{"id":82130,"date":"2024-06-17T13:15:03","date_gmt":"2024-06-17T16:15:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=82130"},"modified":"2024-07-19T16:37:19","modified_gmt":"2024-07-19T19:37:19","slug":"entrevista-nova-banda-de-brasilia-a-corujones-fala-sobre-seu-disco-de-estreia-projecoes-astrais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/17\/entrevista-nova-banda-de-brasilia-a-corujones-fala-sobre-seu-disco-de-estreia-projecoes-astrais\/","title":{"rendered":"Entrevista: Corujones, nova banda de Bras\u00edlia, fala sobre seu disco de estreia, \u201cProje\u00e7\u00f5es Astrais\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo tendo nascido como um projeto solo, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/corujones_music\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Corujones<\/a> \u00e9 uma banda. Mais que isso, \u00e9 a maneira que seus integrantes encontraram para reagir\/resistir a um mundo pautado por individualismo, mercantilismo, \u201dmerecismo\u201d e outros ismos que castigam pessoas de todas as idades nesse desgra\u00e7ado vig\u00e9simo-primeiro s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tarso Jones (voz e guitarra), Marcelo Moura (baixo), H\u00e9lio Miranda (bateria) e Carlos Beleza (guitarra solo) s\u00e3o amigos de longa data e j\u00e1 tocaram juntos em outras bandas do Distrito Federal. Na verdade, n\u00e3o faz muito tempo, os tr\u00eas primeiros estavam juntos na Rios Voadores, que era completada pela vocalista Gaivota Naves e pelo baixista Beto Ramos (Moura tocava guitarra ent\u00e3o). Em certo sentido, \u201cProje\u00e7\u00f5es Astrais\u201d, o primeiro \u00e1lbum da banda, lan\u00e7ado pelo selo goiano Monstro Discos, \u00e9 \u201cherdeiro\u201d da Rios Voadores. Ao mesmo tempo, o disco tamb\u00e9m mostra a banda se colocando em um caminho diferente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece confuso? Bem, eles explicam esse imbr\u00f3glio logo no come\u00e7o desta entrevista. Mas o que fica claro desde o in\u00edcio \u00e9 que a Corujones \u00e9 uma banda de rock influenciada por luminares setentistas e noventistas do g\u00eanero, especialmente os brasileiros. Tanto \u00e9 assim que a segunda faixa \u2013 e primeiro single \u2013 do disco \u00e9 uma bela e poderosa vers\u00e3o para \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/track\/4Yc3vhWDFSEEQ9iwqcgyDj?si=b6e7993992d3420f&amp;nd=1&amp;dlsi=416d7a9da7e0472e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sentado no Arco-\u00cdris<\/a>\u201d, composi\u00e7\u00e3o de Leno com letra de Raul Seixas, presente em sua vers\u00e3o original em \u201cVida e Obra de Johnny McCartney\u201d, disco gravado entre 1970 e 1971 que foi engavetado pela gravadora CBS na \u00e9poca, e que s\u00f3 seria lan\u00e7ado em CD em 1995 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/12\/17\/tres-perguntas-rodrigo-garras-de-andrade-selo180\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e em vinil apenas em 2018<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As outras sete faixas do \u00e1lbum s\u00e3o da autoria da banda, e algumas delas, como \u201cFaroeste Digital\u201d e \u201cVis\u00e3o Pineal\u201d, mant\u00e9m a pegada furiosa e direta. Outras, como \u201cQuanto Tempo um Pensamento\u201d e \u201cFantasma do Amanh\u00e3\u201d, embarcam em \u00e1reas mais psicod\u00e9licas, com resultados igualmente bons. J\u00e1 \u201cBlues da Metade\u201d e \u201cSanta Maria\u201d se escoram numa est\u00e9tica mais c\u00f4moda e menos personalista. Completa o set de can\u00e7\u00f5es \u201cTodo N\u00f3 Tem Nome\u201d, de riff strokeano e com um bem-vindo apelo dan\u00e7ante. O \u00e1lbum estar\u00e1 em todas as plataformas a partir de 28 de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se lembra que rock tamb\u00e9m \u00e9 m\u00fasica pop \u2013 ou seja, que pode ser cantarol\u00e1vel, acess\u00edvel, ter ganchos mel\u00f3dicos \u2013 o Corujones faz bonito, e nas faixas destacadas acima, a banda mostra um material muito mais instigante e promissor do que o registrado em seus primeiros singles. E eles est\u00e3o conscientes desse processo de transforma\u00e7\u00e3o que sua m\u00fasica est\u00e1 passando. Tanto que o segundo \u00e1lbum j\u00e1 est\u00e1 em gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas vamos com calma, que ainda h\u00e1 muito a falar sobre \u201cProje\u00e7\u00f5es Astrais\u201d. O Scream &amp; Yell passou uns bons minutos conversando com Tarso Jones e Marcelo Moura por videoconfer\u00eancia, e os dois contaram sobre o processo de matura\u00e7\u00e3o da banda, a \u201cpromiscuidade\u201d dos m\u00fasicos de Bras\u00edlia no que diz respeito aos muitos grupos de que participam, e sobre qual \u00e9 o sentido de ter uma banda e tentar lev\u00e1-la para os palcos hoje.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sentado no Arco-\u00cdris\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uRn5GTooAT4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Rios Voadores era uma banda que tinha dois eixos criativos, um no Tarso e outro na Gaivota. Al\u00e9m disso, voc\u00ea, Marcelo e H\u00e9lio integravam a banda. O Corujones \u00e9, ent\u00e3o, um desdobramento \u201cnatural\u201d do fim da Rios Voadores, ou \u00e9 uma outra hist\u00f3ria, independente da banda anterior?<\/strong><br \/>\nTarso Jones: Bom, o disco \u201cRios Voadores na Era Sinistroyka\u201d (2019) nasceu em decorr\u00eancia do caos variado que existia ali. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/03\/18\/entrevista-as-trilhas-do-sol-de-joe-silhueta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eu tamb\u00e9m estava atribulado com a Joe [Silhueta] na \u00e9poca, gravando o disco \u201cTrilhas do Sol\u201d<\/a>. Ia ser o primeiro \u00e1lbum da Joe, depois de dois EPs. e um single. Mas o disco da Rios saiu quando a banda j\u00e1 n\u00e3o estava mais em pauta, digamos. O primeiro disco, hom\u00f4nimo, foi gravado em 2014, l\u00e1 em Porto Alegre no est\u00fadio do [Thomas] Dreher durante a Copa do Mundo. Foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel, mas a gente s\u00f3 conseguiu lan\u00e7ar no final de 2016, por diversos fatores, e o acidente da Gaivota acontece logo depois, no in\u00edcio de 2017 (nota: a cantora sofreu um acidente grav\u00edssimo em 15 de janeiro de 2017, no qual teve 80% dos ossos do cr\u00e2nio fraturados, entre outros ferimentos). N\u00e3o muito depois (4 de maio), o Pedro [Souto] falece\u2026 (nota: falecido aos 23 anos, o m\u00fasico era namorado de Gaivota e tocava nas bandas Almirante Shiva e Joe Silhueta).