{"id":82013,"date":"2024-06-11T00:19:59","date_gmt":"2024-06-11T03:19:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=82013"},"modified":"2024-09-03T00:03:12","modified_gmt":"2024-09-03T03:03:12","slug":"entrevista-mark-gardener-fala-sobre-o-novo-album-do-ride-e-declara-amor-a-caipirinha-talk-talk-e-elis-regina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/11\/entrevista-mark-gardener-fala-sobre-o-novo-album-do-ride-e-declara-amor-a-caipirinha-talk-talk-e-elis-regina\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mark Gardener fala sobre o novo \u00e1lbum do Ride e declara amor \u00e0 caipirinha, Talk Talk e Elis Regina"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrmllr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igor M\u00fcller<\/a>, do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ride est\u00e1 de volta em 2024. Isso n\u00e3o \u00e9 exatamente uma novidade: j\u00e1 faz dez anos que o grupo brit\u00e2nico, um dos basti\u00f5es do shoegaze, decidiu regressar aos palcos. A \u201csegunda fase\u201d do Ride, inclusive, j\u00e1 \u00e9 mais longeva do que a primeira, que durou apenas de 1988 a 1996. Mas antes que o leitor feche a aba procurando uma not\u00edcia, alto l\u00e1: o grupo de Andy Bell e Mark Gardener lan\u00e7ou um disco novo em mar\u00e7o deste ano: \u201c<a href=\"https:\/\/rideox4.bandcamp.com\/album\/interplay\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Interplay<\/a>\u201d. Quem for ouvir o trabalho procurando o Ride de sempre, por\u00e9m, ir\u00e1 se surpreender com um disco cheio de sonoridades dignas dos anos 1980, seja numa cad\u00eancia \u201crock de pista\u201d \u00e0 la New Order ou na busca por um som grande, radiof\u00f4nico, daqueles de ouvir bem alto no r\u00e1dio do carro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSeria errado se a gente s\u00f3 se repetisse o tempo todo. Se o Ride fosse uma banda s\u00f3 nost\u00e1lgica, acho que n\u00e3o suportaria fazer isso por muito tempo para ser honesto. Para mim, a m\u00fasica nesse disco novo \u00e9 uma \u2018transfus\u00e3o de sangue s\u00f4nica\u2019, que me d\u00e1 nova vida mesmo\u201d, conta empolgado o ingl\u00eas Mark Gardener, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/1fRHh0h0wPdTuBC6qayePh?si=517fe75f500c4beb&amp;nd=1&amp;dlsi=9032a671bdb64943\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em entrevista via Zoom ao Programa de Indie<\/a> \u2013 aqui publicada no Scream &amp; Yell em vers\u00e3o texto. Ele fala direto de sua casa, em Oxford, que tamb\u00e9m agora \u00e9 a casa do Ride: \u201cInterplay\u201d foi gravado no OX4 Sound (l\u00ea-se \u201cox-four\u201d, em uma piada com o nome da cidade), est\u00fadio montado por Gardener em sua resid\u00eancia. \u201c\u00c9 a primeira vez que temos um est\u00fadio para chamar de nosso e isso ajudou muito, sem press\u00e3o de tempo ou dinheiro\u201d, diz o guitarrista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho n\u00e3o s\u00f3 reflete a \u00e2nsia criativa do grupo, mas tamb\u00e9m a supera\u00e7\u00e3o das adversidades dos \u00faltimos anos: al\u00e9m da pandemia, o grupo ainda enfrentou uma batalha com seu antigo empres\u00e1rio. \u201cEle nos processou por um dinheiro que n\u00e3o t\u00ednhamos. Por outro lado, passar por isso nos fez lembrar da energia que t\u00ednhamos quando come\u00e7amos e das bandas que ouv\u00edamos, como Talk Talk, Depeche Mode ou Tears For Fears\u201d, comenta Gardener, que tamb\u00e9m desabafa sobre o status financeiro atual do grupo. \u201cPara as pessoas, o Ride parece uma banda grande, mas at\u00e9 mesmo o Ride est\u00e1 lutando para se manter vivo e fazer turn\u00eas atualmente. Os custos subiram demais nos \u00faltimos anos, enquanto