{"id":81273,"date":"2024-04-25T00:05:00","date_gmt":"2024-04-25T03:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=81273"},"modified":"2024-07-29T01:04:30","modified_gmt":"2024-07-29T04:04:30","slug":"entrevista-nao-me-contento-com-o-nicho-diz-papisa-que-esta-lancando-o-album-solar-amor-delirio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/25\/entrevista-nao-me-contento-com-o-nicho-diz-papisa-que-esta-lancando-o-album-solar-amor-delirio\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;N\u00e3o me contento com o nicho&#8221;, diz Papisa, que est\u00e1 lan\u00e7ando o \u00e1lbum solar &#8220;Amor Del\u00edrio&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando foi fazer seu projeto musical solo, Rita Oliva escolheu apresentar-se sob a alcunha de Papisa. Apesar de a palavra ter m\u00faltiplos significados, Rita inspirou-se principalmente na mitologia do Tarot, como ela explica nessa entrevista. O curioso \u00e9 que a papisa tar\u00f3tica \u00e9 representada por uma mulher que se reveste de um manto que a protege da curiosidade profana. Se em \u201cFenda\u201d (2019), seu \u00e1lbum de estreia,A essa imagem descrevia perfeitamente sua m\u00fasica algo cr\u00edptica e sombria, em \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/papisaamordelirio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amor Del\u00edrio<\/a>\u201d (2024), o novo lan\u00e7amento, ela deixa o manto cair, n\u00e3o para desnudar-se, mas para deixar as pessoas se atra\u00edrem pela curiosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o pr\u00f3prio t\u00edtulo sugere, \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/papisaamordelirio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amor Del\u00edrio<\/a>\u201d \u00e9 um disco afetuoso e solar. N\u00e3o t\u00e3o delirante no sentido literal da palavra, visto que n\u00e3o h\u00e1 picos emocionais nem uma lisergia pesada. Mas certamente diferente do que a musicista e compositora vinha apresentando at\u00e9 ent\u00e3o, trazendo inten\u00e7\u00f5es mais pop e letras mais diretas. Essa sonoridade nasce da inten\u00e7\u00e3o confessa de Rita parar de \u201cfalar s\u00f3 com a bolha\u201d, mas tamb\u00e9m de uma vontade enorme de voltar a sentir a vida pulsar depois do duro per\u00edodo de reclus\u00e3o pand\u00eamica que todos vivemos. Nasce, ainda, da parceria com o m\u00fasico e produtor Felipe Puperi, que est\u00e1 \u00e0 frente do Tagua Tagua.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-81279 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/papisa2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/papisa2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/papisa2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/papisa2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o bem e para o mal, \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/papisaamordelirio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amor Del\u00edrio<\/a>\u201d tem semelhan\u00e7as com o trabalho de Puperi. Digamos que quem n\u00e3o gosta da sonoridade de psicodelia pop \u00e0 brasileira pode ter dificuldades em deixar \u201cAmor Del\u00edrio\u201d repousar nos ouvidos. Mas Papisa tem a sua magia de deixar boa parte da sua identidade e de suas refer\u00eancias intactas, conferindo mais personalidade ao \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses dois lados podem ser experimentados em dois dos tr\u00eas singles que precederam o \u00e1lbum. A faixa-t\u00edtulo, de \u00f3tima letra, tem todas as caracter\u00edsticas que j\u00e1 soam algo viciadas nessa est\u00e9tica contempor\u00e2nea: o beat \u00e0 Tame Impala no refr\u00e3o, o feat obrigat\u00f3rio (no caso, com Luiza Lian), os efeitos e distor\u00e7\u00f5es nas vozes. J\u00e1 \u201cMelhor Assim\u201d \u00e9 uma preciosidade, onde as refer\u00eancias pop s\u00e3o filtradas por influ\u00eancias do indie contempor\u00e2neo, e valorizadas pelo talento de Puperi na produ\u00e7\u00e3o. Cabe ainda destacar a masteriza\u00e7\u00e3o de Brian Lucey, respons\u00e1vel pelos trabalhos de Black Keys (entre eles os megassucessos \u201cBrothers\u201d e \u201cEl Camino\u201d), Lizzo e Cage The Elephant.