{"id":82507,"date":"2024-07-16T01:01:59","date_gmt":"2024-07-16T04:01:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=82507"},"modified":"2024-12-07T09:08:23","modified_gmt":"2024-12-07T12:08:23","slug":"entrevista-black-pantera-fala-sobre-o-disco-perpetuo-e-a-importancia-dos-livros-e-da-cultura-preta-na-formacao-da-banda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/07\/16\/entrevista-black-pantera-fala-sobre-o-disco-perpetuo-e-a-importancia-dos-livros-e-da-cultura-preta-na-formacao-da-banda\/","title":{"rendered":"Entrevista: Black Pantera fala sobre o disco &#8220;Perp\u00e9tuo&#8221; e a import\u00e2ncia dos livros e da cultura preta na forma\u00e7\u00e3o da banda"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fabio Machado<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstamos sempre, sempre, voltando\u201d. A estrofe inicial de \u201cPerp\u00e9tuo\u201d, faixa t\u00edtulo do quarto \u00e1lbum do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/blackpanteraoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Black Pantera<\/a>, aparece algumas vezes, quase como um mantra, durante a conversa com os irm\u00e3os Charles Gama (guitarra e vocal) e Chaene da Gama (baixo e vocal) e faz refletir n\u00e3o apenas sobre a ancestralidade do povo preto, mas tamb\u00e9m sobre caminhos trilhados e diferentes correrias que se cruzam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A correria dos irm\u00e3os se encontrou com a de Rodrigo \u201cPancho\u201d Augusto (bateria e percuss\u00e3o) h\u00e1 10 anos em Uberaba (MG). De l\u00e1 pra c\u00e1 foram quatro \u00e1lbuns, dois EPs, diversos singles e uma caminhada que j\u00e1 passou por festivais de grande porte no exterior e no Brasil \u2013 onde dividiram um show memor\u00e1vel com os veteranos da Devotos no Rock in Rio de 2022, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cPerp\u00e9tuo\u201d (2024), o power trio mostra novos caminhos mel\u00f3dicos e r\u00edtmicos, seja em \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d, uma can\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel na voz e baixo de Chaene (com um clipe que j\u00e1 alcan\u00e7ou 100 mil visualiza\u00e7\u00f5es no Youtube), ou com a percuss\u00e3o atmosf\u00e9rica de Rodrigo em \u201cCandeia\u201d e \u201cMete Marcha\u201d. Tais novidades vieram naturalmente no processo de composi\u00e7\u00e3o da banda e at\u00e9 podem assustar ouvintes mais \u201ctrue\u201d de rock ou hardcore, mas a julgar pela recep\u00e7\u00e3o da plateia no show de lan\u00e7amento realizado no Sesc Pomp\u00e9ia (SP) em junho, \u201cPerp\u00e9tuo\u201d veio pra ficar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo concedida ao Scream &amp; Yell, Charles e Chaene falam do show de lan\u00e7amento, processos criativos que levaram at\u00e9 \u201cPerp\u00e9tuo\u201d, correrias do underground, al\u00e9m das refer\u00eancias liter\u00e1rias e geogr\u00e1ficas que fizeram (e fazem) a cabe\u00e7a do Black Pantera.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Pantera - PROV\u00c9RBIOS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CpV_tfutf54?list=OLAK5uy_k1ktCJG8dMwGuM3MJwO10rTpcTuKRIPBM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Passado algum tempo ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o, queria falar sobre o show do Sesc Pompeia. Sei que isso foi um marco para voc\u00eas, por ser o lan\u00e7amento e tudo mais. Como foi a prepara\u00e7\u00e3o para fazer esse show? O que voc\u00eas sentiram da resposta do p\u00fablico apresentando o disco na \u00edntegra?<\/strong><br \/>\nCharles: A prepara\u00e7\u00e3o foi aquela de show mesmo. A gente sabia do peso desse lan\u00e7amento, e que ia coloc\u00e1-lo na \u00edntegra. T\u00ednhamos prometido pra galera que \u00edamos fazer um lan\u00e7amento oficial, e foi legal que o Sesc Pomp\u00e9ia \u00e9 um lugar maravilhoso, com estrutura, tudo que a gente queria realmente pra coisa ser bem bonita. O Adriano, nosso produtor, conseguiu o Sesc, ent\u00e3o a gente j\u00e1 tinha na cabe\u00e7a que seria l\u00e1. E tem uma equipe trabalhando por tr\u00e1s, \u00e9 bom salientar isso, as meninas (roadies, passagem de som, ilumina\u00e7\u00e3o) trabalharam muito bem e o Adriano tomou conta daquele tel\u00e3o bonito. Continuamos fazendo muito show, a gente n\u00e3o para. O tempo \u00e9 escasso, ent\u00e3o nossos ensaios sempre s\u00e3o de noite, mas a gente j\u00e1 estava no embalo das can\u00e7\u00f5es novas. E que noite incr\u00edvel, que noite incr\u00edvel\u2026 A gente tem muita gratid\u00e3o por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais legal \u00e9 que era o nosso show, n\u00e9? Ent\u00e3o, voc\u00ea se sente que voc\u00ea foi abra\u00e7ado com um show somente seu, n\u00e3o tinha outras bandas, era somente a nossa data ali. A casa cheia foi legal pra caramba, o p\u00fablico diverso que \u00e9 o jeitinho que a gente gosta \u2013 tinha gente mais velha, gente mais nova, gente preta, gente branca, tinha japoneses, saca? Total pov\u00e3o, do jeito que a gente gosta! A resposta foi maravilhosa, as pessoas j\u00e1 sabem cantar as letras das m\u00fasicas! Um neg\u00f3cio incr\u00edvel, porque o CD saiu n\u00e3o tem nem um m\u00eas, mas voc\u00ea v\u00ea que a galera est\u00e1 fazendo a tarefa de casa escutando todo dia. As can\u00e7\u00f5es favoritas j\u00e1 est\u00e3o na boca das pessoas, ent\u00e3o\u2026 foi incr\u00edvel. Quando Chaene come\u00e7ou a cantar \u201cPerp\u00e9tuo\u201d, fiquei em choque, pois \u201cPerp\u00e9tuo\u201d j\u00e1 \u00e9 a segunda (m\u00fasica do show), n\u00e9? Depois de \u201cProv\u00e9rbios\u201d, ent\u00e3o quando come\u00e7ou (canta a letra de \u201cProv\u00e9rbios\u201d): \u201cEstamos sempre, sempre, voltando\u2026\u201d e ver aquele eco das pessoas, nossa! A emo\u00e7\u00e3o foi muito grande, muita gratid\u00e3o por aquela noite especial, uma noite realmente incr\u00edvel pra gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chaene: Foi um term\u00f4metro muito bom, porque a gente depois tocou em Diadema e foi um show lindo tamb\u00e9m, fizemos Americana e Ribeir\u00e3o (Preto), mas aquele show (no Sesc Pompeia) em especial foi o come\u00e7o, foi pra gente sentir realmente a resposta. E a resposta foi muito positiva. Agrade\u00e7o aqui a Piky, a Fernanda e a Isabel que est\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o da Deck, elas est\u00e3o fazendo um trabalho incr\u00edvel, conversando com as pessoas, mandando e-mail. A gente est\u00e1 falando com um monte de gente, atendendo muitas pessoas. Mas a resposta do p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cPerp\u00e9tuo\u201d, ao disco, est\u00e1 sendo lindo de ver. De arrepiar da primeira \u00e0 \u00faltima m\u00fasica, tipo: \u201cCaramba, as pessoas est\u00e3o cantando todas, est\u00e3o interagindo!\u201d Foi muito bom e foi um show \u00fanico, porque duvido que a gente v\u00e1 tocar o \u00e1lbum inteiro na \u00edntegra assim de novo. