{"id":8238,"date":"2011-03-28T21:59:40","date_gmt":"2011-03-29T00:59:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8238"},"modified":"2023-03-29T00:16:06","modified_gmt":"2023-03-29T03:16:06","slug":"o-livro-secreto-das-mentiras-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/28\/o-livro-secreto-das-mentiras-medo\/","title":{"rendered":"O Livro Secreto das Mentiras &#038; Medo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-8239\" title=\"diedra\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/diedra.jpg\" alt=\"\" width=\"298\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/diedra.jpg 298w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/diedra-223x300.jpg 223w\" sizes=\"(max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;O Livro Secreto das Mentiras &amp; Medo&#8221;, de Diedra Roiz<br \/>\npor <\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/ma_palas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maira Reis<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 livros que voc\u00ea come\u00e7a a ler e nem sabe explicar como conseguiu chegar ao final dele.  T\u00eam momentos em que voc\u00ea se irrita com o enredo, que se tornou sem gra\u00e7a e desmotivador. Mas mesmo assim, por algum motivo inconsciente, voc\u00ea continua lendo e revirando cada p\u00e1gina. Afinal s\u00e3o somente mais vinte folhas para terminar, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A culpa \u00e9 de quem? Dos personagens. Eles s\u00e3o sempre cria de confus\u00f5es internas que divagam racionalmente tentando se aproximar do dia a dia do p\u00fablico leitor. Ao come\u00e7ar a ler um livro e deparar com um conflito comum, voc\u00ea estar\u00e1 diante da forma mais simplista de narrar aventuras de personagens de romance. S\u00f3 que o escritor dever\u00e1 tomar muito cuidado para que as \u201cnovas formas de conven\u00e7\u00f5es\u201d de vida n\u00e3o fa\u00e7am com que as tentativas de aproxima\u00e7\u00e3o humana sejam idealizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Livro Secreto das Mentiras &amp; Medos\u201d, de Diedra Roiz  (Sem Editora, 167 p\u00e1ginas), come\u00e7a sua narrativa com Vic, cardiologista, que n\u00e3o encontra uma maneira certa e confort\u00e1vel para lidar com seus desejos e esperan\u00e7as. Ela pertence ao autodenominado quarteto fant\u00e1stico, formado por ela e os amigos Th\u00e9, Gui e Igor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo \u00e9 basicamente um envolto de rela\u00e7\u00f5es amorosas f\u00fateis de Vic com mulheres e encontros \u00e0 boate com Th\u00e9, Gui e Igor. Alguns personagens secund\u00e1rios aparecem \u2013 como Luana (namorada de Igor) e Pietra (paix\u00e3o adolescente de Vic).  O livro deixa bem expl\u00edcito a falta de amizade profunda entre os amigos, resultado em uma sensa\u00e7\u00e3o de vazio e interesse subliminar, um subterf\u00fagio total para a falta de maturidade e complexidade dos personagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diedra Roiz j\u00e1 \u00e9 bem conhecida (e reconhecida) com alguns pr\u00eamios em concursos liter\u00e1rios, como 2\u00b0 lugar no Concurso Nacional de Contos L\u00e9sbicos e obteve men\u00e7\u00e3o honrosa no 7\u00b0 Concurso Guemanisse.  Como talentosa escritora, ela apresenta um elemento surpresa, ao proporcionar uma incr\u00edvel reviravolta na obra e na vida da personagem principal, que se apaixona por uma nova personagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto fica mais po\u00e9tico. As complica\u00e7\u00f5es de Vic com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nova personagem s\u00e3o mais humanas e h\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o ver\u00eddica de amizade entre Vic e Gui \u2013 em certos momentos at\u00e9 com Pietra. Vic amadurece a cada p\u00e1gina, percebendo que n\u00e3o h\u00e1 motivos para esconder de si e do mundo o que realmente lhe \u00e9 inato.  Ela sente todas as verdadeiras sensa\u00e7\u00f5es humanas, principalmente ci\u00fames ao se deparar com Jaque e uma ex-namorada numa festa de casamento. Vic engrandece deixando de ser chata e infantil para ser fabulosa e mulher, ganhando toda adora\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Isto explica o porqu\u00ea voc\u00ea continua a ler alguns livros at\u00e9 a \u00faltima p\u00e1gina: vale a pena.<\/p>\n<p>*******<\/p>\n<p>&#8211; Maira Reis \u00e9 jornalista. Assina o blog <a href=\"http:\/\/cleopatrafaz.tumblr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cleopatra Faz Oral<\/a> e a coluna <a href=\"http:\/\/teandcookie.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tea and Cookie<\/a><\/p>\n<p>*******<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Leia um trecho do \u201cO Livro Secreto das Mentiras &amp; Medos\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c&#8230;Felizmente, n\u00e3o estava de plant\u00e3o no hospital. Apenas consultas relativamente simples no consult\u00f3rio. Nada de grave.<br \/>\nNo final da tarde, n\u00e3o aguentava mais. Falei, quase sem for\u00e7as: &#8211; Gra\u00e7a, pede pro \u00faltimo paciente entrar, por favor.