{"id":81158,"date":"2024-04-22T14:48:36","date_gmt":"2024-04-22T17:48:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=81158"},"modified":"2024-07-13T18:10:04","modified_gmt":"2024-07-13T21:10:04","slug":"discografia-comentada-todos-os-discos-do-pavement","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/22\/discografia-comentada-todos-os-discos-do-pavement\/","title":{"rendered":"Discografia comentada: todos os discos do Pavement"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marco Antonio Barbosa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizer que o Pavement inventou o indie rock \u00e9 uma imprecis\u00e3o. N\u00e3o se \u201cinventa\u201d sozinho um g\u00eanero dependente de tantas refer\u00eancias anteriores, e com tantos outros criadores contempor\u00e2neos. Mais exato \u00e9 afirmar que a banda liderada por Stephen Malkmus consolidou o IDEAL do indie rock no imagin\u00e1rio coletivo dos anos 1990: um modelo composto por som, visual, entrevistas, influ\u00eancias, ~atitude~ e outras idiossincrasias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve precursores de direito, mas n\u00e3o de fato. Havia cenas \u2013 Nova York, Minneapolis, Athens. Havia bandas cruciais \u2013 R.E.M., Husker D\u00fc, Sonic Youth, Yo La Tengo. Mas antes do Pavement, n\u00e3o havia uma banda que sintetizasse, em um \u00fanico pacote, a ess\u00eancia do ser indie. Espertos demais para se arrebentarem na jornada autodestrutiva do proto-punk, sens\u00edveis demais para serem punks e espont\u00e2neos demais para o calculista p\u00f3s-punk&#8230; e ainda assim, usaram todas essas influ\u00eancias para criar algo radicalmente novo. O torto flerte com o mainstream foi a cereja do bolo. Nada mais indie 90\u2019s do que chegar \u00e0s portas do sucesso e sair correndo apavorado diante da perspectiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discografia do Pavement \u00e9, \u00e0 primeira vista, concisa: cinco \u00e1lbuns. Nas entrelinhas, h\u00e1 uma fartura de EPs, lados-B, sobras de est\u00fadio, grava\u00e7\u00f5es ao vivo, covers e demos que ajudam a organizar os 10 anos de hist\u00f3ria da encarna\u00e7\u00e3o original da banda (e mais). O texto a seguir, considerando apenas os discos oficiais, tenta retra\u00e7ar a tr\u00f4pega trajet\u00f3ria da mais importante banda indie da d\u00e9cada de 1990&#8230; a banda indie original.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>DISCOS DE EST\u00daDIO<\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81162\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement1-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSLANTED AND ENCHANTED\u201d (1992)<\/strong><br \/>\nNingu\u00e9m estava preparado para \u201cSlanted and Enchanted\u201d em 1992. Mesmo a meia d\u00fazia de indies (o termo nem existia direito, pelo menos n\u00e3o por aqui) que conhecia os EPs precedentes deve tomado um susto com aquele conjunto de melodias assobi\u00e1veis, letras impenetr\u00e1veis e composi\u00e7\u00f5es de estrutura imprevis\u00edvel. N\u00e3o havia um g\u00eanero no qual encaixar a banda. \u201cLo-fi\u201d se referia \u00e0 forma e \u201cslacker rock\u201d ao conte\u00fado, mas nenhuma classifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9-existente parecia adequada. As influ\u00eancias \u00e0s vezes chegavam ao ponto da quase-par\u00f3dia (\u201cConduit For Sale!