{"id":80698,"date":"2024-03-28T12:44:28","date_gmt":"2024-03-28T15:44:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=80698"},"modified":"2024-06-10T02:23:03","modified_gmt":"2024-06-10T05:23:03","slug":"entrevista-rei-das-paradas-de-sucesso-jack-antonoff-faz-novo-voo-solo-com-o-bleachers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/28\/entrevista-rei-das-paradas-de-sucesso-jack-antonoff-faz-novo-voo-solo-com-o-bleachers\/","title":{"rendered":"Entrevista: Rei das paradas de sucesso, Jack Antonoff faz novo voo solo com o Bleachers"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong> e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrmllr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igor M\u00fcller<\/a>, do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele \u00e9 o produtor mais requisitado da atualidade no universo pop \u2013 e que o digam Lana del Rey, Taylor Swift, Lorde, St. Vincent e Paramore, s\u00f3 para ficar em alguns nomes. Mas ao contr\u00e1rio de outros magos dos est\u00fadios, acostumados aos bastidores, Jack Antonoff tamb\u00e9m gosta de brilhar em voo solo. Ou quase: no rec\u00e9m-lan\u00e7ado e auto-intitulado \u201cBleachers\u201d, quarto disco da banda que ele criou em 2014 para substituir seu nome pr\u00f3prio quando sobe aos palcos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/01\/balanco-osheaga-festival-no-canada-dia-2-caribou-mitski-bleachers-khruangbin-pierre-kwenders\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o Scream &amp; Yell os viu no Canad\u00e1!<\/a>), Antonoff divide os cr\u00e9ditos de composi\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o com gente como Lana del Rey (na balada \u201cAlma Mater\u201d), Florence Welch (\u201cSelf Respect\u201d), Aaron Dessner (\u201cHey Joe\u201d) e o novato Bartees Strange (que co-produz a faixa de abertura \u201cI Am Right On Time\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obedecendo a uma regra m\u00e1xima do rock, o disco auto-intitulado traz um ponto de virada na banda. Al\u00e9m da chegada de cinco novos integrantes numa forma\u00e7\u00e3o fixa, esta \u00e9 a primeira vez que Antonoff diz escrever pensando no presente. \u201cSempre senti que meu corpo se dividia nesse vai e volta entre o passado e o futuro, mas h\u00e1 cerca de um ano, comecei a escrever de um jeito que \u00e9 mais como uma conversa, com os dois p\u00e9s na realidade\u201d, diz o produtor, em entrevista <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/7qHpH7rUkuHS0tn8KMc1Dl?si=0cfe768af13149c7&amp;nd=1&amp;dlsi=c75ef4456f694df8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que voc\u00ea pode ouvir no Programa de Indie<\/a> \u2013 e\/ou ler aqui na \u00edntegra em vers\u00e3o texto no Scream &amp; Yell. \u201cNunca planejei chamar o quarto disco do Bleachers dessa forma, mas percebi que t\u00ednhamos conquistado esse momento, criando uma mitologia em torno da nossa m\u00fasica.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-80701\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bleachers3.png\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"485\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bleachers3.png 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bleachers3-300x194.png 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo em que avan\u00e7a, Antonoff retoma algumas das caracter\u00edsticas dos discos anteriores: est\u00e3o l\u00e1 as can\u00e7\u00f5es dan\u00e7antes \u00e0 moda de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/16\/discografia-comentada-bruce-springsteen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruce Springsteen<\/a>, baladas pop melanc\u00f3licas e os elementos de uma vis\u00e3o dos Estados Unidos que talvez n\u00e3o exista mais como forma de refletir sobre o estado das coisas. \u201cExiste uma obsess\u00e3o atual pela discuss\u00e3o de que os Estados Unidos est\u00e3o mudando ou morreram. Parte disso parece datado, mas tamb\u00e9m gosto de usar elementos de outras eras para pensar sobre o futuro\u201d, diz o artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Antonoff tamb\u00e9m fala sobre as diferen\u00e7as entre produzir e compor para si mesmo ou \u201ccosturar para fora\u201d e disserta sobre a expectativa de um artista antes que um \u00e1lbum j\u00e1 pronto chegue