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo Moura: Foi uma por\u00e7\u00e3o de coisas acontecendo em pouco tempo, coisas que aconteceram nas \u201cpessoalidades\u201d de cada um e que acabaram se misturando no lan\u00e7amento do primeiro disco da Rios. A gente estava pensando em rodar, viajar e n\u00e3o sei o qu\u00ea, mas nos vimos impossibilitados de fazer isso. Depois disso tudo, a Gavs ficou bem mais intimista, mais para dentro, e buscou outras inspira\u00e7\u00f5es, porque ela e o Pedro estavam trabalhando em muitas composi\u00e7\u00f5es juntos, ent\u00e3o ela se sentiu orf\u00e3 nessa parte de cria\u00e7\u00e3o. Isso tamb\u00e9m foi um fator relevante. Eu acabei entrando para tocar o contrabaixo na Joe Silhueta. Ent\u00e3o ficou eu, Tarso e Gaivota na Rios Voadores, e n\u00f3s tr\u00eas tamb\u00e9m na Joe Silhueta. Isso gerou algumas situa\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o na Rios. Mas \u00e9 assim: tem v\u00e1rias coisas do \u201cEra Sinistroyka\u201d que a gente aproveita na Corujones, como a coisa dos arranjos serem mais espa\u00e7ados. Isso foi bem mais trabalhado nesse segundo disco. No primeiro, era todo mundo tocando junto ali, todo mundo querendo atacar, dar o seu melhor. No segundo j\u00e1 foi diferente, aquela coisa de \u201cnessa parte entra s\u00f3 o piano\u201d, \u201ca guitarra entra s\u00f3 aqui\u201d. A gente foi come\u00e7ando a trabalhar melhor com as camadas. Ao mesmo tempo, a forma de trabalho da \u201cEra Sinistroyka\u201d foi meio que a mesma do \u201cAbbey Road\u201d, dos Beatles, no sentido que a gente sabia desde o princ\u00edpio que ia ser o disco de despedida da banda. A gente ganhou o edital para projeto do Fundo de Apoio \u00e0 Cultura do Distrito Federal e t\u00ednhamos que fazer o disco. Mas a gente n\u00e3o tinha os arranjos das m\u00fasicas, a gente n\u00e3o estava tocando junto, justamente porque quando a gente ganhou o projeto, a Gaivota estava acidentada. Por isso, quando saiu o resultado do edital, foi aquela de \u201co que a gente faz agora?\u201d A gente n\u00e3o estava bem ativo com a banda, teve que retomar a atividade, s\u00f3 que nesse momento de retomada a Gaivota meio que j\u00e1 estava um pouco fora, sabe? A banda j\u00e1 tinha acabado de certa forma, mas queria cumprir o projeto do FAC, porque a gente acreditava que era justo lan\u00e7ar aquelas composi\u00e7\u00f5es e aquelas m\u00fasicas que a gente tinha pra selecionado. T\u00ednhamos que fazer o arranjo delas e prosseguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tarso: A Gaivota j\u00e1 estava envolvida com a Joe Silhueta nessa \u00e9poca, e desde que a Joe come\u00e7ou a girar mais, a Rios naturalmente foi ficando mais de lado. Ent\u00e3o esse edital veio como uma surpresa, uma coisa totalmente inesperada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, essas idas e vindas mostram tamb\u00e9m o quanto a cena de Bras\u00edlia \u00e9 bastante \u201cprom\u00edscua\u201d, no sentido de as bandas compartilharem integrantes. Isso, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 exclusividade da cena do DF. Mas como voc\u00eas priorizam a participa\u00e7\u00e3o nos projetos? Al\u00e9m de todas essas que voc\u00eas falaram, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/08\/04\/selo-scream-yell-e-monstro-discos-apresentam-paranoar-da-ypu-ouca-online-faca-o-download-do-mp3-e-compre-o-vinil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o Marcelo ainda toca na YPU<\/a>, que tem um trabalho autoral e que est\u00e1 agora com um projeto de vers\u00f5es do Gilberto Gil. A Corujones \u00e9 a \u201cbanda principal\u201d de voc\u00eas, ou nem \u00e9 o caso de ter essa \u201chierarquia\u201d?