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do \u00e1lbum, esses dois lados de Rita supracitados v\u00e3o surgindo e coexistindo, com maior protagonismo ora para um, ora para outro. Ao final de algumas audi\u00e7\u00f5es, \u00e9 percept\u00edvel que Papisa mudou e est\u00e1 em busca de mais luz, seja para iluminar a pr\u00f3pria vida, seja para trazer mais aten\u00e7\u00e3o ao seu trabalho. Vale acompanha-la nessa busca, e \u00e9 por isso que o Scream &amp; Yell abriu a c\u00e2mera para falar com ela numa das tardes quentes de abril.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Amor Del\u00edrio\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mGFNpZDWVrMYJw4XOS2Ov7nakhRZ4_Ikc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De alguma forma, a psicodelia sempre esteve presente no seu trabalho. O \u201cFenda\u201d n\u00e3o \u00e9 um disco diretamente psicod\u00e9lico, mas tinha sua pr\u00f3pria viagem, ainda que sombria. Esse disco \u00e9 muito mais solar e traz um lado lis\u00e9rgico mais consoante com isso, as melodias t\u00eam mais espa\u00e7os entre si. Foi um movimento natural, embalado pela produ\u00e7\u00e3o do Felipe [Puperi], ou foi algo mais inconsciente?<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 um disco muito mais solar, sim. Eu estava at\u00e9 organizando alguns materiais que falavam justamente sobre tudo no disco ter um fundinho de sol, mesmo quando tem melancolia. E foi uma decis\u00e3o consciente, desde a composi\u00e7\u00e3o. \u201cFenda\u201d foi um disco muito denso. E logo depois que lancei, fechou tudo por causa da pandemia, e acho que todos n\u00f3s ca\u00edmos naquela densidade. Fiquei em um momento de luto pela pandemia \u2013 pelo mundo inteiro, pela m\u00fasica que tinha parado. Depois disso, percebi que eu queria realmente a m\u00fasica como um recurso para trazer encantamento para a vida, trazer sol, e foi essa a minha busca. Come\u00e7ou com uma inten\u00e7\u00e3o antes das composi\u00e7\u00f5es, e isso acabou refletindo desde os acordes maiores at\u00e9 a escolha por can\u00e7\u00f5es em vez de m\u00fasicas mais m\u00e2ntricas. O \u201cFenda\u201d foi mais tens\u00e3o do que composi\u00e7\u00e3o, e foi feito em um processo muito solit\u00e1rio. Pro \u201cAmor Del\u00edrio\u201d, a produ\u00e7\u00e3o conta muito para dar essa leveza, porque j\u00e1 foi um processo muito leve e gostoso. A gente alugou uma casa em S\u00e3o Francisco Xavier, teve um trabalho pr\u00e9vio de sele\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas que envolveu o Felipe tamb\u00e9m, ent\u00e3o ele tem parte grande nisso. Fomos eu, a Al\u00ea [Alejandra Luciani], que j\u00e1 trabalhava comigo, o Felipe, o Joj\u00f4 e o Leo [Mattos], que s\u00e3o do Tagua Tagua tamb\u00e9m. O processo de grava\u00e7\u00e3o em si foi muito mais de banda, com todo mundo junto. Teve muita alegria durante esses dias na casa que a gente alugou, e acho que essa leveza, essa fluidez, v\u00e3o acabar chegando no palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra mudan\u00e7a grande \u00e9 como a sua voz entra nessas can\u00e7\u00f5es. Est\u00e1 um canto mais caloroso, mais aberto. O \u201cFenda\u201d era mais sussurrado, mais grave \u2013 mais m\u00e2ntrico, como voc\u00ea disse.