{"id":83415,"date":"2024-09-09T01:29:46","date_gmt":"2024-09-09T04:29:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=83415"},"modified":"2024-11-18T00:53:13","modified_gmt":"2024-11-18T03:53:13","slug":"entrevista-aos-60-fabio-massari-nao-cansa-de-fazer-coisas-legais-e-conta-de-varias-delas-nessa-conversa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/09\/entrevista-aos-60-fabio-massari-nao-cansa-de-fazer-coisas-legais-e-conta-de-varias-delas-nessa-conversa\/","title":{"rendered":"Entrevista: aos 60, Fabio Massari n\u00e3o cansa de fazer coisas legais \u2014 e conta v\u00e1rias delas nessa conversa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Tissot<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da entrevista que voc\u00ea vai ler a seguir, uma das respostas mais repetidas foi: \u201cEssa foi uma das coisas mais legais que eu fiz\u201d. Rara unanimidade no jornalismo cultural brasileiro, Fabio Massari completou 60 anos no dia 20 de setembro com um festival curado por ele mesmo, o MassariFest, com shows de Devotos, Patife Band e Acid Mothers Temple, e muitos amigos apaixonados por m\u00fasica e barulho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apresentador dos melhores programas da MTV Brasil e autor de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/03\/11\/literatura-rumo-a-estacao-islandia-de-fabio-massari-uma-historia-extremamente-detalhada-e-comentada-da-discografia-islandesa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livros incr\u00edveis<\/a> (tem at\u00e9 uma hist\u00f3ria em quadrinhos), Massari conta nesta conversa qual o primeiro disco que fez sua cabe\u00e7a, por que n\u00e3o sente saudades da MTV Brasil, quem gostaria de ter entrevistado mas n\u00e3o conseguiu, por que n\u00e3o vai a megafestivais e, por fim, ainda indica um disco gringo e um \u00e1lbum nacional, \u00e0 moda \u201cprediletos da casa\u201d, para representar cada d\u00e9cada de sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hora de dar play nesses bons sons e ler a entrevista \u2014 uma das coisas mais legais que EU j\u00e1 fiz \u2014 at\u00e9 o final.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"TODOS OS FESTIVAIS DO MUNDO - LOLLAPALOOZA 96\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/huqBiQQPSYI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Massari, parab\u00e9ns pelos 60 anos de vida e de bons sons. Pra come\u00e7ar, me conta como surgiu a ideia de celebrar essas seis d\u00e9cadas na Terra com o Acid Mothers Temple, o Devotos e a Patife Band.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sou exatamente um cara que comemora efusivamente anivers\u00e1rio todo ano. Mas algumas dessas datas mais redondas acabam se tornando motivo pra celebra\u00e7\u00e3o. H\u00e1 10 anos, eu comemorei os 50 \u2014 estava passando uma temporada em S\u00e3o Francisco (EUA), ent\u00e3o rolou uma festa l\u00e1 e tal. Nos 60, pensamos em fazer uns eventos ao longo do ano junto com a Terreno Estranho, <a href=\"https:\/\/www.terrenoestranho.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a editora pela qual lan\u00e7o meus livros<\/a>. A gente faz uns eventos da casa e bota um carimbo \u201cReverendo 60\u201d \u2014 pra celebrar, pura e simplesmente. \u00c9 mais uma desculpa pra fazer festa. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/29\/tres-ou-quatro-ou-cinco-shows-massaripalooza-ale-sater-smack\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A gente fez uma primeira no FFFront<\/a>, que teve Paulo Beto e Rodrigo Carneiro, Giallos e Inocentes, foi muito legal. A\u00ed, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/12\/tres-shows-em-sao-paulo-selton-interpol-e-wry\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fizemos uma segunda festa na Fenda 315<\/a>, com o Wry e o Sky Down. E tem mais festas desse tipo programadas pra esse ano \u2014 festas em clubes, com bandas amigas. No come\u00e7o dessa hist\u00f3ria, entrou meu amigo de muitos anos, Andr\u00e9 Barcinski, que, entre outras atividades, organiza shows. E ele falou: \u201cCara, vamos fazer uma festa, vamos fazer um show, vamos fazer um festival. Vamos fazer um MassariFest\u201d. O nome apareceu um pouco depois. Mas, desde o come\u00e7o, ele encampou a ideia de fazer algo para o meu anivers\u00e1rio \u2014 e no dia do anivers\u00e1rio. E voc\u00ea sabe como, logisticamente, essas coisas n\u00e3o s\u00e3o simples, n\u00e9? Ent\u00e3o, teve um esfor\u00e7o dele e da Maraty, a empresa dele, em fazer o evento acontecer no dia do anivers\u00e1rio. E a\u00ed a gente foi pensando num line-up que seria legal pra essa festa. Ele falou: \u201cFaz o que voc\u00ea quiser, a festa \u00e9 tua\u201d. Mas teve uma cumplicidade muito grande dele, que teve a ver com as bandas, especialmente os headliners. A\u00ed a gente come\u00e7ou a pensar em quais bandas colocar no evento. A banda internacional, o Acid Mothers Temple, est\u00e1 na nossa lista desde o come\u00e7o, mas a gente chegou a sondar um ou outro nome. Posso citar o Violent Femmes, que foi uma banda que a gente tentou. Mas o Acid Mothers Temple estava sempre ali. Em 2014, quando eu estava morando em S\u00e3o Francisco, fui a Austin, no Texas, pra ver o Austin Psych Fest (que no ano seguinte passaria a se chamar Levitation). Fui com alguns amigos, incluindo o Barcinski. E a gente viu um show hist\u00f3rico e espetacular