{"id":82009,"date":"2024-06-11T00:14:00","date_gmt":"2024-06-11T03:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=82009"},"modified":"2024-07-13T10:26:17","modified_gmt":"2024-07-13T13:26:17","slug":"cinema-estreando-na-netflix-godzilla-minus-one-se-sobressai-focando-na-essencia-do-trauma-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/11\/cinema-estreando-na-netflix-godzilla-minus-one-se-sobressai-focando-na-essencia-do-trauma-humano\/","title":{"rendered":"Cinema: Estreando na Netflix, \u201cGodzilla Minus One\u201d se sobressai focando na ess\u00eancia do trauma humano"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o devem ter sido poucos aqueles que se surpreenderam quando, na badalada cerim\u00f4nia mais recente do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/oscar-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oscar<\/a>, a estatueta de Melhores Efeitos Visuais escapou das m\u00e3os de blockbusters com or\u00e7amentos milion\u00e1rios e pertencentes a franquias mais do que bem estabelecidas \u2013 como \u201cGuardi\u00f5es da Gal\u00e1xia, Vol 3\u201d ou o \u00faltimo longa da s\u00e9rie \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/07\/17\/cinema-missao-impossivel-acerto-de-contas-parte-1-confirma-franquia-de-tom-cruise-como-simbolo-da-importancia-da-sala-de-cinema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Miss\u00e3o: Imposs\u00edvel<\/a>\u201d \u2013 para ir parar nas m\u00e3os de um filme de monstros, produzido no Jap\u00e3o, com exibi\u00e7\u00f5es limitad\u00edssimas ao longo das Am\u00e9ricas do Norte e do Sul. Isso \u00e9, n\u00e3o levando em considera\u00e7\u00e3o alguns fatores: primeiro, o fato de tal produ\u00e7\u00e3o carregar o nome de uma das mais rent\u00e1veis e longevas franquias cinematogr\u00e1ficas de todos os tempos; segundo, a coexist\u00eancia de uma outra franquia, produzida do outro lado do mundo, que andou obtendo resultados cada vez mais decepcionantes nos \u00faltimos anos; e terceiro (e mais importante), a feliz coincid\u00eancia de o tal \u201cfilme de monstros\u201d (ou \u201ckaiju\u201d) ser simplesmente um dos mais bem feitos em toda a hist\u00f3ria do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso poderia servir para convencer mesmo os mais c\u00e9ticos a darem uma chance a \u201cGodzilla Minus One\u201d (2023), que figurou entre os mais bem cotados e aclamados do ano passado em meio a cr\u00edtica especializada. No entanto, parece pouco para descrever um filme que vai muito al\u00e9m da gigantesca criatura at\u00f4mica a figurar no t\u00edtulo. Recentemente inclu\u00eddo no cat\u00e1logo da Netflix Brasil ap\u00f3s uma agenda de exibi\u00e7\u00e3o relativamente limitada no grande circuito comercial, o longa dirigido por Takashi Yamazaki \u2013 o segundo produzido pela produtora Toho, que retornou ao g\u00eanero em \u201cShin Godzilla\u201d (2016) depois de um hiato de mais de 10 anos \u2013 pode enfim alcan\u00e7ar uma audi\u00eancia maior e, talvez, redefinir a import\u00e2ncia de seu personagem principal e sua relev\u00e2ncia junto ao cinema moderno justamente por centrar foco naqueles que, via de regra, s\u00e3o os coadjuvantes tradicionais em produ\u00e7\u00f5es deste tipo: os humanos, vitimizados pela cat\u00e1strofe resultante da ira destas criaturas que, atrav\u00e9s de sua arrog\u00e2ncia, eles mesmos criaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este foco fica mais claro desde os momentos iniciais do filme, mostrando o piloto kamikaze Koichi Shikishima (Ryunosuke Kamiki) conforme este deserta sua fun\u00e7\u00e3o letal e procura abrigo em uma ilha de reabastecimento, apenas para testemunhar em primeira m\u00e3o o impulso destrutivo do monstro, conforme este emerge do oceano. Paralisado pelo mesmo medo que o impediu de servir a seu pa\u00eds com sua vida, o agora sobrevivente consegue enfim retornar a sua cidade natal, apenas para encontrar uma T\u00f3quio devastada por bombardeios e com cidad\u00e3os tentando, a duras penas, se recuperar. Encarando a perda de seus familiares, ocorrida em sua aus\u00eancia, Shikishima acaba dando abrigo \u00e0 jovem Noriko Oishi (Minami Hamabe), que tomou para si cuidar da pequena Akiko (Sae Nagatani), tornada \u00f3rf\u00e3 gra\u00e7as ao conflito b\u00e9lico. A rela\u00e7\u00e3o entre o casal, a princ\u00edpio um impulso motivado pela obriga\u00e7\u00e3o em cuidar da menina abandonada, acaba evoluindo para uma forma relutante, por\u00e9m cada vez mais ineg\u00e1vel, de afeto, conforme o piloto arruma um emprego como parte de um grupo destinado a detonar bombas mar\u00edtimas remanescentes da guerra. A reestrutura\u00e7\u00e3o da capital japonesa, bem como da vida conjunta da jovem fam\u00edlia, por\u00e9m, \u00e9 novamente desafiada com o ressurgimento de Godzilla, e o kamikaze desertor se v\u00ea mais uma vez for\u00e7ado a confrontar seu stress p\u00f3s-traum\u00e1tico, bem como alguns novos traumas, a fim de preservar a si mesmo, bem como a seu pa\u00eds.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-82010\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/godzilla2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"558\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/godzilla2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/godzilla2-300x223.