{"id":81860,"date":"2024-05-31T17:26:51","date_gmt":"2024-05-31T20:26:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=81860"},"modified":"2024-08-30T00:42:23","modified_gmt":"2024-08-30T03:42:23","slug":"entrevista-antiprisma-lanca-single-vampiros-e-numa-agradavel-conversa-de-mesa-de-bar-conta-detalhes-do-proximo-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/05\/31\/entrevista-antiprisma-lanca-single-vampiros-e-numa-agradavel-conversa-de-mesa-de-bar-conta-detalhes-do-proximo-disco\/","title":{"rendered":"Antiprisma lan\u00e7a single &#8220;Vampiros&#8221; e, numa agrad\u00e1vel conversa de mesa de bar, conta detalhes do pr\u00f3ximo disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No filme &#8220;Only Lovers Left Alive&#8221; (&#8220;Amantes Eternos&#8221; no Brasil), de Jim Jarmusch, os personagens principais Adam e Eve \u2013 interpretados por Tom Hiddleston e Tilda Swinton \u2013 s\u00e3o um casal de vampiros centen\u00e1rios que procuram se manter alheios \u00e0s constantes mudan\u00e7as prejudiciais causadas pelos humanos no mundo em que vivem, enquanto buscam estabilidade um no outro e em artes como m\u00fasica e literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o seria exagero tecer alguns paralelos entre os protagonistas da obra de Jarmusch e o duo de folk rock Antiprisma \u2013 ainda mais que Elisa Moos (voz, viol\u00e3o e guitarra) e Victor Jos\u00e9 (voz, viol\u00e3o, guitarra e viola caipira) seguem resilientes na carreira musical e est\u00e3o lan\u00e7ando um novo single chamado &#8220;Vampiros&#8221; pela Orangeira Music. Segundo o casal, a letra da can\u00e7\u00e3o trata exatamente da ideia de estar \u00e0 margem das coisas. &#8220;\u00c9 uma met\u00e1fora para essa sensa\u00e7\u00e3o que a gente tem de &#8216;intangibilidade&#8217;, sabe? De n\u00e3o conseguir expressar seus sentimentos ou de estar alienado, \u00e0 parte do mundo&#8221;, explica Victor. &#8220;\u00c9 meio como observar a pr\u00f3pria vida e o mundo em torno com algum distanciamento. Como se voc\u00ea estivesse no mundo, mas n\u00e3o faz tanta parte dele. A gente ficou pensando &#8216;\u00e9 mais ou menos como os vampiros'&#8221;, arremata Elisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o terceiro single divulgado pela dupla para o novo \u00e1lbum, chamado &#8220;Coisas de Verdade&#8221;, cujo lan\u00e7amento deve ocorrer no segundo semestre de 2024. Diferente das faixas de trabalho anteriores &#8220;Tente N\u00e3o Esquecer&#8221; (uma parceria com o cantor Bemti ao estilo das can\u00e7\u00f5es mais ac\u00fasticas do grupo) e &#8220;S\u00e3o Duas Horas e Est\u00e1 Tudo Bem&#8221; (que demonstra a influ\u00eancia do powerpop de Big Star, Teenage Fanclub e The Byrds), &#8220;Vampiros&#8221; apresenta uma sonoridade que acena para o post-punk, mas sem deixar de ser singular: a composi\u00e7\u00e3o traz arranjo e solos na tradicional viola caipira. E pode-se dizer que o resultado ficou no m\u00ednimo interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque ela se chama &#8216;viola caipira&#8217; que voc\u00ea tem que tocar apenas m\u00fasica caipira com ela&#8221;, diz Victor. &#8220;Eu tento mesclar as coisas assim e ver qual \u00e9 o limite da viola. \u00c9 muito vers\u00e1til. Ent\u00e3o tem muito o que explorar neste instrumento e esse disco tem muito disso tamb\u00e9m&#8221;, afirma o m\u00fasico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de um EP (&#8220;Antiprisma&#8221;, em 2014), dois \u00e1lbuns (&#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/11\/tres-cds-moromo-dillo-antiprisma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Planos para Esta Encarna\u00e7\u00e3o<\/a>&#8221; em 2016 e &#8220;Hemisf\u00e9rios&#8221; em 2019) e participa\u00e7\u00f5es em shows e festivais nacionais, o duo celebra uma d\u00e9cada de exist\u00eancia com uma nova fase, ao contar nas grava\u00e7\u00f5es de &#8220;Coisas de Verdade&#8221; com o refor\u00e7o de Ana Zumpano (bateria) e Beeau Gom\u00e9z (contrabaixo) em sua forma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de conferir um som mais completo para as performances ao vivo, essa adi\u00e7\u00e3o de integrantes tamb\u00e9m \u00e9 consolidada por uma potente dobradinha musical: Victor e Elisa passaram a assumir baixo e guitarra na banda Retrato (projeto de Ana e Beeau que conta com John Di Lallo) cujo primeiro \u00e1lbum &#8220;Enigma de Um Dia&#8221;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/11\/entrevista-retrato-equilibra-psicodelia-pop-e-experimentalismo-em-o-enigma-de-um-dia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> j\u00e1 foi destaque aqui no Scream &amp; Yell<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A ideia foi realmente fazer um disco &#8216;de banda&#8217;, uma esp\u00e9cie de &#8216;Antiprisma com ester\u00f3ides'&#8221;, brinca Victor. &#8220;\u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o natural do nosso pr\u00f3prio som&#8221;. Segundo ele, desde o come\u00e7o do Antiprisma as m\u00fasicas eram imaginadas para serem tocadas tamb\u00e9m com banda. &#8220;A gente queria ter essa energia do &#8216;ao vivo&#8217;, pontua Elisa. &#8220;E a gente tem uma troca muito boa com a Ana e com o Beeau, ent\u00e3o nos sentimos muito em casa&#8221;, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dessas mudan\u00e7as, percebe-se que o grupo ainda constr\u00f3i seu caminho de forma bem org\u00e2nica, de acordo com seu pr\u00f3prio ritmo e sem se pautar por decis\u00f5es mercadol\u00f3gicas ou algoritmos de redes sociais. &#8220;Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, tem parecido muito revolucion\u00e1rio na minha cabe\u00e7a voc\u00ea ter uma banda de rock, gravar um som ao vivo e ter essa banda fazendo coisa org\u00e2nica falando de sentimentos e rela\u00e7\u00f5es bem humanas&#8221;, opina Victor. &#8220;A gente tem que come\u00e7ar a pensar por n\u00f3s mesmos e parar de pensar como o instagram ou sei l\u00e1 o que mais entregaria o seu conte\u00fado. Somos artistas e assim que \u00e9, sabe? \u00c9 muito importante que isso n\u00e3o saia da cabe\u00e7a de quem faz m\u00fasica e de quem est\u00e1 curtindo tamb\u00e9m, n\u00e9?