nosso cach\u00ea se manteve num patamar parecido desde 2015\u201d, revela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Gardener fala mais sobre o status da ind\u00fastria da m\u00fasica, explica outras inspira\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s de \u201c<a href=\"https:\/\/rideox4.bandcamp.com\/album\/interplay\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Interplay<\/a>\u201d e tamb\u00e9m confirma uma lenda de que o Ride teria goleado o Radiohead numa pelada entre duas das maiores bandas de Oxford. Ele tamb\u00e9m revela seu amor por caipirinha, Elis Regina e diz que est\u00e1 pronto para voltar ao Brasil. Al\u00f4, produtores de shows! Mas\u2026 enquanto eles n\u00e3o v\u00eam, bom passeio nesse papo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Interplay\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nSfW_A_FvL2Fd3g7jGKgVd3bFofVtTaS8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cInterplay\u201d, o novo disco do Ride, \u00e9 o terceiro desde o retorno em 2014 \u2013 e o primeiro depois da pandemia, um per\u00edodo muito dif\u00edcil para quem vive na ind\u00fastria da m\u00fasica. Como foi voltar ao est\u00fadio para escrever esse novo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria da banda?<\/strong><br \/>\nMark Gardener: De 2019 para c\u00e1, vivemos um per\u00edodo de muitas adversidades, ent\u00e3o ficamos bastante felizes de poder voltar ao est\u00fadio e finalmente come\u00e7armos a fazer um disco juntos de novo. N\u00f3s tentamos gravar algumas vezes durante a pandemia, mas a Inglaterra tinha muitas regras sobre quantas pessoas poderiam ocupar o mesmo espa\u00e7o, e n\u00e3o sab\u00edamos como fazer isso direito. Foi tudo muito louco pra gente, como foi pra todo mundo. Uma das grandes diferen\u00e7as de \u201cInterplay\u201d \u00e9 o fato de que n\u00f3s o gravamos aqui em Oxford, no est\u00fadio que montei aqui em casa, o OX4 Sound. \u00c9 a primeira vez que temos um est\u00fadio para chamar de nosso e isso ajudou muito. Ficamos muito felizes de poder trabalhar sem press\u00e3o de tempo e dinheiro. Montamos os equipamentos e come\u00e7amos a fazer jams, do mesmo jeito que faz\u00edamos no come\u00e7o da banda, sem press\u00e3o. Aos poucos, come\u00e7amos a ver partes de m\u00fasicas se formando, e essas partes foram virando can\u00e7\u00f5es, at\u00e9 chegarmos ao resultado do disco. \u00c9 importante dizer que, al\u00e9m da covid-19, tamb\u00e9m tivemos uma briga enorme com nosso antigo empres\u00e1rio \u2013 que estava tentando transformar o Ride na sua grana para a aposentadoria. Ele nos processou por um dinheiro que n\u00e3o t\u00ednhamos, aquela coisa bem cl\u00e1ssica que a gente l\u00ea nas biografias das bandas. Foi algo que amea\u00e7ou nossa exist\u00eancia. Mas quando voc\u00ea se recupera depois de algo desse porte, isso faz a banda ficar mais forte, mais unida\u2026 e acho que o resultado \u00e9 um disco forte tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito bom! \u00c9 interessante voc\u00ea falar sobre isso: adversidades, especialmente, as financeiras, s\u00e3o coisas nas quais ningu\u00e9m pensa quando resolve montar uma banda. Mas elas fazem parte do trabalho, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nExatamente! Um problema que temos hoje \u00e9 descobrir como ganhar algum dinheiro com o Ride \u2013 o que \u00e9 um problema para muitas bandas. Quando voc\u00ea tem 20 anos e s\u00f3 precisa cuidar de si mesmo, ganhando dinheiro para pagar uns drinks, \u00e9 f\u00e1cil n\u00e3o ter responsabilidades. Mas hoje, todos na banda temos filhos, temos responsabilidades. Seria totalmente irrespons\u00e1vel dedicar meu tempo ao Ride se eu n\u00e3o tiver dinheiro para pagar minhas