\u201d \u00e9 a m\u00fasica mais The Fall nunca escrita por Mark E. Smith), mas mantinham-se quase sempre difusas. O Pavement de 1992 lembrava Velvet, Sonic Youth, Pixies. Entretanto, a personalidade pr\u00f3pria do ent\u00e3o trio era sempre o tra\u00e7o dominante: a crueza da grava\u00e7\u00e3o, a fluidez desleixada do instrumental, os ritmos tronchos, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/16\/primeiro-baterista-do-pavement-gary-young-e-tema-do-otimo-documentario-louder-than-you-think\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a cargo do hippie Gary Young<\/a> (1953-2023), os vocais vagos, a arte do-it-yourself da capa, a delicadeza alternada com o noise hist\u00e9rico. A inova\u00e7\u00e3o: injetar um lirismo intuitivo \u00e0 heran\u00e7a proto e p\u00f3s-punk. O disco pode oscilar entre o cortante e o reconfortante, mas nada soa calculado \u2013 ainda que seja, cuidadosamente at\u00e9. O indie rock americano dos anos 1990 se firmava ali. Stephen Malkmus afirmou, mais de uma vez, que o \u00e1lbum de estreia \u00e9 o melhor desta discografia, por sua \u201cenergia irrepet\u00edvel\u201d. Pode n\u00e3o ser o melhor, mas \u00e9 sem d\u00favida o \u201cmais Pavement\u201d dos discos do Pavement. Quando se pensa nas m\u00fasicas mais caracter\u00edsticas na trajet\u00f3ria da banda, imediatamente v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a \u201cHere\u201d, a balada indie definitiva; a disson\u00e2ncia intrigante de \u201cIn the Mouth a Desert\u201d; o surf rock zen de \u201cSummer Babe\u201d; a assimetria pop de \u201cTrigger Cut\/Wounded Kite at :17\u201d e \u201cLoretta\u2019s Scars\u201d. H\u00e1 uma beleza indefin\u00edvel ali, mesmo nos momentos mais agressivos (\u201cNo Life Has Singed Her\u201d) ou desconjuntados (\u201cFame Throwa\u201d) \u2013 a beleza de tatear por territ\u00f3rios n\u00e3o mapeados, encontrando uma surpresa em cada faixa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Summer Babe (Winter Version)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/skGqpC0WYSk?list=OLAK5uy_kYYcYOC5-rhFwiWiA0Mcb4RJPf_hmNWaM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSLANTED AND ENCHANTED: LUXE &amp; REDUXE\u201d (2002):<\/strong><br \/>\n<em>Comemorando os 10 anos do lan\u00e7amento original, <a href=\"https:\/\/pavement.bandcamp.com\/album\/slanted-enchanted-luxe-reduxe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">esta edi\u00e7\u00e3o em CD duplo<\/a> mais do que triplicava a dura\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. Entre suas 34 faixas-b\u00f4nus, h\u00e1 verdadeiras joias, mas \u00e9 preciso disposi\u00e7\u00e3o para cavoucar. \u201cSo Stark (You Are a Skyscraper)\u201d talvez seja a melhor can\u00e7\u00e3o a n\u00e3o figurar nos LPs originais da banda. Mas \u201cFrontwards\u201d e \u201cGreenlander\u201d n\u00e3o ficam muito atr\u00e1s. H\u00e1 vers\u00f5es alternativas de \u201cSummer Babe\u201d e \u201cHere\u201d; lados-B dos singles da \u00e9poca; o EP \u201cWatery, Domestic\u201d (1992) na \u00edntegra. E um show inteiro gravado em Londres, em 1992, com duas raridades no setlist (\u201cHome\u201d e \u201cBaby Yeah\u201d). Este relan\u00e7amento abriu o caminho para a explora\u00e7\u00e3o de um vasto arquivo de b-sides, demos e grava\u00e7\u00f5es ao vivo que veriam a luz nos anos seguintes.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81164\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement2-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCROOKED RAIN, CROOKED RAIN\u201d (1994)<\/strong><br \/>\n\u201cGuitarras tocadas de forma t\u00e3o solta e confiante, que parecem estar sorrindo para voc\u00ea.\u201d O jornalista Erik Davis escreveu (na Spin, em 1992) isso sobre \u201cSlanted and Enchanted\u201d. Mas a frase se aplica \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o mesmo ao LP subsequente. Todas as faixas em \u201cCrooked Rain, Crooked Rain\u201d, mesmo as mais sombrias e\/ou misteriosas, parecem sorrir para o ouvinte. Da abertura com \u201cSilence Kit\u201d (e sua melodia roubada de \u201cEveryday\u201d, de Buddy Holly) ao fechamento apote\u00f3tico com \u201cFillmore Jive\u201d, o \u00e1lbum irradia uma espontaneidade ensolarada. Apesar de toda a esquisitice, eles n\u00e3o deixavam de ser uma banda da Calif\u00f3rnia. \u00c9 como se Malkmus abrisse a boca e cantasse a primeira coisa que lhe veio \u00e0 cabe\u00e7a, e a