{"id":82844,"date":"2024-08-12T00:01:25","date_gmt":"2024-08-12T03:01:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=82844"},"modified":"2024-09-28T11:03:17","modified_gmt":"2024-09-28T14:03:17","slug":"balanco-de-rita-braga-da-turne-brasil-foi-otimo-regressar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/12\/balanco-de-rita-braga-da-turne-brasil-foi-otimo-regressar\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o de Rita Braga da Turn\u00ea Brasil: &#8220;Foi \u00f3timo regressar&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de tr\u00eas semanas, durante o m\u00eas de julho, a cantora e multi-instrumentista portuguesa <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/superbraguita\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rita Braga<\/a> se apresentou em salas independentes de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, num conjunto de cinco shows integrados na sua Turn\u00ea Brasil 2024, da qual me d\u00e1 conta numa conversa no Jardim da Estrela, em Lisboa. Esta foi a terceira visita de Rita ao Brasil e a digress\u00e3o marcou o seu regresso ao pa\u00eds ao fim de 11 anos (em 2013 a artista portuguesa passou uma temporada em S\u00e3o Paulo e comp\u00f4s as cinco faixas que integraram o seu primeiro EP autoral, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/13\/a-nova-cena-portuguesa-rita-braga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gringo In S\u00e3o Paulo\u201d<\/a>, que foi gravado e produzido na Casa do Mancha) para apresentar o seu mais recente trabalho, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/20\/entrevista-de-portugal-rita-braga-fala-sobre-seu-novo-disco-illegal-planet-lancado-em-vinil-pela-comets-coming\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Illegal Planet<\/a>\u201d (2023) e revisitar outras m\u00fasicas do seu repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A turn\u00ea foi bem sucedida e possibilitou um encontro renovado com o p\u00fablico brasileiro, permitiu retomar contatos anteriores e estabelecer novas parcerias que poder\u00e3o revelar-se importantes numa futura desloca\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds. A atua\u00e7\u00e3o na Audio Rebel, no Rio de Janeiro (que foi precedida de um show ac\u00fastico em Monteiro Lobato, no interior de S\u00e3o Paulo, e seria sucedida por um concerto no Teatro do Quarto Mundo, em S\u00e3o Paulo, um show na Casa Aut\u00eantica, em Belo Horizonte e um derradeiro show ac\u00fastico na Casa Japuanga, em S\u00e3o Paulo) assinalou o reencontro com Marcelo Callado, do qual Rita Braga j\u00e1 tinha feito a abertura do show da banda Do Amor em 2012, no mesmo espa\u00e7o. Com propriedade, a artista portuguesa recorda o contato com o m\u00fasico e o gosto pelo seu trabalho: \u201cEu n\u00e3o tinha com quem dividir o show no Rio de Janeiro e a B\u00e1rbara Eug\u00eania e o Juliano Gauche recomendaram-me o Marcelo Callado. Eu fiz o contato e ele foi muito atencioso e aceitou o convite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pouco depois, ao ler a biografia dele no Bandcamp verifiquei, entre muitas outras coisas, que ele era o baterista do grupo Do Amor. Em 2012, quando atuei na Audio Rebel, eu estava com uma banda de S\u00e3o Paulo, o Marcelo Callado tinha acabado de ser pai e n\u00e3o fal\u00e1mos muito. Ent\u00e3o, conversando, cheg\u00e1mos \u00e0 conclus\u00e3o que toc\u00e1mos na mesma noite. Desta vez n\u00f3s fizemos dois shows em formato solo e ele apresentou-se num registo de voz e viol\u00e3o. Gostei imenso das letras e da maneira dele tocar, porque tem um universo pr\u00f3prio. Foi \u00f3timo\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_82854\" aria-describedby=\"caption-attachment-82854\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-82854\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Concerto-no-Atelier-Bons-Ventos-foto-de-Diana-Gerbeli-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Concerto-no-Atelier-Bons-Ventos-foto-de-Diana-Gerbeli-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Concerto-no-Atelier-Bons-Ventos-foto-de-Diana-Gerbeli-copiar-300x210.