at\u00e9 as pessoas. \u201cSabe quando voc\u00ea acorda depois de uma noite de bebedeira e fica pensando no que voc\u00ea disse, sem saber direito? Lan\u00e7ar um disco \u00e9 bem assim\u201d, diz. Ele tamb\u00e9m elenca seus cinco discos para a ilha deserta, diz com quem sonha em trabalhar e promete vir ao Brasil em breve. \u201cEu me sinto mal por nunca ter ido, sempre vejo os f\u00e3s online e acho o m\u00e1ximo. Mal posso esperar para estar a\u00ed\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bleachers -  I Am Right On Time\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pmoLqjXahlM?list=OLAK5uy_lntJ8yyRkLZLJ7vizyqbjgKTS-qrxhCck\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo disco do Bleachers \u00e9 o primeiro trabalho da banda em tr\u00eas anos. Como essas m\u00fasicas novas surgiram e o que elas representam pra voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nJack Antonoff: N\u00e3o sei o porqu\u00ea, mas sempre escrevi muito sobre o passado e o futuro. Sempre senti que meu corpo se dividia nesse vai e volta, o passado e o futuro. H\u00e1 cerca de um ano, passei a me sentir mais ligado ao presente. Tentei entender os motivos, mas acho que \u00e0s vezes as coisas s\u00f3 acontecem assim mesmo. Comecei a escrever de um jeito que \u00e9 mais como uma conversa, e notei que isso me fez escrever m\u00fasicas que n\u00e3o eram nem uma mem\u00f3ria do passado, nem uma esperan\u00e7a para o futuro. Era s\u00f3 algo com os dois p\u00e9s no presente, na realidade. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado em falar do passado e do futuro, amo fazer isso, mas essa \u00e9 a principal diferen\u00e7a entre esse disco e os que vieram antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que a pandemia teve alguma influ\u00eancia nesse movimento?<\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o. Durante a pandemia, eu trabalhei muito no \u00faltimo \u00e1lbum, \u201cTake the Sadness Out of Saturday Night\u201d. Acho que a pandemia me deixou obcecado sobre como o futuro seria e o que passado significava. Perdi uma irm\u00e3 quando tinha 18 anos de idade e esse foi um momento muito marcante, que sempre fez parte da m\u00fasica que eu fa\u00e7o. Quando voc\u00ea tem uma perda grande como essas, uma parte de voc\u00ea fica congelada no passado e a outra luta em prol do seu futuro. De certa forma, se torna muito dif\u00edcil viver no presente, porque voc\u00ea sempre fica pensando no passado ou no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre pensando \u201ce se\u2026\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nSim! Nos \u201ce se\u2026\u201d e nos \u201ccomo eu poderei\u2026?\u201d. E se isso n\u00e3o tivesse acontecido? Como eu poderei seguir em frente? \u00c9 algo bem dividido\u2026 pera\u00ed, acho que tenho que anotar isso, isso \u00e9 bom. \u201cThe what ifs and how will I?\u201d. Ent\u00e3o, acho que minha escrita vem desse lugar, embora eu nem pense muito bem nisso enquanto componho. Mas quando tudo est\u00e1 pronto, come\u00e7o a refletir sobre essa grande perda e na necessidade de ver tudo atrav\u00e9s dessa lente. Talvez seja uma forma de manter as mem\u00f3rias vivas, uma forma de manter aquela pessoa viva. Nesse disco novo, \u201cBleachers\u201d, pela primeira vez consegui n\u00e3o sentir culpa com rela\u00e7\u00e3o a isso. \u00c9 um sentimento que at\u00e9 est\u00e1 presente no disco, mas n\u00e3o \u00e9 a pe\u00e7a central dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma esp\u00e9cie de regra n\u00e3o-escrita da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica que diz que quando uma banda d\u00e1 seu nome a um disco \u2013 e esse disco n\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum de estreia \u2013, isso significa que aquele trabalho \u00e9 um ponto de virada na carreira. Voc\u00ea sente que essa energia se reflete no novo \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nAcho que essa regra \u00e9 verdadeira \u2013 a do disco autointitulado ser um \u201cstatement\u201d, independentemente de qual seja esse \u201cstatement\u201d. \u00c0s vezes, ele \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o do tipo \u201cn\u00f3s estamos aqui\u201d. \u00c0s vezes, at\u00e9 mesmo o primeiro disco \u00e9 essa declara\u00e7\u00e3o. Tive v\u00e1rias bandas ao longo da