do Acid Mothers Temple \u2014 banda com a qual eu j\u00e1 estava obcecado desde que eles surgiram, na segunda metade dos anos 90. E foi um show incr\u00edvel, eles tocaram fogo no palco, uma loucura. A banda esteve aqui em 2017, tocaram no Sesc Belenzinho, e foi igualmente doido, embora num ambiente bem diferente. Foi muito impactante. E a\u00ed decidimos traz\u00ea-los. O legal \u00e9 que a negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 direto com a banda, n\u00e3o tem empres\u00e1rio, n\u00e3o tem frescura nenhuma. Pras bandas nacionais, a Patife estava desde cedo na nossa lista. Eu tamb\u00e9m adoro o Test, queria ter eles no show, mas eles estar\u00e3o na Europa com o Deaf Kids. Com o Devotos s\u00e3o 30 anos de brodagem. Conheci eles em 1994, na minha primeira visita a Recife. Adoro os integrantes, adoro a banda, convivo com eles h\u00e1 bastante tempo, contar com eles vai ser muito legal. Ent\u00e3o, fechamos assim. S\u00e3o bandas bem diferentes, mas que t\u00eam em comum a vibe da independ\u00eancia, de terem um som muito autoral, que voc\u00ea reconhece rapidamente. J\u00e1 vi todos ao vivo e s\u00e3o incr\u00edveis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ACID MOTHERS TEMPLE - Dark Star Blues (LEVITATION Sessions)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YlGjzvt-Eto?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que d\u00e1 pra tra\u00e7ar um paralelo entre essas escolhas e a sua passagem pela MTV \u2014 especialmente o Acid Mothers Temple representando o Lado B, e o Devotos mais ligado ao teu trabalho jornal\u00edstico de cobertura de festivais como o Abril Pro Rock e o Juntatribo nos anos 90.<\/strong><br \/>\nNo caso do Acid Mothers Temple, v\u00ea-los ao vivo \u00e9 uma experi\u00eancia \u00e0 parte. Eles t\u00eam alguns \u201chits\u201d, entre aspas, que reaparecem nos shows, mas muito \u00e0 moda deles. E as performances s\u00e3o incr\u00edveis, com muitos improvisos e, ao mesmo tempo, um entrosamento nessa loucura. Tem um m\u00e9todo ali, nesse rock psicod\u00e9lico transcendente, viajand\u00e3o, meio Hendrix, meio Zappa, meio King Crimson. E no caso do Devotos, a TV e o Abril Pro Rock tiveram uma rela\u00e7\u00e3o muito intensa. A nossa chegada ao Recife foi importante pra cena e vice-versa, eles foram muito importantes pra gente tamb\u00e9m. Comecei a cobrir a partir de 1994, e acho que fui nove vezes pra l\u00e1. Come\u00e7amos a cobrir toda a cena do manguebeat e acabamos por estabelecer uma amizade com todas as bandas. E era muito legal ver eles tocando em casa \u2014 Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi, toda aquela primeira gera\u00e7\u00e3o. E as bandas eram todas muito diferentes. Uma coisa meio CBGB \u2014 faziam parte da mesma cena, mas eram diferentes entre si. Chico Science, Mundo Livre S\/A, Jorge Cabeleira, Faces do Sub\u00farbio e o Devotos \u2014 na \u00e9poca, Devotos do \u00d3dio. E ver os caras ao vivo l\u00e1 era muito impressionante, porque a galera entrava em sintonia total com eles. Estive l\u00e1 em 94 pra fazer a cobertura e, no dia seguinte, fui visit\u00e1-los no Alto Z\u00e9 do Pinho, o que foi muito importante pra comunidade e tamb\u00e9m pra gente. Estive com eles na primeira vinda a S\u00e3o Paulo. Inclusive, passaram uma friaca aqui. E segue at\u00e9 hoje essa rela\u00e7\u00e3o com a banda, sempre vou v\u00ea-los. Avisei: olha, voc\u00eas t\u00eam que estar aqui pra comemorar meu anivers\u00e1rio. Vai ser demais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ABRIL PRO ROCK 1997 MTV BRASIL Lado B PROGRAMA TV COMPLETO COBERTURA FESTIVAL Fabio Massari 90&#039;s\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/do4AESM327I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora, gostaria de fazer uma retrospectiva da tua carreira e desses 60 anos de bons sons. Primeiro, como \u00e9 que come\u00e7ou a tua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica? Teve algum disco espec\u00edfico que despertou o teu interesse? Era uma coisa de fam\u00edlia ou partiu mais de voc\u00ea mesmo?<\/strong><br \/>\nA coisa de fam\u00edlia n\u00e3o foi intensa, n\u00e3o tinha cole\u00e7\u00f5es de discos. Mas tinha uma vitrolinha e uns sete polegadas em casa. Tinha uns sons italianos, uns sons brasileiros. Tinha as coisas brasileiras que ouvia em r\u00e1dio e TV. Secos &amp; Molhados certamente \u00e9 uma das primeiras coisas que causou impacto pra mim. O meu primeiro aut\u00f3grafo \u00e9 do Wilson Simonal, peguei na praia. Eu tinha uns 10 anos, era bem crian\u00e7a. Mas eu decidi, alguns anos atr\u00e1s, que o primeiro disco da minha cole\u00e7\u00e3o \u00e9 um do Alice Cooper, o \u201cMuscle of Love\u201d, de 1973. Em 1974 ele veio pra c\u00e1 e eu fiquei fascinado por aquela figura, com aquelas cobras, tomando n\u00e3o sei quantas latas de cerveja\u2026 N\u00e3o tinha idade pra ir ao show, mas ganhei o disco. E esse disco foi realmente transformador pra mim. Despertou sentimentos que eu n\u00e3o sabia explicar, mas eu sabia que era um treco importante. Tinha um fasc\u00ednio, um certo medo, era muito emocionante ouvir algumas coisas. Eu n\u00e3o entendia ainda as ferramentas, era s\u00f3 uma coisa de sensa\u00e7\u00e3o mesmo. E esse \u00e9 um disco incr\u00edvel. A capa original foi censurada na \u00e9poca, vinha com um envelope. Era a banda na frente de uma boate, com roupa de