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Concerto-no-Atelier-Bons-Ventos-foto-de-Diana-Gerbeli-copiar-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82854\" class=\"wp-caption-text\"><em>Apresenta\u00e7\u00e3o no Atelier Bons Ventos (foto de Diana Gerbeli)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a forma como o p\u00fablico brasileiro reagiu \u00e0s can\u00e7\u00f5es da viagem sonora do \u00e1lbum \u201cIllegal Planet\u201d e aos espet\u00e1culos em geral, Rita Braga mostra-se satisfeita com o acolhimento. \u201cO p\u00fablico reagiu bastante bem \u00e0s minhas m\u00fasicas. Eu tenho um lado muito perform\u00e1tico no palco e al\u00e9m de mostrar o novo trabalho toco igualmente faixas de todos os \u00e1lbuns. O &#8216;Illegal Planet&#8217; foi quase todo escrito em ingl\u00eas e isso est\u00e1 mais relacionado com o contexto europeu, porque \u00e9 a l\u00edngua comum para os pa\u00edses onde mais viajo. A assist\u00eancia n\u00e3o se importou. Mas, senti que vir de Portugal e cantar em ingl\u00eas era um anacronismo (risos). Por isso, sa\u00ed um pouco desse registo e cantei algumas can\u00e7\u00f5es da Carmen Miranda, como \u00e9 o caso de &#8216;Bai\u00e3o Ca-Room Pa Pa&#8217;, e toquei algumas can\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas. Estou a pensar que o pr\u00f3ximo \u00e1lbum seja somente cantado em portugu\u00eas e sinto que vale a pena levar ao Brasil um disco assim\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro t\u00f3pico que lhe coloco e se justifica pelo tempo que permaneceu no Brasil e, principalmente, em face do contato com os artistas e o meio cultural brasileiro, refere-se ao espa\u00e7o que a m\u00fasica portuguesa poder\u00e1 obter no Brasil e ao interesse dos agentes culturais brasileiros nessa aproxima\u00e7\u00e3o. Rita Braga reconhece que o Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds f\u00e1cil de entrar \u201cdevido aos elevados custos da viagem\u201d, mas lembra que \u201ctem de haver um esfor\u00e7o dos v\u00e1rios agentes\u201d e mant\u00e9m uma perspectiva otimista relativamente a essa aproxima\u00e7\u00e3o. \u201cAcho que existe espa\u00e7o para os artistas portugueses se encaixarem no Brasil, mas h\u00e1 que haver empenho e explorar os contatos. Senti recetividade e penso que com o passar do tempo v\u00e3o sendo criadas mais pontes. Eu toquei em salas independentes, mas tive o apoio da GDA (Gest\u00e3o dos Direitos dos Artistas) e do Shuttle (um programa que tem como principais objetivos promover internacionalmente a cultura da cidade e o trabalho de artistas, autores e agentes culturais sediados no Porto), que foi bastante importante. No futuro pretendo contatar produtores brasileiros que me ajudem a entrar no circuito de festivais. Mas, \u00e9 algo que vai sendo trilhado. Espero tamb\u00e9m que haja mais comunica\u00e7\u00e3o entre produtores de Portugal e do Brasil para concretizar mais parcerias\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento em que falamos, Rita Braga prepara-se para atuar no Festival Sonoscopia, no Porto, ligado