{"id":81007,"date":"2024-04-15T01:07:02","date_gmt":"2024-04-15T04:07:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=81007"},"modified":"2024-05-25T23:21:29","modified_gmt":"2024-05-26T02:21:29","slug":"entrevista-luiz-fernando-carvalho-conta-como-foi-recriar-a-paixao-segundo-g-h-de-clarice-lispector-para-o-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/15\/entrevista-luiz-fernando-carvalho-conta-como-foi-recriar-a-paixao-segundo-g-h-de-clarice-lispector-para-o-cinema\/","title":{"rendered":"Entrevista: Luiz Fernando Carvalho conta como foi recriar \u201cA Paix\u00e3o Segundo G.H.\u201d, de Clarice Lispector, para o cinema"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O peso de uma adapta\u00e7\u00e3o de um texto t\u00e3o denso quanto o de Clarice Lispector em \u201cA Paix\u00e3o Segundo G.H.\u201d \u00e9 fator preponderante e algo inevit\u00e1vel de se sentir em sua transposi\u00e7\u00e3o de palavras para imagens. Trata-se de um projeto ambicioso de se concretizar. Luiz Fernando Carvalho, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/09\/09\/cinema-a-poesia-de-lavoura-arcaica-filme-de-luiz-fernando-carvalho-recriado-da-obra-de-raduan-rassar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">diretor da obra-prima \u201cLavoura Arcaica\u201d<\/a> (2001), \u00e9, possivelmente, o nome mais adequado para tal desafio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu processo de cria\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos imag\u00e9ticos a representar a escrita de Lispector, o cineasta afirma n\u00e3o ter feito uma adapta\u00e7\u00e3o, mas, sim, uma rea\u00e7\u00e3o criativa \u00e0 leitura. Tal defini\u00e7\u00e3o atinge o cerne da experi\u00eancia de duas horas de imers\u00e3o. De fato, \u201cA Paix\u00e3o Segundo G.H.\u201d (2024) n\u00e3o \u00e9 um filme para todos os p\u00fablicos. Principalmente nos ansiosos, fugazes e conectados dias atuais, nos quais os olhos fren\u00e9ticos a focar em smartphones querem as respostas r\u00e1pidas e mais pregui\u00e7osas poss\u00edveis. N\u00e3o \u00e9 isso que o espectador que se aventurar na sess\u00e3o de \u201cA Paix\u00e3o Segundo G.H.\u201d vai encontrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu tom constante, a partir de um mon\u00f3logo parcimonioso, o filme de Carvalho transfere para a sua audi\u00eancia um sentimento de cont\u00ednuo preencher de vazios. A partir do mergulho mental de sua protagonista, que passa por uma crise existencial em pleno 1964, ano fat\u00eddico para nossa Hist\u00f3ria, somos levados junto com ela por esses labirintos. Maria Fernanda C\u00e2ndido, com sua beleza estonteante e madura, segura tal peso de maneira extenuante. No filme, sua personagem, a G.H. do t\u00edtulo, se depara com uma barata no mesmo dia em que se v\u00ea sozinha, sem sua empregada dom\u00e9stica, Janair, demitida pouco tempo antes. Nesse encontro com o inseto, sua viagem mental se prolifera de modo questionar sua pr\u00f3pria sanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme, em seu formato de tela reduzido a criar justamente essa sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento de sua personagem central, cria para sua audi\u00eancia sensa\u00e7\u00f5es de asco semelhantes, mas nunca apelativas, friso. Na ideia de transpor para imagens o texto de Clarice, sua vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica prima pelo esmero de traduzir aspectos visuais poderosos de toda aquela agonia cerebral e emocional. Em suas palavras, Lispector aborda nuances que Carvalho valoriza de maneira sagaz. \u00c9 o caso da citada personagem de Janair, que, aqui, ganha a presen\u00e7a marcante de Samira Nancassa, atriz oriunda da Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No longa, a apari\u00e7\u00e3o de Samira como a funcion\u00e1ria da mulher branca e abastada, mas que n\u00e3o consegue se comunicar, gera em G.H. o catalisador de uma percep\u00e7\u00e3o tardia. A de que tinha em sua companhia algu\u00e9m cuja troca lhe seria de suma import\u00e2ncia. Ao adentrar no quarto imaculadamente limpo deixado para tr\u00e1s por Janair, G.H. se depara com uma pintura em carv\u00e3o na parede. O mesmo carv\u00e3o, objeto m\u00ednimo e ancestral a simbolizar tanto a dedica\u00e7\u00e3o silenciosa de Janair \u00e0s artes, quanto sua vontade concretizada de emancipa\u00e7\u00e3o. No seu ato simples de tirar o pano que lhe cobre a cabe\u00e7a, h\u00e1 muita for\u00e7a a rimar com o poder do texto de Lispector.