{"id":8017,"date":"2011-02-14T16:24:50","date_gmt":"2011-02-14T19:24:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8017"},"modified":"2011-02-17T06:31:27","modified_gmt":"2011-02-17T09:31:27","slug":"dvd-quase-famosos-por-marcelo-costa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/02\/14\/dvd-quase-famosos-por-marcelo-costa\/","title":{"rendered":"DVD: Quase Famosos, Cameron Crowe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8018\" title=\"quase_famosos\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/quase_famosos.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Quase Famosos&#8221;, de Cameron Crowe<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a><br \/>\nTexto publicado originalmente em 30\/03\/2001 na vers\u00e3o 1.0 do Scream &amp; Yell<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuase Famosos\u201d \u00e9 um quase filme de rock. \u201cQuase Famosos\u201d \u00e9 quase um filme sobre jornalistas sortudos. \u201cQuase Famosos\u201d \u00e9, na verdade, um filme de amor, de amizade e de rock and roll.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, desde que \u201cAlmost Famous\u201d come\u00e7ou a circular que ele vem sendo tratado como maravilha por treze entre dez jornalistas que invejavam\/sonhavam estar na pele de William Miller, jornalista mirim que \u00e9 convidado a escrever na b\u00edblia rock and roll Rolling Stone. O grande problema, no entanto, \u00e9 que praticamente toda m\u00eddia vendeu \u201cAlmost Famous\u201d como um filme de rock, o que est\u00e1 longe de ser a verdade absoluta, e isso atrapalhou a divulga\u00e7\u00e3o, fazendo com que o filme n\u00e3o fosse bem nas bilheterias, ficando relegado ao p\u00fablico apaixonado por cultura pop, muito pouco para o grande filme que \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diretor Cameron Crowe apropria-se de uma cena roqueira, assim como havia feito com o grunge em \u201cSingles &#8211; Vida de Solteiro\u201d, para embalar sua historieta&#8230; de amor. O grande diferencial \u00e9 que aqui as coisas s\u00e3o reais. \u201cAlmost Famous\u201d \u00e9 praticamente um filme autobiogr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em 1973 e William Miller\/Cameron Crowe tem 15 anos. O rock manda no mundo pop. David Bowie \u00e9 um mito. Lou Reed largou o Velvet Underground e come\u00e7a a se aventurar solo. Neil Young abandonou o Buffalo Springfield para dedicar-se tamb\u00e9m a carreira solo e brincar de superbanda com os amigos David Crosby (dono do melhor baseado do universo rock da \u00e9poca), Stephen Stills e Graham Nash. Os Beatles acabaram, mas iniciaram carreiras solo. Imagine Black Sabbath, The Who, Led Zeppelin, Pink Floyd no \u00e1pice, lan\u00e7ando \u00e1lbuns cl\u00e1ssicos. Como se dizia, deuses andavam sobre a Terra. O garoto rascunhava textos sobre m\u00fasica e publicava em um jornalzinho de San Diego, at\u00e9 conhecer Lester Bangs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lester Bangs \u00e9 s\u00f3 o cara mais genial que escreveu sobre m\u00fasica em todos os tempos. Quer saber mais sobre o cara? N\u00e3o vamos contar. Voc\u00ea j\u00e1 deveria ter lido o texto do Marcelo Orozco publicado aqui no S&amp;Y quatro meses atr\u00e1s (nota do editor: dezembro de 2000), mas somos bonzinhos e o texto do Orozco vem como ap\u00eandice a este. Leia. :_)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tal Lester Bangs editava a Cream Magazine e aparece como mentor do garoto. Duas palavras dele j\u00e1 exemplificam sua personalidade: ao escrever sobre uma banda seja &#8220;honesto e impiedoso&#8221;. Anotou? Al\u00e9m, os conselhos de praxe: &#8220;as bandas ir\u00e3o te usar, ir\u00e3o te apresentar garotas, ir\u00e3o te dar drogas, tudo para que voc\u00ea fale bem delas&#8221;. N\u00e3o dava para dizer que o garoto n\u00e3o sabia em que lugar estava se metendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse meio tempo, nosso her\u00f3i mirim \u00e9 surpreendido por um telefonema. Ben Fong-Torres (o mais famoso editor da mais famosa revista pop de todos os tempos) quer uma mat\u00e9ria dele sobre alguma banda nova. A pauta da mat\u00e9ria \u00e9 acertada via telefone, o que impossibilita ao editor saber que est\u00e1 colocando um garoto de 15 anos no mundo de &#8220;sexo, drogas e rock and roll&#8221; com uma nova banda, a Stillwater, para desespero de sua m\u00e3e, numa interpreta\u00e7\u00e3o sensacional de Frances McDormand.