{"id":80294,"date":"2024-03-06T02:11:52","date_gmt":"2024-03-06T05:11:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=80294"},"modified":"2024-06-03T22:21:39","modified_gmt":"2024-06-04T01:21:39","slug":"entrevista-prestes-a-tocar-em-sp-brant-bjork-fala-sobre-seu-novo-projeto-relembra-o-kyuss-e-welcome-to-sky-valley","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/06\/entrevista-prestes-a-tocar-em-sp-brant-bjork-fala-sobre-seu-novo-projeto-relembra-o-kyuss-e-welcome-to-sky-valley\/","title":{"rendered":"Entrevista: Brant Bjork fala sobre seu novo projeto, relembra o Kyuss, a amizade com Josh Homme e \u201cWelcome to Sky Valley\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/janaisapunk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Janaina Azevedo<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos mentores do estilo que acabou conhecido como stoner rock, ap\u00f3s trabalhos cl\u00e1ssicos com o Kyuss e o Fu Manchu, Brant Bjork \u00e9 um cara tranquilo, t\u00e3o dedicado \u00e0 m\u00fasica que anda pela casa grudado em sua guitarra, ainda ouve sua playlist de favoritas dos Stones e enxerga no passado a resposta para tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veio ao Brasil, gostou a ponto de batizar um dos seus filhos como Brasil, e agora retorna ao pa\u00eds com uma turn\u00ea que deve passar por toda a Am\u00e9rica Latina, com o trio que leva o seu nome e uma surpresa para os f\u00e3s da cena des\u00e9rtica que pariu o stoner: traz junto o amigo Mario Lalli, do Across the River, outra banda-chave do movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brant era stoner mesmo antes do estilo receber esse nome. Prestes a completar 51 anos, vive o presente, mas n\u00e3o deixa de relembrar seus amigos e sua \u00e9poca de juventude, com o carinho de quem sabe que inspirou e ainda inspira muitas bandas. E mistura nostalgia e futuro nesta entrevista que voc\u00ea l\u00ea a seguir.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-80302\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/brantbjorktrio4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/brantbjorktrio4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/brantbjorktrio4-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/brantbjorktrio4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como vai ser o seu show aqui em S\u00e3o Paulo e o que voc\u00eas est\u00e3o planejando para esta turn\u00ea pela Am\u00e9rica Latina?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 estive na Am\u00e9rica do Sul antes e sempre foi um prazer. Meu baterista de longa data estar\u00e1 comigo, Ryan G\u00fctt, tocamos h\u00e1 quase 10 anos juntos. E outro amigo das antigas, Mario Lalli, tocar\u00e1 baixo. Esta ser\u00e1, eu acho, a primeira vez que ele se apresenta com minha banda solo. Somos apenas um trio, e tocaremos m\u00fasicas selecionadas da minha discografia, mas tamb\u00e9m tocaremos algumas m\u00fasicas novas do trio, o BBT, que \u00e9 como apelidamos o Brant Bjork Trio. Estamos gravando um novo disco no momento. A grava\u00e7\u00e3o termina na pr\u00f3xima semana e vou lan\u00e7ar pela minha gravadora, a Duna Records. Ser\u00e1 osso primeiro lan\u00e7amento como Brant Bjork Trio. Espero que saia neste ver\u00e3o, provavelmente em meados de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi voltar a tocar com Mario Lalli?<\/strong><br \/>\nSempre fomos amigos, sempre estivemos pr\u00f3ximos um do outro e nos ajudando de uma forma ou de outra. E claro, nossa hist\u00f3ria remonta a quando eu era crian\u00e7a. Quer dizer, eu fiz meus primeiros shows ao vivo abrindo para a banda dele quando tinha 13 anos. Eu estava em uma banda chamada Today, que costumava tocar com uma banda do Mario que na \u00e9poca se chamava Inglenook. Ali por 1986\/1987, eles mudaram seu nome para Yawning Man. Ele estava me ajudando a administrar a banda e a administrar a turn\u00ea. E um dia eu falei: voc\u00ea gostaria de tocar baixo? E ele topou! Foi muito simples. Eu sabia que a qu\u00edmica funcionaria. Toquei guitarra na outra banda dele, Fatso Jetson, por um curto per\u00edodo em meados dos anos 1990. E sempre tivemos jam sessions e projetos soltos e outras coisas. Ent\u00e3o estamos musicalmente coexistindo h\u00e1 algum tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00eas tocam juntos, o sentimento \u00e9 de nostalgia, ou \u00e9 sempre como se fosse algo totalmente novo?