{"id":82274,"date":"2024-06-26T00:01:00","date_gmt":"2024-06-26T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=82274"},"modified":"2025-04-11T09:51:16","modified_gmt":"2025-04-11T12:51:16","slug":"entrevista-joana-espadinha-fala-sobre-seu-novo-disco-vergonha-na-cara-e-revela-desejo-de-se-apresentar-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/26\/entrevista-joana-espadinha-fala-sobre-seu-novo-disco-vergonha-na-cara-e-revela-desejo-de-se-apresentar-no-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Joana Espadinha fala sobre seu novo disco, &#8220;Vergonha na Cara&#8221;, e revela desejo de se apresentar no Brasil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe \u2018Vergonha Na Cara\u2019 fosse o meu \u00faltimo trabalho, e espero que n\u00e3o seja, eu ficaria satisfeita por ser o meu derradeiro \u2018statement\u2019\u201d, diz-me <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/joanaespadinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Joana Espadinha<\/a> em jeito de confiss\u00e3o inicial enquanto conversamos numa esplanada de um caf\u00e9 em Alg\u00e9s (vila pr\u00f3xima de Lisboa). O foco da entrevista que conduzo \u00e9 o seu mais recente \u00e1lbum, \u201cVergonha Na Cara\u201d (2024), que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado <a href=\"https:\/\/www.rastilho.com\/search\/joana%20espadinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em vinil e CD pela Rastilho<\/a> e sucede a \u201cNingu\u00e9m Nos Vai Tirar O Sol\u201d (2021) e a trabalhos como \u201cO Material Tem Sempre Raz\u00e3o\u201d (2018) e \u201cAvesso\u201d (2014) em que se afirmou como uma das mais interessantes cantautoras portuguesas da atualidade. \u201cVergonha Na Cara\u201d \u00e9 o disco em que Joana assume, aos 40 anos, o que quer sem rodeios, num manifesto de liberdade e independ\u00eancia, mas tamb\u00e9m revelando a sua vulnerabilidade quando canta o amor, os relatos cotidianos e a sua transforma\u00e7\u00e3o pessoal e art\u00edstica ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 indiscut\u00edvel que a artista lisboeta redescobriu a sua voz e manifesta uma confian\u00e7a acrescida em contraste com o questionamento da adolesc\u00eancia tamb\u00e9m abordado. Exemplo disso \u00e9 o primeiro single, \u201cSer\u00e1 O Que Ser\u00e1\u201d, que representa um est\u00edmulo a viver o presente plenamente, bem como \u201cVestir A Camisola\u201d (uma can\u00e7\u00e3o que segundo a pr\u00f3pria \u201cfala sobre a viagem que o amor proporciona e torna as rela\u00e7\u00f5es mais fortes e imunes \u00e0s mudan\u00e7as de vento\u201d). A faixa-t\u00edtulo completa o lote do pop mais solto e afirmativo do disco e nela Joana Espadinha assina uma das estrofes marcantes do trabalho quando canta: \u201cPosso n\u00e3o querer usar baton \/ mas nunca mais vou moderar o tom \/ tiro a morda\u00e7a na noite calada\u201d. Sobre o \u00e2mago da m\u00fasica, a artista sublinha o seu esp\u00edrito desafiador: \u201cSe calhar \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o para mim pr\u00f3pria em que digo: \u201cDeixa l\u00e1 de moderar o tom e assume o que queres dizer\u201d, porque a condi\u00e7\u00e3o feminina n\u00e3o tem de ser uma saia travada. At\u00e9 mesmo se eu quiser ser um clich\u00e9 feminino, \u00e9 a minha escolha e a minha liberdade e n\u00e3o porque algu\u00e9m achou que devia ser isto ou aquilo\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-82278\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/\u00a9joanalinda_JE_novas_-copiar1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/\u00a9joanalinda_JE_novas_-copiar1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/\u00a9joanalinda_JE_novas_-copiar1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum revela igualmente uma vertente mais melanc\u00f3lica, incluindo momentos introspectivos (\u201cQue A Vontade Nunca Mude\u201d) e