{"id":8205,"date":"2011-03-21T19:22:56","date_gmt":"2011-03-21T22:22:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8205"},"modified":"2023-03-29T01:26:18","modified_gmt":"2023-03-29T04:26:18","slug":"entrevista-herod-layne-e-sinewave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/21\/entrevista-herod-layne-e-sinewave\/","title":{"rendered":"Entrevista: Herod Layne e Sinewave"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8207 aligncenter\" title=\"herod1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/herod1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"605\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/herod1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/herod1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/herod1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/rvitral\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ramon Vitral<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A popularidade n\u00e3o mais det\u00e9m o monop\u00f3lio da criatividade. A l\u00f3gica dos mercados fragmentados apresentada pelo editor-chefe da revista Wired, Chris Anderson, no livro \u201cA Cauda Longa\u201d, est\u00e1 na ponta da l\u00edngua dos m\u00fasicos da Herod Layne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teoria de Anderson se faz valer no seguinte racioc\u00ednio: mais do que nunca, muitos produtos multiplicados por um volume pequeno de venda equivalem ao sucesso de venda de um \u00fanico produto. Al\u00e9m do dom\u00ednio pleno dessa l\u00f3gica, a banda paulistana prop\u00f5e o seguinte questionamento: o que \u00e9 lucro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criada em 2006, a Herod Layne \u00e9 composta por tr\u00eas profissionais de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e um estudante de Direito. Moeda para eles \u00e9 m\u00eddia e o sucesso de seu trabalho \u00e9 medido pelo n\u00famero de downloads gratuitos do disco \u201cAbsentia\u201d, lan\u00e7ado em julho do ano passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Auto-declarados pertencentes do g\u00eanero p\u00f3s-rock (segundo eles, &#8220;um meio-termo entre o indie rock e o progressivo&#8221;), os m\u00fasicos da Herod Layne comp\u00f5em um nicho de mercado capitaneado por eles pr\u00f3prios atrav\u00e9s do selo virtual Sinewave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De responsabilidade de Luiz Freitas e do baixista Elson, da Herod Layne, a Sinewave \u00e9 norteado pelos princ\u00edpios do copyleft. Qualquer m\u00fasica hospedada no site do selo (<a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/\">http:\/\/sinewave.com.br\/<\/a>) est\u00e1 dispon\u00edvel para uso e consumo convenientes \u00e0s vontades do ouvinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu quarto ano de exist\u00eancia, a Sinewave armazena 82 \u00e1lbuns, 16 v\u00eddeos e 22 podcasts, al\u00e9m de outros arquivos gratuitos. Em janeiro e no come\u00e7o de mar\u00e7o realizaram as mais recentes edi\u00e7\u00f5es do Sinewave Festival (a terceira edi\u00e7\u00e3o foi em Curitiba e a quarta em Porto Alegre).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com &#8220;Absentia&#8221; e os subprodutos desse mais recente \u00e1lbum (como shows e clipes), os m\u00fasicos da Herod Layne n\u00e3o aspiram dinheiro. Segundo Elson, Sachalf (guitarra), Johnny (bateria) e Lippaus (guitarra), a gra\u00e7a est\u00e1 na divers\u00e3o. Em m\u00fasicas experimentais que cantam o sil\u00eancio e can\u00e7\u00f5es com diferentes n\u00edveis de leitura, a banda brinca com os rumos da cauda longa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No bate-papo com o Scream &amp; Yell realizado na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, horas antes do lan\u00e7amento do novo clipe da banda (da m\u00fasica \u201cThe Unsung Hero\u201d, assista abaixo), os m\u00fasicos da Herod Layne e Luiz Freitas da Sinewave falaram sobre as perspectivas de uma ind\u00fastria musical inconstante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Questionados sobre o papel da banda nesse cen\u00e1rio e a localiza\u00e7\u00e3o do grupo na cauda cada vez mais longa e horizontal do gr\u00e1fico que mede a rela\u00e7\u00e3o entre demanda e hits, eles nem hesitam: &#8220;N\u00f3s somos a ponta dessa cauda!