{"id":80279,"date":"2024-03-05T00:24:27","date_gmt":"2024-03-05T03:24:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=80279"},"modified":"2024-04-16T00:05:15","modified_gmt":"2024-04-16T03:05:15","slug":"literatura-as-pequenas-chances-de-natalia-timerman-acompanha-a-presenca-da-morte-em-um-nucleo-familiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/05\/literatura-as-pequenas-chances-de-natalia-timerman-acompanha-a-presenca-da-morte-em-um-nucleo-familiar\/","title":{"rendered":"Literatura: \u201cAs pequenas chances\u201d, de Nat\u00e1lia Timerman,\u00a0acompanha a presen\u00e7a da morte em um n\u00facleo familiar"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tgpgabriel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gabriel Pinheiro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nat\u00e1lia se v\u00ea em um aeroporto, aguardando o momento de partida de seu v\u00f4o do Brasil para a Rom\u00eania. Enquanto aguarda, encontra uma figura familiar. Bastam poucos segundos para reconhecer o m\u00e9dico de cuidados paliativos de seu pai, uma presen\u00e7a importante e constante nos momentos finais de vida de Artur. No reencontro com o m\u00e9dico, toda uma sorte de lembran\u00e7as inundam a mente da narradora, que remonta o per\u00edodo da descoberta da doen\u00e7a do pai, a possibilidade de cura, o retorno do diagn\u00f3stico e o fim \u2013 um fim, a morte, que n\u00e3o \u00e9 um ponto final, como ela mesmo nos diz: \u201cmas a morte n\u00e3o passa, ela continua, continua, continua\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dividido em tr\u00eas partes, \u201c<a href=\"https:\/\/todavialivros.com.br\/livros\/as-pequenas-chances\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As pequenas chances<\/a>\u201d, romance de Nat\u00e1lia Timerman publicado pela Todavia Livros,\u00a0 acompanha a presen\u00e7a da morte dentro de um n\u00facleo familiar. A inevitabilidade deste acontecimento parece pintar de novas cores todas as possibilidades de encontro, de troca e de estar junto. Nat\u00e1lia desenha um retrato sens\u00edvel do amor entre pai e filha e tudo aquilo que permanece, apesar da perda. Se muitas chances s\u00e3o perdidas, outras tantas s\u00e3o conquistadas e permanecem guardadas no que h\u00e1 de mais \u00edntimo. E, muitas vezes, s\u00e3o aquelas pequenas, as menores mesmo, as mais valiosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autora trabalha diferentes temporalidades no romance. O passado compartilhado com o pai e o passado recente de sua morte \u2013 essa que continua, continua, continua \u2013; o presente de uma filha \u00f3rf\u00e3 de pai e m\u00e3e de seus pr\u00f3prios filhos; o futuro que ainda ir\u00e1 se descortinar na aterrissagem do avi\u00e3o com destino \u00e0 Rom\u00eania \u2013 na possibilidade de encontro com uma hist\u00f3ria familiar marcada pelo desterro e pela luta pela sobreviv\u00eancia num passado na Europa marcado fatalmente pelo antissemitismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs pequenas chances\u201d \u00e9 tamb\u00e9m um romance sobre o reencontro com as ra\u00edzes, com os rituais que marcam tanto um pequeno n\u00facleo familiar, quanto uma comunidade. A Nat\u00e1lia narradora aqui (re)descobre no juda\u00edsmo uma sequ\u00eancia de ritos que parecem dar sentido ao fim, \u00e0 despedida e \u00e0 mem\u00f3ria. A partir disso, o interesse pelo caminho trilhado pelos pais, ainda pequenos, da Europa em dire\u00e7\u00e3o ao Brasil, a leva a realizar o caminho contr\u00e1rio, atenta aos pequenos sinais que possam indicar uma possibilidade de caminho de reencontro com o pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nat\u00e1lia Timerman escreveu um dos mais bonitos retratos que tive contato na literatura brasileira recente tanto da dor do luto, quanto da beleza que insiste e resiste mesmo nas mem\u00f3rias mais doloridas. \u201cAs pequenas chances\u201d \u00e9 um livro sobre a doen\u00e7a, sobre a morte e sobre o luto mas \u00e9, sobretudo, sobre o amor. Um amor que tamb\u00e9m continua, continua, continua.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Natalia Timerman fala sobre o amor, o luto e &quot;As Pequenas Chances&quot; | Entrelinhas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F9xbPiGWM04?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Gabriel Pinheiro \u00e9 jornalista. Escreve sobre suas leituras tamb\u00e9m no Instagram:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tgpgabriel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@tgpgabriel<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cAs pequenas chances\u201d \u00e9 um livro sobre a doen\u00e7a, sobre a morte e sobre o luto mas \u00e9, sobretudo, sobre o amor. 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