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Charles: Quem viu, viu! (risos)<\/p>\n<figure id=\"attachment_82510\" aria-describedby=\"caption-attachment-82510\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-82510\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/blackpantera_perpetuo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/blackpantera_perpetuo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/blackpantera_perpetuo-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/blackpantera_perpetuo-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82510\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa de &#8220;Perp\u00e9tuo&#8221;, do Black Pantera, foto de Marcos Hermes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que tamb\u00e9m achei legal do show em si \u00e9 que voc\u00eas tiveram aquela ideia de incluir um figurino da banda, que tamb\u00e9m remete a essa coisa dos Panteras Negras, e tamb\u00e9m com as vinhetas de trilha sonora. Como surgiu? Normalmente, voc\u00eas chegam l\u00e1 com a roupa mais b\u00e1sica e pronto, mas agora tem uma coisa mais tem\u00e1tica junto. Isso vai fazer parte da tour?<\/strong><br \/>\nChaene: Para alguns shows acredito que sim. Lembro que para esse no Sesc Pompeia, a gente falou: \u201cVelho, vamos fazer esse show realmente bonit\u00e3o, \u00e9 o show de lan\u00e7amento\u201d. (Na hora do show) Acho que o Rodrigo (Pancho, baterista) esqueceu a jaqueta, mas est\u00e1 tudo bem, ele \u00e9 baterista (risos) e entrou com a boininha, j\u00e1 d\u00e1 um tchan. Aquela foto (que inspira a capa do \u00e1lbum) \u00e9 uma foto emblem\u00e1tica, e o Charlin sempre falava: \u201cEssa foto \u00e9 foda, hein? A gente podia fazer uma capa assim\u201d. E a\u00ed topamos, fomos l\u00e1 tentar recriar, a gravadora entrou na pilha, o Marcos Hermes fez a foto. T\u00ednhamos acabado de gravar o \u00e1lbum, era o \u00faltimo domingo e a gente acordou tipo 4 horas da manh\u00e3 para fazer aquela foto e gravar o clipe, tamb\u00e9m no Rio. Sa\u00edmos andando, vimos alguns cen\u00e1rios, e decidimos trazer isso pro primeiro show. E trazer a trilha, que \u00e9 do &#8220;Shaft&#8221; (do Isaac Hayes), que quando a gente fala de Blaxploitation (nota: movimento cinematogr\u00e1fico norte-americano que surgiu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970) \u00e9 uma refer\u00eancia absurda. A gente fez a mesma coisa com o \u201cAscens\u00e3o\u201d (2022), o primeiro show a gente tocou o \u00e1lbum na \u00edntegra, s\u00f3 que foi em Uberaba e foi lindo tamb\u00e9m. (Dessa vez) O primeiro show em S\u00e3o Paulo, ingressos esgotados, decidimos fazer uma parada tem\u00e1tica, tocar ele bonit\u00e3o, inteiro. E acho que super funcionou. Tem muita gente que pergunta: \u201cAh, voc\u00eas v\u00e3o fazer na \u00edntegra aqui tamb\u00e9m na nossa cidade?\u201d Cara, acho que n\u00e3o porque que o repert\u00f3rio mudou, agora a gente tem mais de 50 m\u00fasicas gravadas e para um show de uma hora voc\u00ea tem as m\u00fasicas do \u201cAscens\u00e3o\u201d, tem as m\u00fasicas do \u201cPerp\u00e9tuo\u201d que agora s\u00e3o a maioria, tem os outros \u00e1lbuns, os singles, os EPs, ent\u00e3o fica bem dif\u00edcil de fazer.<\/p>\n<figure id=\"attachment_82512\" aria-describedby=\"caption-attachment-82512\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-82512\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/panterasnegras.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/panterasnegras.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/panterasnegras-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/panterasnegras-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82512\" class=\"wp-caption-text\"><em>Panteras Negras na escadaria do Tribunal de Oakland, nos EUA. Foto de Pirkle Jones<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d foi um momento muito emblem\u00e1tico e bonito no show, com o p\u00fablico acendendo as luzes do celular e cantando toda a letra. Sei que \u00e9 uma m\u00fasica especial para voc\u00eas, mas voc\u00eas esperavam um retorno desse tamanho? O que voc\u00eas t\u00eam achado de repercuss\u00e3o? [Nota do entrevistador: explico a eles que eu mesmo mostrei o clipe pra minha m\u00e3e, uma mulher preta, no Whatsapp e que ela gostou da m\u00fasica e do tema]<\/strong><br \/>\nChaene: Cara, acho que com \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d a gente furou v\u00e1rias bolhas. A gente vem furando v\u00e1rias bolhas na nossa carreira, mas \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d pegou a galera meio desprevenida, porque ningu\u00e9m esperava\u2026 acho que nem a banda esperava, porque quem ouviu primeiro foi o Rafa (Ramos, da Deck, produtor do \u201cPerp\u00e9tuo\u201d) e ele falou: \u201cVelho, essa m\u00fasica vai entrar no disco\u201d. Mandei pros meninos, e eles falaram: \u201cCara, \u00e9 isso!\u201d A gente n\u00e3o sabia como arranjar a m\u00fasica, mas a mensagem era extremamente importante de ser passada\u2026 e saiu. E quando saiu o clipe tamb\u00e9m j\u00e1 deu aquele g\u00e1s, e muitas pessoas vieram conhecer a banda, os n\u00fameros j\u00e1 estavam l\u00e1 em cima. Tanto que acho que (a repercuss\u00e3o) foi tr\u00eas vezes mais do que quando o \u201cAscens\u00e3o\u201d saiu. O \u201cAscens\u00e3o\u201d foi uma parada gradativa, j\u00e1 o \u201cPerp\u00e9tuo\u201d foi uma coisa que muita gente j\u00e1 estava esperando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 um momento \u00fanico no show, porque a gente n\u00e3o tinha esse momento de falar: \u201colha gente, agora vamos dar uma respirada, vamos falar aqui claramente sobre racismo estrutural na sua ess\u00eancia e como ele afeta a vida de mulheres negras\u201d. E tem o lance das luzes, as pessoas gostam de cantar, as pessoas gostam de ligar (para outras pessoas na hora da m\u00fasica), tinha uma menina l\u00e1 naquele dia que ela ligou pra m\u00e3e dela! E falou: \u201cVelho, eu liguei pra minha m\u00e3e porque minha m\u00e3e queria, ela estava no Mato Grosso e ficou apaixonada\u201d e eu chorando, e ela chorando e a gente emocionado\u2026 Cara, olha aonde a gente chegou com isso, com o poder da arte, o poder da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abre um espa\u00e7o novo a\u00ed, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nCharles: Total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chaene: Abre um espa\u00e7o novo, sim. Muita gente chegou por conta de \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d, e a\u00ed a pessoa chega e quer ouvir o \u00e1lbum inteiro. Tem gente que gosta mais do disco, tem gente que s\u00f3 gosta de \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d e est\u00e1 tudo bem. Mas foi uma maneira muito inteligente (de divulgar), porque as r\u00e1dios come\u00e7aram a tocar um m\u00eas antes do streaming, j\u00e1 \u00e9 uma outra bolha que a gente furou. Porque o Black Pantera toca de vez em quando numa r\u00e1dio ou outra, ok. Mas essa m\u00fasica est\u00e1 tocando em v\u00e1rias r\u00e1dios do pa\u00eds: Mundo Livre FM (Curitiba\/PR), a R\u00e1dio Rock (89 FM em S\u00e3o Paulo\/SP), a Kiss FM (S\u00e3o Paulo\/SP), tem r\u00e1dio em BH e em diversas capitais que est\u00e3o tocando \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d. E quando acha no streaming, tem gente que fala: \u201cCara, eu ouvi na r\u00e1dio e vim procurar, peguei