{"id":8135,"date":"2011-03-03T22:30:50","date_gmt":"2011-03-04T01:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8135"},"modified":"2021-03-02T14:49:29","modified_gmt":"2021-03-02T17:49:29","slug":"15-anos-sem-mamonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/03\/15-anos-sem-mamonas\/","title":{"rendered":"1996\/2011: 15 anos sem Mamonas Assassinas"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>O nosso work \u00e9 play\u00e1<br \/>\np<\/strong><strong>or <a href=\"http:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o, \u201cCreuzebek\u201d, diga r\u00e1pido: o que vem \u00e0 sua cabe\u00e7a quando se fala em Mamonas Assassinas? Uma resposta plaus\u00edvel seria lembrar-se de uma banda que se vestia de presidi\u00e1rio e de Chapolin nos programas dominicais da televis\u00e3o, dos muitos trocadilhos e da maneira absurda e irracional como o grupo chegou ao fim, em mar\u00e7o de 1996. Pois agora olhe bem o calend\u00e1rio: sim, exatamente, faz 15 anos que Dinho &amp; Cia. faleceram em um desastre de avi\u00e3o na Serra da Cantareira. Feito um cometa, a ascens\u00e3o e a queda da banda ainda assombram por sua rapidez e pela maneira como atingiu n\u00e3o s\u00f3 determinados ouvintes, mas a todo o pa\u00eds, em todas as faixas et\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como todo fen\u00f4meno musical de amplo alcance e dura\u00e7\u00e3o breve, por assim dizer, n\u00e3o basta apenas apontar uma ou duas raz\u00f5es para tanto sucesso. Pode-se argumentar que \u00e9 uma mistura de muito talento, um pouco de sincronicidade e alguma sorte com a conjuntura social-econ\u00f4mica do pa\u00eds naquele momento. Pra quem fugiu das aulas de hist\u00f3ria no Ensino M\u00e9dio \u2013 ou, no caso dos mais velhos, esteve em Marte nos anos 90 \u2013, vale a recapitula\u00e7\u00e3o: \u00e0 \u00e9poca do lan\u00e7amento do primeiro disco da banda de Guarulhos, pela primeira vez em vinte (ou seriam trinta? cinq\u00fcenta?) o pa\u00eds vivia uma onda de bonan\u00e7a econ\u00f4mica. Tudo isso gra\u00e7as ao Plano Real, que impulsionou o consumo de uma classe m\u00e9dia dormente desde a fal\u00eancia do Plano Cruzado II, no final de 1986. Assim, produtos e servi\u00e7os anteriormente tidos como sup\u00e9rfluos (congelados, frango, iogurte, CDs) acabaram sendo largamente consumidos por esse estamento social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Mamonas (Dinho, vocais; Bento Hinoto, guitarra e viol\u00e3o; J\u00falio Rasec, teclados; Samuel Reoli, baixo; e S\u00e9rgio Reoli, bateria) acabaram por pegar carona nesse momento: a vendagem de seu disco de estr\u00e9ia ultrapassou os 3 milh\u00f5es de c\u00f3pias vendidas e muito do clima do \u00e1lbum \u00e9 concebido nesse &#8220;zeitgeist&#8221;, como a refer\u00eancia \u00e0 Bras\u00edlia amarela \u2013 um carro velho, que se assemelha a uma carro\u00e7a, mas \u00e9 o que podia ser comprado pelos brasileiros. Pelo menos duas m\u00fasicas retratam com maior especificidade o que acontecia nesse sentido na \u00e9poca: &#8220;Chopis Centis&#8221; \u00e9 a marca dessa gera\u00e7\u00e3o deslumbrada com a possibilidade de ter eletrodom\u00e9sticos e ir ao cinema, nem que seja pagando isso tudo em presta\u00e7\u00f5es a perder de vista (&#8220;a felicidade \u00e9 um credi\u00e1rio nas Casas Bahia&#8221;). J\u00e1 &#8220;1406&#8221;, por sua vez, exibe os sonhos materiais desse mesmo pessoal, que parecem simplesmente n\u00e3o ter fim (&#8220;Mas a pior de todas \u00e9 minha mulher\/Tudo o que ela olha a desgra\u00e7ada quer\/Televis\u00e3o, microondas, micro system\/Microsc\u00f3pio, limpa-vidro, limpa-chifre\/Facas ginsu&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto que conta a favor dos Mamonas \u00e9 o fato de suas m\u00fasicas, apesar de serem marcadas por determinadas refer\u00eancias locais (em especial, o litoral paulista), poderem ser compreendidas nacionalmente sem grandes problemas. \u00c9 como se &#8220;Pelados em Santos&#8221; pudesse ser situada em Florian\u00f3polis, Ipanema ou Jericoacoara e ainda assim n\u00e3o haveria qualquer preju\u00edzo de entendimento para o ouvinte. Ou ainda &#8220;Jumento Celestino&#8221;, que apesar do humor, toca o problema da migra\u00e7\u00e3o de maneira muito perspicaz. Isso sem falar em determinadas can\u00e7\u00f5es que j\u00e1 partem de premissas universais, como &#8220;Uma Arlinda Mulher&#8221;, &#8220;Mundo Animal&#8221; ou &#8220;Bois Don&#8217;t Cry&#8221;. Al\u00e9m disso, \u00e9 not\u00e1vel o esfor\u00e7o (talvez involunt\u00e1rio) da banda em captar a linguagem popular, criando um exemplo vivaz de &#8220;varia\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica&#8221;, algo que foi feito t\u00e3o bem anteriormente por mestres como Adoniran Barbosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel dizer que a obra dos Mamonas cont\u00e9m camadas de aprecia\u00e7\u00e3o. Feito uma metralhadora, suas can\u00e7\u00f5es disparam