{"id":80543,"date":"2024-03-21T17:35:46","date_gmt":"2024-03-21T20:35:46","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=80543"},"modified":"2024-04-12T01:51:07","modified_gmt":"2024-04-12T04:51:07","slug":"critica-bruce-dickinson-esbanja-vitalidade-e-boas-cancoes-em-the-mandrake-project","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/21\/critica-bruce-dickinson-esbanja-vitalidade-e-boas-cancoes-em-the-mandrake-project\/","title":{"rendered":"Bruce Dickinson esbanja vitalidade (e boas can\u00e7\u00f5es) em \u201cThe Mandrake Project\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais estranho que pare\u00e7a, \u00e9 justo afirmar que a carreira solo de Bruce Dickinson nunca recebeu o n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o que se esperava (ou que merece, dependendo de para quem se perguntar). L\u00e1 se v\u00e3o 35 anos desde o lan\u00e7amento de \u201cTattooed Millionaire\u201d, sua estreia sozinho, ainda que preparada em paralelo com suas atividades com o Iron Maiden \u2013 na qual desempenhava o papel de frontman h\u00e1 quase uma d\u00e9cada \u00e0quela altura. De l\u00e1 pra c\u00e1, entre a sa\u00edda da banda em 1993 e seu retorno, seis anos depois, a freq\u00fc\u00eancia de trabalhos individuais variou bastante: o \u00faltimo \u00e1lbum de est\u00fadio do lend\u00e1rio Mr. Air Raid Siren foi \u201cThe Chemical Wedding\u201d, de um j\u00e1 muito distante 2005. Entre novos discos \u2013 quatro, desde ent\u00e3o \u2013 e turn\u00eas \u201crememorativas\u201d \u00e0 frente da Donzela de Ferro (com quem deve passar, pela milion\u00e9sima vez, pelo Brasil ainda este ano &#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/06\/ao-vivo-numa-noite-fria-em-sao-paulo-um-quente-iron-maiden-deixou-os-fas-mais-uma-vez-felizes-com-um-grande-show\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relembre como foi em 2022<\/a>), o cantor enveredou por outras frentes, que foram de seu longevo hobby como piloto de avi\u00e3o e escritor (j\u00e1 leu <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/08\/15\/tres-livros-bruce-dickinson-badi-assad-e-bruce-springsteen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cPara Que Serve Esse Bot\u00e3o? Uma Autobiografia\u201d<\/a>?) ao empreendedorismo cervejeiro, sem nunca negar a vontade de embarcar em um novo projeto solo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Mandrake Project\u201d, o mais recente \u00e1lbum de Dickinson, portanto, j\u00e1 \u00e9 uma surpresa por si s\u00f3. Descrito pelo artista como uma ideia que inicialmente englobaria uma miniss\u00e9rie em quadrinhos, que seria acompanhada por um disco, o trabalho de dez faixas acabou explorando algumas passsagens da narrativa inicialmente prevista, come\u00e7ando a tomar forma pouco ap\u00f3s o per\u00edodo mais cr\u00edtico da pandemia de COVID. Se reunindo com o parceiro criativo de longa data Roy Z (com quem trabalha desde o bacana \u201cAccident of Birth\u201d, de 1997), Bruce come\u00e7ou a desenvolver as can\u00e7\u00f5es a partir de fragmentos trabalhados anteriormente, e desenvolveu nas letras conceitos que abandonavam a unidade conceitual em favor de uma abordagem mais individual e menos unificada, ainda que as letras possam ser interpretadas como parte do mesmo universo criativo. Com as composi\u00e7\u00f5es divididas entre Roy e Dickinson, \u201cMandrake\u201d, assim, poderia ser analisado como uma obra realizada a quatro m\u00e3os, ambas buscando focar a coes\u00e3o musical ao inv\u00e9s de uma hist\u00f3ria linear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ar os trabalhos com o primeiro single, a mais cadenciada \u201cAfterglow of Ragnarok\u201d, se mostra uma decis\u00e3o acertada, ainda que possa surpreender ouvintes mais acostumados \u00e0 escutar a voz do cantor em aberturas aceleradas (\u201cAces High\u201d e \u201cBe Quick or Be Dead\u201d v\u00eam \u00e0 mem\u00f3ria). A estrat\u00e9gia aqui \u00e9 outra: principalmente nos refr\u00e3os, Bruce mostra que seu m\u00edtico registro vocal n\u00e3o perdeu nada ao longo dos anos, e a riqueza de sua interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 valorizada tanto nos momentos mais mel\u00f3dicos quanto em trechos onde explora graves mais discretos. J\u00e1 a seguinte, \u201cMany Doors to Hell\u201d, pisa fundo nas harmonias hard rock, e seus riffs n\u00e3o soariam deslocados se aparecessem em um disco do Scorpions. Mesmo que t\u00e3o distintas, as duas faixas soam mais frescas em compara\u00e7\u00e3o com a can\u00e7\u00e3o que se segue \u2013 pouco h\u00e1 de t\u00e3o distinto em \u201cRain on the Graves\u201d, que, longe de ser uma can\u00e7\u00e3o ruim, soa requentada em sua introdu\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e seus timbres de teclados, que parecem um pouco deslocados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-80546 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bruce3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"658\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bruce3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/bruce3-300x263.