o refr\u00e3o e pus no Google para saber que m\u00fasica era porque n\u00e3o deu tempo de descobrir\u2026\u201d ent\u00e3o, \u00e9 um momento novo da banda. Essa parte do show (com \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d) foi algo hist\u00f3rico, a gente postou nas redes porque foi lindo demais poder vivenciar, e foi uma sacada inteligente, j\u00e1 que, querendo ou n\u00e3o, \u00e9 uma m\u00fasica que fala de racismo estrutural e que est\u00e1 tocando nas r\u00e1dios, est\u00e1 atingindo v\u00e1rias pessoas, de diversas maneiras. Estamos muito felizes com o disco e com ela, mesmo, e os n\u00fameros provam isso com certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda sobre \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d: essa \u00e9 uma m\u00fasica onde voc\u00ea, Chaene, tem um papel bem<\/strong><strong> mais atuante, tocando baixo e cantando. Nesse \u00e1lbum como um todo, esse papel cresceu um pouco mais com voc\u00ea usando mais a voz. Queria que voc\u00ea e o Charles falassem como que esse papel se desenvolveu, se foi algo natural ou se foi uma iniciativa de voc\u00eas de dividir mais essa fun\u00e7\u00e3o das vozes.<\/strong><br \/>\nChaene: Foi bem natural, porque essas m\u00fasicas que eu estou cantando, eu que escrevi. Quando escrevo as m\u00fasicas em casa, geralmente j\u00e1 fa\u00e7o com a harmonia, ent\u00e3o \u00e9 a minha voz ali no instrumento e tal. Eu mando pro Charles e falo: \u201c\u00d3, fiz essa m\u00fasica\u2026\u201d e eu sei que \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d j\u00e1 tinha esse lance, (o Rafael Ramos, produtor) falou: \u201cCara, est\u00e1 muito foda do jeito que voc\u00ea cantou, o sentimento \u00e9 esse\u201d. O Rafa, desde o primeiro \u00e1udio no WhatsApp, sacou: \u201cO sentimento \u00e9 esse, isso precisa ser gravado\u201d. Ent\u00e3o eu meio que j\u00e1 sabia (que ia cantar a m\u00fasica). Lembro que a gente estava na correria para fazer m\u00fasica e \u201cPerp\u00e9tuo\u201d j\u00e1 existia. E falamos: \u201cA gente podia dividir os vocais, n\u00e9?\u201d Tipo, eu fa\u00e7o as m\u00fasicas e passo pro Charles, pensando nele cantando, mas \u201cPerp\u00e9tuo\u201d tinha ficado legal na minha voz tamb\u00e9m, e falei: \u201cP\u00f4, a gente pode dividir, eu canto aqui, a gente faz o refr\u00e3o e tal\u2026\u201d e soou muito bem assim nos ensaios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCandeia\u201d eu lembro que eu tinha feito, e acho que o Charles meio que n\u00e3o estava pegando muito a ideia no ensaio, porque a gente j\u00e1 estava com m\u00fasica pra caralho, e eu sempre querendo passar m\u00fasica e ao mesmo tempo ele fazendo as buscas dele, os riffs, \u00e9 muito riff, muita coisa, e falei: \u201cN\u00e3o, eu vou fazendo aqui para voc\u00ea pegar\u201d. E fui fazendo (risos) \u201cCandeia\u201d, foi acontecendo. Ent\u00e3o, foi muito natural. \u201cCandeia\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que basicamente \u00e9 percuss\u00e3o e voz, o verso \u00e9 todo constru\u00eddo em cima da percuss\u00e3o e de rap e hip hop, que eu gosto muito. Fiz um trecho de \u201cNegro Drama\u201d (dos Racionais MCs) durante quase dois anos na tour. Da\u00ed falei: \u201cEnt\u00e3o t\u00e1, vamos fazer para ver\u201d. E ficou muito foda assim, acho que n\u00e3o foi algo for\u00e7ado. Foi dif\u00edcil para mim gravar porque, encontrar a minha voz assim, de cara, no est\u00fadio\u2026 lembro que eu gravei e fiquei ainda meio: \u201cp\u00f4, ser\u00e1 que est\u00e1 legal, velho?\u201d E os meninos: \u201cN\u00e3o, est\u00e1 massa\u201d. Isso gerou muita discuss\u00e3o porque em \u201cPerp\u00e9tuo\u201d eu canto num tom mais alto e eu preciso me ouvir muito bem, porque para chegar naquele n\u00edvel do est\u00fadio, voc\u00ea est\u00e1 com um fone maravilhoso, ouvindo super bem e no show j\u00e1 tem essa preocupa\u00e7\u00e3o. Preciso muito ouvir o que estou falando, o que estou fazendo porque n\u00e3o tenho essa for\u00e7a na voz igual o Charles tem. Mas o meu timbre \u00e9 legal, tem afina\u00e7\u00e3o e a galera est\u00e1 pirando muito, teve gente que achou que era participa\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o, sou eu cantando.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Pantera - TRADU\u00c7\u00c3O\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TFvoLzmEr_s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Era algo que o Charles estava acostumado por j\u00e1 cantar as m\u00fasicas (antigas), e agora voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 tendo que se adaptar a esse papel.<\/strong><br \/>\nChaene: Exato. E para al\u00e9m de sermos irm\u00e3os, as nossas vozes se somam, s\u00e3o timbres diferentes, formas diferentes de cantar e somaram muito (na grava\u00e7\u00e3o). Isso deu uma outra cara. \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cPerp\u00e9tuo\u201d hoje no Spotify s\u00e3o as mais ouvidas. Ent\u00e3o, estamos muito felizes com esse resultado porque a banda conseguiu se reinventar. Em 10 anos, a gente consegue trazer outras formas de expressar a nossa arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aproveitando que voc\u00ea falou de \u201cCandeia\u201d: pelo que ouvi, acho que \u00e9 uma das faixas que tem mais elementos afro-brasileiros, n\u00e3o s\u00f3 pela percuss\u00e3o como tamb\u00e9m pela letra junto a esse arranjo que, como voc\u00ea mesmo falou, tem destaque para percuss\u00e3o e a voz j\u00e1 chamando aten\u00e7\u00e3o de forma mais declamada, que tem esse link com o hip hop. Voc\u00eas podem falar um pouco do processo de composi\u00e7\u00e3o dessa faixa?<\/strong><br \/>\nChaene: Acho que essa faixa nasceu com a harmonia, ela tem tr\u00eas notas, quatro notas. S\u00f3 que quando eu fui falar (com a banda), foi: \u201cCara, essa m\u00fasica \u00e9 meio falada, meio declamada. Ent\u00e3o Rodrigo (Pancho, baterista), acho que voc\u00ea podia fazer algo na bateria que soasse diferente\u201d, e ele entrou na pilha. E no primeiro ensaio j\u00e1 ficou muito foda assim, \u00e9 o que a gente fazia com \u201cNegro Drama\u201d que era s\u00f3 bateria e voz. A gente replicou isso em \u201cCandeia\u201d e ficou muito grandioso. No ensaio j\u00e1 tinha ficado assim e falei: \u201cCara, isso \u00e9 gigante\u201d. E no est\u00fadio a gente pode pirar, o Rodrigo j\u00e1 falou: \u201cCara, a gente tem que encher de percuss\u00e3o pro disco pra ficar bem cheio\u201d. E foi o que ele fez, ele gravou mais de 10 percuss\u00f5es para essa faixa, e tem uma galera que fala: \u201cSe ficar tocando muito essa porra eu vou incorporar aqui\u201d, sabe? A galera j\u00e1 fica meio assim porque a parada vai no cerne mesmo. \u00c9 tribal, \u00e9 ancestral, e a letra tamb\u00e9m, velho\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ao vivo continua forte.