{"id":8319,"date":"2011-04-06T09:27:52","date_gmt":"2011-04-06T12:27:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8319"},"modified":"2023-03-29T00:15:24","modified_gmt":"2023-03-29T03:15:24","slug":"pernambuco-alem-da-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/pernambuco-alem-da-critica\/","title":{"rendered":"Pernambuco al\u00e9m da cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8320 aligncenter\" title=\"pernambuco_china\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/pernambuco_china.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/pernambuco_china.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/pernambuco_china-300x249.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/thiagovenanzoni\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thiago Venanzoni<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na garoa de uma sexta-feira qualquer, desembarcam no aeroporto de Congonhas, em S\u00e3o Paulo, jovens de Pernambuco que diziam fazer o chamado Manguebeat, estilo de m\u00fasica que, grosso modo, mistura a batida do maracatu e sons regionais com instrumentos el\u00e9tricos, mas que na realidade vai muito al\u00e9m disso. Pupilo, Otto, Fred 04, Lucio Maia e Chico Science eram alguns desses que partiam, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 90, para tocar em festivais universit\u00e1rios e pequenas casas noturnas de S\u00e3o Paulo, desbravando, como verdadeiros migrantes nordestinos, a cidade grande e o sul do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que hoje \u00e9 conhecido como um marco nacional, naquela \u00e9poca ainda era completamente novo. Os expoentes do Manguebeat queriam fazer m\u00fasica e cada um \u00e0 sua maneira. Otto, um dos mais experimentais, afirmou algumas vezes que havia entre eles uma rivalidade sadia, na qual um queria se diferenciar musicalmente do outro. Por essa raz\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel presenciar na cena uma composi\u00e7\u00e3o t\u00e3o diversa da outra, mesmo que colocassem, j\u00e1 naquela \u00e9poca, tudo em um mesmo r\u00f3tulo (indevido, diga-se).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz\u00e3o da rotula\u00e7\u00e3o \u00e9 bem simples: tratava-se de algo estranho aos grandes centros, como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, e por todos serem de uma mesma regi\u00e3o, o agrupamento indevido aconteceu. A cr\u00edtica criou uma confus\u00e3o, f\u00e1cil de ser resolvida, mas que ainda, por insist\u00eancia de alguns, permanece no senso comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Sp7x5uToyys\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Sp7x5uToyys\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, como afirma o cantor China, \u201cRecife (e Pernambuco) tem m\u00fasica ruim, como qualquer lugar, mas \u00e9 onde se faz a melhor m\u00fasica do Brasil!\u201d. O discurso nada burocr\u00e1tico do m\u00fasico tem sua raz\u00e3o de existir. N\u00e3o s\u00f3 para dizer que h\u00e1 diversidade na m\u00fasica do estado, como tamb\u00e9m afirmar que h\u00e1 muita qualidade. A recente gera\u00e7\u00e3o de Momboj\u00f3, do pr\u00f3prio China \u2013 em carreira solo \u2013, da n\u00e3o t\u00e3o recente Eddie, de Jr. Black, Catarina Dee Jah, A Banda de Joseph Tourton, Karina Buhr, Orquestra Contempor\u00e2nea de Olinda, entre outras, reafirma a exclama\u00e7\u00e3o colocada acima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos exemplos colocados, Momboj\u00f3, se traduz simbologicamente para a dita diversidade musical. Em seu mais recente \u00e1lbum, \u201cAmigo do Tempo\u201d, lan\u00e7ado em junho do ano passado, ouve-se uma banda em profundo redescobrimento harm\u00f4nico, situando-se em outras lacunas musicais que se diferem dos dois primeiros discos, \u201cNadadenovo\u201d e \u201cHomem Espuma\u201d \u2013 esses dois, j\u00e1 diferentes entre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas na mudan\u00e7a estrutural do Momboj\u00f3 como grupo, com a sa\u00edda de um integrante e o tr\u00e1gico falecimento de outro, mas tamb\u00e9m em uma busca constante pelo movimento, pela mudan\u00e7a. Como dizem em sua can\u00e7\u00e3o \u201cJustamente\u201d, do disco de 2010, \u201cTodo dia muda alguma coisa e n\u00e3o sou a mesma pessoa de algumas horas atr\u00e1s\u201d. Apesar da altern\u00e2ncia de valores e sentimentos de suas can\u00e7\u00f5es, o Momboj\u00f3 n\u00e3o perde a identidade, nem do Recife, e nem a constru\u00edda desde a sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OpWE1XILW24\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OpWE1XILW24\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">China acredita que o Pernambuco n\u00e3o se pode restringir apenas ao que houve no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, cena a qual participou ativamente com sua antiga banda Sheik Tosado. Por\u00e9m, n\u00e3o nega \u2013 e nem deve negar \u2013 que a turma que veio antes, do Manguebeat, foi, e ainda \u00e9, de suma import\u00e2ncia para o que se faz atualmente no Estado. \u201cA nossa \u00faltima grande refer\u00eancia em Pernambuco tinha sido Alceu Valen\u00e7a, ainda da d\u00e9cada de 1970 e 1980. O \u2018mangue\u2019 trouxe uma renova\u00e7\u00e3o na m\u00fasica local muito sentida e respeitada.