{"id":79478,"date":"2024-02-19T00:17:57","date_gmt":"2024-02-19T03:17:57","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=79478"},"modified":"2024-04-01T02:09:42","modified_gmt":"2024-04-01T05:09:42","slug":"seja-punk-mas-nao-seja-burro-julia-barth-fala-sobre-o-documentario-que-pretende-revisitar-40-anos-dos-replicantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/02\/19\/seja-punk-mas-nao-seja-burro-julia-barth-fala-sobre-o-documentario-que-pretende-revisitar-40-anos-dos-replicantes\/","title":{"rendered":"Seja punk, mas n\u00e3o seja burro: Julia Barth fala sobre o document\u00e1rio que pretende revisitar 40 anos d&#8217;Os Replicantes"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O punk pode ser escola. O fa\u00e7a voc\u00ea mesmo, o menos \u00e9 mais, a contesta\u00e7\u00e3o, a aceita\u00e7\u00e3o (de si e das outras pessoas) e o entendimento de mundo por uma perspectiva menos careta s\u00e3o li\u00e7\u00f5es que se pode tomar com o estilo m\u00fasico-comportamental. Colocando alguns desses conceitos em pr\u00e1tica, Os Replicantes criaram o bord\u00e3o, digamos, educativo: \u201cseja punk, mas n\u00e3o seja burro\u201d. Agora, o verso da politizada faixa \u2018Tom &amp; Jerry\u2019 (do segundo \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=OLAK5uy_kaNzyDEEh8CbuGJ2KOTqrsfTjr7G4HwxE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hist\u00f3rias De Sexo e Viol\u00eancia<\/a>\u201d, de 1987) ganha notoriedade novamente n\u00e3o apenas pelo didatismo em poucas palavras, mas tamb\u00e9m porque foi escolhido como t\u00edtulo para um document\u00e1rio que revisita os 40 anos de hist\u00f3ria do grupo ga\u00facho, completados em 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcho que al\u00e9m de ser emblem\u00e1tico [o nome da obra], \u00e9 um elogio ao nosso p\u00fablico, que queremos que fa\u00e7a parte importante da narrativa do filme\u201d, adianta a vocalista Julia Barth, que assina dire\u00e7\u00e3o e roteiro ao lado da amiga Virginia Simone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora depoimentos dos f\u00e3s, famosos ou an\u00f4nimos, o longa-metragem deve incluir declara\u00e7\u00f5es de todos os m\u00fasicos que j\u00e1 estiveram no conjunto com alcunha inspirada nos rob\u00f4s humanoides do filme \u201cBlade Runner\u201d (1982), de Ridley Scott. Outras pessoas envolvidas na trajet\u00f3ria d\u2019Os Replicantes tamb\u00e9m ganham espa\u00e7o, bem como gente influenciada pelos veteranos, criando uma hist\u00f3ria com pontos de vista dos artistas e do p\u00fablico. Por\u00e9m, a ideia n\u00e3o \u00e9 fazer apenas uma compila\u00e7\u00e3o de relatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTamb\u00e9m queremos explorar a influ\u00eancia d\u2019Os Replicantes no in\u00edcio de novas bandas (quantas pessoas come\u00e7aram tocando um cover de Replicantes? Eu comecei!) e revelar ao p\u00fablico o processo criativo de cada androide na composi\u00e7\u00e3o desses hinos que marcam gera\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o queremos ficar s\u00f3 em cabe\u00e7as falantes, um filme de entrevistas n\u00e3o nos interessa. Queremos uma narrativa bem musical, punk rock, com tudo isso que j\u00e1 falei e mais toda a cobertura de bastidores da constru\u00e7\u00e3o do grande show de 40 anos\u201d, afirma Julia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para viabilizar a execu\u00e7\u00e3o do projeto, com previs\u00e3o inicial de lan\u00e7amento em 2025, o time envolvido \u2014 que tem ainda Matheus Walter como diretor de produ\u00e7\u00e3o \u2014 iniciou um financiamento coletivo que pode ser acessado e <span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/apoia.se\/osreplicantesofilme\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apoia.se\/osreplicantesofilme<\/a><\/span>. As recompensas v\u00e3o de cr\u00e9ditos no mural de apoiadores da campanha a brindes diversos (ingressos para eventos, camiseta, bottom, zine e outros mimos). Os valores do investimento variam entre R$ 10 e R$ 15 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com nove \u00e1lbuns de est\u00fadio entre 1986 e 2018, Os Replicantes seguem se reprogramando para manter a festa punk. Na forma\u00e7\u00e3o atual, al\u00e9m da vocalista, est\u00e3o os irm\u00e3os Cl\u00e1udio (guitarra) e Heron Heinz (baixo), e Cleber Andrade (bateria). Carlos Gerbase (bateria e voz), <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Wander+Wildner\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wander Wildner<\/a> (voz), Luciana Tomasi (teclado e voz) s\u00e3o alguns dos nomes que assumiram papel de replicante no passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Julia aborda a import\u00e2ncia dos registros hist\u00f3ricos, a rela\u00e7\u00e3o que tem com o audiovisual, o olhar feminino sobre o legado do Repli e projetos futuros. Go ahead!