&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/yVZJVQaPrPw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/yVZJVQaPrPw\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 lan\u00e7aram dois \u00e1lbuns, dois EPs e um document\u00e1rio e participaram de festivais em diferentes regi\u00f5es do Brasil e um no Canad\u00e1. Como a banda come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\nSachalf: Come\u00e7amos em 2006. N\u00e3o como banda, mas um projeto. Eu e o Elson trabalh\u00e1vamos juntos e na \u00e9poca resolvemos fazer um experimento. Era tudo no MSN, transferindo arquivos: eu fazia uma coisa, ele mexia e me mandava. Fizemos uma primeira m\u00fasica (\u201cPrelude\u201d) para participar de um festival, mas n\u00e3o enviamos por quest\u00f5es t\u00e9cnicas. Ent\u00e3o ficamos pensando o que fazer com a m\u00fasica. Por coincid\u00eancia, na mesma \u00e9poca, surgiu um concurso internacional do David Gilmour. Ele estava relan\u00e7ando \u201cArnold Layne\u201d, (m\u00fasica do Pink Floyd) de 1967, com o David Bowie no vocal e organizou um concurso de covers com o MySpce. A gente j\u00e1 tinha decidido o nome da banda (uma fus\u00e3o da \u201cArnold Layne\u201d com a can\u00e7\u00e3o \u201cLike Herod\u201d, do Mogwai) e foi uma coincid\u00eancia legal. Gravamos a nossa vers\u00e3o e acabamos ficando em oitavo lugar, por vota\u00e7\u00e3o online.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Foi a primeira vez que a Herod Layne virou not\u00edcia. Eu nem estava na banda e o Elson me mandou um link de uma mat\u00e9ria que saiu no (jornal O) Globo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: O Globo publicou uma foto do Pink Floyd ocupando metade de uma p\u00e1gina e uma mat\u00e9ria com um fotinha nossa no canto (risos). Mas foi legal pra caramba. Repercutiu e saiu em outros ve\u00edculos tamb\u00e9m. Resolvemos que t\u00ednhamos que montar uma banda, levar aquilo pro palco. J\u00e1 tinha uma cobran\u00e7a: \u201cAh voc\u00eas tocam, eu quero ver ao vivo\u201d. Convidamos Johnny pra bateria, ele entrou e rapidamente pegou o esp\u00edrito. Na primeira vez que ele chegou no est\u00fadio falou: \u201cSe \u00e9 pra experimentar vou fazer um neg\u00f3cio que sempre quis\u201d. Pegou os pratos da bateria e colocou invertidos pra tocar (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: N\u00e3o me passaram muitas diretrizes ou tutoriais, s\u00f3 disseram pra fazer muito barulho (risos). Eu tocava num estilo totalmente diferente, ent\u00e3o foi um choque. Tinha que controlar tempo e velocidade, mas ao mesmo tempo sempre tive muita liberdade. Esse sempre foi o esp\u00edrito da Herod Layne. Sa\u00ed de uma banda de pop rock na qual estava relativamente travado para um neg\u00f3cio completamente novo. O bacana \u00e9 que j\u00e1 passou quase cinco anos e me lembro do primeiro dia, do primeiro ensaio, da primeira m\u00fasica que tiramos, de detalhe por detalhe. Depois seguimos como trio durante um bom tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: Acabamos marcando show antes at\u00e9 do que quer\u00edamos. O convite foi l\u00e1 no extinto Germinal, na (rua) 13 de Maio (em S\u00e3o Paulo). Foi o \u00faltimo show do Germinal. Nosso segundo show foi no Vila Rock \u2013 que tamb\u00e9m fechou depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: A gente era uma banda de fechar a casa (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: A gente tocava e o lugar fechava. Mas \u00e9 melhor falar baixo pra ningu\u00e9m ouvir (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda surgiu com o concurso no MySpace. Na \u00e9poca ele tinha acabado de ser vendido por US$ 580 milh\u00f5es para a NewsCorp, estava no auge. Hoje ele est\u00e1 pra ser vendido por US$ 50 milh\u00f5es e perdeu muitos dos seus usu\u00e1rios. Como voc\u00eas lidaram com esse cen\u00e1rio ao longo desses cinco anos?<\/strong><br \/>\nElson: Estamos quase abandonando o MySpace. Era uma \u00f3tima ferramenta, mas por \u201cn\u201d quest\u00f5es administrativas e estrat\u00e9gicas eles est\u00e3o se perdendo (terreno) cada vez mais. Era o MySpace l\u00e1 fora e a Trama Virtual por aqui. Sempre criamos perfis nas redes. Surgiu a Bandcamp e criamos o nosso usu\u00e1rio l\u00e1. O MySpace era o mais famoso e acabamos o usando mais como todo mundo fez, mas sab\u00edamos que n\u00e3o era a \u00fanica via.