on\u00edricos (\u201cAt\u00e9 Ca\u00edr Em Mim\u201d) nos quais a bel\u00edssima narrativa sonora de \u201cEstamos Conversados\u201d assume um lugar de destaque. Esta faceta n\u00e3o menos interessante \u00e9 fruto de uma reflex\u00e3o interior que atinge o seu ponto de maior matura\u00e7\u00e3o no seu trabalho atual. Recentemente, Joana Espadinha fez um bem sucedido mini tour de apresenta\u00e7\u00e3o do disco atuando em Lisboa, Coimbra, Felgueiras e Porto acompanhada pela sua banda formada por Ant\u00f3nio Vasconcelos Dias (guitarras), Margarida Campelo (teclas e voz), Pir (guitarra el\u00e9trica), Francisco Brito (baixo) e Nuno Serafa (bateria). Para al\u00e9m de destacar a \u201clufada de ar fresco\u201d no grupo que a entrada de Ant\u00f3nio proporcionou, o prazer de tocar as novas can\u00e7\u00f5es e constatar a diversidade geracional da assist\u00eancia, a cantautora aponta outro fato que tamb\u00e9m lhe agradou: \u201cSe calhar a surpresa tem sido perceber que fiz um caminho e j\u00e1 n\u00e3o sou uma desconhecida para o p\u00fablico que assiste aos meus concertos e isso sabe muito bem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um percurso diversificado que lhe rendeu faixas emblem\u00e1ticas como \u201cLeva-me a Dan\u00e7ar\u201d ou \u201cMau Feitio\u201d, escrevendo can\u00e7\u00f5es para outros artistas (um desses casos \u00e9 \u201cGinger Ale\u201d que seria interpretada por Diana Castro no Festival da Can\u00e7\u00e3o de 2022) ou como integrante dos bem sucedidos Cassete Pirata, Joana Espadinha atingiu um grau apreci\u00e1vel de reconhecimento no panorama musical portugu\u00eas. Por esse motivo, torna-se pertinente aferir as suas ambi\u00e7\u00f5es futuras como cantora e compositora em fun\u00e7\u00e3o da produtividade que tem pela frente. \u201cO meu objetivo seria tocar ao vivo vezes suficientes para que seja sustent\u00e1vel, ou seja, para poder prolongar a minha profiss\u00e3o o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel. Parecem objetivos um pouco humildes, mas n\u00e3o s\u00e3o. Se eu puder fazer isto ser\u00e1 o sonho da minha vida, manter esta profiss\u00e3o, continuar a dar m\u00fasica \u00e0s pessoas e escrever can\u00e7\u00f5es para outros artistas\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Lisboa para o Brasil, Joana Espadinha conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"JOANA ESPADINHA - NASCER DO ZERO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QjQSvGMyQfc?list=OLAK5uy_n2_dVVs6l8498VyEQdagE1nceGJ3Q2pBQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Passaram-se tr\u00eas anos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/11\/entrevista-joana-espadinha-fala-de-seu-novo-album-ninguem-nos-vai-tirar-o-sol\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desde a edi\u00e7\u00e3o de \u201cNingu\u00e9m Nos Vai Tirar O Sol\u201d<\/a>. Quais foram os fatores pessoais e as refer\u00eancias tem\u00e1ticas e musicais que voc\u00ea transportou para o novo trabalho?<\/strong><br \/>\nEste \u00e1lbum n\u00e3o foi feito durante o per\u00edodo do covid-19 e isso foi uma coisa que teve muito impacto. O disco anterior, \u201cNingu\u00e9m Nos Vai Tirar O Sol\u201d (2021), tinha sido produzido pelo Benjamim. N\u00f3s grav\u00e1mo-lo no est\u00fadio e n\u00e3o pudemos estar o tempo todo na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es e fizemo-lo de forma mais curta. Foi um trabalho como banda e depois grav\u00e1mos em est\u00fadio durante uma semana e finalmente realiz\u00e1mos a p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o. Mas, houve algumas incertezas, derivadas das conting\u00eancias da \u00e9poca, porque n\u00e3o sab\u00edamos se seria poss\u00edvel registra-lo em est\u00fadio e at\u00e9 faz\u00ea-lo n\u00e3o est\u00e1vamos seguros. Gravei esse \u00e1lbum com um barrig\u00e3o de oito meses e estava quase a ser m\u00e3e. A minha vida