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SEJA PUNK MAS N\u00c3O SEJA BURRO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fe-uCHyKxY4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Replicantes completam quatro d\u00e9cadas dessa jornada que \u00e9 uma verdadeira festa punk. O que acredita que mudou ao longo desse tempo \u2014 se \u00e9 que houve altera\u00e7\u00f5es \u2014 no conceito de punk (essa palavrinha t\u00e3o forte, que \u00e9 adjetivo pra uns e sin\u00f4nimo de algo negativo pra outros)?<\/strong><br \/>\nBom, o conceito de punk n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime nem para os punks, n\u00e9?!! Pergunta complexa! Muita coisa mudou nos \u00faltimos 40 anos. S\u00f3 para come\u00e7ar, o \u201cmovimento\u201d saiu dos buracos e periferias, tornou-se moda e chegou at\u00e9 os palcos do mainstream. Depois, na maior parte dos lugares e casos, voltou para o underground (risos). A forma como a informa\u00e7\u00e3o circula mudou muito. No s\u00e9culo passado, a gente n\u00e3o tinha internet, compartilhava informa\u00e7\u00e3o pelos correios, zines, colet\u00e2neas caseiras em K7 e demotapes. As bandas tinham uma dificuldade enorme para registrar as m\u00fasicas em um disco e, maior ainda depois, para distribuir. Mas era bem divertido, sem querer ser saudosista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, todo mundo pode gravar at\u00e9 com um celular, o que \u00e9 \u00f3timo, e disponibilizar na hora seus arquivos na internet. A informa\u00e7\u00e3o pode cruzar o mundo em segundos. \u00c9 redundante falar isso, mas acho que tem toda uma gurizada que n\u00e3o se d\u00e1 conta que isso (de n\u00e3o ter internet) foi ontem, n\u00e3o nos tempos dos dinossauros (hahaha). Bom, tudo isso para dizer que o punk e a maneira de fazer punk mudaram muito. Mas, na ess\u00eancia, eu diria que os punks de hoje, muito al\u00e9m do estilo visual e musical, seguem sendo as pessoas que fazem as coisas acontecerem de forma independente (fa\u00e7a voc\u00ea mesmo!) e que de alguma maneira tentam chacoalhar o status quo com sua arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Replicantes passaram por tudo isso tamb\u00e9m: come\u00e7aram na garagem, assinaram com uma grande gravadora, depois voltaram para a cena independente e est\u00e3o sempre se reinventando, recome\u00e7ando. Androides que se reprogramam, mas n\u00e3o perdem nunca a ess\u00eancia DIY.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teve algum epis\u00f3dio pontual que te levou a querer fazer esse document\u00e1rio? Ou \u00e9 uma ideia que vem sendo gestada h\u00e1 tempos?<\/strong><br \/>\nNa real, eu n\u00e3o queria fazer esse document\u00e1rio, no in\u00edcio. O epis\u00f3dio que despertou a ideia foi: vamos fazer 40 anos de banda e seria legal ter um document\u00e1rio em longa-metragem. Paola (produtora da banda) e eu confabulamos que deveria ser uma mulher a dirigir, para que a hist\u00f3ria fosse contada de outro ponto de vista (todos os registros sobre a banda e o rock ga\u00facho em geral, foram escritos e dirigidos por homens, est\u00e1 na hora de contarmos essas hist\u00f3rias por outros \u00e2ngulos, n\u00e9?!!!