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00edz: O MySpace era a \u00fanica m\u00eddia que funcionava, mas a tecnologia dele era muito ruim. O site \u00e9 pesado, o player vive dando problema. N\u00e3o funciona em todos os browsers e o controle anti-spam \u00e9 muito ineficiente. N\u00e3o d\u00e1 mais pra usar como comunica\u00e7\u00e3o entre bandas. Quando surgiram redes sociais mais eficientes ele caiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: A gente tenta usar tudo que tem dispon\u00edvel. Sempre optamos pela divulga\u00e7\u00e3o ante qualquer lucro. Abrimos m\u00e3o de cach\u00ea para tocar em lugar que ter\u00e1 divulga\u00e7\u00e3o e alcan\u00e7ar um p\u00fablico que n\u00e3o alcan\u00e7ar\u00edamos. A prioridade \u00e9 essa: divulgar de gra\u00e7a, sempre que poss\u00edvel e onde for, do jeito que tiver de ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: Essa bagun\u00e7a do MySpave tem mais ou menos a ver com o surgimento do Sinewave. Tinha um monte de banda escondida no MySpace. Por mais que elas tivessem perfis conectados a outros, estavam escondidas e sem divulga\u00e7\u00e3o. Tivemos a ideia de criar o Sinewave por ver bandas perdidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: Bandas com a mesma filosofia: \u201cquero divulgar minha m\u00fasica, n\u00e3o quero ganhar nada com ela e pode ouvir de gra\u00e7a. N\u00e3o estou preocupado com dinheiro, vamos difundir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00edz: O MySpace e outras redes eram muito confusos. Havia muitas bandas e eu n\u00e3o sabia o que ouvir primeiro. Acabava n\u00e3o ouvindo nada. Eu tinha banda e pensava que a maior dificuldade \u00e9 como chamar aten\u00e7\u00e3o. Como o cara vai ver aquela listona de bandas e fixar o nome na nossa? Da\u00ed pensamos na Sinewave. S\u00f3 com o MySpace n\u00e3o ter\u00edamos divulga\u00e7\u00e3o. Criamos uma m\u00eddia que n\u00f3s administramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Estamos enraizados na Sinewave. O n\u00facleo \u00e9 ali, mas qualquer ferramenta que pare\u00e7a oportuna e com credibilidade vamos investir. A Sinewave \u00e9 a nossa \u00e2ncora.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8209 aligncenter\" title=\"herod2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/herod2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/herod2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/herod2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas chegaram ao formato atual de divulga\u00e7\u00e3o do trabalho de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nSachalf: N\u00e3o existe uma receita pronta. Funciona por tentativa e erro e acabamos seguindo alguns exemplos de umas bandas. Vemos o que deu certo l\u00e1 fora e o que d\u00e1 pra aplicar aqui. \u00c9 adapta\u00e7\u00e3o de formas vencedoras de divulga\u00e7\u00e3o e marketing para a realidade que a gente tem aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: N\u00e3o seguimos uma regra. A gente n\u00e3o consegue enxergar uma pessoa que esteja fazendo certo. Est\u00e1 todo mundo fazendo uma coisa diferente. A gente observa e tenta fazer de alguma forma. \u00c9 o que costumo dizer sempre: n\u00e3o \u00e9 uma banda, um produtor, um jornalista ou blogueiro que est\u00e1 definindo um formato. Est\u00e3o todos tentando descobrir qual \u00e9 o caminho! H\u00e1 toda uma ind\u00fastria tentando fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: Tem o interc\u00e2mbio entre as bandas. N\u00e3o adianta uma banda tentar crescer sozinha \u2013 e muitas fazem isso \u2013 que ela n\u00e3o vai chegar a lugar nenhum. Com os festivais da Sinewave a gente percebeu que a uni\u00e3o das bandas ajuda muito quando h\u00e1 um objetivo em comum: expor uma cena que est\u00e1 escondida. Um esfor\u00e7o conjunto de todo o pessoal que tenta emergir. Algu\u00e9m vai chegar primeiro, mas quem chegar leva os outros. Quem chega sozinho n\u00e3o se sustenta l\u00e1 em