refer\u00eancias sem cessar: The Cure, Jerry Adriani, Henry Mancini, Roberto Leal, mitologia grega, matem\u00e1tica b\u00e1sica, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, ditados populares, o nascente pagode da \u00e9poca, Sepultura, Tit\u00e3s&#8230; a lista \u00e9 imensa. Observando dessa maneira, dois coment\u00e1rios se fazem necess\u00e1rios: \u00e9 de impressionar o conhecimento animalesco dos clich\u00eas e s\u00edmbolos do rock pelo grupo (tanto musicalmente quanto esteticamente); e \u00e9 \u00f3bvio que quanto mais se compreende tais men\u00e7\u00f5es, mais saborosas se tornam as id\u00e9ias do conjunto capitaneado por Dinho. Pra n\u00e3o comentar a beleza de achados &#8220;po\u00e9ticos&#8221; como &#8220;Eu n\u00e3o vejo a hora de descer dos andaime\/Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger\/E tamb\u00e9m o Van Damme&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fus\u00e3o de g\u00eaneros tamb\u00e9m \u00e9 algo a ser destacado em \u201cMamonas Assassinas\u201d, o disco. Misturar forr\u00f3, pagod\u00e3o, m\u00fasica de roda, death metal, baladas sentimentais bregas e punk rock tudo num mesmo disco poderia soar indigesto. Cabe aqui mais uma vez um elogio \u00e0 versatilidade da banda, mas n\u00e3o s\u00f3 isso: \u00e9 de se destacar a m\u00e3o de Rick Bonadio (sim, ele j\u00e1 fez coisas realmente geniais) na produ\u00e7\u00e3o, capaz de unificar todo essa salada musical e ainda dar identidade \u00e0 banda, como se fosse poss\u00edvel ouvir uma can\u00e7\u00e3o e dizer: &#8220;ah, isso aqui \u00e9 Mamonas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, talvez pensar em tudo isso seja s\u00f3 racionalizar algo que muitos ouviram e simplesmente gostaram. Mas ap\u00f3s quinze anos, o que foi feito de sua obra? A ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, em um primeiro momento, procurou substituir sua galinha dos ovos de ouro lan\u00e7ando mil c\u00f3pias dos Mamonas, das quais as mais memor\u00e1veis seriam Baba C\u00f3smica (os &#8220;irrespons\u00e1veis&#8221; por &#8220;S\u00e1bado de Sol&#8221;) e Virgul\u00f3ides (aqueles do &#8220;eu acho que o bagulho \u00e9 de quem t\u00e1 de p\u00e9&#8221;). Como o leitor mais atento pode perceber, trata-se de uma linhagem que diretamente n\u00e3o gerou herdeiros, similares ou evolu\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 poss\u00edvel que tenha contribu\u00eddo para um status ainda maior de &#8220;lenda&#8221; do conjunto, capaz de conquistar f\u00e3s que nasceram depois de sua morte. Mas seria irracional dizer que a imortalidade da banda se deve s\u00f3 a isso. Trata-se de um trabalho genial, express\u00e3o de uma \u00e9poca que ficou para tr\u00e1s, ainda que um tanto quanto subestimado por p\u00fablico e cr\u00edtica hoje em dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea l\u00ea este texto, provavelmente j\u00e1 ouviu o disco dos Mamonas uma d\u00fazia de vezes, pelo menos. Tal como um velho amigo (ou os brinquedos da trilogia Toy Story, pra comparar com outro s\u00edmbolo dos anos 90) ele est\u00e1 l\u00e1, \u00e0 espera, ainda cheio de velhas e boas hist\u00f3rias pra contar. Assim como Andy, voc\u00ea provavelmente amadureceu, conheceu outras bandas e passou por outras experi\u00eancias. Esse texto se encerra com uma sugest\u00e3o a voc\u00ea, leitor: aproveite a ocasi\u00e3o pra ouvir esse disco de novo. N\u00e3o simplesmente porque parece que voc\u00ea vai entend\u00ea-lo melhor ou pra relembrar os velhos tempos. Ou\u00e7a esse disco por voc\u00ea.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mamonas Assassinas - Passagem de Som Antes do Show em Curitiba (09\/1995)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X95tA2uzfJc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mamonas Assassinas - Pelados Em Santos\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Nz7101ulkK0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mamonas Assassinas -  A Famosa Entrevista no Programa do J\u00f4 (resolu\u00e7\u00e3o baixa)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YCAAdKTtrzE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Bruno Capelas \u00e9 estudante de jornalismo e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pergunte ao Pop<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Olhe bem o calend\u00e1rio: faz 15 anos que Dinho &#038; Cia. faleceram em um desastre de avi\u00e3o. Que tal ouvi-los&#8230; mais uma vez?\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/03\/15-anos-sem-mamonas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":60264,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5068],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8135"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8135"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60270,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8135\/revisions\/60270"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}