{"id":80485,"date":"2024-03-18T11:12:39","date_gmt":"2024-03-18T14:12:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=80485"},"modified":"2025-04-11T09:51:50","modified_gmt":"2025-04-11T12:51:50","slug":"cara-de-espelho-a-primeira-entrevista-do-supergrupo-portugues-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/18\/cara-de-espelho-a-primeira-entrevista-do-supergrupo-portugues-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Cara de Espelho: a primeira entrevista do supergrupo portugu\u00eas ao Brasil!"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA m\u00fasica est\u00e1 em primeiro lugar. J\u00e1 temos muita tarimba e andamos nisto h\u00e1 algum tempo para perceber que se as can\u00e7\u00f5es n\u00e3o estivessem \u00e0 frente n\u00e3o iria resultar. A nossa bandeira \u00e9 a m\u00fasica. Estamos todos unidos para levar as can\u00e7\u00f5es ao lugar onde podemos leva-las e vamos atr\u00e1s delas\u201d, diz-me Pedro da Silva Martins (o autor das palavras e das composi\u00e7\u00f5es do supergrupo portugu\u00eas <a href=\"https:\/\/caradeespelho.pt\/?fbclid=IwAR3TOQMWazBT3_kgFi2mApKa104Mj_LmLSXhiCVVI4hopuXFq8EBdsUXWrs#musica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cara de Espelho<\/a> e que anteriormente foi o criativo do Deolinda) quando o questiono sobre a concilia\u00e7\u00e3o das diversas personalidades que comp\u00f5em o grupo durante uma animada conversa que mantemos no Teatro Maria Matos, em Lisboa, e que incluir\u00e1 mais dois integrantes da banda, os m\u00fasicos S\u00e9rgio Nascimento (Deolinda, David Fonseca, Humanos) e Carlos Guerreiro (Gaiteiros de Lisboa, Zeca Afonso, Fausto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria dos Cara de Espelho come\u00e7ou precisamente com um encontro entre S\u00e9rgio e Carlos durante a pandemia, no qual recordaram uma bem sucedida apresenta\u00e7\u00e3o no Cinema S\u00e3o Jorge, em 2013, do Deolinda e dos Gaiteiros de Lisboa, onde os dois grupos interpretaram m\u00fasicas de ambos. O desejo de retomar o processo levou-os a convidarem Pedro da Silva Martins. \u201cEle escreveu um disco inteiro e come\u00e7ou a mandar m\u00fasicas para o Carlos Guerreiro e gerou um corropio de ideias\u201d, recorda o baterista S\u00e9rgio. A entrada do guitarrista Lu\u00eds J. Martins (irm\u00e3o de Pedro e ex-integrante do Deolinda) decorreu naturalmente e a vontade de encontrar uma voz para o projeto resultou num convite a Maria Ant\u00f3nia Mendes, a Mit\u00f3 (A Naifa, Se\u00f1oritas), pelo fato do seu estilo interpretativo se enquadrar com as letras e as can\u00e7\u00f5es de Pedro. O elenco ficou completo com a entrada do baixista Nuno Prata (Ornatos Violeta).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o lan\u00e7amento, em outubro de 2023, do duplo single \u201cCorridinho Portugu\u00eas\u201d e \u201cPol\u00edtico Antrop\u00f3fago\u201d, os Cara de Espelho mostraram ao que vinham, apostando e explorando as diversas solu\u00e7\u00f5es que constituem a m\u00fasica tradicional e popular portuguesa, que marcou os percursos dos seus integrantes, com o foco tem\u00e1tico na liberdade e na condi\u00e7\u00e3o humana, desmistificando diversos preconceitos e abusos de poder com o humor e o sentido cr\u00edtico das letras de Pedro da Silva Martins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/caradeespelho.pt\/?fbclid=IwAR3TOQMWazBT3_kgFi2mApKa104Mj_LmLSXhiCVVI4hopuXFq8EBdsUXWrs#musica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e1lbum hom\u00f3nimo de estreia<\/a>, editado tr\u00eas