ao pop experimental, seguindo-se uma mini resid\u00eancia perto de Lille (Fran\u00e7a) no Urban Boat (um lugar itinerante, por se tratar de um barco que viaja entre o norte da Fran\u00e7a, Holanda e B\u00e9lgica) com o duo franc\u00eas N\u00dbR, objetivando a cria\u00e7\u00e3o de duas can\u00e7\u00f5es em conjunto. A presen\u00e7a de Rita na Fran\u00e7a faz parte do mesmo projeto da Funda\u00e7\u00e3o GDA de divulga\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum \u201cIllegal Planet\u201d que fez na turn\u00ea brasileira e a artista tamb\u00e9m me relata que tem a agenda de outubro bastante preenchida com mais shows nacionais e internacionais. Por fim, confessa-me que equaciona brevemente fazer um novo disco. \u201cEstou a pensar no pr\u00f3ximo \u00e1lbum e j\u00e1 estou a realizar pesquisas para saber como ser\u00e1 e, provavelmente, grav\u00e1-lo-ei em 2025\u201d, conclui. De Lisboa para o Brasil, Rita Braga conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rita Braga - Eros\u00e3o (Ao Vivo na A Aut\u00eantica, Belo Horizonte)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5IasfYhw90s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a possibilidade de fazer este tour e o que representou para si regressar ao Brasil ao fim de 11 anos e revisitar S\u00e3o Paulo onde gravou o seu primeiro EP autoral, \u201cGringo in S\u00e3o Paulo\u201d (2013)?<\/strong><br \/>\nA oportunidade surgiu porque achei que era altura de voltar e j\u00e1 tinha passado bastante tempo. O Brasil tamb\u00e9m viveu fases p\u00e9ssimas e acho que n\u00e3o devem existir muitos f\u00e3s do Bolsonaro no Scream &amp; Yell (risos). A pandemia foi igualmente arrasadora e prejudicou imenso o circuito de m\u00fasica ao vivo. Senti que era o momento certo para retomar os contatos e falei com um amigo do per\u00edodo de 2013, o Paulo Beto. Ele \u00e9 conhecido na m\u00fasica eletr\u00f4nica e integra a banda paulista Anvil FX que atuou recentemente no Festival Serralves em Festa (Porto), onde tamb\u00e9m participei. Eu falei com ele e com outras pessoas que conheci em 2013 para montar essa pequena tour. Foi \u00f3timo regressar. No in\u00edcio estranhei porque viajo muito, mas sempre dentro da Europa, e quando se sai da Europa encontramos uma realidade diferente. A sensa\u00e7\u00e3o que tive no Brasil (e j\u00e1 tinha acontecido da \u00faltima vez) \u00e9 que se trata de um ambiente muito mais pesado do que em Portugal. E as pessoas que vivem l\u00e1 reconhecem que o panorama piorou e que h\u00e1 mais viol\u00eancia e sente-se alguma tens\u00e3o nas ruas. Demorou alguns dias a assimilar isso mas, de repente, entrei na frequ\u00eancia e as coisas come\u00e7aram a fluir melhor. Houve alguns desafios tamb\u00e9m, porque hoje em dia quem n\u00e3o tem o CPF (n\u00famero fiscal brasileiro) n\u00e3o consegue comprar passagens de \u00f4nibus e n\u00e3o tem chip no celular. A tecnologia complicou relativamente a 2013 quando era mais &#8220;old school&#8221; e n\u00e3o haviam smartphones (risos). Por isso, nos primeiros dias demorei um pouco at\u00e9 me sentir \u00e0 vontade. S\u00e3o Paulo estava diferente, mas ainda assim foi uma sensa\u00e7\u00e3o familiar. Passou tanto tempo desde que eu estive no Brasil pela \u00faltima vez e o pa\u00eds mudou tanto como eu que foi quase como uma primeira visita (risos). Mas, S\u00e3o Paulo \u00e9 uma cidade enorme e varia muito consoante o bairro. O centro \u00e9 bastante agitado, mas h\u00e1 bairros tranquilos com moradias. No fundo, s\u00e3o v\u00e1rias cidades numa s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria que me falasse do formato com que se apresentou no Brasil, mas tamb\u00e9m da import\u00e2ncia e do impacto dos shows ac\u00fasticos que optou por fazer no in\u00edcio e no encerramento do seu tour?