vida, mas nunca quis usar o nome delas nos nossos primeiros discos, talvez porque eu acredite que a melhor mensagem para um disco autointitulado n\u00e3o seja o \u201caqui estamos n\u00f3s\u201d, mas sim o come\u00e7o de uma nova conversa. Nunca planejei chamar o quarto disco do Bleachers dessa forma, mas foi algo que surgiu para mim quando entendi o contexto do que eu estava criando, h\u00e1 cerca de um ano. Percebi que n\u00f3s t\u00ednhamos conquistado esse momento, criando uma mitologia em torno da nossa m\u00fasica, dos nossos shows e do nosso p\u00fablico. \u00c9 uma jornada longa, mas agora podemos fincar essa bandeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Faz sentido. \u00c0 primeira vista, considerando os primeiros singles lan\u00e7ados, o disco novo nos pareceu mais reflexivo e menos festeiro que os trabalhos anteriores do Bleachers. O que voc\u00ea acha disso? \u00c9 por a\u00ed?<\/strong><br \/>\n\u00c9 estranho. Agora que as pessoas est\u00e3o ouvindo o disco, h\u00e1 opini\u00f5es bem diferentes. A minha opini\u00e3o \u00e9 a que menos importa. Tem gente que diz que \u00e9 o disco mais alegre da banda, outros acham que \u00e9 o mais triste, mais reflexivo. Eu realmente n\u00e3o sei! E amo o fato de n\u00e3o saber. Nesse momento, o disco j\u00e1 est\u00e1 completo para mim. Agora, ele passa a ser seu e de todas as pessoas que v\u00e3o ouvi-lo. Quando come\u00e7armos nossa turn\u00ea, ele passa a ser sobre todos n\u00f3s, juntos. Mas devo dizer que esse momento em que espero o lan\u00e7amento do disco, como artista, \u00e9 bem interessante. \u00c9 como escrever um livro, botar no correio e nunca mais conseguir mexer nele de novo. \u00c9 apertar \u201cenviar\u201d num email sem poder cancelar. Sabe quando voc\u00ea manda uma mensagem realmente intensa, e voc\u00ea est\u00e1 com medo de enviar, mas envia mesmo assim? E a\u00ed quando voc\u00ea aperta o enviar, voc\u00ea sente ao mesmo tempo ansiedade e al\u00edvio? \u00c9 algo que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais nas minhas m\u00e3os. Ao mesmo tempo, \u00e9 curioso, porque \u00e9 um disco que tem tanto de mim. Sabe quando voc\u00ea acorda depois de uma noite de bebedeira e fica pensando no que voc\u00ea disse, sem saber direito? Lan\u00e7ar um disco \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 ouvimos muitos artistas falarem sobre como o significado das m\u00fasicas se transformam quando elas s\u00e3o transportadas do disco para o palco. Como um artista que tamb\u00e9m \u00e9 produtor, voc\u00ea se preocupa com a vers\u00e3o ao vivo das m\u00fasicas enquanto ainda est\u00e1 gravando ou compondo? Ou s\u00e3o processos separados?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o processos bem diferentes! N\u00e3o importa onde eu esteja, \u00e9 l\u00e1 que estou 100% focado. Se estou no palco, nada mais importa. Se estou no est\u00fadio, nada mais importa. Nunca frearia minha criatividade s\u00f3 por pensar \u201cputz, mas como vamos tocar isso aqui ao vivo?\u201d. \u00c0s vezes, voc\u00ea realmente n\u00e3o consegue reproduzir algo ao vivo, e tudo bem. Enquanto isso, algumas m\u00fasicas s\u00e3o melhores ao vivo mesmo. \u00c9 curioso que voc\u00ea tenha feito essa pergunta porque estamos justamente ensaiando para a turn\u00ea agora, entendendo os arranjos. E h\u00e1 arranjos que achei que seriam dif\u00edceis e est\u00e3o sendo f\u00e1ceis\u2026 e vice-versa! Isso acontece porque tocar ao vivo \u00e9 sobre sentimento, n\u00e3o sobre instrumentos. Somos seis pessoas na banda, gente brilhante mesmo, capazes de tocar todas essas m\u00fasicas muito bem. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil fazer os instrumentos soarem bem, mas o dif\u00edcil \u00e9 capturar o sentimento original ou mesmo criar um novo sentimento. Por outro lado, esse \u00e9 o lado mais interessante de se fazer uma turn\u00ea: esse componente desconhecido \u00e9 o que faz os shows serem t\u00e3o bacanas. \u00c9 sobre tocar \u201cRollercoaster\u201d ou \u201cChinatown\u201d e botar a plateia inteira abaixo. Sei que s\u00e3o coisas que podem acontecer porque j\u00e1 toco essas m\u00fasicas h\u00e1 muitos anos, mas n\u00e3o sei como vai ser tocar \u201cTiny Moves\u201d ou \u201cMe Before You\u201d. At\u00e9 mesmo \u201cModern Girl\u201d, que foi o primeiro single, \u00e9 bastante nova para mim: n\u00f3s s\u00f3 a tocamos ao vivo tr\u00eas ou quatro vezes e ela tem mudado muito rapidamente, \u00e9 como um beb\u00ea crescendo r\u00e1pido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bleachers: Modern Girl | The Tonight Show Starring Jimmy Fallon\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a1Twa5RuswE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 hoje um dos produtores mais requisitados da atualidade. Qual \u00e9 a diferen\u00e7a, pra voc\u00ea, de produzir a si mesmo ou artistas como Lorde e Taylor Swift?