{"id":8122,"date":"2011-03-01T19:19:48","date_gmt":"2011-03-01T22:19:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8122"},"modified":"2016-09-10T10:15:15","modified_gmt":"2016-09-10T13:15:15","slug":"show-kate-nash-nao-parece-sofrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/01\/show-kate-nash-nao-parece-sofrer\/","title":{"rendered":"Show: Kate Nash n\u00e3o parece sofrer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8123 aligncenter\" title=\"kate1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/kate1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/kate1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/kate1-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/chelseanights\" target=\"_blank\">Manoel Magalh\u00e3es<\/a><br \/>\nfotos por Ana Schlimovich<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 dizia Michael Stipe em 1992: \u201cSe voc\u00ea est\u00e1 certo que j\u00e1 teve o bastante nessa vida, siga em frente\u201d. Kate Nash, 23 anos apenas, como qualquer cantora pop inofensiva poderia dar-se por satisfeita com o sucesso de seu primeiro disco e caminhar lentamente para o nada, mas alguma coisa estranha move a menina ruiva para o buraco, para o desencontro inevit\u00e1vel, para algo que nem ela deve saber exatamente qual \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua noite no Circo Voador, no Rio de Janeiro, um grande grupo de menores de 18 anos se amontoava na frente do palco para v\u00ea-la de perto \u2013 colados na grade, mesmo faltando algumas horas para a apresenta\u00e7\u00e3o come\u00e7ar. Qual Kate Nash? A da balada \u201cFoundations\u201d ou a que pode ir al\u00e9m com \u201cMouthwash\u201d? O lugar \u2013 frequentado tamb\u00e9m por atores, diretores e personagens de s\u00e9ries adolescentes do canal Multishow \u2013 reafirmava d\u00favidas sobre quem faz Kate Nash? Multishows e MTVs da vida passando seus clipes pelo mundo afora ou os milhares de adolescentes que carecem de uma cantora que v\u00e1 al\u00e9m de dan\u00e7ar em clipes pirot\u00e9cnicos, algu\u00e9m que cante algo transformador para pelo menos um minuto de suas vidas, algo que nunca parece ser pedir demais de um artista. Ela talvez tamb\u00e9m n\u00e3o ache.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show come\u00e7ou por volta das 23h e ao ver Kate invadir o palco, vestida de Minnie Mouse, o p\u00fablico que j\u00e1 lotava o Circo urrou ao som de uma banda tocando alto e muito bem, um avan\u00e7o da cantora em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro disco, onde foi acompanhada na turn\u00ea por m\u00fasicos com um jeit\u00e3o bem mais amador, o que reafirma a inten\u00e7\u00e3o de crescer, n\u00e3o s\u00f3 no sentido b\u00e1sico do show bussness, mas na necessidade de libertar-se como int\u00e9rprete, e assim foi o in\u00edcio, com Kate tocando guitarra e gritando livremente, fazendo o palco parecer seu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed para a j\u00e1 citada \u201cMouthwash\u201d foi um pulo que merece destaque, j\u00e1 que os versos cantados em un\u00edssono pela plateia que pulava e batia os p\u00e9s dizem bastante sobre a cantora inglesa: \u201cEste \u00e9 meu rosto \/ coberto de sardas com uma ocasional espinha e algumas veias \/ este \u00e9 meu corpo \/ coberto de pele e nem todo ele voc\u00ea pode ver\u201d. Kate talvez esconda muitas coisas por traz da carapu\u00e7a \u00f3bvia, mas ainda procura o melhor jeito de express\u00e1-las. At\u00e9 por isso o show soa muito irregular, alternando momentos inspirados e o t\u00e9dio de repeti\u00e7\u00f5es de coisas familiares demais ao universo pop adolescente. A vontade de crescer nem sempre se traduz em crescimento, mas j\u00e1 que o processo \u00e9 inevit\u00e1vel, Kate mescla o que quer mostrar ao que claramente os outros esperam dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8124 aligncenter\" title=\"kate2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/kate2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/kate2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/kate2-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em determinado momento, sozinha no palco com a guitarra, ela pede sil\u00eancio para cantar baixinho algo mais introspectivo, e ri por n\u00e3o conseguir calar os gritos de gostosa, adjetivo que