{"id":82911,"date":"2024-08-18T12:11:00","date_gmt":"2024-08-18T15:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=82911"},"modified":"2024-09-12T03:09:13","modified_gmt":"2024-09-12T06:09:13","slug":"cinema-entre-a-invencao-e-a-convencao-m-night-shyamalan-acerta-mais-uma-vez-com-armadilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/18\/cinema-entre-a-invencao-e-a-convencao-m-night-shyamalan-acerta-mais-uma-vez-com-armadilha\/","title":{"rendered":"Cinema: Entre a inven\u00e7\u00e3o e a conven\u00e7\u00e3o, M. Night Shyamalan acerta mais uma vez com &#8220;Armadilha&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">M. Night Shyamalan sempre enfrentou turbul\u00eancias em sua trajet\u00f3ria no cinema. Do ponto de vista da recep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, os seus filmes costumam causar rea\u00e7\u00f5es extremas: h\u00e1 os que louvam o diretor indiano radicado nos Estados Unidos pela sua ousadia e originalidade constantes e h\u00e1 os que o julgam como um prestidigitador de segunda categoria. Independentemente de para qual time torcemos, o fato mais curioso que podemos constatar, a partir de uma observa\u00e7\u00e3o atenta e minuciosa de uma carreira que j\u00e1 ultrapassa tr\u00eas d\u00e9cadas, \u00e9 como Shyamalan soube conviver com a frustra\u00e7\u00e3o na lida com a forja hollywoodiana e, ap\u00f3s percal\u00e7os do ponto de vista comercial (sobretudo os quatro filmes que dirige entre 2006 e 2013), como ele conseguiu manejar a sua base s\u00f3lida de admiradores e aliados importantes da classe em prol de sua pr\u00f3pria independ\u00eancia financeira e, consequentemente, art\u00edstica. &#8220;Armadilha&#8221; (&#8220;Trap&#8221;), seu mais recente longa, se funde muito facilmente com o tom e com a abordagem que o seu cinema passa a ter a partir de &#8220;A Visita&#8221; (2015) que, de certo modo, funcionou como o seu grande pequeno retorno \u00e0 boa forma &#8211; ou talvez seja mais correto dizer: uma reconquista de sua pr\u00f3pria autoestima -, sobretudo ap\u00f3s os desastres comerciais de &#8220;O \u00daltimo Mestre do Ar&#8221; (2010) e &#8220;Depois da Terra&#8221; (2013), duas obras imperfeitas, sim, mas que foram injusta e grosseiramente massacradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Armadilha&#8221; \u00e9 um filme sobre controle e liberdade, n\u00e3o \u00e0 toa o seu t\u00edtulo \u00e9 um am\u00e1lgama perfeito entre as contradi\u00e7\u00f5es que enfrenta o protagonista. Cooper \u00e9 pai de Riley e ambos est\u00e3o a caminho de um concerto da cantora pop Lady Raven, da qual a adolescente \u00e9 fissurada. Os dois chegam ao local do show e logo percebemos que h\u00e1 algo errado na forma como a equipe de seguran\u00e7a est\u00e1 concentrada, n\u00e3o apenas pelo fato de haver mais efetivos policiais do que normalmente ver\u00edamos em uma situa\u00e7\u00e3o como esta, mas principalmente pela forma como a dire\u00e7\u00e3o conduz o nosso olhar. Shyamalan se demora em planos anal\u00edticos que fazem uma varredura na arquitetura externa e interna dos espa\u00e7os. E o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que esse ponto de vista n\u00e3o \u00e9 apenas do diretor, como tamb\u00e9m de seu protagonista. Cooper, personagem interpretado com muita confian\u00e7a e aud\u00e1cia por Josh Hartnett, \u00e9 quem vasculha cada canto do campo de vis\u00e3o para tentar primeiro entender o que est\u00e1 acontecendo para, logo em seguida, descobrir uma rota de fuga. Isto se d\u00e1 porque muito cedo (mais ainda se considerarmos que esta revela\u00e7\u00e3o de trama j\u00e1 constava no trailer do filme) descobrimos que o show nada mais \u00e9 do que uma grande arma\u00e7\u00e3o para prender o &#8220;A\u00e7ougueiro&#8221;, um serial killer \u00e0 solta que, ir\u00f4nica e evidentemente, \u00e9 o papai que logo nos primeiros segundos aprendemos a simpatizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 de se dedicar um pouco mais de tempo ao trabalho de Josh Hartnett aqui. Quem poderia adivinhar que o gal\u00e3zinho Trip Fontaine de &#8220;As Virgens Suicidas&#8221; (1999) ou que o bom mo\u00e7o Danny Walker de &#8220;Pearl Harbor&#8221; (2001) dariam lugar a uma interpreta\u00e7\u00e3o t\u00e3o interessante e calculada como a que o ator engendra para o seu Cooper em &#8220;Armadilha&#8221;? A cada microexpress\u00e3o no rosto do ator, valorizadas pelos closes implac\u00e1veis de Shyamalan, mergulhamos mais fundo na complexidade do personagem e no qu\u00e3o habilidosa \u00e9 a sua