{"id":8314,"date":"2011-04-06T08:59:31","date_gmt":"2011-04-06T11:59:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8314"},"modified":"2019-04-06T17:49:44","modified_gmt":"2019-04-06T20:49:44","slug":"tie-a-alegre-tecela-do-dia-a-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/tie-a-alegre-tecela-do-dia-a-dia\/","title":{"rendered":"Ti\u00ea, a alegre tecel\u00e3 do dia-a-dia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8315 aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"tie_coruja\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/tie_coruja.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/tie_coruja.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/tie_coruja-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/tie_coruja-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>p<\/strong><strong>or <a href=\"http:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De primeira escutada, \u201cA Coruja e o Cora\u00e7\u00e3o\u201d, o segundo disco da cantora paulistana Ti\u00ea parece uma natural continua\u00e7\u00e3o de seu primeiro trabalho, \u201cSweet Jardim\u201d. O \u00e1lbum lan\u00e7ado em 2008 era marcado por uma melancolia em m\u00fasicas trist\u00edssimas como &#8220;Te Valorizo&#8221;, &#8220;Assinado Eu&#8221; e &#8220;A Bailarina e O Astronauta&#8221;. Por\u00e9m, em seu final, surgia a faixa-t\u00edtulo, uma redentora can\u00e7\u00e3o que conseguia observar a beleza existente em per\u00edodos infelizes (&#8220;Esse perfume de alecrim \/ Trouxe de volta um sonho bom \/ Posso at\u00e9 olhar pela janela \/ E recitar &#8220;une petit chanson&#8221;) e parecia abrir caminho para uma \u00e9poca mais feliz. \u00c9 nessa atmosfera que, dois anos depois, surge \u201cCoruja\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O universo referencial da cantora permanece o mesmo: paix\u00f5es r\u00e1pidas, flertes, ch\u00e1s verdes, passarinhos, varandas, saudades. Entretanto, musicalmente \u00e9 como se ela tivesse &#8220;apertado o interruptor da felicidade&#8221;: no lugar de certo minimalismo &#8220;pra baixo&#8221;, calcado em piano, viol\u00e3o e voz (que se faz presente em \u201cCoruja\u201d na can\u00e7\u00e3o &#8220;Te Mere\u00e7o&#8221;), seus arranjos soam, na maioria das vezes, mais alegres, com o uso de bandolins, acordeons, banjos, dobros e conven\u00e7\u00f5es de metais festivas. \u00c9 um disco confort\u00e1vel, gostoso de ouvir, carism\u00e1tico, que segue a ideia de mostrar a realidade atrav\u00e9s de certas idiossincrasias do cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhada por uma competente banda (liderada pelo produtor Pl\u00ednio Profeta e com direito a participa\u00e7\u00f5es especiais de Marcelo Jeneci e H\u00e9lio Flanders), \u00e9 desse jeito que, de certa maneira, \u00e9 poss\u00edvel sentir que Ti\u00ea continua a contar hist\u00f3rias comuns. Narrativas como as de dias nos quais deixou o tempo passar (&#8220;Na Varanda da Liz&#8221;, prima pr\u00f3xima de &#8220;Ef\u00eamera&#8221;, de Tulipa Ruiz) ou queria ficar alegre para compensar a aus\u00eancia de &#8220;um algu\u00e9m&#8221; (&#8220;Para Alegrar o Meu Dia&#8221;, dos versos: &#8220;j\u00e1 que n\u00e3o te tenho por perto\/eu vou tomar um sorvete\/para alegrar o meu dia&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, talvez, os pontos mais interessantes do disco residam justamente nos momentos em que Ti\u00ea deixa de lado a composi\u00e7\u00e3o e dedica-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o. &#8220;S\u00f3 Sei Dan\u00e7ar com Voc\u00ea&#8221;, de Tulipa Ruiz, apesar de bonita, fica um pouco abaixo da vers\u00e3o original \u2013 mas mostra, de alguma maneira, um esfor\u00e7o de &#8220;conex\u00e3o&#8221; entre trabalhos parecidos. Em &#8220;Mapa M\u00fandi&#8221; (Thiago Pethit), o mesmo n\u00e3o acontece: a persona art\u00edstica da cantora \u00e9 muito mais pr\u00f3xima da can\u00e7\u00e3o do que a de seu compositor. \u00c9 no fim do \u00e1lbum, por\u00e9m que aparece a melhor das regrava\u00e7\u00f5es (e a melhor m\u00fasica de \u201cCoruja\u201d): &#8220;Voc\u00ea N\u00e3o Vale Nada&#8221;, em arranjo flamenco e apresenta\u00e7\u00e3o sincera \u2013 sim, leitor incr\u00e9dulo, aquela mesmo can\u00e7\u00e3o do conjunto Calcinha Preta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a dessa m\u00fasica no disco d\u00e1 margem a uma tend\u00eancia que vem se tornando muito interessante no cen\u00e1rio musical brasileiro: a coveriza\u00e7\u00e3o de cl\u00e1ssicos bregas com arranjos inovadores, dando ares respeitosos a essas can\u00e7\u00f5es. Assim, \u00e9 poss\u00edvel ver Leandro &amp; Leonardo folk (com Giancarlo Rufatto), Ra\u00e7a Negra com apar\u00eancia de Sade (via Letuce) ou Odair Jos\u00e9 muito pr\u00f3ximo a Iggy Pop (vers\u00e3o de Paulo Miklos) sem que isso soe for\u00e7ado \u2013 e muitas vezes, perceber que h\u00e1 uma poesia nessas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel dizer que lidar com a quebra de preconceitos e a reabilita\u00e7\u00e3o de alguns artistas \u00e9 um dos pontos-chave da gera\u00e7\u00e3o que faz m\u00fasica hoje em dia. Talvez at\u00e9 mais do que isso: que o importante \u00e9 misturar refer\u00eancias, sem se prender a r\u00f3tulos e que nesse caminho busca-se fazer algo fora do convencional, que seja capaz ainda de chocar ou causar surpresa. Nesse sentido, Ti\u00ea se sai bem com o antigo forr\u00f3: a can\u00e7\u00e3o n\u00e3o soa dissonante com as ideias que canta \u2013 ainda que a letra soe um pouco mais dram\u00e1tica do que o repert\u00f3rio habitual da cantora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Coruja e o Cora\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 um bonito \u00e1lbum, pop e po\u00e9tico na justa medida. Ainda que habite o mesmo universo de outrora, a cantora traz novidades a ele e continua a representar com destreza seu papel de &#8220;tecel\u00e3 do dia-a-dia&#8221;, na linha direta que descende de outras cantautoras como Carole King, Aimee Mann e Regina Spektor. Evocando o cl\u00e1ssico clich\u00ea conceitual do &#8220;teste do segundo disco&#8221;, Ti\u00ea passa nele com louvor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/5196109987\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8316 aligncenter\" title=\"tie_liliane_callegari\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/tie_liliane_callegari.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/tie_liliane_callegari.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/tie_liliane_callegari-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a>Foto: Liliane Callegari: <a href=\"http:\/\/lilianecallegari.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/lilianecallegari.com.br\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Bruno Capelas \u00e9 estudante de jornalismo e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pergunte ao Pop<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Capelas\nDe primeira escutada, o segundo disco da cantora paulistana parece uma natural continua\u00e7\u00e3o de seu primeiro trabalho&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/tie-a-alegre-tecela-do-dia-a-dia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8314"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8314"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51029,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8314\/revisions\/51029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}