&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um bate-papo extenso em uma mesa de bar com o Scream &amp; Yell, Elisa e Victor revelaram mais sobre o single &#8220;Vampiros&#8221;, as participa\u00e7\u00f5es especiais do novo \u00e1lbum, o que est\u00e1 por tr\u00e1s do t\u00edtulo &#8220;Coisas de Verdade&#8221; e reflex\u00f5es profundas sobre a carreira de artista independente nos dias atuais. Puxe uma cadeira e confira a conversa na \u00edntegra abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vampiros\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OVQyxUUjIDY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro single que voc\u00eas lan\u00e7aram com o Bemti \u00e9 um som mais intimista, na linha do que voc\u00eas faziam no come\u00e7o. Quando ouvi o single seguinte, &#8220;S\u00e3o Duas Horas e Est\u00e1 Tudo Bem&#8221;, senti uma coisa meio Teenage Fanclub nela. E agora a nova &#8220;Vampiros&#8221; tem algo mais p\u00f3s-punk. Afinal, qual \u00e9 a ideia desse novo \u00e1lbum? Mais um som de banda el\u00e9trica do que folk ac\u00fastico?<\/strong><br \/>\nVictor: Eu acho que o disco tem muitos momentos distintos, mas no geral a ideia foi realmente fazer um disco &#8216;de banda&#8217;. Uma esp\u00e9cie de &#8216;Antiprisma com ester\u00f3ides&#8217; (risos). Porque a gente pensou desde o come\u00e7o que todas as nossas m\u00fasicas poderiam ter banda completa. Sempre raciocinamos assim. Apesar de gostarmos muito de folk, tamb\u00e9m gostamos da sonoridade de banda completa. Mas \u00e9 bem verdade isso do Teenage Fanclub, \u00e9 uma coisa que sempre est\u00e1 na nossa mente. Quando a gente pensa em alguma coisa power pop, tipo Big Star, The Byrds\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Na verdade, desde a \u00e9poca que \u00e9ramos s\u00f3 n\u00f3s dois no ac\u00fastico, a gente j\u00e1 considerava essas refer\u00eancias. Teenage Fanclub, Byrds\u2026 ent\u00e3o at\u00e9 para fazer de forma ac\u00fastica elas j\u00e1 eram nossas refer\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: \u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o natural do nosso pr\u00f3prio som. A gente j\u00e1 queria fazer esse disco desta forma e est\u00e1vamos preparando essa ideia na cabe\u00e7a; &#8216;n\u00e3o, vai ser com banda dessa vez&#8217;, porque naquele momento a gente tinha lan\u00e7ado o &#8220;Hemisf\u00e9rios&#8221;, que j\u00e1 tinha alguma coisa com bateria e outros instrumentos. E aconteceu de nos animarmos com isso, mas a\u00ed veio a pandemia, toda aquela coisa e demorou muito tempo. Mas sim, respondendo \u00e0 sua pergunta original, o disco vai ter bastante som de banda. E a gente tentou levar cada faixa para um mood diferente. N\u00e3o \u00e9 um disco 100% homog\u00eaneo, apesar de ser bastante baixo, guitarra e bateria ou viola. \u00c9 um disco que tem muitas nuances. \u00c9 uma coisa que a gente ficou muito feliz de fazer, porque a maioria das tracks ali das bases foram gravadas ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Todas as faixas que s\u00e3o com banda, baixo, bateria e tal, foram gravadas no est\u00fadio ao mesmo tempo, ao vivo. Ent\u00e3o a gente queria ter essa energia do &#8216;ao vivo&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Isso faz parte da inten\u00e7\u00e3o inicial da sonoridade da &#8220;S\u00e3o Duas Horas e Est\u00e1 Tudo Bem&#8221; e a &#8220;Vampiros&#8221; \u00e9 a mesma coisa. \u00c9 uma m\u00fasica completamente org\u00e2nica e que tem bastante dessa estranheza da viola&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, eu percebi que voc\u00ea incluiu a viola nela e encaixou muito bem.<\/strong><br \/>\nVictor: Cara, \u00e9 o que eu sempre digo: a viola \u00e9 a nossa guitarra brasileira, nossa guitarra el\u00e9trica. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque chama &#8216;viola caipira&#8217; que voc\u00ea tem que tocar apenas m\u00fasica caipira com ela. Ent\u00e3o tem muito o que explorar neste instrumento e esse disco tem muito disso tamb\u00e9m. Isso me deixa muito feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 que foi que voc\u00ea come\u00e7ou a tocar viola?