<\/strong><br \/>\nAmbos. Pensando bem, \u00e9 mais uma novidade. E novidades s\u00e3o sempre emocionantes. \u00c0s vezes \u00e9 assustador. E sou uma pessoa nost\u00e1lgica por natureza, sou pisciano. Gosto do passado. E sempre h\u00e1 momentos em que eu fico tipo \u201cah os dias de gl\u00f3ria, os anos dourados, ah que tempo bom\u201d. \u00c9ramos jovens e \u00e9ramos aventureiros. Mas na verdade foi um longo caminho. \u00c9 uma estrada acidentada, com altos e baixos e tudo mais. Mas estamos aqui e fazendo m\u00fasicas novas e isso \u00e9 muito bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele vai estar nesse disco que voc\u00ea est\u00e1 gravando?<\/strong><br \/>\nSim, estamos trabalhando. Ainda n\u00e3o temos um t\u00edtulo para o disco, mas estamos entusiasmados.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Saved By Magic Again (2023 Remastered)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lw1XJtWFBrf2QMwQdg6AYiKLDuz0l0g3M\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser\u00e1 seu primeiro disco desde \u201cSaved by Magic Again\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\n\u201cSaved by Magic Again\u201d \u00e9 um disco antigo que acabou de ser relan\u00e7ado (em 2023) com nova arte. Foi gravado em 2005. Um lado do disco metade das m\u00fasicas eu gravei sozinho e a outra metade eu gravei com minha banda de apoio. Pensei que seria diferente, interessante e respeitoso dividir essas duas sess\u00f5es e esses dois lotes de m\u00fasicas. Ent\u00e3o, um dos relan\u00e7amentos de \u201cSaved by Magic\u201d sou s\u00f3 eu cantando todas as m\u00fasicas.E o outro sou eu tocando com minha banda de apoio. Portanto, s\u00e3o dois registros. Considerando que, como eu disse, a primeira vez que foi lan\u00e7ado, foi apenas um lan\u00e7amento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse disco tem uma vers\u00e3o do Cream, certo?<\/strong><br \/>\n\u201cSunshine of Your Love\u201d, sim. Uma vers\u00e3o bem espont\u00e2nea. Cresci ouvindo o \u201cDisraeli Gears\u201d (1967). Era um disco que estava na cole\u00e7\u00e3o dos meus pais em casa e eu ouvia isso quando crian\u00e7a e essa m\u00fasica meio que ajudou a me moldar como m\u00fasico. Gosto da m\u00fasica da era do final dos anos 1960, especificamente do rock. \u00c9 uma m\u00fasica cl\u00e1ssica. N\u00e3o pensei em acrescentar nada. Essa n\u00e3o era a inten\u00e7\u00e3o. Eu simplesmente gostei da m\u00fasica e queria toc\u00e1-la. Foi bem simples. E o Cream ainda \u00e9 uma das minhas bandas de rock favoritas de todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa turn\u00ea voc\u00ea toca guitarra, certo? E voc\u00ea tamb\u00e9m tem uma carreira muito prol\u00edfica como baterista. Voc\u00ea tem algum projeto ou banda em que toca bateria? E como voc\u00ea se sente em rela\u00e7\u00e3o a isso?<\/strong><br \/>\nEstou focado na guitarra (nessa turn\u00ea). E gosto de tocar viol\u00e3o. \u00c9 acess\u00edvel. A guitarra com a qual tocarei est\u00e1 literalmente bem ao meu lado. \u00c9 isso que eu gosto. Est\u00e1 aqui. Posso pegar, posso trabalhar com isso. Sendo bem honesto, diria que sou um baterista aposentado. Sempre serei um baterista de cora\u00e7\u00e3o. Mas, sabe, eu nem tenho uma bateria instalada em minha casa. E meu atual baterista, Ryan Gutt, \u00e9 um \u00f3timo baterista. E \u00e9 por isso que toco com ele h\u00e1 anos. Eu meio que toco bateria indiretamente atrav\u00e9s dele. Estou um pouco enferrujado. Voc\u00ea sabe, eu n\u00e3o toco h\u00e1 muito tempo e n\u00e3o estarei no palco t\u00e3o cedo. Mas voc\u00ea nunca sabe o que o futuro reserva. Nunca se sabe.<\/p>\n<figure id=\"attachment_80297\" aria-describedby=\"caption-attachment-80297\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-80297 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/brantbjorktrio3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/brantbjorktrio3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/brantbjorktrio3-300x148.