transformou-se com o nascimento do meu filho e h\u00e1 todo um processo de reconfigura\u00e7\u00e3o e de redescoberta de quem somos pessoalmente e artisticamente tamb\u00e9m. Passei por uma fase em que n\u00e3o fiz shows durante muito tempo e isso fez-me repensar a m\u00fasica que eu estava a escrever se era exatamente o que eu queria e o que faltava dizer. Sinto que quando comecei a compor este disco estava com a cabe\u00e7a mais aberta e a procurar coisas diferentes. N\u00e3o queria s\u00f3 fazer can\u00e7\u00f5es pop a\u00e7ucaradas, mas tamb\u00e9m pretendia abordar a melancolia, assuntos mais s\u00e9rios e esteticamente desejava que a voz tivesse mais espa\u00e7o para respirar e se escutassem mais instrumentos ac\u00fasticos. Para al\u00e9m disso, cheguei a um ponto no meu trajeto em que decidi assumir um bocado o controle, tive uma equipe nova a trabalhar comigo e tenho duas managers, que s\u00e3o grandes amigas, com quem tomo as decis\u00f5es. Acabei por sentir que agarrei a minha carreira e passei a seguir mais os meus instintos e a direcionar algumas coisas. Isto para al\u00e9m da parte das resolu\u00e7\u00f5es de fazer a m\u00fasica. Acho que a circunst\u00e2ncia mais importante no p\u00f3s-maternidade e depois do \u00e1lbum \u201cNingu\u00e9m Nos Vai Tirar O Sol\u201d foi de repente eu ter reunido as ferramentas que me permitiram ter a liberdade para mostrar quem sou como artista e para arriscar um pouco mais. Passou por sair da minha zona de conforto e recuperar algumas coisas que perdi ao longo destes 10 anos, nomeadamente este aspecto da melancolia e da tristeza que tamb\u00e9m \u00e9 importante ser cantada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco revela maior profundidade, mais risco e uma amplitude sonora superior. Gostaria que me falasse um pouco sobre o trabalho do produtor Ant\u00f3nio Vasconcelos Dias e dos horizontes que ele abriu para as suas novas can\u00e7\u00f5es.<\/strong><br \/>\nQuando iniciei o meu trabalho com o Tony (Ant\u00f3nio Vasconcelos Dias) ele come\u00e7ou por ser diretor musical do projeto. No ano passado mudei de ag\u00eancia e fiz alguns shows e queria dar uma volta ao repert\u00f3rio e precisava de algu\u00e9m externo para fazer dire\u00e7\u00e3o musical, porque n\u00f3s trabalhamos entre amigos e \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o perder perspectiva. S\u00e3o pessoas que j\u00e1 nos conhecem h\u00e1 muito tempo e era preciso um par de ouvidos frescos para perceber que caminhos poderiamos seguir. Foi muito fixe (legal) trabalhar com o Tony e os m\u00fasicos tamb\u00e9m gostaram muito. Nessa altura eu j\u00e1 estava a colaborar com o Ben Monteiro (produtor do primeiro single \u201cSer\u00e1 O Que Ser\u00e1\u201d) e depois propus ao Tony abordar duas can\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Aquilo correu t\u00e3o bem e perguntei-lhe se ele queria fazer o resto do disco. Ele e eu temos em comum a influ\u00eancia da m\u00fasica norte-americana e do folk, que era algo que eu queria trazer de volta para a minha m\u00fasica. Al\u00e9m de ser baterista e tecladista, ele toca muito bem guitarra ac\u00fastica e tem muito esse imagin\u00e1rio do Blake Mills e da Fiona Apple. Trabalh\u00e1mos regularmente, sem pressa, mas a dada altura houve um prazo para cumprir e foi mesmo uma maratona (risos). Escut\u00e1mos muita m\u00fasica na fase inicial, partilh\u00e1mos ideias e ele tem um amor pelo anal\u00f3gico que \u00e9 comum ao Benjamim, como \u00e9 o caso da escolha dos teclados mais antigos. Isso funcionou bem e eu tenho uma liga\u00e7\u00e3o f\u00edsica forte com a m\u00fasica apesar dos meios digitais nos darem muitas vantagens hoje em dia. Eu gosto bastante de ouvir uma bateria com som real, de escutar um Rhodes e o Tony tem isto tudo. A escolha dele como produtor foi fundamental, porque \u00e9 uma pessoa que me d\u00e1 muita liberdade e \u00e9 apaixonado pela m\u00fasica. Acima de tudo foi uma parceria e nunca senti que havia uma hierarquia em que eu ou ele mand\u00e1vamos. N\u00f3s \u00edamos experimentando e isso \u00e9 respons\u00e1vel por este disco nos representar t\u00e3o bem e eu me sentir t\u00e3o orgulhosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deu ao \u00e1lbum o t\u00edtulo de \u201cVergonha na Cara\u201d para sumarizar os diferentes estados de esp\u00edrito que aborda no trabalho ou por refletir de alguma forma o seu momento presente?