banda vem atr\u00e1s &#8211; <a href=\"https:\/\/www.stereogum.com\/1629101\/the-oral-history-of-pavements-crooked-rain-crooked-rain\/interviews\/oral-history\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">esta hist\u00f3ria oral da grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum<\/a> pinta um quadro diferente: o produtor Bryce Goggin influenciou decisivamente o formato final das can\u00e7\u00f5es, cortando-e-colando overdubs e regravando partes durante a mixagem. Goggin tamb\u00e9m insistiu em manter o famigerado verso sobre os Smashing Pumpkins e os Stone Temple Pilots na coda de \u201cRange Life\u201d. O Pavement agora era uma banda de verdade, com Malkmus e Scott Kannberg complementados por Mark Ibold (baixo), Steve West (bateria) e Bob Nastanovich (percuss\u00e3o, teclados, berros). A nova forma\u00e7\u00e3o pode ter perdido a \u201cenergia irrepet\u00edvel\u201d do primeiro disco, mas foi bem-sucedida na tarefa de criar um som mais redondo e universalmente cativante&#8230; sem descartar as idiossincrasias que os tornaram famosos em primeiro lugar. Sabe quantos artistas fracassaram ao tentar o mesmo? A autocombust\u00e3o do 1\u00ba \u00e1lbum s\u00f3 aparece mesmo na magn\u00edfica \u201cUnfair\u201d, at\u00e9 hoje um ponto alto dos setlists. N\u00e3o por acaso, vinha logo depois da bela e desorientada\/desorientante \u201cNewark Wilder\u201d \u2013 que n\u00e3o \u00e9 tocada ao vivo desde 1994. O resto do disco tem um pulso malemolente, no qual as faixas se sucedem como numa su\u00edte: a radiante \u201cElevate Me Later\u201d emenda na disforme \u201cStop Breathin\u2019\u201d; a ironia lesada de \u201cHeaven Is a Truck\u201d introduz o caos controlado de \u201cHit the Plane Down\u201d (a homenagem da vez ao The Fall). Para os n\u00e3o-iniciados, sempre ser\u00e1 o disco que traz \u201cCut Your Hair\u201d, \u201cGold Soundz\u201d e \u201cRange Life\u201d, o disco que p\u00f4s a banda na MTV e no Lollapalooza. Provas de que o Pavement podia soar pop sem deixar de ser Pavement. Quando estavam a fim, claro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Silence Kid\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Utz_N5jSBVM?list=OLAK5uy_ngPzZYSVD0pqbnHT0o34Bp0pXZa1nMwkA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCROOKED RAIN, CROOKED RAIN: LA\u2019s DESERT ORIGINS\u201d (2004):<\/strong><br \/>\n<em>O approach completista da reedi\u00e7\u00e3o anterior \u00e9 reaplicado aqui. <a href=\"https:\/\/pavement.bandcamp.com\/album\/crooked-rain-crooked-rain-las-desert-origins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dois CDs, 49 faixas<\/a>, 25 delas nunca lan\u00e7adas antes. Mas como o subt\u00edtulo sugere, h\u00e1 uma \u00eanfase nas \u201corigens\u201d do \u00e1lbum, com mais vers\u00f5es embrion\u00e1rias e demos que exibiam o processo criativo da banda. \u201cRange Life\u201d (ainda com Gary na bateria), \u201dHeaven Is a Truck\u201d, \u201cStop Breathin\u2019\u201d e \u201cElevate Me Later\u201d (nomeada \u201cEll Ess Two\u201d, ou \u201cLoretta\u2019s Scars 2\u201d) s\u00e3o alguns exemplos. Tamb\u00e9m h\u00e1 faixas antecipadas de \u201cWowee Zowee\u201d, como \u201cGrounded\u201d, \u201cFlux = Rad\u201d e \u201cKennel District\u201d. Entre a profus\u00e3o de lados-B, destacam-se duas alus\u00f5es ao R.E.M.: um cover de \u201cCamera\u201d bem zoado, e \u201cUnseen Power of the Picket Fence\u201d, cuja letra improvisada cita v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es do grupo de Michael Stipe. Al\u00e9m da delicadeza de \u201cStrings of Nashville\u201d, um dos mais cultuados b-sides da banda. Provavelmente o mais essencial dos cinco relan\u00e7amentos.