{"id":8268,"date":"2011-04-04T00:11:55","date_gmt":"2011-04-04T03:11:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8268"},"modified":"2023-03-29T00:15:53","modified_gmt":"2023-03-29T03:15:53","slug":"allman-brothers-no-beacon-theatre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/04\/allman-brothers-no-beacon-theatre\/","title":{"rendered":"Allman Brothers no Beacon Theatre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8269 aligncenter\" title=\"allman1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/allman1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/allman1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/allman1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>texto e fotos por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/imont\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Itamar Montalv\u00e3o<\/a>, especial para o Scream &amp; Yell<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mar\u00e7o parece ser o m\u00eas do \u2018Hajj\u2019 para os f\u00e3s de uma banda de southern rock criada em Macon, Georgia. Tal como mul\u00e7umanos peregrinando a Meca, pessoas de todas as partes do mundo convergem este m\u00eas para Nova York a fim de testemunhar um evento t\u00e3o enraizado na cultura da cidade quanto a Thanksgiving Parade ou a inaugura\u00e7\u00e3o da \u00e1rvore de Natal do Rockefeller Center: a s\u00e9rie de concertos de primavera da Allman Brothers Band no majestoso Beacon Theatre, no cora\u00e7\u00e3o do Upper West Side<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisar no teatro de 1929 j\u00e1 \u00e9 o primeiro soco na cara. Projetado pelo arquiteto norte-americano Walter Ahlschlager em estilo art d\u00e9co, o Beacon \u00e9 uma das mais belas constru\u00e7\u00f5es que seus olhos ser\u00e3o capazes de captar. Tudo, absolutamente tudo, \u00e9 concebido com um senso est\u00e9tico e ac\u00fastico raro. O palco \u00e9 visto sem obst\u00e1culos de qualquer ponto do teatro, que \u00e9 menor do que parece ser em grava\u00e7\u00f5es (como a do \u201cShine a Light\u201d, document\u00e1rio show dos Stones gravado por Scorsese na casa em 2007) e a ac\u00fastica foi tratada \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. O tom da luz, a temperatura, o p\u00fablico, tudo gera o \u2018ambience\u2019 que faz o espectador realmente acreditar estar fazendo parte de um acontecimento \u00fanico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo place like home\u201d. A Allman Brothers Band tem uma longa rela\u00e7\u00e3o de amor com Nova York. Tudo come\u00e7ou com os shows no lend\u00e1rio Fillmore East, em 1971, registrados ao vivo em um dos melhores discos da hist\u00f3ria do rock. Em 1989, ainda com Dickey Betts, os Allman Brothers estabeleceram um novo marco no calend\u00e1rio cultural de Manhattan ao darem in\u00edcio a uma tradicional turn\u00ea anual, carinhosamente conhecida como \u2018Beacon Run\u2019. A tradi\u00e7\u00e3o tornou-se t\u00e3o forte que em duas d\u00e9cadas apenas em 2010 os shows deixaram de acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8270 aligncenter\" title=\"allman2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/allman2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pr\u00e9-agendamento do teatro para \u201cBanana Shpeel\u201d, um espet\u00e1culo do Cirque du Soleil, fez com que a banda subisse uns 100 quarteir\u00f5es at\u00e9 o United Palace Theater, em Washington Heights. Um desastre total. O espet\u00e1culo do Cirque foi um fracasso, a vibe do United afastou o p\u00fablico e Jay Marciano, presidente da MSG Entertainment, empresa que administra o Beacon, precisou pedir desculpas p\u00fablicas a Gregg Allman, Butch Trucks e Jaimoe durante uma entrevista coletiva em novembro do ano passado, quando anunciou que a banda estava voltando a seu devido lugar. Como na can\u00e7\u00e3o, \u2018the Gypsy flies from coast to coast, but back home he\u2019ll always run\u2026\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com 41 anos de forma\u00e7\u00e3o e 25 \u00e1lbuns lan\u00e7ados, os Brothers t\u00eam um repert\u00f3rio suficiente para n\u00e3o repetir uma can\u00e7\u00e3o sequer durante uma s\u00e9rie de shows. Mas muito mais importante do que a banda toca \u00e9 como ela toca. Isso \u00e9 o que torna os Allman Brothers essa massa de som t\u00e3o especial para uma legi\u00e3o de f\u00e3s que parece pedir para ser atropelada por ela. Com uma se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica composta por duas baterias (Butch Trucks e Jaimoe), percuss\u00e3o (Marc Quinones) e um dos mais vers\u00e1teis baixistas da atualidade (Oteil Burbridge), a cama est\u00e1 feita para que Gregg Allman (piano e Hammond B-3), Derek Trucks e Warren Haynes (guitarras) deitem e rolem em intermin\u00e1veis viagens sonoras que parecem puxar a plateia para outra dimens\u00e3o. A m\u00fasica, que