meses depois, retomou as coordenadas anteriores, lan\u00e7ando um olhar pertinente sobre o momento atual de Portugal abordando quest\u00f5es como a multiculturalidade lisboeta (t\u00e3o bem retratada em \u201cFadist\u00e3o\u201d) e faixas plenas de contund\u00eancia pol\u00edtica como \u201cDr.Coisinho\u201d ou \u201cVarejeiras\u201d. O m\u00e9rito do disco reside igualmente no fato da banda arriscar em territ\u00f3rios como o rock e a m\u00fasica africana ou sonoridades \u00e1rabes, mantendo a coer\u00eancia e a integridade da sua mensagem. Para o sucesso do trabalho, naturalmente, concorre tamb\u00e9m a enorme qualidade musical dos seus int\u00e9rpretes. Desde a s\u00f3lida se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica composta por S\u00e9rgio Nascimento e Nuno Prata, passando pela envolv\u00eancia vocal de Mit\u00f3 e a associa\u00e7\u00e3o das composi\u00e7\u00f5es geniais de Pedro da Silva Martins \u00e0 constru\u00e7\u00e3o instrumental de Carlos Guerreiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos maiores nomes da m\u00fasica portuguesa, S\u00e9rgio Godinho, elogiou o grupo destacando o fato dos Cara de Espelho partilharem \u201centre si e entre n\u00f3s o entusiasmo da m\u00fasica e a sua inventividade\u201d e cumprirem a miss\u00e3o de \u201cver a nossa cara particular no espelho\u201d. Carlos Guerreiro, que tocou com Godinho durante cinco anos, reconhece a sua influ\u00eancia e a de outros grandes nomes no trabalho da banda: \u201cH\u00e1 muita coisa nos primeiros arranjos que fiz para os Cara de Espelho que t\u00eam as refer\u00eancias de mestres como o S\u00e9rgio Godinho e consigo ainda identificar o que fui buscar a eles e n\u00e3o tenho qualquer problema em assumir isso\u201d e prossegue: \u201cTivemos a sorte de ter o S\u00e9rgio Godinho, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Fausto e Zeca Afonso ao mesmo tempo e os brasileiros tamb\u00e9m tiveram o Caetano Veloso, Chico Buarque e o Gilberto Gil. Se em Portugal n\u00e3o tiv\u00e9ssemos tido esses g\u00eanios n\u00e3o aprender\u00edamos a olhar a m\u00fasica da mesma forma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Lisboa para o Brasil, os Cara de Espelho conversaram com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cara de Espelho - Cara Que \u00c9 Tua (Official Visualiser)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/83E01e5Xmag?list=PL6iWRSn7zssUpP6Zbx-7ANq-NR7UKaHSH\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu o nome da banda e que objetivos tinham em mente para o vosso projeto quando se formaram?<\/strong><br \/>\n\u00c9 sempre dif\u00edcil arranjar um nome para uma banda, mas est\u00e1vamos muito relaxados quanto a isso. N\u00f3s fomos para o est\u00fadio e pensamos que ele surgiria por estarmos juntos. O certo \u00e9 que de v\u00e1rios nomes em cima da mesa Cara de Espelho parecia ser o mais estranho, mas isso fazia-nos sentido e conciliava um pouco a proposta, as can\u00e7\u00f5es e um bocado de tudo o que estava subjacente \u00e0s pr\u00f3prias m\u00fasicas. A ideia de refletir e de p\u00f4r um espelho em frente a cada assunto ou testa de ferro. Esse espelho foi pensado nesse aspceto. Foi o nome que nos pareceu mais natural e a sua estranheza tamb\u00e9m \u00e9 uma coisa gira (legal), que apresentamos. \u00c9 algo coerente e j\u00e1 n\u00e3o vemos a banda com outro nome. Os objetivos foram um bocado \u2018work in progress\u2019. As pe\u00e7as que entraram no jogo puseram tudo numa perspectiva diferente. As can\u00e7\u00f5es nasceram