{"id":81560,"date":"2024-05-09T01:45:14","date_gmt":"2024-05-09T04:45:14","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=81560"},"modified":"2025-04-11T09:51:27","modified_gmt":"2025-04-11T12:51:27","slug":"entrevista-maria-reis-lanca-novo-disco-solo-experimentando-a-viola-campanica-e-manifesta-desejo-de-voltar-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/05\/09\/entrevista-maria-reis-lanca-novo-disco-solo-experimentando-a-viola-campanica-e-manifesta-desejo-de-voltar-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Maria Reis lan\u00e7a novo disco solo experimentando a viola campani\u00e7a e conta do desejo de voltar ao Brasil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o de um novo \u00e1lbum de Maria Reis \u00e9 sempre um fato importante no panorama musical portugu\u00eas contempor\u00e2neo. O seu trajeto justifica-o e tem sido marcado por uma constante evolu\u00e7\u00e3o como cantora, compositora e performer, dotada de um particular sentido de irrever\u00eancia e inconformismo no relato da sua esfera pessoal e do espa\u00e7o que a rodeia. Quando vem ao meu encontro, de manh\u00e3, num caf\u00e9 do bairro lisboeta da Gra\u00e7a, a sua boa disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 um sinal do otimismo com que encara o seu disco mais recente, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/37bo0SqdntakjJTq2Q42YY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Suspiro<\/a>\u201d (2024), que seria lan\u00e7ado dentro de poucos dias (<a href=\"https:\/\/mariareis.bandcamp.com\/album\/suspiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com edi\u00e7\u00e3o em vinil pela Cafetra Records<\/a>). \u00c9 precisamente pelo significado do t\u00edtulo desse trabalho que come\u00e7amos a conversa. \u201cAcho que \u00e9 uma palavra e um gesto que pode ser usado em v\u00e1rias circunst\u00e2ncias. Uma pessoa pode fazer um suspiro de al\u00edvio, mas tamb\u00e9m suspira por estar apaixonada, magoada ou ansiosa. Dei esse nome ao \u00e1lbum porque \u00e9 um trabalho em que navego por v\u00e1rios estados de esp\u00edrito. Tal como eu e muita gente, somos uma montanha russa de emo\u00e7\u00f5es e considero que o suspiro atravessa essas fases emocionais de forma diferente\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu novo \u00e1lbum, Maria Reis, metade das Pega Monstro (sua banda com a irm\u00e3 J\u00falia), mant\u00e9m o tom direto e um encadeamento com a trilogia composta pelos discos \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/01\/29\/de-portugal-maria-reis-da-banda-pega-monstro-lanca-disco-solo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chove na Sala, \u00c1gua nos Olhos<\/a>\u201d (2019), \u201cA Flor da Urtiga\u201d (2021) e \u201cBenef\u00edcio da D\u00favida\u201d (2022). Para al\u00e9m do pop saltitante \u201cT-Shirt\u201d e do rock explosivo de \u201cMeta Data\u201d (dois pontos altos), Maria emprega um registro vocal mais expressivo nas m\u00fasicas \u201cFado do Salineiro\u201d e \u201cPico\u201d, tocadas na viola campani\u00e7a (tradicional do Alentejo), gerando maior amplitude musical. A faixa derradeira do \u00e1lbum, \u201cCoisas do Passado\u201d, particularmente interessante, assume a forma de um exerc\u00edcio de expurga\u00e7\u00e3o pontuado por uma toada insistente e cat\u00e1rtica. Relativamente \u00e0 can\u00e7\u00e3o, Maria Reis revela o verdadeiro prop\u00f3sito do seu lado c\u00e1ustico: \u201cCompus \u2018Coisas do Passado\u2019 a par da visita do Papa Francisco, durante o evento da Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa (2023). Sem outro tipo de coment\u00e1rio, houve um investimento explosivo estatal um bocado obsceno e foi a minha resposta a essa incoer\u00eancia pol\u00edtica e social. A m\u00fasica levanta quest\u00f5es sobre como se investe verdadeiramente o dinheiro e para quem ou em prol do qu\u00ea. Por isso, escrevi a can\u00e7\u00e3o para reagir ao que sucedeu, porque sou uma pessoa reativa (risos)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra caracter\u00edstica de \u201cSuspiro\u201d \u00e9 a sua maturidade l\u00edrica, fruto