cima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00edz: Quando come\u00e7amos a Sinewave o p\u00fablico de p\u00f3s-rock no Brasil era m\u00ednimo. N\u00e3o ia adiantar nada divulgar a banda se n\u00e3o form\u00e1ssemos o p\u00fablico. Tivemos de explicar o que \u00e9 p\u00f3s-rock e depois apresentar a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Em termos de estrat\u00e9gia, a gente sempre tenta conciliar o conte\u00fado musical com o que faremos depois do lan\u00e7amento. Tanto que as tours da Sinewave est\u00e3o muito alinhadas com as estrat\u00e9gias de lan\u00e7amento do \u00e1lbum. A gente n\u00e3o lan\u00e7ou pra ficar quieto em S\u00e3o Paulo, mas pra sair pelo Brasil e atrair bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: A ideia \u00e9 sempre termos alguma coisa boa pra divulgar, sempre ter alguma coisa nova pra oferecer. Assim estamos sempre alimentando a cena. Al\u00e9m da parte musical tamb\u00e9m trabalhamos muito a parte de v\u00eddeo, a parte visual da banda. Fiz um curso de cinema pra fazer trabalhos profissionais. Estou montando uma produtora de v\u00eddeo e acho que vale a pena investir nisso. As bandas t\u00eam problema em divulgar uma m\u00fasica e depois a dificuldade est\u00e1 em suprir a necessidade visual. E a cada show o p\u00fablico interage mais com a banda. No (nosso) primeiro show, no Germinal, tinha pouca gente, a maioria conhecidos. Voltamos de Curitiba e tinha gente subindo no palco e puxando os instrumentos pra tocar tamb\u00e9m! E nessa cena isso n\u00e3o \u00e9 de acontecer, mas espero que role sempre (risos). \u00c9 o pessoal que se identifica, que est\u00e1 gostando, \u00e9 o retorno que a gente tem na hora. \u00c9 uma pista que a gente tem que est\u00e1 dando certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: Estamos tateando caminhos. Essa ideia de festivais, principalmente fora de S\u00e3o Paulo, para formar p\u00fablico, est\u00e1 dando bastante certo. H\u00e1 demanda. Pode ser que aconte\u00e7am poucos shows do nosso estilo em outras cidades. Outro dia comentei no Twitter que quero ir pro Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas e j\u00e1 veio um monte de gente dizendo: \u201cP\u00f4, que legal, vem pra c\u00e1!\u201d, \u201cQuero ver o show\u201d. Fazer festivais fora est\u00e1 dando muito certo. Forma p\u00fablico pra todo mundo. \u00c9 o que o Sachalf estava falando: est\u00e1 todo mundo junto. N\u00e3o conseguimos enxergar outra banda como uma concorrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/re-4ga0AvyQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/re-4ga0AvyQ\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00eas encontram outras bandas brasileiras que compartilham dessa mesma l\u00f3gica de Copyleft e esp\u00edrito independente de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nLu\u00edz: Os festivais de Curitiba e Porto Alegre foram terceirizados. Quem tomou a iniciativa de levar a Herod Layne e o festival pra l\u00e1 foram bandas locais. No segundo Sinewave Festival trouxemos para S\u00e3o Paulo uma banda de Porto Algre e outra de Curitiba e a rea\u00e7\u00e3o deles foi fant\u00e1stica. Eles sa\u00edram daqui querendo organizar no Sul. A TV Educativa do Paran\u00e1 colocou a gente ao vivo, 12h, para explicar o que era o festival! No final se trata de entretenimento. Tudo no esquema \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d. Sempre. Toda a divulga\u00e7\u00e3o, financiamento e equipamento, foi tudo organizado pelas bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: \u00c9 o que fal\u00e1vamos de interc\u00e2mbio. Se voc\u00ea trouxer uma banda da Venezuela, os caras v\u00e3o querer que voc\u00ea toque l\u00e1. \u00c9 um conceito simples e b\u00e1sico que funciona nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: Tem gente que vai aos festivais e depois entra em contato falando que conhece outra banda que toca no mesmo estilo que o nosso. Isso aconteceu com a lavalssa. Ouvimos, gostamos e depois do festival lan\u00e7amos os caras. E \u00e9 isso que alimenta a cena. A pessoa vai ao festival, v\u00ea que a banda dela toca algo parecido e pergunta se pode fazer junto. Gostamos de trabalhar com uma certa