{"id":80814,"date":"2024-04-05T01:08:32","date_gmt":"2024-04-05T04:08:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=80814"},"modified":"2025-04-11T09:51:39","modified_gmt":"2025-04-11T12:51:39","slug":"entrevista-nome-emblematico-da-nova-musica-portuguesa-ana-lua-caiano-fala-sobre-seu-disco-de-estreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/05\/entrevista-nome-emblematico-da-nova-musica-portuguesa-ana-lua-caiano-fala-sobre-seu-disco-de-estreia\/","title":{"rendered":"Entrevista: Nome emblem\u00e1tico da nova m\u00fasica portuguesa, Ana Lua Caiano fala sobre seu disco de estreia"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs can\u00e7\u00f5es do meu disco de estreia se beneficiaram de alguns anos de aprendizagem e da produ\u00e7\u00e3o dos dois EP\u2019s. Nesses trabalhos, tive ajuda na finaliza\u00e7\u00e3o do processo mas, no novo disco, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 minha. Por isso, estas m\u00fasicas cresceram e ganharam com a espera porque levaram com a minha pr\u00e1tica e as minhas novas refer\u00eancias, apesar da maioria delas ter sido quase toda composta no per\u00edodo da pandemia. Julgo que obtive um resultado de que gosto e com o qual me identifico\u201d, conta-me Ana Lua Caiano durante uma conversa franca e reveladora, pelo google meet, a poucos dias do lan\u00e7amento de \u201c<a href=\"https:\/\/idol-io.ffm.to\/vouficarnestequadrado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vou Ficar Neste Quadrado<\/a>\u201d (2024), o seu \u00e1lbum de estreia (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/09\/entrevista-artista-em-ascendencia-no-cenario-portugues-ana-lua-caiano-fala-sobre-seu-segundo-ep-se-dancar-e-so-depois\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ap\u00f3s dois EPs festejados e v\u00e1rios singles<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/idol-io.ffm.to\/vouficarnestequadrado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vou Ficar Neste Quadrado<\/a>\u201d reflete os sentimentos que Ana viveu durante a pandemia, algo que a cantautora e multi-instrumentista portuguesa volta a refor\u00e7ar: \u201cH\u00e1 muitas can\u00e7\u00f5es compostas com base na reflex\u00e3o sobre quest\u00f5es que se tornaram relevantes durante o covid-19 ou que n\u00e3o eram assim t\u00e3o importantes antes do surto. O medo de certas coisas e o fato de muitas pessoas n\u00e3o terem tido esse tipo de sentimentos, resultaram num pensamento relativo a esse estado de esp\u00edrito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Editado pelo selo alem\u00e3o Glitterbeat (ao qual Ana agradece a proje\u00e7\u00e3o internacional que lhe tem proporcionado), \u201cVou Ficar Neste Quadrado\u201d \u00e9 um excelente aprofundamento da sonoridade que a caracteriza, unindo a m\u00fasica popular portuguesa e a eletr\u00f4nica com recurso \u00e0s loop stations e aos sintetizadores. O trabalho evidencia uma artista atenta \u00e0s li\u00e7\u00f5es do passado, mas lan\u00e7ando-se as premissas do futuro e \u00e9 abrilhantado pela sua sagacidade l\u00edrica e por boas combina\u00e7\u00f5es mel\u00f3dicas e harm\u00f4nicas. No \u00e1lbum, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel constatar a introdu\u00e7\u00e3o de novas solu\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas (destacando-se o uso de sons de copos, fitas m\u00e9tricas e imita\u00e7\u00f5es de c\u00f3digo de morse, entre outros), a utiliza\u00e7\u00e3o da voz como instrumento e o aumento da componente eletr\u00f4nica e da pegada dan\u00e7ante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco cont\u00e9m v\u00e1rios pontos de interesse, mas duas faixas merecem um destaque especial pela sua for\u00e7a l\u00edrica e musical. O primeiro single, \u201cDeixem O Morto Morrer\u201d, que inclui a participa\u00e7\u00e3o do m\u00fasico brasileiro Ely Janoville (tocando um par de flautas), \u00e9 marcado por um refr\u00e3o grudante e alude ao sofrimento provocado pela morte de um homem. Com o avan\u00e7ar da can\u00e7\u00e3o a tristeza \u00e9 ultrapassada por uma batida vibrante