{"id":803,"date":"2009-02-15T20:03:51","date_gmt":"2009-02-15T23:03:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=803"},"modified":"2016-09-10T10:19:13","modified_gmt":"2016-09-10T13:19:13","slug":"o-leitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/15\/o-leitor\/","title":{"rendered":"Cinema: O Leitor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"width: 350px; height: 510px;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/oleitor.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"510\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Stephen Daldry sabe o que faz. N\u00e3o que fa\u00e7a bem, isso ainda vamos conversar, mas chega a surpreender que seus tr\u00eas filmes lan\u00e7ados nesta d\u00e9cada tenham feito barulho no Oscar: &#8220;Billy Elliot&#8221;, a estr\u00e9ia, deu a Daldry a oportunidade de concorrer na categoria de Melhor Diretor em 2001 (Steven Soderbergh levou pelo bom &#8220;Traffic&#8221;, que perdeu injustamente para o engodo &#8220;Gladiador&#8221; em filme) e &#8220;As Horas&#8221; ganhou um caminh\u00e3o de indica\u00e7\u00f5es (inclusive Melhor Filme e Diretor) consagrando o nariz falso de Nicole Kidman. Agora \u00e9 a vez de &#8220;O Leitor&#8221; (com cinco indica\u00e7\u00f5es) correr por fora como azar\u00e3o. Qual\u00e9 a de Stephen Daldry?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro de tudo: o diretor brit\u00e2nico tem jeito pra coisa. Ningu\u00e9m \u00e9 indicado tr\u00eas vezes (com seus \u00fanicos tr\u00eas filmes) ao posto de Melhor Diretor \u00e0 toa. Muita gente acerta no primeiro filme, e depois enrola a carreira toda com a fama que conseguiu. Daldry n\u00e3o. H\u00e1 estilo em seus tr\u00eas filmes, e embora quase todos resvalem na pieguice (principalmente na meia-hora final), Daldry consegue imprimir uma marca interessante seja pela obsess\u00e3o em closes que excluem os personagens e dizem mais do que gestos, seja pela escolha acertada dos roteiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rasteiramente: em &#8220;Billy Elliot&#8221;, um garoto de 11 anos descobre sua voca\u00e7\u00e3o para o bal\u00e9 enquanto o pai tenta encaixa-lo no boxe. Em &#8220;As Horas&#8221;, uma escritora descobre sua voca\u00e7\u00e3o para a morte enquanto o marido tenta encaixa-la em uma fam\u00edlia. Em &#8220;O Leitor&#8221;, um garoto de 15 anos se relaciona com uma mulher de 40, e se v\u00ea obrigado a dividir sua dor pessoal com a social quando descobre que seu primeiro amor fez o cora\u00e7\u00e3o de muita mais gente parar al\u00e9m do seu (que insistiu em bater mecanicamente por d\u00e9cadas, apenas por bater).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema \u00e9 caro \u00e0 Academia: os cora\u00e7\u00f5es que a amada do garoto fez parar eram judeus, muitos judeus, mas Stephen Daldry pincela levemente o assunto em algumas cenas procurando focar sua c\u00e2mera na rela\u00e7\u00e3o de amor entre os dois personagens principais. Michael Berg (interpretado pelo bom David Kross quando jovem, e por Ralph Fiennes quando velho) se apaixona por Hanna Schmitz (Kate Winslet em bela atua\u00e7\u00e3o), que cria um c\u00f3digo rom\u00e2ntico entre eles: o rapaz l\u00ea livros para ela e depois ambos se entregam aos prazeres da carne. \u00c9 uma paix\u00e3o de ver\u00e3o que, como sempre, ir\u00e1 marcar ambos, mas existem outros complicadores na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oito anos ap\u00f3s uma brusca separa\u00e7\u00e3o, Michael reencontra Hanna: ele \u00e9 estudante de direito e est\u00e1 assistindo ao julgamento de pessoas envolvidas na morte de milhares de judeus em campos de concentra\u00e7\u00e3o. Ela est\u00e1 no banco dos r\u00e9us, e todo o passado de Michael volta \u00e0 tona. \u00c9 neste momento, quando o roteiro abandona o pessoal e parte para o social, que &#8220;O Leitor&#8221; trope\u00e7a e perde o foco. A discuss\u00e3o \u00e9 interessante, mas Daldry parece n\u00e3o querer foc\u00e1-la. Ele namora a cr\u00edtica ao povo alem\u00e3o (um dos personagens chega a enfatizar a coniv\u00eancia do povo perante o regime de Hitler), mas n\u00e3o aprofunda a quest\u00e3o preferindo a sa\u00edda comum dos romances \u00f3bvios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O clich\u00ea \u00e9 uma arma bastante interessante, quando bem usada, o que n\u00e3o \u00e9 o caso. Daldry encaminha a vida de seus personagens para a vala dos comuns tentando ganhar a simpatia do p\u00fablico. Apesar de suas tr\u00eas indica\u00e7\u00f5es ao Oscar, falta arte ao brit\u00e2nico para se equiparar a, por exemplo, Pedro Almod\u00f3var, que conseguiu o feito de tirar do p\u00fablico sentimentos de afeto por um personagem marginal (Benigno, o enfermeiro que abusa sexualmente de uma mulher em coma). A Hanna de Stephen Daldry n\u00e3o inspira paix\u00e3o, e sim pena, e pena n\u00e3o \u00e9 algo para se admirar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 mesmo uma safra t\u00e3o fraca de filmes para permitir que Stephen Daldry entre novamente no s\u00e9q\u00fcito de concorrentes ao Oscar. &#8220;O Leitor&#8221; se sai bem na primeira meia-hora, que rende algumas passagens boas que destacam a grande atua\u00e7\u00e3o de Kate Winslet (que ganhou dois Globo de Ouro neste ano: por sua interpreta\u00e7\u00e3o aqui e em &#8220;Foi Apenas Um Sonho&#8221;, em que est\u00e1 ainda melhor), mas chega a soar desajeitado perto de &#8220;A Vida dos Outros&#8221;, o excelente filme alem\u00e3o que levou o Oscar de Filme Estrangeiro em 2007, cuja tem\u00e1tica remonta aos anos que se seguiram \u00e0 derrocada de Hitler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 que Stephen Daldry seja um picareta \u2013 calma, n\u00e3o coloque palavras em minhas teclas, mas o brit\u00e2nico sabe o que fazer para conquistar a simpatia da Academia e algumas indica\u00e7\u00f5es com filmes medianos, que dividem p\u00fablico e cr\u00edtica e parecem fadados a valorizar atrizes e trope\u00e7arem na categoria principal. Com toda simpatia da Academia pelo tema do Holocausto, e auxiliado pela falta de criatividade do grande engodo do ano, &#8220;Benjamin Button&#8221;\u00b8 Daldry corre por fora como azar\u00e3o com boas chances de surpreender. Parece que estamos todos nas m\u00e3os de Danny Boyle, mas isso \u00e9 assunto para um outro texto. Vou ali bocejar e j\u00e1 volto.<\/p>\n<p><strong>&#8220;O Leitor&#8221;<\/strong>, de Stephen Daldry &#8211; Cota\u00e7\u00e3o: 2\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"width: 480px; height: 320px;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/oleitor_kate.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"320\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Marcelo Costa Stephen Daldry sabe o que faz. 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