de uma viv\u00eancia plena e consequ\u00eancia \/ decorr\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o em mais shows, interpreta\u00e7\u00f5es e a assun\u00e7\u00e3o do perfeccionismo art\u00edstico. Pelo meio, Maria Reis revela uma vontade forte: \u201csintetizar melhor o que sinto e o que sou em formato can\u00e7\u00e3o\u201d, mas o seu ponto criativo permanece o mesmo de sempre ao longo do percurso. \u201cS\u00f3 continuo a tocar e a escrever can\u00e7\u00f5es porque ainda n\u00e3o sei nada ou n\u00e3o sei tudo. \u00c9 assim que navego. H\u00e1 uma linha de continuidade no trabalho solo e nas Pega Monstro. Vem tudo do mesmo lugar, do meu quarto e do tempo para mim. O s\u00edtio criativo, mental e espiritual \u00e9 id\u00eantico tal como a luz. Eu preservo muito esse lugar apesar de ir procurando outras coisas, mas esse espa\u00e7o \u00e9 intoc\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 outra maneira de dizer: \u00e9 a casa\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o v\u00e1rios os estados de esp\u00edrito retratados no disco, como o amor, a resigna\u00e7\u00e3o ou a supera\u00e7\u00e3o, mas o clipe de \u201cEstagna\u00e7\u00e3o\u201d concebido por Maria Reis e pelo jovem m\u00fasico e produtor Tom\u00e9 Silva, sugere um cen\u00e1rio distinto, na medida em que apresenta uma paisagem on\u00edrica onde o tempo parece suspender-se enquanto Maria caminha e salta ao longo do percurso. Sobre o \u00e2mago do v\u00eddeo, a artista lisboeta esclarece a sua orienta\u00e7\u00e3o: \u201cA can\u00e7\u00e3o fala de um estado depressivo em conversa com outra pessoa que n\u00e3o tem interesse em nada nem ningu\u00e9m. Nas imagens, procuramos descrever como \u00e9 que se visualiza a apatia e a in\u00e9rcia e se consegue cristalizar e formalizar aquilo que no fundo \u00e9 a depress\u00e3o e a estagna\u00e7\u00e3o. Visualmente, eu e Tom\u00e9 tamb\u00e9m quer\u00edamos puxar o lado on\u00edrico, porque quando te encontras nesse lugar est\u00e1s muito na tua cabe\u00e7a e no abstrato. \u00c9 um pensamento dominante, n\u00e3o est\u00e1s na terra ou em contato com nada e apenas no modo &#8216;cruising&#8217; e tent\u00e1mos transpor isso para imagens\u201d. No momento em que falamos, Maria Reis prepara-se para seis datas portuguesas de apresenta\u00e7\u00e3o de \u201cSuspiro\u201d, nas quais ir\u00e1 contar com Tom\u00e9 Silva na bateria e Francisco Couto (cujo projeto musical se chama Hifa) no baixo. \u201cSer\u00e1 um registo power trio, mais punk rock, na linha do disco, mas adaptado a este formato. Espero que o pessoal goste dos shows porque temos trabalhado nesse sentido\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Lisboa para o Brasil, Maria Reis conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Amor Serpente\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NN4tR5uN9aA?list=OLAK5uy_kKsKBN0lWSOT32nPcSBcGG6N6JqzM5fKg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu novo trabalho foi feito em colabora\u00e7\u00e3o com o m\u00fasico e produtor Tom\u00e9 Silva. Gostaria que me contasse um pouco sobre a concep\u00e7\u00e3o do disco, suas refer\u00eancias musicais e os objetivos que tinha em mente alcan\u00e7ar.<\/strong><br \/>\nEu tinha um conjunto de can\u00e7\u00f5es, queria grav\u00e1-las, mas ainda n\u00e3o sabia com quem ia fazer o trabalho. De certo modo, estava a considerar v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es e depois vi um v\u00eddeo do Tom\u00e9 Silva, que eu n\u00e3o conhecia na altura, em que ele tocava uma m\u00fasica minha (\u201cOdeio-te\u201d) na bateria. Fiquei impressionada e escutei um pouco mais o seu trabalho. De seguida, falei com um amigo que o conhecia e percebi que ele fazia a produ\u00e7\u00e3o das suas faixas, mas tamb\u00e9m estudava produ\u00e7\u00e3o musical na ESMAE (Escola Superior de M\u00fasica e Artes do Espet\u00e1culo, no Porto). Nessa noite, tive um sonho em que colaborava com o Tom\u00e9 e combinei com ele e um amigo s\u00f3 para nos conhecermos e entender a \u2018vibe\u2019. Depois de o conhecer percebi que ele era fixe (legal) e perguntei-lhe se ele queria produzir