{"id":82804,"date":"2024-08-08T00:01:00","date_gmt":"2024-08-08T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=82804"},"modified":"2024-10-16T00:09:39","modified_gmt":"2024-10-16T03:09:39","slug":"entrevista-greg-norton-fala-sobre-o-novo-disco-do-ultrabomb-o-legado-do-husker-du-e-os-40-anos-de-zen-arcade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/08\/entrevista-greg-norton-fala-sobre-o-novo-disco-do-ultrabomb-o-legado-do-husker-du-e-os-40-anos-de-zen-arcade\/","title":{"rendered":"Entrevista: Greg Norton fala sobre o novo disco do UltraBomb, o legado do H\u00fcsker D\u00fc e os 40 anos de \u201cZen Arcade\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de uma exist\u00eancia curta, entre 1979 e 1988, o H\u00fcsker D\u00fc continua sendo considerada uma das bandas mais importantes da m\u00fasica alternativa dos EUA. E n\u00e3o \u00e9 para menos. O trio de Minneapolis formado por <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/24\/entrevista-bob-mould\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bob Mould<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/17\/grant-hart-ao-vivo-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Grant Hart<\/a> e Greg Norton come\u00e7ou fazendo um som mais r\u00e1pido e agressivo, em cl\u00e1ssicos como o debute \u201cEverything Falls Apart\u201d (1983) e o EP \u201cMetal Circus\u201d (1983), mas acabou expandindo o som para al\u00e9m dos elementos mais associados ao punk e hardcore em discos como \u201cZen Arcade\u201d (1984) e \u201cNew Day Rising\u201d (1985), que misturavam a f\u00faria dos primeiros anos com um tom mais sentimental e mel\u00f3dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano do anivers\u00e1rio de 40 anos de \u201cZen Arcade\u201d, o baixista Greg Norton tem outros motivos para comemorar: o m\u00fasico acaba de lan\u00e7ar o segundo disco da sua mais recente banda, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ultrabombmusic\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UltraBomb<\/a>, um power trio que tamb\u00e9m conta com outros nomes experientes da cena: Finny McConnell, vocalista e guitarrista mais conhecido por ser o frontman da banda punk canadense The Mahones, e Jamie Oliver, baterista ingl\u00eas que tocou por muitos anos no UK Subs. Assim como o disco de estreia \u201cTime to Burn\u201d (2022), o mais novo trabalho da banda, \u201c<a href=\"https:\/\/orcd.co\/91oplqx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dying to Smile<\/a>\u201d (2024), foi gravado em poucos dias na Europa e traz a mesma urg\u00eancia do primeiro registro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, feita por telefone cerca de uma semana antes do lan\u00e7amento do disco, que aconteceu no in\u00edcio de junho, Greg fala sobre como \u00e9 o dia a dia de uma banda em que cada integrante vive em um pa\u00eds diferente, comenta sobre a felicidade de voltar a cair na estrada ap\u00f3s vencer o c\u00e2ncer, explica como v\u00ea o legado do H\u00fcsker D\u00fc, os 40 anos de \u201cZen Arcade\u201d e relembra sua amizade com Grant Hart, entre outras coisas. Confira a seguir!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Doggo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZTuw08VsTlc?list=OLAK5uy_kpwP1g5Z578uY3IymysaJIzA7eSSk1Eus\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 prestes a lan\u00e7ar o segundo disco do UltraBomb, \u201cDying to Smile\u201d (2024), que chega cerca de dois anos depois de \u201cTime to Burn\u201d (2022), um \u00e1lbum que foi escrito e gravado em poucos dias. Por isso, queria saber se voc\u00eas seguiram uma abordagem similar aqui, j\u00e1 que o novo disco soa t\u00e3o urgente quanto o trabalho de estreia da banda?