{"id":81325,"date":"2024-04-28T23:40:43","date_gmt":"2024-04-29T02:40:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=81325"},"modified":"2024-05-21T02:26:47","modified_gmt":"2024-05-21T05:26:47","slug":"leo-bigode-e-leonardo-razuk-falam-sobre-os-30-anos-do-goiania-noise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/28\/leo-bigode-e-leonardo-razuk-falam-sobre-os-30-anos-do-goiania-noise\/","title":{"rendered":"Entrevista: L\u00e9o Bigode e Leonardo Razuk falam sobre os 30 anos do Goi\u00e2nia Noise"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">30 anos de um festival que s\u00f3 n\u00e3o aconteceu de forma ininterrupta porque houve uma pandemia mundial no meio do caminho. Mesmo assim, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/goianianoisefestival\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Goi\u00e2nia Noise<\/a> \u00e9 um dos mais longevos festivais de m\u00e9dio porte em atividade no Brasil. Mais importante que isso, \u00e9 um festival que ajudou a projetar a cena local para o restante do pa\u00eds, al\u00e9m de ter funcionado como formador de p\u00fablico e criador de uma cultura de produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deixa de ser altamente profissional, apesar de ser independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, \u201cprofissional\u201d \u00e9 um adjetivo burocr\u00e1tico e que n\u00e3o faz jus ao festival. \u00c9 not\u00f3ria a regularidade na qualidade de som, independentemente do festival ser realizado em espa\u00e7os maiores ou menores \u2013 quem frequenta shows ou festivais sabe que essa \u00e9 uma fa\u00e7anha rara. Al\u00e9m disso, existe uma representatividade cultural que poucos festivais do Brasil conseguem oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2024, o festival realizou sua 28\u00aa edi\u00e7\u00e3o no Centro Cultural Oscar Niemeyer. Foram <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/13\/goiania-noise-festival-2024-dia-1-entre-cliches-fusoes-e-muito-stoner-veteranas-devotos-e-nacao-zumbi-se-destacam\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">40 bandas em dois palcos, durante tr\u00eas dias<\/a> (12 a 14 de abril), um n\u00famero muito superior \u00e0s 14 bandas da primeira edi\u00e7\u00e3o, 13 delas locais. Al\u00e9m delas, havia um terceiro palco para bandas iniciantes no meio da Esplanada da Cultura. A m\u00fasica era o mote e a raz\u00e3o de ser do festival, como sempre havia sido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do nome, o festival nunca foi um reduto exclusivo do som pesado. \u00c9 bem verdade que o Goi\u00e2nia Noise pode colocar nomes do metal extremo em posi\u00e7\u00f5es de destaque na grade de shows, como aconteceu com Krisiun e Nervosa neste ano. Mas os organizadores jamais viram o festival como uma dieta restritiva de riffs e guitarras altas: edi\u00e7\u00f5es anteriores j\u00e1 contaram com nomes como Hermeto Pascoal, Odair Jos\u00e9, Marcelo Camelo, Frank Jorge, Gerson King Combo, Black Alien, Pato Fu e muitos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, L\u00e9o Bigode, Leonardo Razuk e Toshi Kimura \u2013 os tr\u00eas nomes a frente do Noise, atualmente \u2013 veem o festival como um projeto em constante evolu\u00e7\u00e3o. O Scream &amp; Yell aproveitou a presen\u00e7a na mais recente edi\u00e7\u00e3o do evento para fazer uma breve recapitula\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e, principalmente, entender o que um festival que traz diversidade musical representa nesse cen\u00e1rio de bolhas est\u00e9ticas e microidentit\u00e1rias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81328\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/noise1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"784\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/noise1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/noise1-287x300.jpg 287w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com tanto tempo de estrada, \u00e9 razo\u00e1vel supor que voc\u00eas tomaram v\u00e1rios tombos&#8230;<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: \u00d4! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que sustenta a vontade de continuar com esse projeto de longo prazo, apesar dos preju\u00edzos, das eventuais dificuldades de p\u00fablico e outras coisas?