meu disco. Contei-lhe que tive um sonho e o Tom\u00e9 disse-me: \u201cN\u00e3o vais acreditar, mas tive o mesmo sonho\u201d, ou seja, h\u00e1 aqui uma ocorr\u00eancia espiritual qualquer que nos fez aproximar no contexto do \u00e1lbum. Eu n\u00e3o tinha grandes expectativas. Sabia apenas que com tudo o que tinha aprendido nos meus \u00faltimos tr\u00eas trabalhos, na grava\u00e7\u00e3o e nas ideias dos arranjos, pretendia sintetizar esses elementos e explorar outras coisas com estas 11 can\u00e7\u00f5es. Os meus discos anteriores, por serem EP\u00b4s, tinham menos faixas e neste \u00e1lbum havia a oportunidade de aprofundar mais os sons, as texturas e ter algo especial em cada uma das m\u00fasicas. Mas, focando-me sempre no conjunto formado por bateria, guitarra e baixo, porque isso faz parte da minha identidade que est\u00e1 ligada ao punk rock e \u00e0 cena formal de banda. \u00c9 um aspecto estrutural para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSuspiro\u201d aborda o pop, a m\u00fasica tradicional portuguesa, o rock, lo-fi e algumas faixas a meio g\u00e1s. Voc\u00ea apresentou este leque sonoro por ser um resumo das suas refer\u00eancias ou por se tratarem das correntes musicais com as quais se sente mais \u00e0 vontade?<\/strong><br \/>\nQuando fa\u00e7o uma m\u00fasica n\u00e3o penso que a vou edificar referenciando algo de que gosto ou acho interessante. Sou estimulada e inspirada por coisas que se calhar inconscientemente depois se materializam na forma como elaboro as can\u00e7\u00f5es. Acho que formalmente, e faz parte do meu trabalho, na melhor das hip\u00f3teses o objetivo \u00e9 ser cada vez melhor e mais criativa. Por vezes n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim quando existe aquele pensamento b\u00e1sico de que toda a m\u00fasica j\u00e1 foi feita. Mas, isso \u00e9 irrelevante e n\u00e3o interessa para nada, porque \u00e9 um lugar pouco estimulante enquanto pessoa criativa e n\u00e3o leva a lado nenhum. A ideia \u00e9 fazeres uma coisa que seja imaginativa para ti, porque um gesto criativo teu \u00e9 algo que te estimula e depois aos outros, se tudo correr bem. Sinto que aquilo que voc\u00ea referiu faz parte das minhas refer\u00eancias de sempre, como s\u00e3o os elementos ligados \u00e0 can\u00e7\u00e3o e \u00e0 crueza de tudo, n\u00e3o s\u00f3 esteticamente, mas tamb\u00e9m poeticamente. Sinto que sou mais ambiciosa porque tenho mais criatividade e t\u00e9cnica e isso traz-me um acr\u00e9scimo de imagina\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo que tamb\u00e9m me abre possibilidades de fazer coisas que ainda n\u00e3o fiz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria que me dissesse porque escolheu \u201cT-Shirt\u201d como primeiro single e me falasse do seu rasgo roqueiro particular de inconformismo (\u201cMeta Data\u201d).<\/strong><br \/>\n\u201cT-Shirt\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que salta e \u00e9 pulsante. Acaba por ser transversal, porque uma pessoa est\u00e1 ali saltitando e em termos l\u00edricos n\u00e3o \u00e9 necessariamente sobre mim. Trata-se de uma an\u00e1lise e de uma proposta de pensamento n\u00e3o tanto autobiogr\u00e1fica e \u00e9 algo que atravessa o disco. Eu queria que a primeira apresenta\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum n\u00e3o tivesse necessariamente a ver comigo, ou seja, que fosse do meu pensamento, mas n\u00e3o tanto referencial ou espec\u00edfica e fosse abrangente. Trata-se mais de uma an\u00e1lise cr\u00edtica e menos de um desabafo emocional. \u00c9 apenas uma primeira abordagem, porque depois o disco tem isso tudo. Gostei da sua interpreta\u00e7\u00e3o sobre \u201cMeta Data\u201d, porque foi uma can\u00e7\u00e3o que escrevi de rajada. Ela n\u00e3o tem necessariamente um coro, nem repete nenhum verso, por isso n\u00e3o h\u00e1 um refr\u00e3o formal. Apenas existe uma repeti\u00e7\u00e3o de acordes e liricamente trata-se de um fluxo de consci\u00eancia. Eu gosto de can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam refr\u00e3o e versos do tipo ABAB. \u00c9 algo cont\u00ednuo e essa rajada derivou