curadoria por estilos. A gente prefere chamar uma banda pequena, que n\u00e3o tenha p\u00fablico ainda, mas tenha tudo a ver com a proposta est\u00e9tica da Sinewave do que chamar uma banda que n\u00e3o tenha nada a ver, mas tenha p\u00fablico e gere mais dinheiro. Queremos formar um grupo de bandas que tenha uma postura est\u00e9tica parecida. Meio experimental, meio esquisita, meio pesada e meio suja (risos). Est\u00e1 dando muito certo. A nossa proposta \u00e9 fazer mais cinco festivais pelo Brasil. E em cada uma dessas cidades que fomos tem uma banda lan\u00e7ada pela Sinewave que conhece outros grupos no mesmo estilo. Temos um n\u00facleo em cada lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas vivem dentro da l\u00f3gica do Copyleft, disponibilizaram o \u00e1lbum de gra\u00e7a no site da Sinewave e preferem repercuss\u00e3o ao retorno financeiro. Mas uma pessoa n\u00e3o vive sem dinheiro. Como voc\u00eas administram essa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSachalf: Temos empregos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: Ningu\u00e9m sobrevive de m\u00fasica nesse contexto semi-independente. Aquela entrevista do Scream &amp; Yell com o Romulo Fr\u00f3es abriu a minha cabe\u00e7a. Um cara top nessa cena toda, capa da Ilustrada, saiu na Rolling Stone e com trabalhos super elogiados. Ele diz que n\u00e3o consegue reunir dez pessoas na Rua Augusta, numa ter\u00e7a-feira \u00e0s duas da manh\u00e3. Quando ele fala que o cach\u00ea dele \u00e9 de R$ 450 e n\u00e3o consegue fazer R$ 450 num show, \u00e9 porque n\u00e3o tem como sobreviver. Estamos todos na mesma. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a gente que n\u00e3o ganha dinheiro: ningu\u00e9m ganha! A nossa decis\u00e3o mais certa quando criamos a Sinewave foi de n\u00e3o trabalhar com dinheiro. Ganhar dinheiro n\u00e3o \u00e9 prioridade. Isso ajudou a gente a focar em v\u00e1rias outras coisas. \u00c9 comum pensar que o fato de n\u00e3o ganhar dinheiro vai fechar portas. Com a gente acontece o contr\u00e1rio: o fato de n\u00e3o nos preocuparmos em ganhar dinheiro abre portas. A gente consegue fazer qualquer coisa que quisermos. Se dinheiro fosse crit\u00e9rio, o Sinewave seria uma coisa totalmente diferente. Tentar\u00edamos ser pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Qualquer briga de banda come\u00e7a quando tem dinheiro envolvido. J\u00e1 vi diversos m\u00fasicos que gosto confessando isso: n\u00e3o \u00e9 vergonha nenhuma ter um emprego al\u00e9m da banda. N\u00e3o faz de voc\u00ea menos artista, n\u00e3o faz sua banda pior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: Talvez at\u00e9 fa\u00e7a de voc\u00ea um profissional melhor (risos). A gente trabalha e muitas vezes usa coisas do dia a dia para projetar a banda. Usamos metodologia de gest\u00e3o de projeto, por exemplo. Desde o come\u00e7o tratamos a banda como um projeto mesmo, e continuaremos assim. \u00c9 a banda mais nerd que existe (risos). Tr\u00eas gerentes controlando cronograma e vendo o que vai entregar cada dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: A nossa moeda \u00e9 m\u00eddia. Sempre pensamos: pode ter pouca gente e o cach\u00ea n\u00e3o \u00e9 legal, mas vai gerar algum tipo de repercuss\u00e3o? Um retorno de m\u00eddia? A nossa estrat\u00e9gia \u00e9 pensada em cima disso e est\u00e1 dando certo. As pessoas est\u00e3o falando, twittam sobre, comentam no Facebook. M\u00eddia e links s\u00e3o \u00f3timos retornos e em rela\u00e7\u00e3o a isso estamos super satisfeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A l\u00f3gica e os princ\u00edpios de voc\u00eas s\u00e3o muito semelhantes com as ideias defendidas pelo Chris Anderson tanto na \u201cA Cauda Longa\u201d quanto em \u201cFree\u201d.