que d\u00e1 um novo sentido \u00e0 m\u00fasica. A minimalista e fren\u00e9tica \u201cO Bicho Anda Por A\u00ed\u201d (que aborda uma personagem hipocondr\u00edaca e os pensamentos que a afligem) assenta a sua efic\u00e1cia numa t\u00f4nica insistente com laivos eletr\u00f4nicos e consuma-se no refr\u00e3o: \u201cN\u00e3o toques aqui n\u00e3o toques ali \/ p\u00f5e as m\u00e3os para baixo para resistires \/ n\u00e3o coces a cara nem os teus cabelos que, ai, o bicho anda por a\u00ed\u201d. Segundo Ana, a can\u00e7\u00e3o \u201creflete o medo que subitamente todos sentiram com o eclodir da pandemia, porque havia muita gente que nunca o tinha sentido ou pensado no assunto, mas agora faz parte da vida das pessoas e elas t\u00eam mais cuidado\u201d. E expressa um desejo: \u201cEscrevi \u2018O Bicho Anda Por A\u00ed\u2019 em 2020 e espero que hoje, pelo fato de haver um distanciamento, a m\u00fasica possa ser olhada de uma forma cat\u00e1rtica relativamente ao que aconteceu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os clipes do novo trabalho (maioritariamente assinados pela irm\u00e3 Joana Caiano) continuam a exprimir uma dualidade apreci\u00e1vel e atribuem significados particulares \u00e0s m\u00fasicas. No v\u00eddeo da referida \u201cO Bicho Anda Por A\u00ed\u201d transmite-se algum desconforto ao espectador, apresentando campos de t\u00eanis, bancadas de est\u00e1dios e piscinas p\u00fablicas (que costumam estar repletos de pessoas), habitados por figuras estranhas. J\u00e1 no clipe da faixa t\u00edtulo, Ana Lua Caiano alterna momentos em que dan\u00e7a animadamente com fases de aparente resigna\u00e7\u00e3o. A artista define o momento com igual ambiguidade suscitando a interpreta\u00e7\u00e3o livre: \u201cPode significar a vontade de sair de um quadrado e imaginar-se fora dele ou tamb\u00e9m poder\u00e1 constatar que nunca sair\u00e1 dele\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente ao acolhimento do disco, a artista relativiza o seu impacto e destaca o prazer que retirou da sua elabora\u00e7\u00e3o: \u201cO aspeto principal \u00e9 que gostei imenso de faz\u00ea-lo e estava ansiosa por lan\u00e7\u00e1-lo. Se as pessoas escutarem o \u00e1lbum e assistirem aos shows fico muito contente, porque \u00e9 um sinal de que est\u00e3o a ouvir as m\u00fasicas e a interpret\u00e1-las \u00e0 sua maneira. \u00c9 fundamental que fa\u00e7a sentido para mim. Depois, cabe a cada um decidir se gosta ou n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa altura em que se prepara para apresentar ao vivo o seu \u00e1lbum de estreia com shows agendas em Porto e Lisboa, a possibilidade de atuar no Brasil parece tomar forma. \u201cVou fazer muita for\u00e7a para tocar a\u00ed este ano e existem boas hip\u00f3teses de que possa acontecer. Se n\u00e3o for agora ser\u00e1 em breve. No entanto, tudo indica que atuarei no Brasil em 2024\u201d, conclui. De Lisboa para o Brasil, Ana Lua Caiano conversou com o Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Em Dire\u00e7\u00e3o Ao Sul\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dRDRPITGdGo?list=OLAK5uy_k7XcIXQS-k_1rePdHEcU0wjwR2rF8G7t4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque escolheu o t\u00edtulo \u201cVou Ficar Neste Quadrado\u201d para o seu \u00e1lbum de estreia?<\/strong><br \/>\nO nome est\u00e1 relacionado com a faixa-t\u00edtulo do disco e essa can\u00e7\u00e3o fala um pouco sobre uma pessoa que fica no seu s\u00edtio e depois tenta imaginar como sair do quadrado. E o quadrado pode representar a rotina. Existe uma teoria situacionista segundo a qual cada um de n\u00f3s tem a sua forma geom\u00e9trica na cidade. Porque cada pessoa tem os pontos que frequenta mas, \u00e9 claro, existem profiss\u00f5es diferentes. Se calhar a minha rotina j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o quadrada e est\u00e1 mais espalhada (risos). Mas, na maior parte do tempo, cada atividade tem a sua caracter\u00edstica e um local espec\u00edfico. Quando eu andava na escola de jazz do Hot Clube de Portugal ia seguidamente para a escola de Belas Artes, depois