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Stillwater \u00e9 uma banda fict\u00edcia criada por Crowe, uma banda que encarna v\u00e1rias outras (o epis\u00f3dio da discuss\u00e3o no avi\u00e3o \u00e9 inspirado numa viagem que o jornalista mirim fez com o The Who. O da viagem de \u00e1cido do vocalista da Stillwater \u00e9 inspirado em Robert Plant, vocalista do Led Zeppelin). A partir do momento que William adentra o backstage de um show junto com a Stillwater sua vida muda. Ele est\u00e1 adentrando o mundo glamuroso do rock and roll, baby. O grande problema \u00e9, como fica constatado depois, que William \u00e9 doce demais para o rock. E se apaixona logo pela garota mais bonita dos embalos, Penny Lane, groupie que acompanha bandas, mas que na verdade ama o guitarrista da Stillwater.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aqui que o filme se transforma. Cameron preencheu todas as lacunas de seu filme com hist\u00f3rias dos bastidores do rock em seu apogeu apenas para dizer a sua Penny Lane um &#8220;I Love You&#8221; que ele chegou a dizer na realidade, mas que ela n\u00e3o p\u00f4de ouvir (assistindo voc\u00ea ir\u00e1 descobrir o motivo). A partir desse momento tudo come\u00e7a a girar em torno desse romance (alis\u00f4nico) e mesmo um rock star aprende que desculpas s\u00e3o necess\u00e1rias, sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o fechar os olhos e se imaginar na posi\u00e7\u00e3o de William Miller, principalmente os tolos jornalistas que escrevem sobre cultura pop. \u00c9 tudo tocante e arrepiante demais, mas, mais do que qualquer outra coisa, \u201cAlmost Famous\u201d \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amor (tardia) embalada pelo melhor rock and roll. \u00c9 isso n\u00e3o \u00e9 pouco, caro leitor, \u00e9, sim, de lavar a alma (e o cinema).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-8019\" title=\"quase_famosos2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/quase_famosos2.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/quase_famosos2.jpg 242w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/quase_famosos2-226x300.jpg 226w\" sizes=\"(max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Quase Famosos &#8211; The Bootleg Cut\u201d, de Cameron Crowe<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a><br \/>\n<\/strong><strong>Texto publicado originalmente em 24\/09\/2001 na vers\u00e3o 1.0 do Scream &amp; Yell<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o na capa do DVD \u201cQuase Famosos\u201d (\u201cAlmost Famous\u201d), al\u00e9m das coxas da Kate Hudson, claro, \u00e9 a chamada no topo: Edi\u00e7\u00e3o Definitiva. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 definitiva. \u00c9 cl\u00e1ssica, obrigat\u00f3ria e sensacional, como um bom disco do The Who. Cameron Crowe sabe fazer as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Bootleg Cut\u201d traz, como um de seus atrativos, uma entrevista com Lester Bangs. Apesar de curta, a entrevista vale cada segundo. Aparentemente bem-humorado, Lester desanca o Emerson, Lake &amp; Palmer, acusando-os de difundir a &#8220;esterilidade musical&#8221;. O cr\u00edtico tamb\u00e9m aproveita para fazer uma s\u00e9rie de piadas do jeito blas\u00e9 de Brian Ferry, ex-vocalista do Roxy Music.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da entrevista com Lester, o lan\u00e7amento traz outros extras, compilados em dois DVDs. No primeiro, a vers\u00e3o do filme (118 min) que chegou aos cinemas e ganhou o Oscar de roteiro original no ano passado. No segundo DVD, a vers\u00e3o definitiva do diretor, com 36 minutos a mais de cenas in\u00e9ditas levando o filme para 154 minutos de dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa segunda vers\u00e3o tamb\u00e9m pode ser assistida com Cameron Crowe comentando cena a cena. Completam os extras uma s\u00e9rie de artigos que Crowe escreveu para a Rolling Stone, os 10 discos preferidos do cineasta, um pequeno making of e cenas deletadas. Neste \u00faltimo item encontra-se a hil\u00e1ria cena em que William Miller tenta convencer a m\u00e3e a deixa-lo viajar com uma banda de rock. Em suas palavras: &#8220;M\u00e3e, essa can\u00e7\u00e3o (que vou tocar) vai mudar a sua vida&#8221;. E solta \u201cStairway To Heaven\u201d, do Led Zepellin. Como Robert Plant n\u00e3o liberou o uso dessa m\u00fasica (outras cinco can\u00e7\u00f5es do Led preenchem o filme), para acompanhar a anima\u00e7\u00e3o dos personagens na cena, voc\u00ea vai precisar estar com o Led Zepellin IV do lado&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8020\" title=\"psychotic_reaction\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/psychotic_reaction.