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, \u201cMandrake\u201d n\u00e3o perde em compara\u00e7\u00e3o com os trabalhos mais recentes do Maiden, ainda que seja dif\u00edcil n\u00e3o sentir falta dos baixos cavalgantes de Steve Harris no in\u00edcio de \u201cResurrection Men\u201d. Trata-se, por\u00e9m, de uma das can\u00e7\u00f5es mais \u201cdiferentes\u201d aqui, com seus viol\u00f5es corridos e ritmos mais palat\u00e1veis (al\u00e9m de contar com Bruce tocando bong\u00f4s). O mesmo pode ser dito de \u201cFingers in the Wounds\u201d, com suas linhas de piano contribuindo para que seja uma das faixas mais pop no disco. \u00c9 quase o completo contr\u00e1rio da intricada \u201cEternity Has Failed\u201d, que conta com percuss\u00e3o quase tribal e uma intrigante flauta para se tornar o mais imersivo corte do \u00e1lbum \u2013 a m\u00fasica, inclusive, inclui arranjos de bateria bastante interessantes do m\u00fasico Dave Moreno, bem como a participa\u00e7\u00e3o do guitarrista Gus G, ex-integrante de apoio de Ozzy Osbourne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trecho final do \u00e1lbum conta com faixas fortes, mas que variam menos entre si. \u201cMistress of Mercy\u201d \u00e9 uma das mais aceleradas no \u00e1lbum, e se vale de um refr\u00e3o daqueles que remontam a \u201cPowerslave\u201d (1984). J\u00e1 a \u201cbalada\u201d do disco, \u201cFace In The Mirror\u201d, \u00e9 bonita, mas talvez seja a menos memor\u00e1vel no tracklist \u2013 \u00e9 f\u00e1cil imaginar ouvintes pulando direto para a clim\u00e1tica \u201cShadow Of The Gods\u201d, soturna em seu arranjo de teclas, e muito mais instigante em suas mudan\u00e7as de andamento e efeitos vocais ao longo de seus 7 minutos de dura\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma das can\u00e7\u00f5es mais recentes do repert\u00f3rio, e as influ\u00eancias de sons mais modernos s\u00e3o dif\u00edceis de ignorar. N\u00e3o deixa de ser interessante, portanto, que o fechamento do \u00e1lbum fique a cargo de uma de suas can\u00e7\u00f5es mais antigas: \u201cSonata (Immortal Beloved)\u201d data do per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o que antecedeu \u201cThe Chemical Wedding\u201d, ainda que a roupagem dada aqui n\u00e3o a fa\u00e7a soar presa ao contexto no qual foi originalmente concebida. Uma das mais longas composi\u00e7\u00f5es encontradas aqui \u2013 com quase 10 minutos de dura\u00e7\u00e3o \u2013 tamb\u00e9m ajuda Dickinson a flexionar sua veia teatral como poucas vezes nas \u00faltimas d\u00e9cadas, finalizando o trabalho de maneira ao mesmo tempo cat\u00e1rtica e intimista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visto de modo isolado, \u00e9 simples constatar a beleza de \u201cThe Mandrake Project\u201d e o incluir em meio ao que Bruce fez de melhor enquanto artista solo. Longe de angariar o n\u00edvel de hype normalmente destinado \u00e0quilo lan\u00e7ado por sua banda principal, ou mesmo a pol\u00eamica com a qual alguns de seus projetos anteriores foram agraciados \u2013 tal como o disco \u201cSkunkworks\u201d, produzido por Jack Endino (&#8220;Imagina s\u00f3 voc\u00ea receber uma liga\u00e7\u00e3o do Bruce Dickinson&#8221;, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/24\/entrevista-jack-endino-fala-sobre-novo-disco-solo-e-relembra-trabalhos-com-nirvana-bruce-dickinson-e-titas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relembrou o produtor aqui no Scream &amp; Yell<\/a>) em 1996 e (mau-)entendido como uma tentativa de se aproximar do p\u00fablico alternativo \u2013 \u00e9 um bom \u00e1lbum com uma grande quantidade de bons momentos, apesar de um ou outro menos memor\u00e1vel, e traz um cantor ainda cheio de vitalidade e capaz de construir verdadeiros \u00e9picos por meio de sua marcante voz. Mais do que manter o padr\u00e3o de qualidade do qual Dickinson passou a ser sin\u00f4nimo junto ao seu fiel e gigantesco p\u00fablico, \u00e9 um disco que faz refletir sobre o potencial criativo que seu principal autor \u00e9 capaz de canalizar em seus projetos individuais, h\u00e1 muito postos de lado. Se ao lado do Maiden o frontman v\u00eam alinhando turn\u00eas dedicadas ao material mais reverenciado do sexteto com material novo bissexto (o \u00faltimo, o competente \u201cSenjutsu\u201d, chegou ao p\u00fablico em 2021), \u201cThe Mandrake Project\u201d traz evid\u00eancias de sobra dos altos v\u00f4os (sem trocadilho) que o vocalista \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar com as circunst\u00e2ncias e os colaboradores certos; sua nova turn\u00ea, que passa pelo Brasil entre Abril e Maio, e promete alternar sucessos antigos com o novo material, deve ser uma oportunidade de testemunhar Bruce em sua melhor forma. Que venham mais trabalhos assim no futuro que se aproxima \u2013 Bruce Dickinson permanece pronto para anunciar a chegada dos dias que vir\u00e3o, e sua voz seguir\u00e1 soando, potente e incessante como uma sirene.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Mandrake Project\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nc8RZZYvCNYcxpRAwA9DYvHk2Dhh_JTzI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia outros textos de Davi aqui.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Visto de modo isolado, \u00e9 simples constatar a beleza de \u201cThe Mandrake Project\u201d e o incluir em meio ao que Bruce fez de melhor enquanto artista solo.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/21\/critica-bruce-dickinson-esbanja-vitalidade-e-boas-cancoes-em-the-mandrake-project\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":80544,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2719,1162],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80543"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80543"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80543\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80548,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80543\/revisions\/80548"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}