<\/strong><br \/>\nJohnny: N\u00f3s somos a ponta dessa cauda (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: Toda a cena independente acaba se encaixando nessa l\u00f3gica. Voc\u00ea tem pouqu\u00edssimos que conseguem aparecer um pouco mais e alguns poucos que talvez possam se manter com m\u00fasica. E tem o resto da cauda composta por todo o resto, por milhares de bandas. A gente v\u00ea isso na pr\u00e1tica. S\u00e3o milhares de bandas que at\u00e9 tem algum espa\u00e7o pra tocar em S\u00e3o Paulo, por exemplo, mas n\u00e3o tem p\u00fablico suficiente pra todo mundo. Ningu\u00e9m enxerga uma sa\u00edda. N\u00f3s estamos nos mexendo e at\u00e9 agora tem dado certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00edz: Fazemos gr\u00e1ficos dos nossos lan\u00e7amentos e comprov\u00e1vamos a cauda longa. Li uma entrevista do Nen\u00ea Altro, do Dance os Days. Ele fala que, de certa forma, na cena independente a gente j\u00e1 tem um microcosmo do mainstream: um monte de bandas tentando trabalhar da mesma forma que o mainstream trabalha achando que um dia vai chegar l\u00e1. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Com esse lance de ter que chamar aten\u00e7\u00e3o entre mil, duas mil bandas, sem um produtor, um figurinista, um assessor de imprensa, voc\u00ea vai ter de fazer tudo. A forma de se trabalhar na parte de tr\u00e1s da cauda \u00e9 completamente diferente. Acho que \u00e9 nisso que muita banda peca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: E peca tamb\u00e9m porque n\u00e3o sabe como fazer. Cada um est\u00e1 fazendo de um jeito. N\u00e3o tem uma f\u00f3rmula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foram os seis meses de produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nElson: O disco foi gravado num est\u00fadio que a gente marcava hora picada de grava\u00e7\u00e3o. Duas horas hoje, tr\u00eas amanh\u00e3 e por a\u00ed vai. N\u00e3o gravamos o disco inteiro em um final de semana. Sempre faz\u00edamos picado e at\u00e9 por isso demorou seis meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: \u00cdamos gravar um EP, (no final) gravamos um CD. \u00c9ramos tr\u00eas e acabamos as grava\u00e7\u00f5es como quatro. Sent\u00edamos sempre a falta de um cara na banda e conseguimos algu\u00e9m na grava\u00e7\u00e3o da \u00faltima faixa, nas \u00faltimas horas de grava\u00e7\u00e3o. A grava\u00e7\u00e3o era \u00e0 noite, tirando a bateria. O Sachalf e o Elson fizeram o CD acontecer. Tenho um nen\u00e9m pequeno e n\u00e3o conseguia me dedicar como eles. A cereja do bolo foi a entrada do Lippaus. A gente precisava de mais peso, mais pegada. A parte psicod\u00e9lica \u00e9 muito importante no estilo, mas a gente precisava disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lippaus: O Johnny tinha falado no MSN que eu tinha que vir pra S\u00e3o Paulo, pra entrar na banda. Achei que era pegadinha. Um dia eu estava na Dissenso, o Elson tamb\u00e9m e ele comentou: \u201ca gente quer voc\u00ea na banda\u201d. N\u00e3o acreditei! Tenho 20 anos, morava em Indaiatuba na \u00e9poca e hoje moro em Campinas. De tantos cara pra chamar&#8230; isso \u00e9 uma puta honra! Uma banda que eu adoro. Sempre gostei. Descobri na \u00e9poca que comecei a ouvir p\u00f3s-rock. Foi muito bom. Ent\u00e3o eles me passaram a \u00faltima m\u00fasica do \u00e1lbum e falaram: \u201cqueremos uma guitarra a\u00ed\u201d. Estava todo mundo animado, querendo criar logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: O cara estava t\u00e3o empolgado que tive de bloquear ele no MSN (risos). N\u00e3o conseguia trabalhar! Eu no computador e ele pedindo pra ouvir o som. Ele ficou umas duas horas bloqueado (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lippaus: Gravei a ideia e mandei pro Elson. Mas estava muito mal gravado. Sabe aquele microfone de 10 conto pra computador? Peguei um daquele, coloquei perto do amplificador, com umas distor\u00e7\u00f5es e botei pra tocar. O Elson ouviu, gostou e fomos gravar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: A primeira m\u00fasica que a gente fechou foi a de abertura do \u00e1lbum, \u201cThe Unsung Hero\u201d. Lan\u00e7amos ela sozinha na internet, mas para a vers\u00e3o do CD fizemos uma modifica\u00e7\u00e3o por sugest\u00e3o do Lippaus. Uma guitarra que ficou t\u00e3o boa no meio da m\u00fasica, que achamos melhor mudar pela vers\u00e3o nova. Ideias boas s\u00e3o sempre bem vindas. Tivemos muita ajuda do produtor, o Gustavo \u201cBig\u201d Sim\u00e3o. Ele entende a nossa proposta, viaja junto com a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: N\u00e3o pensamos muito no disco como uma ideia