contas ou dar comida para minha filha. Quando voc\u00ea fica mais velho, os desafios se tornam mais presentes \u2013 mas isso te leva a buscar melhorar as coisas. Uma das defini\u00e7\u00f5es de insanidade \u00e9 fazer a mesma coisa in\u00fameras vezes e esperar por um resultado diferente, ent\u00e3o esses desafios nos fazem buscar algo diferente. Com sorte, esperamos estar em uma condi\u00e7\u00e3o melhor, para que a vida seja um pouco mais f\u00e1cil. Al\u00e9m do Ride, hoje todos temos empregos no dia a dia. Para fazermos uma turn\u00ea, o Steve tem que sair do emprego; o Andy tem os trabalhos dele como m\u00fasico e com mixagens; o Loz \u00e9 professor de m\u00fasica numa faculdade. J\u00e1 o meu trabalho \u00e9 no est\u00fadio, ent\u00e3o \u00e9 um pouco mais f\u00e1cil, mas ainda assim \u00e9 complicado. \u00c9 dif\u00edcil deixar a vida de lado para sair numa turn\u00ea e ver se vai dar certo. Estamos prontos para come\u00e7ar uma turn\u00ea nos EUA e n\u00e3o sabemos se vamos ganhar algum dinheiro com a viagem \u2013 e s\u00f3 saberemos ao chegar l\u00e1 e ver se vamos vender merch. \u00c9 curioso: para as pessoas, o Ride parece uma banda grande, mas at\u00e9 mesmo o Ride est\u00e1 lutando para se manter vivo e fazer turn\u00eas atualmente. H\u00e1 muitas bandas hoje em dia que n\u00e3o conseguem nem fazer turn\u00eas por conta de dinheiro. Os custos subiram demais nos \u00faltimos anos, enquanto nosso cach\u00ea se manteve num patamar parecido desde 2015. O streaming \u00e9 um grande problema, tamb\u00e9m. Se eles dessem um pouco mais de dinheiro para os artistas, isso mudaria tudo. Precisamos mudar isso, porque bandas novas est\u00e3o sumindo todos os dias. Elas n\u00e3o conseguem pagar para trabalhar enquanto o dinheiro est\u00e1 indo para gente como Taylor Swift ou Britney Spears. Infelizmente, \u00e9 algo que reflete a sociedade: os grandes artistas e os ricos ficam ainda mais ricos, enquanto o resto est\u00e1 lutando para seguir em frente. Deveria haver mais equil\u00edbrio. Pelo menos \u00e9 o que eu penso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Obrigado pela sinceridade, Mark! Acredito que concordamos em muita coisa aqui.<\/strong><br \/>\nSabe, eu tenho aprendido muito com as bandas que passam pelo meu est\u00fadio. Consigo ver como \u00e9 dif\u00edcil para eles. Algumas das bandas que passam ali poderiam ser o novo Radiohead, sabe? Mas muitas delas simplesmente v\u00e3o acabar antes de ter a chance de chegar nesse lugar. \u00c9 muito dif\u00edcil mesmo. Mas acho que isso \u00e9 tudo que vou dizer sobre esse assunto agora! (risadas)<\/p>\n<figure id=\"attachment_82015\" aria-describedby=\"caption-attachment-82015\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-82015\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/RIDE-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"550\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/RIDE-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/RIDE-2-300x220.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82015\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Interplay&#8221;, do Ride<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A despeito dessas adversidades, o Ride j\u00e1 est\u00e1 na sua segunda fase h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. \u00c9 mais tempo que a fase inicial da banda. Em \u201cInterplay\u201d, voc\u00eas soam diferentes de antigamente \u2013 tem muitas bandas que s\u00e3o influenciadas pelo Ride que parecem mais com o Ride dos anos 1990 do que voc\u00eas mesmos. Qual \u00e9 o segredo aqui para ficar junto por tanto tempo e criar novos sons?