marinheiro, contando dinheiro, tinha umas garotas\u2026 E, na parte de tr\u00e1s, eles est\u00e3o todos arrebentados no ch\u00e3o, cheios de sangue e tal. E era muito fascinante como som tamb\u00e9m. Depois, eu fui redescobrindo a carreira do Alice Cooper desde o come\u00e7o, quando o Zappa o ajudou, at\u00e9 outros discos. Mas esse continua fascinante pra mim, porque tem um pouco de tudo \u2014 o progressivo do per\u00edodo, o hard rock, o psicod\u00e9lico. Ele est\u00e1 cantando pra caramba nesse disco. A Liza Minelli faz um backing vocal que \u00e9 um treco muito louco. Ent\u00e3o, ainda que j\u00e1 tivesse ouvido outras coisas, esse disco foi muito impactante pra mim. Esse e o primeiro do Secos &amp; Molhados, que tamb\u00e9m vale mais ou menos o mesmo discurso. As m\u00fasicas, a imagem, ainda que eu n\u00e3o entendesse muito bem \u2014 repito, eu tinha 9, 10 anos. E o Elvis foi o primeiro que eu tive v\u00e1rios discos, principalmente o Elvis dos anos 70. Ao vivo no Hava\u00ed, aquelas coisas. S\u00f3 depois que eu fui descobrir o outro Elvis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a coisa do jornalismo, da informa\u00e7\u00e3o sobre m\u00fasica. O que te levou para esse caminho?<\/strong><br \/>\nDesde muito cedo eu passei a curtir a coisa de mexer nos discos, de ouvir as hist\u00f3rias. Gostava muito de ouvir r\u00e1dio. Me lembro, na TV, de r\u00e1pidos flashes do Big Boy, na Globo, nos anos 70. E do Nelson Motta, tamb\u00e9m na Globo, nosso primeiro \u201cproto-VJ\u201d, apresentando alguns v\u00eddeos de rock progressivo: Emerson, Lake and Palmer, Sparks e tal. Ent\u00e3o, desde cedo eu desenvolvi um interesse por esse lado da comunica\u00e7\u00e3o. Fazia listas de filmes, atores e atrizes. A coisa chegou mais ou menos desse jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a\u00ed voc\u00ea foi estudar R\u00e1dio e TV.<\/strong><br \/>\nAntes teve um per\u00edodo que eu fiz Engenharia. Parei em 84, dei um tempo ali e fui pra It\u00e1lia (hist\u00f3ria que conto no meu livro \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/10\/literatura-84-o-album-ingles-e-83-92-um-album-italiano-dois-livros-imperdiveis-de-fabio-massari-para-apaixonados-por-cultura-pop\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">83\/92: Um \u00c1lbum Italiano<\/a>\u201d, que saiu pela <a href=\"https:\/\/www.terrenoestranho.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Editora Terreno Estranho<\/a>). Depois, fiz R\u00e1dio e TV. E a\u00ed, no meio do curso, em 87, o Serginho Groisman, que era meu professor na faculdade, me indicou pra 89 FM. Comecei a trabalhar l\u00e1 em outubro de 1987. Foi quando come\u00e7ou a carreira pra valer mesmo. Primeiro como estagi\u00e1rio, depois na produ\u00e7\u00e3o. Passei a fazer algumas entrevistas. E fiquei na r\u00e1dio at\u00e9 o meio dos anos 90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a tua entrada na MTV? Foi indicado por algu\u00e9m, participou de alguma sele\u00e7\u00e3o? Como rolou esse processo?<\/strong><br \/>\nCheguei por indica\u00e7\u00e3o de uma pessoa com quem trabalhei na 89, a Ione Sassa, que, por muitos anos, foi chefe de programa\u00e7\u00e3o da MTV. Comecei a trabalhar nas internas, na programa\u00e7\u00e3o, em fevereiro de 91. Algumas pessoas j\u00e1 me conheciam por causa do programa Rock Report \u2014 eu j\u00e1 tinha uns quatro anos de r\u00e1dio. Comecei a trabalhar na programa\u00e7\u00e3o, depois no T.A.R. (rela\u00e7\u00f5es art\u00edsticas), fui assistente da diretoria. E, aos poucos, me chamavam pra trocar uma ideia ao vivo em alguns programas \u2014 principalmente a Astrid e o Gast\u00e3o. E eu fazia a programa\u00e7\u00e3o do Cl\u00e1ssicos, do Lado B, da madrugada, Rock Blocks\u2026 A programa\u00e7\u00e3o mais de rock, alternativo e tal. At\u00e9 que um dia, o Thunderbird, que era o apresentador do Lado B, n\u00e3o apareceu pra gravar \u2014 uma hist\u00f3ria j\u00e1 bem conhecida. A\u00ed o Titti, Victor Civita Neto, nosso chefe, falou: \u201cMassa, vai l\u00e1 e faz essa porra a\u00ed, meu\u201d. Fui com a roupa que eu estava mesmo, de agasalho\u2026 Mas fui bem, n\u00e3o tive nenhum tipo de inibi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 conhecia as pessoas, apresentava meu programa na r\u00e1dio, j\u00e1 tinha feito entrevistas, ent\u00e3o n\u00e3o tive esse tipo de dificuldade. A\u00ed me deram o Lado B pra fazer, o programa que fiquei mais tempo fazendo, cerca de sete ou oito anos. Depois, comecei a fazer coberturas de eventos, entrevistas, porque j\u00e1 tinha um pouco mais de cancha de como fazer. Claro que TV \u00e9 diferente de r\u00e1dio, mas a experi\u00eancia do ao vivo na r\u00e1dio foi muito importante nessa fase.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lado B - Mundo C\u00e3o  - Especial Juntatribo 1993\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zvvIyJq2Bd8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pois \u00e9, voc\u00ea ficou marcado justamente por muitos anos apresentando o Lado B. O quanto do programa foi inspirado no 120 Minutes da MTV americana e o quanto surgiu como algo original aqui do Brasil?