<\/strong><br \/>\nVictor: Foi quando a gente estava gravando o primeiro disco, &#8220;Planos Para Esta Encarna\u00e7\u00e3o&#8221;. Em algumas m\u00fasicas eu sentia vontade de ter um instrumento como se fosse um viol\u00e3o de 12 cordas, aquele som dobrado, mais forte e tal. E ao mesmo tempo eu estava ouvindo muitas coisas com afina\u00e7\u00e3o aberta, e isso coincide com o fato de eu realmente gostar muito do Keith Richards. E por acaso descobri que aquela afina\u00e7\u00e3o que ele usa, o sol aberto, \u00e9 conhecida como &#8216;Rio Abaixo&#8217; na viola. [Nota do Editor: tanto na guitarra quanto na viola, esta afina\u00e7\u00e3o produz um acorde de sol maior com todas as cordas tocadas soltas, facilitando e aumentando as possibilidades do instrumento]. E eu fiquei muito intrigado, porque ele come\u00e7ou a incorporar isso no som dos Stones depois que ele veio pro Brasil nos anos 1960, e quem conhece a cronologia da banda sabe que este \u00e9 &#8216;o som do Keith Richards&#8217;. E paralelo a isso, comecei a ouvir m\u00fasica caipira porque me interessei pela viola\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Isso tamb\u00e9m tem a ver com o fato que, desde a \u00e9poca do nosso EP, a gente estava numa super imers\u00e3o do mundo folk em geral, seja de qualquer pa\u00eds. Ent\u00e3o acabou que isso tamb\u00e9m nos puxou pra m\u00fasica tradicional brasileira. Um pensamento de &#8216;vamos ver o que que tem&#8217;, &#8216;vou mergulhar nisso tamb\u00e9m&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: E curioso que vai confluindo as coisas assim: tem essa quest\u00e3o dos Stones e da m\u00fasica folcl\u00f3rica brasileira. Eu n\u00e3o saberia te explicar o que de fato me fez ir atr\u00e1s da viola, mas eu arrisquei. Fui l\u00e1, comprei uma, cheguei em casa, mostrei assim &#8216;olha s\u00f3&#8217; e tal. E foi amor \u00e0 primeira vista, um caminho sem volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: N\u00e3o largou mais! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda Charme Chulo, do Paran\u00e1, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/21\/entrevista-charme-chulo-deliciosamente-pop\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tamb\u00e9m usa uma viola no contexto de banda de rock<\/a>. Mas na minha opini\u00e3o o que voc\u00ea faz \u00e9 bem diferente deles. Parece que eles usam a viola com uma pegada mais The Smiths e voc\u00ea faz explorando mais solos e puxando para uma raiz caipira, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nVictor: Eu tento mesclar as coisas assim e ver qual \u00e9 o limite da viola. Por exemplo, nessa m\u00fasica &#8220;Vampiros&#8221; tem um solo de viola no final que parece at\u00e9 guitarra. Muita gente vai achar que \u00e9 guitarra, mas n\u00e3o, \u00e9 uma viola. E \u00e9 muito impressionante como ela soa pesada, como \u00e9 um instrumento pesado se voc\u00ea quiser, mais que uma guitarra. \u00c9 muito vers\u00e1til e realmente tem um caminho que tem muito a ser explorado ainda. Fico feliz que muita gente est\u00e1 come\u00e7ando a gostar de viola tamb\u00e9m. De certa forma, acho que isso vai passando pelo imagin\u00e1rio das pessoas e elas v\u00e3o assimilando aos poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Ir desestigmatizando algumas coisas, n\u00e9? Como voc\u00ea falou, a associa\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica caipira, uma coisa muito espec\u00edfica que n\u00e3o faz muita parte da nossa realidade aqui em S\u00e3o Paulo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Que n\u00e3o faz parte da nossa realidade, mas tamb\u00e9m faz porque o paulista \u00e9 o mais caipira. A gente faz parte do tri\u00e2ngulo caipira. [NE: segundo o violeiro e professor da USP Ivan Vilela, a cultura caipira nasceu da mistura entre os portugueses bandeirantes e os ind\u00edgenas, sendo intimamente ligada ao bandeirismo paulista.]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Para n\u00f3s, essa \u00e9 a gra\u00e7a de pesquisar o folk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Isso. Quando voc\u00ea v\u00ea a cena de m\u00fasica da zona oeste de S\u00e3o Paulo, com um monte de banda que toca ali no Fffront, no Porta, tocava na Casa do Mancha, enfim, toca em um monte de lugar e tem uma cena forte. Mas tempos atr\u00e1s, Ti\u00e3o Carreiro morava na Barra Funda e um monte desses caras como ele tocavam ali na Barra Funda, Pompeia e a gente nem faz ideia, sabe? As coisas est\u00e3o por a\u00ed e a gente vai captando de alguma forma estranha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma quest\u00e3o de valorizar a m\u00fasica e o instrumento nacional tamb\u00e9m, n\u00e9? Voc\u00ea nunca pensou em pegar uma craviola para tocar tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nVictor: Ainda est\u00e1 nos planos. Vai acontecer, vai acontecer. A craviola \u00e9 uma outra coisa legal. D\u00e1 uma diferenciada entre o viol\u00e3o de 12 cordas e a craviola. Ela tem um som mais pr\u00f3prio\u2026 Mas sim, isso ainda vai acontecer, com certeza. [NE: a craviola \u00e9 um instrumento ac\u00fastico similar ao viol\u00e3o, mas seu formato \u00e9 inspirado no instrumento de teclas chamado cravo. Ela foi desenhada e projetada pelo violonista brasileiro Paulinho Nogueira e chegou a ser utilizada por Jimmy Page em can\u00e7\u00f5es do Led Zeppelin]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu queria perguntar como \u00e9 que surgiu essa parceria com o Bemti no primeiro single do disco.