<\/strong><br \/>\nAlgo que nos conecta no Ride \u00e9 o fato de que n\u00e3o queremos fazer sempre as mesmas coisas. N\u00e3o \u00e9 como se entr\u00e1ssemos no est\u00fadio e diss\u00e9ssemos \u201cok, vamos tentar fazer um disco diferente\u201d, mas estamos sempre avan\u00e7ando, experimentando. \u00c9 assim que avan\u00e7amos. Experimentamos novos sons e isso \u00e9 bom porque n\u00e3o nos mant\u00e9m restritos a ser \u201cs\u00f3\u201d uma banda de guitarras. Seria errado se a gente s\u00f3 se repetisse o tempo todo. \u00c9 bom se colocar \u00e0 prova. Para mim, a m\u00fasica nesse novo disco \u00e9 como uma \u201ctransfus\u00e3o de sangue s\u00f4nica\u201d, que me leva a novos lugares, \u00e9 algo que me d\u00e1 uma nova vida mesmo. Claro, ainda temos que tocar as m\u00fasicas antigas nos shows, seguir a coisa da nostalgia, mas, como artista, fazer coisas novas, sentir que as coisas est\u00e3o avan\u00e7ando, isso \u00e9 o que eu preciso. N\u00e3o estou numa banda s\u00f3 para escavar o passado. Se o Ride fosse s\u00f3 uma banda nost\u00e1lgica, acho que n\u00e3o suportaria fazer isso por muito tempo, para ser honesto. Foi bom ter voltado \u00e0 ativa, porque sab\u00edamos que t\u00ednhamos uma qu\u00edmica boa e poder\u00edamos fazer m\u00fasica nova e interessante. N\u00e3o sei qual \u00e9 a qu\u00edmica que nos une, mas sei que ela existe \u2013 e \u00e9 disso que gosto na m\u00fasica. A m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia exata, n\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula\u2026 \u00e9 algo aleat\u00f3rio, e gosto disso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 v\u00e1rios momentos em \u201cInterplay\u201d que remetem aos anos 1980, por dois motivos. De um lado, h\u00e1 m\u00fasicas dan\u00e7antes, bem ao estilo New Order, num rock de pista que \u00e9 raro hoje em dia. Do outro, h\u00e1 m\u00fasicas que parecem buscar o conceito do \u201cbig sound\u201d, aquele tipo de can\u00e7\u00e3o pop que voc\u00ea ouve bem alto no r\u00e1dio do carro. \u00c9 algo que tamb\u00e9m n\u00e3o se faz mais atualmente. Faz sentido?<\/strong><br \/>\nEspero que sim! De certa forma, passar pelos problemas que passamos at\u00e9 conseguirmos gravar o disco nos fez lembrar um pouco da energia que t\u00ednhamos quando a banda come\u00e7ou \u2013 e da m\u00fasica que ouv\u00edamos quando \u00e9ramos jovens, no final dos anos 1980. Estou falando de bandas como Talk Talk, Depeche Mode ou Tears for Fears, junto a coisas \u201cmais cl\u00e1ssicas\u201d que s\u00e3o refer\u00eancias para n\u00f3s, como Beatles ou My Bloody Valentine. Esse som dos anos 1980 sempre foi uma refer\u00eancia, e de uma maneira meio nost\u00e1lgica, s\u00e3o coisas que ainda escuto. H\u00e1 alguns dias, ouvi bastante o \u201cThe Head on the Door\u201d, do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Cure<\/a>. Acho que queremos abra\u00e7ar alguns dos sons que nos fizeram querer ter uma banda, no come\u00e7o de tudo. Al\u00e9m disso, eu e Andy participamos de um tributo a Mark Hollis, do Talk Talk, no Royal Festival Hall, o que nos fez entrar nessa onda de novo. Ficamos pensando: \u201cque banda incr\u00edvel \u00e9 o Talk Talk\u201d. Isso nos influenciou muito, embora n\u00f3s tamb\u00e9m ou\u00e7amos coisas novas. Na maior parte do tempo, s\u00e3o as bandas que tocam no meu est\u00fadio, porque fa\u00e7o muitos trabalhos de mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, Steve e Andy s\u00e3o muito curiosos, est\u00e3o sempre tentando descobrir bandas novas e eles me alimentam com isso. E tem outra coisa: n\u00e3o tem porque acharmos que n\u00e3o podemos fazer essas m\u00fasicas \u201cgrandes\u201d, esse \u201cbig sound\u201d de que voc\u00ea fala. Queremos fazer boas m\u00fasicas, ainda queremos fazer sucesso, temos esse tes\u00e3o de buscar o sucesso. Sabe