do meu impulso criativo, mas tamb\u00e9m de um desabafo e an\u00e1lise interior que resultou nessa can\u00e7\u00e3o. Eu fiz a m\u00fasica na guitarra, mostrei-a ao Tom\u00e9 Silva e decidimos fazer uma abordagem \u00e0 moda antiga e elev\u00e1-la dessa forma. Essa faixa carrega em si muita energia e seria contradit\u00f3rio se esteticamente n\u00e3o fosse assim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maria Reis - T-Shirt\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NGx5luqYV0k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Est\u00e1 nos seus planos voltar a tocar no Brasil ou fazer uma parceria com um m\u00fasico brasileiro?<\/strong><br \/>\nAdoraria voltar ao Brasil. Isso \u00e9 um grande sonho. N\u00e3o vou mentir, mas neste momento \u00e9 muito dif\u00edcil concretizar investimentos maiores fora de Portugal. \u00c9 muito complicado devido ao contexto econ\u00f4mico estar um pouco ca\u00f3tico. Mas, espero muito que aconte\u00e7a e vou fazer por isso. O investimento que se est\u00e1 a fazer em Portugal e a ideia de apoios p\u00fablicos para a cultura ser\u00e1 muito pouco atrativa nos pr\u00f3ximos quatro anos. A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica afeta-nos a todos, infelizmente. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/01\/30\/balanco-do-pega-monstro-da-tour-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As Pega Monstro foram ao Brasil h\u00e1 quase 10 anos<\/a> e j\u00e1 se passou muita coisa. Por isso, desconhe\u00e7o qual \u00e9 o panorama no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo, que foram as cidades onde estivemos mais tempo, mas adoraria ir l\u00e1 de novo. Sinto que a liga\u00e7\u00e3o entre Brasil e Portugal ainda n\u00e3o est\u00e1 a fluir e as coisas n\u00e3o chegam c\u00e1 nem l\u00e1. Mas, a m\u00fasica brasileira passa mais em Portugal do que o inverso. Mesmo assim, podia haver mais envolv\u00eancia. Tem que se trabalhar mais e cabe-nos a n\u00f3s como m\u00fasicos e tamb\u00e9m a voc\u00eas como jornalistas e aos consumidores de m\u00fasica essa tarefa. No SoundCloud escuto muito e gosto imenso do DJ RaMeMes. Ele faz funk hardcore, esteve recentemente em Portugal e \u00e9 \u201cfora da caixa\u201d. Mas, ao n\u00edvel de can\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe sei indicar um nome, porque o circuito independente carioca e paulista n\u00e3o aparece por c\u00e1 e era interessante escutar esses trabalhos. O Tim Bernardes \u00e9 grande em Portugal e se calhar n\u00e3o tanto no Brasil, mas isso n\u00e3o \u00e9 comum. N\u00e3o d\u00e1 para fazer uma analogia porque o Brasil tem uma produ\u00e7\u00e3o musical superior \u00e0 nossa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81568\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/3.-Maria-Reis_credits-Tome-Silva-copiar-3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/3.-Maria-Reis_credits-Tome-Silva-copiar-3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/3.-Maria-Reis_credits-Tome-Silva-copiar-3-300x186.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antev\u00ea a possibilidade das Pega Monstro lan\u00e7arem um novo disco ou fazerem mais shows no futuro pr\u00f3ximo?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s temos atuado em diferentes registros. Recentemente, tocamos as duas no Theatre de La Ville, em Paris, num show de celebra\u00e7\u00e3o do 25 de Abril, e a J\u00falia tem tocado pandeiro. Ela ficou entusiasmada com o instrumento depois do nascimento da primeira filha. Neste momento, em termos log\u00edsticos, \u00e9 muito mais f\u00e1cil ela tocar pandeiro do que uma bateria completa, principalmente pelas crian\u00e7as. O interesse pelo instrumento surgiu depois de ver uns v\u00eddeos numa p\u00e1gina do Instagram que ela segue, de m\u00fasicos brasileiros. Acho que a J\u00falia at\u00e9 pediu dicas a um indiv\u00edduo em particular. Por isso, dedicou-se ao pandeiro e no meu trabalho anterior, \u201cBenef\u00edcio da D\u00favida\u201d (2022), n\u00f3s colaboramos as duas e iremos continuar a fazer m\u00fasica. N\u00e3o nos interessa muito a ideia de uma