<\/strong><br \/>\nVictor: O Bemti era membro da Falso Coral, que \u00e9 uma banda que fazia parte do selo do nosso primeiro EP, Mono.Tune Records, que era gerenciado pelo Felipe Consolini e desde ent\u00e3o eles faziam folk. Tinha um som mais pop folk&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Ele tocava viola caipira tamb\u00e9m\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Tocava! Isso me chamou aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m porque \u00e9 muito raro ver algu\u00e9m nesse rol\u00ea fazer isso. E ele sempre foi uma pessoa muito am\u00e1vel, muito gente boa e a gente acabou sendo amigo da banda tamb\u00e9m. Fizemos inclusive participa\u00e7\u00e3o numa m\u00fasica muito boa no disco deles, chamada &#8220;D&#8221;. \u00c9 uma m\u00fasica que a gente gosta bastante. E quando a gente fez a &#8220;Tente N\u00e3o Esquecer&#8221;, logo de cara pensamos &#8216;nossa, essa \u00e9 a cara do Bemti&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: A gente conseguiu imaginar a m\u00fasica na voz dele assim, logo de cara mesmo. Isso \u00e9 uma coisa que costumamos visualizar \u00e0s vezes; tem m\u00fasicas nossas que a gente consegue visualizar na voz de outras pessoas, de amigos ou de pessoas famosas (risos). Nesse caso aconteceu com o Bemti. E pensamos em cham\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: A gente nunca abriu espa\u00e7o para um feat assim de voz, n\u00e9? Em &#8220;Fogo Mais Fogo&#8221; [faixa de &#8220;Hemisf\u00e9rios&#8221;] a Gabi do My Magical Glowing Lens est\u00e1 l\u00e1 tocando guitarra\u2026 inclusive foi uma baita de uma troca ali. Mas de vocal foi o Bemti e achei que deu super certo, foi exatamente o que a gente imaginou. Acho que ele matou a pau e s\u00f3 contribuiu pra m\u00fasica. Ficou uma coisa muito legal ter aquela troca, violas, dois vocais\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: \u00c9, dois vocais masculinos, n\u00e9? Que \u00e9 uma coisa que no Antiprisma nunca tinha acontecido antes. Duas vozes masculinas e duas violas caipiras na nossa mesma m\u00fasica. Isso \u00e9 bem raro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ANTIPRISMA \u2013 Tente N\u00e3o Esquecer part. BEMTI (videoclipe)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Y01FVAtY5WU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o do Bemti, tem mais convidados nesse disco?<\/strong><br \/>\nVictor: Sim, tem uma m\u00fasica que o Z\u00e9 Antonio Algodoal (Pin Ups) participa na guitarra e a gente ainda n\u00e3o sabe se ela vai ser um single, mas provavelmente sim. \u00c9 uma faixa bem intensa, oito minutos de m\u00fasica. E ao vivo ela \u00e9 muito bacana, tem sido uma parte bem legal do show toc\u00e1-la. A gente tamb\u00e9m conseguiu a participa\u00e7\u00e3o do M\u00e1rio Manga fazendo cello em duas faixas junto com o F\u00e1bio Tagliaferri, que toca viola de arco. F\u00e1bio Cardelli, durante as grava\u00e7\u00f5es no est\u00fadio dele, participou tamb\u00e9m gravando um ronroco, que \u00e9 um instrumento andino numa m\u00fasica que inclusive tamb\u00e9m tem participa\u00e7\u00e3o do Z\u00e9 Mazzei (Forgotten Boys) no baixo ac\u00fastico. Tamb\u00e9m tem participa\u00e7\u00f5es ocultas de Hilda Hilst, Vin\u00edcius de Moraes e Alceu Valen\u00e7a em &#8220;Vampiros&#8221;. No final a gente fez uma miscel\u00e2nea de sons, de disco tocando de tr\u00e1s pra frente, entrevista gravada de programa de TV. Aquela frase que se ouve no final \u00e9 a Hilda Hilst dando uma entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelo que eu tinha visto da ficha t\u00e9cnica dos novos singles, me pareceu que cada m\u00fasica foi gravada em um est\u00fadio diferente. Foi algo assim?<\/strong><br \/>\nElisa: As m\u00fasicas que gravamos com banda cheia s\u00e3o em um est\u00fadio, a\u00ed as outras partes que n\u00e3o foram gravadas ao vivo a gente gravou em lugares diferentes. Por exemplo, as vozes a gente gravou no est\u00fadio da Lua Gior e do Rafa Dantas em S\u00e3o Paulo porque eles captam muito bem as vozes, ent\u00e3o fizemos quest\u00e3o de gravar com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Muita coisa a gente fez no nosso home studio, mas basicamente boa parte do disco foi gravada no Est\u00fadio FC, que \u00e9 do F\u00e1bio Cardelli \u2013 que ali\u00e1s, tem muitas m\u00fasicas legais\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: E tem o est\u00fadio do Beeau tamb\u00e9m, o Mem\u00f3ria, que foi onde foi gravado o disco da Retrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: E a gente levantou praticamente todas as m\u00fasicas desse disco da Antiprisma e da Retrato nesse est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos eles s\u00e3o aqui em S\u00e3o Paulo capital mesmo?<\/strong><br \/>\nVictor: Menos o do Cardelli que \u00e9 em Alphaville, Barueri. A bateria e algumas guitarras da &#8220;S\u00e3o Duas Horas e Est\u00e1 Tudo Bem&#8221; foram gravadas h\u00e1 muito tempo em Jacare\u00ed, durante a pandemia. A gente acabou regravando algumas coisas porque mudamos o arranjo. Mas pelo menos umas cinco ou seis m\u00fasicas foram basicamente no [est\u00fadio do] Cardelli.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sei que \u00e9 meio chato ficar perguntando &#8220;o que quer dizer tal letra?&#8221;, mas qual foi a inspira\u00e7\u00e3o para &#8220;Vampiros&#8221;?<\/strong><br \/>\nVictor: \u00c9 uma met\u00e1fora para essa sensa\u00e7\u00e3o que a gente tem de &#8216;intangibilidade&#8217;, sabe? De n\u00e3o conseguir expressar seus sentimentos ou de estar alienado, \u00e0 parte do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: \u00c9 meio como observar a pr\u00f3pria vida e o mundo em torno com algum distanciamento. Como se voc\u00ea estivesse no mundo, mas n\u00e3o faz tanta parte dele. A gente ficou pensando &#8216;\u00e9 mais ou menos como os vampiros&#8217; (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: E ao mesmo tempo a gente, todo mundo, se sente um pouco &#8216;vampiro&#8217; em algum momento. Quando bate aquela sensa\u00e7\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o perante o mundo, que voc\u00ea est\u00e1 no seu mundinho. Essa \u00e9 a ideia de &#8220;Vampiros&#8221; que a gente quis falar na m\u00fasica, essa comunica\u00e7\u00e3o meio intrincada. Esse pouco pertencimento em rela\u00e7\u00e3o ao mundo externo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Mas tamb\u00e9m d\u00e1 para aplicar isso em relacionamentos. Um distanciamento que se aplica para qualquer coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Todo relacionamento \u00e9 um pouco isso, n\u00e9? Todo relacionamento \u00e9 um mundo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro que no \u00faltimo \u00e1lbum j\u00e1 tinham algumas coisas que voc\u00eas fizeram com um conte\u00fado meio pol\u00edtico, at\u00e9 por conta do que a gente estava vivendo com o governo e a pandemia \u2013 e de certa forma ainda estamos. Voc\u00eas acham que isso tamb\u00e9m se estendeu para o disco novo?