constru\u00e7\u00e3o para que o espectador possa comprar a devida dose de absurdo (os ecos de Jack Nicholson em &#8220;O Iluminado&#8221; e de Anthony Perkins em &#8220;Psicose&#8221; abrilhantam ainda mais a atua\u00e7\u00e3o). Est\u00e1 certo que o pacto a ser feito entre o filme e o p\u00fablico reside justamente na compreens\u00e3o desse personagem. Caso voc\u00ea, espectador, venha a recha\u00e7ar o maneirismo de Cooper \/ Hartnett, \u00e9 bem prov\u00e1vel que pouca coisa na obra v\u00e1 funcionar. Por outro lado, para os que venham a abra\u00e7ar a sua loucura (in)contida, a viagem valer\u00e1 a pena. Vale mencionar que, recentemente, Gartnett fez uma ponta bem interessante na terceira temporada de &#8220;O Urso&#8221; (2022-2024), premiada s\u00e9rie sobre os bastidores de um restaurante de bairro em Chicago, e interpretou um personagem historicamente relevante em &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/07\/24\/cinema-oppenheimer-de-christopher-nolan-constroi-um-documento-definitivo-sobre-a-estupidez-da-guerra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oppenheimer<\/a>&#8221; (2023) &#8211; ainda que dramaticamente pouco marcante -, o que pode revelar um momento precioso de um ator em geral subvalorizado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-82917 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/armadilha3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/armadilha3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/armadilha3-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 um bom exemplo de como Shyamalan n\u00e3o est\u00e1 mais t\u00e3o disposto a fazer concess\u00f5es na tentativa de agradar um grupo maior de pessoas. Em &#8220;Armadilha&#8221;, ou vai ou racha! N\u00e3o que se deva amar ou odiar o filme. Ali\u00e1s, em compara\u00e7\u00e3o com os seus trabalhos anteriores, este sofre um pouco mais com a constru\u00e7\u00e3o de alguns personagens coadjuvantes e perpetua um problema recorrente que o diretor vem enfrentando com a transi\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento da trama e a resolu\u00e7\u00e3o de seus conflitos. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, mais recentemente, a forma como Shyamalan estabelece as premissas e os conflitos de suas hist\u00f3rias nas primeiras sequ\u00eancias \u00e9 t\u00e3o admir\u00e1vel e mais not\u00e1vel do que a maneira como ele as resolve. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/01\/cinema-tempo-de-m-night-shyamalan-e-a-fugacidade-assustadora-da-vida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Basta olhar para um filme como &#8220;Tempo&#8221;<\/a> (2021), com aqueles minutos finais desastrosos, ou mesmo para este aqui, que perde muito de seu impacto em virtude do ritmo da montagem nos 20 minutos derradeiros e das in\u00fameras reviravoltas que exigem mais subst\u00e2ncia para funcionarem plenamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o em &#8220;Armadilha&#8221; \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que a c\u00e2mera de Shyamalan estabelece com o espa\u00e7o. E aqui cabe mencionar o trabalho minucioso do tailand\u00eas Sayombhu Mukdeeprom na dire\u00e7\u00e3o de fotografia, profissional extremamente vers\u00e1til com uma carreira peculiar, tendo colaborado para a defini\u00e7\u00e3o do estilo visual dos filmes de Apichatpong Weerasethakul, passado pela trilogia <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/26\/39%c2%aa-mostra-de-cinema-de-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">d&#8217;As Mil e Uma Noites do cineasta portugu\u00eas Miguel Gomes<\/a> e, finalmente, tendo sido o respons\u00e1vel pelos filmes mais aclamados de Luca Guadagnino, inclusos os malabarismos visuais das partidas de t\u00eanis em &#8220;Rivais&#8221;, lan\u00e7ado tamb\u00e9m neste 2024. Ainda que Mukdeeprom tenha sido o quarto diretor de fotografia a estabelecer uma parceria com Shyamalan desde 2015, nota-se o resguardo de uma unidade dessa rela\u00e7\u00e3o entre os enquadramentos e os movimentos de c\u00e2mera com os espa\u00e7os, e at\u00e9 mesmo em como a fotografia contribui na composi\u00e7\u00e3o da atmosfera de cada filme. Se em &#8220;Tempo&#8221; as personagens performavam para uma c\u00e2mera que abolia regras de eixo e propunha demarca\u00e7\u00f5es abstratas em um espa\u00e7o fluido como o da faixa de areia na praia deserta, em &#8220;Batem \u00e0 Porta&#8221; (2023) o casal que precisa salvar o mundo est\u00e1 a todo o tempo sendo testado em sua f\u00e9, tendo que ignorar o confinamento da cabana (e de sua pr\u00f3pria convic\u00e7\u00e3o) para enxergar uma trilha poss\u00edvel para al\u00e9m do vis\u00edvel. O ponto em comum, a unidade, portanto, \u00e9 o confinamento, o espa\u00e7o delimitado que em &#8220;Armadilha&#8221; ganha uma propor\u00e7\u00e3o mais espetaculosa e dialoga diretamente com a ideia de controle que o filme se prop\u00f5e a debater.