{"id":82665,"date":"2024-07-31T00:01:00","date_gmt":"2024-07-31T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=82665"},"modified":"2024-09-06T08:47:06","modified_gmt":"2024-09-06T11:47:06","slug":"entrevista-em-nova-fase-jupta-ve-na-estranheza-sua-principal-virtude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/07\/31\/entrevista-em-nova-fase-jupta-ve-na-estranheza-sua-principal-virtude\/","title":{"rendered":"Entrevista: Em nova fase, Jupta v\u00ea na estranheza sua principal virtude"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jornalista Andr\u00e9 Forastieri escreveu, em um j\u00e1 distante 2013, que a cidade de Jundia\u00ed \u201cfica a 57 quil\u00f4metros e mil anos-luz de S\u00e3o Paulo. Jundia\u00ed fica no interior, no presente, no previs\u00edvel\u201d. O not\u00e1vel cr\u00edtico musical, \u00e9 claro, ainda n\u00e3o sabia da exist\u00eancia da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/juptabr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jupta<\/a>, que ainda levaria cinco anos para despontar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada em 2018, a banda atualmente integrada por Matheus Flores (vocais), Marcus Vin\u00edcius (guitarra), Daniel Martinho (baixo) e Henrique Oliveira (bateria) j\u00e1 carrega consigo um n\u00edvel de experi\u00eancia capaz de fazer inveja a muitos outros grupos com mais tempo de estrada: com dois discos de est\u00fadio na bagagem \u2013 \u201cUm Pouco de Paz Antes que Tudo Acabe\u201d, (2019) e \u201cMinha Casa \u00e9 Longe Daqui (2020) \u2013 al\u00e9m de uma boa quantidade de singles (e at\u00e9 mesmo um registro ao vivo, \u201cDe Sa\u00edda\u201d, gravado durante a pandemia em 2021), o grupo soa moderno e futurista ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo tamb\u00e9m carrega viv\u00eancias que incluem mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o e de sonoridade: o som de guitarra cru, com influ\u00eancias de stoner rock, deu lugar a uma presen\u00e7a maior de baixo e de sintetizadores com a sa\u00edda de Marcus, em 2020, e a subsequente entrada de Daniel. Com o retorno do guitarrista, os \u00faltimos singles (\u201cVertigem\u201d e \u201cAinda Somos Estranhos\u201d, de 2023, e o mais recente lan\u00e7amento, \u201cUltravioleta\u201d \/ \u201cEspiral\u201d, disponibilizado em junho pelo selo Tratore) mesclam o som j\u00e1 concretizado nos trabalhos anteriores e apontam caminhos para o vindouro terceiro \u00e1lbum, que, segundo os pr\u00f3prios, chega muito em breve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Jupta \u00e9 estranha o suficiente para ser totalmente independente\u201d, opina o vocalista Flores. No entanto, esta \u201cestranheza\u201d j\u00e1 rendeu conquistas: al\u00e9m de terem sido consagrados no Pr\u00eamio Gabriel Thomaz de M\u00fasica Brasileira em 2019, a banda recentemente teve a oportunidade de lan\u00e7ar seu mais novo single em grande estilo, fazendo um show especial em sua cidade natal como parte do projeto \u201cAmplifica\u201d, do Sesc, contando com a participa\u00e7\u00e3o especial de L\u00e9o Ramos (Supercombo). Esses foram apenas alguns dos muitos assuntos abordados no bate-papo com o quarteto, que pode ser conferido a seguir. Com voc\u00ea, Jupta.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jupta - Ultravioleta \/ Espiral (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SQLF3oQWpvo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria come\u00e7ar perguntando sobre o single novo, \u201cUltravioleta\/Espiral\u201d. Como voc\u00eas t\u00eam percebido a recep\u00e7\u00e3o dos seguidores da banda nesses primeiros dias depois do lan\u00e7amento?