{"id":80499,"date":"2024-03-22T00:01:09","date_gmt":"2024-03-22T03:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=80499"},"modified":"2024-04-22T18:17:46","modified_gmt":"2024-04-22T21:17:46","slug":"entrevista-rubia-divino-fala-sobre-a-musica-ser-uma-retomada-inconsciente-de-sua-historia-ancestral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/22\/entrevista-rubia-divino-fala-sobre-a-musica-ser-uma-retomada-inconsciente-de-sua-historia-ancestral\/","title":{"rendered":"Entrevista: R\u00fabia Divino fala sobre a m\u00fasica ser uma retomada de sua hist\u00f3ria ancestral"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/BrunoPinguim47\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno\u00a0Moraes<\/a><br \/>\nfotos de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ivanacassuli\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ivana Cassuli<\/a><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Projetos musicais como a obra de R\u00fabia Divino t\u00eam algumas camadas que fazem um sentido visceral para quem nasceu e vive a cultura multifacetada do Brasil. Muito al\u00e9m de seu canto de pot\u00eancia avassaladora, a compositora traz em seu trabalho elementos de maracatu, samba, bai\u00e3o e forr\u00f3, que se equilibram com algumas pitadas de jazz e eventual presen\u00e7a de blues e rock. O foco, por\u00e9m, \u00e9 em ritmos brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa mescla do contempor\u00e2neo com o tradicional, do estrangeiro com o nacional, embalam letras que tamb\u00e9m exacerbam brasilidade a cada s\u00edlaba, cada hist\u00f3ria, cada grito, metaf\u00f3rico ou real, que clama por um mundo melhor enquanto denuncia o mundo de agora. \u201cTransborda\u201d, seu primeiro \u00e1lbum, foi lan\u00e7ado em 2021. Depois vieram os singles \u201cZona\u201d (2023) e feats com Amanda Magalh\u00e3es (\u201cMais Cedo, Mais Tarde\u201d) e Castel (\u201cO Alvo\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Scream &amp; Yell teve a oportunidade de conversar com a artista <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/01\/psicodalia-2024-dia-2-rubia-divino-mateus-aleluia-ava-rocha-e-jucara-marcal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ap\u00f3s seu show no Festival Psicod\u00e1lia<\/a>, onde ela contou sobre sua trajet\u00f3ria musical, espiritual e geogr\u00e1fica, e sobre como descobriu que a m\u00fasica e a religiosidade afrobrasileira est\u00e3o costuradas no \u00e2mago da hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ZONA - Rubia Divino Feat. Janine Mathias e Wes Ventura\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HBnSBaJmx2U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea participou ent\u00e3o do segundo dia do Psicod\u00e1lia. Foi um show incr\u00edvel, potente. Voz maravilhosa, mas n\u00e3o apenas. E a gente queria saber como se deu essa chegada ao D\u00e1lia. \u00c9 o seu primeiro, certo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 o meu primeiro e foi uma experi\u00eancia muito de abertura de caminhos mesmo. N\u00e3o posso deixar de saudar Exu. Laroy\u00ea, Exu! Por abrir esses caminhos e me colocar nesse lugar, tocar com todas as pessoas que est\u00e3o aqui dispostas a receber a mensagem que a gente tem pra trazer. Estou muito feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi bolar o repert\u00f3rio para esse show? Voc\u00ea trouxe alguns cl\u00e1ssicos\u2026<\/strong><br \/>\nA gente est\u00e1 num processo de turn\u00ea do \u201cTransborda\u201d (o primeiro disco). Ent\u00e3o, a gente fez toda uma constru\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio. Tem m\u00fasicas que, dependendo do lugar, a gente coloca no repert\u00f3rio e tem alguns lugares em que elas n\u00e3o tocam. Mas, assim, eu trago muito as minhas m\u00fasicas autorais, que est\u00e3o em discos e, inclusive, dispon\u00edveis no Spotify e nas demais plataformas de Streaming. Mas a gente tamb\u00e9m sa\u00fada