o que eu quero dizer? De um lado, \u00e9 muito dif\u00edcil rasgar o livro de regras e come\u00e7ar tudo do zero, mas para n\u00f3s \u00e9 o jeito mais f\u00e1cil de fazer as coisas. N\u00f3s nunca fizemos muito sucesso, ent\u00e3o n\u00e3o temos aquela press\u00e3o arrasadora de fazer algo igual de novo. Ainda temos tes\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar um pouco de produtores: ao longo da carreira, voc\u00eas fizeram discos com gente como John Leckie, que gravou o Stone Roses, e com Alan Moulder, que co-produziu discos de Smashing Pumpkins, U2, Killers, e claro, \u201cGoing Blank Again\u201d. Em \u201cInterplay\u201d, foi a vez de trazer o Richie Kennedy, um disc\u00edpulo do Alan Moulder. Como foi trabalhar com ele e por que voc\u00eas o escolheram?<\/strong><br \/>\nPara mim, o Richie foi uma b\u00ean\u00e7\u00e3o! Nas primeiras sess\u00f5es, eu estava cuidando de tudo: al\u00e9m de tocar, eu era respons\u00e1vel por gravar e fazer a engenharia de som, porque est\u00e1vamos gravando no meu est\u00fadio. Eu vivia pulando entre a sala de mixagem e a sala de grava\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de limpar o est\u00fadio e cozinhar para a banda. Por um momento, foi divertido e funcionou bem, mas depois eu fiquei exausto. Respirei fundo e descobri que precisava estar s\u00f3 com a banda na sala de grava\u00e7\u00e3o, percebi que precis\u00e1vamos de um engenheiro de som enquanto eu podia s\u00f3 tocar, pensar em letras e melodias. Nosso novo empres\u00e1rio lembrou do Richie Kennedy, que trabalhou durante muito tempo com o Flood e o Alan Moulder. Ele tamb\u00e9m trabalhou conosco no \u00faltimo disco (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/26\/entrevista-ride\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">This is Not a Safe Place<\/a>\u201d, de 2019) e \u00e9 um cara muito proativo, com uma energia incr\u00edvel, gente boa mesmo. Quando Richie chegou, fiquei muito feliz: foi como se ele pegasse a bola e levasse pro ataque sozinho, deixando a gente na cara do gol. Ele \u00e9 mais novo que a gente, ent\u00e3o buscamos deix\u00e1-lo \u00e0 vontade pra falar o que ele pensava, porque n\u00f3s respeitamos muito a opini\u00e3o dele. Aprendi muito com ele, acho que a gente sempre pode aprender com as pessoas. E como funcionou muito bem desde o come\u00e7o, n\u00f3s seguimos bem com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos quase chegando ao fim, mas vou tentar ainda fazer algumas perguntas importantes. Voc\u00ea citou o Radiohead no come\u00e7o da entrevista, e sei que ambas as bandas v\u00eam de Oxford. Ouvi falar de um jogo de futebol entre os grupos em que voc\u00eas supostamente deram uma sacolada nos caras. \u00c9 verdade?<\/strong><br \/>\n\u00c9 verdade! (risos) Eu conhe\u00e7o os caras do Radiohead, vira e mexe a gente se v\u00ea por a\u00ed. O est\u00fadio deles fica apenas a alguns quarteir\u00f5es daqui de casa. Mas \u00e9 verdade: eles s\u00e3o uns pernas de pau, n\u00f3s goleamos o time deles. Somos bem bons. Foi 16 a 0 ou algo assim, mas acho que eles n\u00e3o se importaram muito. Por outro lado, eles venderam muito mais discos que a gente, ent\u00e3o acho que eles podem rir por \u00faltimo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ride - Future Love (Balaclava Festival 2019 \/ S\u00e3o Paulo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/62N1edbOT8A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2019, voc\u00eas tocaram aqui no Brasil, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/30\/ride-brilha-no-balaclava-fest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">num show que foi bastante elogiado<\/a>. Como foi aquele show pra voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nEu adorei! Adoro o Brasil, adoro S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma cidade que eu adoraria voltar, estou torcendo para conseguirmos com esse disco novo. Lembro que fomos a um jogo de futebol, n\u00e3o lembro exatamente qual era o time, mas sei que jogavam de verde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deve ser o Palmeiras.