fechada. Estamos no est\u00fadio e se vemos que n\u00e3o tem algo legal, mudamos. Invertemos, fazemos diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8210 aligncenter\" title=\"herod3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/herod3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas apresentam esse \u00e1lbum como uma narrativa. Mas nunca tiveram uma rotina de grava\u00e7\u00f5es, com outros empregos, e no encerramento do CD entrou um novo membro. Como foi criar um padr\u00e3o pro \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nJohnny: Focamos esse CD em temas: perdas, vazio e aus\u00eancia. Desde a faixa mais silenciosa, s\u00f3 com som ambiental, at\u00e9 a caixinha de m\u00fasica que inclu\u00edmos em outra m\u00fasica, o conceito foi sempre centrado nessa ideias. Esse era o nosso alicerce. At\u00e9 \u201c300-Megaton Lullaby\u201d, uma m\u00fasica com vocal e diferente das demais, tem esse foco. Pod\u00edamos gravar a m\u00fasica em maio ou julho, ela teria o mesmo foco. Por isso saiu legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: Tem outro lance: n\u00f3s nos auto-impomos prazos, mas n\u00e3o \u00e9 como uma gravadora que determina uma data. Se o disco n\u00e3o est\u00e1 bom, vamos continuar. \u00c9 legal trabalhar assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Os caras varavam noites e noites no est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: Duas da manh\u00e3, esfregando c\u00e2mera fotogr\u00e1fica na guitarra pra fazer um som e o produtor dormindo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: A grava\u00e7\u00e3o mais legal foi de \u201cTacet\u201d, que significa sil\u00eancio. \u00c9 uma cita\u00e7\u00e3o ao John Cage e aquela composi\u00e7\u00e3o \u201c4\u00b433\u201d. Pensamos em fazer uma homenagem, uma faixa de um minuto em sil\u00eancio. Acho que demoramos duas horas no est\u00fadio discutindo como gravar o sil\u00eancio (risos). E o produtor n\u00e3o acreditando na nossa discuss\u00e3o. Eu gosto de refer\u00eancias. Tenho um gosto variado, acho legal distribuir links por a\u00ed. Tem um v\u00eddeo no Youtube que \u00e9 a Orquestra da BBC de Londres fazendo a apresenta\u00e7\u00e3o com todo mundo em sil\u00eancio. Aparecia escrito \u201ctacet\u201d na partitura dos m\u00fasicos. Bati o olho naquilo e vi que tinha que virar uma m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: No final das contas o som foi s\u00f3 comigo entrando na sala de grava\u00e7\u00e3o. Eu que toquei o sil\u00eancio. \u00c9 um solo meu (risos). Na verdade tem mais detalhes, uma porta que abre&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: A gente discutia se a porta ia abrir ou fechar, se ele ia entrar ou ficar parado (risos)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: O trechinho que fecha o CD \u00e9 o primeiro registro fonogr\u00e1fico da hist\u00f3ria, de 1870.<br \/>\nElson: Uma pessoa cantando \u201cAu Clair de La Lune\u201d, uma cantiga francesa. \u00c9 t\u00e3o antiga que n\u00e3o d\u00e1 pra ouvir nada. E \u00e9 meio assustadora. Ouvimos e vimos que tinha que estar no disco. \u00c9 a \u00faltima coisa, um samplezinho. Gosto dessas coisas diferentes. J\u00e1 tenho at\u00e9 umas refer\u00eancias pra um pr\u00f3ximo disco que andei encontrando por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: Nossa m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 pra ouvir tomando banho. A prioridade \u00e9 a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: \u201cAbsentia\u201d (a m\u00fasica) tinha bateria, baixo&#8230; A gente ensaiou e a preparou e quando fomos gravar vimos que tinha que ser s\u00f3 guitarra. Essa m\u00fasica tem que representar o maior vazio poss\u00edvel e imagin\u00e1vel para as pessoas entenderem qual \u00e9 o esp\u00edrito do CD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A casa abandonada na capa e algumas m\u00fasicas me lembraram de Twin Peaks, do David Lynch, e a trilha sonora da s\u00e9rie, do Angelo Badalamenti. Foi refer\u00eancia?