<\/strong><br \/>\nEsses programas de g\u00eanero existiam na matriz. O Headbanger\u2019s Ball virou o F\u00faria Metal, tinha o Yo! e alguns outros. Depois tamb\u00e9m tivemos um programa chamado 121, apresentado pelo Thunder em externas e com uma programa\u00e7\u00e3o estilo Lado B. N\u00e3o tenho certeza se o nome veio tamb\u00e9m do 120 Minutes, mas a programa\u00e7\u00e3o era similar. E o Lado B, sim, era o 120 Minutes, mas com outro nome. Tanto que usamos muita coisa do 120 Minutes: as performances ao vivo, muitas entrevistas feitas l\u00e1. Foi bem importante, era uma miss\u00e3o mesmo. O programa foi se desenvolvendo e a ideia era apresentar o maior n\u00famero poss\u00edvel de bandas. E tinha a quest\u00e3o dos videoclipes, precisava ter a licen\u00e7a pra transmitir. Tinha um procedimento que \u00e0s vezes emperrava um pouco, mas tamb\u00e9m deu pra passar bastante coisa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"My MTV - F\u00e1bio Massari | MTV Brasil (2013)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9KHkog7730Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao mesmo tempo que voc\u00ea fazia parte da MTV, sinto que voc\u00ea tamb\u00e9m tinha um lado cr\u00edtico \u00e0 emissora. Por exemplo, tocou o clipe de \u201cMTV Get Off the Air\u201d, dos Dead Kennedys. E em entrevistas, como a que voc\u00ea fez com o Buddy Guy, voc\u00ea perguntava sobre o perigo que o poder da MTV trazia\u2026 No papo com o Lou Reed tamb\u00e9m se falou um pouco sobre isso, e ele at\u00e9 faz uma cr\u00edtica a respeito de como gravar um videoclipe custava o dobro do que custava fazer um disco etc. Fale um pouco sobre como voc\u00ea via esse poder da MTV na ind\u00fastria. Isso te incomodava de alguma forma? Com o distanciamento de alguns anos, acha que a MTV fez mais bem ou mais mal pra m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nA MTV, principalmente aqui no Brasil, foi muito importante em muitos vetores. O desenvolvimento da ind\u00fastria de videoclipes, obviamente. O relacionamento com gravadoras e com artistas. A MTV brasileira foi superimportante, n\u00e3o desmereceria de maneira alguma esse impacto. Ao mesmo tempo, no Lado B pod\u00edamos fazer algumas coisas diferentes. Virou quase um carimbo: \u201cLado B\u201d. Eu trabalhava l\u00e1 e tinha consci\u00eancia disso, mas, ao mesmo tempo, tinha uma esp\u00e9cie de guerrilha interna. Eu podia fazer alguns questionamentos sobre a MTV para os artistas e colocar no ar. Pode parecer at\u00e9 uma besteira hoje em dia, mas colocar os Dead Kennedys tocando \u201cMTV Get Off the Air\u201d \u00e9 algo que as outras MTVs do mundo n\u00e3o fariam na \u00e9poca. E pra gente era, tipo, \u201cfaz a\u00ed\u201d. Tinha essa coisa de que a MTV era \u201co inimigo\u201d, \u201ca grande corpora\u00e7\u00e3o\u201d, mas estamos aqui pra subverter a m\u00e1quina por dentro e tal. Ao mesmo tempo, eu e mais algumas pessoas ali t\u00ednhamos uma coisa de \u201cvoc\u00eas podem fazer o que quiserem\u201d. \u201cAh, consegui o clipe proibido do Nine Inch Nails\u201d. A\u00ed era, tipo: \u201cT\u00e1, p\u00f5e no ar, mas n\u00e3o avisa\u201d. A gente tinha essa liberdade mesmo, inclusive de poder questionar a MTV no ar com os artistas. E era louco, porque voc\u00ea via que os artistas ficavam impactados ao perceberem essa possibilidade, e a\u00ed falavam abertamente. Ent\u00e3o, a MTV Brasil sempre foi bacana nesse sentido de deixar a gente critic\u00e1-la, se fosse o caso, muito antes do Caetano pedir pra \u201cbotar essa porra pra funcionar\u201d [<em>Nota do editor: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=34bz8hWYLM8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">epis\u00f3dio famoso<\/a> em que o compositor baiano reclamou do mau funcionamento do som durante apresenta\u00e7\u00e3o do Video Music Brasil, em 2004<\/em>].<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Entrevista com Lou Reed (MTV Brasil - 1996)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6k4-qDVYzE0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro programa que marcou tua passagem pela MTV foi o Todos os Festivais do Mundo. Conta um pouco sobre como surgiu a ideia desse programa.<\/strong><br \/>\nEsse programa foi provavelmente a coisa mais legal que eu fiz l\u00e1. Era um projeto que eu fiquei um tempo buzinando no ouvido das pessoas l\u00e1 dentro. At\u00e9 que chegou uma hora que acabou rolando. E, se n\u00e3o me engano, tinha um neg\u00f3cio de \u201cprecisamos de quatro cotas de patroc\u00ednio\u201d, porque era uma equipe grande, de seis pessoas viajando\u2026 Quando conseguimos a primeira cota, que bancava tudo, \u201cah, t\u00e1 beleza, para de encher o saco, vai l\u00e1 e faz\u201d. Ent\u00e3o, a gente desenhou esse programa maluco de ir pros festivais. Equipe grande, com c\u00e2mera pesada, \u00e1udio, produtor&#8230; Uma coisa impens\u00e1vel hoje em dia, mandar seis pessoas pra Dinamarca, depois pra Su\u00ed\u00e7a, depois pra Calif\u00f3rnia, duas vezes pra Inglaterra\u2026 Foi um projeto incr\u00edvel, a gente fez seis festivais. Sex Pistols no Finsbury Park, que foi a volta dos Pistols num pequeno festival. Depois Reading, Phoenix [ambos na Inglaterra], Pal\u00e9o na Su\u00ed\u00e7a, Roskilde na Dinamarca e Lollapalooza em San Jose. Foram seis pernas, e era uma loucura, porque a gente gravava os shows, entrevistava as bandas, corria de um lado pra outro. E foi interessante ver como as outras TVs trabalhavam. A gente trabalhava muito mais do que todo mundo. A MTV Europa gravava dois shows e duas entrevistas. A gente gravava nove shows e 10 entrevistas num