<\/strong><br \/>\nTarso: Quanto mais integrantes uma banda tem, mais d\u00e1 problema. N\u00e3o tem jeito, n\u00e9? S\u00e3o mais opini\u00f5es, mais gente trabalhando ao mesmo tempo. No Corujones a gente deu uma simplificada. Na verdade, em 2021, pandemia, eu estava tocando muito teclado nessa \u00e9poca, mas a\u00ed comprei um viol\u00e3ozinho de nylon e foi dando uma vontade de tocar guitarra. Somou isso com o isolamento e eu tive o insight de inventar esse pseud\u00f4nimo e fazer o \u201cZiggy Stardust tupiniquim\u201d, tipo um \u201cVira-lata Caramelo Stardust\u201d, saca? (risos) Depois falei com o Marcelo, porque a gente tem uma parceria das antigas, desde quando a gente morava em Aracaju. Viemos pra Bras\u00edlia mais ou menos ao mesmo tempo, fomos morar praticamente na mesma regi\u00e3o, E a\u00ed fechou a ideia de ser um trio: eu na guita, o Marcelo fazendo o baixo, e chamamos o H\u00e9lio [Miranda, tamb\u00e9m ex-Rios Voadores] pra bateria. Pensamos em tocar umas coisas da Rios, que s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es minhas, e tamb\u00e9m desengavetar umas m\u00fasicas que n\u00e3o cabiam na Joe. Fizemos alguns shows com essa forma\u00e7\u00e3o de trio, fizemos at\u00e9 uma minitour em Aracaju, que foi \u00f3tima, e voltamos j\u00e1 pensando em gravar. Na hora de ir pro est\u00fadio, vimos que ir\u00edamos precisar de um guitarrista solo. Eu n\u00e3o sou muito solista, porque, porra, eu conhe\u00e7o o [Carlos] Beleza [tamb\u00e9m guitarrista da Joe Silhueta], n\u00e9? N\u00e3o tem como competir (risos). Ent\u00e3o chamamos o Beleza mesmo, porque ela ia resolver com certeza. J\u00e1 conhecia a banda, j\u00e1 tinha ido nos primeiros shows, estava engajado com a gente desde sempre. Foi quando a gente come\u00e7ou a fazer os arranjos das primeiras grava\u00e7\u00f5es que fechamos como um quarteto e vimos que era melhor mesmo. Nisso o Corujones se tornou essa banda nova. Eu n\u00e3o vejo como uma continua\u00e7\u00e3o da Rios, apesar de a gente tocar coisas da banda nos nossos shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Foi mais a vontade de lan\u00e7ar essas m\u00fasicas engavetadas que gerou a Corujones. N\u00e3o era por querer continuar o que a Rios fazia, porque o estilo j\u00e1 difere, nossas refer\u00eancias de hoje s\u00e3o diferentes, e a gente amadureceu tamb\u00e9m ao longo dos anos. A gente quis aproveitar os m\u00fasicos com quem a gente tinha intimidade e lan\u00e7ar logo as m\u00fasicas. Mas respondendo \u00e0 sua pergunta sobre a promiscuidade (risos): a Joe, por exemplo, \u00e9 uma banda que j\u00e1 est\u00e1 mais estabelecida. A YPU, na qual eu tamb\u00e9m toco, j\u00e1 achou o ritmo dela, apesar de ser uma banda relativamente nova. Ent\u00e3o a gente meio que consegue tocar os projetos sem que um atropele o outro, porque est\u00e3o todos maduros em algum grau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tem mesmo essa\u2026 n\u00e3o diria urg\u00eancia, mas essa inten\u00e7\u00e3o clara de \u201cdescomplicar\u201d. \u00c9 um disco que j\u00e1 chegou com a \u201can\u00e1lise feita\u201d, sabendo o que era e aonde tinha que chegar (risos). \u00c9 isso mesmo?<\/strong><br \/>\nTarso: Essa coisa direta faz parte da percep\u00e7\u00e3o mais moderna que a gente foi desenvolvendo. Teve at\u00e9 uma experi\u00eancia engra\u00e7ada que a gente teve, acho que em 2016, quando o falecido [Carlos Eduardo] Miranda veio fazer um evento aqui em Bras\u00edlia. A gente mandou as m\u00fasicas para ele dar uma analisada, e ele criticou uma m\u00fasica nossa por ter uma introdu\u00e7\u00e3o muito longa, (imitando o produtor) \u201cpor que essa introdu\u00e7\u00e3o longa? N\u00e3o, velhinho, a banda tem que chegar logo e mandar um refr\u00e3o\u201d (risos). Quando ele foi ouvir de novo, ele gostou, mas isso foi um aprendizado que a gente tenta manter at\u00e9 hoje, ainda mais com essa coisa do \u201cskip eterno\u201d da