<\/strong><br \/>\nSachalf: Total! Eu sou f\u00e3 da s\u00e9rie. A gente tenta trazer refer\u00eancia do cinema tamb\u00e9m. Nos nossos clipes a gente faz algumas homenagens. O clipe de \u201cThe Unsung Hero\u201d tem uma pegada do David Lynch e refer\u00eancias a \u201cDonnie Darko\u201d. Sempre tentamos fazer isso. Enriquece. \u00c9 legal pra caramba fazer e s\u00e3o homenagens para os nossos mestres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: Tudo vira refer\u00eancia. Um filme que voc\u00ea v\u00ea, um livro que voc\u00ea est\u00e1 lendo&#8230; Esse clima do David Lynch tem a ver com o nosso som: uma coisa meio esquisita l\u00e1 no meio e n\u00e3o d\u00e1 pra entender bem o que \u00e9. Genial! Tentamos colocar esse clima na m\u00fasica. Se a ideia \u00e9 colocar algo esquisito ali no meio, bota. Se vai ficar esquisito coloca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: Voc\u00ea pode n\u00e3o entender porra nenhuma do filme do David Lynch e sabe que \u00e9 genial! Tiramos a foto na nossa viagem pro Canad\u00e1. Est\u00e1vamos no carro, vimos a casa, demos r\u00e9 na estrada, descemos do carro e tiramos a foto. Sab\u00edamos que ia ser a capa do disco. Na \u00e9poca nem havia ideia de disco ainda, mas a capa a gente j\u00e1 tinha (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a sexta m\u00fasica, \u201cIl Mafioso\u201d, lembra alguns trabalhos do Ennio Morriconne.<\/strong><br \/>\nElson: Sim, muito! Teve outra brincadeira que pensei em fazer, mas acabamos tirando na vers\u00e3o final dessa m\u00fasica. Ela come\u00e7ava com uma fala que dizia: \u201cJohnny Cash was not Jesus but he had the same initials\u201d. Era uma refer\u00eancia a uma m\u00fasica do Pulp em que o Jarvis Cocker cantava: \u201cI am not Jesus but i have the same initials\u201d. A segunda m\u00fasica do disco tamb\u00e9m. Chama \u201cDrug-Induced Inertia\u201d e tirei esse nome do livro do Hubert Selby Jr. que deu origem ao filme \u201cR\u00e9quiem Para um Sonho\u201d. Anotei a frase quando li, quase cinco anos atr\u00e1s, e virou nome de m\u00fasica. H\u00e1 um monte de refer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: A gente discute muito o que vai fazer. Trocamos e-mails o dia inteiro. \u00c9 a sinergia dos quatro que garante essa cara que tem o CD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como tem sido a repercuss\u00e3o do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nJohnny: Estamos felizes com o resultado, mas j\u00e1 no pique pra fazer outras coisas muito legais e coesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sachalf: Tem gente que reclama do disco dizendo que as m\u00fasicas s\u00e3o muito distintas umas das outras. N\u00e3o vejo isso como problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elson: Teve um site que fez uma cr\u00edtica falando que o principal problema do disco \u00e9 que ele \u00e9 variado demais. Disseram que parece uma colet\u00e2nea de um monte de bandas, sem coes\u00e3o. Fiquei muito feliz com essa cr\u00edtica. Primeiro: eu gosto de ler cr\u00edtica e segundo: achamos que essa variedade \u00e9 o ponto mais alto do trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/albums\/herodlayne\/sw0077.herodlayne_absentia.zip\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8211 aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"absentia\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/absentia.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Clique na imagem para baixar gratuitamente &#8220;Absentia&#8221;, do Herod Layne<br \/>\nConhe\u00e7a o cat\u00e1logo do selo Sinewave: <a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/catalogue\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/sinewave.com.br\/catalogue\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Ramon Vitral\n&#8220;Queremos formar um grupo de bandas que tenha uma postura est\u00e9tica parecida. Meio experimental, meio pesada e meio suja&#8221;&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/21\/entrevista-herod-layne-e-sinewave\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8205"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8205"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8205\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73538,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8205\/revisions\/73538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}