com elas e se os elementos fossem distintos seriam outras. De repente, fez-nos sentido, pela pr\u00f3pria voz da Mit\u00f3, que fossem este tipo de m\u00fasicas porque ela tem uma carga envolvente e n\u00e3o seria l\u00f3gico escrever can\u00e7\u00f5es de amor, j\u00e1 que a palavra nela tem um peso diferente de outras cantoras. As can\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a deslizar e a incidir num determinado sentido e foram aparecendo outras e come\u00e7\u00e1mos a perceber onde est\u00e1vamos. Agora encontramo-nos num ponto onde nos apropriamos das m\u00fasicas e elas t\u00eam um cunho. As faixas mais recentes, posteriores ao \u00e1lbum, t\u00eam outra identidade. Cada can\u00e7\u00e3o \u00e9 um novo passo que a banda d\u00e1. Portanto, ainda s\u00f3 demos alguns e at\u00e9 come\u00e7armos a andar e a voar vamos ganhando espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A liberdade e a singularidade humanas dominam a tem\u00e1tica do disco de estreia dos Cara de Espelho, mas \u00e9 ineg\u00e1vel que existe um vislumbre sobre o que significa ser portugu\u00eas nas letras. Qual \u00e9 o vosso coment\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nDe certa maneira \u00e9 isso que as letras trazem. A liberdade \u00e9 transversal a todas as m\u00fasicas e at\u00e9 a faixa \u201cMorte do Artista\u201d, que \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de morte, \u00e9 de liberta\u00e7\u00e3o. Mas, n\u00e3o estamos a definir o portugu\u00eas. \u00c9 um exerc\u00edcio de observa\u00e7\u00e3o e um questionamento a v\u00e1rios n\u00edveis sobre um momento que Portugal nunca viveu. Assistimos a uma campanha eleitoral e ao desempenho dos partidos como n\u00e3o v\u00edamos h\u00e1 uns anos atr\u00e1s. Se bem que percebemos que andam todos ao mesmo. Mas, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil enganar tantas pessoas. Tudo o que os partidos dizem agora j\u00e1 se disse imensas vezes. Se calhar aquilo que ir\u00e1 faturar mais \u00e9 o descontentamento. S\u00e3o muitos os partidos que tiram proveito da insatisfa\u00e7\u00e3o. Uns de uma forma e outros de outra. Vivemos uma \u00e9poca pol\u00edtica particular e est\u00e1 tudo a mudar. A sociedade tamb\u00e9m mudou e \u00e9 um fen\u00f4meno mundial. Por isso, situamo-nos agora e n\u00e3o s\u00f3 em termos art\u00edsticos, mas tamb\u00e9m individuais. Porque estamos com uma idade em que faz sentido fazer este tipo de m\u00fasica e a urg\u00eancia de falar de alguns assuntos \u00e9 maior. O que est\u00e1 mais al\u00e9m \u00e9 colocarmo-nos, percebermos onde estamos, onde est\u00e1 a sociedade, qual \u00e9 o nosso posicionamento como artistas e que can\u00e7\u00e3o faz sentido hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na faixa \u201cCorridinho Portugu\u00eas\u201d canta-se: \u201cSeparando o africano do cigano \/ Do chin\u00eas, do indiano, ucraniano, mu\u00e7ulmano, do romeno ou tirol\u00eas \/ Como v\u00eas sobra muito, muito pouco portugu\u00eas\u201d e em \u201cDr. Coisinho\u201d, alude-se a um \u201cDr coisinho que vem coisificar o medo\u201d. Gostariam que estas m\u00fasicas fossem um ant\u00eddoto contra a amea\u00e7a do extremismo pol\u00edtico, da xenofobia e do racismo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 verdadeiramente um ant\u00eddoto para isso. Mas, s\u00e3o can\u00e7\u00f5es que est\u00e3o l\u00e1 e fazem sentido e, infelizmente, nunca ir\u00e3o deixar de fazer. Quem escutar as m\u00fasicas acende aquela luzinha de despertar para essas