<\/strong><br \/>\nGreg: Sim. N\u00f3s gravamos o \u201cDying to Smile\u201d em Londres no in\u00edcio de dezembro (de 2023), logo antes de cairmos na estrada com o Bar Stool Preachers (banda punk de Brighton, na Inglaterra). E, mais uma vez, n\u00f3s t\u00ednhamos apenas quatro dias. N\u00f3s escrevemos e gravamos 12 m\u00fasicas nos primeiros dois dias e finalizamos as guitarras e vocais nos outros dois dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea sente que essa agilidade faz com que as suas m\u00fasicas soem de forma mais natural e direta, como \u201ca primeira ideia \u00e9 a melhor\u201d? Como voc\u00eas abordam esse processo criativo juntos?<\/strong><br \/>\nAhh, sim, h\u00e1 uma urg\u00eancia nesse processo. E voc\u00ea tamb\u00e9m tem um pouco de caos envolvido nisso. A \u00fanica coisa que eu n\u00e3o gosto particularmente \u00e9 ter de gravar todos os vocais em dois dias. Como n\u00f3s fizemos os nossos primeiros discos de maneira parecida, o objetivo \u00e9 ter o material j\u00e1 consolidado quando formos gravar o terceiro disco. E tamb\u00e9m ter um pouco mais de tempo para trabalhar nas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi para voc\u00ea, j\u00e1 que esses dois primeiros discos foram gravados em lugares diferentes na Europa \u2013 primeiro em Berlim e depois Londres? Voc\u00ea sentiu que foi melhor no sentido de poder focar mais, sem coisas do dia a dia? Como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nAcho que, quando voc\u00ea tem tempo no est\u00fadio, n\u00e3o importa realmente onde o est\u00fadio fica, desde que seja um est\u00fadio bom e voc\u00ea tenha um bom engenheiro de som para trabalhar. N\u00f3s tr\u00eas j\u00e1 fazemos isso h\u00e1 bastante tempo, ent\u00e3o o nosso \u201cvocabul\u00e1rio musical\u201d \u00e9 bastante extenso, o que eu acho que nos ajuda a escrever essas m\u00fasicas com a velocidade com que temos feito. Quando voc\u00ea tem um est\u00fadio agendado, voc\u00ea chega pela manh\u00e3, vai embora \u00e0 noite e depois vai dormir, onde quer que esteja ficando. E repete isso ao longo de quatro dias. \u00c9 algo intenso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ultrabomb stickman vs hangman 1080p\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fmEtkVYIbxY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas se falaram antes de ir para o est\u00fadio, sobre ideias e dire\u00e7\u00f5es que gostariam de seguir juntos? Ou deixaram para decidir quando os tr\u00eas estivessem juntos no est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s falamos um pouco sobre isso, o Finny (McConnell) conseguiu ver as letras com anteced\u00eancia, mas n\u00e3o conseguimos realmente \u201cencaix\u00e1-las\u201d antes disso. N\u00f3s gravamos as m\u00fasicas e colocamos as letras nelas depois. O Finny encaixou as letras no primeiro disco e eu basicamente fiquei encarregado disso para o novo disco. E tudo acabou saindo muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea e o Finny foram os respons\u00e1veis pelas letras deste disco? Como foi essa parte de cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nO Finny escreve os riffs de guitarra e ent\u00e3o n\u00f3s escolhemos um riff e trabalhamos nos arranjos para uma m\u00fasica, decidindo onde ir\u00e3o os versos, a ponte, qual ser\u00e1 a dura\u00e7\u00e3o, se vamos fazer uma intro ou um outro, se teremos algo no meio. A\u00ed tocamos a m\u00fasica algumas vezes e, se estivermos satisfeitos e acharmos que temos algo muito bom, ent\u00e3o gravamos. Eu escrevo todas as letras, ent\u00e3o posso ter uma melodia ou algo em que esteja pensando enquanto estou escrevendo. Ent\u00e3o pegamos essas letras e tentamos combinar com o que temos em termos musicais, para juntar as duas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como esse \u00e9 o segundo disco de voc\u00eas, mesmo fazendo tudo em poucos dias mais uma vez, imagino que tenha sido algo um pouco mais familiar, tanto em termos de processo quanto do ambiente. Por isso, queria saber se voc\u00ea acha que foi mais f\u00e1cil fazer esse segundo disco em t\u00e3o pouco tempo, em compara\u00e7\u00e3o com o primeiro?