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: \u00c9 uma coisa de acreditar demais numa paix\u00e3o. Foge da l\u00f3gica e do pragmatismo do business mesmo, porque se fosse por isso, ter\u00edamos deixado para tr\u00e1s e parado de fazer. Pela paix\u00e3o, vem essa insist\u00eancia de querer persistir. A resili\u00eancia \u00e9 o que move a gente. Por mais que tenhamos tomado v\u00e1rios tombos, seguimos em frente. No tempo das vacas magras, aprendemos a respirar para tentar nos reerguermos e nos reinventarmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 30 anos, a cena mudou muito. A movimenta\u00e7\u00e3o das bandas, a rela\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com elas e com os eventos: tudo \u00e9 diferente do que era h\u00e1 30, 20 ou 10 anos. Como voc\u00eas t\u00eam tentado se adaptar a isso, mas ao mesmo tempo preservar a identidade do festival, que \u00e9 de funcionar como vitrine de coisa nova, de n\u00e3o ser s\u00f3 uma oportunidade de neg\u00f3cios para bandas consagradas?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: Isso \u00e9 muito peculiar da cena de Goi\u00e2nia, o circuito de p\u00fablico que temos aqui sempre foi muito receptivo. Isso desde o come\u00e7o dos anos 1990. Quando as pessoas de fora vinham para c\u00e1, a galera [local] sempre pirou. A galera curte, para pra ver show, consome os discos e o material promocional das bandas. Isso \u00e9 uma coisa do goiano, ele sabe ser receptivo, caloroso, e a gente s\u00f3 se incorporou nisso. Pra gente, o lance de colocar banda nova e abrir espa\u00e7os para elas \u00e9 meio que um dos itens conceituais b\u00e1sicos do festival. \u00c9 e sempre foi a nossa inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas dois s\u00e3o indissoci\u00e1veis \u00e0 Monstro Discos. Embora o selo de fato seja um dos realizadores do festival, ele n\u00e3o \u00e9 uma vitrine de voc\u00eas. Imagino que n\u00e3o deva ser f\u00e1cil equilibrar isso dentro do pr\u00f3prio elenco da Monstro.<\/strong><br \/>\nLeonardo Razuk: Isso \u00e9 dif\u00edcil, cara. O cast da Monstro est\u00e1 muito focado em Goi\u00e2nia ainda, ent\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o complicadas. Esse ano mesmo a gente teve problemas com bandas que acham que v\u00e3o tocar, e o que a gente faz nesses casos \u00e9 deixar muito claro para eles que o selo \u00e9 uma coisa e o festival \u00e9 outra. O festival tem que primar por quem est\u00e1 produzindo, n\u00e3o basta ser do selo. Por isso, a gente d\u00e1 muito esse toque nas bandas: \u00f3, cara, faz coisa nova a\u00ed, a banda est\u00e1 parada, corre atr\u00e1s, grava alguma coisa, arruma um show. Se precisar, a gente ajuda a dar um rol\u00ea em outros Estados, pra banda se manter ativa e garantir seu espa\u00e7o aqui no festival. Se fosse s\u00f3 estar no selo para tocar no festival, a gente faria um festival da Monstro, e nem teria espa\u00e7o para outros artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o Bigode: E tem um neg\u00f3cio curioso, cara: \u00e9 doido demais que, nesses 30 anos, o Noise catalisa a cena! Sempre comento isso: vai chegando perto da data, as bandas est\u00e3o lan\u00e7ando coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: Exato. Se o festival \u00e9 em novembro, em agosto o pessoal j\u00e1 est\u00e1 preparando alguma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o Bigode: Se a gente analisar hoje a linha do tempo, d\u00e1 para observar que, nos per\u00edodos mais pertos de chegar o festival, os est\u00fadios t\u00eam mais movimento, tem ilustrador, fot\u00f3grafo, pessoal gr\u00e1fico, todo mundo trabalhando para sair material. Sem saber e sem querer, a gente fez funcionar a cena local, e isso \u00e9 muito louco! A gente sempre briga na hora de curar por causa disso, porque um monte de gente quer lan\u00e7ar disco na data do Noise (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas veem renova\u00e7\u00e3o de cena na produ\u00e7\u00e3o? Tem um novo L\u00e9o Bigode, um novo L\u00e9o Razuk, para voc\u00eas fazerem uma passagem de bast\u00e3o?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: P\u00f4, essa pergunta \u00e9 dif\u00edcil!