passava pelo jardim e finalmente chegava a casa. A forma geom\u00e9trica que resultava dessa rotina era um quadrado. Todos n\u00f3s temos um quadrado, o qual passa por ir a um determinado caf\u00e9, ao trabalho e depois existem pequenos desvios quando vamos ao teatro, a um show ou viajar. E no final do ano h\u00e1 sempre uma forma que fica. Por isso, \u00e9 uma reflex\u00e3o sobre esta rotina e se queremos sair dela ou n\u00e3o. Est\u00e1 relacionado com o pensamento, nestes pontos que fazem parte da vida de cada um, porque todos temos os nossos quadrados. Acaba por ser uma alus\u00e3o a essa teoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu disco revela ousadia e \u00e9 encorpado devido ao incremento da eletr\u00f4nica e da introdu\u00e7\u00e3o de novas bases r\u00edtmicas. Sente que conseguiu colocar no trabalho tudo o que pretendia e a define?<\/strong><br \/>\nSim. Nos outros trabalhos as can\u00e7\u00f5es eram mais homog\u00eaneas do in\u00edcio at\u00e9 o fim. E como fiz um \u00e1lbum, tive mais possibilidades de explorar diversas coisas em m\u00fasicas diferentes. Sinto que h\u00e1 uma linguagem que une o disco mas, ao mesmo tempo, tenho uma can\u00e7\u00e3o experimental, outra que \u00e9 um pouco tradicional e ainda existem algumas que v\u00e3o pegar em elementos da m\u00fasica concreta, no sentido em que s\u00e3o mais experimentais, e n\u00e3o se trata propriamente de uma can\u00e7\u00e3o. Isso permitiu-me explorar as diferentes faixas. Por outro lado, comecei a utilizar neste \u00e1lbum algo que j\u00e1 tinha usado na m\u00fasica \u201cVou Abaixo Volto Acima\u201d, do EP \u201cSe Dan\u00e7ar \u00c9 S\u00f3 Depois\u201d (2023), que era a utiliza\u00e7\u00e3o da voz como instrumento e comecei a recort\u00e1-la e a utiliz\u00e1-la como um ritmo ou sintetizador. Eu n\u00e3o fiz isso no EP \u201cCheguei Tarde A Ontem\u201d (2022) e acabei por concretiz\u00e1-lo na \u00faltima can\u00e7\u00e3o que produzi do meu disco anterior. Portanto, tornou-se um elemento que aprofundei ainda mais no (novo) \u00e1lbum e usei em faixas como \u201cVou Ficar Neste Quadrado\u201d ou \u201cO Bicho Anda Por A\u00ed\u201d. H\u00e1 muitas can\u00e7\u00f5es em que a voz deixa de estar somente ligada \u00e0 letra e torna-se um instrumento. Por vezes, surgem coisas novas que s\u00e3o influenciadas pelo que descobrimos ou elementos que apareceram por uma determinada raz\u00e3o. Eu ouvi muito os Baiuca (grupo espanhol que cruza a m\u00fasica tradicional galega e a eletr\u00f4nica) e gosto de escutar coisas meio loucas. Adoro o formato can\u00e7\u00e3o, mas agrada-me explor\u00e1-lo. O fato de apreciar m\u00fasica experimental tamb\u00e9m se reflete no meu trabalho. Recordo, igualmente, uma cantora francesa de que gosto e est\u00e1 ligada aos sintetizadores modulares, Zaho de Sagazan, e o novo disco do Legendary Tigerman (\u201cZeitgeist\u201d, de 2023) n\u00e3o saiu a tempo de me influenciar, mas adorei esse trabalho. Ele \u00e9 um roqueiro, mas introduziu uma parte eletr\u00f4nica que resultou muito bem. Estou sempre atenta e vou escutando o que posso. Por vezes, n\u00e3o consigo perceber se foi uma influ\u00eancia direta ou se me inspirou. Tamb\u00e9m ouvi muito Martin Rev que tem um cunho mais cru, experimental e meio Velvet Underground. \u00c9 aquilo com que me vou deparando e me apaixona (risos). Mas, estou muito contente porque neste disco explorei v\u00e1rios aspectos diferentes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Lua Caiano - Deixem O Morto Morrer (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rz6qttD1z-8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No \u00e1lbum, voc\u00ea incluiu uma vers\u00e3o de est\u00fadio e outra ao vivo para a m\u00fasica \u201cDeixem O Morto Morrer\u201d. Foi a maneira que encontrou para enfatizar a sua mensagem ou pretendia fomentar novas leituras da can\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nJulgo que \u00e9 um pouco das duas coisas. Por um lado, para dar mais impacto \u00e0 can\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que foi o primeiro