<\/strong><br \/>\nNo come\u00e7o, a minha ideia era divulgar o meu novo disco, \u201cIllegal Planet\u201d, e \u00e9 \u00f3bvio que toco sempre m\u00fasicas desse \u00e1lbum mas, consoante o lugar onde atuei, tamb\u00e9m fiz um repert\u00f3rio diferente. No primeiro e no \u00faltimo show achei que eram bons contextos para tocar no formato ukelele e voz. Foi em Monteiro Lobato, no interior de S\u00e3o Paulo, e na Casa Japuanga (S\u00e3o Paulo), que \u00e9 um espa\u00e7o onde vivem pessoas, mas tamb\u00e9m t\u00eam concertos. Fiz um repert\u00f3rio muito ligado a vers\u00f5es em v\u00e1rios idiomas e apresentei as minhas can\u00e7\u00f5es, mas achei que resultava melhor tirar a parte eletr\u00f4nica, porque eram atua\u00e7\u00f5es mais intimistas. Eu gosto de fazer os dois formatos. Tanto pode dar para um clube de rock como estar sentada a tocar e a contar hist\u00f3rias entre as can\u00e7\u00f5es. Em cada show eu inventava o repert\u00f3rio na hora e, por vezes, puxava mais para a Carmen Miranda e fiz algumas vers\u00f5es dela que j\u00e1 n\u00e3o tocava h\u00e1 muito tempo. Na Casa Japuanga toquei uma m\u00fasica de cada pa\u00eds e na Aut\u00eantica (Belo Horizonte) apresentei o novo disco. Por isso, cada noite foi diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em S\u00e3o Paulo, no show do Teatro do Quarto Mundo, voc\u00ea teve a companhia do Vitor Wutzki e em Belo Horizonte, na Casa Aut\u00eantica, voc\u00ea estreou-se dividindo o palco com a m\u00edtica banda punk mineira Diverg\u00eancia Socialista e ainda vivenciou o Festival Durante. Como foram essas experi\u00eancias?<\/strong><br \/>\nNo Teatro do Quarto Mundo, durante o show, eu e o Vitor Wutzki toc\u00e1mos uma m\u00fasica dele (\u201cHotel Cora\u00e7\u00e3o Partido\u201c), em que toda a letra \u00e9 composta por tradu\u00e7\u00f5es de t\u00edtulos de m\u00fasicas do Elvis Presley. A atua\u00e7\u00e3o correu muito bem. Eu fiz um ensaio assim que cheguei a S\u00e3o Paulo e experiment\u00e1mos v\u00e1rias coisas, mas andei a viajar e s\u00f3 voltei no dia do show, por isso resolvi cantar a letra do Vitor que entretanto j\u00e1 tinha aprendido. Eu gosto imenso do trabalho dele e j\u00e1 o seguia pelo Instagram. Temos uma grande amiga em comum de S\u00e3o Paulo que mora no Porto, a Dibuk (alter-ego de Lea Taragona). Ela tinha uma banda com o Vitor: Bin Beri Ban. \u00c9 um tipo de can\u00e7\u00e3o experimental na qual pegam em poemas e desconstroem. Adorei tocar com o Vitor Wutzki e aprecio bastante o trabalho dele. Houve tamb\u00e9m uma figurinista em S\u00e3o Paulo, a Apol\u00f4nia Alexandrina, que tem o brech\u00f3\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dadadaideias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Da Da Da Ideias<\/a>\u00a0e integra a banda\u00a0Anvil FX, que me arranjou um fato incr\u00edvel para o show no Quarto Mundo que usei nos restantes concertos da turn\u00ea.