<\/strong><br \/>\nComo foi logo no in\u00edcio de uma turn\u00ea, foi o que conseguimos fazer, n\u00f3s realmente s\u00f3 t\u00ednhamos quatro dias para gravar antes de sair para fazer os shows. Ent\u00e3o o objetivo para o pr\u00f3ximo disco \u00e9 ter mais tempo, para que n\u00e3o seja t\u00e3o fren\u00e9tico. Mas posso garantir que a intensidade musical n\u00e3o ficar\u00e1 em falta pela falta de urg\u00eancia do processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, como \u00e9 para voc\u00eas estar em uma banda internacional, vamos dizer, com as pessoas vivendo em diferentes pa\u00edses? Com qual frequ\u00eancia voc\u00eas se falam para falar sobre os planos, planejar turn\u00eas, etc? O quanto isso \u00e9 diferente das suas bandas anteriores?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um desafio em termos log\u00edsticos. Eu estou no fuso hor\u00e1rio Central Time dos Estados Unidos, o Finny vive em Toronto e est\u00e1 uma hora na minha frente, enquanto o Jamie (Oliver) est\u00e1 seis horas na nossa frente. Ent\u00e3o muitas vezes quando eu e o Finny podemos estar dispon\u00edveis, o Jamie talvez n\u00e3o esteja \u2013 porque \u00e9 muito tarde ou porque ele est\u00e1 fazendo um show, por exemplo. E, \u00e0s vezes, quando ele pode estar dispon\u00edvel e \u00e9 cedo para ele, \u00e9 realmente muito cedo para n\u00f3s. Ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil conseguir reunir os tr\u00eas em uma liga\u00e7\u00e3o, mas tentamos nos falar com a maior frequ\u00eancia poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas fizeram uma turn\u00ea nos EUA h\u00e1 pouco tempo e tamb\u00e9m est\u00e3o planejando fazer mais shows e nos EUA e na Europa. Queria saber como tem sido para voc\u00ea voltar a cair na estrada com uma banda punk de forma consistente tanto tempo depois, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rotina na estrada e tamb\u00e9m pela sua sa\u00fade, j\u00e1 que voc\u00ea recentemente passou <a href=\"https:\/\/pitchfork.com\/news\/gofundme-launched-for-husker-dus-greg-norton\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">por um tratamento contra c\u00e2ncer<\/a>? Como voc\u00ea est\u00e1 se sentindo?<\/strong><br \/>\nEu tive a minha pr\u00f3stata removida h\u00e1 dois anos e estou saud\u00e1vel desde ent\u00e3o. Me sinto \u00f3timo e minha sa\u00fade est\u00e1 \u00f3tima. Todos n\u00f3s somos veteranos em turn\u00eas e sabemos o que isso envolve, a quantidade de tempo. Ent\u00e3o para gerenciar o tempo de forma eficiente, voc\u00ea chega para descarregar os equipamentos na hora certa, h\u00e1 pessoas l\u00e1 para te ajudar, voc\u00ea est\u00e1 pronto para fazer a passagem de som. \u00c9 muita correria e muita espera, \u00e9 apenas a natureza da coisa toda. Mas n\u00f3s realmente gostamos, adoramos tocar ao vivo para as pessoas e \u00e9 isso que queremos fazer. Ent\u00e3o esperamos fazer o maior n\u00famero de shows poss\u00edveis no restante deste ano e fazer coisas ainda maiores e melhores em 2025. Nosso pr\u00f3ximo show \u00e9 no dia 27 de junho, vamos tocar na noite de abertura do Hellfest, na Fran\u00e7a. E, depois disso, vamos tocar nos EUA, mas essa turn\u00ea ainda est\u00e1 sendo planejada, ent\u00e3o ainda n\u00e3o tenho as datas e as cidades exatas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sonic Reducer\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EAuPPeT1zo8?list=OLAK5uy_mB54_xpBtq85ttBBlnO0opjfIqOS3Lq8E\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi o setlist de alguns shows recentes em que voc\u00eas tocaram, obviamente m\u00fasicas do UltraBomb, al\u00e9m de cl\u00e1ssicos do H\u00fcsker D\u00fc, m\u00fasicas do Mahones e tamb\u00e9m um cover do Dead Boys, \u201cSonic Reducer\u201d. Como foi para voc\u00eas escolher as m\u00fasicas para esses