quest\u00f5es. \u00c9 um pouco como as can\u00e7\u00f5es que ouvimos do Zeca Afonso ou do Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco. S\u00e3o m\u00fasicas que foram feitas naquele contexto social e pol\u00edtico, mas hoje ainda t\u00eam muita relev\u00e2ncia. E s\u00e3o tamb\u00e9m can\u00e7\u00f5es que culturalmente nos p\u00f5em num s\u00edtio. Se elas servirem para isso j\u00e1 \u00e9 bom e se forem para dan\u00e7ar funcionam na mesma. N\u00e3o h\u00e1 muito mais al\u00e9m disso. As m\u00fasicas s\u00e3o um bocado como os filhos, ganham vida pr\u00f3pria, e a partir de certa altura n\u00e3o as controlamos. Como n\u00e3o conhecemos os amigos, assim n\u00e3o conhecemos quem gosta das nossas can\u00e7\u00f5es. O Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco tamb\u00e9m defendia que as m\u00fasicas s\u00e3o como os filhos e j\u00e1 n\u00e3o as consegues travar. Se calhar, neste momento, elas est\u00e3o na Austr\u00e1lia ou no Jap\u00e3o. Os Gaiteiros de Lisboa at\u00e9 fizeram parte da playlist de uma r\u00e1dio australiana. Provavelmente, os abor\u00edgenes far\u00e3o vers\u00f5es delas (risos).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-80487\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/caradeespelho2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"657\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/caradeespelho2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/caradeespelho2-300x263.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum tem um tom cr\u00edtico social e pol\u00edtico que se expressa em v\u00e1rias faixas, no entanto tamb\u00e9m h\u00e1 espa\u00e7o para a divers\u00e3o que encontramos em can\u00e7\u00f5es como \u201cFadist\u00e3o\u201d. Este contraste foi uma forma de criar um escape ou resultou do processo normal de composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u201cFadist\u00e3o\u201d \u00e9 a can\u00e7\u00e3o mais lisboeta do \u00e1lbum e chama o fado de uma forma n\u00e3o muito direta, mas est\u00e1 latente e \u00e9 um exerc\u00edcio de olhar para uma Lisboa que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma que os Deolinda cantavam. Com Deolinda, Lisboa era muito diferente e agora passa um bocado por trazer o que a cidade \u00e9 hoje, para a nossa realidade e para a nossa vida. Tem coisas m\u00e1s e outros aspectos que s\u00e3o bons. Este fato de ser um s\u00edtio plural e de existir esta conflu\u00eancia \u00e9 incr\u00edvel e inspirador. Existe sempre a possibilidade de viajar no tempo e fazer can\u00e7\u00f5es sobre Alfama (bairro lisboeta) de outrora e at\u00e9 existem fados cantados por chineses. A Rua Morais Soares, por exemplo, muda de nacionalidade de dois em dois anos (risos). Para al\u00e9m disso, \u201cFadist\u00e3o\u201d parece uma can\u00e7\u00e3o na terceira pessoa e \u00e9 quase um passeio que estamos a dar em que descrevemos o que vemos. Pode ser um turista a olhar para a Lisboa atual, porque h\u00e1 um certo distanciamento. Pass\u00e1mos de uma cidade entaipada, que era a Lisboa dos Deolinda em 2007 e de repente mudou tudo para melhor. De um momento para o outro, a cidade tem outra luz, outra respira\u00e7\u00e3o e v\u00e1rias l\u00ednguas e culturas. Esta necessidade de nos situarmos, quando h\u00e1 tanta coisa no ar, \u00e9 importante para assentarmos e percebermos onde estamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria de saber se a banda pretende dar continuidade a este trabalho e em que moldes \u00e9 que voc\u00eas gostariam de conduzir os Cara de Espelho no futuro?