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81165\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement3-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cWOWEE ZOWEE\u201d (1995)<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, e no disco seguinte os caras n\u00e3o estavam a fim. Lan\u00e7ado originalmente em vinil duplo (com o lado D vazio), \u201cWowee Zowee\u201d era o som de uma banda que chegou \u00e0 beira do mainstream, n\u00e3o curtiu a vibe e deu marcha \u00e0 r\u00e9. N\u00e3o era o caso de fazer um \u00e1lbum com 12 vers\u00f5es diferentes de \u201cCut Your Hair\u201d; bastava soltar um disco \u201cnormal\u201d do Pavement. Malkmus, entre o instinto e a pervers\u00e3o deliberada, se recusou. O resultado \u00e9 uma obra-prima torta, cultuada pelos f\u00e3s mais radicais como o grande disco do grupo. Se o primeiro disco resumia a ess\u00eancia do Pavement, o terceiro caricaturava essa mesma ess\u00eancia. Restava ao ouvinte rir junto. A abertura, com a melancolia ac\u00fastica de \u201cWe Dance\u201d, enganava o desavisado \u2013 wempre considerei essa can\u00e7\u00e3o como um paralelo transatl\u00e2ntico ao sentimento evocado pelo Radiohead em \u201cThe Bends\u201d, o \u00e1lbum, lan\u00e7ado apenas algumas semanas antes. Dali pra frente, a banda segue mordendo e assoprando. \u201cRattle by the Rush\u201d, a suposta m\u00fasica de trabalho, era sabotada por um ritmo engasgado. Assim como a l\u00e2nguida e desafinada \u201cMotion Suggests\u201d, atrapalhada por uma intro dissonante. A estrutura de \u201cGrave Architechture\u201d desaba no meio da m\u00fasica, depois de um ataque hist\u00e9rico de Malkmus. \u201cFight this Generation\u201d parece um Frankenstein feito de tr\u00eas ou quatro can\u00e7\u00f5es diferentes. V\u00e1rios momentos, como \u201cSerpentine Pad\u201d, \u201cBest Friend\u2019s Arm\u201d e \u201cExtradiction\u201d, remetem \u00e0 zoeira dos singles pr\u00e9-\u201cSlanted\u201d. E nada disso \u00e9 dem\u00e9rito para o \u00e1lbum. Muito pelo contr\u00e1rio. Resenhas contempor\u00e2neas apontavam a \u201cfalta de composi\u00e7\u00f5es de verdade\u201d no disco, algo um pouco injusto. Apesar de ser o \u00e1lbum mais intencionalmente desafiador do quinteto, \u201cWowee Zowee\u201d tem momentos que acenam a uma poss\u00edvel progress\u00e3o a partir do ponto que pararam em \u201cCrooked Rain\u201d \u2013 \u201cGrounded\u201d, \u201cFather to a Sister of Thought\u201d (filha espiritual de \u201cRange Life\u201d) e \u201cKennel District\u201d, o grande momento de Scott Kannberg sob os holofotes. Fica a quest\u00e3o para a hist\u00f3ria: e se?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"We Dance\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YaMYh1pmon4?list=OLAK5uy_l-pwm-dYboEl8L7CciaXUWgo2G89FhxR0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cWOWEE ZOWEE: SORDID SENTINELS EDITION\u201d (2006)<\/strong><br \/>\n<em>Se o \u00e1lbum \u201creal\u201d j\u00e1 era uma colcha de retalhos, o que esperar <a href=\"https:\/\/pavement.bandcamp.com\/album\/wowee-zowee-sordid-sentinels-edition\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desta raspa do tacho<\/a>? Outtakes, sess\u00f5es de r\u00e1dio, lados-B e grava\u00e7\u00f5es ao vivo comp\u00f5em um conjunto menos coerente que nas duas primeiras reedi\u00e7\u00f5es. No m\u00ednimo, vale pelas quatro faixas do EP \u201cPacific Trim\u201d, inclu\u00eddo na \u00edntegra (\u201cGive It a Day\u201d \u00e9 uma pequena p\u00e9rola), a sarc\u00e1stica \u201cSensitive Euro Man\u201d, da trilha sonora do filme \u201cEu Atirei em Andy Warhol\u201d e \u201cMussle Rock (Is a Horse in Transition)\u201d, uma contribui\u00e7\u00e3o de Scott acima da m\u00e9dia. As grava\u00e7\u00f5es ao vivo, contudo, talvez sejam mais interessantes. O clima improvisado de \u201cWowee Zowee\u201d contamina at\u00e9 as desconstru\u00eddas vers\u00f5es de can\u00e7\u00f5es \u201cnormais\u201d, como \u201cHeaven Is a Truck\u201d e \u201cBox Elder\u201d.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81167\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement4-300x152.