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O procedimento \u00e9 evidente: o espectador est\u00e1, durante todas as sequ\u00eancias ambientadas no show, ao lado de Cooper, enxergando &#8220;apenas&#8221; o que ele enxerga, farejando exatamente o mesmo senso de perigo e excita\u00e7\u00e3o. A c\u00e2mera respeita a dist\u00e2ncia de seu protagonista para com o objeto observado, refor\u00e7ando o ponto de vista estabelecido. Vemos a apresenta\u00e7\u00e3o de Lady Raven a uma dist\u00e2ncia consider\u00e1vel, inc\u00f4moda at\u00e9. Diferente de Riley, profundamente conectada com a cantora, n\u00f3s e Cooper nos distra\u00edmos facilmente, seja com a intensifica\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o policial no local, com a m\u00e3e insuport\u00e1vel da amiga da filha que constantemente interrompe a a\u00e7\u00e3o ou com a tens\u00e3o progressiva que anuncia engolir de vez a narrativa. Uma sequ\u00eancia que ilustra bem essa artesania \u00e9 quando a Dra. Josephine Grant, especialista em localizar serial killers e agente do FBI no comando da opera\u00e7\u00e3o, come\u00e7a a se aproximar de Cooper tal como um fantasma: em um primeiro momento, apenas ouvimos a sua voz autorit\u00e1ria sussurrando orienta\u00e7\u00f5es num canal de r\u00e1dio; em seguida a notamos de corpo presente, ora de costas, ora de perfil, at\u00e9 que aparece de frente, com sua figura ao mesmo tempo mirrada e intr\u00e9pida, percorrendo cada setor do local no encal\u00e7o de sua presa; por fim, ela se aproxima de Cooper quando este j\u00e1 est\u00e1 no palco, sem sucesso em alcan\u00e7\u00e1-lo. A personagem \u00e9 interpretada com austeridade pela veterana Hayley Mills (d\u00eaem uma olhada na filmografia da atriz) que, adotando um tom grave, contribui para a constru\u00e7\u00e3o do suspense. J\u00e1 na sequ\u00eancia final, a Dra. volta para assombrar Cooper em sua pr\u00f3pria casa, violando a sua seguran\u00e7a calcada na cis\u00e3o entre o monstro e o pai de fam\u00edlia que ele mesmo estabelece para si.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-82916\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/armadilha2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/armadilha2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/armadilha2-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em certa medida, &#8220;Armadilha&#8221; se parece muito com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/28\/cinema-fragmentado-de-m-night-shyamalan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;Fragmentado&#8221;<\/a> (2016), sem a tresloucada e vertiginosa guinada para o realismo m\u00e1gico cometida por este. Shyamalan pisou um pouco no freio durante o cl\u00edmax desta vez, valorizando mais os elementos realistas convencionais da l\u00f3gica de gato e rato. Quando Cooper parece que vai se transformar verdadeiramente em um monstro (tal como Kevin \/ James McAvoy nos minutos finais de &#8220;Fragmentado&#8221;), ele se cont\u00e9m, ou melhor, o filme o cont\u00e9m, at\u00e9 porque, aparentemente, Hartnett estava com toda disposi\u00e7\u00e3o para perder a linha nesse abismo. Bem que o filme poderia se beneficiar com um passo a mais em dire\u00e7\u00e3o ao fant\u00e1stico: outro exemplo s\u00e3o as apari\u00e7\u00f5es da m\u00e3e de Cooper, que o assombra desde crian\u00e7a, materializando-se em um espectro em momentos-chave da narrativa, mas sem alcan\u00e7ar o impacto que Shyamalan parece almejar. O paralelo entre a assombra\u00e7\u00e3o e a agente que o persegue \u00e9 evidente, por\u00e9m pouco aproveitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras duas personagens femininas ganham destaque da metade para o final e, de certo modo, revelam algumas limita\u00e7\u00f5es e salientam alguns problemas do filme. Lady Raven, a estrela pop, \u00e9 interpretada por Saleka Shyamalan, filha mais velha do diretor, e Rachel, esposa do nosso protagonista, ganha vida com a interpreta\u00e7\u00e3o de Alison Pill (&#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/11\/cinema-scott-pilgrim-contra-o-mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Scott