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso dizer que \u201cGodzilla Minus One\u201d faz por merecer a premia\u00e7\u00e3o conquistada nos Oscars: n\u00e3o que os efeitos especiais sejam necessariamente revolucion\u00e1rios em um sentido mais tradicional \u2013 longe disso, a produ\u00e7\u00e3o pode, em alguns (poucos) momentos, parecer artificial demais para aqueles acostumados com os espet\u00e1culos imersivos de James Cameron, por exemplo. No entanto, \u00e9 importante considerar que cerca de um quarto do or\u00e7amento do filme (totalizado em aproximadamente 12 milh\u00f5es de D\u00f3lares) foi dedicado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos efeitos computadorizados, que n\u00e3o deixam de ser impressionantes ao longo da maior parte do longa. Contrastando com produ\u00e7\u00f5es semelhantes (o \u00faltimo filme americano a contar com o personagem t\u00edtulo, \u201cGodzilla x Kong: O Novo Imp\u00e9rio\u201d, teve um custo mais de 10 vezes maior, com resultados bastante aqu\u00e9m dos vistos aqui), o trabalho do tamb\u00e9m diretor Yamazaki, por si s\u00f3, j\u00e1 faz valer a investida. A combina\u00e7\u00e3o com a trilha sonora cuidadosamente pensada para ser retr\u00f4, sem soar ultrapassada \u2013 inclusive incorporando o tema cl\u00e1ssico do monstro \u2013 evoca o imortal e ainda relevante primeiro filme da franquia, de 1954, e ajuda a construir um universo imersivo e sublime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contribui, e muito, para a constru\u00e7\u00e3o de tal universo a presen\u00e7a de protagonistas realmente marcantes e instigantes: o duo de personagens centrais formado por Kamiki e Hamabe surpreende por sua complexidade elusiva, onde muito se diz por meio de olhares e a\u00e7\u00f5es que os di\u00e1logos apenas servem para complementar. Da parte dos coadjuvantes, se sobressaem o mec\u00e2nico Tachibana (interpretado por Munetaka Aoki), outro sobrevivente do ataque inicial de Godzilla, e o trio de colegas que acompanham Shikishima em suas miss\u00f5es em alto mar (vividos por Yuki Yamada, Kuranosuke Sasaki, e um impressionante Hidetaka Yoshioka), enfatizando o elemento humano por vezes t\u00e3o perdido em meio a batalhas entre monstros gigantes e paisagens destro\u00e7adas \u2013 em suma, trazendo o principal diferencial da produ\u00e7\u00e3o. Evitando exposi\u00e7\u00f5es de enredo for\u00e7adas em favor de passagens dram\u00e1ticas, intercaladas com sens\u00edveis momentos de bom humor, o roteiro explora muito bem o impacto da destrui\u00e7\u00e3o, estrutural e civilizat\u00f3ria, que tem na criatura at\u00f4mica (chamada, no original, de \u201cGojira\u201d) seu principal avatar. N\u00e3o hesitar em relacionar a exist\u00eancia da criatura aos testes com bombas nucleares, bem como a prefer\u00eancia por ambientar a trama imediatamente ap\u00f3s a rendi\u00e7\u00e3o japonesa, s\u00e3o alguns dos \u00eaxitos do filme (tamb\u00e9m vale citar que o \u201cMinus One\u201d do t\u00edtulo tem liga\u00e7\u00e3o direta com o fim da Segunda Guerra, que teria reduzido o pa\u00eds \u00e0 estaca zero; a exist\u00eancia e eventual devasta\u00e7\u00e3o de Godzilla, portanto, reduz o Jap\u00e3o a uma escala negativa, tamanha a destrui\u00e7\u00e3o resultante).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o alto n\u00edvel de aclama\u00e7\u00e3o destinado ao filme, mesmo antes da vit\u00f3ria na cerim\u00f4nia estadunidense, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que o mundo ser\u00e1, em algum momento do futuro pr\u00f3ximo, agraciado com uma sequ\u00eancia para \u201cGodzilla Minus One\u201d. A julgar pelo n\u00edvel de esmero e cuidado dispostos aqui, criar esperan\u00e7as por um novo filme t\u00e3o marcante quanto este se torna tarefa f\u00e1cil \u2013 t\u00e3o f\u00e1cil, ali\u00e1s, quanto perder qualquer entusiasmo restante na franquia ainda mantida pela Legendary Pictures no ocidente, que, com suas produ\u00e7\u00f5es realizadas a toque de caixa, com tramas t\u00e3o rasas quanto um pires e desenvolvimentos ris\u00edveis, n\u00e3o faz jus \u00e0s produ\u00e7\u00f5es nip\u00f4nicas. Que os executivos americanos possam olhar para aqueles que det\u00e9m a expertise no que diz respeito aos filmes do g\u00eanero: a li\u00e7\u00e3o est\u00e1, afinal, n\u00e3o em centrar foco nas gigantescas criaturas, ou no caos que causam, e sim no elemento humano de seus criadores, algozes e, frequentemente, principais v\u00edtimas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Godzilla Minus One | Trailer Legendado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FDrdUdvtLVI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia outros textos de Davi aqui.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 preciso dizer que \u201cGodzilla Minus One\u201d faz por merecer a premia\u00e7\u00e3o conquistada nos Oscars: n\u00e3o que os efeitos especiais sejam necessariamente revolucion\u00e1rios, mas impressionam.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/11\/cinema-estreando-na-netflix-godzilla-minus-one-se-sobressai-focando-na-essencia-do-trauma-humano\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":82011,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[3465],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82009"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82009"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82012,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82009\/revisions\/82012"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}