\u201d, completa o m\u00fasico. De fato, as refer\u00eancias diversas e o modo autoral de composi\u00e7\u00e3o nascido no estilo s\u00e3o as caracter\u00edsticas que permanecem vivas entre os atuais m\u00fasicos, e n\u00e3o apenas ao que se restringe \u00e0 antropofagia e regionalidade do Manguebeat, como comparam por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os quase desconhecidos, a cantora e compositora Catarina Dee Jah compartilha dessa opini\u00e3o. Para ela, tudo faz parte do desenvolvimento natural que o tempo tr\u00e1s e da revolu\u00e7\u00e3o na troca de informa\u00e7\u00f5es que hoje voa junto com a internet. Apesar de considerar isso algo bom, pondera e polemiza sobre o que se faz hoje em seu estado: \u201cO Manguebeat foi a ponta de lan\u00e7a de tudo o que est\u00e1 acontecendo, mas hoje sobra est\u00e9tica e falta conte\u00fado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dona de um estilo \u00fanico e distante de quase tudo que se faz no pa\u00eds, com influ\u00eancias do soundsystem jamaicano, Bollywood e punk rock, Catarina \u2013 que em alguns momentos recebe a alcunha de \u201cJoelma punk\u201d \u2013 atrela a sua liberdade e seu conhecimento musical, e a de todo estado, \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o citada: \u201cAntes n\u00e3o existia uma cena, n\u00e3o existiam profissionais e t\u00e9cnicos, tudo isso foi formado a partir daquela \u00e9poca com as primeiras turn\u00eas internacionais e as primeiras edi\u00e7\u00f5es do Abril pro Rock (festival de rock mais importante do Recife). Somos comprometidos com a m\u00fasica, isso est\u00e1 intr\u00ednseco na nossa maneira de falar, compor e viver.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/tnkJop50_fo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/tnkJop50_fo\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma toada est\u00e3o os garotos instrumentais da Banda de Joseph Tourton. Para eles, n\u00e3o tem como dizer que n\u00e3o h\u00e1 nada do estilo encabe\u00e7ado por Chico Science na m\u00fasica que \u00e9 feita hoje em Pernambuco, porque, afinal, ele \u201cmexeu na hist\u00f3ria da can\u00e7\u00e3o pernambucana\u201d. Apesar disso, at\u00e9 por serem bem novos, defendem a opini\u00e3o que este n\u00e3o existe mais e seu tempo j\u00e1 passou, ideia contemplada por alguns que fazem m\u00fasica por l\u00e1.\u201cNo nosso caso n\u00e3o fazemos m\u00fasicas &#8220;manguebeat&#8221;, fazemos o som que n\u00f3s gostamos de fazer: que nada mais \u00e9 do que todas as influ\u00eancias dos integrantes unidas e sintetizadas.\u201d, afirma Gabriel, um dos integrantes. A Banda de Joseph Tourton, que mescla influ\u00eancias de m\u00fasica do mundo inteiro em um som instrumental, \u00e9 outra que reflete a qualidade musical, e, principalmente, a diversidade que se apresentam atualmente no Pernambuco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Manguebeat foi algo que teve \u2013 e tem \u2013 uma import\u00e2ncia fundamental para a propaga\u00e7\u00e3o do Pernambuco hoje e isso \u00e9 um fato que nunca ser\u00e1 alterado. Por\u00e9m, as influ\u00eancias mudaram e a diversidade musical aumentou, o que desvencilha, um pouco mais, o que ocorre agora com o que houve antes. Deixando as claras, a m\u00fasica do estado est\u00e1 em um processo de amadurecimento, que busca outras musicalidades e outros suportes. Como diz Catarina Dee Jah, Pernambuco tem uma profus\u00e3o de estilos que vai desde a cultura popular renovada \u00e0 bandas de infinitos estilos sonoros. Ou seja, h\u00e1 no estado uma liberdade de cria\u00e7\u00e3o e originalidade que n\u00e3o se v\u00ea no resto do pa\u00eds, o que coloca a dita cena musical contempor\u00e2nea pernambucana muito al\u00e9m de um estilo, de um r\u00f3tulo e, principalmente, da cr\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/woxt3NpyfLc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/woxt3NpyfLc\"><\/embed><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Thiago Venanzoni\n\u201cA nossa \u00faltima grande refer\u00eancia em Pernambuco tinha sido Alceu Valen\u00e7a. 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