<br \/>\nS\u00f3 ent\u00e3o olhei para a ficha na minha frente. Estranha e ir\u00f4nica coincid\u00eancia: Pietra.<br \/>\nEla entrou com um sorriso indecifr\u00e1vel no rosto. Levantei e cumprimentei com dois beijinhos. Ofereci: &#8211; Senta.<br \/>\nPietra obedeceu. Cruzando o bel\u00edssimo par de pernas que j\u00e1 n\u00e3o fazia nenhum efeito sobre mim.<br \/>\n&#8211; T\u00e1 aqui. Tudo que me pediu.<br \/>\nMe entregou os exames que havia feito.<br \/>\nCom al\u00edvio, disse: &#8211; Muito bom. Outra coisa.<br \/>\nAo que Pietra retrucou com um carinhoso: &#8211; N\u00e3o falei, Vi? Que tinha algu\u00e9m capaz de me manter viva, era voc\u00ea?<br \/>\nTentei esbo\u00e7ar um sorriso. Algo que naquele momento era dolorosamente dif\u00edcil. Quase imposs\u00edvel.<br \/>\nObviamente, ela reparou: &#8211; Que foi?<br \/>\nDe onde veio a minha rea\u00e7\u00e3o? N\u00e3o sei. Poderia ter balan\u00e7ado a cabe\u00e7a em nega\u00e7\u00e3o. Poderia ter respondido que n\u00e3o era nada&#8230; No entanto, foi como se Pietra possu\u00edsse a chave capaz de abrir as comportas do que existia em mim de mais verdadeiro.<br \/>\nMeus l\u00e1bios tremeram, e aquilo que n\u00e3o havia conseguido fazer a noite inteira aconteceu: as l\u00e1grimas desceram.<br \/>\nPietra n\u00e3o me tocou ou se aproximou. Tirou da bolsa uma caixinha de len\u00e7os de papel e me ofereceu.<br \/>\nLimpei as l\u00e1grimas. Inutilmente. Voltaram a cair. Durante um bom tempo. Em que ela permaneceu calada, me olhando fixamente.<br \/>\nQuando finalmente me acalmei, Pietra disse: &#8211; N\u00e3o precisa falar nada. Mas se quiser, Vi&#8230;Estou aqui.<br \/>\nMais do que estranho e surpreendente. Inacredit\u00e1vel aquele regresso. Eu ali com a amiga e confidente da adolesc\u00eancia. A primeira a me causar aquele tipo de sentimento. Ali\u00e1s, \u00fanica&#8230; At\u00e9 ent\u00e3o.<br \/>\nPor\u00e9m, na verdade, n\u00e3o havia muito a dizer: &#8211; Vou me casar m\u00eas que vem.<br \/>\nCom um tom de voz indefin\u00edvel, Pietra constatou: &#8211; \u00c9. Ouvi dizer.<br \/>\nOlhei de forma interrogativa.<br \/>\nA explica\u00e7\u00e3o imediatamente veio: &#8211; Sua secret\u00e1ria me contou.<br \/>\nAlguns segundos de hesita\u00e7\u00e3o, como se pensasse se deveria ou n\u00e3o acrescentar. At\u00e9 que n\u00e3o se conteve: &#8211; Ela parece bem mais empolgada do que voc\u00ea.<br \/>\nUma s\u00fabita necessita de tentar explicar apareceu: &#8211; \u00c9 meu amigo. Tamb\u00e9m \u00e9 gay. Um casamento de fachada, entende?<br \/>\nPietra n\u00e3o demonstrou compreens\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio. Uma perplexidade descrente parecia mov\u00ea-la: Sinceramente? N\u00e3o, n\u00e3o entendo. Voc\u00ea me disse&#8230; Que tinha algu\u00e9m.<br \/>\nL\u00e1 estava eu, mais uma vez tendo que me justificar: &#8211; \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito&#8230; N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Voc\u00ea conhece a minha fam\u00edlia. Sabe como s\u00e3o.<br \/>\nEla sorriu? Ou o erguer do canto da boca era apenas um esgar?<br \/>\n&#8211; Vi, conhe\u00e7o voc\u00ea.<br \/>\nA frase soou enigm\u00e1tica. De um jeito que n\u00e3o me deixava escolha, al\u00e9m de perguntar:<br \/>\n&#8211; O que quer dizer<br \/>\nPietra respirou fundo, antes de finalmente responder: &#8211; Voc\u00ea nunca primou pela coragem. Muito menos pela franqueza. Diria que continua como sempre: perita em se esquivar, especialista em enganar os outros e a si mesma.<br \/>\nNa voz dela, uma m\u00e1goa que n\u00e3o esperava, sequer sabia da exist\u00eancia. Ficamos nos encarando, em sil\u00eancio.<br \/>\nAt\u00e9 os olhos de Pietra se desviaram.<br \/>\nRecolheu os exames de cima da minha mesa, pegou a bolsa, caminhou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta, colocou a m\u00e3o na ma\u00e7aneta.<br \/>\nEnt\u00e3o parou.<br \/>\nVirou para mim novamente: &#8211; Desculpe a sinceridade.<br \/>\nPercorri a dist\u00e2ncia em ter n\u00f3s rapidamente. Precisava ouvir de perto. Frente a frente: &#8211; o que est\u00e1 realmente me dizendo?<br \/>\nUm sorriso doce, suave, profundo. Acompanhou a explica\u00e7\u00e3o: &#8211; Que voc\u00ea est\u00e1 instinto no erro.<br \/>\nAssim que Pietra saiu, dispensei Gra\u00e7a.<br \/>\nFiquei andando de um lado para o outro da sala, tentando restaurar a ordem em minha mente. In\u00fatil insistir.<br \/>\nAcabei indo para casa&#8230;&#8221;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Maira Reis\nDiedra Roiz apresenta um enredo bem moldado, mas com personagens sem complexidade em seu novo livro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/28\/o-livro-secreto-das-mentiras-medo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8238"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8238"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8238\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73640,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8238\/revisions\/73640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}