j\u00e1 tinha passado no teste do tempo, mostrou ser capaz tamb\u00e9m de desafiar o espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira noite, o show come\u00e7ou pesado com \u201cTrouble No More\u201d e \u201cMidnight Rider\u201d. Com Bruce Hampton e Duane Trucks como convidados, seguiram com \u201cTurn On Your Lovelight\u201d e a partir da\u00ed o que se viu foram jams intermin\u00e1veis, com Warren Haynes especialmente inspirado em \u201cLeave My Blues At Home\u201d. Ap\u00f3s um intervalo de 20 minutos, onde lendas do blues eram projetadas no tel\u00e3o, a banda voltou com \u201cDreams\u201d, para \u00eaxtase dos presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta \u00faltima, a inspira\u00e7\u00e3o parece ter caminhado uns quatro passos para a direita e tomou Derek Trucks de assalto, que parecia possu\u00eddo num dos melhores solos de guitarra j\u00e1 feitos ao vivo. Mais uma convidada da noite, Susan Tedeschi (mulher de Derek Trucks), juntou-se \u00e0 banda para uma vers\u00e3o de \u201cAny Day\u201d, cl\u00e1ssico de Eric Clapton gravado na fase Derek &amp; The Dominos. O set fechou com uma vers\u00e3o de \u201cIn Memory Of Elizabeth Reed\u201d, que faz o p\u00fablico acreditar que Derek Trucks e Warren Haynes s\u00e3o compostos por cabe\u00e7as, troncos, membros e guitarras. Para o bis, sem nenhuma piedade, \u201cInto The Distance\u201d, de Van Morrison.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8271 aligncenter\" title=\"allman3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/allman3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda noite marcava o fim da temporada e o show n\u00famero 200 da banda no Beacon. Um marco. A performance havia de ser \u00e0 altura deste evento hist\u00f3rico. O set fpi aberto com duas pedradas, \u201cAin\u2019t Wasting Time No More\u201d e \u201cEvery Hungry Woman\u201d, com Gregg Allman cantando como se fosse a \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o de sua vida. Depois de uma pitada de jazz em \u201cKind Of Bird\u201d, convidaram ao palco o lend\u00e1rio bluesman Hubert Sumlin, com quem tocaram \u201cSmokestack Lightning\u201d e \u201cKey to The Highway\u201d para del\u00edrio geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A festa continuou com outro tit\u00e3 do blues, Dr. John, que trouxe na bolsa as especiarias de New Orleans para esquentar uma noite gelada de Manhattan numa vers\u00e3o altamente vudu de \u201cI Walked In Gilded Splinters\u201d. Depois, Dr. John deixou o piano e foi para a guitarra, colocando o Beacon abaixo com \u201cLet The Good Times Roll\u201d. Por fim, voltou ao piano para o tiro de miseric\u00f3rdia, \u201cRight Place, Wrong Time\u201d, com Susan Tedeschi como backing vocal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um primeiro set eletrizante assim, a banda aumentou a responsabilidade para o segundo. Para deixar as coisas onde estavam, come\u00e7aram novamente com \u201cDreams\u201d, s\u00f3 que desta vez com Warren Haynes no solo principal. Seguiram com a vigorosa (e favorita) \u201cBlack Hearted Woman\u201d e voltaram numa sequ\u00eancia de blues com \u201cWho\u2019s Been Talking\u201d, \u201cIt Takes A Lot to Laugh\u201d, \u201cIt Takes a Train to Cry\u201d e \u201cOne Way Out\u201d. A noite j\u00e1 estava ganha quando Bruce Katz subiu ao palco para, ao piano, tocar com os Brothers uma vers\u00e3o \u00e9pica de \u201cJessica\u201d, encerrando o show. No bis, ap\u00f3s brincar com o tema de \u201cLittle Martha\u201d, a banda seguiu todo o peso do baixo de Oteil Burbridge para um final demolidor com \u201cWhipping Post\u201d, encerrando uma noite inesquec\u00edvel, um show especial que tem o poder de acompanhar voc\u00ea pela eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei se h\u00e1 reencarna\u00e7\u00e3o, mas se houver, foram os melhores shows de qualquer vida que venha a ter. Coloque na agenda: mar\u00e7o de 2012, Allman Brothers Band no Beacon Theatre, em Nova York. A peregrina\u00e7\u00e3o vale a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8272 aligncenter\" title=\"allman4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/allman4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/allman4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/allman4-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Itamar Montalv\u00e3o\nSaiba como foram dois dos shows anuais de primavera da Allman Brothers Band no majestoso Beacon Theatre, em Nova York\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/04\/allman-brothers-no-beacon-theatre\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8268"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8268"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73639,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8268\/revisions\/73639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}