reuni\u00e3o ou celebrar o passado. H\u00e1 pouco tempo nas Damas (sala de concertos lisboeta) tocamos \u201cAm\u00eandoa Amarga\u201d num registro com pandeiro e viola campani\u00e7a. Estamos sempre a avan\u00e7ar e a perceber o que queremos fazer e \u00e9 poss\u00edvel realizar dentro das limita\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e da gest\u00e3o do tempo. Formalmente, as pessoas gostam da ideia de um regresso, uma reuni\u00e3o ou o festejo dos 10 anos do grupo. Nunca me agradou esse saudosismo, porque isso parece uma ideia do passado. O verdadeiro trabalho \u00e9 o \u00b4work in progress\u00b4 e podem acontecer comemora\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas, como por exemplo de um \u00e1lbum. No show das Damas tamb\u00e9m tocamos uma m\u00fasica do primeiro disco, porque vamos l\u00e1 parar. O importante \u00e9 celebrar o que fazemos e sempre fizemos que s\u00e3o as can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a sua maior ambi\u00e7\u00e3o enquanto cantora, compositora e performer?<\/strong><br \/>\n\u00c9 algo que est\u00e1 sempre em constru\u00e7\u00e3o e oscila\u00e7\u00e3o. Neste momento, a ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 que o disco seja bem sucedido na medida em que as pessoas o ouvem. Por vezes \u00e9 dif\u00edcil agarrar a aten\u00e7\u00e3o delas. Nos tempos atuais, com tanta informa\u00e7\u00e3o e no contexto econ\u00f4mico e social em que nos encontramos, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil despertar a curiosidade e fazer as pessoas escutarem o \u00e1lbum, que \u00e9 o mais importante. A \u00fanica raz\u00e3o pela qual eu lan\u00e7o um trabalho \u00e9 para ser ouvido e n\u00e3o por uma quest\u00e3o de frui\u00e7\u00e3o pessoal. O que me d\u00e1 gozo \u00e9 saber o que as pessoas acham do disco e qual \u00e9 a can\u00e7\u00e3o de que gostam mais. Para mim, a maior gratifica\u00e7\u00e3o enquanto m\u00fasica e compositora \u00e9 ouvir o feedback do p\u00fablico. \u00c9 importante que se relacionem com aquilo, tenham alguma coisa a dizer e consigam perder tempo para escutar o trabalho. Quando digo perder espero que seja ganh\u00e1-lo (sorriso). Essa \u00e9 a minha maior ambi\u00e7\u00e3o. A ideia das pessoas mostrarem aos amigos o meu \u00e1lbum e partilharem os fones, criando rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas com a m\u00fasica, \u00e9 o aspecto mais gratificante. Em termos pessoais, gostaria de conseguir tocar muitas vezes fora de Portugal. Quando as Pega Monstro eram editadas pelo selo londrino Upset The Rhythm a ponte ficava mais facilitada. Eu gostava de voltar a\u00ed, porque a par de compor e gravar fazer estrada \u00e9 uma das minhas coisas preferidas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maria Reis - Estagna\u00e7\u00e3o\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5V-mI4zTLh4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maria Reis - Benef\u00edcio da D\u00favida\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ddeR5h2Dgi4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maria Reis - Ol\u00edvia\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7n-lucLSMLM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga&nbsp;<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O seu trajeto tem sido marcado por uma constante evolu\u00e7\u00e3o como cantora, compositora e performer, dotada de um particular sentido de irrever\u00eancia e inconformismo&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/05\/09\/entrevista-maria-reis-lanca-novo-disco-solo-experimentando-a-viola-campanica-e-manifesta-desejo-de-voltar-ao-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":81570,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4189,1634,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81560"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81560"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81560\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81585,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81560\/revisions\/81585"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}