{"id":79373,"date":"2024-02-07T00:02:00","date_gmt":"2024-02-07T03:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=79373"},"modified":"2024-03-07T08:53:45","modified_gmt":"2024-03-07T11:53:45","slug":"critica-quer-ver-um-jovem-classico-do-terror-nascendo-assista-o-mal-que-nos-habita-de-demian-rugna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/02\/07\/critica-quer-ver-um-jovem-classico-do-terror-nascendo-assista-o-mal-que-nos-habita-de-demian-rugna\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Quer ver um jovem cl\u00e1ssico do terror nascendo? Veja &#8220;O Mal que nos Habita&#8221;, de Demi\u00e1n Rugna"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O di\u00e1logo mais impactante de \u201cO Mal que nos Habita\u201d (\u201cCuando acecha la maldad\u201d \/ \u201cWhen Evil Lurks\u201d, 2023), filme escrito e dirigido <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/11\/21\/entrevista-demian-rugna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pelo cineasta argentino Demi\u00e1n Rugna<\/a>, \u00e9 aquele no qual uma ex-golpista religiosa fala sobre o fato de ter mantido, junto ao marido j\u00e1 falecido, uma igreja na qual perpetrava esquemas il\u00edcitos com atores fingindo possess\u00f5es para manipular a f\u00e9 alheia e tomar o dinheiro de pessoas que buscavam orienta\u00e7\u00e3o. Na sua fala, a mulher explica que, um dia, surgiu algu\u00e9m realmente possu\u00eddo em seu templo, que vomitou partes dos corpos de seus familiares, devorados por ele na noite anterior. Era o come\u00e7o de uma presumida epidemia, na qual as apari\u00e7\u00f5es demon\u00edacas surgem em pessoas quase como uma doen\u00e7a, e cabe a alguns poucos indiv\u00edduos o conhecimento, oriundo de monges, de como retirar tais males dos corpos j\u00e1 condenados de modo a n\u00e3o transmitir aquilo \u00e0queles em seu entorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Deus estava morto, e o tempo das igrejas terminou rapidamente. E n\u00f3s assumimos a responsabilidade pelos danos que causamos \u00e0 f\u00e9&#8221;, explica a agora idosa enquanto segue seu destino para tentar corrigir o mal e salvar a localidade interiorana onde vive do que aquele futuro p\u00f3s apocal\u00edptico em uma Argentina rural representa para todo o planeta. E \u00e9 neste crescente que o filme de Rugna se apresenta ao espectador, quando os fatos j\u00e1 tr\u00e1gicos se fazem realidade e cabe aos poucos naquela zona rural levar \u00e0 frente a vida ainda de forma humana, distante dos j\u00e1, presumivelmente, destru\u00eddos centros urbanos. E este \u00e9 um dos pontos diferenciais do texto do cineasta. Aqui, o mal \u00e9 citado de maneira quase sanit\u00e1ria, como algo contido n\u00e3o com rezas ou f\u00e9. Qualquer deus est\u00e1 morto, como afirmou a ex-pilantra. Ent\u00e3o, cabe ao pragmatismo e ao puro planejamento quase cient\u00edfico o foco para se manter vivo diante do mal que parece querer suplantar a humanidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-79374\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/malquenoshabita.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"546\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/malquenoshabita.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/malquenoshabita-300x218.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma trama simples, o longa do pa\u00eds de Messi se apoia em pouco para conseguir uma sagaz narrativa. Na premissa de que qualquer possu\u00eddo precisa ser eliminado de forma adequada para n\u00e3o alastrar o horror contido em si mesmo como um v\u00edrus, \u201cO Mal que nos Habita\u201d encontra seu principal direcionamento no brutal resultado oriundo da estupidez humana, que apresenta da maneira com a qual os habitantes daquela localidade tomam as decis\u00f5es mais equivocadas poss\u00edveis \u00e0 medida com que se deparam com o resultado da prolifera\u00e7\u00e3o do mal como forma de cont\u00e1gio mutante. E em cenas horripilantes, o simbolismo da perda da f\u00e9 confundindo-se com a perda da sanidade torna-se o foco central daquela catarse f\u00edlmica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos poucos, o espectador vai sendo apresentado ao contexto do que se tornou o mundo naquele momento, com seus personagens ou em nega\u00e7\u00e3o diante da gravidade de seu entorno ou buscando culpados