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o conseguimos achar um nome que fosse un\u00e2nime e acabou que a pr\u00f3pria banda me incentivou a ser a diretora do projeto. Como eu sou tamb\u00e9m um personagem desse document\u00e1rio, e n\u00e3o quero que ele seja em primeira pessoa, precisava de algu\u00e9m junto comigo na empreitada. Na \u00e9poca, trabalhava num outro filme com meus amigos e grandes parceiros de cinema de guerrilha (que \u00e9 como chamamos fazer filmes sem dinheiro) do coletivo Avalanche: Virginia Simone e Matheus Walter. Ao mesmo tempo, eles estavam montando um filme sobre o m\u00fasico Fl\u00e1vio Chamin\u00e9 chamado \u201cO Sucesso e o Abstrato\u201d. Quando eu vi o corte, tive certeza de que eles eram as pessoas certas pra fazer esse projeto, com pouco dinheiro, mas diferente dos document\u00e1rios de m\u00fasica que a gente v\u00ea sempre por a\u00ed. A equipe estava formada. E gente, vejam \u201cO Sucesso e o Abstrato\u201d (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ib22Be479n8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trailer aqui<\/a>)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo registro hist\u00f3rico \u00e9 v\u00e1lido, mesmo das trajet\u00f3rias mais an\u00f4nimas. Antes da m\u00fasica e do cinema, eu fui uma estudante de Hist\u00f3ria e tenho certeza de que tudo \u00e9 documento. Contar sobre os 40 anos dos Replicantes tamb\u00e9m \u00e9 contar a hist\u00f3ria das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas do mundo \u2014 claro que sempre levando em conta os recortes sociais, regionais, de ra\u00e7a, g\u00eanero e tudo que nos faz singulares de alguma forma. E isso valeria para qualquer pessoa, para o padeiro, o catador de lixo, o congressista ou o dono da multinacional. Mas me interessam mais as vidas dos padeiros e dos catadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu tens rela\u00e7\u00e3o com o audiovisual desde muito nova (participou do cl\u00e1ssico \u201c<a href=\"https:\/\/vimeo.com\/238439307\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ilha das Flores<\/a>\u201d, do Jorge Furtado, com cerca de oito anos, al\u00e9m de outros trabalhos de atua\u00e7\u00e3o em produ\u00e7\u00f5es como &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/08\/06\/cinema-houve-uma-vez-dois-veroes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Houve Uma Vez Dois Ver\u00f5es<\/a>&#8220;, &#8220;Sal de Prata&#8221; e &#8220;Vai Dar Nada&#8221;). E atr\u00e1s das c\u00e2meras, j\u00e1 tinha trampado? O que tua experi\u00eancia com cinema te faz perceber como atrativos em adaptar a hist\u00f3ria d\u2019Os Replicantes para as telas?<\/strong><br \/>\nSim, venho de uma fam\u00edlia das artes, meus pais sempre trabalharam com cinema e teatro, ent\u00e3o cresci nos sets e coxias (de teatro). Comecei cedo como atriz e fiz muitos bicos em outras fun\u00e7\u00f5es (no figurino, assist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m na arte). Depois quis ir para tr\u00e1s das c\u00e2meras e me formei em Produ\u00e7\u00e3o Audiovisual na PUCRS. Dirigi dois curtas de fic\u00e7\u00e3o na universidade, \u201cRoda Gigante\u201d (2011) e \u201cRoupa Suja\u201d (2014), e alguns videoclipes por a\u00ed. Mas a carreira musical, a produ\u00e7\u00e3o de eventos (que desde 2006 s\u00e3o meu ganha p\u00e3o) e os filhos me deixam pouco tempo pra me dedicar ao que eu mais gosto: escrever roteiros. Durante a pandemia, quando todas as minhas atividades pararam, comecei a querer brincar mais com o v\u00eddeo, algo que dava pra fazer sozinha, e criamos em coletivo um programa de variedades no YouTube chamado <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Jq66rnvzxGs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MiniMundo<\/a>. Foi um fracasso de p\u00fablico, mas nos manteve s\u00e3os naquela loucura toda. Produzir no \u00f3cio me fez ter vontade de investir novamente no audiovisual. Foi ent\u00e3o que comecei a trabalhar sistematicamente com a Virginia e o Matheus. Ainda no distanciamento, nos unimos para fazer o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/results?search_query=Socorro+Ocidente+Show\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Socorro Ocidente Show<\/a>, para que o bar Ocidente n\u00e3o entrasse em fal\u00eancia \u2014 esse sim foi um sucesso. Juntos, come\u00e7amos a ver que era hora de contar essas hist\u00f3rias, do Ocidente, dos Replicantes e de tantos outros, antes que as pessoas todas morram. Afinal, ningu\u00e9m est\u00e1 ficando mais jovem e percebemos como a exist\u00eancia \u00e9 fr\u00e1gil. Acho que essa \u00e9 uma urg\u00eancia: registrar as pessoas e as coisas antes que elas n\u00e3o estejam mais aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o vai ser o primeiro filme documental sobre o quarteto, considerando \u201cO Futuro \u00e9 Vortex\u201d (que foca no est\u00fadio de mesmo nome que o Repli teve e ajudou a fomentar o circuito underground no sul) e \u201cLibert\u00e0\u201d (que retrata o processo de cria\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum hom\u00f4nimo, o mais recente do grupo at\u00e9 ent\u00e3o) &#8211; assista aos dois no final do texto. O que esse doc dos 40 anos pretende explorar exatamente?