shows e como tem sido a resposta do p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nBom, a resposta do p\u00fablico tem sido \u00f3tima. Sobre a \u201cSonic Reducer\u201d, todo mundo realmente ama essa m\u00fasica. N\u00f3s a gravamos no fim da sess\u00e3o em Berlim, porque ainda t\u00ednhamos um pouco de tempo no est\u00fadio e t\u00ednhamos falado sobre talvez gravar um cover. A \u201cSonic Reducer\u201d era uma m\u00fasica que todo mundo concordava em fazer, gosto bastante da nossa vers\u00e3o. N\u00f3s tocamos \u201cDon\u2019t Wanna Know if You\u2019re Lonely\u201d, que muita gente acredita que \u00e9 uma das melhores m\u00fasicas j\u00e1 escritas pelo Grant Hart (baterista\/vocalista do H\u00fcsker D\u00fc). Acho que \u00e9 um tributo legal da minha parte tocar essa m\u00fasica, j\u00e1 que o Grant n\u00e3o est\u00e1 mais entre n\u00f3s (nota: o m\u00fasico faleceu em 2017). E a \u201cNew Day Rising\u201d \u00e9 apenas uma m\u00fasica para todo mundo gritar. Do lado dos Mahones, a m\u00fasica que n\u00f3s costumamos incluir no set \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o do Finny de muito tempo atr\u00e1s chamada \u201cPunk Rock Saved My Life\u201d. E n\u00f3s todos sabemos disso. Quer dizer, o punk salvou a minha vida pelo menos duas vezes, se n\u00e3o mais. A vers\u00e3o do UltraBomb para essa m\u00fasica \u00e9 um pouco mais pesada e r\u00e1pida do que a maneira como os Mahones tocavam, mas \u00e9 uma m\u00fasica muito boa e que \u00e9 muito bem recebida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ultrabomb live (in 4K)-  Punk Rock Saved My Life (The Mahones)- @ 191 Toole- Tucson, AZ- 5\/24\/23\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/q24ZrS1LZaA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nisso, al\u00e9m do UltraBomb e do H\u00fcsker D\u00fc, voc\u00ea tamb\u00e9m tocou em um outro power trio h\u00e1 alguns anos, o <a href=\"https:\/\/porcupineband.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Porcupine<\/a>. Por isso, queria por que voc\u00ea acha que esse lineup de tr\u00eas pessoas te agrada mais enquanto baixista e m\u00fasico de forma geral?<\/strong><br \/>\nBom, obviamente eu amo tocar em power trios. E o lance que realmente sustenta um power trio \u00e9 ter um baterista muito bom para tocar. Voc\u00ea tamb\u00e9m precisa de um \u00f3timo guitarrista, que basicamente consiga fazer soar como se estivesse tocando duas guitarras ao mesmo tempo, base e lead. E acho que as minhas linhas de baixo conseguem somar nessa base tamb\u00e9m, ent\u00e3o sempre gostei dessa forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E teve alguma banda que te fez querer tocar em um power trio? Ou talvez um baixista que voc\u00ea admirasse quando estava come\u00e7ando a tocar?<\/strong><br \/>\nHmm, acho que nenhum em especial. Uma banda muito boa precisa de um baixista muito bom. Mesmo que voc\u00ea olhe para uma banda como o The Who, eles s\u00e3o um power trio, mas contam com um vocalista principal na frente. A mesma coisa o Led Zeppelin, um power trio com um vocalista principal. Obviamente o John Entwistle (baixista do The Who) e o John Paul Jones (baixista do Led Zeppelin) s\u00e3o dois baixistas incr\u00edveis e muito influentes. Tamb\u00e9m fui muito influenciado por baixistas de jazz, como Stanley Clarke, e baixistas cl\u00e1ssicos do funk, como Larry Graham e George Clinton. N\u00e3o \u00e9 algo espec\u00edfico do estilo deles na maneira como eu toco, mas voc\u00ea acaba pegando algumas coisas mel\u00f3dicas. O Bruce Foxton com o The Jam \u00e9 um outro \u00f3timo exemplo de power trio. O Clint Conley, do Mission of Burma, aqui nos EUA. O <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/01\/entrevista-mike-watt-fala-dos-25-anos-de-ball-hog-or-tugboat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mike Watt<\/a>, do Minutemen. N\u00e3o sei, todos esses nomes me influenciaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2024 marca o anivers\u00e1rio de 40 anos do \u201cZen Arcade\u201d (1984), do H\u00fcsker D\u00fc, que \u00e9 considerado um dos discos mais importantes de todos os tempos do punk e da m\u00fasica alternativa de forma geral. Como voc\u00ea v\u00ea o disco hoje em dia, depois de tanto tempo? Voc\u00ea acredita que o legado do \u00e1lbum talvez tenha crescido nessas \u00faltimas d\u00e9cadas?