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lester Bangs &#8211; Para quem gosta de ler sobre m\u00fasica pop<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/marcelo_orozco\" target=\"_blank\">Marcelo Orozco<\/a><br \/>\n<\/strong><strong>Texto publicado originalmente em 15\/11\/2000 na vers\u00e3o 1.0 do Scream &amp; Yell<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea veio parar neste site, voc\u00ea gosta de m\u00fasica pop e de ler sobre m\u00fasica pop. Os honrados &#8220;pais&#8221; deste site e quem colabora com ele tamb\u00e9m. E o mesmo vale para qualquer site ou publica\u00e7\u00e3o (de revista grande a fanzine) neste campo. Por isso, deixa eu falar da exist\u00eancia do que, pelo menos pra mim, \u00e9 uma refer\u00eancia definitiva nesse campo: Lester Bangs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros foram ou s\u00e3o mais enciclop\u00e9dicos que ele. Outros escrevem mais bonitinho. Outros piraram com as palavras mais que ele. Outros escreveram at\u00e9 melhor, academicamente falando. Mas Lester foi provavelmente quem mais escreveu com alma, se arriscando a errar e at\u00e9 aceitar que estava errado. Como os melhores roqueiros que tocam, ele era sincero, espont\u00e2neo e botava dedo nas feridas que a boa educa\u00e7\u00e3o recomenda evitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil encher tanto a bola de algu\u00e9m que s\u00f3 foi publicado em ingl\u00eas e \u00e9 praticamente intraduz\u00edvel. E que morreu h\u00e1 quase 20 anos (mais um defunto &#8211; por que ser\u00e1 que s\u00f3 ando escrevendo sobre defuntos?). Mas \u00e9 aquele velho papo da ess\u00eancia em que tanto insisto. E, especialmente nesta era de fascismo invertido do &#8220;politicamente correto&#8221;, um Lester Bangs \u00e9 muito necess\u00e1rio. Na tal ess\u00eancia, o que ele escreveu nos anos 70 ainda vale para hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lester foi quem melhor arrasou, com um sarcasmo absurdo, o pr\u00f3prio of\u00edcio. Sem ser dono da verdade, sem posar de santo, sem se excluir da coisa toda, ele escancarou a superficialidade que existe nisso de &#8220;escrever sobre m\u00fasica&#8221;. \u00c9 um texto de 1974 chamado &#8220;Como ser um cr\u00edtico de rock&#8221; (&#8220;How to be a rock critic&#8221;), que est\u00e1 dispon\u00edvel &#8211; para quem sabe ingl\u00eas &#8211; no fim da p\u00e1gina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que Bangs escreveu no seu c\u00e1ustico &#8220;be-a-b\u00e1 do cr\u00edtico&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Falou dos profissionais do jornalismo musical que aproveitam todas as bocas-livres e disquinhos de gra\u00e7a que s\u00e3o trocados depois;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Escancarou que h\u00e1 shows e discos terr\u00edveis que todo mundo se sente meio obrigado a pelo menos n\u00e3o falar mal para n\u00e3o ficar mal com a assessoria da gravadora e perder as boiadas seguintes;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Ironizou os cr\u00edticos que se esmeram em sempre conhecer e citar uma banda mais obscura e desconhecida que o colega, al\u00e9m de sempre peregrinar por lojas de discos nos cafund\u00f3s no que devia ser uma viagem de f\u00e9rias ou lazer;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* E o melhor: ensinou a fazer uma cr\u00edtica de um disco com op\u00e7\u00f5es de m\u00faltipla escolha, cada uma com palavras bonitinhas e floreadas que, no fim das contas, n\u00e3o querem dizer muita coisa, nem a respeito do disco nem a respeito de nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A (auto-)demoli\u00e7\u00e3o de Bangs \u00e9 impressionante (c\u00e1 estou eu botando um adjetivo&#8230; parece que eu aprendi a fazer uma cr\u00edtica com o curso dele&#8230;). Porque \u00c9 REAL. Funcionava assim pelo que ele observava nos EUA no meio dos 70s e, creiam-me, funciona assim por aqui at\u00e9 hoje. E, como Lester Bangs, eu estou no meio do furac\u00e3o tamb\u00e9m e n\u00e3o vou ficar posando de santo cheio de pureza. O humor da coisa \u00e9 justamente saber que voc\u00ea tamb\u00e9m j\u00e1 caiu nessas armadilhas \u2013 meio como o livro \u201cAlta Fidelidade\u201d, do Nick Hornby.