\u00a0Relativamente \u00e0 minha estreia em Belo Horizonte, tenho que agradecer a voc\u00ea por me ter passado o contato da Aut\u00eantica. No in\u00edcio foi desafiante porque marquei o concerto, mas n\u00e3o foi f\u00e1cil encontrar algu\u00e9m para dividir a noite. Isso tamb\u00e9m me obrigou a conhecer a m\u00fasica de Belo Horizonte (risos), falei com v\u00e1rias cantoras e uma delas foi a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/27\/entrevista-sara-nao-tem-nome-lanca-a-situacao-debochado-album-politico-que-trata-de-questoes-dolorosas-e-complexas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sara N\u00e3o Tem Nome<\/a>. Eu j\u00e1 seguia o trabalho dela e ela o meu, mas n\u00e3o foi poss\u00edvel que a Sara participasse. Gostei igualmente da <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/22\/entrevista-julia-branco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Julia Branco<\/a>, que encontrei l\u00e1, e depois falei com o Paulo Beto que tem mais influ\u00eancia punk e \u00e9 amigo da cantora do Diverg\u00eancia Socialista, a Silma (tamb\u00e9m conhecida por Bijoux O\u2019Hara). A banda \u00e9 do in\u00edcio dos anos 1980 e ainda est\u00e1 ativa. O principal compositor \u00e9 o Marcelo Dolabela que morreu h\u00e1 pouco tempo e eles seguem mudando os integrantes. \u00c9 um grupo que faz cr\u00edtica social e a vocalista \u00e9 figurinista e transforma-se no palco e tiveram um convidado (Al\u00ea Fonseca) que tocou theremin pela primeira vez com eles. Para al\u00e9m disso, o Francesco Napoli convidou-me para o programa de r\u00e1dio <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tropofonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tropofonia<\/a> e ent\u00e3o, de um momento para o outro, fiquei a conhecer imensa gente de Belo Horizonte e podem haver oportunidades de tocar noutros s\u00edtios no futuro. O Francesco, que tamb\u00e9m faz parte do Diverg\u00eancia Socialista, \u00e9 um elemento muito ativo em BH e foi ele que inventou o Festival Durante. O evento chama-se assim porque est\u00e1 a acontecer em simult\u00e2neo com os shows e s\u00e3o atos perform\u00e1ticos em que as pessoas se inscrevem e depois h\u00e1 uma sele\u00e7\u00e3o. Por isso, enquanto ocorriam os shows estava uma pessoa no balc\u00e3o que desenhava e outra no exterior que fazia uma escultura, entre outras atividades. \u00c9 uma cidade mais pequena, mas tem uma cena art\u00edstica muito interessante em que se misturam v\u00e1rias coisas. Enquanto S\u00e3o Paulo \u00e9 enorme e tem diversas turmas que n\u00e3o se conhecem, em Belo Horizonte acaba por confluir tudo e englobam-se v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rita Braga - Bai\u00e3o Ca-Room Pa Pa (Ao Vivo na Aut\u00eantica, Belo Horizonte)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gfcUgKjjC_w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi feita a divulga\u00e7\u00e3o da turn\u00ea e que outros contatos voc\u00ea teve com a m\u00eddia brasileira durante a sua estadia?<\/strong><br \/>\nA turn\u00ea foi divulgada em v\u00e1rios sites (La Cumbuca e Cen\u00e1rio Minas, entre outros), bem como no Eldorado FM (Estad\u00e3o), em S\u00e3o Paulo, e no jornal O Globo, Rio de Janeiro, apareceu na agenda dos shows da semana. Foi, tamb\u00e9m, feito um press release com um roteiro dos v\u00e1rios sites que divulgaram o tour e houve os programas de r\u00e1dio Supert\u00f4nica do Arrigo Barnab\u00e9 (na R\u00e1dio Cultura FM, de S\u00e3o Paulo) e o Tropofonia (na R\u00e1dio UFMG Educativa, de Belo Horizonte). Tive a grande sorte de participar no programa de r\u00e1dio do Arrigo Barnab\u00e9, porque eu adoro o trabalho dele. Eu conhecia o disco \u201cClara Crocodilo\u201d (1980) que \u00e9 uma grande refer\u00eancia da m\u00fasica experimental. H\u00e1 muitos anos que eu ouvia falar do Arrigo e do disco \u201cClara Crocodilo\u201d e temos um amigo em comum, o Vitor Rua, aqui de Lisboa, e como eu estava em S\u00e3o Paulo o Vitor disse-me para escrever ao Arrigo Barnab\u00e9. Eu consegui o contato dele, mandei-lhe um email e fui convidada para o programa Supert\u00f4nica. Eu