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando emergimos daquele mergulho, ap\u00f3s as duas horas em que permanecemos nas fossas abissais da mente de G.H., o filme acaba por nos deixar uma marca indel\u00e9vel. Cabe muito ao espectador atento perceber a riqueza daquela densa aproxima\u00e7\u00e3o. Felizes s\u00e3o os que reagem ao convite \u00e0 an\u00e1lise de Lispector e a abra\u00e7am. No papo abaixo, Luiz Fernando Carvalho fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o da obra, sobre montagem, sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o cinema e sobre o Brasil que quase caiu em um precip\u00edcio sem volta. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Paix\u00e3o Segundo G.H. | Teaser Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f5EGnSx8Z9Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao sair da sess\u00e3o de \u201cA Paix\u00e3o Segundo G.H.\u201d, e j\u00e1 pensando nesse momento de entrevista, fiquei me perguntando o que lhe perguntar sobre o filme. Lembrei de David Lynch, que j\u00e1 disse que n\u00e3o tem muito o que dizer ap\u00f3s uma sess\u00e3o de seus filmes, uma vez que a obra fala por si. Creio que a adapta\u00e7\u00e3o do livro de Clarice Lispector feita por voc\u00ea seja um caso semelhante. Por isso, uma pergunta que eu queria te fazer \u00e9 como se deu o processo de tradu\u00e7\u00e3o das palavras escritas em imagens cinematogr\u00e1ficas no filme?<\/strong><br \/>\nPrimeiro, eu n\u00e3o trago nenhum pressuposto cinematogr\u00e1fico. Parto da tela em branco, mesmo. Ela me interessa ser preenchida a partir da minha rela\u00e7\u00e3o com essa literatura. N\u00e3o uso e n\u00e3o gosto do termo \u201cadapta\u00e7\u00e3o\u201d. Aqui, \u00e9 uma esp\u00e9cie de rea\u00e7\u00e3o criativa \u00e0 leitura. Uma aproxima\u00e7\u00e3o, talvez. O meu procedimento dessa aproxima\u00e7\u00e3o, qual \u00e9? Primeiro, eu reivindico a palavra como um dos elementos fundadores da linguagem cinematogr\u00e1fica ao lado das imagens, e n\u00e3o abaixo. Elas n\u00e3o est\u00e3o em disputa de territ\u00f3rio, entende? Uma n\u00e3o est\u00e1 hierarquicamente acima da outra, em detrimento da outra, etc. Ent\u00e3o, dando pot\u00eancia a uma linguagem liter\u00e1ria, aos seus espinhos, \u00e0 sua alteridade, \u00e0 sua estranheza, eu dou volume a essa. Privilegio essa pot\u00eancia liter\u00e1ria e, em paralelo, tamb\u00e9m dou pot\u00eancia \u00e0 linguagem cinematogr\u00e1fica. Isso para dar conta, inclusive, desses espinhos da estranheza dessa linguagem. Porque n\u00e3o se trata de uma linguagem naturalista no campo liter\u00e1rio. E, depois, eu produzo um encontro entre essas duas alteridades. S\u00e3o duas coisas diferentes. E desse encontro, dessa fric\u00e7\u00e3o, desse atrito, desse amor, desse conflito, seja l\u00e1 o que aconte\u00e7a nesse encontro, o fruto desse encontro, dessa alteridade que, sim, s\u00e3o coisas diferentes, enfim, o encontro dessa alteridade \u00e9 o corpo do filme. \u00c9 uma coisa inomin\u00e1vel. N\u00e3o sei que nome dar, qual g\u00eanero tem. N\u00e3o sei se posso chamar de filme, mas, enfim, \u00e9 uma experi\u00eancia que traduz a minha experi\u00eancia com a leitura e a entrada de uma lente, ali, em todas as entrelinhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme, com sua op\u00e7\u00e3o de formato de tela, traz muito da sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento, de clausura mental da protagonista vivida por Maria Fernanda C\u00e2ndido de modo t\u00e3o intenso.