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Expressar a pr\u00f3pria opini\u00e3o e os aspectos que n\u00e3o s\u00e3o bonitos era outra especialidade de Bangs. O texto dele sobre a morte de John Lennon, feito no meio do choque mundial, \u00e9 cl\u00e1ssico: diz que &#8220;Lennon desprezava emo\u00e7\u00f5es baratas&#8221; e que a choradeira era por causa do apego das pessoas a seus passados, n\u00e3o pelo assassinato (&#8220;N\u00e3o \u00e9 por John Lennon, o homem, que voc\u00ea est\u00e1 lamentando. A rigor, voc\u00ea est\u00e1 lamentando por voc\u00ea mesmo&#8221;). Vale dizer: Bangs elogiava Lennon; o que ele atacava era o choror\u00f4 sentimental\u00f3ide (sentimento, sim; sentimento barato, n\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele fez muitos outros grandes textos. Ainda considero que sua longa an\u00e1lise pessoal do \u00e1lbum \u201cAstral Weeks\u201d, de Van Morrison, \u00e9 melhor que o pr\u00f3prio disco. Esse e um sobre os Stooges, outro sobre a banda de garagem Count Five, outro arrasando um disco ao vivo da banda de jazz-rock Chicago e outro peitando uma esp\u00e9cie de preconceito racial da new wave americana est\u00e3o no livro-colet\u00e2nea \u201cPsychotic Reactions and Carburetor Dung\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como NUNCA vai sair em portugu\u00eas, aprenda a ler ingl\u00eas j\u00e1 para poder ca\u00e7ar esta obra. O mesmo vale para a rec\u00e9m-lan\u00e7ada biografia \u201cLet It Blurt\u201d (essa eu ainda n\u00e3o li, mas vou atr\u00e1s, sim). <em>Nota do editor: uma pequena parcela de \u201cPsychotic Reactions and Carburetor Dung\u201d foi traduzida e lan\u00e7ada no Brasil pela Conrad com o nome de \u201cRea\u00e7\u00f5es Psic\u00f3ticas\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m escreveu que Lester Bangs era uma mistura de Jack Kerouac e Charles Bukowski aplicada ao rock. Cert\u00edssimo. O que os tr\u00eas t\u00eam em comum \u00e9 escrever mais com o cora\u00e7\u00e3o que com o c\u00e9rebro, apaixonadamente, arriscados a falhas e opini\u00f5es n\u00e3o compartilhadas pela maioria dominante. Ou seja, todos permitem a humanidade em seus textos. E s\u00e3o mais populares que intelectuais. S\u00e3o pessoas escrevendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lester morreu infelizmente cedo, aos 33 anos em 1982 (ele fez uma arrepiante profecia no tal &#8220;Como ser um cr\u00edtico de rock&#8221;: &#8220;Voc\u00ea vai ser famoso e ter uma morte precoce aos 33&#8221; &#8211; lembre-se que o texto foi feito em 1974). Morreu por excessos? Ironicamente morreu quando tentava se livrar deles. Teve overdose de medica\u00e7\u00e3o, morte acidental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por qu\u00ea s\u00f3 os vasos ruins n\u00e3o quebram?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8021 aligncenter\" title=\"quase_famosos3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/quase_famosos3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/quase_famosos3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/quase_famosos3-300x107.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p>********<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Astral Weeks&#8221;, de Van Morrison, resenhado por Lester Bangs (em ingl\u00eas <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/astral.html\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;How to be a Rock Critic&#8221;, texto de Lester Bangs (em ingl\u00eas <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/critic.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Jerry Maguire&#8221;, uma rara com\u00e9dia rom\u00e2ntica para homens, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinema\/15filmes.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Vanilla Sky&#8221; ou filminhos bons s\u00e3o s\u00f3 passatempo esquec\u00edvel, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinema\/vanillasky.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Tudo Acontece em Elizabethtown&#8221;, um recorte de v\u00e1rias id\u00e9ias, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/elizabetown.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Introdu\u00e7\u00e3o ao livro &#8220;Not fade Away&#8221;, de Ben Fong-Torres, por Cameron Crowe (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/cameroncrowe.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Teoria de Alison e Reflex\u00f5es Alis\u00f4nicas, dois textos do Miguel F. Luna (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/03\/29\/remexendo-textos-antigos\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nQuase Famosos \u00e9 um quase filme sobre um raro jornalista sortudo. 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