dia. E foi legal ver esse trabalho reconhecido ali, muitas vezes em conversa com bandas, com empres\u00e1rios. O empres\u00e1rio da Patti Smith chegou pra gente e falou: \u201cO que voc\u00eas quiserem fazer com a gente, \u00e9 s\u00f3 chamar que a gente vai\u201d. Pra mim foi uma das coisas mais legais mesmo, n\u00e3o s\u00f3 por poder ir a todos esses festivais, mas tamb\u00e9m por ver todo o funcionamento. Tinha acesso ao Vince Power, organizador dos festivais de Reading e Phoenix, oportunidade de trocar ideia com a Patti Smith, conhecer bandas\u2026 A gente estava no Roskilde, e o Nick Cave n\u00e3o ia dar entrevista pra ningu\u00e9m naquele festival. A\u00ed uma das produtoras do evento falou que a gente estava l\u00e1 e ele veio na hora falar \u2014 a gente j\u00e1 tinha se cruzado antes. Passou o Warren Ellis, parceiro musical do Cave, na \u00e9poca com a banda dele, o Dirty Three. A\u00ed o Nick Cave fala: \u201cP\u00f4, voc\u00ea devia estar entrevistando um cara como ele\u201d. A\u00ed falei: \u201cP\u00f4, j\u00e1 entrevistei\u201d [risos].<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Todos os Festivais do Mundo (Reading Festival 1996, MTV)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PHWpbi84978?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea ainda frequenta festivais de m\u00fasica, tanto no Brasil quanto fora? Qual sua vis\u00e3o sobre os festivais de m\u00fasica hoje? Ainda gosta do formato? N\u00e3o acha que a coisa ficou comercial demais, com muitas ativa\u00e7\u00f5es de marcas, pre\u00e7os exorbitantes etc.? O que te faz sair de casa pra encarar horas de shows?<\/strong><br \/>\nEu vou em alguns, de vez em quando. N\u00e3o vou mais nesses megafestivais\u2026 Eu vou, eventualmente, no festival do L\u00facio [Ribeiro], o Popload. O \u00faltimo festival legal que eu fui, e certamente um dos mais legais que eu fui na vida, \u00e9 o Levitation, no Texas. Apesar de ser um festival do s\u00e9culo XXI, \u00e9 muito diferente dessa coisa das marcas. \u00c9 bem low-profile, nesse sentido \u2014 numa fazenda, outro tipo de vibe mesmo. Eu sempre gostei mais de shows em clubes, lugares pequenos, teatros. Do Marquee ao Fillmore, da Funhouse \u00e0 Fenda, ao FFFront e at\u00e9 o Audio. Eu prefiro ver show assim. Festival \u00e9 uma outra experi\u00eancia, ent\u00e3o, hoje em dia eu prefiro um festival com essa vibe mais relaxada, ou ver show em clube. Tenho ido bastante nos clubinhos aqui de S\u00e3o Paulo, toda semana vou ver alguma coisa. Show pra 60, 80 pessoas. Vai ser dif\u00edcil achar uma banda hoje em dia pra me tirar de casa e ir longe pra ver, num festival muito mega. E o primeiro festival que eu fui foi o Monsters of Rock, l\u00e1 na Inglaterra, em 84, Castle Donington. Foi t\u00e3o louco que eu pensei: \u201cvou s\u00f3 de vez em quando\u201d. Me concentro mais nos shows em clube e teatro, porque \u00e9 outro tipo de aprecia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O LADO B da MTV\u00ea \u2b50\ufe0f\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLvZ6UZ62jzgdThR0MGxpr5a0MGKxzBPqa\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente voc\u00ea e o Gast\u00e3o lan\u00e7aram um programa especial no YouTube, O Lado B da MTV\u00ea. Voc\u00eas contaram v\u00e1rias hist\u00f3rias incr\u00edveis ali, inclusive uma engra\u00e7ad\u00edssima sobre a esposa do Duff McKagan\u2026 Como foi resgatar essas mem\u00f3rias?<\/strong><br \/>\nAo longo dos anos, a \u00fanica coisa que eu n\u00e3o curto muito quando o assunto \u00e9 os tempos de MTV \u00e9 a coisa saudosa. \u201cAi, como era legal, era t\u00e3o bom\u201d&#8230; As coisas s\u00e3o assim. Fiquei 12 anos l\u00e1, tive um milh\u00e3o de experi\u00eancias positivas. Mas era um ambiente de trabalho, ent\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio que tinha problemas e coisas negativas tamb\u00e9m. Eu adoro contar as hist\u00f3rias mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o tenho essa coisa chorosa. De vez em quando, vejo umas entrevistas e fico meio assim\u2026 \u201cEu estava l\u00e1 e vi outra coisa\u201d [risos]. Mas tudo bem. E o lance do programa com o Gast\u00e3o foi um pouco isso tamb\u00e9m. Entre n\u00f3s, sempre contamos hist\u00f3rias um pro outro. E chegou uma hora em que pensamos em jogar na mesa. Fazia 20 anos que eu tinha sa\u00eddo da TV, e ele havia sa\u00eddo h\u00e1 25 anos. Ent\u00e3o, decidimos juntar hist\u00f3rias, memorabilia que a gente foi guardando ao longo do tempo, e fomos contar nos programas. Foi muito divertido de fazer. E o resultado impactou muitas pessoas, de maneiras diferentes. Muita gente se identificou com algo naquelas hist\u00f3rias. At\u00e9 eu acabei redescobrindo coisas com mais intensidade. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UI9Kvm6niS4&amp;list=PLvZ6UZ62jzgdThR0MGxpr5a0MGKxzBPqa&amp;index=7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Esse epis\u00f3dio do Guns N\u2019 Roses<\/a> a gente sempre lembrava, porque era algo muito peculiar. A gente no banheiro, com a mulher do cara\u2026 Mas n\u00e3o encontr\u00e1vamos registros disso, at\u00e9 que o Gast\u00e3o conseguiu num site gringo. E \u00e9 o que as imagens mostram, aquela mesa comprida com a galera da banda num restaurante. E o bom de a gente relembrar disso juntos \u00e9 que eu lembrava de algumas coisas, e o Gast\u00e3o de outras. Eu mesmo n\u00e3o lembrava do Matt Sorum estar l\u00e1. Eu lembrava mais do Duff, que estava perto de mim. E a\u00ed tem esse epis\u00f3dio do banheiro\u2026 Como \u00e9 que a gente falou? Um \u201cch\u00e1 de ervas daninhas\u201d, \u201cdefumar o ambiente\u201d, alguma coisa assim, pra n\u00e3o deixar t\u00e3o escancarado [Na verdade, na s\u00e9rie Massari se refere a uma \u201ccelebra\u00e7\u00e3o em ritmo de Bob Marley\u201d]. E a\u00ed ele aparece: \u201cHey, guys\u2026\u201d. E a gente l\u00e1, no banheiro com a esposa do cara [risos].