single, e escolhi-o por ser uma m\u00fasica simultaneamente triste e alegre e eu gosto de criar o inc\u00f4modo de n\u00e3o se perceber se \u00e9 para rir ou chorar (risos). Por outro lado, fiz uma resid\u00eancia art\u00edstica com um grupo vocal, que acabou por aparecer no disco. No \u00e1lbum, sou eu quem faz as vozes todas mas, quando tive essa experi\u00eancia com o coro Essence Voices, cada um deles cantou uma parte que eu normalmente interpreto. Isso trouxe uma nova vida \u00e0 can\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m teve a inten\u00e7\u00e3o de mostrar o lado mais cru da faixa. As minhas m\u00fasicas, normalmente, t\u00eam muita produ\u00e7\u00e3o e bastantes elementos e h\u00e1 v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es com diversos sons. A ideia era despojar a faixa e torn\u00e1-la mais s\u00f3bria. Desde o come\u00e7o que eu quis incluir uma vers\u00e3o acappella e sinto que as vozes e as harmonias s\u00e3o um elemento fundamental da minha m\u00fasica. Portanto, n\u00e3o queria que fosse s\u00f3 eu sozinha a cant\u00e1-la. Quando me reuni com o coro tudo fez sentido e j\u00e1 estava a planejar que ia sair algo que eu desejava. Mas, tamb\u00e9m pode gerar outras interpreta\u00e7\u00f5es. Esse aspecto das can\u00e7\u00f5es ganharem novos significados nunca me fez pensar que a m\u00fasica era algo feminista e, subitamente, o clipe trouxe outra dimens\u00e3o. Todas as camadas que existem podem carregar novos sentidos e isso \u00e9 enriquecedor. Se calhar a vers\u00e3o ao vivo possibilita uma interpreta\u00e7\u00e3o diferente e o v\u00eddeo, por incluir aquele grupo de mulheres, poder\u00e1 sugerir outras leituras.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Filipe Melo e Samuel \u00daria - 50 anos do 25 de Abril | Festival da Can\u00e7\u00e3o 2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DNKO41U5cTY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea atuou recentemente na final do Festival da Can\u00e7\u00e3o 2024, durante um medley evocativo dos 50 anos da revolu\u00e7\u00e3o de 25 de Abril, cantando &#8220;Que Amor N\u00e3o Me Engana&#8221;, de Zeca Afonso, e que contou com as participa\u00e7\u00f5es de Samuel \u00daria, Alex D\u00b4Alva Teixeira, do m\u00fasico brasileiro Luca Argel e de Paulo de Carvalho. O que representou para si atuar ao vivo na televis\u00e3o portuguesa com esses m\u00fasicos e o fato de participar na celebra\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFoi uma experi\u00eancia incr\u00edvel, porque s\u00e3o m\u00fasicos que eu admirava. Eu j\u00e1 tinha tocado duas ou tr\u00eas can\u00e7\u00f5es em Lisboa com o Luca Argel, no Festival Term\u00f3metro, em 2023. O Luca era meu conhecido, mas os outros n\u00e3o. Foi incr\u00edvel poder atuar com eles e interpretar essas m\u00fasicas ligadas ao 25 de Abril de 1974. \u00c9 importante continuar a cant\u00e1-las, porque nenhuma luta est\u00e1 verdadeiramente terminada e percebemos que ainda \u00e9 necess\u00e1rio travar muitas batalhas para assegurar a democracia. Portanto, foi bastante importante estar com artistas que me acolheram t\u00e3o bem e me ensinaram tanto e puseram-me \u00e0 vontade para reinterpretar aquela faixa do Zeca Afonso. Cantar com eles e o fato do Paulo de Carvalho ter cantado uma m\u00fasica t\u00e3o importante para celebrar o 25 de Abril como \u00e9 \u201cE Depois Do Adeus\u201d, foi mesmo um momento muito especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2023, voc\u00ea desenvolveu uma atividade intensa com participa\u00e7\u00f5es em festivais portugueses como o NOS Alive e o Imaterial, diversas atua\u00e7\u00f5es nacionais e no estrangeiro e presen\u00e7as em festivais internacionais de ind\u00fastria. Qual foi a aprendizagem que retira dessas experi\u00eancias e em que medida essa din\u00e2mica a anima para o seu trabalho presente?