outros artistas como Theodoro Nag\u00f4 com \u201cPreta Yay\u00e1\u201d, que ficou muito conhecida na voz de X\u00eania Fran\u00e7a. Salve X\u00eania! E a gente trouxe, por exemplo, Douglas Germano com \u201cMaria da Vila Matilde\u201d, que \u00e9 um manifesto. Costumo dizer que essa m\u00fasica \u00e9 um manifesto, porque a gente est\u00e1 falando da guerrilha! A gente est\u00e1 falando da nossa afirma\u00e7\u00e3o como mulher, como humanidade. \u00c9 legitimar as nossas humanidades, legitimar a luta que a gente tem di\u00e1ria como mulheres e pessoas perif\u00e9ricas, para conseguir dignidade. Que \u00e9 o m\u00ednimo, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E que, infelizmente, \u00e9 uma luta de s\u00e9culos que continua sempre.<\/strong><br \/>\nExatamente, \u00e9 isso. As pessoas \u00e0s vezes t\u00eam at\u00e9 uma certa dificuldade, tipo \u201cAi, o som da R\u00fabia \u00e9 muito pol\u00edtico!\u201d, mas eu n\u00e3o tenho como fugir muito disso. Eu n\u00e3o tenho como falar que eu sou uma mulher preta com pele clara\u2026 Com certeza eu tenho pra falar muitas camadas. Muitas coisas para al\u00e9m do racismo, para al\u00e9m das pautas raciais, com toda certeza. Porque as minhas subjetividades, elas existem. Mas eu vejo que o palco e um microfone na minha m\u00e3o \u00e9 uma oportunidade que eu tenho para trazer essa miss\u00e3o, da palavra. Ent\u00e3o a miss\u00e3o \u00e9 disseminar a palavra de forma muito consciente. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 entretenimento, tem todo um trabalho que \u00e9 feito por tr\u00e1s disso para que a gente consiga chegar nesse resultado que, por exemplo, foi o show do Psicod\u00e1lia. E foi incr\u00edvel!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-80558\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/rubia1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/rubia1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/rubia1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/rubia1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. N\u00e3o \u00e9 porque a gente est\u00e1 num clima de carnaval que questionamentos e pensamentos reais, dolorosamente reais, n\u00e3o possam vir tamb\u00e9m \u00e0 tona. E te perguntar: como a m\u00fasica chegou na sua vida?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica chegou na minha vida desde muito nova. Primeiro que venho de uma linhagem de sacerdotes que vieram do Congo, se instalaram no interior de Minas [Gerais] e vieram construindo. Isso \u00e9 uma hist\u00f3ria muito velada dentro da fam\u00edlia porque vem dessas religi\u00f5es de matriz africana e a minha fam\u00edlia foi pra uma outra quest\u00e3o de religiosidade. Mas \u00e9 algo que me encontrou. Bateu em mim e n\u00e3o teve como: eu preciso resolver isso, eu preciso tratar isso como uma miss\u00e3o tamb\u00e9m. E n\u00e3o s\u00f3! Viver com dignidade, como uma mulher preta fazendo esse corre. E ela chegou. Eu tinha nove anos de idade quando a m\u00fasica chegou pra mim. Cantando muito essa coisa da m\u00fasica dentro da Igreja, e a\u00ed depois ela foi pra um lugar de questionamento\u2026 Conservat\u00f3rio, estudando. E quando eu sa\u00ed do Rio de Janeiro, com dezoito anos \u2013 sou carioca da gema, nascida e criada, cria de Iraj\u00e1 \u2013, eu vim para o Paran\u00e1, onde estou, e vim descendo: Paranava\u00ed, Maring\u00e1, Londrina, e agora atualmente estou em Curitiba. Muitos no Psicod\u00e1lia s\u00e3o pessoas que me conhecem h\u00e1 dez, onze anos. De trajet\u00f3ria, que vieram acompanhando desde l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica \u00e9 uma forma de voc\u00ea se manter viva e manter viva toda essa hist\u00f3ria de pessoas da sua fam\u00edlia.