<\/strong><br \/>\nVamos explorar os 40 anos por meio de material de arquivo, revisitando esses documentos visuais que j\u00e1 existem e captando novas entrevistas, tanto com todos os membros que passaram pela banda quanto com parceiros, amigos e f\u00e3s, an\u00f4nimos e famosos, que acompanharam essa trajet\u00f3ria. Tamb\u00e9m queremos explorar a influ\u00eancia dos Replicantes no in\u00edcio de novas bandas (quantas pessoas come\u00e7aram tocando um cover de Replicantes? Eu comecei!) e revelar ao p\u00fablico o processo criativo de cada androide na composi\u00e7\u00e3o desses hinos que marcam gera\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o queremos ficar s\u00f3 em cabe\u00e7as falantes n\u00e3o, um filme de entrevistas n\u00e3o nos interessa, queremos uma narrativa bem musical, punk rock, com tudo isso que j\u00e1 falei e mais toda a cobertura de bastidores da constru\u00e7\u00e3o do grande show de 40 anos. Vamos buscar uma narrativa \u00e1gil, com muitas imagens de arquivo sobrepostas com anima\u00e7\u00f5es e inspirada em filmes como &#8220;Dogtown and Z-Boys&#8221; (Stacy Peralta, 2001), &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/04\/14\/os-30-anos-de-bricks-are-heavy-do-l7\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L7: Pretend we&#8217;re Dead<\/a>&#8221; (Sarah Price, 2016), &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/18\/cinema-documentario-moonage-daydream-honra-a-grandiosidade-de-david-bowie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Moonage Daydream<\/a>&#8221; (Brett Morgen, 2022) e &#8220;A Vida At\u00e9 Parece Uma Festa&#8221; (Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que j\u00e1 se tem de acervo para compor a obra? H\u00e1 algo que ainda n\u00e3o veio a p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nTemos horas de entrevistas da banda em v\u00e1rias fases, al\u00e9m dos j\u00e1 citados filmes pontuais sobre a carreira, o que ajuda a dar corpo ao projeto. Estamos na fase de pesquisa de material de arquivo e ainda produziremos entrevistas e registros in\u00e9ditos da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu est\u00e1s na banda h\u00e1 18 anos, mas j\u00e1 curtia antes de fazer parte. Tens dito que a ideia para o document\u00e1rio \u00e9 cruzar essas duas vis\u00f5es: de f\u00e3 e de integrante. Como fazer? Na tua cabe\u00e7a, o que muda em cada uma dessas perspectivas?<\/strong><br \/>\nA quest\u00e3o de artista\/p\u00fablico \u00e9 simbi\u00f3tica, um n\u00e3o existe sem o outro. Quer dizer, a gente pode fazer arte s\u00f3 para n\u00f3s, mas ela s\u00f3 ter\u00e1 relev\u00e2ncia se comover algum outro. Quando come\u00e7amos a pensar esse document\u00e1rio, Virginia e eu ficamos refletindo\u2026 Poxa, a hist\u00f3ria toda que os guris falam \u2014 como Gerbase e Wander se conhecendo no ex\u00e9rcito, ou como os irm\u00e3o Heinz escolheram qual instrumento queriam tocar \u2014, tudo isso est\u00e1 contado. Posso passar uma lista de links para v\u00eddeos com essas hist\u00f3rias. Mas a rela\u00e7\u00e3o com os f\u00e3s, as bandas que come\u00e7aram inspiradas na gente, o nosso p\u00fablico que junta galera de todas as camadas sociais e de v\u00e1rios cantos do pa\u00eds, isso n\u00e3o tem em lugar nenhum. E eles s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nome sugerido para o doc \u00e9 \u201cSeja Punk Mas N\u00e3o Seja Burro\u201d, verso da m\u00fasica \u2018Tom &amp; Herry\u2019 que \u00e9 bem emblem\u00e1tico &amp; objetivo (d\u00e1 o recado em poucas palavras). Al\u00e9m de ser uma express\u00e3o impactante, tem alguma outra raz\u00e3o para a escolha do t\u00edtulo?