<\/strong><br \/>\nAcho que s\u00e3o todos esses aspectos. Os meus discos t\u00eam sempre o nome de uma can\u00e7\u00e3o que se encontra no \u00e1lbum. A m\u00fasica \u201cVergonha Na Cara\u201d foi das primeiras a ser escrita para este trabalho e do lado mais autobiogr\u00e1fico. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que vem resolver uma certa timidez e mais do que isso o medo de falar e de dar a minha opini\u00e3o que vinha da adolesc\u00eancia e tive de o processar. Portanto, reflete muito este tempo presente. \u00c9 uma fase em que sinto n\u00e3o ter muita coisa a perder e a minha fam\u00edlia e os meus amigos gostam de mim pela pessoa que sou. Eles sabem quais s\u00e3o as minhas opini\u00f5es e n\u00e3o temos de concordar em tudo. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel esconder-me e n\u00e3o confiar nos meus instintos. Perante essa circunst\u00e2ncia, de repente, o t\u00edtulo \u201cVergonha Na Cara\u201d fazia todo o sentido. Os nomes dos discos d\u00e3o sempre muita discuss\u00e3o, pensamos: \u201cSer\u00e1 que \u00e9 um t\u00edtulo estranho? Ser\u00e1 que dev\u00edamos dar-lhe outro nome? Depois concord\u00e1mos que era o que pretend\u00edamos. \u00c9 isto mesmo que eu quero dizer, porque neste momento n\u00e3o tenho vergonha na cara (risos). Acho que sumariza a liberdade e a procura de liberdade tamb\u00e9m. De fato, estamos numa sociedade muito polarizada e obviamente existem for\u00e7as assustadoras, nomeadamente pol\u00edticas, que pretendem um retrocesso de direitos, mas tamb\u00e9m h\u00e1 maneiras diferentes de pensar. A resposta n\u00e3o deve passar por catalogarmos as pessoas por causa de determinada opini\u00e3o. Devemos ouvir-nos uns aos outros, protegendo a liberdade, mas \u00e9 preciso empatia para perceber porque \u00e9 que certas opini\u00f5es surgem e que muitas vezes est\u00e3o relacionadas com o sofrimento das pessoas e com problemas que n\u00e3o est\u00e3o a ser atendidos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"M80 | Joana Espadinha - Vergonha na Cara\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/e4Y0gp20rSo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No seu trabalho, encontramos o pop que a define, mas tamb\u00e9m fases de maior introspe\u00e7\u00e3o, solenidade e de sonho e a faixa derradeira, \u201cEstamos Conversados\u201d, destaca-se pelo seu teor cinem\u00e1tico e por uma sonoridade envolvente. Em que se inspirou para compor a can\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEsta foi uma das m\u00fasicas em que a maquete inicial j\u00e1 estava muito pr\u00f3xima do ambiente da can\u00e7\u00e3o. No sentido em que eu pus um beat e assim ficou. Era uma coisa do tipo Angel Olsen e igualmente um pouco do Los Hermanos. Eu gosto bastante de contrastes e queria algo com uma energia mais \u2018rough\u2019 e que tivesse alguma poesia e fragilidade. Tony adorou a faixa. Esse foi o arranjo dele que eu acho que est\u00e1 mais conseguido no disco todo. A envolv\u00eancia da m\u00fasica foi gra\u00e7as ao Tony. Ele fez um arranjo de sopros que quase n\u00e3o soa a sopros e parece uma orquestra gigante, ao mesmo tempo que combina com uma coisa mais roqueira, e o som de guitarra do Pir tamb\u00e9m \u00e9 muito respons\u00e1vel por esse ambiente. S\u00e3o praticamente dois universos. O come\u00e7o \u00e9 mais duro e depois entram os sopros e parece que s\u00e3o as estrelas e a noite a abrir. \u00c9 a parte em que diz: \u201cA cidade dorme\u201d. O Tony mandou-me a maquete com o arranjo quando eu estava no supermercado. Ele disse: \u201cOlha l\u00e1 este arranjo que eu fiz!