{"id":81341,"date":"2024-04-29T16:44:56","date_gmt":"2024-04-29T19:44:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=81341"},"modified":"2024-05-29T23:23:05","modified_gmt":"2024-05-30T02:23:05","slug":"musica-em-dark-matter-pearl-jam-equilibra-varios-acertos-com-momentos-menos-criativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/29\/musica-em-dark-matter-pearl-jam-equilibra-varios-acertos-com-momentos-menos-criativos\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Em \u201cDark Matter\u201d, Pearl Jam equilibra v\u00e1rios acertos com momentos menos criativos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais estranho que possa parecer, o Pearl Jam \u00e9, at\u00e9 hoje, a mais singular de todas as bandas surgidas em sua gera\u00e7\u00e3o. Basta tomar consci\u00eancia de que o disco tido por muitos como seu melhor, \u201cVitalogy\u201d (1994), completa 30 anos de seu lan\u00e7amento original em 2024. Em retrospecto, este tamb\u00e9m pode ser considerado o disco no qual o Pearl Jam solidificou as bases que os conduziriam pelo resto da carreira \u2013 estamos falando, afinal, de um \u00e1lbum que teve a aud\u00e1cia de juntar verdadeiros cl\u00e1ssicos do quinteto de Seattle, como \u201cNot For You\u201d e \u201cCorduroy\u201d, com p\u00e9rolas experimentais como a esquisita e desnorteante \u201cBugs\u201d. Por\u00e9m, mais al\u00e9m, \u201cVitalogy\u201d se mostra o ponto final da primeira etapa da banda (sendo precedido pelos cl\u00e1ssicos \u201cTen\u201d e \u201cVs.\u201d, de 1991 e 1993, respectivamente), e acabou dando lugar a uma nova faceta do grupo, que se perderia de si mesmo ao longo dos discos lan\u00e7ados at\u00e9 o fim dos anos 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensar em tudo isso faz com que o processo de audi\u00e7\u00e3o de \u201cDark Matter\u201d (2024), mais novo \u00e1lbum dos caras, traga consigo uma infindade de surpresas, mas tamb\u00e9m uma carga enorme de reflex\u00e3o. O hiato que separa o novo trabalho de seu \u00faltimo disco de in\u00e9ditas, \u201cGigaton\u201d (2020) \u2013 quatro anos \u2013 pode n\u00e3o ser t\u00e3o extenso quanto o per\u00edodo que se imp\u00f5s entre este e seu antecessor, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/17\/musica-lightning-bolt-pearl-jam\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lightning Bolt\u201d<\/a> (2013), mas analisar os tr\u00eas em conjunto revela bastante sobre o processo adotado por Eddie Vedder (voz, guitarra), Stone Gossard (guitarra), Jeff Ament (baixo), Mike McReady (guitarra) e Matt Cameron (bateria) ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. O \u00e1lbum lan\u00e7ado no ano da pandemia mostrava um grupo de m\u00fasicos tentando, ainda que muitas vezes com pouca confian\u00e7a, variar sua paleta sonora no esfor\u00e7o de mostrar vitalidade e relev\u00e2ncia num mundo onde poucas bandas de rock angariavam tanta aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e da cr\u00edtica com fervor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boa not\u00edcia, assim, \u00e9 que, em \u201cDark Matter\u201d, a banda descobre n\u00e3o precisar ir t\u00e3o longe para se mostrar afiada e confiante. O d\u00e9cimo-segundo \u00e1lbum de est\u00fadio dos grupo (o quarto lan\u00e7ado por meio de sua pr\u00f3pria gravadora, Monkeywrench Records) foi gravado ao longo de 2023 sob a batuta do jovem produtor Andrew Watt \u2013 o mesmo respons\u00e1vel por dar um requinte de modernidade, ainda que calculadamente sujo o suficiente, a trabalhos recentes de veteranos como Ozzy Osbourne e Rolling Stones&#8230; al\u00e9m de ter cuidado da produ\u00e7\u00e3o do recente disco solo de Vedder, \u201cEarthling\u201d. A presen\u00e7a de Watt, no est\u00fadio, j\u00e1 indicavam o proverbial clich\u00ea do \u201cretorno \u00e0 boa forma\u201d. Principalmente em compara\u00e7\u00e3o com as sess\u00f5es que conceberam o (divisivo) trabalho anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro single \u2013 a faixa-t\u00edtulo \u2013 realmente faz jus a expectativa de uma sonoridade mais org\u00e2nica, por\u00e9m n\u00e3o antiquada. O resultado fica em algum lugar entre os momentos mais raivosos de \u201cYield\u201d (1998) e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/20\/bunnymen-wilco-e-pearl-jam\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os pontos mais memor\u00e1veis de \u201cBackspacer\u201d<\/a> (2009), com a pot\u00eancia quase virtuose de Matt Cameron duelando com um empolgante desempenho de Vedder nos vocais. De maneira coerente, os mesmos dois elementos se fazem protagonistas da primeira faixa, a mais corrida \u201cScared Of Fear\u201d, apesar de a dupla de guitarras de Stone Gossard e Mike McReady disputar seu merecido espa\u00e7o. J\u00e1 Jeff Ament se faz mais presente, em seus marcantes graves, na tamb\u00e9m acelerada e politizada \u201cReact, Respond\u201d, na qual o vocalista questiona se \u201cEstamos em guerra uns contra os outros?