quando a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 se encontra em outro n\u00edvel de gravidade. Assim, diante da ignor\u00e2ncia e prepot\u00eancia, se perde qualquer conceito de prote\u00e7\u00e3o contra algo que se mescla entre a brutalidade do real; o folcl\u00f3rico que se torna cantigas entoadas por mais velhos e o desconhecido subestimado que abre margem a erros fatais diante da arrog\u00e2ncia de quem os comete. Nesta ambienta\u00e7\u00e3o, D\u00e9mian Rugna encontra o cen\u00e1rio perfeito para, ap\u00f3s apresentada toda aquela estrutura, explorar as v\u00e1rias maneiras visuais como a monstruosidade daquela realidade se apresenta para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E em um dos pontos que melhor reflete o conte\u00fado visual que, aqui, serve n\u00e3o como muleta narrativa para disfar\u00e7ar uma trama capenga, mas, sim, como um complemento para sua sagacidade, o espet\u00e1culo da produ\u00e7\u00e3o argentina encanta os admiradores do g\u00eanero do terror de maneira impressionante ao destacar os cruciais aspectos gr\u00e1ficos de sua trama. Os mesmos, representados pela necessidade de traduzir em imagens aquela perda de qualquer senso de sanidade, criam o choque imprescind\u00edvel das consequ\u00eancias da deflagra\u00e7\u00e3o daquele mal.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-79375\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/malquenoshabita2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/malquenoshabita2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/malquenoshabita2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, quando vemos uma m\u00e3e devorar o c\u00e9rebro de seu rebento como se fosse uma tigela contendo algo saboroso de se lamber os dedos; ou quando uma gestante, ao se deparar com a possibilidade de possess\u00e3o ainda em seu \u00fatero, age de modo assassino e suicida diante da escolha arbitr\u00e1ria de seu marido; ou quando a apresenta\u00e7\u00e3o do mal em sua sequ\u00eancia ainda inicial traz um p\u00fatrido e obeso homem a definhar em sua cama, a percep\u00e7\u00e3o de um cuidado t\u00e9cnico impar em sua produ\u00e7\u00e3o torna \u201cO Mal que nos Habita\u201d uma obra de ainda maior impacto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas claro que sua op\u00e7\u00e3o em valorizar esse impacto gr\u00e1fico vai al\u00e9m de um modo gratuito de se ilustrar aquele cinema. No intuito de fazer valer o teor psicol\u00f3gico de seu terror, Rugna utiliza, tamb\u00e9m, um modo j\u00e1 not\u00f3rio de destacar esse aspecto quando, em seu desfecho, apresenta as crian\u00e7as possu\u00eddas naquele long\u00ednquo vilarejo literalmente esquecido por qualquer deus j\u00e1 morto. E s\u00e3o tais crian\u00e7as que v\u00e3o recepcionar aquele s\u00edmbolo maligno a surgir. No climax de \u201cO Mal que nos Habita\u201d, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o pensar em \u201cA Aldeia dos Amaldi\u00e7oados\u201d, cl\u00e1ssico de 1960, dirigido por Wolf Rilla, ou em \u201cBad Seed\u201d (no Brasil, \u201cTara Maldita\u201d), outro cl\u00e1ssico do terror dirigido em 1956 por Mervyn Leroy. Muito satisfat\u00f3rio sair da sala escura e ver um jovem cl\u00e1ssico do terror nascendo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Mal Que Nos Habita | Trailer Oficial Legendado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lUV9hf8ZBuk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a><\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Brilhante terror argentino, \u201cO Mal que nos Habita\u201d une algo raro no g\u00eanero: apuro visual e t\u00e9cnico, boas atua\u00e7\u00f5es e um roteiro sagaz no equil\u00edbrio do brutal com o sobrenatural\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/02\/07\/critica-quer-ver-um-jovem-classico-do-terror-nascendo-assista-o-mal-que-nos-habita-de-demian-rugna\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":79376,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[7027],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79373"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79373"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79373\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79379,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79373\/revisions\/79379"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}