<\/strong><br \/>\nQuer saber? Eu acho que sim (que o legado cresceu). Esse \u00e9 um disco que ainda se segura muito bem. N\u00f3s escrevemos esse \u00e1lbum como uma \u00f3pera rock, voc\u00ea tem toda uma hist\u00f3ria que atravessa o disco. \u00c9 basicamente sobre algu\u00e9m descobrindo quem \u00e9 para a sua vida e sobre ser livre para ser voc\u00ea mesmo. Sobre a ideia da civiliza\u00e7\u00e3o de conformidade, do que \u00e9 esperado que as pessoas fa\u00e7am \u2013 e elas precisam se libertar e serem verdadeiras com elas mesmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quando voc\u00eas estavam escrevendo o disco, sabiam que estavam fazendo n\u00e3o apenas algo grande e que podia marcar \u00e9poca, mas tamb\u00e9m algo arriscado e que podia receber muitas cr\u00edticas negativas?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos realmente preocupados com uma poss\u00edvel rea\u00e7\u00e3o negativa das pessoas. Era uma declara\u00e7\u00e3o ousada, uma banda de hardcore lan\u00e7ar um disco duplo com uma m\u00fasica ac\u00fastica e algumas coisas experimentais. Apenas fizemos o disco da forma que quer\u00edamos. N\u00e3o est\u00e1vamos necessariamente pensando algo como \u201cAh, esse disco vai mudar a m\u00fasica\u201d ou \u201cEsse \u00e1lbum vai influenciar muita gente no futuro\u201d. Mas o fato de isso ter acontecido \u00e9 incr\u00edvel, um tanto incompreens\u00edvel e algo pelo qual serei eternamente grato. Sempre fico muito agradecido quando algu\u00e9m diz que o disco lhe ajudou em um momento dif\u00edcil, \u00e9 muito bom saber que pudemos afetar as pessoas de uma maneira realmente positiva com esse disco. Mas n\u00e3o \u00e9 como se, enquanto est\u00e1vamos no est\u00fadio, n\u00f3s tiv\u00e9ssemos pensado \u201cAh \u00e9, esse disco vai salvar a vida das pessoas\u201d ou algo assim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zen Arcade\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mzlf4vXNGcLEeb93rlXuSQQXtV2GqVTiA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00ea criou e gravou algumas linhas de baixo hist\u00f3ricas com o H\u00fcsker D\u00fc, em faixas como \u201cStanding by the Sea\u201d, \u201cDon\u2019t Wanna Know If You Are Lonely\u201d e \u201cI\u2019ll Never Forget You\u201d, entre outras. Voc\u00ea tem alguma favorita \u2013 ou favoritas &#8211; por acaso?<\/strong><br \/>\nSim, eu tenho muitas linhas de baixo favoritas com o H\u00fcsker D\u00fc. Mas \u00e9 dif\u00edcil escolher uma delas para falar \u201c\u00c9 essa a\u00ed\u201d. Algumas apenas s\u00e3o mais divertidas de tocar ao vivo do que outras. E outras eu realmente gosto, como a linha de \u201cGravity\u201d, do \u201cEverything Falls Apart\u201d (1983), ou \u201cOut on a Limb\u201d, do \u201cMetal Circus\u201d (1983) \u2013 ou a \u201cReal World\u201d (do mesmo disco). H\u00e1 tantas m\u00fasicas incr\u00edveis do H\u00fcsker, \u00e9 dif\u00edcil escolher uma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns meses eu <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/17\/entrevista-tommy-stinson-fala-sobre-novo-disco-solo-os-anos-com-o-guns-n-roses-e-o-legado-do-replacements\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevistei o baixista de outra banda lend\u00e1ria de Minneapolis<\/a>, o Tommy Stinson, do Replacements, e ele falou um pouco sobre a cena da cidade, afirmando que nunca viu uma cena como aquela, que a cidade tinha uma comunidade musical muito