<\/strong><br \/>\nIsso, era o Palmeiras, obrigado! Foi divertido! Eu amo o Brasil e cheguei at\u00e9 a ter um probleminha com a minha mulher naquela \u00e9poca. Algu\u00e9m fez um v\u00eddeo meu bebendo caipirinha no meio da rua, gritando: \u201cEu amo o Brasil, eu quero viver aqui! Amo o Brasil\u201d. E a\u00ed quando cheguei em casa ela s\u00f3 me dizia: \u201cseu b\u00eabado idiota, por que voc\u00ea fez isso?\u201d. A minha desculpa \u00e9 que eu n\u00e3o sabia que iam filmar e colocar no Facebook. Mas foi uma briga boa, porque eu realmente estava pronto para mudar pra\u00ed. Eu amo o Brasil, amo o futebol, amo a m\u00fasica. Eu adoro Elis Regina, amo \u201cElis e Tom\u201d e aquela grava\u00e7\u00e3o de \u201c\u00c1guas de Mar\u00e7o\u201d. \u00c9 uma grande m\u00fasica. Adoro a m\u00fasica brasileira tradicional, toda a vibe do Brasil. Espalhe a palavra por a\u00ed, adorar\u00edamos voltar a\u00ed para tocar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito bom! Vamos avisar os produtores de show por aqui que voc\u00eas querem voltar! Para a gente fechar aqui, Mark, a gente tem uma pergunta cl\u00e1ssica aqui no programa. Quais seriam os cinco discos que voc\u00ea levaria para a ilha deserta?<\/strong><br \/>\nHmmm\u2026 Vamos l\u00e1. Eu levaria os \u201cGreatest Hits\u201d do Ennio Morricone, porque \u00e9 uma sele\u00e7\u00e3o bem variada de m\u00fasica. Levaria tamb\u00e9m um disco do Vivaldi, seria minha op\u00e7\u00e3o de m\u00fasica erudita. Provavelmente levaria \u201cSurf\u2019s Up\u201d dos Beach Boys, porque \u00e9 um disco que me acompanhou a vida toda. Tenho que levar um disco do Cocteau Twins, ent\u00e3o provavelmente seria \u201cHeaven or Las Vegas\u201d. E tenho que fechar com \u201cSgt. Pepper\u2019s\u201d, porque tem que ter um disco dos Beatles. T\u00e1 bom assim?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"RIDE - What&#039;s in My Bag?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EhcA6LZwj-w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ride - Live, Town &amp; Country Club, London, 07.03.1991 (Full Concert, HD)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4FdvR6Zcpb8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ride | Pitchfork Music Festival 2017 | Full Set\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eC6PxenMnF0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>\u00a0e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cSeria errado se a gente s\u00f3 se repetisse o tempo todo. Se o Ride fosse uma banda s\u00f3 nost\u00e1lgica, acho que n\u00e3o suportaria fazer isso por muito tempo para ser honesto&#8221;, avisa Mark!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/11\/entrevista-mark-gardener-fala-sobre-o-novo-album-do-ride-e-declara-amor-a-caipirinha-talk-talk-e-elis-regina\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":82014,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3679],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82013"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82013"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82013\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82016,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82013\/revisions\/82016"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82014"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}