<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea tem raz\u00e3o quando voc\u00ea diz que o \u201cFenda\u201d era em tons mais graves, porque eu quis conscientemente colocar isso no disco, at\u00e9 por ele estar num lugar um pouco mais aterrado e menos expansivo para mim. Era mais introspectivo. Mas n\u00e3o pensei nessa quest\u00e3o no \u201cAmor Del\u00edrio\u201d, concentrei mais nas can\u00e7\u00f5es mesmo. Mas sinto tamb\u00e9m essa abertura da voz, e consigo entender o que voc\u00ea t\u00e1 falando. Isso se deve, eu acho, \u00e0s pr\u00f3prias composi\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m a eu priorizar as composi\u00e7\u00f5es [do ponto vista musical] acima da mensagem. Eu estava muito interessada na m\u00fasica, na melodia, nas harmonias. Mas o lugar da voz mudou, sim, e preciso reconhecer o trabalho do Felipe nisso tamb\u00e9m, porque ele me instigou muito a levar a voz para um lugar diferente, foi algo que ele trabalhou bastante na produ\u00e7\u00e3o, e isso para mim foi interessante, porque eu estava acostumada a me gravar sozinha, decidir tudo sozinha, ent\u00e3o meio que ficava s\u00f3 a minha vis\u00e3o de dentro, n\u00e9? Acho que, talvez por eu ter usado justamente uma refer\u00eancia de fora, falando para ir por um lado ou outro, isso me permitiu levar a voz para outro lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A turn\u00ea do \u201cFenda\u201d foi abortada pela pandemia. Esse disco j\u00e1 foi feito em clima de banda, a forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 consolidada. Como vai ser a transposi\u00e7\u00e3o dele para os palcos?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 est\u00e1 sendo (risos). Acabei de voltar de uma turn\u00ea pelos Estados Unidos, a gente fez sete shows com a forma\u00e7\u00e3o que gravou o disco. Minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 continuar com todo mundo, porque s\u00e3o os m\u00fasicos que estiveram muito dentro da grava\u00e7\u00e3o do \u201cAmor Del\u00edrio\u201d, tem o sotaque deles nos instrumentos, e a gente est\u00e1 integrado. Talvez tenha que ter um ajuste ou outro dependendo da data, porque eles tamb\u00e9m tocam bastante por a\u00ed como Tagua Tagua. \u00c9 um grande desafio hoje para qualquer artista independente conseguir manter a forma\u00e7\u00e3o, porque as pessoas acabam tocando com muita gente, mas a minha ideia \u00e9 manter.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PAPISA - Amor Del\u00edrio feat. Luiza Lian (videoclipe)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dw-9x2RkOBM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tocou no South by Southwest. Todos os artistas do Brasil e da Am\u00e9rica Latina que tocaram<\/strong><strong> por l\u00e1 com quem conversei disseram que a experi\u00eancia do SxSw \u00e9 ao mesmo tempo enriquecedora e frustrante, porque \u00e9 um evento enorme, e acontece uma dilui\u00e7\u00e3o gigantesca dos palcos pela quantidade de atra\u00e7\u00f5es. Alguns deles relataram ter um sentimento de auto engano por estarem tocando num espa\u00e7o diminuto para pouca gente. Por outro lado, tem o imagin\u00e1rio que envolve o evento e tem um espa\u00e7o muito grande para conviver com outros artistas, o que acaba criando n\u00e3o s\u00f3 networking mas viv\u00eancias pessoais muito marcantes. Foi parecido para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nOlha, entendo bastante o lado da frustra\u00e7\u00e3o. \u00c9 a minha segunda vez no SxSw: fui em 2018 solo e agora com a banda. Existe sim, essa dilui\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma grande loucura em que tem muita gente e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Dessa vez foi mais intenso ainda, porque a gente era duas bandas que compartilhavam os integrantes [Papisa e Tagua Tagua], foram muitos showcases, mas eu vejo o South by Southwest como uma grande porta para outras coisas, como a troca com outros artistas e com as pessoas