modernidade, n\u00e9? Se a m\u00fasica n\u00e3o te d\u00e1 uma envolvida no come\u00e7o, ela n\u00e3o pega. Isso est\u00e1 no radar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Mas eu acho que tem a ver com maturidade tamb\u00e9m. Voc\u00ea vai envelhecendo e vai abandonando um pouco aqueles sonhos de querer ser, sei l\u00e1, o Jimi Hendrix ou o Van Halen (risos). Ent\u00e3o a gente faz mais simples porque assim tem mais chances de fazer um bom trabalho (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tarso: A gente tem optado pelo mais simples mesmo, no sentido de a repeti\u00e7\u00e3o de refr\u00e3o ficar mais natural, sem precisar fazer a l\u00e1 The Police, que fica repetindo refr\u00e3o at\u00e9 fincar na cabe\u00e7a (risos). O pr\u00f3ximo disco da Corujones j\u00e1 est\u00e1 sendo feito, e estou tentando partir das letras, querendo fazer uma coisa mais direcionada para que elas deem a ideia central das can\u00e7\u00f5es. \u201cFaroeste Digital\u201d \u00e9 a m\u00fasica mais nova que est\u00e1 nesse nosso primeiro disco, e ela j\u00e1 foi feita mais ou menos nesse sentido. Eu quis fazer uma m\u00fasica que falasse de fake news, big techs, essas coisas. Tamb\u00e9m tenho tentado diminuir a quantidade de solos. Falo pro Beleza pra gente pegar menos notas, tentar fazer uma coisa mais \u201cboogar\u00ednica\u201d de pegar uma melodia legal da frase e tentar inserir na m\u00fasica, em vez de ficar naqueles solos setentistas cheios de notas. A gente est\u00e1 buscando fazer algo mais palat\u00e1vel, no sentido de ser algo que todo mundo pode curtir, mas tamb\u00e9m tentando sentir a composi\u00e7\u00e3o, saber quando ela est\u00e1 pronta. P\u00f4, \u201cBohemian Rapsody\u201d era uma m\u00fasica sem refr\u00e3o, de quase sete minutos, quem ia imaginar que ia ser um sucesso, tocar no r\u00e1dio? \u00c0s vezes tu acredita, acredita, acredita muito no potencial de uma m\u00fasica, ou voc\u00ea sabe que aquilo que voc\u00ea fez est\u00e1 certo, n\u00e9? Eu costumo falar que a m\u00fasica tem que pedir o que ela quer. Como m\u00fasicos, a gente est\u00e1 a servi\u00e7o dela, \u00e9 canal para isso. Ent\u00e3o como \u00e9 que eu vou fazer uma m\u00fasica que \u201cas pessoas querem ouvir\u201d, mas eu mesmo n\u00e3o curto aquilo? Essa independ\u00eancia, essa liberdade, \u00e9 uma faca de dois gumes tamb\u00e9m, porque voc\u00ea tem que tomar certas decis\u00f5es sobre as quais n\u00e3o tem certeza, que podem dar errado ou certo, e isso \u00e9 relevante para o papel do artista. A gente tenta ir pelo caminho do cora\u00e7\u00e3o, do sentimento, do que est\u00e1 soando bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Onde esse disco vai ter espa\u00e7o para ser tocado ao vivo? Essa \u00e9 uma discuss\u00e3o antiga em Bras\u00edlia, principalmente depois da Lei do Sil\u00eancio em 2016. Existe uma mistura de falta de espa\u00e7o com falta de p\u00fablico mesmo, mesmo a cidade tendo alguns festivais grandes, como o Coma, o Por\u00e3o do Rock e o Piknik. Mas s\u00f3 festival n\u00e3o basta, n\u00e9? Em que lugar d\u00e1 para ir ver uma banda autoral tocar sem ter que comprar toda uma \u201cexperi\u00eancia\u201d?<\/strong><br \/>\nTarso: (rindo) N\u00e3o est\u00e1 muito promissor. Est\u00e1 \u00e9 bem complicado! Tanto que come\u00e7amos com um projeto chamado Corujones On the Rocks, fazendo covers de cl\u00e1ssicos do rock que a gente curte, para tentar vender show para locais que n\u00e3o comportam mais a cena autoral. Aqui em Bras\u00edlia, o cach\u00ea triplica se voc\u00ea vai fazer cover (risos). Tem o Zepelim, uma casa que d\u00e1 um suporte para as bandas autorais, mas voc\u00ea vai l\u00e1, faz um show gratuito na sexta-feira \u00e0 noite, fala \u201cbora galera\u201d, e chega l\u00e1 d\u00e1 umas 20 pessoas, entendeu? Porra, o que est\u00e1 errado, n\u00e9? O que est\u00e1 rolando? Por que as pessoas n\u00e3o querem ver?