<\/strong><br \/>\nChaene: E \u00e9 muito foda porque estou ficando muito emocionado, eu n\u00e3o posso olhar pra galera no show&#8230; Olho pra pessoa, ela est\u00e1 chorando, est\u00e1 cantando com garra, com for\u00e7a, gritando&#8230; Eu n\u00e3o posso olhar para ningu\u00e9m porque fico: \u201ccara, vou chorar\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No show (do Sesc Pompeia) voc\u00ea falou: \u201cSe eu chorar, voc\u00eas cantam\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nChaene: Exato, tinha 30 pessoas assim (imita pessoas chorando), e eu falei: \u201cP\u00f4, a pessoa ligando pra m\u00e3e, eu n\u00e3o vou conseguir cantar\u201d (risos). \u201cCandeia\u201d \u00e9 a mesma coisa\u2026 eu lembro que a gente fez em Diadema (SP) e eu quase chorei&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Charles: \u201cCandeia\u201d \u00e9 uma m\u00fasica \u00e9pica, e \u00e9 legal isso: a gente consegue em tr\u00eas \u2013 sem outros elementos de palco, sem VS (sigla usada para faixas de instrumentos pr\u00e9-gravados que s\u00e3o usados por artistas em shows ao vivo), sem tecnologia, com bateria, baixo, guitarra, os tr\u00eas instrumentos e voz \u2013 deix\u00e1-la t\u00e3o \u00e9pica quanto no CD, que tem muita percuss\u00e3o. Ela \u00e9 bem carregada mesmo, e no show a gente est\u00e1 sabendo suprir esse peso que ela tem no \u00e1lbum. Mesmo com a aus\u00eancia, \u00e0s vezes, das percuss\u00f5es, mas o Rodrigo \u00e9 um puta batera, n\u00e9? Ele consegue jogar o bumbo de uma forma diferente\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deu para ver que ele fez um trabalho muito interessante ali, incorporando umas coisas de percuss\u00e3o junto com as coisas de bateria que ele j\u00e1 faz.<\/strong><br \/>\nCharles: Sim, esse trabalho do Rodrigo, dos \u00e1lbuns que a gente fez nesses anos todos, eu achei o trabalho mais incr\u00edvel dele como batera com a gente. Foi o trabalho dele que eu falei: \u201cNossa, ele \u00e9 um puta de um batera!\u201d Sempre soube da qualidade dele, mas nesse \u00e1lbum realmente ele mostrou que \u00e9 um multi-instrumentista fenomenal, eu pirei vendo gravar as percuss\u00f5es\u2026 ele tem o senso, o timing certo, porque percuss\u00e3o a gente n\u00e3o coloca de qualquer jeito numa m\u00fasica. N\u00e3o \u00e9 simplesmente bater ali, tem que saber onde que coloca, e ele conseguiu com muita poesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3 ele que fez essa parte de percuss\u00e3o? Voc\u00eas participaram de alguma forma?<\/strong><br \/>\nCharles: N\u00e3o, a parte de percuss\u00e3o s\u00f3 foi ele e o Rafa que tomaram conta disso. A ideia do Rafa era chamar um pessoal do Rio de Janeiro para fazer essas percuss\u00f5es, s\u00f3 que o Rodrigo falou: \u201cN\u00e3o, eu consigo, vamos fazer\u201d. E realmente ele sentou l\u00e1 e conhecia cada instrumentinho que estava l\u00e1, foi testando barulho, sons, eu e o Chaene ficamos s\u00f3 olhando admirados mesmo nessa parte de percuss\u00e3o. Quando a gente via, era o tempo de eu fumar um cigarro e voltar e ele e o Rafa j\u00e1 tinham colocado (as percuss\u00f5es), saca? E j\u00e1 estava bonito, j\u00e1 estava \u00e9pico. Ele mandou muito bem, Rodrig\u00e3o \u00e9 foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falamos de v\u00e1rias coisas novas para voc\u00eas: momentos mais \u00e9picos, mais mel\u00f3dicos, mas vendo o show e ouvindo o \u00e1lbum fica claro que o peso continua latente com o groove, que sempre foi algo caracter\u00edstico de voc\u00eas. Pensando no processo criativo, teve algum conflito para juntar esses dois elementos? Pegar o peso que j\u00e1 era de voc\u00eas e juntar com suas coisas diferentes, foi tudo muito natural mesmo?<\/strong><br \/>\nCharles: Cara, foi muito natural. Eu vejo que as m\u00fasicas foram vindo igual \u201cPerp\u00e9tuo\u201d. A gente estava viajando pro Nordeste, indo para Garanhuns (PE) quando o refr\u00e3o veio. E eu falei: \u201cP\u00f4, essa m\u00fasica aqui\u2026\u201d E \u00e9 massa que eu passo (a m\u00fasica) pros caras e a galera j\u00e1 entra: \u201cChaene, ok que est\u00e1 saindo um pouco diferente, mas \u00e9 foda. Est\u00e1 mais mel\u00f3dico? Beleza. Est\u00e1 com outra cara, mas est\u00e1 foda, e \u00e9 Black Pantera\u201d. O discurso est\u00e1 ali, est\u00e1 inserido\u2026 Foi o que falei no come\u00e7o sobre \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d: eu n\u00e3o conseguia ver a banda tocando. Mas p\u00f4, era foda, \u00e9 foda e super funcionou, sacou? A gente sempre foi muito aberto, n\u00e3o teve uma diverg\u00eancia assim: \u201cai cara, ser\u00e1?\u201d N\u00e3o, a d\u00favida foi minha. Tanto que lembro que o Rafael falou: \u201ccara, n\u00e3o quero fazer um disco igual (ao \u2018Ascens\u00e3o\u2019)\u201d. Lembro que a gente tinha mandado v\u00e1rias m\u00fasicas, que eram as mais pesadas, mais hardcore\u2026 e quando a gente mandou \u201cPerp\u00e9tuo\u201d, \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d e acho que \u201cCandeia\u201d, que a gente n\u00e3o tinha ainda gravado, ele falou: \u201cN\u00e3o, agora sim. Essas tr\u00eas faixas d\u00e3o outra cara pro disco, a gente n\u00e3o est\u00e1 soando t\u00e3o \u2018Ascens\u00e3o\u2019 como era, voc\u00eas est\u00e3o vindo diferentes, ent\u00e3o ensaiem essas m\u00fasicas, o repert\u00f3rio est\u00e1 fechado e vamos gravar\u201d. Ent\u00e3o foi assim, muito natural. A gente n\u00e3o quis um \u201cah, a gente vai fazer assim\u201d\u2026 Essas m\u00fasicas foram vindo dessa maneira e ficamos abertos a isso, e ficamos muito felizes com o resultado porque a galera realmente abra\u00e7ou. \u00c9 um ou outro que fala: \u201cAi, est\u00e1 menos pesado\u201d\u2026 mas est\u00e1 foda, as letras est\u00e3o foda, est\u00e1 lindo. Ent\u00e3o o resultado foi incr\u00edvel!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Charles: Sim, foi demais, foi incr\u00edvel. A gente tem essa liberdade de sons, de ideias, a gente n\u00e3o se prende a algum r\u00f3tulo. Se o riff sair metalz\u00e3o, saiu metalz\u00e3o; se sair blues, saiu blues; se sair MPBzado, saiu MPBzado. A gente n\u00e3o tem esse limite de: \u201cah, isso aqui pode ou n\u00e3o pode\u201d. A gente captou essa mensagem de n\u00e3o fazer um disco igual, e tamb\u00e9m n\u00e3o temos esse desejo de fazer igual, a gente gosta de se reinventar sempre. Dez anos de banda, quatro \u00e1lbuns, dois EPs, nesse tempo a gente passou por muita coisa, conseguiu vincular nosso som com as pessoas. Acho que a pessoa quando escuta um riff, seja em r\u00e1dio ou playlist, j\u00e1 sabe que \u00e9 a gente de alguma forma. Quando entra a voz, a\u00ed que realmente as pessoas j\u00e1 assimilam que \u00e9 a gente: \u201copa, isso aqui parece Black Pantera! \u00d3, falei que era Black Pantera\u201d. Saca? A gente fica muito feliz com isso porque\u2026 voc\u00ea ficar preso somente em um estilo \u00e9 uma quest\u00e3o de gosto, existem v\u00e1rias bandas fazendo o mesmo estilo e \u00e9 maravilhoso, est\u00e1 tudo certo. S\u00f3 que realmente a cultura musical que a gente teve, tanto eu e Chaene quanto o Rodrigo, era de escutar samba, pagode, tudo que voc\u00ea pensar\u2026 forr\u00f3, metal, a gente escutou tudo porque em casa ainda tem disco de tudo. Ent\u00e3o, a gente sempre teve essa liberdade e, quando eu montei a banda, os meninos tamb\u00e9m abra\u00e7aram a ideia, e cada ano \u00e9 alguma coisa nova. Estou falando em toda entrevista: nem sei como \u00e9 que vai sair o quinto (\u00e1lbum da banda), gente, voc\u00eas nem me perguntem\u2026 