<\/strong><br \/>\nMarcus: N\u00f3s sempre planejamos muito bem essas coisas, mas com estrat\u00e9gias diferentes, com uma antecipa\u00e7\u00e3o maior, para depois criar um ambiente pra lan\u00e7armos nossas coisas. Agora pensamos: \u201cvamos fazer algo diferente\u201d, e o (Gustavo) Koch (respons\u00e1vel pela parte de divulga\u00e7\u00e3o) nos ajudou a ter uma outra vis\u00e3o, pensar em uma maneira de divulgar mais pensando no single. Foi meio de repente: a gente anunciou 10 dias antes, e n\u00e3o foi t\u00e3o \u201cde surpresa\u201d, porque o p\u00fablico sacou que est\u00e1vamos fazendo coisas. Quer dizer, a gente sumiu (risos), inclusive pra conseguirmos fazer as coisas. Ent\u00e3o a pr\u00f3pria rea\u00e7\u00e3o da galera foi um pouco diferente, j\u00e1 que como a gente conseguiu engatilhar o show de lan\u00e7amento, n\u00e3o houve muito tempo pra encontrar a galera e sentir o feedback antes de apresentar, ent\u00e3o muito do pessoal que veio dar o feedback pessoalmente foi no dia do pr\u00f3prio show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: E tem aquela coisa tamb\u00e9m: a galera que \u00e9 mais chegada em n\u00f3s \u00e9 mais chegada do show mesmo, ent\u00e3o, como a gente estava parado, quando divulgamos que \u00edamos lan\u00e7ar coisas, a rea\u00e7\u00e3o do pessoal pelas redes sociais foi bem surpreendente, com gente comentando e postando que \u00edamos ter lan\u00e7amento, que ia ter clipe&#8230; e o pessoal se animou, sem termos tido muito contato pessoal, f\u00edsico, com a galera. A gente percebeu que a galera ficou bem animada, e o peso do show no Sesc mostrou que o que n\u00f3s est\u00e1vamos vendo nas redes era real&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: O pessoal que a gente n\u00e3o via h\u00e1 muito tempo come\u00e7ou a compartilhar tanto as m\u00fasicas quanto o convite do show, muita gente que n\u00f3s n\u00e3o encontr\u00e1vamos pessoalmente compartilhou. Fiquei at\u00e9 bem surpreso, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: N\u00e3o teve aquela coisa de chegar e falar \u201cp\u00f4, escutei o single l\u00e1, legal\u201d. Mas a resposta da divulga\u00e7\u00e3o j\u00e1 mostrou que o p\u00fablico fica animado que vamos lan\u00e7ar coisas novas. A galera gostou, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/artist\/4ky7lXhtoV6AhjFZiECmr7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 que observamos uma crescente de ouvintes no Spotify<\/a>, e isso \u00e9 muito m\u00e9rito da divulga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: \u00c9 legal que o pessoal tamb\u00e9m compartilhou coisas que a gente nem esperava. Ent\u00e3o foi bom ficar em sil\u00eancio, porque mesmo os mais chegados estavam meio desesperados pelas coisas novas. A\u00ed vieram compara\u00e7\u00f5es com sons que a gente nem mirou&#8230; Tem gente que falou que lembrou do My Chemical Romance, e a\u00ed voc\u00ea fala \u201cah, t\u00e1 bom\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas \u00e9 uma boa compara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o? Inclusive, pegando esse gancho das compara\u00e7\u00f5es, a Jupta sempre teve uma presen\u00e7a forte de sintetizadores, e agora d\u00e1 para perceber que isso figura de uma outra maneira, mais protagonista. Como isso foi mapeado por voc\u00eas, pra significar uma nova fase na carreira? Foi uma coisa pensada, ou mais espont\u00e2nea&#8230;<\/strong><br \/>\nFlores: Foi muito natural. Desde o come\u00e7o pensamos em ter esse elemento. Acho que o que foi mais diferente dessa vez foi que \u201cUltravioleta\u201d e outras que estamos fazendo partiram de ideias de sintetizador, tanto do Henrique quanto minhas. S\u00e3o m\u00fasicas onde, apesar de estarmos mais \u201corg\u00e2nicos\u201d, nos quatro elementos, a cria\u00e7\u00e3o mesmo j\u00e1 foi para esse lado. P\u00f4, como j\u00e1 usamos isso ao vivo, vamos tentar come\u00e7ar por essa parte, pra ficar mais natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Tamb\u00e9m teve a quest\u00e3o do \u201cMinha Casa \u00c9 Longe Daqui\u201d, quando o Marcus saiu. Apesar de eles j\u00e1 usarem [os sintetizadores], a guitarra era um grande integrante mesmo, e quando o baixo entrou no lugar, n\u00e3o teve como suprir essa falta. Ent\u00e3o, ali n\u00f3s resolvemos explorar esse mundo, e acabou sendo uma ferramenta legal. Hoje, \u00e9 como um quinto elemento nosso, mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: E, pensando na nossa frequ\u00eancia de ensaios, querendo ou n\u00e3o, parte do que fizemos juntos (em \u201cMinha Casa&#8230;\u201d) n\u00e3o foi feito junto, porque tivemos o maior temp\u00e3o de pandemia. Por isso, n\u00e3o