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como ficou a segunda temporada do programa? Ainda pode rolar?<\/strong><br \/>\nA gente est\u00e1 de boa no momento. A gente curtiu muito fazer, o resultado foi muito legal de ver. E a gente chegou a rabiscar algumas hist\u00f3rias, daria pra fazer uma segunda temporada. Mas sem previs\u00e3o e sem pressa tamb\u00e9m. O legal foi recuperar alguns materiais que eu nunca tinha visto, como uma entrevista que fiz com o Mark Knopfler, outra com o Marilyn Manson. E teve uma coisa que eu pedi e a gente n\u00e3o conseguiu, que foi a ida do Neil Gaiman \u00e0 MTV. Isso foi em 94, 95, na primeira vez que ele veio pra c\u00e1, fazendo um lan\u00e7amento pela Conrad. Falei com o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/04\/literatura-hq-e-baloes-de-pensamento-2-dao-aula-sobre-quadrinhos-sem-esquecer-de-divertir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rog\u00e9rio [de Campos<\/a>, fundador da editora Conrad]: \u201cD\u00e1 pra mandar ele a\u00ed?\u201d. Ele passou a tarde com a gente l\u00e1, apresentou clipe e tal. Mas era um programa desses di\u00e1rios, acho que era o Cl\u00e1ssicos. N\u00e3o era um programa especial. Ent\u00e3o, acho que n\u00e3o deve ter ficado nada nos arquivos. Pra achar, s\u00f3 se algu\u00e9m gravou em VHS em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea puxou o papo de quadrinhos, conta <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/22\/aniquilacao-malcolm-e-dois-irmaos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como surgiu o projeto da HQ \u201cMalcolm\u201d<\/a> (Edi\u00e7\u00f5es Ideal), na qual voc\u00ea e o quadrinista Luciano Thom\u00e9 transformaram uma entrevista que voc\u00ea fez com o eterno empres\u00e1rio dos Sex Pistols, Malcolm McLaren, em uma graphic novel.<\/strong><br \/>\nEssa tamb\u00e9m \u00e9 uma das coisas mais legais que eu fiz. Foi logo depois da morte dele. Uma das entrevistas que eu tinha guardado \u2014 o registro bruto mesmo, em VHS \u2014 foi essa. E tamb\u00e9m a do David Gilmour e algumas outras, que na hora eu fui l\u00e1 e gravei \u2014 at\u00e9 porque a TV apagava e reaproveitava as fitas. Voc\u00ea fazia uma entrevista de 50 minutos, usava s\u00f3 10, e o resto era apagado. Mas eu sempre tive essa coisa dos registros, dos meus arquivos e tal. E por uma dessas maluquices, eu tinha ela transcrita no papel. N\u00e3o sei como aconteceu um neg\u00f3cio desses. Depois que ele morreu, revisitei o material e falei: \u201cNossa, que entrevista louca, quanta informa\u00e7\u00e3o tem aqui\u201d. Pensei em fazer o quadrinho e chamei o Luciano Thom\u00e9, que fez uma pesquisa muito, muito profunda. Toda resposta que o Malcolm McLaren d\u00e1, ele foi atr\u00e1s da imagem oficial. E \u00e9 o tipo de entrevista que precisava virar um document\u00e1rio ou um quadrinho, porque daria muito pra ilustrar a partir dos coment\u00e1rios dele. Gosto demais desse quadrinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E j\u00e1 pensou em alguma outra entrevista que poderia render uma HQ?<\/strong><br \/>\nPensei, mas n\u00e3o posso adiantar porque ela j\u00e1 foi e j\u00e1 veio algumas vezes. Mas \u00e9 uma desse porte, gente grande e entrevista longa. Quase que rolou esse ano. Mas 2024 est\u00e1 muita loucura j\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 a tua rela\u00e7\u00e3o com quadrinhos? Consome, coleciona?<\/strong><br \/>\nGosto, gosto bastante. Longe de ser um especialista. Gosto de coisas pontuais, espec\u00edficas. Gosto muito do Bilal. Gosto de uns quadrinhos alternativos. Daquela galera do Nordeste l\u00e1, o Amaral, da revista Hipocampo. Moebius, Dionnet, essa turma. As grifes italianas, Crepax, Liberatore, Mattotti, Pazienza. E, claro, personagem de cabeceira, o bom e velho Dylan Dog!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem algu\u00e9m que voc\u00ea gostaria de ter entrevistado, mas n\u00e3o rolou? Pode ser alguma hist\u00f3ria de entrevista que quase rolou mas foi cancelada em cima da hora, ou at\u00e9 mesmo algu\u00e9m que nunca esteve perto de acontecer, mas voc\u00ea gostaria que tivesse acontecido\u2026<\/strong><br \/>\nDurante muito tempo queria ter entrevistado o Jerry Garcia, enquanto ele estava vivo. Mas a lista seria muito grande. No caso de entrevista que quase rolou, a primeira que me ocorre \u00e9 a Debbie Harry, do Blondie. Sou muito f\u00e3 da primeira fase da banda. Uma das minhas maiores cole\u00e7\u00f5es individuais de um artista \u00e9 do Blondie \u2014 tenho muitos piratas, compactos, raridades. Sempre fui um entusiasta da banda. Em 96, a Debbie ainda n\u00e3o tinha voltado com o Blondie, e estava se apresentando em alguns festivais com uma banda chamada Jazz Passengers. Ela cantava alguns standards do jazz e algumas do Blondie, acompanhada por uma banda de jazz muito