\u201d. Eu escutei e senti que foi muito inesperado o s\u00edtio para onde o Tony levou a can\u00e7\u00e3o e \u00e9 sem d\u00favida um dos meus momentos favoritos do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m do seu percurso solo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/22\/tres-discos-cassete-pirata-beautify-junkyards-rui-reininho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">voc\u00ea integra os Cassete Pirata<\/a>, que lan\u00e7aram recentemente o \u00e1lbum \u201cA Fam\u00edlia\u201d, e comp\u00f5e regularmente para artistas como Carminho ou Cla\u0301udia Pascoal, entre outros. Em que medida esses trabalhos a estimulam a superar-se no seu trajeto em nome pr\u00f3prio?<\/strong><br \/>\nOs Cassete Pirata s\u00e3o um projeto que eu vi nascer e o Pir (Jo\u00e3o Firmino, vocalista, guitarrista e compositor do grupo) \u00e9 o meu companheiro e acabei por assistir ao nascimento das can\u00e7\u00f5es e perceber os assuntos que se est\u00e3o a falar. Tenho muita admira\u00e7\u00e3o pelo Pir como compositor e m\u00fasico e tem sido um grande bra\u00e7o direito ao longo destes anos. Ele \u00e9 uma pessoa sem a qual eu n\u00e3o faria m\u00fasica provavelmente. Os Cassete Pirata possibilitaram-me a oportunidade de n\u00e3o ser \u2018frontman\u2019 e os olhos n\u00e3o est\u00e3o postos em mim. Isso deu-me bastante liberdade e ajudou-me a vencer alguns monstros do palco, que \u00e9 um lugar de extrema vulnerabilidade. N\u00f3s artistas somos seres humanos e h\u00e1 dias menos bons em que estamos a duvidar de n\u00f3s pr\u00f3prios. Nesses dias \u00e9 muito complicado enfrentar uma plateia e vender uma confian\u00e7a que podemos n\u00e3o estar a sentir, porque o p\u00fablico espera uma transforma\u00e7\u00e3o e se tudo correr bem \u00e9 isso que vai acontecer. H\u00e1 uma can\u00e7\u00e3o no meu novo disco que fala disso (\u201cNascer do Zero\u201d). Claro que com os Cassete Pirata, sem o holofote em mim, foi muito libertador. Tanto os m\u00fasicos com que eu trabalho nos Cassete Pirata como os que colaboram comigo no meu projeto solo, alguns em comum, s\u00e3o pessoas com quem tinha uma excelente amizade ou tornaram-se grandes amigos. Isso \u00e9 um privil\u00e9gio, porque \u00e9 uma ind\u00fastria e uma carreira dura, tem muitos altos e baixos e passamos bastante tempo al\u00e9m do tempo que \u00e9 passado no palco. Se n\u00e3o houver uma rela\u00e7\u00e3o forte com essas pessoas acho que j\u00e1 n\u00e3o estaria nesta profiss\u00e3o, porque eles puxam o melhor de mim. Depois, reflete-se no trabalho e fazemos melhor m\u00fasica por nos darmos bem e termos essa liga\u00e7\u00e3o. Eu tenho sido muito afortunada com as pessoas que trabalham comigo, tanto com produtores como m\u00fasicos. Escrever para outros artistas \u00e9 quase como viver outras vidas, porque n\u00e3o faz sentido que seja eu a cantar em todas as can\u00e7\u00f5es. Adoro tentar perceber qual \u00e9 a m\u00fasica que vai encaixar naquela hist\u00f3ria de vida e naquele int\u00e9rprete. \u00c9 uma das coisas que mais gosto de fazer e acho que quando n\u00e3o tiver voz f\u00edsica continuarei a t\u00ea-la atrav\u00e9s das minhas can\u00e7\u00f5es. Isso transmite-me muita seguran\u00e7a e felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na \u00faltima entrevista que lhe fiz, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/11\/entrevista-joana-espadinha-fala-de-seu-novo-album-ninguem-nos-vai-tirar-o-sol\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">voc\u00ea citou a Rita Lee como uma das suas influ\u00eancias<\/a>. Como, infelizmente, ela j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 