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBRIGHTEN THE CORNERS\u201d (1997)<\/strong><br \/>\nDepois do excesso, a ressaca. O quarto \u00e1lbum do Pavement \u00e9 o mais convencional desta discografia, o mais ostensivamente mel\u00f3dico, o mais mel\u00edfluo e relaxad\u00e3o. Como o t\u00edtulo permite prever, \u201cBrighten the Corners\u201d busca lan\u00e7ar luz sobre a m\u00fasica da banda. Arrependida do descontrole de \u201cWowee Zowee\u201d, eles recuaram para tentar achar o caminho de volta a \u201cCrooked Rain\u201d&#8230; teriam ido longe demais? Fato \u00e9 que Malkmus nunca soou t\u00e3o fofo quanto em \u201cShady Lane\u201d (que tem um dos melhores versos da banda: \u201cYou\u2019ve been chosen as an extra in the movie adaptation for the sequel to your life\u201d). Nem t\u00e3o delicado quanto em \u201cTransport Is Arranged\u201d, ou t\u00e3o pl\u00e1cido quanto em \u201cType Slowly\u201d, ou t\u00e3o hippongo quanto em \u201cStarlings of the Slipstream\u201d&#8230; Mais que todos os outros desta lista, \u201cBrighten the Corners\u201d \u00e9 um disco que demanda tempo e aten\u00e7\u00e3o para se revelar por completo. Para al\u00e9m da elabora\u00e7\u00e3o das composi\u00e7\u00f5es, algo que faltou em \u201cWowee Zowee\u201d, o tra\u00e7o mais marcante \u00e9 um tom generalizado de \u201cmoleza\u201d. Alguns cr\u00edticos entenderam o estilo como uma sutil influ\u00eancia do soft rock setentista: Eagles e Fleetwood Mac relidos por hipsters maconheiros, 20 anos depois. H\u00e1, sim, uma predomin\u00e2ncia de can\u00e7\u00f5es lentas, mas todas t\u00eam suas entrelinhas muito caracter\u00edsticas. Como o canto arrastado \/ acelerado \/ calmo \/ exaltado de \u201cType Slowly\u201d; a quinta marcha engatada no meio de \u201cEmbassy Row\u201d, \u00fanica passagem mais exaltada do LP; a entradinha psicod\u00e9lica de \u201cWe Are Underused\u201d. O \u00e1lbum se encerra com a solene e longa \u201cFin\u201d, praticamente um \u00e9pico neilyoungiano no qual Malkmus implora: \u201cI trust you will tell me \/ If I am making a fool of myself\u201d. Som e letra \u2013 al\u00e9m do \u00f3bvio t\u00edtulo, se lido em franc\u00eas \u2013 evocam a ideia de despedida. Ainda havia, contudo, g\u00e1s para mais uma tentativa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement - Stereo (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z5j4W2Y7RPQ?list=OLAK5uy_lcX5R8K69p_hH9YpWqRLTQjWWcLIv5R6Q\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBRIGHTEN THE CORNERS: NICENE CREEDENCE EDITION\u201d (2008)<\/strong><br \/>\n<em>Com uma sele\u00e7\u00e3o que atravessa os dois \u00faltimos \u00e1lbuns do Pavement, <a href=\"https:\/\/pavement.bandcamp.com\/album\/brighten-the-corners-nicene-creedence-ed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">esta reedi\u00e7\u00e3o enriquece bastante o disco original<\/a>. H\u00e1, por exemplo, a vers\u00e3o integral de \u201cThe Hexx\u201d (batizada \u201cAnd Then\u201d), mais longa e l\u00fagubre que a oficial. H\u00e1 covers do The Fall (\u201cThe Classical\u201d) e do Echo and The Bunnymen (\u201cThe Killing Moon\u201d), com Malkmus rasgando seu cora\u00e7\u00e3o p\u00f3s-punk. E um do Faust (\u201cIt\u2019s a Rainy Day, Sunshine Girl\u201d), fazendo a ponte com o krautrock. Bizarramente, hoje \u00e9 o \u00fanico disco da banda que traz \u201cHarness Your Hopes\u201d, um b-side de 1999 que, acreditem, <a href=\"https:\/\/www.stereogum.com\/2105993\/pavement-harness-your-hopes-spotify\/columns\/sounding-board\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 a m\u00fasica mais executada do Pavement no Spotify<\/a>. Para os ca\u00e7adores de raridades, a pepita \u00e9 \u201cNigel\u201d, outtake nunca aproveitado at\u00e9 aqui. Entre as inevit\u00e1veis esquisitices, uma vers\u00e3o caipira e acelerada para \u201cType Slowly\u201d, creditada como \u201cSlowly Typed\u201d; uma intro composta para \u201cEmbassy Row\u201d que n\u00e3o foi aproveitada; e duas (!) vers\u00f5es do tema do desenho animado \u201cSpace Ghost\u201d.