escutei mais coisas do trabalho do Arrigo, como \u00e9 o caso do pop absurdo que ele fazia nos anos 80 e tamb\u00e9m adorei. O programa de r\u00e1dio dele \u00e9 super-engra\u00e7ado. Na primeira parte foi mais s\u00e9rio, falando do meu trabalho e como eu me situava e depois ele tem o \u201cmomento crocodilo\u201d com perguntas absurdas (risos) no qual ele perguntou qual era o meu animal preferido, entre outras coisas. <a href=\"https:\/\/cultura.uol.com.br\/radio\/programas\/supertonica\/2024\/08\/03\/202_rita-braga-minimal-surreal-tropical.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Foi incr\u00edvel ter a oportunidade de conhecer o Arrigo Barnab\u00e9<\/a>. A participa\u00e7\u00e3o no Tropofonia tamb\u00e9m foi divertida. \u00c9 um programa meio Dad\u00e1 em que se criam situa\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, meio absurdas. Houve um momento em que fomos para debaixo da mesa e eu estava com o microfone e tinha de tirar uma carta para responder a uma pergunta (risos). Tanto o Supert\u00f4nica do Arrigo Barnab\u00e9 quanto o Tropofonia foram programas bastante diferentes (risos). Por isso, a n\u00edvel de internet e de r\u00e1dio houve alguma divulga\u00e7\u00e3o sobre a minha presen\u00e7a no Brasil.<\/p>\n<figure id=\"attachment_82853\" aria-describedby=\"caption-attachment-82853\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-82853\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Ensaio-com-Vitor-Wutzki-foto-de-Paulo-Beto.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"714\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Ensaio-com-Vitor-Wutzki-foto-de-Paulo-Beto.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Ensaio-com-Vitor-Wutzki-foto-de-Paulo-Beto-300x286.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82853\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ensaio com Vitor Wutzki (foto de Paulo Beto)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante este tempo em que tomou contato com diversos artistas e com a cena musical brasileira quais foram as refer\u00eancias que mais a impressionaram?<\/strong><br \/>\nEu tenho um programa de r\u00e1dio mensal (<a href=\"https:\/\/superbraguita.com\/more\/super-braguita-fm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Super Braguita FM, na r\u00e1dio Y\u00e9 Y\u00e9, no Porto<\/a>) e antes de ir ao Brasil fiz uma edi\u00e7\u00e3o s\u00f3 com m\u00fasica brasileira atual. \u00c9 um programa bastante livre porque passo muitas coisas do s\u00e9culo passado, mas procurei tocar discos que sa\u00edram este ano ou em 2023 e a m\u00fasica mais antiga era da Ava Rocha de 2016. Foi bom redescobrir artistas que eu conheci em S\u00e3o Paulo, quando tinha 28 anos, na \u00faltima vez que fui l\u00e1, e escutar igualmente aquilo que est\u00e3o a fazer agora e perceber como evoluiu o trabalho deles. \u00c9 o caso do Gustavo Galo, que \u00e9 da Trupe Ch\u00e1 de Boldo e lan\u00e7ou agora dois disco solo, do Tat\u00e1 Aeroplano e da Malu Maria. Relativamente \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais antigas eu adoro o trabalho do Jorge Mautner e o Marcelo Callado estava a preparar um concerto de homenagem a ele ligado ao disco hom\u00f4nimo de 1974, em que o Mautner tamb\u00e9m participou, mas infelizmente n\u00e3o pude assistir. Em S\u00e3o Paulo existem diversas turmas. O Paulo Beto faz uma coisa mais influenciada pela new wave e o Trupe Ch\u00e1 de Boldo e o Tat\u00e1 Aeroplano t\u00eam as suas pr\u00f3prias propostas. Na Casa Japuanga, o Jos\u00e9 Vieira e o Pedro Falc\u00e3o que participaram no meu EP, \u201cGringo In S\u00e3o Paulo\u201d (2013), tocaram um repert\u00f3rio brasileiro dos anos 30. \u00c9 bom conviver com essa diversidade, porque eu gosto de interagir com m\u00fasicos de v\u00e1rias cenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que balan\u00e7o faz desta turn\u00ea brasileira? Ficou com vontade de voltar a atuar no pa\u00eds e de estabelecer novas parcerias?