<\/strong><br \/>\nSim, essa ideia do confinamento, inclusive, quando o filme passou em Paris, uma das pessoas que n\u00e3o era brasileira me fez exatamente essa pergunta. Ela fez uma ponte com a Covid. Porque a pessoa que fez a pergunta disse que se sentiu naquele confinamento, naquela solid\u00e3o, no apartamento dela. E passou, dali, ent\u00e3o, a rever todas as coordenadas de vida. Todos os seus posicionamentos, sua moral e etc&#8230; A linguagem do filme \u00e9 criada para ser aberta. Para oferecer o filme para que a pessoa crie o seu pr\u00f3prio a partir disso. Voc\u00ea viu um filme. E cada pessoa vai ver um filme diferente se ela estiver aberta. Ent\u00e3o, essa ideia do confinamento me parece muito potente. E, sim, a ideia de que o filme seria todo estruturado a partir de close era fundamental. Porque foi o primeiro romance da virada de linguagem da Clarice Lispector. Foi o primeiro romance escrito em primeira pessoa. Ent\u00e3o, o &#8220;eu&#8221; entra em cena. Esse eu \u00e9 esse close. Mas esse close \u00e9, ao mesmo tempo, um close que n\u00e3o \u00e9 um narrador legislador autorit\u00e1rio. Muito pelo contr\u00e1rio. Ele \u00e9 aberto. Ele est\u00e1 oferecendo possibilidades e encruzilhada de perspectivas. Ele est\u00e1 oferecendo perguntas mais do que respostas. Est\u00e1 tentando dar conta de si, da experi\u00eancia de estar vivo, do que aconteceu ontem, do \u00faltimo relacionamento. Enfim, ele se desdobra em muitas quest\u00f5es, em muitas d\u00favidas e muitas reflex\u00f5es sobre o pr\u00f3prio g\u00eanero humano e do mundo. E a\u00ed seria o mundo&#8230; Que mundo \u00e9 esse que est\u00e1 diante de G.H.? \u00c9 um mundo todo organizado, constitu\u00eddo, criado, erguido pelos homens e para os homens. Ent\u00e3o, talvez, a estrutura principal de todas essas camadas em que ela vai atravessar nesse conv\u00edvio com ela mesma, nesse confrontar se com o si mesmo, seja a camada principal. Talvez seja essa cr\u00edtica ao mundo, o mundo constru\u00eddo, o mundo patriarcal. O mundo consequentemente machista e consequentemente capitalista. Enfim, esse conjunto de leis, ordens que se configura em um sistema que nos rege at\u00e9 os dias de hoje. Nesse sentido, o romance \u00e9 absolutamente moderno por ter sido escrito na d\u00e9cada de 1960, em plena ditadura militar. Mas apesar de alguns avan\u00e7os aqui e ali, a gente ainda se confronta com v\u00e1rias das quest\u00f5es com que G.H. se debate. Ent\u00e3o, eu tamb\u00e9m sou contra essa ideia de sistemas. Do sistema, principalmente, como modelo \u00fanico e hegem\u00f4nico. Eu acredito em conex\u00f5es. Porque \u00e9 exatamente essa ideia de conex\u00f5es, que tamb\u00e9m \u00e9 uma ideia simbi\u00f3tica com tudo e todos, que \u00e9 a via crucis a qual G.H. vai trilhar. Ela vai em dire\u00e7\u00e3o ao contr\u00e1rio, ao oposto, ao extremamente radical daquilo que ela imaginava do mundo. Seja em g\u00eanero, classe social, ra\u00e7a e esp\u00e9cie, inclusive.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81010\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Gh3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Gh3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Gh3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tocou no ponto que era minha pr\u00f3xima pergunta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 visibilidade feminina. A personagem de Janair, uma mulher negra, ganha um destaque imprescind\u00edvel no filme. E lembro de ter lido que essa quest\u00e3o do apagamento da invisibilidade feminina n\u00e3o era aprofundado pelos estudiosos de Clarice Lispector. Do mesmo modo, o filme pontua o momento em que o livro foi escrito, no ano de 1964, um momento divisor das trevas em que entramos com o golpe militar, que voc\u00ea ilustra no filme com as revistas que G.H. folheia. Houve essa inten\u00e7\u00e3o de nos colocar diante daquele sufocamento social e pol\u00edtico em reflexo ao estado de G.H. como personagem?