{"id":813,"date":"2009-02-15T20:21:44","date_gmt":"2009-02-15T23:21:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=813"},"modified":"2016-09-27T08:33:45","modified_gmt":"2016-09-27T11:33:45","slug":"o-retorno-dos-fabulosos-cadillacs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/15\/o-retorno-dos-fabulosos-cadillacs\/","title":{"rendered":"O retorno dos Fabulosos Cadillacs"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-814\" title=\"losfabulosos_ritmo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/losfabulosos_ritmo.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/losfabulosos_ritmo.jpg 460w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/losfabulosos_ritmo-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/losfabulosos_ritmo-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Leonardo Vinhas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando saiu an\u00fancio oficial do regresso dos Fabulosos Cadillacs, no in\u00edcio do ano passado, o primeiro pensamento foi: &#8220;N\u00e3o vai prestar&#8221;. Essa hist\u00f3ria de retorno \u2013 ainda mais com disco novo \u2013 costuma ser um requentado de emo\u00e7\u00f5es, uma tentativa oca de reviver algo que foi belo ou divertido e j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais, motivado exclusivamente pela grana f\u00e1cil. Corte para novembro de 2008. Chega \u00e0s lojas o disco &#8220;La Luz del Ritmo&#8221; e o preconceito cai por terra. Mesmo com o susto da faixa-t\u00edtulo que abre o disco, uma exagerada macumba latina pra gringo ouvir em hotel tr\u00eas estrelas de fronteira, o disco \u00e9 \u00f3timo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, o que acontece? Quem s\u00e3o os Fabulosos Cadillacs e como eles conseguem ter pompa suficiente para fazer uma turn\u00ea de retorno onde cada show concentra sem dificuldade mais de 60 mil pessoas, passando por v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, Espanha e EUA? E, principalmente, como eles conseguiram ser a \u00fanica banda a n\u00e3o queimar o filme na febre da grana f\u00e1cil dos comebacks?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por partes: os Cadillacs foram (s\u00e3o) uma das maiores bandas do rock em l\u00edngua espanhola. Formada por amigos que gostavam de rugby, literatura e ska em Buenos Aires,1984, lan\u00e7aram no ano seguinte seu primeiro disco, &#8220;Bares y Fondas&#8221;, no qual predominava o ritmo jamaicano com energia roqueira, mas j\u00e1 se podia antecipar o am\u00e1lgama que faria a fama da banda na d\u00e9cada seguinte. Sim, eles estavam no topo da onda da &#8220;mistureba&#8221; que caracterizou a d\u00e9cada anterior, adicionando ritmos como salsa, mambo e calipso ao seu coquetel \u00e0 base de Red Hot Chili Peppers, Mano Negra e reggae.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7aram a incursionar pelo jazz a partir de 1998, e deixaram pelo menos dois discos essenciais antes de seu fim em 2003: &#8220;Rey Az\u00facar&#8221; (1995) e &#8220;La Marcha del Golazo Solitario&#8221; (1999). Quase todos os integrantes seguiram no meio musical, e nenhum deles fora mal sucedido em suas carreiras \u2013 o vocalista Gabriel &#8220;Vicentico&#8221; Capello, em especial, lotava est\u00e1dios e ocupava FMs coms os hits de seus tr\u00eas discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calha que em 2006, a forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da banda (menos o trombonista Fernando Albareda e o guitarrista An\u00edbal Rigozzi) se re\u00fane para gravar uma \u00fanica faixa, &#8220;La Parte de Adelante&#8221;, em um disco-tributo ao compositor Andr\u00e9s Calamaro. O resultado ficou excelente e, sim, todo mundo come\u00e7ou a perguntar se, quem sabe, eles n\u00e3o voltariam&#8230; &#8220;Precisamos de amor e tempo, nessa ordem&#8221;, declarou ent\u00e3o o saxofonista Sergio Rotman.