\/ Voc\u00ea est\u00e1 em guerra contra voc\u00ea mesmo?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tend\u00eancia reflexiva continua na bonita, por\u00e9m menos marcante \u201cWreckage\u201d, que tamb\u00e9m serviu como o terceiro single do novo disco. J\u00e1 \u201cWon\u2019t Tell\u201d \u00e9 muito mais recompensadora em suas melodias de seis cordas, bem como em seus acr\u00e9scimos de teclados, que harmonizam, et\u00e9reos, nos refr\u00e3os. Ali\u00e1s, os mesmos teclados \u2013 cortesia, inclusive, do convidado e ex-Chili Pepper Josh Klinghoffer \u2013 s\u00e3o a arma secreta da atmosf\u00e9rica \u201cUpper Hand\u201d, que lembra, ainda que de longe, os momentos mais experimentais de \u201cBinaural\u201d (2000). \u00c9 um choque quando colocada lado-a-lado com as faixas seguintes, a mais tradicional \u201cWaiting For Stevie\u201d (cujo t\u00edtulo, de acordo com o pr\u00f3prio Eddie Vedder, \u00e9 uma refer\u00eancia a Stevie Wonder) e o segundo single, a boa \u201cRunning\u201d, que pode ser a j\u00f3ia oculta no repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSomething Special\u201d inicia a trinca que fecha o trabalho, com Cameron conduzindo ritmos que remontam ao pop sessentista (uma impress\u00e3o auxiliada pelos backing vocals que tomam conta da faixa nos refr\u00e3os). \u00c9 uma tentativa de inova\u00e7\u00e3o que, infelizmente, acaba decepcionando um pouco por soar menos confiante. Muito melhor prestar aten\u00e7\u00e3o em cada detalhe sutil do viol\u00e3o de cordas de a\u00e7o que conduz \u201cGot To Give\u201d, que poderia facilmente ser trocada de lugar com a derradeira \u201cSetting Sun\u201d, que inova por usar percuss\u00e3o menos comum ao mesmo tempo que n\u00e3o deixa a sonoridade ac\u00fastica de lado. Ambas s\u00e3o claramente feitas da mesma ambi\u00e7\u00e3o em mostrar maturidade e vitalidade, e ajudam a concluir o disco de forma mais equilibrada \u2013 ou, pelo menos, mais espont\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta dicotomia entre reconhecer a pr\u00f3pria longevidade e buscar a relev\u00e2ncia (ou, ao menos, exibir a vitalidade ainda existente) h\u00e1 muito alimentam a jornada do Pearl Jam, \u00e0 medida que seus novos lan\u00e7amentos se tornam mais bissextos apesar de a banda nunca se distanciar de seu p\u00fablico, tocando ao vivo exaustivamente e, desde sempre, fazendo de seus shows <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/15\/pearl-jam-brasil-tour-2011\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma experi\u00eancia antol\u00f3gica<\/a>. Aqueles dispostos a testemunhar o quinteto em seu habitat natural \u2013 o palco \u2013 devem se surpreender com a for\u00e7a das novas can\u00e7\u00f5es junto ao repert\u00f3rio j\u00e1 cristalizado no imagin\u00e1rio popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDark Matter\u201d consegue equilibrar v\u00e1rios acertos (que n\u00e3o chegam a ser estratosf\u00e9ricos) apesar de momentos menos criativos e que, paradoxalmente, mostram cansa\u00e7o na tentativa de soar mais contempor\u00e2neo (embora n\u00e3o estraguem a experi\u00eancia). Longe de serem os rapazes combativos do in\u00edcio de carreira, ou os austeros experientes nos quais se transmutaram no in\u00edcio do novo s\u00e9culo, o Pearl Jam agora parece atravessar uma nova fase, na qual mostram gra\u00e7a ao abra\u00e7ar seu legado e celebrar sua jornada fazendo o que sempre fizeram: bons discos. Feliz o tempo no qual isso bastava para fazer de um artista, ou grupo, digno da aten\u00e7\u00e3o de tantos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dark Matter\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_ltWvB2Aqnf32SbAI0fhvx8l5O87oruvS0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia outros textos de Davi aqui.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cDark Matter\u201d consegue equilibrar v\u00e1rios acertos e momentos menos criativo que, paradoxalmente, mostram cansa\u00e7o na tentativa de soar mais contempor\u00e2neo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/29\/musica-em-dark-matter-pearl-jam-equilibra-varios-acertos-com-momentos-menos-criativos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":81347,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2570,266],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81341"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81341"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81341\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81763,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81341\/revisions\/81763"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81347"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}