a gente est\u00e1 sempre misturando e eu nem sei como vai ser, mas vai ser foda (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvindo a discografia, realmente parece que \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o mesmo, de composi\u00e7\u00e3o, timbre e tudo mais. Mesmo a parte mais hardcore \u00e9 diferente em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cAscens\u00e3o\u201d: se pegar a \u201cSem Anistia\u201d, por exemplo, acho que \u00e9 uma das coisas mais r\u00e1pidas e mais pesadas que voc\u00eas j\u00e1 fizeram. Essa faixa tamb\u00e9m me chamou aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 pelo peso, j\u00e1 que as letras relatam um epis\u00f3dio lament\u00e1vel da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds [os ataques do 8 de janeiro de 2023 em Bras\u00edlia]. Voc\u00eas pensaram na letra ali naquele momento que a hist\u00f3ria estava acontecendo ou foi depois, quando estavam no est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nChaene: Essa foi na hora. Eu estava em casa vendo, acho que todo mundo estava vendo at\u00f4nito o que estava rolando. E o mais doido \u00e9 que eu lembro que eu vi pessoas de Uberaba, tem pessoas de Uberaba que est\u00e3o presas, inclusive um dos caras chegou a dar aula de bal\u00e9, era professor de bal\u00e9 da minha filha. Ele estava l\u00e1, foi preso, a\u00ed depois fez live no Facebook, subiu na rampa, a galera depredando\u2026 a\u00ed apagou tudo, sumiu das redes, falou que n\u00e3o era bem aquilo, que a Globo que estava inventando, eu falei: \u201cmano\u2026\u201d E \u00e9 um cara preto, mano. A gente ficou, tipo, inacredit\u00e1vel. Eu falei: \u201cvelho, laborat\u00f3rio de realidade paralela\u201d (o Brasil). E vendo aquela cena, aquilo tudo, essa m\u00fasica \u00e9 de 8 de janeiro de 2023, \u201cSem Anistia\u201d foi composta assim. J\u00e1 tinha letra, o texto, eu falei: \u201cIsso aqui tem que ser r\u00e1pido, sujo\u201d\u2026 e ela \u00e9 um minuto e meio assim, \u00e9 direta, expl\u00edcita. Velho, que loucura aquilo, mancharam a nossa hist\u00f3ria, mancharam a democracia. Ent\u00e3o a gente fez uma letra que veio naquele dia mesmo, foi a nossa forma de expressar nossa f\u00faria tamb\u00e9m. \u00c0s vezes para al\u00e9m de ir pras ruas e tal, \u00e9 atrav\u00e9s da nossa arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No show do Sesc Pomp\u00e9ia tamb\u00e9m foi marcante o que voc\u00eas tamb\u00e9m falaram sobre a PL 1904, outro epis\u00f3dio lament\u00e1vel relacionado ao cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional. E acho que conectou bem com o p\u00fablico que estava ali, principalmente as mulheres, e isso \u00e9 algo que voc\u00eas sempre tiveram uma preocupa\u00e7\u00e3o, de reconhecer esse espa\u00e7o das minas e levantar essas bandeiras sempre que poss\u00edvel.<\/strong><br \/>\nChaene: As meninas, as mulheres, elas eram um p\u00fablico muito m\u00ednimo no come\u00e7o e hoje j\u00e1 aumentou, principalmente com esse lance da roda das minas, que a gente aprendeu com o Devotos, eles sempre fazem isso. Tem gente que acha que o Devotos acabou n\u00e9? A parada \u00e9 muito surreal, assim, por ser uma banda do Nordeste e tal, mas \u00e9 emblem\u00e1tica. Isso meio que come\u00e7ou assim: \u201cAh, eu fui no show do Black Pantera, eles v\u00e3o tocar em Ribeir\u00e3o Preto\u201d e essa pessoa conhece algu\u00e9m de Ribeir\u00e3o, a\u00ed ela fala: \u201c\u00f3 fulana, eles v\u00e3o estar na sua cidade, vai no show, eles est\u00e3o totalmente ligados nas quest\u00f5es pol\u00edticas, tem o ativismo, e tem um momento de fazer a roda das meninas\u201d\u2026 e assim elas se conectam, uma vai falando para a outra e assim elas t\u00eam ido cada vez mais aos shows, elas querem falar, elas t\u00eam voz, se sentem representadas, s\u00e3o respeitadas. Lembro que a gente foi tocar no Circo (Voador, no RJ) e comentaram: \u201cEst\u00e1 parecendo show do Backstreet Boys, aqui s\u00f3 tem menina, s\u00f3 tem mulher\u201d&#8230; mas n\u00e3o, \u00e9 porque elas se sentem acolhidas nesse espa\u00e7o. Todas as rodas s\u00e3o das meninas, mas a gente tem que pontuar: \u201c\u00f3, vamos ensinar aqui, esse momento vai ser s\u00f3 a roda das mulheres porque elas tamb\u00e9m querem ter esse protagonismo\u201d. E a\u00ed tem shows que elas querem muito mais. Elas n\u00e3o querem sair mais, dominam a frente, dominam o espa\u00e7o\u2026, deixa a\u00ed, est\u00e1 lindo porque elas falam com a gente depois, e tem mulheres a\u00ed de 50 anos falando: \u201c\u00f3, nunca tinha ido em uma roda na minha vida, sempre quis ir e voc\u00eas realizaram meu sonho, me senti livre, liberta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi engra\u00e7ado que no final do show eu fui pegar um carro, e tinha um homem conversando com outros amigos assim: \u201cNossa, \u00e9 a primeira vez que eu vejo uma roda s\u00f3 de menina, ideia genial\u201d. \u00c9 doido que isso ainda seja uma novidade para as pessoas.<\/strong><br \/>\nChaene: \u00c9 uma novidade total, ent\u00e3o a gente ficou muito feliz porque ficou pontual e elas exigem. J\u00e1 teve show delas falarem assim: \u201cvelho, essa que voc\u00eas tocaram n\u00e3o est\u00e1 hardcore o bastante, a gente quer mais r\u00e1pido, mais hardcore, falou?\u201d Carai, ent\u00e3o vai, ent\u00e3o destruam, saca? \u00c9 isso. Mais r\u00e1pido, mais forte, mais\u2026 Nossa, \u00e9 muito foda. Eu at\u00e9 falei em alguns podcasts sobre essa quest\u00e3o da roda das minas, porque est\u00e1 se tornando meio que um movimento tamb\u00e9m. O cara (assiste o show), tem uma banda e fala: \u201cvou fazer uma roda com as meninas\u201d. Ent\u00e3o vai s\u00f3 agregando mais. \u00c9 uma sementinha que vai plantando, e a gente tamb\u00e9m vai passando para frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra letra que tamb\u00e9m me chamou aten\u00e7\u00e3o no t\u00edtulo \u00e9 a \u201cBlack Book Club\u201d, e pelo que entendi da letra ela fala sobre o acesso \u00e0 leitura para a popula\u00e7\u00e3o preta, por todos os meios necess\u00e1rios. Queria saber de voc\u00eas qual a import\u00e2ncia que a leitura teve na forma\u00e7\u00e3o de voc\u00eas e se voc\u00eas t\u00eam alguma leitura tamb\u00e9m para recomendar. Pode ser quadrinho, livro, fanzine, o que for.