<\/strong><br \/>\nPara j\u00e1, temos vindo a edificar as coisas para chegar ao ponto onde nos encontramos. Tudo o que \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um disco, a edi\u00e7\u00e3o e coloc\u00e1-lo c\u00e1 fora para o apresentar ao vivo num concerto. \u00c9 uma estrada longa e n\u00e3o \u00e9 algo que se faz em dois dias. Portanto, estamos a desfrutar deste momento. Mas, naturalmente, foi necess\u00e1rio escrever mais can\u00e7\u00f5es <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/06\/ao-vivo-cara-de-espelho-apresentam-album-de-estreia-em-lisboa-com-brilhantismo-e-em-sintonia-com-a-atualidade-portuguesa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para que o show fosse mais extenso<\/a> do que s\u00f3 com as m\u00fasicas do \u00e1lbum. De repente, fic\u00e1mos com a sensa\u00e7\u00e3o de que o caminho estil\u00edstico e tem\u00e1tico j\u00e1 tem mais portas abertas do que tinha no come\u00e7o. Por isso, avan\u00e7\u00e1mos de uma forma c\u00e9lere e com seguran\u00e7a. Pelo fato de possuirmos mais material nas m\u00e3os \u00e9 prov\u00e1vel que peguemos nele e cres\u00e7amos para algum lado, embora n\u00e3o saibamos bem o que iremos fazer. No entanto, a vida natural implica que essas can\u00e7\u00f5es v\u00e3o parar a outro registo fonogr\u00e1fico. Mas, ainda n\u00e3o temos a certeza quantas m\u00fasicas incluiremos no disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00eam alguma mensagem relacionada com a vossa m\u00fasica ou outra informa\u00e7\u00e3o que gostariam de partilhar com os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nEscutem Cara de Espelho, porque v\u00e3o reconhecer aqui e ali pitadas do sal das v\u00e1rias bandas por onde pass\u00e1mos. Mas, sobretudo, v\u00e3o ouvir uma proposta com um som portugu\u00eas que \u00e9 inesperado e, de certa forma, \u00e9 diferente do que est\u00e3o habituados a escutar. Pode ser uma porta aberta para descobrir outros lados da m\u00fasica portuguesa como os Gaiteiros de Lisboa, A Naifa ou o S\u00e9rgio Godinho que conhecem bem. No fundo, pesquisar outros passos que n\u00f3s demos. O brasileiro tem uma riqueza musical incr\u00edvel e tem outra coisa que \u00e9 gira (legal) que \u00e9 o fato de n\u00e3o gostar do \u00f3bvio. \u00c9 um p\u00fablico muito diverso e se calhar quando conhecer os Cara de Espelho vai entender que n\u00e3o \u00e9 uma proposta muito evidente. Como dizia Fernando Pessoa: \u201cPrimeiro estranha-se e depois entranha-se\u201d. Temos uma certa curiosidade para perceber os ecos do Brasil sobre este trabalho, porque ainda \u00e9 algo pequeno entre n\u00f3s. Somos um pa\u00eds de menor dimens\u00e3o e o brasileiro ter\u00e1 dificuldade em abarcar o que se est\u00e1 a passar no Brasil quanto mais em Portugal. Mas, existe um elo comum pelo fato de muitos brasileiros terem ascend\u00eancia portuguesa e de n\u00e3o serem indiferentes ao que fazemos. \u00c9 o que for (sorrisos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cara de Espelho - Pol\u00edtico Antrop\u00f3fago (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/U13tItb5CQU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Lucas Tavares.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Escutem Cara de Espelho. Pode ser uma porta aberta para descobrir outros lados da m\u00fasica portuguesa como os Gaiteiros de Lisboa, A Naifa ou o S\u00e9rgio Godinho que conhecem bem. No fundo, pesquisar outros passos que n\u00f3s demos. 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