<\/strong><br \/>\nAcho que foram muitas aprendizagens porque, apesar de tudo, n\u00e3o comecei a tocar em palco assim h\u00e1 tanto tempo. Sinto que foi essencial para mim atuar muitas vezes, rodar e agora estou mais \u00e0 vontade. Em cada m\u00eas que toco sinto que isso \u00e9 deveras importante e come\u00e7o a interagir melhor com os diversos p\u00fablicos. No ano passado passei em locais muito diferentes. Tanto fiz espet\u00e1culos em pequenas terras com 30 pessoas a assistir como fui a festivais repletos de gente que n\u00e3o conhecia e em que estava sozinha em palco. S\u00e3o todos incr\u00edveis \u00e0 sua maneira, porque nos eventos maiores temos de captar as pessoas que est\u00e3o longe, j\u00e1 que \u00e9 mais f\u00e1cil haver intera\u00e7\u00e3o com aquelas que est\u00e3o mais perto. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o as vejo, como num teatro, porque est\u00e1 escuro ou num clube onde est\u00e3o a dan\u00e7ar ao p\u00e9 de mim, os cen\u00e1rios s\u00e3o diferentes. Este ano estarei mais segura em cada um deles, porque tive oportunidade de poder experiencia-los no ano passado. Estou muito ansiosa de continuar a poder crescer, aprender com as pessoas e mostrar a minha m\u00fasica a quem n\u00e3o me conhece ou a quem j\u00e1 me ouviu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pretende continuar a apresentar a sua m\u00fasica no formato \u201cone-woman band\u201d ou antev\u00ea a possibilidade de alargar a base r\u00edtmica com outros m\u00fasicos e estabelecer novas parcerias?<\/strong><br \/>\n\u00c9 sempre uma possibilidade em aberto. Neste momento, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/13\/ao-vivo-ana-lua-caiano-apresenta-novo-ep-em-lisboa-em-clima-de-comunhao-e-apoteose-com-participacao-de-fred-ferreira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sinto que continua a fazer sentido este projeto, mas eu gosto bastante de colaborar<\/a> e j\u00e1 atuei com um coro (Essence Voices) e fiz outro show em que tive umas adufeiras a tocar comigo. Esses concertos foram muito especiais e as parcerias acrescentaram muito ao espet\u00e1culo. Para j\u00e1, n\u00e3o antevejo um futuro em que sejam sempre as mesmas pessoas, at\u00e9 porque h\u00e1 imenso espa\u00e7o e para mim ainda faz sentido tocar sozinha. Mas, espero colaborar este ano em certos shows com outros m\u00fasicos, porque ensinam-me muito. Eu toco adufe e, de repente, umas adufeiras da Serra da Estrela t\u00eam uma pr\u00e1tica, sabedoria e olham para a can\u00e7\u00e3o de forma diferente, porque tocam ritmos que eu n\u00e3o imaginava. Esse tipo de aprendizagem que se obt\u00e9m com as pessoas e com as diferentes experi\u00eancias tamb\u00e9m \u00e9 importante. Acho que em 2024 vou ter v\u00e1rias oportunidades para fazer colabora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Lua Caiano - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/baMTuUoBnGI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Lua Caiano - D\u00f3i-me A Cabe\u00e7a e o Ju\u00edzo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eg4iBXoAKXI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Lua Caiano | Manh\u00e3s da 3 | Antena 3\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-5V8sguzUxw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Tiago Nuno.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Editado pelo selo alem\u00e3o Glitterbeat, \u201cVou Ficar Neste Quadrado\u201d \u00e9 um excelente aprofundamento da sonoridade que a caracteriza, unindo a m\u00fasica popular portuguesa e a eletr\u00f4nica com recurso \u00e0s loop stations e aos sintetizadores\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/05\/entrevista-nome-emblematico-da-nova-musica-portuguesa-ana-lua-caiano-fala-sobre-seu-disco-de-estreia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":80815,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6688,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80814"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80814"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80814\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80816,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80814\/revisions\/80816"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80815"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}