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece que descolaram os dois. &#8220;La Luz del Ritmo&#8221; soa como um disco feito sem pressa, com aten\u00e7\u00e3o intensa aos arranjos, timbres e melodias. Para jogar seguro, combinaram releituras, covers e faixas novas. \u00c9 verdade que os covers (&#8220;Wake Up and Make Love With Me&#8221;, de Ian Dury, e &#8220;Should I Stay or Should I Go? &#8220;, de voc\u00eas-sabem-quem) n\u00e3o acrescentam nem comprometem, mas os temas novos comprovam o que Rotman j\u00e1 havia antecipado em 2006: &#8220;Se nos reunirmos, certamente soaremos como uma mistura de todos os nossos projetos p\u00f3s-Cadillacs&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o esp\u00edrito de menestrel rom\u00e2ntico de Vicentico convive bem com as fixa\u00e7\u00f5es p\u00f3s-punk do baixista Flavio Ciancirulo, com a paix\u00e3o pela m\u00fasica jamaicana de Rotman, com a pegada roqueira do baterista Fernando Ricciardi e com o apre\u00e7o por um instrumental elaborado nutrido pelo tecladista Mario Siperman. Essa soma de ingredientes faz com que nas\u00e7am hits de primeira audi\u00e7\u00e3o, como o quase-surf rock &#8220;El Fin del Amor&#8221;, a balada &#8220;Hoy&#8221;, o irresist\u00edvel funk sandinista &#8220;Flores&#8221; e o rock &#8220;Nosotros Ego\u00edstas&#8221;, em que Flavio e Vicentico dividem os vocais para homenagear o percussionista Toto Rotblat, falecido pouco antes de come\u00e7arem os ensaios para a grava\u00e7\u00e3o do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E contrariando o princ\u00edpio de n\u00e3o mexer em time que se ganha, as releituras englobaram hits em vers\u00f5es que em nada lembram os originais de sucesso. &#8220;Mal Bicho&#8221;, o cl\u00e1ssico-mor de &#8220;Rey Az\u00facar&#8221;, aparece aqui num clima escandalosamente blaxploitation, com riff picado de metais, \u00f3rg\u00e3os na cara, scratches e percuss\u00e3o sacana. Ser\u00e1 exagero dizer que supera a original? Ou\u00e7a as duas e divirta-se tentando concluir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Padre Nuestro&#8221;, outrora um dub \u00e0 cubana, vem aqui como uma <em>cumbia villera<\/em> (o equivalente ao ax\u00e9, em termos de aceita\u00e7\u00e3o popular) e divide opini\u00f5es, mas &#8220;Basta de Llamarme As\u00ed&#8221;, &#8220;Muy, Muy Temprano&#8221; e &#8220;El Genio del Dub&#8221; ganham suas vers\u00f5es definitivas. Clich\u00ea? Bem, uma vez mais: ou\u00e7a os originais para comprovar que as novas vers\u00f5es est\u00e3o melhor resolvidas, em especial &#8220;Basta&#8230;&#8221;. Outra recria\u00e7\u00e3o, &#8220;Los Condenaditos&#8221;, fecha o disco, desconstruindo o batuque \u00e0 New Orleans de 1999 para virar uma esp\u00e9cie de trip f\u00fanebre e psicod\u00e9lica, algo como um funeral <em>criollo<\/em> levado numa boa viagem de \u00e1cido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sucesso (art\u00edstico e comercial, j\u00e1 que em menos de dois meses rendeu um disco de platina) desse \u00e1lbum pode ser explicado por essa resenha? Nem a pau. Talvez \u2013 \u00e9 bem poss\u00edvel \u2013 que m\u00fasica, por mais que seja vendida e comercializada como &#8220;produto&#8221; dentro de uma &#8220;ind\u00fastria&#8221;, \u00e9 uma coisa que vem da alma mesmo, que pode ser conseguida atrav\u00e9s de esfor\u00e7os de &#8220;amor e tempo&#8221;. E talento. Agora mesmo, enquanto esse texto termina, &#8220;Hoy&#8221; ressoa pelo quarto e a trama entre metais e a guitarra criolla emociona (e muito). Amor e tempo, <em>hay que tenerlos<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando saiu an\u00fancio oficial do regresso dos Fabulosos Cadillacs, no in\u00edcio do ano passado, o primeiro pensamento foi: &#8220;N\u00e3o vai prestar&#8221;. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/15\/o-retorno-dos-fabulosos-cadillacs\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45,1281],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/813"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=813"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/813\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40452,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/813\/revisions\/40452"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}