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81170\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement5-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTERROR TWILIGHT\u201d (1999)<\/strong><br \/>\nO \u00faltimo \u00e1lbum do Pavement teve uma gesta\u00e7\u00e3o atribulada. Malkmus j\u00e1 andava frustrado com as limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e art\u00edsticas do resto da banda. Trabalhando pela primeira vez com um produtor renomado (Nigel \u201cOK Computer\u201d Godrich), o quinteto teve dificuldades em manter a costumeira espontaneidade no est\u00fadio. Overdubs adicionados na fase de mixagem limaram a participa\u00e7\u00e3o do baterista Steve West em algumas faixas. O vocalista se queixaria mais tarde do resultado final, classificando o \u00e1lbum como \u201csuperproduzido demais\u201d. Essa bad vibe n\u00e3o transparece na audi\u00e7\u00e3o de \u201cTerror Twilight\u201d \u2013 ainda que os versos &#8220;The damage is done \/ I am not having fun any more&#8221;, de \u201cAnn Don\u2019t Cry\u201d, antevissem o fim pr\u00f3ximo. Pelo contr\u00e1rio: o disco \u00e9, em sua maior parte, leve e melodioso. H\u00e1 ironia e disson\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m h\u00e1 jovialidade adicionada ao clima calminho testado no \u00e1lbum anterior. \u201cSpit on a Stranger\u201d, \u201cYou Are the Light\u201d e \u201cMajor Leagues\u201d s\u00e3o os mais bem-acabados exemplos dessa continuidade. A por\u00e7\u00e3o zombeteira do grupo, amainada desde o terceiro disco, retorna em \u201cCarrot Rope\u201d, a mais gaiata can\u00e7\u00e3o desta discografia, e no country rock de &#8220;Folk Jam&#8221;. Ou mesmo em \u201cBillie\u201d, que come\u00e7a levinha e assobi\u00e1vel&#8230; at\u00e9 o berro de \u201cSEE THE FORTUNE TELLER!\u201d esculhambar tudo. Mas mesmo um Pavement leve e jovial n\u00e3o deixa de ser o Pavement. Por isso, temos a pauleira de \u201cPlatform Blues\u201d, com suas altern\u00e2ncias de ritmo e estilo (e um solo de gaita tocado por Jonny Greenwood); \u201cThe Hexx\u201d e sua psicodelia morosa; e acima de tudo a espl\u00eandida \u201cCream of Gold\u201d, e seu riff amea\u00e7ador. No refr\u00e3o desta \u00faltima, Malkmus d\u00e1 mais uma pista sobre o futuro: \u201cTime is a one-way track and I am not coming back\u201d. Menos de seis meses depois do lan\u00e7amento, o grupo chegaria ao fim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Platform Blues (2022 Remaster)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ShPYTzs157E?list=OLAK5uy_mrLQuNJm-bsWOm04cko0Lt8vRsiteG4-A\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTERROR TWILIGHT: FAREWELL HORIZONTAL\u201d (2023)<\/strong><br \/>\n<em>Por 14 anos, os f\u00e3s aguardaram o relan\u00e7amento deluxe do \u00faltimo \u00e1lbum. Malkmus chegou a afirmar que, na atual era do vinil superfaturado, n\u00e3o tinha interesse em lan\u00e7ar uma reedi\u00e7\u00e3o acess\u00edvel apenas para os f\u00e3s mais abonados. Felizmente, a nova vers\u00e3o de \u201cTerror Twilight\u201d tamb\u00e9m saiu em formato CD (duplo), bem mais em conta. De todas as reedi\u00e7\u00f5es, \u00e9 a mais radical e intrigante. A ordem original das faixas foi alterada, refletindo a sequ\u00eancia sugerida por Nigel Godrich (e descartada pela banda). O disco passou a abrir com a dobradinha \u201cPlatform Blues\u201d e \u201cThe Hexx\u201d, criando um clima nada ameno para o lado-A; as can\u00e7\u00f5es mais pop vinham mais pro final (\u201cSpit on a Stranger\u201d seria a \u00faltima!). Uma variedade de demos gravadas apenas por Malkmus mostram o processo criativo do compositor. J\u00e1 o frustrante processo de produ\u00e7\u00e3o fica n\u00edtido nas sess\u00f5es gravadas antes da chegada de Godrich, com passagens meio vacilantes por \u201cCream of Gold\u201d, \u201cSpit on a Stranger\u201d e \u201cFolk Jam\u201d, entre outras. Se h\u00e1 algo que dep\u00f5e contra \u201cFarewell Horizontal\u201d, \u00e9 o excesso de repeti\u00e7\u00f5es na tracklist. \u201cYou Are a Light\u201d, por exemplo, aparece em cinco vers\u00f5es diferentes. Ou nem t\u00e3o diferentes assim.