<\/strong><br \/>\n\u00c9 engra\u00e7ado. \u00c9 o mesmo processo, mas ao mesmo tempo \u00e9 totalmente diferente. A semelhan\u00e7a \u00e9 que estou no est\u00fadio, tocando instrumentos e pensando sobre m\u00fasica. Mas quando estou fazendo minhas pr\u00f3prias m\u00fasicas, sinto que estou sempre fora de controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acha que as pessoas entendem mais o seu estilo quando ouvem o Bleachers?<\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o. Eu me sinto muito conectado com todos os trabalhos que produzo. As letras do Bleachers, claro, representam a minha vida, mas quanto aos sons e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, acho que n\u00e3o. N\u00e3o empresto quem eu sou para o que fa\u00e7o, sempre entro de cabe\u00e7a, dando all in mesmo. Assim, tudo o que fa\u00e7o acaba soando como meu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acreditamos que voc\u00ea tenha ideias a todo instante para m\u00fasicas \u2013 e algumas podem servir pra voc\u00ea, ou para artistas com quem voc\u00ea trabalha regularmente. Como saber quando uma ideia deve ter um destino espec\u00edfico?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 bem assim que funciona. Normalmente, quando componho, estou fazendo isso apenas para mim mesmo, para os meus projetos. \u00c9 s\u00f3 de vez em quando que fa\u00e7o algo que n\u00e3o sei muito bem o que \u00e9 e ent\u00e3o decido mostrar para algu\u00e9m. Na verdade, a maior parte do trabalho acontece ao vivo. Se eu estou sozinho, estou fazendo as minhas m\u00fasicas. Se estou com algu\u00e9m, ent\u00e3o estou fazendo m\u00fasicas com algu\u00e9m, naquele momento. As melhores m\u00fasicas nascem assim, pelo menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Perguntamos pela curiosidade mesmo \u2013 especialmente pensando que voc\u00ea trabalha com artistas diferentes, que s\u00e3o amigas, mas cujo p\u00fablico muitas vezes se v\u00ea como rival.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o funciona assim. Esses pensamentos externos realmente n\u00e3o existem quando estamos no est\u00fadio, trabalhando. \u00c9 quase como se estiv\u00e9ssemos numa ilha, isolados do resto do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos voltar naquele ponto do come\u00e7o que voc\u00ea falou sobre estar compondo sobre o presente. Quando ouvimos o Bleachers, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o bastante nost\u00e1lgica, como se voc\u00ea estivesse falando de uma Am\u00e9rica de outros tempos, que talvez n\u00e3o exista mais \u2013 talvez os Estados Unidos de Bruce Springsteen e Clarence Clemons, especialmente em m\u00fasicas como \u201cModern Girl\u201d. Voc\u00ea acha que faz sentido?<\/strong><br \/>\nFaz. \u00c9 algo muito presente. Existe uma obsess\u00e3o atual pela discuss\u00e3o se os Estados Unidos est\u00e3o mudando, se os Estados Unidos que conhecemos morreram\u2026 \u00c9 uma conversa que existe na cultura hoje em dia. Para mim, parte disso parece datado, mas tamb\u00e9m gosto de usar elementos de outras eras para falar e pensar sobre o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea se sente sobre os Estados Unidos hoje em dia?