<\/strong><br \/>\nSim! A m\u00fasica pra mim \u00e9 uma quest\u00e3o de vitalidade. Essa coisa da energia criativa, de ser uma artista, compositora. N\u00e3o s\u00f3 compositora, mas tamb\u00e9m abarcando essa posi\u00e7\u00e3o de int\u00e9rprete, que tamb\u00e9m \u00e9 muito necess\u00e1ria, muito importante. Porque essas m\u00fasicas acabam fazendo\u2026 Eu tomo elas para comigo. Elas acabam me pertencendo de alguma forma. Porque elas trazem aquilo: a m\u00fasica tem o poder de falar o que a gente n\u00e3o consegue dar nome. E ela tamb\u00e9m tem um poder muito grande de tensionar. Eu sou uma pessoa que as pessoas falam: \u201cAh, R\u00fabia\u2026 Qual a sua caixa? Qual a caixa na qual voc\u00ea est\u00e1 dentro das vertentes musicais?\u201d Isso \u00e9 muito louco, porque eu n\u00e3o consigo me encaixar. Porque eu preciso tensionar. A m\u00fasica, quando voc\u00ea a tensiona pra um lugar de tirar as pessoas da zona de conforto, isso \u00e9 necess\u00e1rio. E eu acho que a m\u00fasica tem esse papel. A gente est\u00e1 aqui no Psicod\u00e1lia, mas assim\u2026 A gente tem m\u00fasicas de diversos lugares no mundo, com diversas refer\u00eancias e fundamentos. Eu trago muita coisa da contemporaneidade e do jazz, mas eu trago muito da regionalidade, como o maracatu. Tanto que sa\u00fado a Mestra Joana Cavalcante, porque fui batuqueira de maracatu durante muitos anos (em Maring\u00e1), e \u00e9 dessa fonte que bebo muito tamb\u00e9m para a minha composi\u00e7\u00e3o. Pras claves da minha m\u00fasica. Mas tamb\u00e9m tenho a \u00c9rica Silva [da banda curitibana Mulamba] fazendo todos os arranjos, para trazer tamb\u00e9m toda essa regionalidade e tamb\u00e9m um pouco do jazz. Que tamb\u00e9m faz parte da minha forma\u00e7\u00e3o. Eu cresci muito escutando m\u00fasica instrumental. Meu pai me apresentou muito isso. De um lado contraposto com minha av\u00f3 paterna, m\u00e3e de meu pai, me trazia muito samba. Ent\u00e3o cresci muito nesse fundamento do samba-jazz. E levei ele at\u00e9 um tempo e depois eu fui agregando outras coisas pra dentro do balaio, sabe? Que foram extremamente necess\u00e1rias, e que agrade\u00e7o muito, porque deixou muito mais rico o mosaico musical.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Em Negrito Session - Rubia Divino ft. Amanda Magalh\u00e3es\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TwASS3ZVYw0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rubia Divino - TRANSBORDA - Um Filme de Caminhos (\u00c1lbum Visual)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u3ez7h_QX9I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Em Negrito #002: Amenidades - Rubia Divino\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ksM-CGDXR8I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/BrunoPinguim47\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno de Sousa Moraes<\/a>\u00a0migrou das ci\u00eancias biol\u00f3gicas para a comunica\u00e7\u00e3o depois de um curso de jornalismo cient\u00edfico. Desde ent\u00e3o, publica mat\u00e9rias sobre ecologia e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, e est\u00e1 se arriscando pelo jornalismo musical.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Muito al\u00e9m de seu canto de pot\u00eancia avassaladora, a compositora traz em seu trabalho elementos de maracatu, samba, bai\u00e3o e forr\u00f3, que se equilibram com algumas pitadas de jazz e eventual presen\u00e7a de blues e rock\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/22\/entrevista-rubia-divino-fala-sobre-a-musica-ser-uma-retomada-inconsciente-de-sua-historia-ancestral\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":136,"featured_media":80501,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2643,7051],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80499"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/136"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80499"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80499\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80562,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80499\/revisions\/80562"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}