deu para experimentar tanta coisa, e depois que tudo terminou e o Marquinhos voltou, n\u00f3s tivemos a oportunidade de experimentar. Porque estamos quase sempre no est\u00fadio, e por isso, muitas vezes, um erro acaba virando uma coisa boa, ou o contr\u00e1rio; inclusive nos ensaios de agora, sabe? Muita gente n\u00e3o tem isso, e antes tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00ednhamos, mas agora temos, e sem \u201crepres\u00e1lia\u201d nenhuma. Antes eu mesmo n\u00e3o participava com letras, mas hoje vou muito mais livre, e os outros tamb\u00e9m. Voc\u00ea perguntou se isso foi uma coisa pensada, ou escolhida&#8230; n\u00e3o foi, mas \u00e9 um reflexo dessa nossa nova liberdade. E todo mundo viu s\u00f3 um pedacinho disso at\u00e9 agora, porque tem muita coisa ainda por vir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora, falando do show de lan\u00e7amento, voc\u00eas tiveram a participa\u00e7\u00e3o ilustre do L\u00e9o Ramos, que \u00e9 um cara muito bem estabelecido gra\u00e7as ao Supercombo e ao trabalho como produtor. Como se deu esse contato? E a rotina de ensaios, a qu\u00edmica entre voc\u00eas que se refletiu, inclusive, no pr\u00f3prio show?<\/strong><br \/>\nFlores: N\u00f3s est\u00e1vamos com esse convite (do Sesc) j\u00e1 faziam uns seis meses. O L\u00e9o, mesmo estando no nosso meio coletivo, sempre foi uma refer\u00eancia muito forte para o Henrique. E pensamos em trazer um nome que fosse capaz de somar de uma forma mais org\u00e2nica e efetiva, e o L\u00e9o topou na hora. Na verdade, tivemos um ensaio, que foi no pr\u00f3prio dia. E n\u00f3s j\u00e1 conhecemos muitas bandas, mas ele foi uma das pessoas mais gente boa que j\u00e1 conhecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Ele chegou no est\u00fadio, cumprimentou todo mundo, ficou super tranquilo, e na hora de come\u00e7ar foi tipo \u201cent\u00e3o, quais v\u00e3o ser as m\u00fasicas, pensei em fazer isso e aquilo na m\u00fasica de voc\u00eas&#8230;\u201d. Ou seja, ele veio pronto para trabalhar, e as duas primeiras vezes que tocamos j\u00e1 rolaram muito bem. Depois disso, todo mundo tirou uma montanha das costas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: Principalmente para mim, tinha muita expectativa. Voc\u00ea n\u00e3o sabe como vai ser, espera que seja tudo muito r\u00e1pido, simples e perfeito, ou que seja muito dif\u00edcil, e foi super relax. Ele deixou muito nas nossas m\u00e3os, falando de ordem das m\u00fasicas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: A gente fica na impress\u00e3o de estar sendo avaliado, mas ele veio com a ideia de que ele era o convidado, ent\u00e3o prop\u00f4s algumas coisas diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: Sim, e eu pessoalmente consegui fazer um show muito tranquilo por causa desse contato pr\u00e9vio. N\u00f3s nunca t\u00ednhamos tido contato com ele antes, nem por WhatsApp. S\u00f3 t\u00ednhamos uma mensagem de \u00e1udio dele, e isso definiu tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: E tem outro ponto: desde o come\u00e7o a Jupta n\u00e3o faz covers, e de uma vez pegamos tr\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: Al\u00e9m disso, ele tinha dito no come\u00e7o que n\u00e3o queria tocar. A Jupta tem um guitarrista s\u00f3, ao mesmo tempo que o Supercombo tem guitarras, teclados&#8230; fiquei com isso na cabe\u00e7a, mas no fim ficou tudo muito fiel, e a voz dele soou excelente, como sempre. At\u00e9 no camarim, o Marquinhos conversou bastante com ele, falou de guitarras, pedais e afins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: Ele \u00e9 muito dispon\u00edvel, e veio como se estivesse indo pra qualquer outro evento, at\u00e9 para as pessoas como um todo. Mesmo porque muitas das pessoas estavam l\u00e1 por causa dele mesmo, e ele estava l\u00e1, assistindo o show do qual ele tinha acabado de participar, junto com o p\u00fablico. Tirou fotos, deu aut\u00f3grafos e tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: O Chapola (produtor de longa data da banda) gravou o ensaio e nos mandou, e j\u00e1 dava pra ver que estava tudo muito