da ind\u00fastria. Ir com a cabe\u00e7a de que seu show vai ser muito legal pode trazer frustra\u00e7\u00e3o. Dessa vez, foi mais interessante para mim do que na primeira: consegui tocar mais, fiz shows mais relevantes, fiz o show case do El Sonido, da KEXP, que foi transmitido no site oficial do festival, ent\u00e3o tive muito mais destaque do que da primeira vez. Mas n\u00e3o foi nada planejado: duas semanas antes recebi o convite, e s\u00f3 isso j\u00e1 fez valer a pena. Mas n\u00e3o d\u00e1 para saber antecipadamente como vai ser, principalmente em termos de p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ind\u00fastria musical de hoje, podemos dizer que at\u00e9 o mainstream \u00e9 um nicho. Mesmo quem \u00e9 estourado parece conversar apenas com um determinado p\u00fablico, e fica dif\u00edcil para um artista pequeno ou de m\u00e9dio porte sair da bolha: ele acaba tocando para os mesmos tipos de pessoas, nos mesmos tipos de evento, circulando as mesmas ideias. Voc\u00ea tem a preocupa\u00e7\u00e3o de romper essa bolha que, querendo ou n\u00e3o, \u00e9 aquela na qual voc\u00ea est\u00e1 inserida?<\/strong><br \/>\nNossa, isso seria um sonho! Eu n\u00e3o me contento com o nicho, com essa bolha que se retroalimenta, eu tenho pavor disso! A m\u00fasica \u00e9 meu trabalho, ela est\u00e1 aqui para ser ouvida. Eu n\u00e3o quero ficar alimentando um grupo seleto de pessoas. Acho que isso \u00e9 uma romantiza\u00e7\u00e3o errada desse universo que vem do underground, essa mentalidade de \u201cai, eu gosto da artista pequenininha\u201d. Isso \u00e9 uma grande besteira, porque os m\u00fasicos est\u00e3o trabalhando com isso, e eu pelo menos quero mais \u00e9 que o meu trabalho se expanda. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m \u00e9 um grande desafio sair disso, \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir espa\u00e7os maiores. A minha ideia de ir para fora passa por isso, inclusive, por essa inten\u00e7\u00e3o de querer expandir e chegar em mais gente. Sei que \u00e9 uma movimenta\u00e7\u00e3o nichada tamb\u00e9m, mas existe gente atenta ao que est\u00e1 acontecendo l\u00e1 fora. Ent\u00e3o essa \u00e9 uma das estrat\u00e9gias que eu uso. Meu primeiro disco foi muito experimental e era realmente nichado, mas dessa vez juntei for\u00e7a com mais cabe\u00e7as pensando justamente no que fazer para que a m\u00fasica fosse mais acess\u00edvel. O come\u00e7o est\u00e1 a\u00ed: tornar a m\u00fasica um pouco mais acess\u00edvel, obviamente n\u00e3o saindo do que eu gosto, do que eu amo. S\u00f3 que eu tamb\u00e9m gosto de m\u00fasica pop, coisas que s\u00e3o fora da minha bolha. Reconhe\u00e7o que minha m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pop, eu estou num caminho intermedi\u00e1rio, mas acho extremamente importante o pensamento de expans\u00e3o. Ele faz parte da minha estrat\u00e9gia tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu particularmente achei bastante pop, pelo menos nos sentido mais cancioneiro. Claro, pop dentro da sua identidade, mas a impress\u00e3o que a audi\u00e7\u00e3o do disco d\u00e1 \u00e9 que voc\u00ea quis mesmo descomplicar.<\/strong><br \/>\nTeve uma quest\u00e3o para mim de estudar as t\u00e9cnicas de composi\u00e7\u00e3o. Eu tava meio perdida antes de fazer esse disco. Eu sabia que eu queria voltar com o trabalho, porque a trilha do \u201cFenda\u201d foi interrompida no meio e aquilo foi um baque. Mas a partir do momento que eu percebi que eu queria voltar a trabalhar, sabia que para isso eu precisaria de um outro disco, e fui estudar composi\u00e7\u00e3o, analisar a estrutura das m\u00fasicas numa tentativa de melhorar o que componho. O que mais me instiga na cria\u00e7\u00e3o \u00e9 poder sempre aprimorar e ir para um outro lugar e me desenvolver. Eu fiz planilha \u2013 eu sou bem detalhista quando eu vou atr\u00e1s das coisas (risos) \u2013fiz planilha com as minhas m\u00fasicas antigas e classifiquei-as em crit\u00e9rios: tem contraste aqui, n\u00e3o tem contraste ali&#8230; Assim eu fui entendendo o meu processo, e a partir disso, naturalmente fui entrando nas minhas composi\u00e7\u00f5es novas. Inclusive algumas can\u00e7\u00f5es foram feitas como um exerc\u00edcio de composi\u00e7\u00e3o, frutos de um esfor\u00e7o consciente de fazer m\u00fasicas fortes. Eu queria m\u00fasicas que realmente se conectassem com as pessoas, ou que as pessoas se conectassem com elas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PAPISA - Melhor Assim (Visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/okANLwHmlW8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nisso, voc\u00ea sente que tem afinidade est\u00e9tica com alguns de seus contempor\u00e2neos? Artistas com quem voc\u00ea dialoga em termos musicais?<\/strong><br \/>\nVejo mais fora do Brasil do que dentro, embora aqui eu tenha v\u00e1rias refer\u00eancias, s\u00f3 que elas n\u00e3o est\u00e3o necessariamente fora da bolha. Acho que dialogo com essa est\u00e9tica dream pop e indie rock. Eu poderia citar essas mais novas, como o TOPS, o Crumb&#8230; N\u00e3o acho que minha m\u00fasica est\u00e1 musicalmente aparentada com a dessas bandas, mas sim que \u00e9 um universo criado com o qual eu me identifico. Tenho grandes refer\u00eancias em Joni Mitchell, Carole King, que s\u00e3o minhas grandes inspira\u00e7\u00f5es e que t\u00eam esse lado mais cancioneiro. Esteticamente, me baseio bastante nessas d\u00e9cadas \u2013 1960, 1970 \u2013 mas tem coisas dos anos 1990 das quais pego um pouco emprestado, tipo Stereolab, e tamb\u00e9m essa onda dream pop que veio com o Cocteau Twins nos anos 1980. E n\u00e3o sou s\u00f3 eu, tem bastante artista bebendo disso, ent\u00e3o a gente acaba entrando nesse conjunto de refer\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a gente encerrar, queria falar sobre o nome que voc\u00ea escolheu para o projeto. \u201cPapisa\u201d \u00e9 uma palavra que traz m\u00faltiplos significados, traz provoca\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m. Considerando essa mudan\u00e7a de sonoridade e de postura, o nome acaba ganhando novos sentidos?<\/strong><br \/>\nVejo sim, porque ele realmente estava muito conectado com o meu primeiro processo. O primeiro disco era muito m\u00edstico, e o nome simboliza um arcano do Tarot. Esse disco \u00e9 bem mais mundano, e eu gosto muito da ideia mundana (ri) da Papisa tamb\u00e9m, que \u00e9 uma imagem de uma mulher forte, que se basta em si. N\u00e3o que eu me coloque nessa imagem, mas ela me inspira, e a gente acaba criando a partir disso. Na parte visual do trabalho, a gente trouxe tamb\u00e9m uma figura mais arquet\u00edpica para criar todos os elementos, fomos buscar na dama de copas essa coisa que aparece no \u201cAlice no Pa\u00eds das Maravilhas\u201d como uma mulher mais maluca e que na mitologia do Tarot tem outra ideia, uma coisa mais de Helena de Troia, no sentido de uma mulher que segue o sentimento. O nome vai se transformado, mas sempre carrega uma for\u00e7a feminina muito grande, e isso me inspira.<\/p>\n<p>\u00a0<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-81281 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/papisa3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/papisa3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/papisa3-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. As fotos s\u00e3o de Julia Mataruna \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como o pr\u00f3prio t\u00edtulo sugere, \u201cAmor Del\u00edrio\u201d \u00e9 um disco afetuoso e solar. 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