<\/strong><br \/>\nVictor: N\u00e3o daquela mesma maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Acho que todas as nossas letras, nosso trabalho, tem um cunho pol\u00edtico. Penso assim, mas n\u00e3o t\u00e3o explicitamente quanto em algumas m\u00fasicas do outro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Nesse caso, acho que a gente pensou em falar de forma diferente. Porque este acabou sendo mais um disco de cr\u00f4nicas, como se fosse um disco que a gente fala mais do pessoal, do interno. Antes era uma coisa um pouco mais contemplativa, para fora\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Agora n\u00e3o, \u00e9 como se fosse uma lupa apontada para dentro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: E vez ou outra a gente tinha essas m\u00fasicas pol\u00edticas, como &#8220;S\u00f3 Porque Voc\u00ea N\u00e3o Se Encontrou&#8221;, &#8220;N\u00e3o Ver\u00e1s Pa\u00eds Nenhum&#8221;, n\u00e9? Mas dessa vez, acho que por conta do que vivemos nos \u00faltimos anos, a gente voltou muito para dentro de n\u00f3s e a inspira\u00e7\u00e3o veio muito dos nossos sentimentos pessoais mesmo, nada muito de fora. Antes a gente falava mais de paisagens ou analogias tipo o &#8216;deserto&#8217;, o &#8216;c\u00e9u&#8217;, o &#8216;sol&#8217;\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: \u00c9, at\u00e9 as pr\u00f3prias imagens das m\u00fasicas mudaram. Essas palavras imag\u00e9ticas das m\u00fasicas n\u00e3o s\u00e3o mais t\u00e3o contemplativas agora. Pode ser que voltem a ser (risos), mas neste disco foi meio assim. Ele \u00e9 mais urbano, tem mais imagens de ambiente urbano.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81868\" aria-describedby=\"caption-attachment-81868\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-81868\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Antiprisma4_Flip-Santos-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Antiprisma4_Flip-Santos-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Antiprisma4_Flip-Santos-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-81868\" class=\"wp-caption-text\"><em>Antiprisma no formato quarteto com Beeau, Victor, Elisa e Ana<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu ia perguntar exatamente isso: o que voc\u00eas acham que esse disco difere dos outros. O que voc\u00eas enxergam dele e dos \u00e1lbuns anteriores?<\/strong><br \/>\nElisa: A primeira e maior diferen\u00e7a, mais \u00f3bvia do campo pr\u00e1tico, \u00e9 o fato dele estar mais orientado para banda e pro el\u00e9trico. Al\u00e9m disso, acho que as nossas m\u00fasicas sempre foram meio s\u00e9rias, sisudas, mas nesse disco a gente est\u00e1 um pouco mais. Talvez por conta de que a gente envelheceu\u2026 No bom sentido, at\u00e9. A gente se sente um pouco &#8216;menos inocente&#8217; em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. Pra mim essa \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o que tenho com essas m\u00fasicas, comparando com as primeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Eu acho que, se a gente pegar tudo que a gente fez, o primeiro EP faz dez anos este ano, \u00e9 bastante tempo. Na \u00e9poca a gente tinha muito certo o que a gente queria fazer. Foi uma coisa muito apaixonada, muito aventureira de se fazer porque a gente estava se lan\u00e7ando. O segundo \u00e1lbum foi um pouco disso tamb\u00e9m, porque boa parte do que n\u00e3o entrou no EP est\u00e1 no primeiro \u00e1lbum, mas ele tem bastante a ess\u00eancia do que \u00e9 realmente o Antiprisma. J\u00e1 o &#8220;Hemisf\u00e9rios&#8221; \u00e9 um disco que a gente quis botar a m\u00e3o na massa, produzir e criar tudo e talvez seja o que a gente mais teve total autonomia. Tudo que est\u00e1 l\u00e1, a gente pensou minimamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: A gente fez todas as etapas do processo de produ\u00e7\u00e3o, pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Tudo que \u00e9 timbre, tudo que est\u00e1 l\u00e1, n\u00f3s que pensamos mesmo em como fazer. Foi um disco que deu muito trabalho e eu tenho muito orgulho dele. J\u00e1 esse de agora, a gente ainda n\u00e3o ouviu como vai ser exatamente, mas acho que talvez seja nosso trabalho mais maduro, nosso melhor nesse sentido. E igual a Elisa falou: as composi\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais s\u00e9rias, a gente envelheceu no sentido de se entender melhor, do que a gente \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Sem contar que a gente passou por esse grande trauma coletivo e pessoal que foi a pandemia. Ent\u00e3o ele carrega sim esse sentimento que ficou, essa melancolia, essa revolta, essa coisa bem profunda mesmo. \u00c0s vezes at\u00e9 um pouco