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>COLET\u00c2NEAS<\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81172\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement6-300x148.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cWESTING (BY MUSKET AND SEXTANT)\u201d (1993)<\/strong><br \/>\nTa\u00ed o que voc\u00ea queria, o Pavement de v\u00e1rzea, o Pavement moleque, o Pavement-arte. Esse disco da gravadora Drag City compila tr\u00eas EPs e um single, mais duas faixas extras, tudo gravado entre 1989 e 1992. Ou seja, a era Malkmus-Kannberg-Young, a fase mais descacetada da banda. \u00c9 uma jornada fascinante, do noise embrion\u00e1rio do EP \u201cSlay Tracks\u201d, de 1989 \u2013 ou mesmo pr\u00e9-embrion\u00e1rio, j\u00e1 que eles nem se consideravam uma banda de verdade \u2013 \u00e0 sonoridade mais estruturada do single \u201cSummer Babe\u201d, no qual a magia de \u201cSlanted and Enchanted\u201d soava quase completa. Algumas das can\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram status de leg\u00edtimos cl\u00e1ssicos, caso de \u201cBox Elder\u201d (que foi regravada pelo Wedding Present), \u201cHeckler Spray\u201d e \u201cDebris Slide\u201d. Outras encapsulam o Pavement no auge da zoeira autodestrutiva (\u201cShe Believes\u201d, \u201cMaybe Maybe\u201d, \u201cRecorder Grot\u201d). Essencial para os f\u00e3s, revelador para quem s\u00f3 conhece \u201cHarness Your Hopes\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81173\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement7-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cQUARANTINE THE PAST: THE BEST OF PAVEMENT\u201d (2010)<\/strong><br \/>\nLan\u00e7ado para arrumar uns trocados \u00e0s v\u00e9speras da primeira turn\u00ea de comeback da banda, este disco foge do padr\u00e3o greatest-hits (quais?). A sele\u00e7\u00e3o de faixas, ordenada sem qualquer cronologia, mistura singles, can\u00e7\u00f5es dos \u00e1lbuns e relativas raridades. Mesmo sem trazer material in\u00e9dito (\u00e0 exce\u00e7\u00e3o de uma mixagem alternativa para \u201cBox Elder\u201d), o LP duplo faz as vezes de uma bem curada playlist para ne\u00f3fitos. Na pr\u00e1tica, \u00e9 dispens\u00e1vel.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81174\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement8-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTHE SECRET HISTORY VOL.1\u201d (2015)<\/strong><br \/>\nN\u00e3o t\u00e3o secreta assim, esta hist\u00f3ria. A compila\u00e7\u00e3o traz lados-B, sess\u00f5es de r\u00e1dio e grava\u00e7\u00f5es ao vivo do per\u00edodo 1990-1992. Mas todas as faixas \u201csecretas\u201d fazem parte de \u201cSlanted and Enchanted: Luxe &amp; Reduxe\u201d, o que torna o \u00e1lbum um souvenir apenas para os completistas fan\u00e1ticos. At\u00e9 os textos do encarte s\u00e3o reciclados da reedi\u00e7\u00e3o de \u201cSlanted and Enchanted\u201d. Para a juventude que n\u00e3o ouve mais CDs, h\u00e1 um atrativo: foi a primeira vez que 25 (das 30) faixas ganharam edi\u00e7\u00e3o em vinil.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">AO VIVO<\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81175\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement9.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement9.