certo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_82672\" aria-describedby=\"caption-attachment-82672\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-82672 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/jupta3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"825\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/jupta3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/jupta3-273x300.jpg 273w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82672\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jupta com Leo Ramos \/ Foto de Gustavo Koch<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inclusive, ainda nesse assunto, o Flores comentou durante o show sobre os cinco anos do lan\u00e7amento de \u201cUm Pouco de Paz Antes que Tudo Acabe\u201d. Olhando para tr\u00e1s hoje, com mais um \u00e1lbum, uma grava\u00e7\u00e3o ao vivo e alguns singles a mais na bagagem, como voc\u00eas avaliam esse \u00e1lbum hoje em dia, e enxergam a evolu\u00e7\u00e3o da banda ao longo dos \u00faltimos anos?<\/strong><br \/>\nHenrique: Eu muitas vezes penso que esse \u00e9 o nosso melhor \u00e1lbum, sabe? Pelo menos at\u00e9 ent\u00e3o (risos). Penso em como fizemos aquilo com um ano de banda, um ano de intera\u00e7\u00e3o&#8230; porque a gente era novo, e como conseguimos aquele resultado com todas as dificuldades daquele tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: E receberam pr\u00eamio de M\u00fasica do Ano, do Gabriel Thomaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: Lembrando que n\u00f3s, eu, Henrique e Flores, n\u00e3o \u00e9ramos amigos antes de ter a banda. N\u00f3s nos conhecemos para ter a banda, e nosso entrosamento era para tocar. O Mateus tinha uma outra banda, chamou o Henrique e eu para entrar, e a banda foi se desintegrando, at\u00e9 que sobramos n\u00f3s tr\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: E n\u00e3o tinha nada escrito h\u00e1 muito tempo [quando o \u00e1lbum foi feito]. Tudo saiu depois que a gente se conheceu. Eu n\u00e3o tinha experi\u00eancia nenhuma em grava\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum; para mim, fazer um \u00e1lbum era a maior dificuldade. E tudo foi acontecendo, eu acho, de modo natural. Nem lembro de ter gravado todas as partes de bateria. Era t\u00e3o natural, e \u00e9ramos t\u00e3o novos, que nem tinha esse peso de \u201cp\u00f4, grava\u00e7\u00e3o\u201d. Muitas das m\u00fasicas n\u00e3o estavam prontas quando entramos para gravar. Hoje \u00e9 diferente. At\u00e9 o merch foi diferente: comprei v\u00e1rios equipamentos de serigrafia, para fazer silk screen, e n\u00e3o parecia dif\u00edcil. E n\u00f3s colhemos muita coisa desse disco, com premia\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 dos clipes que fizemos sozinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Essa parte da biografia da banda \u00e9 muito engra\u00e7ada, sempre conversamos sobre isso. No come\u00e7o, o foco era muito na guitarra, e quando o Marquinhos saiu, teve essa substitui\u00e7\u00e3o, do baixo pela guitarra. E \u00e9 legal, porque agora, para o \u00e1lbum 3, estamos mais completos, e nosso p\u00fablico entende e gosta disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: Tudo aconteceu como tinha que acontecer, parece. Essas experi\u00eancias eram importantes para n\u00f3s, e ter tido mais enfoque tanto no baixo quanto na guitarra ajudou a balancear isso, e deixar todos serem protagonistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante a turn\u00ea Vertigem, al\u00e9m de lan\u00e7ar dois singles (\u201cVertigem\u201d e \u201cAinda Somos Estranhos\u201d) voc\u00eas tocaram em v\u00e1rios lugares de destaque, como o Casar\u00e3o (em Piracicaba), o Asteroid (em Sorocaba), o Fffront e o Iglesia (em SP). Voc\u00eas enxergam a Jupta como parte de alguma \u201ccena\u201d espec\u00edfica?