sombria, sabe? Ele carrega tudo de cabo a rabo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Mas ele tamb\u00e9m traz esse esmero \u2013 vamos dizer assim \u2013 do &#8220;Hemisf\u00e9rios&#8221;, mas com muito mais profundidade, no sentido de ter mais duas pessoas: a Ana e o Beeau, que est\u00e3o ali e a gente fez quest\u00e3o de abrir nosso universo para eles. E acho que isso s\u00f3 teve a acrescentar. Basicamente \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: A gente v\u00ea como uma continua\u00e7\u00e3o mesmo do Antiprisma. A gente n\u00e3o joga nada fora do que j\u00e1 fizemos. \u00c9 uma continua\u00e7\u00e3o bem coerente. Inclusive v\u00e1rias m\u00fasicas deste novo disco remetem bastante \u00e0s do come\u00e7o, do EP. Mesmo de forma n\u00e3o \u00f3bvia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: &#8220;Tente N\u00e3o Esquecer&#8221; \u00e9 uma m\u00fasica que poderia estar no EP ou no primeiro disco. Alguma coisa ou outra ali \u00e9 bem do come\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estava vendo umas entrevistas antigas e em uma delas, bem do in\u00edcio do grupo, falava que a Elisa tinha uma facilidade para fazer melodias em ingl\u00eas e depois o Victor ajudava a fazer a letra em portugu\u00eas. O processo de composi\u00e7\u00e3o de voc\u00eas ainda \u00e9 assim ou mudou com os anos?<\/strong><br \/>\nElisa: Eu raciocinava muito mais em ingl\u00eas no come\u00e7o do Antiprisma para buscar melodias, mas agora n\u00e3o \u00e9 mais assim. Acho que o processo acabou mudando e tenho mais facilidade. O que acaba acontecendo \u00e9 que eu fa\u00e7o a melodia n\u00e3o necessariamente com palavras que existem. \u00c9 a melodia em si, e a partir dela, eu busco com o Victor as letras, as palavras que se encaixam nessa melodia, a m\u00e9trica e a t\u00f4nica. \u00c9 mais por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: N\u00e3o tem uma regra certa; \u00e0s vezes ela chega com uma melodia, \u00e0s vezes eu chego com a melodia, \u00e0s vezes ela chega com uma ideia de um estado de esp\u00edrito e sai alguma coisa a partir da\u00ed. Muitas vezes algu\u00e9m chega com uma m\u00fasica quase inteira pronta e a outra pessoa arremata ali com uma coisa que fez total diferen\u00e7a para a composi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o sempre \u00e9 uma parceria mesmo, nunca \u00e9 assim &#8216;\u00f3, eu fiz 100% dessa m\u00fasica&#8217; ou a Elisa fez. Ent\u00e3o n\u00e3o tem uma regra. Mas no geral o que d\u00e1 para dizer que sempre fazemos \u00e9 primeiro a m\u00fasica, depois a letra. Nem me lembro se teve alguma m\u00fasica nossa que saiu a letra primeiro\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Eu acho que n\u00e3o teve n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Mas \u00e9 isso; \u00e9 a melodia que chega, ou \u00e9 um riff, ou \u00e9 uma harmonia, progress\u00e3o de acordes. Mas a gente sempre est\u00e1 assim dialogando &#8216;olha, o que que isso aqui te lembra?&#8217; Eu acho que a Elisa \u00e9 a melhor editora das minhas m\u00fasicas e vice-versa. A gente se entende muito bem assim, o que fazer nas composi\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Para qual caminho levar, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu queria saber como \u00e9 que est\u00e1 sendo para voc\u00eas essa &#8216;dobradinha&#8217; de tocar na Antiprisma e na Retrato ao mesmo tempo. Como \u00e9 essa experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nVictor: Olha, no come\u00e7o foi uma loucura porque a gente estava levantando o repert\u00f3rio da Retrato e tamb\u00e9m da Antiprisma tanto para fazer o show quanto para ensaios de composi\u00e7\u00e3o. Mas hoje est\u00e1 mais tranquilo. Tem sido um aprendizado porque a Ana e o Beeau nos influenciam muito e creio que seja uma via de m\u00e3o dupla. Tem sido muito prazeroso para mim especialmente estar tocando baixo na Retrato, pois eu sou baixista de origem, ent\u00e3o n\u00e3o precisa cantar, \u00e9 s\u00f3 tocar baixo e nossa, \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o para mim (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: E para mim tamb\u00e9m s\u00f3 tocar guitarra. Nem sempre me preocupar em cantar, apesar de que um backing ou outro a gente acaba fazendo. Mas \u00e9 s\u00f3 tocar guitarra, sem me preocupar de estar l\u00e1 no front&#8230; \u00e9 muito bom. E \u00e9 isso, a gente tem uma troca muito boa com a Ana e com o Beeau, ent\u00e3o nos sentimos muito em casa. Temos uma rela\u00e7\u00e3o de muito respeito, ent\u00e3o \u00e9 por isso que acaba dando certo at\u00e9 para conciliar hor\u00e1rio, prioridades daquele momento, de qual banda vai focar, o que vai fazer\u2026 \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o muito madura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Tem o bom senso de entender quando \u00e9 o momento de cada banda. E a John [Di Lallo] tamb\u00e9m contribui bastante para isso, mesmo ela n\u00e3o sendo da Antiprisma. Ela sempre est\u00e1 ali e faz parte desse processo de certa forma. &#8220;O Enigma de Um Dia&#8221; \u00e9 um disco que eu tenho muito orgulho, \u00e9 um repert\u00f3rio muito bom ao vivo. Acho que a gente tem feito um show bem poderoso e a nossa amizade \u00e9 muito grande, por isso d\u00e1 certo ter duas bandas e n\u00e3o ter problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 que vai ficar a quest\u00e3o da Retrato agora que voc\u00eas v\u00e3o lan\u00e7ar o disco novo do Antiprisma? A Retrato vai dar um tempinho ou v\u00e3o ficar costurando show das duas bandas?