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/pavement9-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLIVE EUROPATURN\u00c9N MCMXCVII\u201d \/ \u201cLIVE EUROPATURN\u00c9N MCMXCVII (2)\u201d (2008\/2009):<\/strong><br \/>\nAnarquia total, improvisos, can\u00e7\u00f5es abortadas no meio, vers\u00f5es completamente alteradas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s originais de est\u00fadio \u2013 ao vivo, o Pavement sempre foi a mais imprevis\u00edvel banda de sua gera\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma abund\u00e2ncia de bootlegs e v\u00eddeos na web para comprovar a afirma\u00e7\u00e3o. Estes dois discos, gravados em uma turn\u00ea europeia em 1997, s\u00e3o os \u00fanicos registros oficiais de shows dos caras. Naturalmente, houve o cuidado de escolher duas performances \u201censaiadinhas\u201d, com o quinteto tocando de forma solta, mas sem excessos. Vers\u00f5es esticadas de \u201cFin\u201d (nos dois \u00e1lbuns), \u201cType Slowly\u201d e \u201cBlue Hawaiian\u201d servem de contraponto para os momentos mais en\u00e9rgicos (\u201cCut Your Hair\u201d, \u201cStereo\u201d, \u201cKennel District\u201d). O par de \u00e1lbuns, lan\u00e7ado pela Matador Records apenas em vinil (e tiragem limitada), \u00e9 hoje a maior raridade desta discografia. Mas d\u00e1 pra ouvir nos streamings.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Father to a Sister of Thought (Live Europaturn\u00e9n MCMXCVII)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mePxpA0ya38?list=OLAK5uy_nkzPRqS3EbUF5-AK8cSpIi0i2etbQmy7c\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Shady Lane (Live Europaturn\u00e9n MCMXCVII)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SKzJ8uSxx1Q?list=OLAK5uy_ld5UUmhTlJNRNDNrENZntCGd3Hhrt3Ft8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement - Cut Your Hair (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QTTgpTeb0Z8?list=PLqW1xsMiqApGFuRLepXwm4gii7rMuzc5a\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement @ The Khyber Pass 7 30 92\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/drlJ6WxtqWA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement - March 6, 1994 - Frankfurt, Germany (whole show)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UvEY9FKc1sg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement Live 1992 Philadelphia Full Show\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3gheTBEWJso?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement at Planeta Terra Festival, S\u00e3o Paulo, 20\/11\/2010 - 01   Gold Soundz\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MO7yzKGh2eo?list=PLcuh42FfzGJ2XESIuhcnl-VQAE1rIKtxJ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement at Primavera Sound 2022 Barcelona\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QgCJJY23i7o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Marco Antonio Barbosa \u00e9 jornalista (<a href=\"http:\/\/medium.com\/telhado-de-vidro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">medium.com\/telhado-de-vidro<\/a>) e m\u00fasico (<a href=\"http:\/\/borealis.art.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/borealis.art.br<\/a>).\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A discografia do Pavement \u00e9 concisa \u00e0 primeira vista: cinco \u00e1lbuns. Nas entrelinhas, uma fartura de EPs, lados-B, sobras de est\u00fadio, grava\u00e7\u00f5es ao vivo, covers e demos que ajudam a organizar a hist\u00f3ria da banda\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/22\/discografia-comentada-todos-os-discos-do-pavement\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":36,"featured_media":81180,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6587,4326,3471],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81158"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81158"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82478,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81158\/revisions\/82478"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81180"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}