<\/strong><br \/>\nFlores: A Jupta \u00e9 estranha o suficiente para ser totalmente independente (risos). N\u00e3o que isso seja bom ou ruim, mas n\u00f3s somos bem estranhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: N\u00f3s estamos sempre t\u00e3o preocupados em tocar que muitas vezes n\u00e3o vemos o que est\u00e1 rolando em volta, e as vezes somos os \u00faltimos a saber. E nunca esperamos que fosse reverberar tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Dentro da cena, isso \u00e9 um desafio, alcan\u00e7ar essa aten\u00e7\u00e3o do pessoal. Ficamos felizes quando temos resultados, mas \u00e9 um desafio grande porque, falando do underground, sabemos que tem uma cena forte de bandas cover. E que essas bandas tem l\u00e1 o seu p\u00fablico. O mesmo acontece com as bandas de hardcore. Agora, quando se fala da Jupta, principalmente dentro de eventos, \u00e9 mais dif\u00edcil pensar nisso (em uma cena ou g\u00eanero espec\u00edfico). Nem a gente sabe; sempre ca\u00edmos naquele neg\u00f3cio do \u201calternativo\u201d, com um pezinho no \u201cindie\u201d, que \u00e9 onde nos identificamos mais. Fica dif\u00edcil ter um p\u00e9 em v\u00e1rios lugares, apesar de fazermos um bom show, com um som que n\u00e3o lembre nada imediatamente. \u00c9 uma vantagem, mas o desafio \u00e9 construir um p\u00fablico que goste dessa mistura mais dif\u00edcil de classificar. Todos buscam alguma refer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: J\u00e1 disseram que n\u00f3s \u00e9ramos como se fosse o Tom Morello com o David Bowie cantando, sob a produ\u00e7\u00e3o do Josh Homme (risos). J\u00e1 disseram \u201cvoc\u00eas s\u00e3o t\u00e3o estranhos que \u00e9 maravilhoso\u201d. Mesmo o primeiro \u00e1lbum sendo mais coeso, puxando um pouco para o stoner, para um indie mais \u201ctradicional\u201d, n\u00f3s fomos incorporando elementos mais modernos, puxando de v\u00e1rios estilos. Algumas bandas, como o Foals, o Nothing But Thieves, ou o IDLES, fazem isso muito bem, tamb\u00e9m, fazem essas misturas deixando um pouco de lado um estilo mais simples. E o p\u00fablico deles acompanhou isso. Agora, com essa forma\u00e7\u00e3o em quarteto, estamos buscando justamente essa coes\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: \u00c9 uma tend\u00eancia mundial, dentro do mercado da m\u00fasica, procurar fazer diferente. Mas para n\u00f3s \u00e9 muito espont\u00e2neo. J\u00e1 chegamos a descartar coisas legais que fizemos porque n\u00e3o ficou estranho, ou porque ficou demais em um padr\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: At\u00e9 a pr\u00f3pria m\u00fasica \u201cEspiral\u201d, que agora saiu como single, come\u00e7ou como uma jam de encerramento de show. J\u00e1 sent\u00edamos a energia dela, mas n\u00e3o sab\u00edamos que era uma m\u00fasica mesmo. E agora estamos colocando-a nos shows, e vendo que \u00e9 um resultado de toda aquela busca por \u201cestranheza\u201d que aconteceu com os outros \u00e1lbuns.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-82670 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/jupta2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/jupta2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/jupta2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/jupta2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas falaram muito dessa \u201cestranheza\u201d, que na verdade pode ser intepretada como \u201coriginalidade\u201d, mesmo. Isso tem muito a ver com a identidade visual da banda, e inclusive com o clipe longo que foi feito para as duas novas faixas, \u201cUltravioleta\/Espiral\u201d, com 8 minutos de dura\u00e7\u00e3o. Como voc\u00eas equilibram essa ambi\u00e7\u00e3o art\u00edstica com o momento atual, onde a capacidade de aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e9 cada vez mais reduzida gra\u00e7as \u00e0s redes sociais?<\/strong><br \/>\nFlores: Acho que isso \u00e9 complicado, porque apesar de nos darmos bem no audiovisual, somos \u201catrasados por op\u00e7\u00e3o\u201d em algumas redes e trends, porque acho que j\u00e1 saturou demais. \u201cAh, o m\u00fasico tem que ser influenciador, tem que ser criador de conte\u00fado&#8230;\u201d; n\u00e3o, o m\u00fasico tem que ser m\u00fasico, e no m\u00e1ximo um artista audiovisual. Essa \u00e9 a personalidade que n\u00f3s quatro temos, e acho que n\u00e3o vamos ficar tentando nos adaptar a algo que completamente falso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: Seria for\u00e7ado da nossa parte. A gente discutiu