diversa, em que todos se alimentavam uns dos outros. Disse tamb\u00e9m que era uma cena centralizada, mas que todos tocavam juntos mesmo que com aspira\u00e7\u00f5es musicais diferentes e at\u00e9 que muito disso tinha a ver com o Prince, porque todo mundo se alimentava dele de alguma forma, mesmo que voc\u00eas n\u00e3o sa\u00edssem com ele. Voc\u00ea concorda com ele? E quais as suas lembran\u00e7as dessa \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nConcordo totalmente com isso. Minneapolis tinha uma cena musical muito diversa nos anos 1980, mas todos se apoiavam. Ent\u00e3o n\u00e3o era apenas uma cena, mas uma comunidade, as pessoas iam ver as bandas umas das outras. O First Avenue (lend\u00e1ria casa de shows da cidade) era como o centro do universo musical, porque o Prince viria da zona norte da cidade com a sua galera, os punks viriam da zona sul, todo mundo meio que se misturava. N\u00f3s ador\u00e1vamos o Prince e ele tamb\u00e9m curtia o que estava acontecendo do lado punk. Ent\u00e3o todo mundo se alimentava disso, todo mundo se sai melhor quando a gente se sai melhor, era algo de muito apoio neste sentido. Voc\u00ea vai a algumas cidades em que voc\u00ea tem uma cena, mas n\u00e3o uma comunidade, ent\u00e3o voc\u00ea tem apenas essas cenas sat\u00e9lite, que n\u00e3o apoiam umas \u00e0s outras. Eles podem estar fazendo m\u00fasica incr\u00edvel, mas sinto que sempre \u00e9 melhor quando \u00e9 uma comunidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Minneapolis Sound | Full Documentary\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fW1tmB0aU9k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, existem muitos boatos de que havia uma suposta competi\u00e7\u00e3o entre as bandas, o H\u00fcsker D\u00fc e o Replacements, com pessoas at\u00e9 dizendo que era algo como Beatles x Rolling Stones. Por isso, queria saber como era a rela\u00e7\u00e3o entre voc\u00eas e qual a import\u00e2ncia de uma banda para a outra de talvez impulsionar uma \u00e0 outra?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s \u00e9ramos amigos, ent\u00e3o era uma rivalidade amig\u00e1vel. Era \u00f3timo ver eles alcan\u00e7arem sucesso e eles ficavam felizes em ver o nosso sucesso. Ent\u00e3o quando as compara\u00e7\u00f5es come\u00e7aram, tornou-se uma rivalidade amig\u00e1vel, como eu disse, em que era algo como \u201cAh \u00e9, n\u00f3s amamos aqueles caras, mas queremos que eles sejam a segunda melhor banda da cidade\u201d (risos). E eles diziam o mesmo sobre a gente. N\u00f3s fizemos muitos shows com ele, especialmente no come\u00e7o das bandas, fizemos turn\u00eas juntos. Mas como ele (Tommy) disse, era aquele apoio de comunidade. Nunca foi uma rivalidade amarga, nenhuma banda nunca falou merda sobre a outra, \u00e9ramos apenas jovens nos divertindo juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quem eram os Beatles e quem eram os Stones nesse cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s \u00e9ramos os Beatles e eles eram os Stones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou h\u00e1 pouco sobre o Grant Hart. Quando ele faleceu, em 2017, voc\u00ea publicou <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mrgregnorton\/posts\/pfbid02DpFVXxX8BPiq4MpPbCvzowvxCoz5DbdeD27Gipoondnvgb3ZZFHLTgdYWJ2oFYSdl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um bonito texto no Facebook<\/a> falando sobre como voc\u00eas eram amigos desde o in\u00edcio e que voc\u00ea sempre lembraria dele como um amigo. Quais as suas mem\u00f3rias da sua rela\u00e7\u00e3o com Grant, n\u00e3o apenas com o H\u00fcsker D\u00fc, mas depois do fim da banda tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nEu e o Grant nos conhecemos trabalhando em uma loja de discos, quando basicamente est\u00e1vamos descobrindo o punk enquanto estava acontecendo. Apenas am\u00e1vamos m\u00fasica e ir em shows juntos, t\u00ednhamos sensos