saxofon\u00edstica, ou algo parecido. E era muito legal. Eles se apresentaram no Phoenix 96, que foi organizado pelo pessoal do Reading Festival. Os headliners eram Bowie, Bj\u00f6rk, Neil Young, Sex Pistols\u2026 Mas apesar do gigantismo e da qualidade, esse festival n\u00e3o deu muito certo. No segundo palco, justamente, apresentavam-se os Jazz Passengers com a Debbie Harry. Est\u00e1vamos l\u00e1 por ocasi\u00e3o do Todos os Festivais do Mundo. A gente tentou, de qualquer maneira, fazer a entrevista. E, num primeiro momento, a assessora liberou. Eu j\u00e1 estava superanimado que ia conhecer a Debbie Harry, que eu acompanhava h\u00e1 tanto tempo. Mas a\u00ed come\u00e7ou o papo de \u201cdaqui a pouco vem\u201d, deram uma enrolada. At\u00e9 que falaram que seria melhor entrevistar outra pessoa da banda. E a gente ficou, \u201ccomo assim?\u201d, mas n\u00e3o teve jeito. Acabamos n\u00e3o fazendo a entrevista. E n\u00e3o foi de birra, e sim porque n\u00e3o teria interesse nesse material sem a Debbie falando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi a tua sa\u00edda da MTV? Ficou algum sabor amargo nesse processo?<\/strong><br \/>\nMinha sa\u00edda foi muito redonda, no sentido de que eu pedi a conta, n\u00e9? Eu entrei em fevereiro de 1991 e, em fevereiro de 2003, numa reuni\u00e3o para ver o que iria rolar no ano, acabei pedindo a conta. Estava um pouco cansado e me sentindo um pouco sozinho ali. Se a gente pensar nos primeiros anos de guerrilha interna e de acreditar na miss\u00e3o, era um per\u00edodo j\u00e1 de mudan\u00e7a de cabe\u00e7a, digamos assim, da TV. A m\u00fasica era um pouco menos importante do que j\u00e1 tinha sido. Eu estava sem interlocutores, nesse sentido, l\u00e1. Eu era muito bem tratado, tinha o respeito da galera, fazia o Jornal da MTV, que era um programa muito bacana de fazer. Foi a \u00faltima coisa que eu fiz. Depois do Lado B, veio o Mondo Massari, que foi um programa muito importante pra mim, porque levava meu nome e tal. E explorava a oportunidade de ter acesso \u00e0s MTVs do mundo inteiro, passar clipe da R\u00fassia, do Jap\u00e3o\u2026 Parecia muito f\u00e1cil, no papel. S\u00f3 que era dif\u00edcil conseguir as licen\u00e7as e tal. Mas foi muito legal de fazer, foram dois anos. Entrevistei Molotov, Control Machete\u2026 \u00c0s vezes vinha algu\u00e9m tipo a Marianne Faithfull, John Cale. E a\u00ed, depois, fui fazer o Jornal, que foi legal tamb\u00e9m, porque durante muito tempo eu tinha a imagem mais ligada ao Lado B \u2014 apesar de ter feito entrevistas grandes, como Rolling Stones, Metallica, Cranberries, que abriam um pouco mais o leque. Ent\u00e3o, entrevistei de Celly Campello e Itamar Assump\u00e7\u00e3o a Sabotage e MV Bill. Foi muito legal fazer o Jornal por conta disso, ter a oportunidade de trocar ideia com artistas que, durante muito tempo, n\u00e3o que eu tenha evitado, mas que, em muitos casos, eu achava que outros apresentadores poderiam fazer entrevistas melhores. P\u00f4, fui na casa do Itamar Assump\u00e7\u00e3o, n\u00e9, meu? Isso \u00e9 uma coisa que me toca profundamente at\u00e9 hoje. Ele j\u00e1 estava doente. Foi sensacional estar perto dele. E eu n\u00e3o me considerava nem preparado pra trocar ideia com ele no mesmo n\u00edvel, saca? Ele me tratou superbem. \u201cP\u00f4, Massar\u00e3o, que bom que voc\u00ea veio a\u00ed\u201d. Ent\u00e3o, fechei ali com o Jornal. Mas j\u00e1 estava com 12 anos de casa, j\u00e1 tinha feito o rol\u00ea completo. A TV estava mudando um pouco de cabe\u00e7a, pensando em outro tipo de programa, os musicais estavam perdendo um pouco a for\u00e7a. Acho que a TV n\u00e3o soube muito bem acompanhar a mudan\u00e7a de paradigmas, com a internet. A MTV tinha que ter chamado o jogo e falado: \u201cM\u00fasica? Deixa com a gente, a gente toma conta disso\u201d. Mas a\u00ed, preferiram n\u00e3o fazer isso e fazer outro tipo de programa. Isso n\u00e3o \u00e9 nem uma cr\u00edtica. \u00c9 fato, n\u00e9? E, de l\u00e1 pra c\u00e1, estou me dedicando aos livros. Tamb\u00e9m trabalhei na Oi FM e fiz um programa com o L\u00facio Ribeiro no iG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente foi lan\u00e7ado o filme \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/25\/aumenta-que-e-rocknroll-filme-sobre-a-maldita-radio-fluminense-e-divertido-romantico-e-musicalmente-inveterado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aumenta que \u00e9 Rock n\u2019 Roll<\/a>\u201d, que conta a hist\u00f3ria da r\u00e1dio Fluminense FM, \u201cA Maldita\u201d, no Rio de Janeiro. Acha que a hist\u00f3ria da MTV Brasil renderia um filme?<\/strong><br \/>\nUm livro da MTV seria muito legal. Mas \u00e9 uma tarefa complicad\u00edssima. Pra voc\u00ea fazer um livro decente, escola Ruy Castro de biografia, voc\u00ea necessariamente teria que falar com um monte de gente e tal. Eu acho uma tarefa herc\u00falea e n\u00e3o vejo ningu\u00e9m encarando isso no momento. Voc\u00ea pode fazer o seu livro, n\u00e9? O Thunder fez o dele, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/25\/entrevista-zico-goes-ex-frontman-da-mtv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o Zico G\u00f3es fez o dele<\/a>. Agora, pra fazer um livro contando a hist\u00f3ria de 20 e poucos anos de uma TV como a MTV, com tudo que aconteceu, com as pessoas que passaram e as rela\u00e7\u00f5es e tal, eu acho complicado. Mas adoraria ler. Um filme? \u00c9 poss\u00edvel. Faz um corte ali\u2026 Mas, como entusiasta do formato, eu adoraria ler um livro. Seria muito bacana, mas acho dif\u00edcil.