<\/strong><br \/>\nChaene: Nossa, mano, estou com tanto livro aqui para ler\u2026 o Black Book Club \u00e9 disso, \u00e9 o que o Mano Brown e o Djonga est\u00e3o falando tamb\u00e9m, de que a popula\u00e7\u00e3o preta, a popula\u00e7\u00e3o pobre tem que ter acesso a leitura, a educa\u00e7\u00e3o. Porque a educa\u00e7\u00e3o transforma, voc\u00ea amplia a vis\u00e3o. Antes do Black Pantera a gente n\u00e3o era t\u00e3o letrado racialmente. Como que a gente chegou a esse ponto de falar dessas letras, de falar do que foi a revolu\u00e7\u00e3o do Haiti, de falar da rebeli\u00e3o do imp\u00e9rio Ashanti? Porque a gente descobriu um outro mundo que existia, mas estava blindado pra gente. Por exemplo, eu fui ler o livro do Abdias do Nascimento (\u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/quilombismo-Documentos-uma-milit%C3%A2ncia-Pan-Africanista\/dp\/8527311496\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Quilombismo: Documentos de uma Milit\u00e2ncia Pan-Africanista<\/a>\u201d), que \u00e9 um puta fil\u00f3sofo ativista, o cara era foda pra caralho, viajava o mundo inteiro falando da quest\u00e3o do negro no Brasil, e faleceu, quase ningu\u00e9m sabe, quase ningu\u00e9m conhece. E voc\u00ea come\u00e7a a descobrir essas pessoas, esses autores, esses poetas, o que o Luiz Gama representou pro Brasil, pra causa abolicionista\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha estante est\u00e1 cheia de livro, mano, \u00f3 [olha para a estante ao lado]: \u201c<a href=\"https:\/\/editoracrv.com.br\/produtos\/detalhes\/36342-crv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais<\/a>\u201d, \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/NEGRO-NO-BRASIL-TRAJET%C3%93RIA-HIST%C3%93RIA\/dp\/8539004267\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Negro no Brasil<\/a>\u201d, \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Quest%C3%A3o-Contos-Sobre-Preconceito-Racial\/dp\/856016040X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quest\u00e3o de Pele<\/a>\u201d, \u201c<a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/donaclaralivros\/laura-olivieri-carneiro-de-souza-quilombos-identidade-e-historia-4520804876?show_suggestion=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quilombos<\/a>\u201d. Estou com um bilh\u00e3o de livros aqui porque a galera me d\u00e1 um monte de livro, minha esposa fica assim: \u201ccara, como a gente est\u00e1 sem tempo, eu vou lendo os livros e vou te passando um feedback e tal\u201d, mas eu tamb\u00e9m quero ler para ter essa imers\u00e3o. Eu comprei numa loja de quadrinhos, que eu e Charlin gostamos muito em S\u00e3o Paulo, esse aqui que \u00e9 o \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Pantera-Negra-Quem-Marvel-Essenciais\/dp\/6525902614\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(Marvel) Essenciais: Pantera Negra<\/a>\u201d, que mostra a origem do Pantera Negra\u2026 quando o Hitler tentou invadir Wakanda, a \u00c1frica e mostra tudo isso, \u00e9 muito foda. O Charlin vai te passar a ideia de como a constru\u00e7\u00e3o do Black Pantera se deu atrav\u00e9s de livros!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Charles: Foi! Eu estava na revolta envolvendo essas quest\u00f5es pretas, sempre me causou inc\u00f4modo\u2026 a gente tem que voltar um pouquinho l\u00e1 atr\u00e1s, de ser \u00e0s vezes o \u00fanico preto num rol\u00ea de rock, no rol\u00ea de punk, quando o Chaene colava era dois, n\u00e9? (risos) Enfim, isso come\u00e7ou a me causar inc\u00f4modo e eu fui procurar bandas. Eu fui realmente um cara que buscou muito, na \u00e9poca que o acesso era muito dif\u00edcil para voc\u00ea ver algum artista preto fazendo rock and roll, rock and roll mesmo, n\u00e3o digo nem um blues, mas m\u00fasica mais pesada, at\u00e9 que chegou essa galera do Living Colour. Num determinado momento passei a ler <a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788535922677\/malcolm-x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a descoberta do Malcom X<\/a>, que eu s\u00f3 vi na televis\u00e3o, por frames e tal\u2026 a gente sabe da hist\u00f3ria mais ou menos naquilo que a galera conta, e eu comprei um livro do Malcolm X e tamb\u00e9m consegui ter acesso aos Panteras Negras, que foi realmente uma paulada assim, tipo: \u201cputz, cara, olha o rol\u00ea dessa galera aqui\u201d, sabe? Olha o rol\u00ea do Malcolm X, do Fred Hampton, Luther King, eu fui me envolvendo muito com essas lutas tamb\u00e9m aqui no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro que peguei um livro na Biblioteca Municipal de Uberaba, um livro bem escondidinho sobre a \u00c1frica que tamb\u00e9m abriu minha cabe\u00e7a para caramba, que mostra l\u00e1 os reinos e tudo mais, coisa que eu nunca tinha lido na escola. Porque normalmente, quando a gente pensa em \u00c1frica e o colonizador chegando l\u00e1, a gente imagina que estava todo mundo pelado n\u00e3o fazendo nada, nas praias, rolando na areia talvez\u2026 Ent\u00e3o, essas hist\u00f3rias n\u00e3o chegavam. Quando eu descobri tudo isso a banda ficou ainda mais vis\u00edvel para mim, porque apesar de eu morrer de vontade de escrever algum livro algum dia, eu sabia que na m\u00fasica talvez seria um caminho mais certo para mim, fazer uma banda de rock igual conheci o Living Colour, Bad Brains, diversas bandas. E quando come\u00e7ou foi atrav\u00e9s de leitura, cara, foi leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu tenho esses livros aqui at\u00e9 hoje: Panteras, Malcolm, \u00c1frica Brasil, foram formadores de opini\u00e3o pra caramba. Quando montei a banda, eu sempre persegui o Chaene, Rodrigo\u2026 exatamente porque eu queria uma banda preta, apesar de ter outros membros na cidade que poderia somar, eu realmente queria uma banda preta, que a primeira coisa que as pessoas veriam seria a imagem e pela imagem eu falar assim: \u201cN\u00e3o, estou querendo ver o que esse neg\u00e3o tem para fazer\u201d. Foi atrav\u00e9s disso que o Black Pantera nasceu, eu fiquei um ano compondo, mas devo muito aos livros, igual o Chaene falou. O mais legal \u00e9 isso, cara, os f\u00e3s nos presenteiam com cultura preta para caramba. \u00c9 livro, links que eles mesmos escrevem, poesia, o que tem de gente que me manda letra de m\u00fasica\u2026 Eu acho que eu teria uns tr\u00eas \u00e1lbuns do Black Pantera s\u00f3 com letra que a galera manda e fala: \u201c\u00f3, escrevi pensando em voc\u00eas, se algum dia quiserem usar\u201d\u2026 chega tanta letra, tanto de meninos quanto meninas. O que \u00e9 mais legal, voc\u00ea v\u00ea o tanto que \u00e9 a import\u00e2ncia da leitura. Ela \u00e9 muito grande at\u00e9 hoje, apesar da tecnologia e tudo no telefone, \u00e9 bom demais voc\u00ea abrir um livro e entrar num mundo diferente daquilo que voc\u00ea sempre viu, abre caminhos para voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chaene: Vou s\u00f3 deixar aqui uma dica de livro: &#8220;<a href=\"https:\/\/www.editorajandaira.com.br\/os-panteras-negras-uma-introducao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Panteras Negras: Uma Introdu\u00e7\u00e3o<\/a>&#8220;. Ele \u00e9 bem curtinho, mas ele \u00e9 foda! \u00c9 do Henrique Marques, um abra\u00e7o para ele e pra editora Janda\u00edra. \u00c9 curt\u00edssimo, mas, por exemplo, algumas coisas que eu n\u00e3o sabia: na Segunda Guerra Mundial, o comboio preto era totalmente isolado e os generais, os coron\u00e9is todos martirizavam esse comboio. E foi o pelot\u00e3o que mais avan\u00e7ou, um dos pelot\u00f5es mais fodas durante a Segunda Guerra, os caras eram igual bucha e eram pessoas pretas. E os Panteras Negras tamb\u00e9m abordam isso nesse livro do Henrique. Ent\u00e3o, tem muita hist\u00f3ria e muita coisa que a gente nunca vai saber, que foi apagado, foi sequestrado, que tipo\u2026 \u201cvamos omitir isso?\u201d \u00c9 igual a parada das pir\u00e2mides, n\u00e9? \u201cAh, mas como os africanos fizeram as pir\u00e2mides?