<\/strong><br \/>\nAcho que al\u00e9m de ser emblem\u00e1tica, \u00e9 um elogio ao nosso p\u00fablico, que queremos que fa\u00e7a parte importante da narrativa do filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O meio punk, supostamente, \u00e9 pra ser mais progressista, mais acolhedor para diferentes tipos de p\u00fablicos e artistas. Por ser uma banda que tem \u00e0 frente uma mulher e que contou com a colabora\u00e7\u00e3o de outra artista no decorrer de sua exist\u00eancia, a tecladista e produtora Luciana Tomasi, as quest\u00f5es femininas devem ganhar espa\u00e7o na obra? Ali\u00e1s, qual tua leitura sobre a aceita\u00e7\u00e3o de uma frontwoman no meio punk\/hc, tanto dentro da banda como pelo p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nBom, a quest\u00e3o feminina vai estar no filme de qualquer forma, porque \u00e9 um filme dirigido por mulheres. Algu\u00e9m esses dias at\u00e9 brincou que normalmente os caras dirigem e as mulheres produzem, e nesse filme a gente inverteu esses papeis. E \u00e9 bem isso: invertemos. Nossos corpos s\u00e3o pol\u00edticos sempre. E isso se reflete no nosso discurso. No caso, um discurso visual na forma de um document\u00e1rio. N\u00e3o d\u00e1 pra fingir que existe document\u00e1rio imparcial. A gente v\u00ea as coisas a partir do nosso lugar no mundo. De qualquer forma, a quest\u00e3o feminista provavelmente vai aparecer com for\u00e7a e naturalmente quando falarmos dos f\u00e3s e, principalmente das f\u00e3s, do meu tempo como vocalista. Ent\u00e3o nem preciso prever esse tema (eheheh). De todos os estilos musicais, me parece que o punk foi o que a mulher sempre circulou com mais naturalidade, onde nos sentimos mais \u00e0 vontade para tocar sem tantas press\u00f5es est\u00e9ticas e cobran\u00e7as de virtuosidade musical. Mas isso n\u00e3o quer dizer que foi e \u00e9 f\u00e1cil para a gente estar no meio. A viol\u00eancia e o sexismo s\u00e3o estruturais e afetam at\u00e9 os ditos progressistas. O que a gente fez foi come\u00e7ar a se articular mais e se proteger entre iguais, e os eventos\/encontros\/festivais feministas t\u00eam nos preparado melhor pra lidar com tudo isso e buscar uma transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma previs\u00e3o para poss\u00edvel lan\u00e7amento?<\/strong><br \/>\nDepende do or\u00e7amento (risos). O mais prov\u00e1vel \u00e9 lan\u00e7armos at\u00e9 o fim do primeiro semestre de 2025. Se acontecer um milagre, eu quero acreditar, quem sabe a gente consegue lan\u00e7ar ainda neste ano dos 40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do doc, o que mais deve rolar para celebrar os 40 anos do Repli?<\/strong><br \/>\nVem exposi\u00e7\u00e3o no Museu do Trabalho, em Porto Alegre. Vem um livro escrito pelo Juann Acosta e com pesquisa do Samarone Silveira. E, claro, o grande show, dia 16 de maio, tamb\u00e9m na capital ga\u00facha.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Document\u00e1rio &quot;O Futuro \u00e9 V\u00f3rtex&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a9kX_bfGC0Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os Replicantes |  DOC Libert\u00e0\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1dZuoc0W6Vo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Ben Para Todo Mal<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Fernanda Chemale.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Queremos explorar a influ\u00eancia d\u2019Os Replicantes no in\u00edcio de novas banda e revelar ao p\u00fablico o processo criativo de cada androide na composi\u00e7\u00e3o desses hinos que marcam gera\u00e7\u00f5es. Queremos uma narrativa bem musical, punk rock&#8221;, afirma Julia.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/02\/19\/seja-punk-mas-nao-seja-burro-julia-barth-fala-sobre-o-documentario-que-pretende-revisitar-40-anos-dos-replicantes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":79480,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[946,213],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79478"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79478"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79478\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79484,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79478\/revisions\/79484"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}