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/massari1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Est\u00e1 desenvolvendo algum projeto agora? O que podemos esperar do Massari nos pr\u00f3ximos 60 anos?<\/strong><br \/>\nPros pr\u00f3ximos 60 anos\u2026 [risos] Os \u00faltimos projetos que eu lancei foram o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/10\/literatura-84-o-album-ingles-e-83-92-um-album-italiano-dois-livros-imperdiveis-de-fabio-massari-para-apaixonados-por-cultura-pop\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201c\u00c1lbum Ingl\u00eas\u201d e o \u201c\u00c1lbum Italiano<\/a>\u201d. Fiquei muito feliz de ter feito esses livros, adoro o resultado, tamb\u00e9m est\u00e3o dentro das coisas mais legais que eu fiz. Eu tinha a ideia de continuar esse projeto dos \u00e1lbuns, mas tamb\u00e9m tenho vontade de fazer outras coisas, quase sempre pensando em projeto de livro mesmo, que \u00e9 o que eu acho mais legal. Queria publicar algumas coisas que n\u00e3o tem muito a ver com esse universo mais imediato de m\u00fasica e tal. Nesse universo dos bons sons tamb\u00e9m teria v\u00e1rios projetos, claro, mas nesse ano dos 60, estou deixando o barco correr por conta dos eventos e das festas, at\u00e9 pra poder pensar o que fazer a\u00ed pros pr\u00f3ximos 60 anos. Os livros t\u00eam um ritmo particular, \u00e9 dif\u00edcil de ganhar dinheiro, mas \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o faz\u00ea-los. Ent\u00e3o, a gente continua tentando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra fechar, queria propor uma brincadeira. Voc\u00ea poderia recomendar um disco para cada d\u00e9cada de vida? Pode ser o mais ouvido em cada d\u00e9cada, o que mais curtiu, o que mais te marcou ou outra raz\u00e3o\u2026<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 quando posso desistir e querer trocar tudo? No caso, s\u00e3o discos prediletos, gosto muito, ou\u00e7o sempre e tal. Duas listas, ent\u00e3o, nacional e internacional, pra facilitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Nacional &#8211; <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/4sdsIsuyJiIhE6EL0mGqt3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Playlist<\/a><\/em><br \/>\n&#8211; Gal Costa \u2014 \u201cGal Costa\u201d (1969)<br \/>\n&#8211; Walter Franco \u2014 \u201cRevolver\u201d (1975)<br \/>\n&#8211; Vzyadoq Moe \u2014 \u201cO \u00c1pice\u201d (1988)<br \/>\n&#8211; J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3 \u2014 \u201cA S\u00e9tima Efervesc\u00eancia\u201d (1997)<br \/>\n&#8211; Os The Darma L\u00f3vers \u2014 \u201cB\u00e1sico\u201d (2002)<br \/>\n&#8211; Supercordas \u2014 \u201cTerceira Terra\u201d (2015)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Internacional &#8211; <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/0f2iSivQtZRhw2rpFQiKMR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Playlist<\/a><\/em><br \/>\n&#8211; 13th Floor Elevators \u2014 \u201cThe Psychedelic Sounds of\u2026\u201d (1966)<br \/>\n&#8211; The Sensational Alex Harvey Band \u2014 \u201cThe Impossible Dream\u201d (1974)<br \/>\n&#8211; The Fall \u2014 \u201cPerverted by Language\u201d (1983)<br \/>\n&#8211; Massive Attack \u2014 \u201cMezzanine\u201d (1998)<br \/>\n&#8211; Mars Volta \u2014 \u201cFrances the Mute\u201d (2005)<br \/>\n&#8211; Baxter Dury \u2014 \u201cHappy Soup\u201d (2011)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Cranberries Entrevista MTV   Programa Fan\u00e1tico   F\u00e1bio Massari\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zK-3oXklemQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Antiga MTV Brasil: F\u00e1bio Massari Entrevista Bjork (1996)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Fx_mvC3jK-g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jornal da MTV 2002 - F\u00e1bio Massari entrevista Rush, ALL (Descendents) e Ricardo Alexandre\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vfCEwIY1nCs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Tissot (<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.leonardotissot.com<\/a>) \u00e9 jornalista e produtor de conte\u00fado.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/leonardo-tissot\/\">Leia outros textos de Leonardo!<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No papo, Massari conta qual o primeiro disco que fez sua cabe\u00e7a, por que n\u00e3o sente saudades da MTV Brasil, quem gostaria de ter entrevistado mas n\u00e3o conseguiu, por que n\u00e3o vai a megafestivais&#8230; \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/09\/entrevista-aos-60-fabio-massari-nao-cansa-de-fazer-coisas-legais-e-conta-de-varias-delas-nessa-conversa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":63,"featured_media":83420,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6538],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83415"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83415"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83415\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83910,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83415\/revisions\/83910"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}