\u201d A\u00ed inventaram essa que foram alien\u00edgenas que trouxeram para n\u00e3o falar que s\u00e3o os pretos, tem que ter uma desculpa\u2026 a\u00ed colonizaram, a\u00ed embranqueceram, \u201cah, Cle\u00f3patra era uma mulher branca\u2026\u201d eu sei que ela tinha um pouco de descend\u00eancia europeia, ok, mas no contexto que ela estava inserida, mano, duvido que Cle\u00f3patra era uma mulher branca, enfim. Tudo foi usurpado, roubado, \u00e9 um tempo de retomada e \u00e9 isso, cara: cultura, arte e educa\u00e7\u00e3o transformam. O Black Pantera \u00e9 o Black Pantera hoje por conta disso e quanto mais a gente l\u00ea, mais a gente descobre e as m\u00fasicas v\u00eam mais incisivas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-82513\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/panterasnegras2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"539\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/panterasnegras2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/panterasnegras2-300x216.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/panterasnegras2-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 massa o que voc\u00ea falou sobre quando a banda come\u00e7ou, que voc\u00eas ainda n\u00e3o tinham tanto letramento racial quanto t\u00eam agora. Ent\u00e3o, a pr\u00f3pria banda acabou sendo uma usina de conhecimento para voc\u00eas absorverem mais coisas e, ao mesmo tempo, propagar mais conhecimento. Acho que tem um pessoal mais jovem agora que se beneficia com isso. Quando tinha 15 anos, eu n\u00e3o tinha um Black Pantera; precisei esperar at\u00e9 conhecer um Living Colour. Mas agora tem um Black Pantera que traz esses temas em portugu\u00eas e fica muito mais f\u00e1cil de acessar essas refer\u00eancias. Isso tamb\u00e9m continua com \u201cProv\u00e9rbios\u201d, trazendo a cultura afrolatina. Sei que voc\u00eas j\u00e1 falaram em outras entrevistas que isso \u00e9 uma influ\u00eancia das experi\u00eancias que voc\u00eas tiveram viajando e tocando em lugares da Am\u00e9rica do Sul. E \u00e9 interessante como cada passo da banda tamb\u00e9m vai ajudando voc\u00eas a agregarem mais coisas, agora tamb\u00e9m com a afrolatinidade sendo explorada. Se voc\u00eas quiserem falar mais um pouco sobre o tema\u2026<\/strong><br \/>\nChaene: A gente ficou muito imerso nesse festival, no Roc\u00f3dromo, em Valpara\u00edso, no Chile. Tocamos um dia, mas foram tipo, quatro dias no Chile (convivendo com) outras bandas da Am\u00e9rica Latina, bandas da Am\u00e9rica do Sul. \u00c9 uma cultura pulsante, pujante, e a\u00ed voc\u00ea v\u00ea que os caras t\u00eam um orgulho imenso disso. \u00c9 muito doido porque o Brasil \u00e9 meio distante da Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o sei se \u00e9 porque a gente fala portugu\u00eas e a maioria do continente fala espanhol, a\u00ed a gente tem esse olhar mais assim\u2026 o Brasil acho que olha mais para a Europa, olha mais pros Estados Unidos, e a galera da Am\u00e9rica Latina gosta muito do Brasil. Cara, a cultura \u00e9 realmente quente, est\u00e1 fervilhando, a hist\u00f3ria \u00e9 de resist\u00eancia, tem povos a\u00ed que foram massacrados, povos que resistiram e eles trazem isso. E a gente come\u00e7ou a pensar nisso: cara, n\u00f3s somos afrolatinos. Da\u00ed que vem o ponto de \u201cProv\u00e9rbios\u201d (declama o trecho da m\u00fasica): \u201cafrolatinos, afrolatinos, soy la revoluci\u00f3n\u201d, de trazer essa Am\u00e9rica Latina mais perto. E acabou refletindo na letra, acabou refletindo no conceito do \u00e1lbum, e \u00e9 muito doido isso, n\u00e9? Abriu tanto a nossa mente que a gente construiu meio que um \u00e1lbum em cima desse conceito. A gente at\u00e9 estava falando: \u201ccara, se ficarmos 10 dias na \u00c1frica, n\u00e3o sei como a nossa mente vai\u201d\u2026 porque (com \u201cPerp\u00e9tuo\u201d) a gente absorveu a parada e conseguiu p\u00f4r algo novo para fora, ent\u00e3o se a gente fica no continente africano 10 dias, meu irm\u00e3o\u2026 nem sei o que a gente traria, sabe? Uma jun\u00e7\u00e3o, um laborat\u00f3rio que valeria muito, de repente viabilizar com algu\u00e9m que consiga nos ajudar, patrocinar isso. Fazer um laborat\u00f3rio, ficar 10 dias na \u00c1frica pesquisando m\u00fasica, conhecendo m\u00fasicos, tendo essa viv\u00eancia. Porque a\u00ed eu acho que a gente constr\u00f3i um \u00e1lbum totalmente diferente do que a gente j\u00e1 tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[Nota do entrevistador: nesse momento, Charles agradece pela entrevista e se despede para outro compromisso. A entrevista segue com Chaene]<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que tenha coisas que os f\u00e3s briguem para ouvir, coisas que n\u00e3o podem faltar. \u201cFogo nos Racistas\u201d acho que hoje em dia n\u00e3o pode mais faltar, por exemplo.<\/strong><br \/>\nChaene: \u201cFogo nos racistas\u201d, \u201cPadr\u00e3o \u00e9 o Caralho\u201d, essas m\u00fasicas n\u00e3o podem faltar (no show). E a\u00ed vem sendo dif\u00edcil porque \u201cCandeia\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que acho que vai estar em todos os shows, \u201cPerp\u00e9tuo\u201d, \u201cProv\u00e9rbios\u201d, \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cBoom\u201d, cara, est\u00e1 dif\u00edcil. Vamos meio que variando uma ou outra pra cada set, mas \u201cFogo nos Racistas\u201d, \u201cPadr\u00e3o\u201d, \u201cRevolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o Caos\u201d, \u201cMosha\u201d, quer dizer, a\u00ed j\u00e1 s\u00e3o quatro do \u201cAscens\u00e3o\u201d.,,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Espero que \u201cSem Anistia\u201d continue, que ela \u00e9 mais curtinha\u2026 (risos)<\/strong><br \/>\nChaene: N\u00e3o, \u201cSem Anistia\u201d n\u00e3o pode faltar tamb\u00e9m (risos). O show continua pesado, r\u00e1pido, tem v\u00e1rios momentos assim, ele est\u00e1 bem cadenciado. Ent\u00e3o, a gente est\u00e1 bem feliz por estar com essa d\u00favida pesarosa de \u201co que vamos tocar hoje?\u201d. Uma ou outra a gente vai ver, tem as que n\u00e3o v\u00e3o faltar de jeito nenhum, \u201cSem Anistia\u201d com certeza \u00e9 uma delas, e tem as que a gente vai variando assim, de uma cidade para outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acompanhando a banda, vejo que al\u00e9m de voc\u00eas participarem desses show maiores \u2013 al\u00e9m do lan\u00e7amento no Sesc, voc\u00eas tamb\u00e9m v\u00e3o fazer a abertura do Suicidal Tendencies e do Living Colour em breve \u2013 a tour tamb\u00e9m inclui lugares mais underground como o Gaz Burning em S\u00e3o Paulo e no Est\u00fadio Mutante em Americana (SP). O qu\u00e3o importante \u00e9 para voc\u00eas manter essa conex\u00e3o com o underground e o que muda em cada uma dessas situa\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nChaene: Estamos fazendo o mesmo show praticamente, o lance \u00e9 a estrutura que muda. N\u00f3s somos um power trio, a gente gosta muito de tocar ali, cara a cara, ver as pessoas olho no olho, a gente ainda tem essa veia. E querendo ou n\u00e3o, a gente hoje vive da banda, os tr\u00eas vivem da banda j\u00e1 tem um ano e meio, mas a banda n\u00e3o \u00e9 mainstream gigante. A gente vive de show e de merchan, ent\u00e3o a gente consegue se manter atrav\u00e9s disso, de