter um caminh\u00e3o de hits basta para se fazer um show divertido \u2013 e se algu\u00e9m precisava de uma contraprova aos Paralamas, estava l\u00e1 Lulu Santos para oferec\u00ea-la. Depois de uma longa espera de quase uma hora com o DJ set da dupla Deekapz, muito correto passeando pelo funk mas pouco conectado ao que viria depois, Lulu subiu ao palco para trazer uma nova parada de sua turn\u00ea \u201cBar\u00edtono\u201d, na qual se conecta n\u00e3o s\u00f3 com um novo tom de voz, mas tamb\u00e9m com diferentes descobertas da maturidade. At\u00e9 a\u00ed, tudo bem, mas enquanto os Paralamas oferecem um show r\u00e1pido, suado, vigoroso, buscando aproveitar o melhor de seu tempo, Lulu parece investir numa vers\u00e3o pocket de seu espet\u00e1culo solo, sem cortar gorduras como vinhetas de entrada e reentrada ou repeti\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias de seus marcantes refr\u00e3os. O p\u00fablico em sua maioria adorou, mas ao final de uma hora, esses momentos n\u00e3o s\u00f3 tomam tempo de can\u00e7\u00f5es que faltaram (\u201cT\u00e3o Bem\u201d, \u201cAdivinha o qu\u00ea\u201d, \u201cCasa\u201d), como ainda cansam o espectador. As participa\u00e7\u00f5es surpresa tamb\u00e9m n\u00e3o ajudaram: Tulipa Ruiz parecia desencontrada em \u201cApenas Mais Uma de Amor\u201d, enquanto Liniker n\u00e3o pode ser aproveitada numa vers\u00e3o chata de \u201cS\u00e1bado \u00e0 Noite\u201d. H\u00e1 ainda outro ponto inc\u00f4modo: o show foi cercado de propagandas da pr\u00f3pria Coala, com Lulu se estranhando com a banda para elogiar Liniker. A cantora tamb\u00e9m subiu ao palco antes do show para falar de sua turn\u00ea \u201cCaju\u201d e anunciar Lu\u00eds Maur\u00edcio. No final, em meio a tanto an\u00fancio, restou a sensa\u00e7\u00e3o de que todos ali estavam querendo vender seu peixe, como numa onda zen-capitalismo.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-83456\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/COALA-2024_dia-3_foto-por-Roncca_2641-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/COALA-2024_dia-3_foto-por-Roncca_2641-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/COALA-2024_dia-3_foto-por-Roncca_2641-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Planet Hemp &#8211; domingo, 20h35<\/strong><br \/>\nA despeito de ter sido o \u00fanico dia do festival em que os ingressos foram completamente esgotados, o domingo foi o dia mais morno do Coala 2024, com apresenta\u00e7\u00f5es que foram da MPB de barzinho e viol\u00e3o (Xande canta Caetano) ao enfadonho (5 a Seco), passando pela vibe bloco-em-vez-de-show (o divertido encontro de Timbalada com Afrocidade). J\u00e1 ao Planet Hemp coube a miss\u00e3o de encerrar os trabalhos do festival com aquele que talvez tenha sido o show mais pesado e roqueiro dos 10 anos do evento. \u00c9 um paradoxo: de um lado, o grupo de Marcelo D2 e B Neg\u00e3o tem tudo a ver com a vibra\u00e7\u00e3o do Coala, n\u00e3o s\u00f3 pelo tipo espec\u00edfico de fuma\u00e7a que se podia sentir ao longo de todo o domingo, mas tamb\u00e9m pela milit\u00e2ncia e pela posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos \u00faltimos anos. Do outro, a pegada do grupo talvez tenha sido intensa demais para um p\u00fablico pouco afeito a tantas guitarras, o que deixou a apresenta\u00e7\u00e3o levemente arrastada. Al\u00e9m disso, pesa ainda o fato de que este \u00e9 o mesmo show que o Planet Hemp tem apresentado nos \u00faltimos dois anos pelo Brasil, misturando cl\u00e1ssicos ao repert\u00f3rio do excelente \u201cJardineiros\u201d, de 2022 \u2013 e que o mesmo show, com convidados de luxo, tenha sido executado do outro lado da rua no Espa\u00e7o Unimed h\u00e1 poucas semanas. \u00c9 pouco pra comemorar 10 anos de anivers\u00e1rio, embora nem Marcelo D2 nem B Neg\u00e3o tenham exatamente culpa disso \u2013 e fizeram o melhor que puderam para fazer a gira girar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>COALA FESTIVAL 2024 &#8211; DIA 1<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Coala Festival 2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL6gBQKY5zwa0yRY1Vxa4O9gOoUQs79ADV\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>COALA FESTIVAL 2024 &#8211; DIA 2<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jo\u00e3o Bosco - Pr\u00eat-\u00e0-Porter de Tafet\u00e1 @ Coala Festival 2024, S\u00e3o Paulo - 7\/9\/2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Apza7EGKn-k?list=PL6gBQKY5zwa1PByRvz9FLCOJz_vLfEDfu\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>COALA FESTIVAL 2024 &#8211; DIA 3<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Yago Oproprio - La Noche @ Coala Festival 2024, S\u00e3o Paulo - 8\/9\/2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8l6ujuRa0Ts?list=PL6gBQKY5zwa31B1qYc1fibwNRnQOKXoq9\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista. Apresenta o&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie&nbsp;<\/a>e escreve a newsletter&nbsp;<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quanta m\u00fasica cabe em dez anos? E o quanto um evento pode mudar ao longo de uma d\u00e9cada? 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