de humor muito parecidos, ent\u00e3o tinha muitas piadas e divers\u00e3o. \u00c0 medida que a banda ficou maior, a nossa rela\u00e7\u00e3o ficou um pouco perdida por causa disso. Mas continuamos amigos e ainda nos v\u00edamos ocasionalmente depois do fim da banda. Eu moro a cerca de uma hora de Minneapolis, ent\u00e3o n\u00e3o o via tanto, mas nos d\u00e1vamos bem. O que \u00e9 triste \u00e9 que come\u00e7amos a nos reconectar um pouco mais no ver\u00e3o logo antes de ele morrer. Ele faleceu no dia 13 de setembro, de forma inesperada. Porque ele estava com c\u00e2ncer, mas o progn\u00f3stico dele tinha boas perspectivas. Por isso, foi muito duro quando ele morreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou que voc\u00eas compartilharam juntos o come\u00e7o do punk. Teve algum show punk em especial em que foram naquela \u00e9poca que te marcou?<\/strong><br \/>\nAcho que o primeiro show que eu e o Grant fomos juntos foi do Pere Ubu, em abril de 1978, no Longhorn (nota: lend\u00e1ria casa de shows de Minneapolis, mais conhecida como Jay\u2019s Longhorn). Esse show foi incr\u00edvel. N\u00f3s tamb\u00e9m vimos o Dead Boys no Longhorn. O Longhorn era meio que o CBGB de Minneapolis. O Blondie tocou l\u00e1, o Talking Heads, o Stranglers, Elvis Costello. Os Buzzcocks tamb\u00e9m, eles trouxeram o Gang of Four com eles para abrir o show e o Gang of Four acabou totalmente com o Buzzcocks no palco. Ent\u00e3o n\u00f3s t\u00ednhamos n\u00e3o apenas uma \u00f3tima cena local, mas a cidade definitivamente era uma parada para as bandas maiores que estavam em turn\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois que o H\u00fcsker D\u00fc acabou, voc\u00ea meio que se desconectou do mundo da m\u00fasica e foi trabalhar como chef por muitos anos. Voc\u00ea sempre se interessou em cozinhar, isso era algo que voc\u00ea j\u00e1 tinha na cabe\u00e7a de alguma forma quanto estava na banda?<\/strong><br \/>\nSempre fui apaixonado por cozinhar. Eu acabei gravitando para o mundo dos restaurantes depois do fim da banda porque era meio o que eu fazia no come\u00e7o de tudo. Conheci um chef de um restaurante e nos tornamos grandes amigos. E acho que um ou dois anos depois disso, ele estava abrindo um novo restaurante e precisava de ajuda na cozinha. Como ele sabia que eu n\u00e3o estava trabalhando na \u00e9poca, me chamou para lhe ajudar e falou algo como \u201cEi, voc\u00ea precisa pensar em algo para fazer al\u00e9m da m\u00fasica. H\u00e1 uma chance que voc\u00ea n\u00e3o possa tocar para sempre\u201d. Ent\u00e3o ele foi um mentor, me guiou pelo meu caminho nessa \u00e1rea. Eu aprendi a cozinhar, a trabalhar na linha de montagem e eventualmente subi e acabei abrindo o meu pr\u00f3prio restaurante. \u00c9 claro que inicialmente eu pensava que era como um chef beb\u00ea, muito iniciante, mas adotei o bom e velho \u201cfingir at\u00e9 conseguir\u201d \u2013 do original \u201cfake it until you make it\u201d em ingl\u00eas (risos). O ponto dele (do amigo chef) era que eu tinha um paladar muito bom e que eu conseguia perceber a diferen\u00e7a entre comida boa e ruim. Infelizmente h\u00e1 muitas pessoas que trabalham em cozinhas de restaurantes que n\u00e3o possuem paladar e que n\u00e3o sabem que est\u00e3o fazendo comida ruim. Eu meio que naturalmente fui para esse meio e acabou sendo algo em que eu era muito bom. Acho que h\u00e1 muitas similaridades entre ser um m\u00fasico e trabalhar em um restaurante \u2013 os hor\u00e1rios s\u00e3o parecidos, por exemplo. Mas teve um per\u00edodo de 14 anos em que nem peguei em um baixo, n\u00e3o toquei nada. Por isso, sou agradecido de poder estar de volta. E muito agradecido pelo UltraBomb existir, porque eu me sinto da mesma forma de quando estava come\u00e7ando com o H\u00fcsker D\u00fc, aquele sentimento de ter algo especial e raro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-82807\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/tresdiscos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/tresdiscos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/tresdiscos-300x100.