Pilgrim Contra o Mundo<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/26\/filmografia-todo-o-cinema-de-woody-allen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meia-Noite em Paris<\/a>&#8220;), boa atriz que andava um tanto sumida nos \u00faltimos anos. Saleka, al\u00e9m de respons\u00e1vel pelas composi\u00e7\u00f5es e performances das m\u00fasicas de Lady Raven, ainda ganha um destaque surpreendente como atriz ao tomar as r\u00e9deas da narrativa, assumindo o protagonismo que antes era apenas de Cooper \/ Hartnett. Uma vez que M. Night Shyamalan parte de uma rela\u00e7\u00e3o entre pai e filha para construir a narrativa de seu filme, faz total sentido o espa\u00e7o que a personagem de Saleka recebe &#8211; e \u00e9 interessante o fato do filme ter sido lan\u00e7ado justamente no final de semana do dia dos pais no Brasil, como bem observou Marcelo Miranda no Twitter. J\u00e1 Rachel, esposa d&#8217;O A\u00e7ougueiro, aparece tarde demais na trama, e a sua participa\u00e7\u00e3o, se melhor constru\u00edda, poderia garantir maior impacto para a reviravolta principal (dentre as tantas) de &#8220;Armadilha&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verdade seja dita, a reviravolta no cinema de Shyamalan &#8211; lembremos especialmente de &#8220;O Sexto Sentido&#8221; e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/09\/16\/cinema-a-vila-de-m-night-shyamalan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;A Vila&#8221;<\/a> &#8211; \u00e9 reconhecidamente uma marca de estilo. No entanto, a revela\u00e7\u00e3o de Rachel n\u00e3o cumpre com o principal papel das reviravoltas nos filmes do cineasta. Em geral, os roteiros de Shyamalan utilizam o recurso do &#8220;plot twist&#8221; para fazer o espectador repassar todo o filme na cabe\u00e7a, de prefer\u00eancia sentindo prazer neste ato. Ao inv\u00e9s disso, o que a maioria dos filmes provoca com este recurso, e infelizmente \u00e9 o caso aqui, ao menos parcialmente, \u00e9 um sentimento vazio de surpresa, seguido de uma sensa\u00e7\u00e3o de aborrecimento e obviedade. Dever\u00edamos ter conhecido um pouco mais do passado de Cooper e da rela\u00e7\u00e3o com a sua esposa e filhos para que essa regurgita\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria funcionasse para al\u00e9m do primeiro choque. N\u00e3o obstante, e isso n\u00e3o podemos nunca perder de vista, a subvers\u00e3o de expectativas \u00e9 um trunfo de Shyamalan, sempre foi. Ele certamente \u00e9 um dos roteiristas mais originais do s\u00e9culo, e consegue brincar com a estrutura cl\u00e1ssica de uma narrativa de thriller hollywoodiana, sempre trabalhando numa linha t\u00eanue entre o que j\u00e1 estamos acostumados a ver e o que nunca vimos antes. Ali\u00e1s, como seria delicioso assistir a um bom filme de serial killer todo ano no cinema! Shyamalan faz a sua parte e, entre a inven\u00e7\u00e3o e a conven\u00e7\u00e3o, acerta mais uma vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O Scream &amp; Yell tamb\u00e9m est\u00e1 no <a href=\"https:\/\/letterboxd.com\/screamyell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/letterboxd.com\/screamyell\/<\/a><\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Armadilha | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8T2ewF4ET10?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leandro_luz<\/a>) escreve e pesquisa sobre cinema desde 2010. Coordena os projetos de audiovisual do Sesc RJ desde 2019 e exerce atividades de cr\u00edtica nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1 disco, 1 filme.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Armadilha&#8221; \u00e9 um filme sobre controle e liberdade, n\u00e3o \u00e0 toa o seu t\u00edtulo \u00e9 um am\u00e1lgama perfeito entre as contradi\u00e7\u00f5es que enfrenta o protagonista.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/18\/cinema-entre-a-invencao-e-a-convencao-m-night-shyamalan-acerta-mais-uma-vez-com-armadilha\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":137,"featured_media":82918,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[1811],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82911"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82911"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82911\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82919,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82911\/revisions\/82919"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82918"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}