<\/strong><br \/>\nO conceito do que s\u00e3o os Estados Unidos mudou muito ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. Estou um pouco cansado a respeito de como as coisas est\u00e3o hoje, mas tamb\u00e9m busco sinais de esperan\u00e7a pro futuro. Acho que as pessoas ao meu redor est\u00e3o assim tamb\u00e9m: cansadas da mesma merda de sempre. \u00c0s vezes, o t\u00e9dio e o ru\u00eddo s\u00e3o tristes, mas \u00e0s vezes tamb\u00e9m ajudam a criar alguma esperan\u00e7a, uma esperan\u00e7a discreta. \u00c9 exaustivo ver as mesmas merdas acontecendo. H\u00e1 muitas coisas que s\u00e3o absurdas, mas tamb\u00e9m h\u00e1 espa\u00e7o e beleza, \u00e9 dif\u00edcil de entender. \u00c9 uma grande dualidade. Viajo por muitas partes desse pa\u00eds enorme e vejo muitas coisas. \u00c0s vezes, vejo coisas que me fazem ter vontade de apagar as luzes e dormir pra sempre. E, \u00e0s vezes, vejo coisas que me fazem sentir muita esperan\u00e7a com o mundo. E essas duas coisas acontecem todos os dias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-80699\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bleachers1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bleachers1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bleachers1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos quase chegando ao fim do nosso tempo, mas ainda h\u00e1 algumas perguntas na lista. Primeiro: voc\u00ea j\u00e1 trabalhou com muita gente de diferentes gera\u00e7\u00f5es, de Diana Ross a St. Vincent, al\u00e9m dos nomes j\u00e1 citados aqui.<\/strong><br \/>\nEu sou um homem de diferentes gera\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas com quem voc\u00ea ainda n\u00e3o trabalhou e gostaria?<\/strong><br \/>\nNingu\u00e9m. Sou muito feliz com meu time. N\u00e3o tenho sonhos de trabalhar com ningu\u00e9m, eu tenho sonhos com as pessoas que j\u00e1 conhe\u00e7o e com o que podemos criar juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A segunda pergunta \u00e9 <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/3yFeGyU7mx5AVdMevm5zRW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um cl\u00e1ssico do Programa de Indie<\/a>, bem ao estilo \u201cAlta Fidelidade\u201d. Quais seriam os cinco discos que voc\u00ea levaria para uma ilha deserta?<\/strong><br \/>\nTom Waits, \u201cThe Heart of Saturday Night\u201d. Hmm\u2026 \u201cTunnel of Love\u201d, do Bruce Springsteen. \u201cBitches Brew\u201d, do Miles Davis. \u201cSunset Tree\u201d, dos Mountain Goats. E\u2026 acho que levaria um disco da Bjork, mas n\u00e3o sei qual agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito bom. Acho que voc\u00ea \u00e9 a pessoa mais r\u00e1pida a responder essa pergunta em todas as nossas entrevistas.<\/strong><br \/>\nAcho que quando algu\u00e9m me pergunta do que gosto, tento apenas dizer como me sinto. N\u00e3o quero ficar fazendo uma curadoria da minha pr\u00f3pria resposta. (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra fechar: alguma chance da gente te ver aqui no Brasil?<\/strong><br \/>\nSim! Eu prometo! Nunca fui e mal posso esperar. Eu me sinto mal por nunca ter ido, sempre vejo os f\u00e3s online e acho o m\u00e1ximo. Mal posso esperar para estar a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u201cJesus Is Dead\u201d - Bleachers (LIVE on The Late Show)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KqAQ2VOXqKA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bleachers perform &#039;Tiny Moves&#039; on &#039;GMA&#039;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MrogF7V4jU8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bleachers - Alma Mater (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UwgWo9dn3LY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BLEACHERS - INTO THE SHADOW - Full Set Played on a Bus\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ENL48zHnzKM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>\u00a0e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Agora que as pessoas est\u00e3o ouvindo o disco, h\u00e1 opini\u00f5es bem diferentes. A minha opini\u00e3o \u00e9 a que menos importa. Tem gente que diz que \u00e9 o disco mais alegre da banda, outros acham que \u00e9 o mais triste, mais reflexivo&#8221;, diz Jack Antonoff \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/28\/entrevista-rei-das-paradas-de-sucesso-jack-antonoff-faz-novo-voo-solo-com-o-bleachers\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":80700,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5959,7111],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80698"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80698"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80698\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80702,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80698\/revisions\/80702"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}