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida nenhuma. Porque, apesar de termos vencido um quase golpe que aconteceu h\u00e1 pouco tempo, essas pessoas com esses desejos de estado de s\u00edtio, de uma ditadura, elas ainda est\u00e3o a\u00ed na sociedade. E esse contexto me pareceu necess\u00e1rio. Veja bem, \u00e9 um texto escrito por uma mulher poderosa, empoderada que \u00e9 a Clarice, no qual ela vai radicalmente contra todas essas cercas que determinam essa esp\u00e9cie de castra\u00e7\u00e3o, da liberdade e das liberdades todas. E esses apagamentos dos outros saberes, das outras culturas, que n\u00e3o aquelas decretadas pelo patriarcado branco europeu hegem\u00f4nico. Ent\u00e3o, essa entrelinha da Janair me parece fundamental de ser recuperada. Minha Janair \u00e9 a Janair do s\u00e9culo XXI. \u00c9 aquela que vai tirar aquele pano de cabe\u00e7a no final. Aquela cena \u00e9 uma cena criada por mim. A cena da revista tamb\u00e9m \u00e9 uma cena criada por mim. A cena da revista a gente poderia chamar de um minidocument\u00e1rio que abre um par\u00eantese ali, ao som de um helic\u00f3ptero ensurdecedor, como se fosse algo que ainda nos vigia. E a Janair, com a sua inscri\u00e7\u00e3o a carv\u00e3o deixada no quarto da dom\u00e9stica, \u00e9 um di\u00e1logo muito potente, alqu\u00edmico. Esse material t\u00e3o arquet\u00edpico como o carv\u00e3o, t\u00e3o ancestral como o carv\u00e3o. \u00c9 um mon\u00f3logo. Aquele \u00e9 o mon\u00f3logo de Janair. Ent\u00e3o, a partir dessa inscri\u00e7\u00e3o, toda a desconstru\u00e7\u00e3o de G.H. se d\u00e1. N\u00e3o haveria desconstru\u00e7\u00e3o de G.H. se n\u00e3o houvesse essa inscri\u00e7\u00e3o. Janair se inscreve no romance. Acho isso de um posicionamento pol\u00edtico muito importante e do qual eu tive que refletir e dar corpo, voz, protagonismo a Janair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de montagem do filme na miss\u00e3o de encontrar um un\u00edssono entre os diversos momentos de Maria Fernanda C\u00e2ndido captados em sua atua\u00e7\u00e3o e os aspectos visuais do filme?<\/strong><br \/>\nComecei a montar imediatamente ap\u00f3s a filmagem. (N.E. A produ\u00e7\u00e3o foi filmada em 2018). Porque eu filmei com essa urg\u00eancia de quem estava j\u00e1 sentindo uma sombra vindo sobre a cultura e fiquei com medo at\u00e9 de que esse valor que estava depositado ser requisitado. Porque \u00e9 um filme de baixo or\u00e7amento do per\u00edodo Dilma, de um edital de baixo or\u00e7amento de 2014. Eu filmei dentro dessa urg\u00eancia e comecei a montar logo em seguida. Montei em S\u00e3o Paulo com o Marcio Hashimoto. Ele j\u00e1 havia montado alguns projetos meus. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos uma media\u00e7\u00e3o de um roteiro. N\u00f3s t\u00ednhamos o romance e algumas anota\u00e7\u00f5es da Melina Dalboni, que dava conta das coordenadas principais do romance. E a partir da\u00ed, toda essa ideia de n\u00e3o media\u00e7\u00e3o, de experimenta\u00e7\u00e3o foi ganhando forma. Forma talvez para mim a quest\u00e3o mais sublime e mais dif\u00edcil de ser encontrada, entende? E o roteiro sempre, para mim, foi a montagem. Acredito que o roteiro, qualquer roteiro em qualquer filme, inclusive at\u00e9 os de car\u00e1ter mais comerciais, o roteiro final \u00e9 a montagem. Montagem, para mim, \u00e9 um dos momentos mais saborosos. \u00c9 o momento da reflex\u00e3o final.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-81009\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Gh2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1102\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Gh2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Gh2-204x300.jpg 204w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Luiz Fernando Carvalho fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o da obra, sobre montagem, sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o cinema e sobre o Brasil que quase caiu em um precip\u00edcio sem volta.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/15\/entrevista-luiz-fernando-carvalho-conta-como-foi-recriar-a-paixao-segundo-g-h-de-clarice-lispector-para-o-cinema\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":81008,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[7145,7144],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81007"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81007"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81007\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81017,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81007\/revisions\/81017"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81007"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}