<\/strong><br \/>\nElisa: As duas bandas seguem sempre em paralelo. Uma n\u00e3o precisa parar ou estacionar para a outra andar. Ent\u00e3o \u00e9 nessa concilia\u00e7\u00e3o sempre assim, costurando shows eventualmente quando tiver de uma ou de outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Eu acho que n\u00e3o vai mudar muita coisa n\u00e3o. Porque a gente come\u00e7ou ensaiando como Antiprisma as primeiras m\u00fasicas que gravamos nesse disco, e durante esse processo \u00e9 que eles nos convidaram para fazer parte da Retrato, que era uma vontade que eles tinham de ter essa banda. Ent\u00e3o desde o come\u00e7o a gente sabia que ia ter que conciliar. No come\u00e7o foi meio estranho a gente entender o que \u00e9 uma banda e o que \u00e9 a outra. Para mim pelo menos foi um processo diferente, mas tranquilo. Acho que n\u00e3o muda nada e quem sabe a gente fa\u00e7a shows por a\u00ed juntos em outras cidades ou at\u00e9 em S\u00e3o Paulo mesmo. \u00c9 sempre um prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez por terem come\u00e7ado como uma dupla ac\u00fastica, sempre tive a impress\u00e3o de que voc\u00eas procuram fazer as coisas do jeito de voc\u00eas, de forma bem pessoal e artesanal. Como voc\u00eas est\u00e3o enxergando o cen\u00e1rio independente p\u00f3s-pandemia?<\/strong><br \/>\nElisa: No p\u00f3s-pandemia a gente voltou meio que com a sensa\u00e7\u00e3o de que estar\u00edamos come\u00e7ando quase do zero de novo. Tateando de novo, conhecendo o cen\u00e1rio&#8230; Estou achando bem diferente de antes da pandemia, sabe? Mas ao mesmo tempo algumas coisas se mant\u00eam: o esp\u00edrito de &#8216;fa\u00e7a voc\u00ea mesmo&#8217;, essa vontade de que as coisas aconte\u00e7am e tal. Mas a gente ainda est\u00e1 entendendo como \u00e9 que est\u00e1 o cen\u00e1rio, pra saber como \u00e9 que a gente vai se colocar de novo nessa nova realidade \u2013 que n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o nova, se for ver \u2013 mas a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 nova ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Eu particularmente acho muito dif\u00edcil porque, como a Elisa disse, a gente j\u00e1 saiu da pandemia h\u00e1 uns anos, daquele v\u00f3rtex do absoluto nada, que estava todo mundo parado. Mas voltamos de um modo que muita coisa que a gente valorizava se perdeu e est\u00e1 tendo que se reinventar, tentar encontrar qual que \u00e9 o mote agora da galera que faz m\u00fasica independente. Estamos percebendo que ainda est\u00e1 sendo um processo entender o que que vai ser dessa cena, pelo menos aqui em S\u00e3o Paulo. Eu vejo que a gente ainda est\u00e1 experimentando, ver o que vai acontecer. Mas por outro lado, tem muita gente que est\u00e1 firme, atenta e estamos dispostos a dialogar com essas pessoas. Na verdade, quanto mais pessoas, melhor. Inclusive se a gente conseguisse abrir esse nicho independente de alguma forma e o tornasse mais abrangente, acho que seria muito positivo. Eu achava que no p\u00f3s-pandemia ia correr para isso, mas isso ainda n\u00e3o ocorreu. Mas tenho esperan\u00e7a de que isso vai ocorrer (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Isso \u00e9 um racioc\u00ednio meio anti-algor\u00edtmico (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Exatamente isso. A gente tem que come\u00e7ar a pensar por n\u00f3s mesmos e parar de pensar como o instagram ou sei l\u00e1 o que mais entregaria o seu conte\u00fado. Somos artistas e assim que \u00e9, sabe? \u00c9 muito importante que isso n\u00e3o saia da cabe\u00e7a de quem faz m\u00fasica e de quem est\u00e1 curtindo tamb\u00e9m.<\/p>\n<figure id=\"attachment_81866\" aria-describedby=\"caption-attachment-81866\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-81866\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Antiprisma_Fffront_02mar3-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Antiprisma_Fffront_02mar3-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Antiprisma_Fffront_02mar3-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-81866\" class=\"wp-caption-text\"><em>Antiprisma flagrado ao vivo no Fffront<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o nome do disco novo, qual \u00e9 a ideia por tr\u00e1s dele?<\/strong><br \/>\nElisa: O disco novo vai se chamar &#8220;Coisas de Verdade&#8221; e \u00e9 uma ideia que o pr\u00f3prio nome j\u00e1 diz: refor\u00e7ar essa import\u00e2ncia que a gente d\u00e1 para as coisas que s\u00e3o palp\u00e1veis e reais, as conex\u00f5es reais mesmo. E na situa\u00e7\u00e3o atual, a gente sente a necessidade desse refor\u00e7o cada vez mais&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Quando a gente come\u00e7ou a fazer o disco e vimos como ele estava ficando, veio essa ideia muito por conta dessa evolu\u00e7\u00e3o de dois ou tr\u00eas anos para c\u00e1 das m\u00eddias sociais, intelig\u00eancia artificial e tudo isso. A gente percebeu esse movimento da evolu\u00e7\u00e3o das coisas, da comunica\u00e7\u00e3o, da tecnologia e de lidar com isso. A gente est\u00e1 cada vez mais artificial e muitas vezes nem percebe o que est\u00e1 sentindo; s\u00f3 sentimos o que algoritmo mandou sentir ou manifestar. E por incr\u00edvel que pare\u00e7a, tem parecido muito revolucion\u00e1rio na minha cabe\u00e7a voc\u00ea ter uma banda de rock, gravar um som ao vivo e ter essa banda fazendo coisa org\u00e2nica falando de sentimentos e rela\u00e7\u00f5es bem humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: E s\u00e3o processos longos n\u00e9? Porque processos longos s\u00e3o quase artesanais e isso \u00e9 anti produtivo se voc\u00ea pensar na l\u00f3gica da velocidade atual. Porque p\u00f4, \u00e9 tempo de ensaio, tempo de composi\u00e7\u00e3o, \u00e9 tudo tempo. E se sabe que n\u00e3o vai ter necessariamente um retorno de tudo isso como se espera nos dias de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Nossos discos s\u00e3o assim: a gente faz no tempo que d\u00e1, sabe? A gente n\u00e3o contabiliza quanto tempo a gente vai usar. Quem sabe no pr\u00f3ximo fa\u00e7amos isso para n\u00e3o ficar doido, n\u00e9? Mas \u00e9 isso: &#8220;Coisas de Verdade&#8221; porque o disco realmente soa bem org\u00e2nico, bem verdadeiro. Tudo ali \u00e9 muito sincero, sem trend, sem subterf\u00fagios, sem querer agradar ningu\u00e9m. Se voc\u00ea gosta, gosta. Se n\u00e3o gosta, tudo bem, est\u00e1 tudo certo. Mas eu vou continuar sendo humano. Essa \u00e9 a minha escolha e espero que quem ou\u00e7a entenda que ali h\u00e1 um di\u00e1logo entre seres humanos e que vamos celebrar isso, porque acho que \u00e9 o que falta; a gente enaltecer isso e n\u00e3o a tecnologia ou sei l\u00e1 o qu\u00ea. O que isso tudo tem me trazido de bom nesse momento? Sinceramente \u00e9 uma coisa que eu acho que todo mundo deveria pensar um pouco, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas pensam em lan\u00e7ar clipes das m\u00fasicas do novo disco? Alguma coisa meio conceitual, tipo v\u00eddeos para todas as m\u00fasicas ou coisa assim?<\/strong><br \/>\nVictor: Olha, a gente \u00e9 doido pra fazer algo assim\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: J\u00e1 consideramos fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Mas por enquanto a certeza que temos \u00e9 que vai ter o clipe de &#8220;Vampiros&#8221; e um outro material com imagens da grava\u00e7\u00e3o, provavelmente um making off do disco e tamb\u00e9m com as sobras desse clipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: Estamos com bastante material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: S\u00f3 n\u00e3o sabemos direito como fazer e o tempo que a gente vai ter para fazer. Voc\u00ea sabe como \u00e9, ser uma banda independente \u00e9 desafiador, porque \u00e9 muita coisa que tem que pensar. Mas quando vemos o produto final, d\u00e1 um orgulho. Estamos a\u00ed de p\u00e9 h\u00e1 dez anos e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Passamos por muita coisa, tocamos em muito lugar, fizemos de tudo j\u00e1 e agora estamos buscando nos reinventar nesse sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisa: E tudo que fazemos al\u00e9m da m\u00fasica \u00e9 com esse intuito de ficar contente de fazer, de se expressar. N\u00e3o s\u00e3o como pe\u00e7as publicit\u00e1rias para divulga\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o usamos muito a l\u00f3gica mercadol\u00f3gica para lan\u00e7ar as coisas, sabe? Por isso que depois do disco lan\u00e7ado temos todo o tempo pra gente ver quais materiais a gente vai lan\u00e7ar em seguida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais v\u00e3o ser os pr\u00f3ximos passos da banda? Voc\u00eas t\u00eam mais shows marcados assim depois do lan\u00e7amento desse single?<\/strong><br \/>\nVictor: Bom, a gente est\u00e1 pensando em fazer um show para celebrar esse single. E estamos querendo fazer um show com um pessoal da literatura que \u00e9 uma ideia que a gente tem pensado j\u00e1 h\u00e1 muito tempo, de querer envolver a m\u00fasica independente com outras vertentes da arte. J\u00e1 fizemos isso no espet\u00e1culo Reflexvs com a Retrato e tamb\u00e9m o Psicomanto, mas algumas coisas que misturavam linguagens visuais. \u00c9 um caminho que pode ser que a gente escolha trilhar. Essa parte dos shows ainda est\u00e1 um pouco nebulosa, no sentido de saber se a gente vai seguir esse caminho ou se vamos fazer mais shows convencionais. Mas inclusive a gente est\u00e1 querendo fazer um circuito de shows em Minas Gerais, no Paran\u00e1 e Rio de Janeiro. Isso deve acontecer em breve. E quem estiver em S\u00e3o Paulo, que fique atento que logo logo deve aparecer um show do Antiprisma. E provavelmente ele ser\u00e1 diferente, especial. Espero que seja uma experi\u00eancia \u00fanica para quem estiver no evento e que curta essa mistura. Acho que \u00e9 importante ter esse di\u00e1logo com a literatura e tudo mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"S\u00e3o duas horas e est\u00e1 tudo bem\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O_5jbHmSNuM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em um bate-papo extenso em uma mesa de bar com o Scream &#038; Yell, Elisa e Victor revelaram mais sobre o single &#8220;Vampiros&#8221;, as participa\u00e7\u00f5es especiais do novo \u00e1lbum&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/05\/31\/entrevista-antiprisma-lanca-single-vampiros-e-numa-agradavel-conversa-de-mesa-de-bar-conta-detalhes-do-proximo-disco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":81867,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[856],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81860"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81860"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81860\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81873,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81860\/revisions\/81873"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}