<\/strong><br \/>\nO balan\u00e7o foi muito positivo. No in\u00edcio estranhei, mas depois era capaz de ficar no Brasil mais um m\u00eas se fosse preciso. Futuramente, irei falar com um produtor de Belo Horizonte que est\u00e1 ligado a alguns festivais e conheci o M\u00e1rcio Paix\u00e3o Junior que costumava produzir festivais em Goi\u00e1s. Ele j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 na produ\u00e7\u00e3o, mas disse que me ajudava a fazer essas pontes. Nunca fui ao Nordeste nem ao Sul do Brasil e gostaria de l\u00e1 ir tamb\u00e9m. Em Belo Horizonte fui a um est\u00fadio incr\u00edvel, o New Doors Vintage Keys (NDVK). A especialidade desse est\u00fadio s\u00e3o os teclados, mas tem uma sala de sintetizadores e r\u00e9plicas de instrumentos musicais de v\u00e1rias \u00e9pocas. Tamb\u00e9m tinha um piano do tempo do Mozart e reprodu\u00e7\u00f5es de instrumentos do barroco e do renascimento. O NDVK \u00e9 o est\u00fadio do Al\u00ea Fonseca, que tocou com o Diverg\u00eancia Socialista e fez uma curadoria super-interessante dos instrumentos que possui. Ele disse-me que temos de falar em produzir algo l\u00e1, mas s\u00e3o conversas para ter no futuro. O Arrigo Barnab\u00e9 p\u00f4s-me a falar de fado no programa dele. Foi inevit\u00e1vel associar uma cantora portuguesa ao fado assim como \u00e9 comum associar um m\u00fasico brasileiro ao samba (risos). Eu contei-lhe a hist\u00f3ria da lend\u00e1ria fadista Severa da qual n\u00e3o h\u00e1 grava\u00e7\u00f5es. Recordo que o Arrigo at\u00e9 ficou a aguardar que eu escrevesse algo em sua homenagem, que seria um fado atonal (risos). O Brasil \u00e9 um mundo, mas espero voltar e n\u00e3o demorar tanto tempo como desta vez.<\/p>\n<figure id=\"attachment_82851\" aria-describedby=\"caption-attachment-82851\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-82851\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Foto-no-Museu-Carmen-Miranda-Rio-de-Janeiro-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Foto-no-Museu-Carmen-Miranda-Rio-de-Janeiro-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Foto-no-Museu-Carmen-Miranda-Rio-de-Janeiro-copiar-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82851\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto no Museu Carmen Miranda (Rio de Janeiro)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cAcho que existe espa\u00e7o para os artistas portugueses se encaixarem no Brasil, mas h\u00e1 que haver empenho e explorar os contatos. Senti recetividade e penso que com o passar do tempo v\u00e3o sendo criadas mais pontes&#8221;, diz Rita\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/12\/balanco-de-rita-braga-da-turne-brasil-foi-otimo-regressar\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":82855,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47,6842],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82844"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82844"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82844\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82856,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82844\/revisions\/82856"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82855"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}