bastante, e eu trouxe muito esse assunto tamb\u00e9m, por sentir que \u00e9 uma realidade: faz falta n\u00e3o ter esse \u201cesp\u00edrito tiktoker\u201d, uma coisa que ningu\u00e9m aqui gosta de fazer. Mas isso pesa&#8230; a gente v\u00ea bandas mais novas, que n\u00e3o deixam de ter talento, que alcan\u00e7am resultados muito vis\u00edveis por trabalharem muito esse lado das redes, da coisa r\u00e1pida, sabe? Imediata&#8230; e a pr\u00f3pria m\u00fasica acaba ficando de lado. Uma banda n\u00e3o \u00e9 para ser uma coisa de \u201ctrends\u201d. \u00c9 para criar um espet\u00e1culo, e n\u00e3o para ser uma coisa de 15 segundos em alguma rede social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: A gente pode \u201cperder\u201d nesse quesito, porque \u00e9 um fato, mas nos garantimos no \u201cp\u00f3s \u2013show\u201d, de conversar com as pessoas. Essa \u00e9 a parte da qual gostamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: O clipe mesmo foi uma jogada muito pensada dentro do nosso pr\u00f3prio conceito. 8 minutos de dura\u00e7\u00e3o \u00e9 muito para algu\u00e9m acostumado a ver conte\u00fados de 15 segundos e passar para o lado. E ficamos felizes com o resultado, sabendo que, se tent\u00e1ssemos cativar o p\u00fablico pela presen\u00e7a em redes como o Tik Tok, talvez tiv\u00e9ssemos mais views ainda; mas isso seria deixar a originalidade de lado. \u00c9 importante pensar em uma banda como uma empresa, de modo empreendedor, e isso n\u00e3o pode ficar totalmente de lado, para chegarmos aonde queremos chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inclusive, falando em objetivo: n\u00f3s vivemos em um mundo onde \u00e9 inevit\u00e1vel que o artista precise se posicionar politicamente. A Jupta nunca se restringiu, no que diz respeito aos valores progressistas que voc\u00eas sempre defenderam. Como voc\u00eas enxergam essa \u201cnecessidade\u201d, como muitos enxergam, em ter um posicionamento claro?<\/strong><br \/>\nFlores: Isso \u00e9 extremamente necess\u00e1rio. \u00c9 aquele clich\u00ea: rock sempre foi pol\u00edtico. Eu me sinto mal ao ver bandas que eu adoro se colocarem de modo isento; ao mesmo tempo, eu entendo que \u00e9 um campo onde se pode ganhar ou perder muito, ent\u00e3o \u00e9 preciso ser muito corajoso para falar de certas coisas. Sendo o cara que est\u00e1 com o microfone na m\u00e3o, sempre fico atento a onde estamos, e como o p\u00fablico est\u00e1, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a (risos). A bandeira \u00e9 importante, mas nossa vida \u00e9 mais. Como parte da comunidade, tenho uma \u201cmira\u201d, e querendo ou n\u00e3o, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata (pessoas LGBTQIA+). E j\u00e1 senti uma rejei\u00e7\u00e3o por certa parte do p\u00fablico. Mas nunca vamos evitar (nos posicionar). O que eu venho tentando nas letras \u00e9 algo mais sutil, bem \u201centendedores entender\u00e3o\u201d. \u00c9 um momento de muito cuidado com as palavras, e a extrema-direita consegue ser muito inteligente em usar em favor pr\u00f3prio coisas que s\u00e3o feitas contra o que eles defendem. Como banda, tivemos uma fase mais \u201cexpl\u00edcita\u201d, mas comecei a repensar as coisas, e hoje usamos a estrat\u00e9gia do Cavalo de Tr\u00f3ia, o que \u00e9 mais efetivo nesse momento de \u201cp\u00f3s-verdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel: O Matheus mira muito no sentimento, ao inv\u00e9s de atacar o fato pol\u00edtico. \u00c9 buscar o que j\u00e1 foi internalizado, e reflete em sentimento nas pessoas. \u00c9 falar disso de maneira impl\u00edcita, porque a arte nunca vai ser \u201cem cima do muro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: A forma menos expl\u00edcita do posicionamento pol\u00edtico dentro da m\u00fasica acaba sendo mais \u201cbonita\u201d, ao inv\u00e9s de apontarmos o dedo o tempo todo. \u00c9 claro que em v\u00e1rios momentos vai ser necess\u00e1rio apontar o dedo diretamente (contra o pensamento fascista); por\u00e9m, a mensagem vai continuar l\u00e1, mesmo que o foco esteja na m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrique: N\u00e3o somos de for\u00e7ar ningu\u00e9m; quem