provavelmente ainda n\u00e3o tinha aprendido em portugu\u00eas. Entre erros nos acordes e gargalhadas, levou a m\u00fasica de um jeito despretensioso e em nenhum momento perdeu o controle da audi\u00eancia, mesmo quando foi preciso parar para afinar a guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas m\u00fasicas que tocou em seu pequeno teclado iluminado geralmente acertava mais a m\u00e3o com o p\u00fablico do que quando tentava uma pegada rock`n`roll, apesar de aparentemente ficar mais solta e confort\u00e1vel com isso. Kate Nash talvez guarde Courtney Love no cora\u00e7\u00e3o, mas seu p\u00fablico emociona-se mais quando a faceta \u00e9 de p\u00f3s-adolescente inglesa que confessa suas d\u00favidas. O meio do caminho entre esses dois extremos parece ser o futuro da cantora e ainda \u00e9 imposs\u00edvel prever se isso ser\u00e1 sua grande qualidade ou a eterna busca por um amadurecimento imposs\u00edvel junto ao seu p\u00fablico, mas durante todo o show a indecis\u00e3o est\u00e1 presente de uma forma criativa, fazendo com que acerto e erro soassem naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no final do bis, terminando o show com \u201cPumpkin Soup\u201d, Kate bate as teclas descontroladamente, tocando qualquer nota enquanto uma chuva de papel picado toma conta do Circo Voador. Nash sobe em seu piano e pula, pula, at\u00e9 descer de volta ao palco para encerrar a noite. Depois disso, em um momento apote\u00f3tico com cara de ep\u00edlogo da eterna vi\u00fava de Kurt Cobain, a cantora pula na galera fazendo stage diving como uma menina punk, perdendo-se na multid\u00e3o enquanto os seguran\u00e7as tentam, sem muito sucesso, resgat\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que, ao pular, ela sabia em que lugar estava se metendo? Na cena seguinte, l\u00e1 est\u00e1 a garota ruiva voltando ao palco sorrindo, com a alma lavada ao som da can\u00e7\u00e3o do Hole que inundava os alto-falantes do lugar. Kate Nash, em uma quinta-feira de ver\u00e3o no Rio de Janeiro, arranhou palavras em portugu\u00eas, bebeu e brindou entre as m\u00fasicas, tocou guitarra, piano e contorceu-se cantando sem instrumentos, mas foi no pulo sobre as pessoas embaralhadas ao papel picado que, simbolicamente, demonstrou sua vontade de viver as experi\u00eancias \u2013 aproveitando a chance de estar na Am\u00e9rica do Sul, o outro lado do mundo, para aproveitar ao m\u00e1ximo os momentos e seguir em frente, sem pensar no que fazer com sua m\u00fasica ou com sua vida no dia seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O r\u00e1dio do t\u00e1xi na volta para casa tocava \u201cEverybody Hurts\u201d, do R.E.M., e Michael Stipe parecia confirmar algumas impress\u00f5es sobre a noite. Seguir em frente \u00e9 realmente necess\u00e1rio, mas assistindo a uma cantora jovem procurar no palco o seu sentido, o seu caminho, e ao mesmo tempo aproveitar a ef\u00eamera oportunidade de escrever em sua vida a hist\u00f3ria de uma noite quente no Rio de Janeiro, deixa a sensa\u00e7\u00e3o de que realmente todo mundo sofre em algum momento, mas naquela quinta-feira, Kate Nash n\u00e3o parecia sofrer, ou pelo menos aprendeu a n\u00e3o demonstrar isso t\u00e3o facilmente. Por enquanto, pelo menos. Ser\u00e1 que \u00e9 assim que as coisas funcionam?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8125 aligncenter\" title=\"kate3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/kate3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"832\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/kate3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/kate3-218x300.jpg 218w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><br \/>\n*******<br \/>\n&#8211; Manoel Magalh\u00e3es (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/chelseanights\" target=\"_blank\">@chelseanights<\/a>) \u00e9 m\u00fasico e redator. Ex-Polar, prepara o lan\u00e7amento do disco de sua nova banda, <a href=\"http:\/\/oinovosom.com.br\/harmada\" target=\"_blank\">Harmada<\/a>, e assina o blog <a href=\"http:\/\/www.chelseanights.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Chelsea Nights<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ela arranhou o portugu\u00eas, bebeu, tocou guitarra, piano e contorceu-se cantando sem instrumentos. 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