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: Acho que \u00e9 o final mesmo (os dois riem). Se pegar aqui em Goi\u00e2nia, quem est\u00e1 produzindo coisa \u00e9 o Jo\u00e3o Lucas, o pessoal do Vaca Amarela, mas tamb\u00e9m \u00e9 gente que j\u00e1 tem estrada, tem uma longa hist\u00f3ria. Eu n\u00e3o sei se tem outras pessoas produzindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o Bigode. Acho que new Generation mesmo, algu\u00e9m em carreira solo [de produ\u00e7\u00e3o] aqui em Goi\u00e2nia n\u00e3o tem. Em outras pra\u00e7as eu tenho observado isso, mas aqui n\u00e3o, pelo menos n\u00e3o no nosso segmento. Em outros segmentos culturais, sim: tem galera nova nas artes visuais, no grafite, mas na m\u00fasica em si, n\u00e3o. A galera do Shiva, que \u00e9 um bar mais indie daqui, tem feito algumas coisas por l\u00e1, mas \u00e9 bar, n\u00e3o festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Razuk: Mas olha, lembrei agora (ri), pelo menos em termos de bandas, aqui \u00e9 tipo um est\u00e1dio: o cara toca aqui (aponta para o palco dos iniciantes) num ano, toca ali (aponta para o palco da Esplanada) no outro) no outro, e depois est\u00e1 tocando l\u00e1 (aponta para o Pal\u00e1cio da M\u00fasica).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma coisa que se v\u00ea hoje nos festivais \u00e9 que muitos deles giram mais em torno da marca do patrocinador, das ativa\u00e7\u00f5es de marketing, do que da m\u00fasica em si. Outros tantos giram em torno de uma pauta identit\u00e1ria, e a curadoria se orienta a partir da\u00ed, e n\u00e3o da m\u00fasica. Seja pelo marketing, seja pela causa, a curadoria acontece a partir deles, e a m\u00fasica muitas vezes \u00e9 secund\u00e1ria. No Noise, n\u00e3o. O festival tem seus patrocinadores, e as causas aparecem, mas a m\u00fasica define a curadoria, \u00e9 o prop\u00f3sito e a raz\u00e3o de ser do festival.<\/strong><br \/>\nL\u00e9o Bigode: Esse \u00e9 um dos desafios. Nos festivais maiores, o que a gente v\u00ea \u00e9 a tal da \u201cexperi\u00eancia\u201d, a m\u00fasica definitivamente n\u00e3o est\u00e1 em primeiro plano. A gente luta contra isso, luta para vencer isso todo ano. \u00c9 uma das coisas fundamentais para a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de anos ouvindo o papo de que \u201co rock morreu\u201d, agora o discurso mudou: muita gente do meio fala que o rock virou um nicho, tal qual o jazz era antes dele. S\u00f3 que o rock sempre se prop\u00f4s ser pop, falar com mais gente. Diante disso, voc\u00eas acham que ainda faz sentido pensar em eventos de rock com uma aspira\u00e7\u00e3o mais mainstream, ou isso \u00e9 bobagem?<\/strong><br \/>\nLeonardo Razuk: Acho que \u00e9 cada vez mais nicho, sim, mas ao mesmo tempo, acho que o rock est\u00e1 se moldando para outras coisas. Olha a Letrux, por exemplo: o show dela \u00e9 super rock\u2019n\u2019roll, mesmo a m\u00fasica n\u00e3o sendo t\u00e3o rock assim. No caso do Noise, acredito que ele vai ficar sempre desse tamanho aqui. Teve uma \u00e9poca que a gente chegou a pensar que ele poderia ser maior, e a gente n\u00e3o se deu muito bem. Acho que sempre vai ser um festival para 4 mil, 5 mil pessoas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Devotos - Nosso Ninho @ Goi\u00e2nia Noise Festival, Goi\u00e2nia - 13\/04\/24\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5MU0G_63LXM?list=PL6gBQKY5zwa0X-arc2XDjtp_CmeS3VJZP\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos mais longevos festivais de m\u00e9dio porte em atividade no Brasil, o Noise \u00e9 um festival que ajudou a projetar a cena local para o restante do pa\u00eds\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/28\/leo-bigode-e-leonardo-razuk-falam-sobre-os-30-anos-do-goiania-noise\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":81327,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[289],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81325"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81325"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81325\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81330,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81325\/revisions\/81330"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}