entre n\u00f3s, gostaria de saber se existe atualmente outro m\u00fasico brasileiro com quem gostasse de fazer uma parceria ou escrever uma can\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 imensos m\u00fasicos brasileiros com quem gostava de fazer uma parceria. Eu conheci a Julia Mestre quando ela esteve em Portugal. A Julia \u00e9 extraordin\u00e1ria, bem como outros m\u00fasicos com quem trabalha como \u00e9 o caso do Z\u00e9 Ibarra. O Tim Bernardes \u00e9 uma grande influ\u00eancia, porque ele \u00e9 um super-m\u00fasico, super-cantor, super-compositor, arranjador e instrumentista. \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos do Brasil que \u00e9 fant\u00e1stica e alguns talvez ainda n\u00e3o sejam conhecidos do grande p\u00fablico brasileiro, mas deviam ser. Eles t\u00eam uma qualidade que eu vi em muito poucos artistas ao longo da minha carreira. Alguns deles j\u00e1 fizeram parcerias com m\u00fasicos portugueses. O Tim Bernardes cantou com o Salvador Sobral <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/05\/entrevista-de-lisboa-capitao-fausto-fala-sobre-a-invencao-do-dia-claro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e o Capit\u00e3o Fausto<\/a> e a Julia Mestre j\u00e1 gravou uma can\u00e7\u00e3o com a Maro. Portanto, fico muito contente que esta ponte esteja cada vez mais s\u00f3lida e eu quero que ocorram cada vez mais parcerias. Estes tr\u00eas que eu citei s\u00e3o fundamentais. Claro que o sonho da minha vida <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/05\/21\/batendo-uma-bola-com-chico-buarque\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">era conhecer e cantar com o Chico Buarque<\/a> ou, pelo menos, escrever uma can\u00e7\u00e3o com ele (risos). Eu adorava ir ao Brasil, porque nunca fui e \u00e9 um grande sonho. Pretendo visitar, mas tamb\u00e9m gostaria imenso de me apresentar l\u00e1. \u00c9 um pa\u00eds com uma cultura que me inspirou bastante e faz muito parte da minha hist\u00f3ria apesar de nunca o ter visitado. Por isso, pe\u00e7o que continuem a apoiar a cultura e a variedade cultural. Estejam atentos ao talento que h\u00e1 no vosso pa\u00eds, porque \u00e9 enorme.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"M80 | Especial Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es - Joana Espadinha com &quot;Can\u00e7\u00e3o do Engate&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-W84HeP4TO8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"JOANA ESPADINHA - GINGER ALE SPECIAL EDITION\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cYec5yaF7MU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joana Espadinha - Vestir A Camisola na A Nossa Tarde (RTP1-29.1.24)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wwxvkn118Pg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga&nbsp;<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. A foto que abre a entrevista \u00e9 de Joana Linda \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Cheguei a um ponto no meu trajeto em que decidi assumir um bocado o controle. Passou por sair da zona de conforto e recuperar algumas coisas que perdi ao longo destes 10 anos&#8221;, diz Joana\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/26\/entrevista-joana-espadinha-fala-sobre-seu-novo-disco-vergonha-na-cara-e-revela-desejo-de-se-apresentar-no-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":82317,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5393,5263,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82274"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82274"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82274\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82318,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82274\/revisions\/82318"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82317"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}