for\u00e7a \u00e9 a extrema-direita. N\u00f3s falamos o que pensamos e achamos, e quem sentir, sente junto. Mas for\u00e7ar, jamais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: E voltando ao \u201cUm Pouco de Paz&#8230;\u201d, o pr\u00f3prio t\u00edtulo do \u00e1lbum \u00e9 a principal diretriz da Jupta: oferecer um pouco de paz antes que tudo acabe. Quem nos ouve sabe que as coisas est\u00e3o ruins, ent\u00e3o queremos, sim, refletir isso, mas tamb\u00e9m queremos confortar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Flores, falando um pouco das letras: quando voc\u00ea trabalha com a composi\u00e7\u00e3o, as letras s\u00e3o todas trabalhadas como um arco conceitual, ou elas s\u00e3o compostas individualmente, e a conex\u00e3o conceitual acontece de modo espont\u00e2neo?<\/strong><br \/>\nFlores: Eu tentei pensar nelas conceitualmente, mas&#8230; a Jupta \u00e9 uma for\u00e7a, ent\u00e3o, muitas letras que eu pensei dessa maneira acabam sendo derrubadas por n\u00f3s mesmos. Na verdade, desde o in\u00edcio da banda j\u00e1 percebi que isso n\u00e3o iria funcionar. Procuro focar na m\u00fasica em si, pensando em onde ela vai estar posicionada na ordem do \u00e1lbum, e em que sentimento ela vai carregar. Atrav\u00e9s desse sentimento, procuro canalizar o que eu mesmo sinto atrav\u00e9s da can\u00e7\u00e3o. N\u00f3s ainda vamos fazer um disco conceitual, bem legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus: A gente bem que tentou (risos). J\u00e1 tivemos duas tentativas, e agora estamos na terceira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flores: \u00c9 isso mesmo. N\u00f3s costumamos ir pela vibe das m\u00fasicas, e as vezes vejo que as coisas v\u00e3o ficar \u201cenroscadas\u201d, ent\u00e3o pensamos no conceito de modo mais amplo, para que tudo seja mais livre. Durante o processo do \u201cMinha Casa&#8230;\u201d, eu tive uma travada criativa, meio que desaprendi; escrevia muito desde os 11 anos, e, de repente, tudo apagou. Isso come\u00e7ou a ser recuperado esse ano, porque j\u00e1 come\u00e7amos com a ideia de gravar o disco, e eu fiquei bastante nervoso, pensando em como iria conseguir escrever. E as letras foram aparecendo. Eu imagino o disco muito como um show, mesmo, e penso em momentos mais reflexivos, alguns menos&#8230; e vou deixando o sentimento rolar em rela\u00e7\u00e3o a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por causa das grava\u00e7\u00f5es, a Jupta n\u00e3o tem shows marcados para o futuro pr\u00f3ximo. Voc\u00eas esperam retornar s\u00f3 com o disco novo, ou talvez voltem mesmo antes do lan\u00e7amento?<\/strong><br \/>\nFlores: A ideia este ano \u00e9 pensar em shows de modo mais enxuto e restrito, para podermos trabalhar melhor o disco mesmo, al\u00e9m dos clipes. Para 2025, o foco vai estar totalmente na estrada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jupta - Ao Vivo no Casar\u00e3o 2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/toi4ZHICMmQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jupta - Ainda Somos Estranhos (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_lLZgzIk1XI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jupta - Vertigem (clipe)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AJlsQj_zgS0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia outros textos de Davi aqui.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Soa moderno e futurista ao mesmo tempo, a Jupta apresenta dois singles lan\u00e7ados juntos em um clipe enquanto prepara o terceiro disco da carreira&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/07\/31\/entrevista-em-nova-fase-jupta-ve-na-estranheza-sua-principal-virtude\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":82674,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7302],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82665"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82665\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82705,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82665\/revisions\/82705"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82674"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}