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-80297\" class=\"wp-caption-text\"><em>BBT: Mario Lalli, Brant Bjork e Ryan G\u00fctt<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 esteve no Brasil antes, tanto solo quanto com o Kyuss. O que voc\u00ea lembra dessas passagens?<\/strong><br \/>\nMinhas mem\u00f3rias s\u00e3o as cores. As cores do Brasil eram lindas e marcantes e t\u00e3o vibrantes e t\u00e3o legais. Por alguma raz\u00e3o, essa \u00e9 uma das minhas melhores lembran\u00e7as do pa\u00eds, s\u00e3o todos os diferentes tons e cores \u00fanicos. Mas tamb\u00e9m a gentileza das pessoas. Achei o povo brasileiro muito gentil, muito querido. E fiquei muito grato pelo apre\u00e7o que eles demonstraram pela minha m\u00fasica. Me apaixonei na hora pelo Brasil na minha primeira visita. Na verdade, tenho dois filhos e meu filho mais novo se chama Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e9rio? Quantos anos ele tem?<\/strong><br \/>\nEle tem 11 anos e far\u00e1 12 em abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele nasceu depois da sua primeira vez aqui, certo?<\/strong><br \/>\nSim, sim. Eu e minha esposa na \u00e9poca, n\u00f3s est\u00e1vamos com dificuldade para decidir um nome. Eu estava no avi\u00e3o voltando do Brasil para casa e achei que era um nome legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 trouxe ele aqui?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, ainda n\u00e3o. Talvez algum dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 uma grande conex\u00e3o com o Brasil, ter um filho com esse nome.<\/strong><br \/>\nSim, sim. Eu amo o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea curte algo de m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Quer dizer, n\u00e3o estou muito atualizado. Eu estudo muita m\u00fasica do passado. Isso n\u00e3o quer dizer que eu n\u00e3o saiba que h\u00e1 muita m\u00fasica atual que \u00e9 boa. Acho que especialmente no rock, h\u00e1 muito rock excelente sendo criado nos \u00faltimos 10, 15 anos. E como eu disse, no que diz respeito ao meu prazer auditivo e aos meus estudos auditivos, eu sempre, desde jovem, sempre fui para o passado. Gosto de encontrar e descobrir a raiz das coisas que me movem. Ent\u00e3o, quando se trata especificamente de m\u00fasica brasileira, eu ou\u00e7o principalmente muitos sambas, muito Jo\u00e3o Gilberto e todo esse tipo de coisa do passado. Eu amo essas coisas. Na verdade, ontem mesmo eu estava ouvindo um disco do Stan Getz com Jo\u00e3o Gilberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nas suas passagens por aqui, deve ter ouvido que o Kyuss influenciou muitas bandas brasileiras. Como \u00e9 ser uma inspira\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito lisonjeiro. \u00c9 uma honra que o que fiz, realizei e criei como m\u00fasico nos \u00faltimos 30\/35 anos tenha inspirado outros a fazerem a sua pr\u00f3pria m\u00fasica. Isso \u00e9 uma coisa maravilhosa. \u00c9 disso que se trata a m\u00fasica. A m\u00fasica \u00e9 um presente e a m\u00fasica \u00e9 m\u00e1gica. E a m\u00fasica nos conecta, nos cura e nos protege. Para mim, ter comprometido minha vida em ser m\u00fasico e trilhar o caminho da cria\u00e7\u00e3o de m\u00fasica e depois fazer com que essa m\u00fasica inspire outras pessoas \u00e9 realmente incr\u00edvel. Foi assim que funcionou para mim. \u00c9 assim que funciona. Esse \u00e9 o ciclo. E saber que fa\u00e7o parte desse ciclo \u00e9 \u00f3timo. Porque quando eu era crian\u00e7a, era a mesma coisa comigo. Rock and roll cl\u00e1ssico, Beatles, Stones, Led Zeppelin, Ramones, Black Sabbath. Essas s\u00e3o as bandas que me inspiraram. Cream, Jimi Hendrix. Foi assim que aprendi a ser m\u00fasico, estudando a m\u00fasica deles, ouvindo a m\u00fasica deles e vivendo-a e inspirando-me nela. eE para mim ajudar outros a fazerem o mesmo, \u00e9 \u00f3timo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Welcome to Sky