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: O que est\u00e1 errado \u00e9 mais o interesse do mainstream, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais pra essa coisa de banda. Isso deve ter sido muito popular at\u00e9 o come\u00e7o do Guns n\u2019 Roses, os anos 1990, mais ou menos por a\u00ed. Isso de ter banda, solo de guitarra, etc. Hoje em dia a galera est\u00e1 no trap. Voc\u00ea chega nos congressos de produ\u00e7\u00e3o musical e ningu\u00e9m tem nenhum instrumento. O \u00fanico instrumento da pessoa \u00e9 um computador. A gente estava trocando ideia com o Dinho [Almeida], do Boogarins, e ele falando que um monte de moleque foi no curso dele e chegou s\u00f3 com uma m\u00e1quina. \u00c9 um monte de gente que est\u00e1 produzindo assim, mas \u00e9 gente que n\u00e3o entende nada de harmonia, n\u00e3o entende nada de tempo, de [compassos] 4 por 4, 2 por 4, 3 por 4, mas monta l\u00e1 uma sequ\u00eancia, faz um loop e n\u00e3o sei o qu\u00ea, e a m\u00fasica \u00e9 aquilo que nasce dessa rela\u00e7\u00e3o inanimada com a m\u00e1quina. As pessoas est\u00e3o curtindo isso. E a cena de Bras\u00edlia, para voc\u00ea conseguir levar as pessoas para um evento, voc\u00ea n\u00e3o precisa mais apresentar m\u00fasica\u2026 Voc\u00ea precisa apresentar um festival, que tem um cara que fez um neg\u00f3cio, que botou uma lona assim e assim, e tem que chamar o decorador, figurinista, um monte de outros \u201cistas\u201d para poder fazer a \u201cexperi\u00eancia\u201d do neg\u00f3cio chamar a aten\u00e7\u00e3o. Ou seja, parece que as pessoas est\u00e3o querendo mais a festa do que a m\u00fasica, e a\u00ed \u00e9 dif\u00edcil at\u00e9 pensar como a gente gostaria. A gente est\u00e1 cada vez mais tentando inserir v\u00eddeos, por exemplo, para que o p\u00fablico possa ter um pouco dessa imers\u00e3o, sempre que poss\u00edvel levar um iluminador. \u00c0s vezes \u00e9 bom, \u00e0s vezes \u00e9 ruim. Est\u00e1 t\u00e3o na moda agora esse neg\u00f3cio de vers\u00e3o redux, com o m\u00fasico ali, com um viol\u00e3o e umas programa\u00e7\u00f5es, que isso tamb\u00e9m ofusca as bandas..<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CORUJONES - M\u00e1quinas Online\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XISGjlA6lpw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mesmo tendo nascido como um projeto solo, Corujones \u00e9 uma banda. Mais que isso, \u00e9 a maneira que seus integrantes encontraram para reagir\/resistir a um mundo pautado por individualismo&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/17\/entrevista-nova-banda-de-brasilia-a-corujones-fala-sobre-seu-disco-de-estreia-projecoes-astrais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":82132,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7266,290],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82130"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82130"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82130\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82138,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82130\/revisions\/82138"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82132"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}