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me diga, por favor, tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e porque eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nBom, o primeiro \u00e9 de quando eu tinha 14 anos e escutei um disco de jazz de um cara chamado Billy Cobham. O disco era chamado \u201cSpectrum\u201d (1973) e o guitarrista do \u00e1lbum era o Tommy Bolin (nota: Bolin depois substituiu Ritchie Blackmore no Deep Purple, com quem gravou o cl\u00e1ssico \u201cCome Taste the Band\u201d, antes de sua morte em 1976). E esse disco realmente me impressionou com sua intensidade e o groove da coisa toda. Vamos ver, eu diria o \u201cThe Modern Dance\u201d (1978), do Pere Ubu, foi um disco que teve um grande impacto em mim. Apenas no sentido de o que a m\u00fasica pode ser e o que o punk pode ser. Para um terceiro, deixa eu ver, h\u00e1 tantos discos, estou tentando escolher um. Acho que o primeiro disco do Ramones (o \u00e1lbum autointitulado saiu em 1976). Mais uma vez, foi algo como \u201cQue porra \u00e9 essa? E onde isso estava antes na minha vida?\u201d. Foi um disco que mudou tudo, esse \u00e1lbum foi lan\u00e7ado quando eu ainda estava no ensino m\u00e9dio, ent\u00e3o era algo completamente diferente das coisas que eu escutava at\u00e9 ent\u00e3o. Apenas amei o disco, foi algo que teve muito impacto em mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima pergunta. Do que voc\u00ea tem mais orgulho na sua carreira?<\/strong><br \/>\nDefinitivamente tenho muito orgulho do legado do H\u00fcsker D\u00fc e da influ\u00eancia da banda em muitos artistas e colegas m\u00fasicos, o impacto que a nossa m\u00fasica teve na vida das pessoas. Tenho muito orgulho do que o UltraBomb est\u00e1 fazendo agora, estou convencido que estamos tocando o melhor som punk do planeta neste momento. E tenho duas filhas pequenas das quais me orgulho muito, hoje foi o \u00faltimo dia de aula delas, elas foram para o terceiro e o quarto ano. Elas s\u00e3o crian\u00e7as \u00f3timas de verdade, elas s\u00e3o inteligentes, gentis e atenciosas. Tenho muito orgulho delas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"UltraBomb Don&#039;t Want to Know If You Are Lonely May 5, 2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bsoSt4jT5As?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ultrabomb \u201cNew Day Rising\u201d (H\u00fcsker D\u00fc cover)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rG5vzLp4cGY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"UltraBomb - Makes No Sense At All (H\u00fcsker D\u00fc cover) (Punk Rock Bowling, Las Vegas - May 29, 2023)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2_AVA1xFnWo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lend\u00e1rio baixista conta sobre processo criativo de \u201cDying to Smile\u201d, segundo trabalho da sua nova banda, lembra a vida fora da m\u00fasica como chef de cozinha, revela porque adora tocar em power trios e diz que o punk salvou sua vida.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/08\/entrevista-greg-norton-fala-sobre-o-novo-disco-do-ultrabomb-o-legado-do-husker-du-e-os-40-anos-de-zen-arcade\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":82806,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7313,163,7312],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82804"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82804"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82804\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82808,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82804\/revisions\/82808"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82806"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}