Valley\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nMgsNlgSfIDPCDgL_FcmVTq8xGeQgSTfI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu estava dando uma olhada nos discos do Kyuss, e me dei conta que neste ano o \u201cWelcome to Sky Valley\u201d faz 30 anos. O que voc\u00ea lembra da \u00e9poca desse disco? O que ele significa para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nBem, eu sabia que iria deixar a banda depois de gravar aquele disco, ent\u00e3o foi um pouco triste. Honestamente, esse \u00e1lbum foi uma experi\u00eancia um pouco triste para mim. Eram caras com quem cresci e compartilhamos la\u00e7os que iam al\u00e9m da m\u00fasica. Crescemos juntos em uma pequena cidade deserta, criamos uma banda e fizemos nossa m\u00fasica. Mas eu sabia que era hora de seguir em frente e tinha v\u00e1rios motivos para fazer isso, o que agora \u00e9 hist\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9 muito importante. E eu acho que \u201cSky Valley\u201d \u00e9 o som e a sensa\u00e7\u00e3o de uma banda que est\u00e1 fazendo tudo o que pode. N\u00e3o creio que poder\u00edamos ter feito melhor. Estamos tocando no auge da nossa capacidade. Acho que \u00e9 isso que esse disco representa para mim. Eles gravaram mais discos depois e \u00e9 claro que eu tamb\u00e9m fiz minhas pr\u00f3prias coisas. Mas aquele \u00e1lbum em particular, naquela \u00e9poca em particular, foi muito emocionante e n\u00f3s simplesmente colocamos tudo o que t\u00ednhamos e tudo o que est\u00e1vamos sentindo na m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma frase na capa da \u201cSky Valley\u201d que diz: ou\u00e7a sem distra\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea lembra de quem foi a ideia de colocar essa frase?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei, mas se tivesse que adivinhar provavelmente diria que foi ideia do Josh. N\u00e3o me lembro com certeza, mas acho que a inten\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s disso era aprofundar o disco e realmente ouvi-lo, algo que costum\u00e1vamos fazer. Quando Josh e eu \u00e9ramos crian\u00e7as, \u00e9ramos muito jovens para entender o que era escuta cr\u00edtica. N\u00e3o sab\u00edamos o que era isso. Mas foi isso que fizemos quando crian\u00e7as. E est\u00e1vamos fazendo isso com nossos discos favoritos, e a maioria dos nossos discos favoritos eram discos de punk rock. E o punk rock n\u00e3o \u00e9 um estilo de m\u00fasica que voc\u00ea consideraria uma audi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Mas foi isso que fizemos. Ouv\u00edamos criticamente Misfits, Black Flag, Discharge. E ao ouvir criticamente esses discos aprendemos muito e aplicamos isso ao Kyuss. Acredite ou n\u00e3o, ach\u00e1vamos que Kyuss era uma banda de punk rock. N\u00e3o gost\u00e1vamos muito de heavy metal. N\u00e3o sent\u00edamos que t\u00ednhamos talento para esse estilo de m\u00fasica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_80296\" aria-describedby=\"caption-attachment-80296\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-80296 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/kyuss.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/kyuss.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/kyuss-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-80296\" class=\"wp-caption-text\"><em>Kyuss: John Garcia, Brant Bjork, Scott Reeder e Josh Home<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 eram chamados de stoner naquela \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o que eu saiba. Eu nunca tinha ouvido o termo stoner rock at\u00e9 me entrar no Fu Manchu, alguns anos depois. Ent\u00e3o, quando o Kyuss tocava no in\u00edcio dos anos 1990, o termo stoner rock n\u00e3o existia e nunca t\u00ednhamos ouvido falar dele. Sempre rio quando ou\u00e7o o nome. Acho que vem do simples fato de que quando \u00e9ramos jovens e gost\u00e1vamos de fumar maconha. Era o que a gente gostava de fazer. E isso n\u00e3o era uma coisa muito popular naquela \u00e9poca. Mas \u00e9 o que gost\u00e1vamos de fazer. Fumar maconha, tocar, compor. E algu\u00e9m decidiu que a nossa m\u00fasica, que naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha um r\u00f3tulo, era stoner. Porque era dif\u00edcil categorizar o Kyuss, pois na verdade n\u00e3o \u00e9ramos uma banda grunge. N\u00e3o toc\u00e1vamos heavy metal. N\u00e3o parec\u00edamos uma banda de punk rock. \u00c9ramos meio \u00fanicos. E algu\u00e9m decidiu cham\u00e1-lo de stoner rock. Mas acho que a banda j\u00e1 estava acabada na \u00e9poca em que as pessoas come\u00e7aram a usar esse termo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que existe uma chance remota de o Kyuss se reunir novamente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei. N\u00e3o \u00e9 mais algo em que penso. Quer dizer, fizemos o nosso melhor com Kyuss Lives e foi um grande sucesso em todos os n\u00edveis (nota: Brant montou o projeto com dois ex-parceiros de banda, John Garcia e Nick Oliveri, mais o guitarrista Bruno Fevery. A banda circulou de 2010 a 2014).Josh n\u00e3o fazia parte disso. Ele tem o Queens of the Stone Age. \u00c9 uma banda enorme. N\u00e3o creio que ele sinta necessidade de voltar e celebrar Kyuss. Mas eu n\u00e3o sei. Essa \u00e9 uma pergunta para ele. Pessoalmente, n\u00e3o imagino que v\u00e1 acontecer, mas, de novo, n\u00e3o sabemos o que o futuro reserva. Eu estou hiper focado em onde estou agora e estou bastante contente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00ea, pessoalmente, gostaria que houvesse uma nova reuni\u00e3o como a que teve em 2011?<\/strong><br \/>\nSe Josh me ligasse e dissesse que queria reunir a banda novamente e me convidasse para tocar bateria, eu consideraria isso. Mas n\u00e3o espero esse telefonema t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E uma \u00faltima pergunta: gostaria que voc\u00ea nos contasse o que \u00e9 que voc\u00ea ouve sem distra\u00e7\u00e3o hoje em dia?<\/strong><br \/>\nBem, ou\u00e7o principalmente jazz. Na verdade, meu pai era m\u00fasico de jazz, ent\u00e3o sinto que a aprecia\u00e7\u00e3o pelo jazz est\u00e1 em meu sangue. Ent\u00e3o tenho ouvido muito Chet Baker, muito Miles Davis, Art Blakey. Eu amo Sonny Rollins, Sarah Vaughan. Tamb\u00e9m adoro blues, ou\u00e7o muito o disco \u201cBurning\u201d (1963), do John Lee Hooker, que eu amo. Amo muito esse disco. Outro dia eu estava ouvindo Stones. Eu tenho uma playlist s\u00f3 com as minhas favoritas do Stones. \u00c9 isso que tenho ouvido. Mas eu diria que o que mais tenho ouvido \u00e9 Chet Baker.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Brant Bjork Trio - Let The Truth Be Known - Knitting Factory  NOHO 2023\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LkolLhN4BHk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Brant Bjork Too Many Chiefs, Low Desert Punk, Lazy Bones, Automatic Fantastic, Queens, NYC 9\/16\/2023\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V8qzE0zeUHQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BRANT BJORK - AUTOMATIC FANTASTIC Live @ Burque Rock City Fest, Albuquerque NM 8\/4\/23\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/acjjMg6kKT4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Janaina Azevedo (<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/janaisapunk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.facebook.com\/janaisapunk<\/a>) \u00e9 jornalista e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos mentores do estilo que acabou conhecido como stoner rock, ap\u00f3s trabalhos cl\u00e1ssicos com o Kyuss e o Fu Manchu, Brant Bjork \u00e9 um cara tranquilo, t\u00e3o dedicado \u00e0 m\u00fasica que anda pela casa grudado em sua guitarra&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/06\/entrevista-prestes-a-tocar-em-sp-brant-bjork-fala-sobre-seu-novo-projeto-relembra-o-kyuss-e-welcome-to-sky-valley\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":35,"featured_media":80298,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4078,7070,66],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80294"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80294"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80426,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80294\/revisions\/80426"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}