estrada. A\u00ed tinha esse show no Sesc, tinha um show, por exemplo, em Diadema que a gente fez pra Secretaria de Cultura que foi foda, foram os dois primeiros shows do \u201cPerp\u00e9tuo\u201d e foi uma galera\u2026 o de Diadema, acho que tinha mais de 1000 pessoas naquele dia. E a\u00ed a gente tocou em Americana e em Ribeir\u00e3o Preto (SP), que eram picos menores, mas que era um cach\u00ea legal, a gente conseguiu vender merch para caramba e \u00e9 isso, a gente se adequa a v\u00e1rias realidades sem nenhum problema. Transita entre mainstream e underground passando a nossa mensagem. Porque a gente sabe que tem gente que n\u00e3o vai conseguir ver a gente a\u00ed num Rock in Rio, por exemplo. Ah, mas a gente vai tocar no Rio num lugar mais underground, comporta ali, sei l\u00e1, 400, 500 pessoas, e num pre\u00e7o acess\u00edvel, porque querendo ou n\u00e3o n\u00f3s somos uma banda preta e a gente sabe que pessoas pretas n\u00e3o t\u00eam tanta grana assim, sacou? Ent\u00e3o, fazemos quest\u00e3o disso, de viabilizar para que essas pessoas possam ver. Igual quando a gente tocou no Nordeste, a gente fez oito shows, pegamos a\u00ed dois shows que meio que pagavam a tour e sa\u00edmos fazendo em lugares menores com a Eskr\u00f6ta que tem a mesma mentalidade, \u00e9 uma banda feminista, e super funcionou. \u00c9 um jeito da gente rodar, de ir at\u00e9 as pessoas, se conectar e tamb\u00e9m fazer o nosso ganha p\u00e3o, porque querendo ou n\u00e3o a gente est\u00e1 ali trabalhando\u2026 e consegue fazer de uma maneira bonita. Est\u00e1 muito legal assim. De agenda est\u00e1 lotado, porque a gente se adequa a v\u00e1rios eventos: faz o Sesc, faz festival gigante, um pub menor na cidade, mas que d\u00e1 ali 300 pessoas, e est\u00e1 sendo muito incr\u00edvel. Mas n\u00e3o \u00e9 todo mundo que topa fazer isso, cara. N\u00e3o \u00e9 todo mundo. A gente \u00e9 muito correria e a gente \u00e9 feliz fazendo isso. \u00c9 uma honra para voc\u00ea chegar numa cidade e as pessoas irem te receber, as pessoas est\u00e3o loucas para falar com voc\u00ea, para te dar um presente, te dar um abra\u00e7o, n\u00e3o acreditam que a gente est\u00e1 ali no merch. E a gente fala: \u201cN\u00e3o mano, estou aqui, a gente \u00e9 outro esquema\u201d, a gente tem outra mentalidade e \u00e9 feliz sendo assim. As pessoas querem ter esse contato de chegar e falar assim: \u201c\u00f4 velho, vim por causa do meu filho, ele me apresentou voc\u00eas, e\/ou vice-versa\u2026 nossa, sou muito sua f\u00e3, cara, as m\u00fasicas de voc\u00eas me salvam\u201d. Ter esse contato \u00e9 o term\u00f4metro, e assim voc\u00ea fideliza a pessoa. Igual o Charles falou: o Sesc s\u00f3 tinha a gente (na noite do show), era uma noite s\u00f3 com Black Pantera. N\u00e3o tinha nem DJ, era s\u00f3 Black Pantera. Quem foi, foi para ouvir o nosso disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para fechar, quais os pr\u00f3ximos planos dessa tour e o que vem pela frente nesse tema afrolatino? Alguma colabora\u00e7\u00e3o com outras bandas da Am\u00e9rica Latina?<\/strong><br \/>\nChaene: N\u00f3s gravamos o \u201cPerp\u00e9tuo\u201d, a\u00ed fomos convidados para participar de um single de um cantor da Guin\u00e9-Bissau que \u00e9 o Patche di Rima. Ele estava em S\u00e3o Paulo, participou da Virada Cultural, fez algumas coisas na Bahia e ele \u00e9 f\u00e3 da banda\u2026 a gente j\u00e1 trombou ele em Floripa (SC), no Psicod\u00e1lia, ele viu o nosso show e falou: \u201cquero p\u00f4r voc\u00eas (no single), fazer essa jun\u00e7\u00e3o de Guin\u00e9-Bissau e Brasil\u201d. E esse single vai sair nas plataformas em breve, estamos esperando para ver o resultado, mas muito felizes com essa conex\u00e3o. Quem sabe a\u00ed, para um futuro pr\u00f3ximo\u2026 Mas assim, a gente tem algumas coisas para ver na gringa, eu estava at\u00e9 falando com o Rodrigo (Dead Fish) sobre essa quest\u00e3o de tentar uma tour na Am\u00e9rica Latina, porque ele \u00e9 um cara que liga e fala: \u201ccara, voc\u00eas transcenderam com esse \u00e1lbum, a gente precisa ir com voc\u00eas para desbravar a Am\u00e9rica Latina\u2026 tem muito rol\u00ea, muito festival, conhe\u00e7o muita gente\u201d\u2026 ent\u00e3o \u00e9 um projeto que a gente est\u00e1 conversando ainda, tem algumas coisas tamb\u00e9m para Estados Unidos, mas n\u00e3o tem nada fechado, s\u00e3o s\u00f3 conversas. Mas a tour do \u201cPerp\u00e9tuo\u201d vai passar por v\u00e1rios lugares no Brasil, a gente tem v\u00e1rios shows que ainda n\u00e3o divulgou, shows grandes que n\u00e3o pode falar de maneira alguma, ent\u00e3o a gente est\u00e1 muito feliz porque v\u00e3o rolar algumas coisas bem da hora [nota do entrevistador: a entrevista \u00e9 anterior \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o do Black Pantera no line-up do Knotfest 2024]. J\u00e1 gravamos dois clipes (\u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cProv\u00e9rbios\u201d) mas na pr\u00f3xima semana a gente come\u00e7a a gravar o clipe de \u201cPerp\u00e9tuo\u201d. E vai ser foda, conseguimos um or\u00e7amento legal, a diretora \u00e9 a mesma de \u201cTradu\u00e7\u00e3o\u201d (Carol Borges) e a m\u00fasica \u00e9 linda, essa parada de continente-m\u00e3e, de \u201cestamos sempre voltando\u201d, a gente est\u00e1 meio que pirando nisso para trazer um clipa\u00e7o. E vamos continuar trabalhando muito para botar esse disco na estrada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Pantera - Tradu\u00e7\u00e3o @ Sesc Pompeia, S\u00e3o Paulo - 13\/6\/2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kJY4yIj8sHI?list=PL6gBQKY5zwa3VXMwqGtPHXLhBT8YaAClf\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Pantera - Guia de Sobreviv\u00eancia do Povo Preto.doc\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/H5Y803KLHV0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Pantera convida Devotos no Rock In Rio 2022 (Show Completo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8GCkVQyg0Gc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fabio Machado<\/a> \u00e9 m\u00fasico e jornalista (n\u00e3o necessariamente nessa ordem). Baixista na Falsos Conejos, Mevoi, Thrills &amp; the Chase e outros projetos. A foto que abre o texto \u00e9 de Marcos Hermes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Charles e Chaene falam do show de lan\u00e7amento, processos criativos que levaram at\u00e9 \u201cPerp\u00e9tuo\u201d, correrias do underground, al\u00e9m das refer\u00eancias liter\u00e1rias e geogr\u00e1ficas&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/07\/16\/entrevista-black-pantera-fala-sobre-o-disco-perpetuo-e-a-importancia-dos-livros-e-da-cultura-preta-na-formacao-da-banda\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":143,"featured_media":82514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5078],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82507"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82507"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82507\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82517,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82507\/revisions\/82517"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}